Não é dos factos é mesmo dos fatos, foi o que me ocorreu quando vi esta cerimónia na China, no dia dos Mártires, que se comemora no dia 30/Setembro de cada ano, como homenagem aos chineses que morreram lutando pelo estabelecimento da República Popular da China, que foi proclamada no dia 1 de Outubro de 1949.
Este dia do Mártires é assim na véspera do Dia Nacional da China, comemorado em 1 de Outubro.
Esta foto que obtive no sítio da CGTN (China Global Television Network) impressionou-me pela simetria rigorosa e pelo facto de existirem homens vestidos com fato dispostos numa formatura que costumo ver apenas em paradas militares, se bem que agora me recordo que estas formaturas também são frequentes em algumas manifestações desportivas.
À frente dos homens de fato julgo estar Xi Jinping, no vértice de um V que faz lembrar uma formação de aviões em festival aéreo.
Alem da simetria e da ordem nota-se o gigantismo do vaso com representações aumentadas de flores.
Os ideogramas do vaso que seleccionei foram traduzidos pelo Google Tradutor como "Abençoe a pátria"
Gostaria que o Umberto Eco fosse vivo para analisar de forma muito mais completa toda a simbologia desta cerimónia.
Noto que o céu de Pequim ainda não está azul, perdendo-se rapidamente a nitidez com a distância. Diminuir muito a poluição deverá ser a grande tarefa da China nos próximos anos.
Depois da tropa, a única vez em que fiz parte duma formatura foi em Kyoto, antes duma visita turística ao palácio imperial, os seguranças queriam certificar-se que nos contavam bem. Não gostei da experiência que documentei com duas fotos:
Não tenho escrito sobre a guerra na Ucrânia desde 16/Junho por variadas razões: - passei uma estadia no Algarve com muitos netos, quase durante todo o Verão, com impacto no número de posts deste blogue; - as TVs e jornais portugueses têm coberto os múltiplos eventos que vão ocorrendo; - embora a cobertura dos media portugueses me pareça nesta guerra simpatizar com a Ucrânia e antipatizar com a Rússia, parece-me uma situação normal favorecendo o agredido e censurando o invasor; - mesmo assim é facílimo, para quem acede à internet em Portugal, descobrir sítios elogiando os russos e atacando os ucranianos, tomando assim conhecimento da propaganda do lado russo; - de uma forma geral estou em sintonia com as resoluções aprovadas na ONU, designadamente com as considerações sobre a ilegalidade dos quatro referendos feitos recentemente pela Rússia em áreas da Ucrânia que aquela pretende anexar.
Surpreendeu-me contudo o mistério da sabotagem dos gasodutos Nord Steam 1 e 2 ocorrida recentemente no mar Báltico e que demorou um dia ou dois a ser referidos nas TVs de Portugal.
Hoje googlei (danish defence on nord stream) e cheguei logo ao sítio da Defesa Dinamarquesa com a notícia intitulada “Gas leak in the Baltic Sea” com data-hora 2022-09-27 14:35 mostrando esta fotografia
com legenda “Fuga de gás no Nord Stream 2 visto pelo caça F-16 em Bornholm. Foto: Defesa Dinamarquesa.
Li depois que: - sismógrafos suecos registaram 3 explosões no leito do mar Báltico antes da detecção das fugas de gás e estimam que seriam necessários 100kg de TNT para provocar as explosões detectadas; - finlandeses e outros consideram que se trata de terrorismo de estado, não sendo verosímil que seja acção de instituição privada; - que no sítio das fugas de gás o fundo do mar está entre 70 e 90 metros, sendo a profundidade média do Báltico 55m, com a profundidade máxima de 460m; - que o diâmetro da maior mancha branca parecida à desta imagem atinge 1km.
Resumindo: 1) Uma vez que a Rússia já tinha parado o trânsito de gás no Nord Stream 1 e o 2 nunca entrara em serviço, embora ambos estivessem cheios de gás, não parece lógico que a Rússia tenha destruído uma infraestrutura sua (total ou parcialmente) cujo funcionamento poderia parar a qualquer momento, o que até já tinha feito no fim de Agosto deste ano 2) A Ucrânia e/ou um seu aliado poderia ter interesse numa acção deste tipo, evitando tentações de retoma de funcionamento dos gasodutos no inverno que se aproxima. 3) Muitas outras teorias podem ser (e serão) conjecturadas sobre estes eventos.
Durante as guerras ocorrem muitos mistérios. Sabe-se como começa uma guerra, nunca se sabe como acaba.
É com grande alegria que comunico que ontem, dia 21 de Setembro de 2022, reabriu a Pastelaria "Nova Arcadas" na rua Cidade do Lobito, nos Olivais Sul, no mesmo local onde fechara a Pastelaria Arcadas, regressando a boa gerência do Sr.João e da D.Júlia.
A notícia corre pelos vizinhos, tinha sido pré-anunciada pelo jpt em comentário cifrado neste postal, e anunciada agora aqui, com considerações sobre a essencialidade dos cafés no continente europeu, pensamento naturalmente gerado numa conversa de café.
Senti a falta de cafés em Londres, talvez tenham feito o Brexit por não conseguirem estabelecer cafés, e li algures que embora raros na América do Norte, eles existem em Seattle, como resultado da emigração sueca para essa região.
Em Portugal além de termos cafés, também lá bebemos chá, além de outros "licores intoxicantes", bolos pequenos e mesmo salgados, mostrando o nosso lado global.
