2026-07-10

Alterações Climáticas

 

 Este blog, abreviatura de weblog (diário na rede, ou na teia) é influenciado pelo que acontece no dia a dia.. Com estas ondas de calor que aparecem tão “umas a seguir as outtras” que mais parecem um regime quase-estacionário é natural que uma pessoa se lembre das “polémicas alterações climáticas”.

Quer a IA do Google quer a Wikipédia(https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima ) referem que o clima trata da caracterização estatística dos elementos meteorológicos, designadamente temperatura, precipitação, humidade, vento e pressão do ar, num período que a OMM (Organização Meteorológica Mundial) recomenda que seja 30 anos.

A noção de clima é importante para o público em geral e importantíssima quer para as organizações de protecção civil quer para os projectos de engenharia de equipamentos expostos ao ambiente.

Por exemplo, numa região como Lisboa em que a última vez que nevou, deixando um manto  branco pelo menos durante algumas horas, ocorreu há cerca de 70 anos, seria um gasto inútil ter um conjunto de carros limpa-neves para manter as ruas transitáveis no caso de nevar outra vez.

No projecto de linhas de MAT (Muito Alta Tensão) não se deve ignorar o clima da região onde são implantadas. A temperatura do condutor duma linha aumenta o seu comprimento aumentando a flecha da catenária das linhas aéreas, aproximando o condutor do chão. É normalmente a distância do condutor ao chão que, para cada nível de tensão, define a capacidade máxima de transporte de energia duma dada linha. Em Portugal, além das características eléctricas da cada linha o factor ambiental mais importante no projecto é a capacidade de resistência ao vento. A IA do Google resume assim: 
«
As torres metálicas de Linhas de Muito Alta Tensão (MAT) são projetadas para suportar velocidades de vento extremas, geralmente entre 124 km/h e 148 km/h, dependendo da altura da estrutura e da sua localização geográfica. O cálculo exato segue normas rigorosas, como o Eurocódigo 1: Ações do Vento (NP EN 1991-1-4)
»

Na preparação de equipamentos submetidos aos elementos meteorológicos, desde sempre a espécie humana tirou partido da existência do clima da região. Uma casa de habitação dura com facilidade mais de 60 anos, neste caso o dobro dos 30 anos acima referidos e uma pessoa constata a influência do conceito de clima na forma das casas e nos seus acessórios.

Por exemplo nesta casa de Londres as“bandeiras” (parte superior fixa da janela) chegam praticamente ao tecto das respectivas divisões que iluminam


 Na casa seguinte na rua do Bonjardim no Porto as janelas estão praticamente encostadas umas às outras

 Em nehuma das casas se vêem portadas exteriores ou estores para impedir a entrada directa dos  raios do Sol, acessórios quase sempre presentas nas casas de Lisboa.

Por curiosidade tentei confirmar maior protecção contra o Sol em Olhão,sem grande sucesso, começando por esta casa numa rua de comércio com acesso apenas pedonal na maior parte do tempo
 

As janelas estão ligeiramente mais espaçadas do que no Porto mas as portadas de madeira são interiores. Embora as janelas tenham bandeiras nota-se um pé direito muito mais alto do que no Norte, para garantir frescura interior, as janelas não chegam ao tecto. Não sei a razão para se preferir portadas interiores, quando estão completamente fechadas talvez a madeira isole da radiação solar mas mal se entreabre a portada o calor da radiação solar penetra na habitação. 

Lembrei-me dum ditado conformista em relação aos códigos de vestuário que impunham regras de roupa pouco fresca dizendo “Deus Nosso Senhor dá calor conforme a roupa”, neste caso também seria impossível regular a temperatura da habitação, Deus Nosso Senhor providenciaria a temperatura interior mais adequada.

Talvez as portadas sejam mais para segurança contra intrusão e daí serem interiores, poupando-as também à chuva ocasional no inverno.

Na imagem seguinte, ainda na zona das lojas, constata-se alguma evolução no projecto das casas

 

 enquanto a casa central mantém características semelhantes à anterior, a do lado esquerdo tem portadas verdes de Madeira às ripas deixando entrar alguma luz indirecta mesmo quando fechadas e na do lado direito vêem-se estores exteriores. O maior espaçamento das janelas não se deverá a alterações climáticas mas ao aumento da dimensão das divisões das casas.

Na imagem seguinte da Avenida da República, onde passeei nas noites de Verão com a família e amigos, também se constata evolução no projecto das casas mais modernas, notando-se também o predomínio de terraços no topo dos prédios em vez dos telhados nortenhos. Nas casas mais modestas os terraços serviam para secar ao Sol os figos, as passas, etc.

 

 

Não resisti a esta reabilitação duma casa típica olhanense com terraços sucessivamente mais recuados, talvez se trate duma “gentrification” da zona.

 

Para finalizar esta secção das casas mostro ainda uma casa dum senhor de nacionalidade italiana que além de se ter naturalizado português constituiu aqui família tendo-se dedicado à produção de conservas de peixe. A casa que infelizmente ameaça ruína mantém o que suponho ser tradição siciliana, os quartos eram grandes e as janelas muito espaçadas e protegidas por portadas de ripas de madeira pintadas de verde com a possibilidade de deixar entrar alguma da forte luz do Algarve.

Nesta secção das casas, construções cuja forma depende do clima em que estão inseridas, espera-se que o clima seja estável durante um período compatível com a duração da casa que será mais do dobro dos 30 anos referidos pela OMM.

