2021-07-28

Centrais nucleares para produção de energia eléctrica


De vez em quando manifesto a minha fundamentada antipatia pelas centrais nucleares de produção de energia eléctrica.


Resumindo, considero que, mesmo sendo bastante seguras, existe sempre a possibilidade de um acidente e nenhuma outra tecnologia proporciona acidentes, com implicações tão extensas no espaço geográfico e de duração temporal, como a tecnologia nuclear actual.
 

Exemplos de implicações no espaço geográfico foram as do acidente de Tchernobyl que afectou países distantes como a Suécia, a Suíça e a Itália entre outros e as de Fukushima com largada de água radioactiva para o Oceano Pacífico com detritos do acidente chegando à costa Oeste dos EUA.
 

Exemplos  de implicações de duração temporal ocorreram em Tchernobyl e Fukushima na vizinhança das centrais, com o abandono de habitações e campos agrícolas durante dezenas de anos.
Naturalmente nenhuma companhia de seguros privada aceita cobrir os riscos de acidente numa central nuclear pelo que essa responsabilidade cai nos contribuintes e/ou nos habitantes na vizinhança da central.
 

Além dos acidentes resta a questão dos resíduos radioactivos com a duração de dezenas de milhar de anos. Penso sempre nisto quando ouço censuras a deixarmos dívida às gerações futuras. Ao menos no caso de Portugal deixamos um excesso de autoestradas e um excesso de dívida às gerações vindouras. 

No caso dos resíduos radioactivos apenas se deixa lixo tóxico que, após mais de 70 anos de investigação, ainda não se conseguiu suprimir.
 

Numa publicação muito equilibrada do Jornal Expresso sobre este tema faz-se mais um ponto de situação e perspectivas futuras das centrais nucleares, de que destaco este parágrafo:
«...
Em março deste ano, a Joint Research Centre (JRC), a entidade científica da Comissão Europeia, publicou um relatório que conclui que a energia nuclear cumpre os critérios do novo sistema de sustentabilidade criado por Bruxelas, criado para regulamentar a economia no sentido de atingir as metas definidas até 2030 no Pacto Ecológico Europeu. A notícia parecia ser boa, mas não é: a entidade alemã Federal Office for the Safety of Nuclear Waste Management (BASE) analisou esse documento e em junho publicou o seu próprio relatório em que conclui o seguinte: a JRC “ignorou” várias características da energia nuclear que são “muito relevantes para o ambiente”, tais como os vários “acidentes graves que ocorreram durante as últimas décadas”. E sublinha: a energia nuclear “infringe” dois dos princípios ambientais que Bruxelas mais tem propagandeado nos últimos anos (“nenhum dano irreversível para futuras gerações” e “nenhum dano [ambiental] significativo”).
...»
 

Na sequência duma noticia sobre as centrais nucleares do Reino Unido que estão em renovação, fortemente subsidiadas pelo governo, que abre excepção para esta tecnologia relativamente às capacidades do mercado, o primeiro-ministro Boris Johnson considera formas de bloquear a participação de uma empresa estatal chinesa na construção de uma nova central nuclear no Reino Unido. Várias notícias sobre este episódio googlando (Boris Johnson on China state-owned energy company and UK nuclear power plant), confirmando a minha convicção que as centrais nucleares estão na sua maioria ligadas às necessidades dos exércitos dos países detentores de bombas atómicas.

2021-07-24

Incêndio no Algarve

 

No passado Sábado, dia 17/Julho, houve um grande incêndio no Algarve, que começou em Marmelete, concelho de Monchique, expandindo-se depois para Sul, afectando também o concelho de Portimão.

Afectando cerca de 600 hectares envolveu no combate 4 aviões, alguns helicópteros, 8 máquinas de arrasto e mais de 4 centenas de operacionais de várias instituições.

Tenho a sensação que tem havido menos incêndios este ano ou então os telejornais andam ocupados com o COVID e os milhões do PRR e têm falado menos neste tópico de Verão. É também provável que ataquem os incêndios mais depressa pelo que os estragos serão menores.