Deixo aqui duas imagens do rejuvenescido estabelecimento
Faço votos dos maiores sucessos ao casal João e Júlia nesta nova Arcadas!
Neste Verão recebi um PowerPoint alegando que no passado dia 24/Agosto o planeta Marte estaria tão perto da Terra que apresentaria um diâmetro aparente parecido ou mesmo maior do que a Lua!
A apresentação fez-me lembrar os tempos da tropa em que fervilhavam os boatos sobre o que nos esperava no próximo futuro. Sempre achei inútil e por vezes mesmo perniciosa esta criação de previsões irreais, ultimamente considero-a uma consequência colateral talvez inevitável da capacidade humana para imaginar realidades diferentes das actuais, contrariando o TINA "There Is No Alternative", (Não existe alternativa), figura de retórica muito querida da Margaret Thatcher.
Embora me parecesse que estava perante uma grande treta, aproveitei a oportunidade para refrescar alguns números do Sistema Solar.
Características da órbita da Lua em milhares de km: Perigeu=363, Apogeu=405, Semi-eixo maior da elipse [ (Perigeu + Apogeu) / 2 ]=384
Tomando o semi-eixo maior da elipse como uma aproximação razoável da distância média da Terra à Lua, o Diâmetro aparente (angular) da Lua vista da Terra será dado pelo valor da função trigonométrica ArcTg do Diâmetro da Lua / Distância média entre Terra e Lua. Esse valor é 0,518 graus.
No artigo "Quando a Lua Inchou" Nuno Crato faz considerações sobre o valor do diâmetro aparente da Lua, que é meio grau como afirmei acima, e sobre as razões para a Lua nos parecer maior quando está mais próxima da linha do horizonte. Para minha surpresa, o meu polegar consegue tapar completamente a Lua quando, antes de fazer estas contas e ler o artigo acima referido, estimei que precisaria dos dois polegares para a tapar completamente.
Na altura em que fiz estas consultas estava a Lua Nova pelo que, na impossibilidade de verificação directa, fui calcular o diâmetro aparente do meu polegar quando tenho o braço esticado. A largura do meu polegar é 2,5cm, trata-se assim de um polegar "standard"com dimensões muito próximas da polegada do sistema imperial de medidas que é 2,54cm. Medi a distância do olho ao polegar com o braço esticado, obtendo 67cm. Para estes dois valores o diâmetro angular do meu polegar visto com o meu braço esticado será 2,1 graus, maior portanto do que o diâmetro angular da Lua.
Quando apareceu o quarto crescente fotografei (em 4/Set/2022 às 21:27) o meu polegar quase a tapar a Lua, como se pode ver na imagem ao lado.
Tive dificuldade em segurar o telemóvel com uma mão e accionar o disparo da máquina fotográfica com o polegar dessa mão (o outro polegar estava a ser fotografado...) e não garanto que o telemóvel estivesse encostado à vista como devia.
Resumindo, o valor desta imagem é mostrar que um simples polegar pode tapar completamente a visão do satélite da Terraa!
Como o diâmetro aparente do Sol é muito parecido ao da Lua (0,536 graus em vez dos 0,518) o polegar pode também tapar o Sol, se bem que com menor eficácia, porque a luminosidade à volta do Sol é muito intensa.
Quanto a Marte, tomando em consideração os valores do Periélio e do Afélio dele e também os da Terra , e considerando como distância mínima (em milhões de km) entre os dois astros igual ao Periélio de Marte (206) - Afélio da Terra (152), obtemos 54 milhões de quilómetros. Este valor não é forçosamente observável, trata-se de um minorante. Mesmo assim, considerando que o diâmetro equatorial de Marte é de 6792km, o diâmetro angular de Marte nessa distância teórica de 54 milhões de km não passaria de um ângulo de 0,007 graus, seria assim 74 vezes (0,518/0,007) menor do que a Lua média!
Neste artigo do OAL (Observatório Astronómico de Lisboa) intitulado "Marte à distância mínima da Terra (06/10/2020)" refere-se um momento de grande proximidade em que a distância será "apenas" 62 milhões de quilómetros, referindo também que "A distância entre a Terra e Marte varia muito ao longo do ano,
provocando grandes alterações no diâmetro aparente e brilho de Marte. ". Contudo estas grandes variações do diâmetro aparente de Marte são mais notáveis para um amador de astronomia com telescópio do que propriamente a olho nu por um observador não familiarizado com estes temas.
Para ilustrar a situação reproduzo uma imagem do artigo do OAL com as órbitas da Terra e de Marte que ilustra a grande variação da distância entre a Terra e Marte atendendo a que os dois planetas completam a sua órbita com períodos de tempo diferentes.
Entretanto hoje (7/Set/2022 20:04) a Lua já estava mais cheia do que na foto com polegar acima (de 4/Set) e embora parecesse maior do que nesse dia porque estava mais próxima do horizonte, continuava a ter o mesmo diâmetro aparente medido pelo meu poderoso polegar esticado:
Numa casa de férias no Algarve, com ausências fora do Verão de um ou dois meses, é prudente escolher plantas resistentes à falta de chuva (ou de rega dum cuidador) por períodos prolongados.
É o caso destas plantas suculentas, agora muito em voga, que fotografei ontem às 14:53 debaixo de um sol intenso, que parecem bastante saudáveis
Na verdade o que na altura me chamou a atenção foi a parede por trás das suculentas que estava a ser iluminada por raios solares rasantes à sua superfície.