Sobre as alterações climáticas existem dois tipos de questões:

1) Estão em curso Alterações Climáticas?

2) Em caso afirmativo qual a causa e que medidas se devem tomar caso seja possível?

A Meteorologia tem feito progressos impressionantes desde 1970, altura em que os supercomputadores da CDC (Control Data Corporation), modelos 6600 e 7700 usados entre outros no desenho das asas do avião Concorde pela Aerospatiale em Toulouse, outros nos modelos meteorológicos globais. Qualquer telemóvel, daqueles considerados “smart”, terá maior capacidade de cálculo do que esses computadores.

Em relação à Climatologia, estudo do Clima e da sua evolução googlei (Agencies for computing the global climate model) obtendo
«
Global Climate Models (GCMs) and Earth System Models (ESMs) require exascale supercomputing. They are primarily developed and operated by international climate research agencies and national meteorological services, coordinated by the World Climate Research Programme.

The world's leading modeling agencies and consortiums include:
- United States: NOAA Geophysical Fluid Dynamics Laboratory (GFDL), NASA Goddard Institute for Space Studies (GISS), and the Department of Energy (E3SM).
- Europe: European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF / Copernicus), the Max Planck Institute for Meteorology (Germany), and the Met Office Hadley Centre (UK).
- International Collaboration: The EC-Earth Consortium, which comprises a vast network of European meteorological and research institutes.

»

A quantidade e qualidade da informação disponível para os cientistas bem como a complexidade dos processos de cálculo torna difícil a um leigo validar as conclusões destes organismos.Contudo, quer a importância económica de uma boa previsão quer a importância militar, além do brio profissional da maioria dos cientistas leva-me a acreditar mais neles do que nos lobbies pró energias fósseis.

Em relação à pergunta nº1, se estão em curso Alterações Climáticas, existe um argumento para mim inaceitável ao dizer que é sabido que ao longo dos milhões de anos do planeta Terra existiram diferentes climas quer em cada local quer no planeta no seu todo. Este argumento aniquila o conceito de clima, negando a sua existência uma vez que está tudo sempre a mudar. Se isto fosse razoável as casas construídas em Portugal ou em qualquer outra região da Terra teriam que estar preparadas para os frios siberianos,para os climas tropicais, para os tufões, para os nevões, para a secura do deserto e a humidade da floresta virgem, além das pragas de insectos de todos esses climas.

Há também a argumentação de que uma dada  temperatura máxima também ocorreu no longíquo ano de 1900 e picos, conforme se pode constatar numa edição de um jornal a que, muitas vezes um jornalista teve um acesso fácil, como se um valor específico pudesse competir com a quantidade de valores que têm ocorrido e que foram registados nas gigantescas bases de dados das organizações que estudam o clima.

Existe ainda a necessidade de rever parâmetros de projecto de diversas construções caso se constate que os valores a considerar nos mesmos são insuficientes.

Sobre a presença de alterações climáticas considero que o degelo no Oceano Ártico é inescapável, a China está-se a preparar para explorar esta nova rota, o Ocidente está preocupado com a presença de navios chineses nesse Oceano.

Existe outra ligação às ondas de calor que os franceses chamam “La canicule” e nós “a canícula”. Antes de 2015, numa reunião da ENTSO-E o colega francês relatou as dificuldades que estavam a ter com as centrais nucleares com sistema de arrefecimento usando a água de rio, naturalmente recorrendo às torres de refrigeração, como as existentes na antiga central do Pego e na Termoeléctrica do Ribatejo, vizinha da antiga central do Carregado já desactivada.
O problema consistia no aumento de temperatura da água do rio em mais do que x graus permitidos pela  legislação ambiental.
Depois destes problemas passaram a planear as manutenções das centrais nucleares de rio para o período de Verão, deixando  operacionais todas as centrais nucleares cuja água de arrefecimento dependia do oceano.
Em princípio esta planificação seria simples de fazer e não se fazia por não haver problemas com o caudal dos rios usados pelas nucleares, indiciando alterações no clima francês.
Fui com alguma surpresa que li num jornal que estavam com problemas devido à “canicule”.

Ainda no ponto 2 existem contestações política/economicamente motivadas em que dizem que quem defende a presença das alterações climáticas devidas à queima em grandes quantidades de combustíveis fósseis ou são wokes, ou são de esquerda ou então idiotas úteis.

Recebi um link dum site em que mentiam dizendo que a NASA teria dito  que o aumento da temperatura média se deveri a a aumento da actividade Solar. No site da NASA desmentiam com este texto:

«
No. The Sun can influence Earth’s climate, but it isn’t responsible for the warming trend we’ve seen over recent decades. The Sun is a giver of life; it helps keep the planet warm enough for us to survive. We know subtle changes in Earth’s orbit around the Sun are responsible for the comings and goings of the ice ages. But the warming we’ve seen in recent decades is too rapid to be linked to changes in Earth’s orbit and too large to be caused by solar activity.
One of the “smoking guns” that tells us the Sun is not causing global warming comes from looking at the amount of solar energy that hits the top of the atmosphere. Since 1978, scientists have been tracking this using sensors on satellites, which tell us that there has been no upward trend in the amount of solar energy reaching our planet.
A second smoking gun is that if the Sun were responsible for global warming, we would expect to see warming throughout all layers of the atmosphere, from the surface to the upper atmosphere (stratosphere). But what we actually see is warming at the surface and cooling in the stratosphere. This is consistent with the warming being caused by a buildup of heat-trapping gases near Earth's surface, and not by the Sun getting “hotter.”