Mantive um jantar no restaurante Paraíso da Montanha, na estrada de Monchique para a Fóia, uma vez que o incêndio estava longe e a afastar-se da serra de Monchique.

Mesmo assim a coluna de fumo era impressionante, o Sol visto através do fumo tinha a cor laranja-avermelhada habitual mas sempre algo assustadora e ficámos à espera das cinzas nos terraços que não faltaram, embora em quantidade moderada pois o incêndio foi considerado extinto às 7 horas do dia 18/Julho.

Tirei esta foto à chegada ao restaurante com o fumo imenso


 

e a seguinte já de noite, sobressaindo as chamas lá longe


Adenda: li na separata "Postal" de 2021-07-23 do Expresso que a área ardida foi de 2100 hectares, 656 ha no concelho de Monchique e 1478 ha no de Portimão. Para comparar, no grande  incêndio na serra de Monchique em 2018 arderam quase 30 000 ha de floresta, demorando uma semana até ser extinto, enquanro este começou na tarde de sábado e foi extinto no domingo.


2021-07-11

Agave Sobre Verde

 

Vi esta Agave sobre um fundo verde de vegetação nos terrenos do hotel Alvor Praia hoie, dia 11/Jul/2021, num dia de vento Sueste


Habitualmente as Agaves recortam-se sobre o céu azul, sobre o mar ou sobre ambientes menos verdejantes pelo que esta me chamou a atenção. Mostro a  seguir um detalhe da foto de cima.


Lembrou-me a folhagem verde que as floristas colocam por trás dos ramos de flores para lhes dar um enquadramento  mais favorável.


2021-07-01

Tapas de Camarão

 

Reservei 4 camarões de outra receita para fazer uma pequena experiência.

Comecei por uma fatia de pão de forma sem côdea e sobre ela coloquei umas tiras de alface que tinha cortado na altura para uma salada. Uma folha de alface também serviria mas as tiras já estavam lavadas. Normalmente coloco um bocadinho de maionese sobre  o pão para manter a alface no lugar.

De há uns tempos a esta parte deixei de cortar o pepino em fatias muito finas em que deixava a casca. Finalmente constatei que a parte que me desagradava no pepino era precisamente a casca que só não era insuportável porque cada fatia era muito fina. Agora descasco a parte do pepino que vai ser cortada em rodelas usando um descascador de vegetais e corto as rodelas com uma espessura duns 3 ou 4mm enquanto antes tentava cortar apenas 1mm.

Sobre a alface coloquei 4 "gotas" de maionese para segurar os 4 pepinos que coloquei no que seriam os centros dos 4 quadrados-base das futuras 4 tapas.

Tinha entretanto cozido um ovo (10 minutos após chegar à fervura), descascado e cortado em rodelas com aquelas ferramentas que têm umas cordas de nylon (antes eram uns arames finos).

Desta vez, para variar pus uma "gota" de molho cocktail em cima de cada pepino e coloquei 4 rodelas com gema de ovo no meio.

Depois outra "gota" de molho cocktail em cima do ovo e coloquei o camarão.

Finalmente cortei o conjunto em 4 quadrados:


Claro que depois foram comidos.



2021-06-27

A propósito do Museu Calouste Gulbenkian

 

Recebi mais Novidades do Museu Gulbenkian na forma desta Newsletter 

que referi aqui, Newsletter que pode ser subscrita no sítio do Museu, em que basta dar o endereço de email.

Tenho um fraquinho por estas imagens de cores sólidas (praticamente uniformes) como feitas com guaches, não sei se como oportunidades perdidas nas aulas de Desenho dos tempos do liceu se como memória de muitas histórias de Banda Desenhada.

Recorri ao Google Images com esta imagem retirada da mensagem da Gulbenkian

e o Google sugeriu que o instrumento de sopro mostrado na figura seria um Paixiao uma flauta parecida com as flautas de Pan usadas na Europa e América do Sul.

O Google referiu também vídeo da cantora Ling Ling H.Peng cantando "Trois Chansons de Bilitis" de Debussy.