Em recomendações sobre fotografia tenho lido que se deve aproveitar a luz do sol próxima do nascer e do pôr-do-sol, em que a luz rasante proporciona condições mais favoráveis. Normalmente estou a dormir na parte do nascer do sol pelo que só aproveito metade das oportunidades e talvez por isso decidi-me a aproveitar a luz rasamte sobre a superfície deste muro a cerca de uma hora de distância do meio-dia solar (14:54 - 13:35 = 01:19) e que mostro a seguir
Dada a natureza rasante da luz solar no muro/parede fotografado, muito pouca luz directa do sol é reflectida pelo muro que presumo que seja visível pela radiação luminosa reflectida por outras superfícies próximas. Contudo, as pequenas protuberâncias da tinta aplicada na superficie reflectem bem esses raios rasantes, dando lugar a pontos de grande intensidade luminosa em relação às áreas vizinhas
Neste período estival, ao ler a receita diária que aparece no fim do "daily briefing", gentilmente enviado gratuitamente pelo New York Times, apareceu-me mais uma vez uma referência a "eggplant" (a palavra usada por norte-americanos e australianos quando referem a beringela), na receita diária mostrada no fim do email.
Desta vez decidi-me a investigar porque seria que usam um termo que traduzido literalmente daria "planta do ovo".
Googlei (eggplant etymology) e apareceu-me logo que a razão era porque uma das variedades de beringela cultivada anteriormente era de cor branca, em vez da cor roxa que é actualmente mais comum.
Consultei a Wikipédia que refere que o nome original teria tido origem na Índia, de onde passou pelos persas, árabes e península ibérica onde gerou a palavra "beringela " em Portugal e "alberenjena" em Espanha, tendo desta última originado "aubergine", em uso em França, Reino Unido , Alemanha e outros países.
O termo "eggplant" é explicado pela imagen seguinte, retirada do artigo da Wikipédia acima referido
By Horticulturalist RJ - Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=48026339
em que se vê uma beringela branca ladeada por dois ovos de galinha. A semelhança com um ovo de galinha do fruto da variedade de beringela de cor branca, no estado inicial do seu desenvolvimento, é a razão para usarem o termo "eggplant".
Quando fica madura a variedade branca deixa a forma de ovo ficando com a mesma forma da variedade roxa, actualmente mais comum, conforme se constata na imagem seguinte
By J.E. Fee - originally posted to Flickr as Three Types of Eggplant, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4033839
Li na última página do jornal Expresso de 29 de Julho de 2022 o seguinte título: "Costa obrigado a brutal aumento de pensões".
Trata-se de referência à existência da "lei 53B de 2006 que obriga o Governo a actualizar as pensões, de acordo com uma fórmula combinada que tem em conta os níveis de inflação e os valores do crescimento económico.
Não se trata portanto de um aumento real das pensões mas simplesmante de uma actualização considerando a inflação e a economia. As receitas do Estado têm aumentado ultimamente devido precisamente à presença da inflação.
O título noutra perspectiva poderia ser "Costa obrigado a evitar brutal redução de pensões".
Em 24/Jun/2022 fui surpreendido por estas construções na areia na Praia da Rocha, no concelho de Portimão
Pensei na altura que quem passeava no passadiço de madeira em vez de ver o mar ao longe via um estaleiro de obras com résteas de mar ao fundo entre as nesgas deixadas livres por alguns contentores ou então via apenas a parede de lona branca de uma espécie de armazém, o mesmo se passando com os restaurantes de praia ao longo do passadiço que ignoro se terão sido todos indemnizados pela obsrução da vista desimpedida incluída certamente no custo dos contratos de concessão desses estabelecimentos.
Entretanto o proprietário de um dos restaurantes do passadiço informou-me que não receberam qualquer indemnização pelo prejuízo causado pela presença de um estaleiro de obras obstruindo a vista do mar, de ruídos de obras durante a construção e o desmantelamento dos equipamentos temporários, e da existência de música num nível sonoro elevado, não apreciado pela clientela habitual que se rarefez, sem a sua ausência ser compensada pela presença dos espectadores dos festivais, consumidores de estabelecimentos existentes no interior do recinto. Esta rarefação de clientela estendeu-se desde 20/Maio a 20/Julho, um período importante na actividade sazonal destes estabelecimentos.
Ao fundo não se vêem toldos nem chapéus de sol, confirmei depois que os concessionários não os puderam instalar durante esse período. Os concessionários foram indemnizados por essa circunstância, não sei se de forma adequada.
Nesta foto achei curiosa a presença de uma fiada de instalações sanitárias mas, pensando melhor considerei que seriam sobretudo para os trabalhadores que instalaram os equipamentos pois seriam manifestamentamente insuficientes para os muitos milhares de espectadores dos espectáculos.
Os 4 pilares metálicos aparentavam a altura de um prédio com pelo menos 6 andares, aproximadamente 18 metros, devem ser necessidades das instalações sonoras.
Seis dias depois, no dia 30/Jun/2022 pelas 10 e meia da noite, na véspera do 1º dia do "AfroNation" tirei mais três fotos dos equipamentos, a partir da Avenida Tomás Cabreira e da Fortaleza de Santa Catarina
Nesta imagem constata-se que a cobertura com a altura de 6 andares está completa, assim como o que presumo que seja um 2º palco lá ao fundo, do lado direito da imagem. Entre os dois palcos existe um pavilhão com dois pisos onde estariam mesas com cadeiras mais ou menos vip mas todas bastante dispendiosas. O número de instalações sanitárias aumentou muito desde 24/Jun, não faço ideia se serão suficientes.