»

Concluindo, os combustíneis fósseis são causa de grande poluição, têm estado na origem de numerosas guerras e têm facilitado o aparecimento de políticos gananciosos que se apropriam com alguma facilisdade da enorme riqueza que esses combustíveis representam. Estão também a ser consumidos a um ritmo muito maior do que aquele com que foram formados, não sendo uma solução sustentável enquanto o planeta Terra existir.

A Europa é uma região do globo com  pouco petróleo donde seja mais que razoável que se concentre no desenvolvimento de energias renováveis que têm sido integradas no sistema eléctrico nacional com grande sucesso.


2026-07-09

Verdilhão

 

Vi esta pequena ave no aldeamento da Prainha, na altura com uma melodia algo monótona mas simpática, quase uma estátua, que me permitiu ir buscar a máquina fotográfica e fotografá-la sempre no mesmo ramo de uma amoreira, árvore cujas enormes folhas são usadas para alimentar bichos-de-seda.

 

Reenquadrei esta foto para ficar apenas com o motivo principal 

 


Depois coloquei a foto no Google Imagens que informou tratar-se de um Verdilhão, o que faz sentido dado que neste quase contraluz o verde é a cor quase única.

Não confundir com vendilhão, um vendedor ambulante. Segundo o Evangelho Jesus Cristo expulsou os vendilhões que operavam próximo do templo de Jerusalém. 

2026-06-21

Leituras de Sun Tzu


Citam Sun Tzu, o autor de "A Arte da Guerra" como tendo dito: "quando vês um adversário a fazer asneiras não o interrompas".

Lembrei-me disto ao ler o  post do embaixador Seixas de Costa "Espírito de equipa" que transcrevo

"Não estou de acordo com quantos reclamam a saída da ministra do Trabalho. Tal como não defendo a substituição da ministra da Saúde. Nem do líder parlamentar do PSD. Não é prudente tocar nesta equipa.

 

2026-06-18

Destruir Prédios no Líbano

 

Parece uma cena do polícia bom e do polícia mau, finalmente BiBi (Benjamin Netanyahu) deu a oportunidade a Donald Trump de fazer de polícia bom a propósito da invasão do Líbano por Israel, afirmando numa conferência de imprensa na reunião do G7 em Evian que não era razoável destruir um prédio inteiro por estar lá um membro do Hezbollah, numa sequência de imagens transmitidas no jornal da RTP2 em 16Jun2026:

 


 

 



2026-06-15

Festa de aniversário de presidente dos EUA

 

O relvado Sul da Casa Branca em Washington foi usado para montar uma estrutura talvez temporária onde teve lugar um espectáculo de MMA (Mixed Martial Arts), como festa de aniversário do presidente dos EUA que referiu gostar deste espectáculo, passando a mostrar as alterações em fotografias que retirei dum artigo da BBC de 14Jun2026 (Why is Trump hosting a cage fight at the White House?), com o antes e o depois do relvado da Casa Branca

 O "desporto" MMA (as aspas devem-se a que o considero mais um espectáculo do que um desporto) nasceu com regras que toleravam enorme violência pelo que há 30 anos foi interdito na maioria dos estados dos EUA. Ao longo do tempo introduziram algumas regras que o tornaram aceitável em estados que antes o proibiam. Continua contudo a ser um espectáculo muito violento, como se constata nesta foto incluída no artigo da BBC

 

 

No New York Times existe o artigo "Trump Unveils UFC ‘Claw’ Ahead of Cage Match at the White House" de onde tirei mais esta imagem com outra perspectiva do palco e bancadas sobre o relvado da Casa Branca


Fiquei algo desapontado por o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, não ter participado neste torneio, ainda corre o risco de ser substituído no seu cargo por um destes valentes lutadores..

Por outro lado, este gosto do presidente por estas lutas e pelas guerras que tem iniciado, torna-o um bom candidato para um futuro Prémio Musk da Guerra, a ser financiado por  Elon Musk e que será considerado uma espécie de prémio Nobel da Guerra num futuro que parece próximo.


2026-06-09

A vida antes do Google Maps, sem nostalgia

 


Estou a passar por uma "pequena" inundação" em casa, tive que mover todos os livros e gavetas de uma estante, que estava a ficar inchada com as gotas de água que lhe estavam a cair em cima, para conseguir retirá-la do sítio onde a água estava a cair.

No meio da movimentação passei por este livro antigo, que deixei de usar há décadas, à semelhança dos dois ou três mapas da cidade que o substituíram, que fotografei antes de o deitar para o lixo no contentor para papel.

Além de Lisboa tinha informação também sobre as ruas de freguesias que faziam parte de concelhos adjacentes. 

As vias eram referidas por ordem alfabética, se era uma rua ou uma avenida,e para cada via dizia qual a via em que começava e qual a via em que findava. Um "A" seguido por um ou vários números indicava quais os autocarros que por ela passavam e um "E" informava sobre carreiras de eléctricos, um M aparecia nas vias raras servidas pelo Metropolitano.