A segunda página da procura do Google refere ainda um sítio onde aparece este texto

" 프랑스 일러스트 레이터
George Barbier의 그림 34"

que o Google traduziu do coreano para  português 

"ilustrador francês 

Figura 34 por George Barbier"

e esta imagem (entre outras):


No Museu Gulbenkian vendem vários posters e postais identificados como:

Museu Calouste Gulbenkian
LES CHANSONS DE BILITIS
Trad. Pierre LOUYS, Ilustrações de Georges BARBIER gravadas em madeira por F.L.SCHMIED 
Paris, Corrard, 1922

de que mostro 3 exemplos:


Procurando na net constata-se que "Les Chansons de Bilitis" são um conjunto de poemas eróticos publicados em1894, alegadamente originais de Bilitis, uma grega que teria vivido na ilha de Lesbos no século VI AC, conjunto esse traduzido por Pierre Louÿs (1870-1925), cuja mãe era sobrinha-neta do general Junot, comandante da 1ª invasão de Portugal por tropas napoleónicas.
 
Na realidade trata-se de uma obra do próprio Pierre Louÿs usando uma variante de pseudónimo.

O compositor Claude Debussy, seu amigo, musicou em 1897 um conjunto de três das Canções de Bilitis de que existe esta edição da Deutsche Grammophon:
 
 
O quadro da capa do disco é de August Macke (1887-1914), o título começa por "Banhistas", está num museu de Munique e por coincidência referi-o num post de 2013.
 
Desde a publicação do livro que muitos artistas contribuíram para a sua ilustração, conforme refere na Wikipédia. Talvez o mais conhecido seja George Barbier(1882-1932), referido pelo Museu Gulbenkian no verso dos postais como ilustrador duma edição de 1922, conforme escrevi acima.


2021-06-18

Smørrebrød ou Canapés?

 

Quando fui fui pela primeira vez à Dinamarca em 1971, na viagem de fim de curso, que na altura se fazia procurando patrocínios de fabricantes de equipamentos (no meu caso eléctricos) para fazermos visitas de estudo às suas fábricas na Europa, nessa altura encontravam-se mais coisas desconhecidas nas lojas do que agora.

Uma delas era o Smørrebrød que em inglês se traduz por "open sandwich", em português por "sanduíche aberta", uma fatia de pão com alguma comida em cima, sem a fatia de cima da sanduíche, de que mostro alguns exemplos, numa imagem deste sítio a que cheguei googlando Smørrebrød


Na Wikipédia vi agora que em dinamarquês Smørrebrød significa "pão com manteiga" o que me fez lembrar a "sopa-de-pedra" portuguesa. No nosso caso parte-se de uma sopa apenas com água e uma pedra e vão-se adicionando alimentos  para ficar melhor. Na Dinamarca parte-se de uma base mais alimentícia, uma fatia de pão de centeio barrada com manteiga e enriquece-se essa base, mantendo também no resultado final o nome inicial.


Quando em 1978 fiz um estágio de  duas semanas num fornecedor de sistemas de telecontrolo tomei contacto com versões mais espartanas do Smørrebrød, as que serviam de almoço aos programadores desses sistemas. 

Constavam de duas ou três Smørrebrød, normalmente com pão de centeio mas também existiam fatias de  pão de trigo, barradas com manteiga, por cima colocavam queijo fatiado, carnes frias ou salmão, com um "acompanhamento" por cima constituído por uma colher de sopa de salada russa ou mais frequentemente "water cress", uma variante de agrião, criado em pequenos tabuleiros de plástico vendidos nos supermercados com o aspecto da imagem ao lado que o google indicou para (danish water cress). 

Estes rebentos são colhidos quando têm 4 ou 5 cm de altura usando uma tesoura para cada pequeno molhe colhido no momento para um Smørrebrød. É possivel que também usassem um molho chamado "Remoulade" que evito sempre que posso.

Em jantares informais entre amigos por vezes colocam na mesa dois ou três tipos de pães, queijo, carnes frias e salmão e cada conviva prepara os seus Smørrebrød.

Era frequente o uso de garfo e faca no consumo dos Smørrebrøds.