Nas traseiras do palco principal vi estas tendas em formas de iglo e uma com a forma de um toro geométrico. Senti-me uma criança a perguntar para que serviriam estas tendas, disseram-me que provavelmente seriam camarins para os artistas que iriam actuar. O toro, com uma planta no espaço interior, talvez fornecesse uma área de convívio para artistas e organizadores do evento
Na noite seguinte, dia 1/Julho/2022 àas 11 da noite tirei mais duas fotos, na primeira vê-se a imensa multidão em frente do palco e o pavilhão com mesas e cadeiras iluminado com cores roxas e rosadas
Na imagem a seguir vê-se melhor a multidão
Não contentes com a série de espectáculos em 1, 2 e 3/Jul, houve uma segunda série de espectáculos nos dias 6, 7 e 8/Jul. Desta vez fotografei a actividade de dia, ao fim da tarde, cerca das 8 horas, vendo-se agora a multidão à luz do dia
Para finalizar fotografei ainda no dia 14/Jul/2022 o local previamente invadido por equipamentos e multidões pelas 7 e meia da tarde.
A restituição do espaço ao público em geral ainda não estava completada, disseram-me que ficou concluída em 20/Jul/2022.
Considero esta cedência de espaço público a uma organização de festivais um abuso de poder da CMP-Câmara Municipal de Portimão. Os proprietários dos numerosos apartamentos da Praia da Rocha pagaram no preço respectivo, no IMT (à semelhança da sisa o imposto mais estúpido do mundo que ainda perdura) e todos os anos no IMI uma importância que em boa parte se deve à presença de uma praia que a CMP tem a obrigação de manter em boas condições de utilização, incompatíveis com a indisponibilidade de uma área muito importante da praia, na época alta e muito alta, vendida a organizadores de eventos barulhentos.
O estádio de futebol construído no concelho de Loulé para o Campeonato Europeu de Futebol do princípio do século XXI seria, por exemplo, uma localização muito mais adequada para um evento deste tipo, os Portugueses não devem ser privados do usufruto do seu Domínio Público Marinho.
Há alguns anos irritava-me, talvez devido ao tempo muito quente, quando nessa situação de calor desconfortável as previsões meteorológicas anunciavam "continuação do Bom Tempo" mesmo quando a temperatuva estava próxima do insuportável.
Ultimamente tenho constatado uma maior prudência na comunicação dos meteorologistas, que passaram a dizer de forma mais neutra "continuação do Tempo Quente".
Finalmente hoje vi na App de meteorologia do iPhone a classificação de "Mau tempo"
com o comentário "Grandes perturbações devido a temperaturas extremamente altas".
Há aqui uma tomada de posição, que parece devida quer às "grandes perturbações" quer ao carácter "extremo" que são assim qualificadas de "más".
Fez-me lembrar a doutrina do meio-termo da Ética (que não cheguei a ler...) de Aristóteles, referida muitas vezes através da frase "no meio está a virtude". Esta rejeição dos extremos era por sua vez rejeitada pelos movimentos extremistas, que na minha juventude nos anos 70 eram em Portugal tendencialmente de esquerda. Agora, mesmo opiniões mais conservadoras em Portugal anseiam pelas "Reformas Estruturais" que causarão provavelmente "Grandes Perturbações".
Dei uma vista de olhos pela "Doutrina do meio-termo" e concluí que se trata duma doutrina muito popular, transversal a Civilizações e a Religiões. A referência a Aristóteles deve-se portanto à relevância do contributo dos textos deixados por este filósofo grego na civilização ocidental.
E no outro dia o meu neto com 11 anos perguntou-me o que era o "Ocidente".
No destaques do
jornal Expresso de 24/Jun/2022, na página 4 (e neste link) consta uma notícia do jornalista Vítor Matos informando que houve alterações
no treino dos instruendos do Regimento de Comandos. A Revista da edição de 01/Jul/2022
contém uma artigo mais desenvolvido do mesmo jornalista sobre os Comandos.
Em 2016 morreram
dois recrutas na prova final do curso de formação de Comandos, devido sobretudo
à desidratação usada como forma de pôr à prova a resistência e espírito de
sacrifício dos candidatos a futuros Comandos. O evento foi amplamente
noticiado, comentado e objecto de processos judiciais, também abundantemente
noticiados.
Na altura
lembrei-me do filme sobre o general Patton, interpretado por George C.Scott,
quando ele dizia a uma assembleia de soldados mais ou menos isto: “Quero que se
recordem que ninguém alguma vez ganhou uma guerra ao morrer pelo seu país.
Alguns ganharam fazendo com que outros morressem pelo país deles”.
Não faz sentido
provocar mortes de recrutas durante os treinos. Se os treinadores são incapazes
de distinguir um recruta em esforço de outro em perigo de vida é melhor mudar
de profissão ou irem eles próprios treinarem-se para saberem distinguir as
situações.
Felizmente neste
caso o exército foi capaz de reanalisar o treino e até descobrir que a NATO, de
que Portugal é membro fundador, concluiu há algum tempo que treinar para a sede não só
era inútil como até provocava lesões irreversíveis de menor ou maior gravidade,
eventualmente letais, como foi o caso em Portugal.
É consolador
constatar que algumas instituições conseguem corrigir a rota após a constatação
de erros graves embora fosse ainda melhor se os tivessem evitado.
Tenho a sensação
que a Justiça em Portugal tem pouca capacidade de corrigir os erros que se vão
detectando no seu funcionamento. Ou então não comunica as melhorias talvez por pensar
que isso minimiza os seus agentes.