 

Abri o livro numa página com ruas dos Olivais e para o manter aberto enquanto o fotografava usei uma pedra pisa-papéis

Para se ir a uma rua desconhecida consultava-se este livro e caso começasse ou acabasse numa rua conhecida o problema estava resolvido. Caso contrário ia-se investigar a rua inicial e a rua final até encontrar uma conhecida. Se se conhecesse uma rua por onde passava o o Autocarro ou o Eléctrico referido como passando nessa rua bastaria ir apanhar essa carreira de eléctrrico ou de autocarro, verificando na paragem qual o sentido em que se devia tomar o meio de transporte. À medida que se iam conhecendo as ruas da cidade a consulta tornava-se mais fácil.

Por curiosidade fui ver também a data da publicação que foi em 1975/76, a 11ªedição conforme consta na imagem seguinte


Eu consultava mapas com maior frequência do que este livrinho, mas quer o livro quer os mapas, com a enorme quantidade de construção no último quertel do século XX ficavam rapidamente desactualizados.

O último mapa que comprei e que consulto muito raramente foi este,

 

que tem a ponte Vasco da Gama indicando que é posterior a 1998, data da entrada em serviço dessa ponte e da inauguração da Expo98

 Depois tirei uma foto com o mapa completamente desdobrado, mostrando a sua dimensão (100x 62cm)


 É um mapa mais para consultar em casa , abrir uma mapa deste ao ar livre em Lisboa, cidade frequentemente ventosa, será problemático.

Para ver onde se situa uma rua este mapa tem nas suas "costas" uma lista de todas as vias, com letra minúscula de que mostro uma pequena parte, Em frente do nome da rua tem a quadrícula onde a rua se situa 


Nada disto se compara ao Google Maps que está frequentemente actualizado e que é incomparavelmente melhor do que o mapa em papel, para não falar do livrinho que acabo de apresentar.

A capacidade que o Google Maps tem de mostrar mapas em escalas muito diferentes com uma transição suave entre elas é verdadeiramente extraordinária, tornando obsoleta quer a maior parte dos mapas em papel quer os Atlas.

Além das facilidades de localização de uma rua ou de uma entidade e de indicar direcções usando diversos tipos de meios de transporte, impressiona-me como conseguem estabelecer e manter actualizado um conjunto tão vasto de informação geográfica associado aos horários de muitos transportes públicos em tantos países, tão diferentes!

 

 

2026-06-04

Árvore púdica

 

 Em 19/Mai/2026 fui surpreendido no meu passeio matinal olivalense por esta Tília que se dotara duma "saia até aos pés" num aparente ataque de pudor, talvez por haver muitos passantes dada a proximidade das saídas da estação de metro dos Olivais.

  


A árvore está carregadinha das flores cheirosas com que nos brindam as tílias nesta época do  ano mas embora as folhas pareçam idênticas às folhas da árvore mais longe do chão não se vêem aqui quaisquer flores, o que me surpreendeu.

A cidade de Lisboa tem muitas tílias e talvez o aparecimento destes ramos ao pé do chão ocorram noutras tílias jovens como esta e que o crescimento destes ramos baixos cesse após algumas podas pois não me lembro de ver ramos baixos em tílias mais idosas.

Ao ver esta árvore recordei-me doutra planta que o Paulo Araújo do Dias com Árvores me informou tratar-se duma Figueira-asiática (ficus microcarpa)

 que foi posteriormente podada nos ramos mais baixos que fotografei em 1/Jul/2023

As fotos da Figueira-asiática foram já mostradas no post "Arbusto na areia revisitado, mais um pouco de nostalgia" de Jul/2023.

Continuo a considerar que as árvores em ambiente urbano devem ser podadas com critério mas em jardins botânicos podem/devem ser deixadas tanto quanto possível "ao natural" para os visitantes as conhecerem melhor.

Lembrei-me de duas fotos que tirei há vários anos nos maravilhosos Kew Gardens em Londres que passo a mostrar (clicar nas fotos para ver melhor quando o visor for grande).


 

 

2026-05-27

Alguns ataques às energias renováveis

 

Em Portugal é  muito frequente que qualquer actividade com algum sucesso seja atacada por todos os lados, dificultando a implementação de qualquer novidade. Será uma característica portuguesa que tem evitado alguns grandes disparates mas dificultando a adopção de novas soluções.

Só há pouco tempo conseguimos electrificar o ramal da linha férrea Tunes-Lagos mas em 23/Mai/2026, segundo a SIC Notícias, ainda não se sabia quando iniciariam o serviço os combóios eléctricos!

Já para não falar do novo aeroporto de Lisboa cujas obras estão à espera de melhores dias e do Hospital de Todos-os-Santos cujas obras arrancaram há uns meses para serem interrompidas sine die.

A transição para energias renováveis, designadamente a instalação de muitos geradores eólicos e de muitos painéis fotovoltaicos, estes últimos quer concentrados em terrenos quer instalados nos telhados de indústrias, armazens, lojas, prédios de renda acessível e casas particulares estão a progredir a bom ritmo, sempre com alguma dificuldade na obtenção de licenças ambientais para os grandes projectos.

Deu-se até o caso um bocado ridículo deste evento descrito no AI Overview : " O Ministério Público avançou com uma ação em tribunal para travar a construção da nova central solar para autoconsumo na mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde. Em maio de 2026, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja rejeitou o pedido e autorizou a retoma das obras. ". Tratava-se duma obra devidamente licenciada por todas as autoridades competentes mas o Ministério Público não prescindiu de também ele marcar a sua autoridade sobre tudo e sobre todos, contribuindo com mais um gasto inútil na transição energética.