Na procura de jantares que ajudem a manter o peso corporal aproximadamente constante, considerando que aprecio manter o exercício físico limitado a caminhadas diárias, tenho recorrido a saladas, canapés e sanduíches precedidas de sopa e seguidas de uma peça de fruta.

Desta vez, no prato principal coloquei sobre uma fatia de pão de forma sem côdea um pouquinho de maionese apenas para segurar uma folha de alface (da próxima vez talvez barre o pão com manteiga...), depois uma fatia de queijo flamengo seguida de uma fatia de fiambre. Sobre esta coloquei 4 rodelas de pepino que passei a descascar previamente, um pouco de molho cocktail sobre cada rodela de pepino. Sobre o molho cocktail metade dum tomate tipo cereja ficou assim uma espécie de Smørrebrød geométrico, como se vê a seguir


 

Depois lembrei-me que esta espécie de  Smørrebrød se podia com facilidade transformar em 4 canapés:



2021-06-16

Portugal - Hungria (3-0) em 15/Jun/2021

 

Abrindo uma excepção neste blogue para referir um jogo de futebol, do Euro 2020 programado para esse ano mas que foi adiado para 2021, com os 33 passes envolvendo toda a equipa de Portugal, com excepção do guarda-redes, que culminaram no 3º golo deste jogo, finalizado por Cristiano Ronaldo

 


2021-06-14

Feijão

 



Tenho alguns feijões e grãos-de-bico que usei há anos para mostrar a germinação de sementes aos netos e noutro dia voltei a tentar germinar alguns, colocando-os em algodão encharcado em água. 

Demoraram muito tempo sem germinar, talvez passados estes anos tenham ficado incapazes, coloquei-os sobre terra e 2 feijões acabaram por germinar.

Desses dois apenas um vingou, o outro ficou com os cotilédones já longe da terra mas sem gerar caule mais folhas.

Entretanto o que germinou com sucesso gerou folhas dum tamanho que nos surpreende todos os dias, ao ponto de hoje o ter fotografado para mostrar aqui no blogue.

Quando vejo feijões a germinar lembro-me sempre duma história infantil em que um pé de feijão crescia tão depressa e tão alto que um menino trepou por ele acima até ao céu. A wikipédia diz que esta história do "João e o Pé de Feijão" faz parte de tradição oral inglesa.

2021-06-13

Três Tipuana Tipu bébés

 

Já tenho mostrado algumas imagens de Tipuana Tipu, por exemplo aqui e aqui, árvores cada vez mais frequentes em Lisboa e que estão agora a florir, cobrindo-se de amarelo.

Há uns tempos trouxe para casa 4 sementes como esta

https://i0.wp.com/blog.growingwithscience.com/wp-content/uploads/2011/12/mystery-seed-94-2.jpg 

desta árvore, sementes que ao cair voam como helicópteros, aumentando a distância entre a árvore mãe e o sítio onte "aterram". 

Coloquei as sementes num pequeno vaso e 3 delas germinaram passadas umas 2 ou 3 semanas, cheguei a duvidar que germinassem.

Agora fotografei o vaso (que tem 10cm de diâmetro) que está assim:

 

De uma das sementes brotaram 2 ramos e existem umas plantas com umas folhas muito pequenas provenientes de sementes que deviam estar adormecidas na terra deste vaso. Não sei se irei ficar com um Bonsai ou se entretanto estas plantas morrem no Verão por falta de água.

Custa acreditar que estas plantas tão pequenas possam originar, em terreno apropriado passados alguns anos, árvores com esta


ou, passados mais alguns anos, árvores como esta

São o resultado do programa existente na semente e das condições ambientais em que têm vivido.

 

2021-06-12

Representações de Plantas

 

Gostei muito deste anúncio da Architectural Review em que divulgam a disponibilidade de impressões de capas (cover prints) dessa revista até 28Jun2021:

 




A RTP e as Touradas

 

A apresentação da Revisão do Contrato de Concessão do Serviço Público de Rádio e de Televisão que foi colocada à discussão pública de 3 a 31/Maio/2021 contém entre outras a frase "Valoriza-se igualmente a promoção dos direitos humanos, da igualdade, da sustentabilidade ambiental e do bem-estar dos animais."