Quando nos anos 70 do século passado se fez o desassoreamento da foz do rio Arade, formando um canal navegável de maior profundidade até à cidade de Portimão, acharam que o melhor destino da areia e lodo escavados do fundo seria o areal da Praia da Rocha que ficaria com uma dimensão como não havia memória nos frequentadores dessa praia.
Essa dimensão viabilizou a construção de muitos prédios de dez a vinte e tal andares, alguns deles substituindo vivendas de dois pisos com um pequeno jardim, criando este skyline que fotografei em Agosto/2008 e que deve ter crescido em altura desde então.
Com a dimensão que a praia tinha antes dos anos 70 os veraneantes de todos estes prédios não caberiam no espaço então existente.
Antes da colocação da areia, nas marés vivas de Setembro existiam sempre alguns dias em que o mar chegava à base das arribas, inundando o espaço ocupado pelos toldos acompanhado pelos gritinhos dos desprevenidos tentando salvar sapatos, toalhas e roupa da água invasora. Nessa altura não era preciso proteger os inexistentes telemóveis.
Depois das obras ficou um deserto de areia, a atravessar antes de chegar ao toldo ou ao local onde se fixa o chapéu de sol. Entretanto, sobre o deserto instalaram um passadiço sobre estacas paralelo à costa, ao longo de toda a praia, que facilita o acesso aos restaurantes concessionados. Foram entretanto surgindo diversos equipamentos temporários durante a época estival, designadamente uma ou duas discotecas e outros de carácter desportivo.
No dia 30/Abril/2022 fui surpreendido por uma instalação de numerosos campos para algum torneio de voleibol de praia:
E dois detalhes da mesma imagem:
Agora é tudo mais em grande do que na minha juventude. Fiz uma contagem baseado nas fotos e pareceu-me que foram montados mais de 50 campos de vólei.
As "Construções na Areia", a que dei o título deste post, eram uma iniciativa patrocinada pelo jornal Diário de Notícias em diversas praias de Portugal, em que jovens faziam uma pequena escultura de areia, numa área de aproximadamente um metro quadrado, havendo depois 3 prémios e várias menções honrosas.
Parece-me que agora montaram tantos campos de vólei como antes havia concorrentes para o concurso de Construções na Areia na Praia da Rocha. E é positivo que aproveitem o "deserto" para estas actividades desportivas, estendendo a utilização da área para períodos fora da época estival, sem perturbar o acesso à beira-mar.
Na mais recente reunião dos países do G7, que terão sido os países mais industrializados do mundo antes de fazerem um "outsourcing" maciço de muitas das suas indústruias para a China e outros países do Extremo Oriente, nessa reunião de há dois dias a Reuters sinaliza o seguinte objectivo: "G7 aims to raise $600 billion to counter China's Belt and Road initiative", iniciativa chinesa que começou em 2013, há nove anos.
Pareceu-me isto particularmente chocante, o G7 não se ter lembrado de investir noutros países com falta de capital para melhorar as suas infraestruturas mas, tendo reparado na iniciativa chinesa, irá reagir investindo também ele algum capital.
Claro que os chineses também têm as suas contradições, actualmente a maior das quais é sublinhar constantemente a importância do respeito pela soberania de cada nação e pelas respectivas fronteiras, conforme a Carta das Nações Unidas, sendo porém incapaz de condenar a invasão militar russa da Ucrânia, conforme foi justamente referido mais uma vez pela NATO na sua reunião em Madrid.
Ontem o presidente Marcelo, falando sobre as alterações climáticas a jovens, disse: "Têm de lutar por vocês, não confiem nos decisores, há exceções, há
alguns que serão sempre os vossos maiores aliados, mas não a maioria ..."
Podemos confiar em pessoas que dizem que não devemos confiar neles ou, numa forma mais fraca, na maioria deles?
Trata-se de uma das variantes deste paradoxo, figura de retórica também utilizada pelo Prof. Daniel Bessa que referi em "A dificuldade da imprensa económica".
A propósito desta Nota de Viagem sobre uma ciclista na paisagem que o fizeram (a ciclista e a paisagem) pensar em Portugal e na Dinamarca comentei o que aqui transcrevo:
«
A situação em Lisboa e presumo que noutras partes do país alterou-se radicalmente em relação às bicicletas desde que apareceram as que têm apoio de motor eléctrico. Lisboa, com as suas colinas e pavimento empedrado era impraticável. Agora vêem-se imensas bicicletas e nas subidas é facílimo detectar se têm apoio eléctrico, neste caso o condutor continua confortavelmente sentado no assento com uma cara de quem vai a pedalar tranquilamente numa planície.
Os portugueses têm os seus entusiasmos e em Lisboa têm criado ciclovias por muitos sítios, às vezes são chamadas ciclovazias porque nem sempre têm utilizadores.
Por outro lado, eu lembro-me de ter tirado a carta de bicicleta em cujo exame me perguntaram o significado de uns tantos sinais de trânsito e me viram talvez pedalar fazendo um oito numa área vedada ao trânsito. Agora qualquer pessoa pode andar de bicicleta sem qualquer burocracia e os ciclistas parecem ignorar regras que antes existiam como por exemplo respeitar os sinais de sentido proibido e não andar nos passeios com velocidades que colocam os peões em perigo.
Existe ainda mais uma contradição que consiste na criação de imensos sentidos únicos nas artérias da cidade para tornar o trânsito "mais fluido", leia-se "mais veloz", aumentando as distâncias que num carro exigem apenas um pé no acelerador enquanto nas bicicletas é sempre preciso pedalar, justificando esta violação dos sentidos proibidos.