Houve uma altura em que achava estranhas as eternas queixas dos agricultores de que os nossos solos eram pobres e de má qualidade. Lentamente comecei a admitir que havia algumas zonas realmente pouco produtivas. Em princípio essas seriam boas para instalar painéis fotovoltaicos. Parece que mesmo nos terrenos da mina de Neves Corvo é difícil colocar fotovoltaicos.

Ultimamente tem-se falado muito no custo total das energias renováveis, que provocam a necessidade de construção das redes eléctricas. O país já teve que enfrentar estes desafios, quando não existia Rede Nacional de Transporte e foi constituída a vetusta CNE, Companhia Nacional de Electricidade inaugurada em 1952 pelo Engº Ferreira Dias seu presidente.

Lisboa era então abastecida pela Central Tejo, movida a carvão em Belém, que foi desactivada à medida que se desenvolveram as grandes centrais hidráulicas no Cávado, Zêzere, Douro Internacional e Douro Nacional. As grandes centrais hidráulicas não se situam habitualmente ao pé das cidades, pelo que é inevitável transportar essa energia hidráulica em redes de Muito Alta Tensão para os grandes centros de consumo. O país então arrostou com essa necessidade de investir no Transporte de Energia Eléctrica, à semelhança do que se fazia em toda a Europa e no resto do mundo que conseguia capital para investir nessa área, dotando-se de uma Rede Nacional de Transporte que tem sido muito útil no desenvolvimento económico de Portugal.

Depois de um período inteiramente hidráulico do sistema electroprodutor, o aumento do consumo e a grande variabilidade das afluência hidráulicas portuguesas, num período de 10 anos a energia hídrica disponível anualmente varia de 1 para 4, voltou-se à instalação de centrais térmicas, primeiro a fuel, depois a carvão e finalmente a gás natural. Como não temos gás natural disseminado pelo território também foi necessário construir uma rede de gasodutos que também teve apoio público na sua construção. 

Se a construção de centrais térmicas foi ao princípio relativamente simples, a central a fuel de Setúbal foi desactivada sem ser substituída por outra central térmica no mesmo local. A central térmica a carvão do Pego, uma localidade ao pé de Abrantes, além de precisar de linhas de escoamento de energia precisou também de transporte ferroviário de carvão do porto de Sines visto que não existiam minas de carvão nem no local nem mesmo no país.

O número de horas que funcionam as centrais hidráulicas costuma ser bastante inferior ao das centrais térmicas mas em contrapartida não existe custo de combustível. Há muito tempo que a potência hidráulica instalada é muito inferior à potência média usada durante o ano mas o que interessa é realmente o custo total da energia produzida, remunerando a manutenção e o capital investido e a sua adequação ao perfil de consumo e não apenas o número de horas anuais. 

Com o vento e com o Sol passa-se o mesmo, a energia é gratuita mas não está permanentemente disponível. Vivemos com um Sol intermitente há milhões de anos, a fonte indispensável de toda a vida na Terra. Há uma certa ironia no argumento usado há uns tempos contra a energia eólica de que além de intermitente tinha a característica de ser mais abundante durante a noite quando não havia falta de energia. Com o aumento da presença das fotovoltaicas existe assim uma complementaridade entre a eólica e a solar pois aquela ajuda o sistema na altura em que a solar se ausenta.

Em contrapartida os combustíveis fósseis têm outros custos escondidos como os militares para assegurar preços razoáveis, o controlo da poluição nos rios como, por exemplo, os rios dos EUA que nos anos 70 do século XX às vezes começavam a arder por terem muitos fluidos combustíveis de ignição fácil e a incerteza do preço dos combustíveis fósseis dada a frequência de guerras associadas à sua produção.

Conforme referi  neste post de Jan/2012 intitulado "Energia e Política" as novas tecnologias de produção de energia sempre necessitaram de apoio estatal na altura em que foram introduzidas, até mesmo nos EUA onde ainda subsidiam o petróleo.

Fiz também este post intitulado "Rendas Excessivas?" em Jun/2018.

Ultimamente os ataques  às energias renováveis centraram-se na falta de inércia dos sistemas electroprodutores com grande penetração de eólicas e fotovoltaicas com a consequente ausência dos grandes geradores térmicos que garantiam estabilidade na rede na presença de perturbações. Essa estabilidade pode ser garantida quer indirectamente com a inércia de compensadores síncronos que ajudam a controlar a tensão quer de forma sintética com dispositivos electrónicos em desenvolvimento actual perante a oportunidade criada pela rarefacção de grandes geradores térmicos nos sistemas electroprodutores.

Outra alternativa que tem sido defendida baseia-se nos SMR (Small Modular Reactors) que usariam a tecnologia das centrais nucleares clássicas mas prescindindo das economias de escala que levaram a geradores com 1600MW baixando o valor típico para cerca de 300MW, tornando-os economicamente viáveis através da produção em série simplificando a instalação no local de funcionamento, à semelhança do que acontece com as centrais de ciclo combinado.

Tenho uma convicção forte de que os geradores nucleares clássicos estão ligados à presença de um arsenal de bombas atómicas dos países onde eles existem. É por isso que não se acredita que o alegado interesse do Irão na energia nuclear para fins pacíficos não tenha como motivo escondido a construção de bombas atómicas, como comentei num blogue duma ministra iraniana que referi neste post "Nuclear outra vez" onde também refiro as ajudas dadas pelo governo inglês ao projecto em Hinkley Point.

Por curiosidade fui procurar  o meu comentário de 29/Mar/2013 num post da ministra iraniana Massoumeh Ebtekar e encontrei-o em "Iran, Iraq and an Anniversary Not to be Celebrated" de 25/Mar/2013" onde manifesto dúvidas sobre as reais intenções do Irão quando enriquece Urânio.

Segundo a AI do Google apenas existem SMRs em funcionamento na Rússia e na China, países tradicionalmente consideradios como pouco amigáveis às inovações dos empreendedores. Dizem algubs sítios que existirão SMRs disponíveis apenas em 2030. Queremos repetir o erro socratista do embasbacamento com a eólica, adoptando a toda a velocidade uma tecnologia nova e então cara? Ou se não é nova, recauchutada?

Por curiosidade revisitei o tema dos reactores nucleares do Japão:

«AI Overview               

Japan has 33 operable nuclear reactors across its power plants. Following strict post-Fukushima regulatory upgrades, however, only 14 of these reactors are actively generating power at any given time, while the remaining operable reactors are temporarily offline for safety checks or suspended.

The breakdown of the country's nuclear fleet includes the following statuses:

- Operable: 33 reactors.

- Active/Restarted: 14 reactors are currently authorized and producing electricity (such as units at Sendai, Genkai, Ohi, and Takahama).

- Suspended/Offline: 19 operable reactors are temporarily shut down pending maintenance, safety reviews, or legal approvals.

Under Construction: 2 new reactors are being built (Shimane Unit 3 and Ohma Unit 1).

Decommissioned: 24 reactors have been permanently shut down or are actively undergoing the decommissioning process following the 2011 disaster.To track which specific reactors and power stations have been approved for restart or are currently generating electricity, you can view the IAEA Japan Country Profile or explore the regional statistics on the World Nuclear Association Japan Profile.

»

Para informação mais detalhada ver "Nuclear Power in Japan" mas resumindo, das 54 centrais que tinham em funcionamento em11/Mar/2011. data do acidente em Fukushima" que tinham sido reduzidas a 14 em funcionamento em 2012 a AI refere as mesmas 14 actualmente licenciadas e em funcionamento enquanto este último sítio refere "15"!. 

O sistema eléctrico português tem-se adaptado às numerosas mudanças quer nas tecnologias de produção quer nos padrões de consumo bem como na organização económica do sector, com aseparação em Produção, Transporte, Distribuição e Comercialização, melhorando durante décadas a qualidade de serviço e mantendo preços razoáveis quando comparados com os parceiros da União Europeia.

As estruturas existentes têm-se revelado capazes de se alterar à medida que o tempo passa.

Existem outras áreas da vida económica de Portugal que precisam de mais atenção.
 

 

 

 

 

 

2026-05-25

Aja Monet - The color of rain

 

Vi no email diário do jornal Expresso esta imagem que me agradou

  

Trata-se da capa de um disco da cantora jamaico-cubana Aja Monet publicado recentemente com o título "The color of rain".

Procurei na net e fui dar a este sítio onde apresenta a cantora com este texto

« aja monet is a Surrealist Blues Poet in the business of goosebumps and heart-gut-telling truths. Her poems are harmolodic, vulnerable, and insurgent. She follows in the tradition of poets organizing in social movements for change. » 

em que tem disponível a pista "working class musicians" cuja letra enconntrei aqui incluindo um videoclip no YouTube no fim.

Gostei de ouvir.

 

 

2026-05-22

Novas Habitações (2)

 

Depois de ver os Blocos A e B referidos em post anterior fui ver o “Edifício do Vale Formoso de Cima nºs 292 e 294” que parece mais comprido do que os Blocos A e B juntos.

Tentei confirmar no Google Earth, em que é mais fácil fazer medições, mas os edifícios são recentes e ainda não estão na vista de satélite, que é partilhada com o Google Maps. 

Tentei então contar as fiadas de painéis fotovoltaicos nesta foto (clique para aumentar)

 

 mas não consegui, perdia-me a contar os de lá ao fundo.

Deformei então a imagem para ficar mais rectangular (com um PhotoImpact que ainda uso), para evidenciar a contagem coloquei-a num Power point e coloquei uns números sobre fundo amarelo conforme segue

  


em que as numerosas deformações da imagem para obter uma forma mais rectangular fizeram perder a respectiva nitidez.

Revisitando o post anterior constata-se que cada Bloco A ou B tem 12 fiadas de painéis, num total de 24 enquanto este tem 30. Por isso este “corredor” enorme no rès-do-chão, onde tive dificuldade em encontrar a porta de entrada, com arrecadações limitadas por placas metálicas com furinhos como nos Blocos A e B.

  


No piso debaixo deste estava uma garagem do prédio em que, dada a implantação do prédio numa encosta, uma das paredes longitudinais estava contra a terra, mas a outra “parede” estava em contacto com o ar deixando assim apenas os pilares de suporte e uma longa viga longitudinal, preenchendo os espaços com uma rede metálica que em princípio bastará para inibir actos de vandalismo de amadores, assegurando uma ventilação natural, bem como iluminação diurna.

 
existindo ainda um segundo nível inferior com portão para acesso de automóveis que não visitei.