Uma vez que os vereadores têm tanto entusiasmo em reduzir a velocidade a que circulam os carros, seria de considerar a supressão de muitos sentidos únicos que deixaram de fazer sentido.
E impor uma forte limitação à velocidade máxima das trotinetas uma vez que se trata de veículos que é impossível assegurar que não usem os passeios enquanto será simples limitar a velocidade a, por exemplo, 15 km/h para não pôr em perigo a vida dos peões que não são atropelados exclusivamente por automóveis.
»
Em 2017 fiz um post sobre as bicicletas GIRA em Lisboa mas desde esse ano, em que experimentei estas bicicletas, não as tenho usado porque só recentemente apareceram docas na minha rua.
Até agora eu tinha considerado a Guerra de Invasão da Ucrânia pela Rússia como uma violação inequívoca da Carta da Nações Unidas e como tal injustificável.
Contudo tinha curiosidade em conhecer que conjunto de possíveis razões teriam levado Putin a cometer um erro tão grande, pois nenhuma das alegadas “justificações” me parecia verosímil:
A quase totalidade das intervenções da NATO tiveram como base Resoluções da ONU e nenhuma teve a dimensão de morte e destruição da agressão russa à Ucrânia.
2) Desnazificação da Ucrânia O facto de existirem elementos de extrema-direita no Batalhão de Azov, usando símbolos das milícias SS do tempo do Hitler não equivale ao estado ucraniano ter uma natureza nazi. Caracterização particularmente ridícula quando o primeiro-ministro ucraniano tem ascendência judaica.
3) A Ucrânia e o povo ucraniano não existem nem nunca existiram Este discurso de Putin horas antes do início da invasão pode-se considerar como uma realidade alternativa criada pela vontade imensa de Putin de aniquilar a Ucrânia e os ucranianos como país soberano. Ironicamente, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) tão apreciada por Putin, reinvidicou na criação da Organização das Nações Unidas em 1945 ter 3 votos na Assembleia Geral, dada a grande autonomia de que gozavam dentro da URSS as repúblicas da Ucrânia e da Bielorússia que constam assim da lista de estados fundadores da ONU, como se pode constatar aqui.
Entretanto enviaram-me há uns dias um “pequeno” filme com a duração de 40 minutos intitulado “Russia Catastrophic Oil and Gas Problem” com o subtítulo “What Russia is Fighting For”.
Tentando resumir esse filme ele mostra as zonas onde existem as maiores jazidas de petróleo e de gás natural na imensidão territorial da Federação Russa, cuja exportação representa 40 a 50% do orçamento do estado russo e 30% do PIB. Destacam-se as jazidas no Mar Cáspio e suas margens, as jazidas no Volga e Montes Urais, e na Sibéria Ocidental conforme se vê nesta imagem da apresentação:
Metade das exportações russas de petróleo e ¾ das de gás natural fluem através de óleodutos e gasodutos para a Europa, representando 33% do orçamento do estado russo:
Este recurso sistemático a oleodutos e gasodutos deve-se à proximidade da Europa, grande importadora de combustíveis fósseis, e à fraca disponibilidade na Rússia de “portos de águas quentes”, significando aqui portos que não fiquem bloqueados por gelo em parte do ano, o que torna difícil a exportação para outros continentes.
Esta infraestrutura montada pela URSS nos anos 70, proporcionando grandes receitas na sequência dos choques petrolíferos de 1973 e 1979, como se vê no gráfico copiado daqui, terá criado uma vulnerabilidade à volatilidade do preço do petróleo. O colapso do preço do petróleo em 1986 poderá ter contribuído para o colapso da URSS.
Nas margens do Mar Cáspio, além da Rússia também as repúblicas do Azerbeijão, Casaquistão, Uzbequistão e Turquemenistão, que ficaram autónomas, tinham algumas jazidas de petróleo e de gás natural. Porém, todas elas precisavam de usar condutas controladas pela Rússia para exportar os combustíveis fósseis, mantendo assim a Rússia uma espécie de monopólio sobre estas produções.
O único país que se conseguiu libertar da tutela russa para exportar a sua produção fóssil foi o Azerbeijão, construindo duas condutas através da Geórgia, um deles terminando no porto turco de Ceyhan no Mediterrâneo e o outro (The Southern Gas Corridor) passando pela Turquia, Grécia, Albânia e mar Adriático até à Itália. Estas condutas devem ter influenciado a tentativa da Geórgia aderir à NATO e a posterior invasão da Rússia para “libertar” a Ossétia do Sul e a Abecásia.
O Turquemenistão gostaria de estender uma conduta sumarina sobre o fundo do mar Cáspio, que lhe permitiria usar as condutas que saem do Azerbeijão e assim aceder a consumidores europeus sem pagar as tarifas das condutas russas mas a Rússia tem a posição que a colocação de condutas submarinas no Cáspio precisam de aprovação de todos os países bordejando esse mar e eles opor-se-ão. O Turquemenistão tem vendido algum gás à China mas a preços menos interessantes.
Entretanto o preço do petróleo, que tem comportamento de autêntica montanha russa, valorizou bastante, com altos e baixos, desde que Putin chegou à presidência em Maio/2000, tendo usado boa parte do aumento das receitas nestes 22 anos para fortalecer as forças armadas russas e para intervenções militares na Tchetchénia, na Geórgia e sobretudo na Ucrânia.
Na figura seguinte constata-se que o escoamento dos combustíveis fósseis da antiga URSS, embora monopolizados pela federação russa, com a excepção do Azerbeijão, na maior parte do seu trajecto, passaram a necessitar de atravessar ou a Bielorrússia ou a Ucrânia para serem entregues aos clientes europeus.