Noutro dia revisitei os Blocos A e B, uma das razões para descobrir onde seria a porta de entrada principal de um dos Blocos e a sequência de fotos que tirei mostra a minha confusão.
   


Para começar fotografei parte de um vidro grande, provavalmente duplo, talvez 2,5x2,5m, e quase tudo o que ficou na foto são reflexões do vidro, por trás do qual estaria o átrio de entrada.

Eu estava fotografando vestindo um casaco escuro e com um chapéu de abas côr de palha. A minha imagem maior e pouco iluminada corresponde à reflexão no vidro na parede do rés-do-chão. A mais pequena mas mais luminosa corresponderá à reflexão de mim num espelho existentye no átrio de entrada e cujos raios são mais fortes do que os refectidos pelo vidro existentes no seu trajecto. No lado esquerdo da imagem existe uma reflexão duma Oficina Feu Vert que estava por trá de mim, a ser reflectida também no vidro. A reflexão do Bloco B, também por trás de mim é perturbada por luz que vem da divisão por trás do vidro.

Tirei então outra foto, muito próximo do vidro, que ficou assim

  

em que a minha silhueta, tão próxima do vidro ficando mal iluminada, permitiu que a luz emitida pelas paredes e chão se tornassem visíveis , bem como uma escada e uma janela de onde vem muita luzafectando as reflexões do Bloco B. Entretanto o meu chapéu estava suficientemente afastado para ser reflectido, escondendo parte do átrio.

A foto seguinte confirma as explicações anteriores.

 

Contudo ainda não tinha descoberto a porta principal de entrada no prédio. Desta vez não usei o “cherchez la femme” típico das novelas muito antigas mas fui à procura dos campainhas de entrada pois nunca mais descobria uma porta de proporções generosas, com um vidro grande para evitar choques entre quem vai a entrar e quem vem a sair e com uma pega estática para empurrar ou puxar. Este meu conceito de porta de entrada veio a revelar-se um preconceito sem aplicação neste prédio conforme constatei na foto seguinte

e nesta a seguir, onde se vê a totalidade da porta que não tem qualquer vidro nem um puxador mas apenas uma maçaneta metálica e uma fechadura banal. No meu preconceito isto seria uma porta para uma arrecadação com uso pouco frequente.

 Para quase finalizar mostro uma imagem frontal do Bloco B onde se vê o Vidro do átrio de entrada, a respectiva porta e as caixas de correio do  edifício.


 e depois de escrever tanto sobre estes edifícios acabei por descobrir que consigo ver o maior a partir duma janela da minha casa, usando uma Canon IXUS com distância focal de 54mm equivalente a 300mm para as máquinas clássicas de rolo de 35mm:

 


2026-05-12

Empenas

 
O remate metálico com furinhos duma empena de um dos edifícios do Vale Formoso de Cima do último post lembrou-me as numerosas empenas que costumava ver na cidade do Porto e que são muito menos frequentes quer em Lisboa quer mais para o Sul.


Fui à procura no Google maps da casa que foi dos pais de um primo, na rua do Bonjardim nº 1152 de que mostro foto ao lado, da vista de rua (street view).

Trata-se de uma casa antiga, como a maioria das casas da Rua do Bonjardim e o facto de muitas casas adjacentes terem alturas diferentes leva à presença de paredes exteriores “cegas” (sem janelas) com áreas consideráveis expostas ao sol e à chuva.

As fachadas antigas no Porto têm frequentemente revestimento de cerâmica esmaltada além da presença de muitas janelas.

As empenas acabam por ter uma área a impermeabilizar maior do que as fachadas, como provavelmente a empena que se vê no lado esquerdo da foto. Clique na imagem para a ver maior.

Os números das casas no Porto correspondem actualmente à distância em metros ao início da rua, com os ímpares dum lado e os pares do outro. Na “Alteração ao  Código Regulamentar do Município do Porto” constata-se no Capítulo II, Secção I, Artigo B-2/10º no nº3 que ”  — Nas zonas antigas, e caso exista atribuída numeração de edifícios a janelas, esta poderá manter-se”. O hábito de numerar não só as portas de acesso como também as janelas de cada fachada nas zonas antigas explica a razão porque os números das casas no Porto assumem valores tão elevados em relação ao habitual em Lisboa e no Sul do país, onde apenas as portas são numeradas.

Ver adenda no fim do post sobre este tema, os números maiores do que mil são devidos sobretudo a ruas com mais de 1 km de comprimento. 

Ainda na vista da rua do Bonjardim seleccionei esta casa à esquerda com umas águas-furtadas com um revestimento metálico avermelhado e à direita uma casa com um canelado azul nas águas furtadas da fachada e mais uma empena com revestimento provavelmente em chapa galvanizada.

Continuando na mesma rua vi esta ardósias colocadas como escamas de peixe nas águas furtadas do edifício 

e na imagem seguinte uma fachada com metal ondulado pintado de vermelho do lado direito e uma empena cinzenta do lado esquerdo


Fui ver na Wikipédia as precipitações anuais em várias cidades de Portugal obtendo os valores seguintes em mm: Viana do Castelo- 1470, Braga- 1450, Porto- 1186, Lisboa-774, Portimão-528 (apenas na versão inglesa), Faro-509. 

Os revestimentos modernos devem ter minorado estas aplicações, na sua maioria pouco estéticas. Em Lisboa e mais ao Sul é raro ver este tipo de acabamento devido à menor quantidade de precipitação e possivelmente a uma maior homogeneidade nas alturas dos prédios e casas em banda, o que minimiza a frequência de paredes cegas.
 

Adenda: a minha referência acima ao critério de numerar as portas das residências numa rua contando as portas e as janelas foi uma informação que recebi na minha infância na cidade do Porto. 

Existem zonas da cidade em que aproximadamente de 2 em 2 metros aparece uma porta ou uma janela ou uma montra, cada uma ocupando uns 2 metros da fachada, dando verosimilhança à teoria que no Porto os números são baseados na presença de portas e de janelas pois como se usam os números pares para um lado e os números ímpares para o outro, quando existe grande regularidade no espaçamento das fachadas, como é o caso na rua do Bonjardim, o critério realmente mais frequente (actualmente usado) de atribuir número de porta igual ao número de metros desde o início da rua dá resultado semelhante ao de contar o número de portas e janelas no rés do chão.

De qualquer forma, existem zonas antigas da cidade em que se usou o critério das portas e janelas como é referido no regulamento que referi neste post.

2026-04-25

Novas Habitações


Há alguns anos que tenho levado netos de forma relativamente regular à Piscina Municipal do Vale Fundão em Lisboa. Há algum tempo reparei que estavam a construir edifícios novos ao pé dessa piscina em que no topo estavam a instalar painéis que conjecturei serem fotovoltaicos.

O aspecto inovador desses prédios levou-me a que noutro dia, vi agora que foi em 27/Fev/2026 por volta das 5 da tarde, visitá-los de mais perto. Na altura, uma moradora que saía de um dos dois blocos, a que talvez eu tenha perguntado se eram apartamentos para venda, informou-me que eram casas da Câmara de renda acessível com várias tipologias em número de  quartos. 

Vi depois numa placa que os dois blocos foram inaugurado pelo presidente da CML em 31/Jul/2025.


Os blocos A e B têm as varandas viradas para dentro do conjunto, como se vê na imagem seguinte, com outro bloco maior mas semelhante ao fundo, inaugurado em 12/Dez/2025, como “Edifício do Vale Formoso de Cima nºs 292 e 294”.

 

Gostei da fachada com varandas grandes, fizeram-me lembrar varandas antigas de dimensão generosa que costumavam existir nas traseiras dos prédios de alguns quarteirões, suportadas por pilares de ferro fundido.

Existe uma urbanização recente à Beira Tejo, atravessada pela Rua Maria José Nogueira Pinto, em Braço de Prata, concebida pelo Atelier italiano de Renzo Piano - RPBW Arquitetos, em que varandas são também dispostas em frente umas das outras.

Conjecturei que os painéis no topo do edifício seriam fotovoltaicos, achei muito positivo que fossem instalados de raiz, evitando problemas de instalação no futuro num topo não preparado para esse efeito.

Apreciei estas paredes metálicas no rés-do-chão, que fotografei numa revisita em Abril, cinzentas que ao longe ou segundo alguns ângulos parecem opacas 

mas ao perto revelam outra natureza

 e com alguma boa vontade avista-se o que parece ser uma bicicleta colocada ao alto num suporte metálico


Trata-se afinal duma arrecadação ampla para o conjunto do prédio, onde se podem guardar bicicletas, aparelhos que além de sujarem o interior das casas ocupariam nelas um espaço enorme. Poderá servir também para o armazenamento temporário de alguns monos antes do seu transporte para outra casa ou para o lixo. Estas arrecadações costumam ser sítios lúgubres, mal ventilados e mal iluminados que neste caso têm iluminação diurna abundante e vemtilação quase como ao ar livre. Numa parede existia um armário com vários cacifos.
Talvez nesta se veja melhor


 Numa empena aplicaram o mesmo perfil metálico com buraquinhos que nesta imagem estão invisíveis

 

mas que noutra imagem se deixam ver

 

Googlando (Vale Formoso de Cima) cheguei rapidamente a este sítio da SRU, Sociedade de Reabilitação Urbana criada pela CML em 2004, que encomendou este projecto a “Inês Lobo Arquitectos, Lda. - Arq.ª Inês Lobo”.

Googlando (SRU Vale formoso de cima fotovoltaicas?) cheguei a um pequeno artigo no Linkedin da LisboaSRU em que se confirma que os painéis são fotovoltaicos, existindo bombas de calor para aquecer água que servirá para aquecimento dos apartamentos e para água quente, podendo a geração de electricidade diminuir a quantidade de electricidade importada da rede da E-Redes. Não vi informação sobre a repartição dos custos da produção de água quente pelos seus consumidores

Retirei deste artigo no Linkedin esta fotografia aérea dos três edifícios deste projecto


com “Edifício do Vale Formoso de Cima nºs 292 e 294” em primeiro plano e os Blocos A e B lá ao fundo, mais ou menos no enfiamento do edifício no primeiro plano.

Lembrei-me agora da canção do Sérgio Godinho em que cantava após o 25/Abril que aconteceu há 52 anos "...a Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação..." . Todas estas cinco coisas requerem um esforço contínuo, as revoluções removem obstáculos mas não garantem a continuidade do esforço.

Provavelmente este post terá continuação.