Dada a grande dependência de Moscovo do poder político Bielorusso presume-se que a travessia da Bielorússia não tenha causado problemas, o mesmo não se passando com a Ucrânia que levou designadamente a uma interrupção do fornecimento de gás natural a países Europeus de 1/Jan a 4/Jan/2006, causando disrupções também na produção de electricidade, com alegações que a Ucrânia estaria a desviar algum do gás natural em trânsito para consumo interno. A lista de conflitos contratuais no trânsito de gás russo através da Ucrânia tem sido grande, como se constata neste artigo da Wikipédia “Russia-Ukraine gas disputes”.
Para evitar estes conflitos frequentes a Rússia construiu como se vê na figura:
- Yamal, um prolongamento de gasoduto russo chegando à Bielorússia através da Polónia, até à Alemanha nos finais dos anos 90; - O Nord Stream 1, gasoduto através do mar Báltico directamente da Rússia até à Alemanha com duas condutas paralelas, a 1ª em serviço em Nov/2011 a 2ª em Out/2012; - O Nord Stream2, gasoduto também com duas condutas correndo na maior parte paralelo ao Nord Stream 1, que não foi certificado devido à invasão da Ucrânia em 24/Fev/2022; - Dois gasodutos Rússia-Turquia.
Entretanto foram descobertas na Ucrânia 3 zonas com enormes jazidas de gás natural, maiores ainda do que as da Noruega, no Sul, no Nordeste e na parte mais ocidental. O escoamento deste gás seria facilitado pela existência de gasoduto ligando a Ucrânia à Europa, criando assim um concorrente directo com a Rússia. Em Set/2011 foi assinado contrato com ExxonMobil para explorar gás de xisto, em Jan/2013 assinaram contrato com Shell sobre o Yuziuska Field no Donbass e em Nov/2013 outro contrato com Chevron para a zona oeste.
Logo a seguir em 2014, houve uma revolução, a deposição do presidente pró-russo e a eleição doutro pró-ocidente. Aprovada uma lei banindo o russo como língua oficial a que se seguiu a anexação da Crimeia pela Rússia e a presença de tropas russas na zonas separatistas do Leste.
A potencial quebra do monopólio russo de venda de combustíveis fósseis à Europa poderá, segundo os realizadores deste filme que tenho vindo a descrever, ter sido considerada como uma ameaça existencial da Ucrânia à Rússia.
Em finais de 2014, as 3 companhias petrolíferas acima referidas, sentindo a falta de segurança devida à intervenção russa na Ucrânia, denunciaram os contratos que tinham assinado.
Em 24/Fev/2022 a Rússia iniciou uma invasão militar em grande escala na Ucrânia, provavelmente pensando numa intervenção rápida em Kiev com substituição dos governates ucranianos por outros pró-russos. Como esse plano A falhou, passaram ao plano B, de ocupação completa do Donbass e de todo o Sul pelo menos até Khersov, ocupando a maioria das zonas potencialmente ricas em combustíveis fósseis, tornando o Mar de Azov um lago russo e isolando a Ucrânia do acesso ao mar Negro se conseguirem chegar à Transnístria, confirme se vê na figura seguinte
Resumindo, o império russo tem crescido há centenas de anos, invadindo os vizinhos mais fracos, sentindo-se permanentemente ameaçado pelos vizinhos mais fortes que ainda não conseguiu invadir. Quando um vizinho se torna incómodo, após as pressões diplomáticas e alguns investimentos técnicos (gasodutos) que permitam reduzir a interferência desse vizinho incómodo, passa à intervenção militar com anexação de território (Crimeia) que serve posteriormente também de apoio para uma intervenção militar esmagadora como não se via na Europa desde o final da 2ª guerra mundial.
Continuo a achar esta guerra como uma violação inequívoca da Carta da Nações Unidas e como tal injustificável mas julgo ter percebido melhor o que levou Putin a cometer este erro terrível, reforçando a minha opinião que já nos devíamos ter libertado há muito mais tempo dos combustíveis fósseis que desde que começaram a ser explorados têm estado na origem de muito bem-estar mas também da maior parte das guerras da última centena de anos.
Mais duas notas de rodapé:
A Rússia dizia que a Ucrânia era praticamente um membro da NATO, tendo sido dotada dos armamentos típicos dessa aliança militar. Afinal, a artilharia ucraniana parece ter quase esgotado as munições para os canhões do pacto de Varsóvia cedidas pelos países desse pacto que entretanto acederam ao armamento NATO. De uma forma geral, o mesmo se tem passado com outro armamento, com a excepção de algum armamento anti-carro americano e de drones turcos.
Muita gente tem dito que as sanções têm afectado pouco a Rússia, incluindo os próprios russos. Porém agora têm exigido o levantamento das sanções para permitir o escoamento por mar dos cereais ucranianos.
Se fosse preciso, as últimas declarações de Putin sobre Narva, uma cidade da Estónia próxima da fronteira com a Rússia, que "é verdadeiramente russa", deixaram os vizinhos da Rússia mais preocupados. A Estónia tem tido uma História bastante animada com grandes potências vizinhas como a Alemanha, a Suécia e a Rússia combatendo com entusiasmo pelo seu território e têm nos seus residentes uma componente étnica russa semelhante à da Letónia.
Há uns anos compreendi a Letónia na sua aflição com a presença de russos no território letão constituindo 25% da população e os atritos com a UE sobre este problema. O problema da multiculturalidade agrava-se quando uma das etnias tem uma tradição imperial, como é o caso da russa. Vivem nos países bálticos mas "sentem-se russos", o que quer que isso signifique, e muitos deles não querem aprender a língua identitária do país onde vivem.
Os norte-americanos "resolvem" isso com um pequeno truque linguístico, existem os latinos descendentes de aztecas e espanhóis, os afro-americamos, os americanos nativos, etc. Os euro-americanos têm o prémio de se designarem por americanos, são os propriamente ditos. Por vezes por "caucasianos" para satisfazer o politicamente correcto e que tem pouco a ver com a identidade europeia, pergunto-me onde será a "Caucásia".
Lembrou-me um amigo espanhol que faz hoje 528 anos que Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, dividindo entre Portugal e Espanha as terras descobertas fora da Europa:
Fui buscar uma versão mais completa do mapa ao artigo da Wikipédia sobre este tratado assinado quando reinavam em Portugal D.João II e em Espanha os Reis Católicos, Fernando e Isabel.
Outros países europeus, designadamente a França, a Inglaterra e a Holanda, fizeram notar que os países ibéricos não tinham legitimidade para dividir o mundo desta maneira.
Mesmo assim o tratado evitou de uma forma geral disputas sangrentas entre os dois países dando contudo origem a longas discussões técnicas sobre a posição do meridiano que separava as duas metades do planeta, uma vez que quando o tratado foi assinado não havia forma acessível de determinar a longitude de um dado local.
Neste post de Outubro de 2021 mostrei umas fotos que tirara em Mar/2021 e outras no Verão do mesmo ano em que a protagonista principal era uma planta que o Paulo Araújo do "Dias com Árvores" identificou como sendo a Ferula communis, popularmente conhecida como Canafrecha.
Em Maio /2022 passei por um conjunto de inflorescências desta planta que me agradaram e que as documentam melhor do que no post acima referido.
Este era o aspecto geral de 4 hastes de Canafrecha sobre um fundo de rocha friável comum nesta zona do Algarve
Quando nos passeios à beira-Tejo vejo flamingos penso várias vezes que seria boa ideia voltar no dia seguinte com uma máquina fotográfica. Entretanto, como as máquinas fotográficas incluídas nos telefones móveis estão cada vez melhores, aproveito para fotografar com a do meu.
A foto que segue foi tirada no dia 8/Fev/2022 às 17:20, um fim de tarde de calmaria típico de muitos dias de inverno. O lodo da margem apresenta nas suas poças de água reflexos fortes do azul do céu, parece que estamos numa praia de areia azul…
Enquadrei apenas a parte central desta imagem, destacando assim as duas dezenas de flamingos numa composição quase Zen
Andei depois em direcção ao bando de flamingos que se vê no lado esquerdo da primeira imagem e fotografei-os em tons ainda mais azulados
Finalizando a sessão às 17:35 com mais flamingos ao pé da ponte
A melhoria sistemática das capacidades fotográficas dos telemóveis, juntamente com a disponibilidade permanente deste aparelho quando surge uma oportunidade inesperada duma boa foto, chegou ao ponto de afectar significativamente os fabricantes de máquinas fotográficas. Há muitos anos desapareceram ou deixaram de competir no mercado amador várias marcas europeias como a Rolleiflex, a Leica ou a Hasselblad (vi uma máquina destas actual com o preço de 36000€), sendo na altura substituídas por marcas japonesas. Agora são estas que estão a ser afectadas como por exemplo as empresas Yashica, Minolta e Olympus que cessaram a actividade. Enquanto a primeira destas 3 era uma alternativa económica, a Minolta era uma marca boa bem como a Olympus (vítima de contabilidade falsificada) que fazia a máquina SLR mais leve do mercado. Outras marcas boas como a Asahi Pentax desapareceram há mais tempo. No Statista (https://www.statista.com/statistics/799526/shipments-of-digital-singe-lens-reflex-cameras-worldwide/) constata-se que as máquinas DSLR (Digital Single-Lens Reflex Cameras) baixaram o número de unidades vendidas de 16,2 milhões em 2012 para 2,16 no ano de 2021.
Em 9/Fev/2022 às 17:30, com muitas nuvens cinzentas no céu e uns raiozinhos de sol em fase crepuscular obtive esta imagem com a Olympus E-450, uma DSLR com zoom óptico de 14 - 42mm e abertura 1:3.5-5.6, usando tripé para evitar tremores. O zoom óptico de 3x era insuficiente para registar maior detalhe.
Com a Canon Ixus e o seu zoom óptico de 12 vezes em vez dos 3 da Olympus E-450 foi possível obter imagens maiores dos flamingos. Contudo, a baixa luminosidade da objectiva acaba por impor sensibilidades elevadas, deixando a imagem com muito “grão”.
Quis comparar imagens antigas doutros posts deste blogue sobre o mesmo tema e a mais antiga foi neste post de Nov/2008 de que mostro a foto seguinte, tirada em 15/Nov/1008 13:00 com uma máquina Olympus Camedia C-3020 Zoom
Depois houve outro post de Out/2012 de que mostro a imagem seguinte tirada em 10/Out/2012 18:43 com um iPhone 4S numa tarde de nuvens cinzentas
e finalmente o seguinte também de Out/2012 com uma foto tirada em 11/Out/2012 17:30 em que fui mais feliz do que nas deste ano pois a combinação dos azuis, dos reflexos e dos ouros do sol de fim-de-tarde foram bem captados pela Olympus E-450