Parece uma frase inócua que poderia ser subscrita pela maior parte da população portuguesa mas afinal parece que alguns receiam que a referência ao "bem-estar dos animais" possa servir de justificação para não transmitir touradas no Serviço Público de Rádio e Televisão de Portugal.

Efectivamente nas touradas não se valoriza o bem-estar dos animais.

Não vou repetir aqui os argumentos contra e a favor das touradas, alguns dos quais referi em dois posts deste blogue:

- O Touro, a Lagosta e o Templo Jain de Ranakpur em 2010-10-01;

- As touradas revisitadas, em 2018-11-20 sobre a proibição de touradas na Catalunha.

Surpreende-me que continuem a existir tantos defensores das touradas, é possível que se integrem no espírito de contradição tão nacional: se existe deve acabar, se se pretende acabar é imperioso que continue. 

Sou a favor de que as touradas deixem de ser transmitidas na RTP e faço votos para que num futuro não muito distante deixe de haver público para um espectáculo que considero reprovável.


2021-06-01

Gleditsia Triacanthos

 
A árvore que mostrei no antepenúltimo post e que volto a mostrar a seguir


chamou-me a atenção pelo contraste das folhas jovens verde-claras com as dum tom verde mais escuro, como se pode ver neste detalhe da mesma imagem da copa da árvore


Fotografei as folhas com mais detalhe para possibilitar a identificação desta planta



e sabendo agora, pela informação dos autores do blogue Dias com Árvores, que se trata duma Gleditsia Triacanthos fui verificar o significado de "pinnately compound" da expressão “The leaves are pinnately compound”. Assim cheguei ao  Glossário da morfologia das folhas com uma introdução que apreciei pois embora esta entrada da Wikipédia tenha numerosas figuras com os nomes associados, os autores informam-nos na introdução que estas designações não têm um significado normalizado sendo usadas de forma nem sempre coincidente por diversos autores.

Infelizmente este glossário não tem versão em português mas a palavra “pinnately” apontava para a entrada “Pinnation” com “Pinado” na versão em português. Do que vi na aí e na foto concluí que a folha da Gleditsia Triacanthos é pinaticomposta, paripinada e nuns casos opositipinada, noutros alternipinada.

Deixo ainda uma foto obtida por baixo da copa da árvore


 Esta árvore está em Lisboa na rua Cidade de Bissau entre os entroncamentos com as ruas Cidade de Luanda e Cidade de Bolama (38°45'42.2"N 9°06'43.2"W). Na Street View do Google Maps a imagem é de Nov/2020, a árvore está com muito poucas folhas e com algumas vagens, como seria de esperar, pois os frutos desta planta amadurecem no princípio do Outono.

Na rua Cidade de Bolama existiam uns choupos negros majestosos que deviam ter uns 30 metros de altura chegando ao 9º andar dos prédios mas a Câmara Municipal retirou-os porque estavam a esgalhar e ameaçavam danificar automóveis e passantes. Em substituição plantaram várias Gleditsia Triacanthos de que fotografei uma em 29/Abr/2007, que estará provavelmente em 38.76152317221286, -9.113775257428868 e da qual mostro a foto seguinte


 
Existem árvores como os choupos ou os ciprestes em que não é habitual podar os ramos. Mas nos ambientes urbanos é frequente moldar o formato das árvores às conveniências ou dos serviços do município ou dos habitantes que lhes são próximos. Nestes casos é uma tarefa inglória tentar identificar uma árvore pela forma actual, que muitas vezes lhe foi dada por uma poda mais ou menos profunda.

As árvores das cidades no Japão são um exemplo extremo de podas minuciosas, requerendo muitos jardineiros como documentei nesta imagem deste post de Maio/2014


2021-05-30

Imagens e Textos

 

No 2 Dedos de Conversa a Helena Araújo continua a brindar-nos com belíssimas fotografias, muitas vezes com a simplicidade desta, num minimalismo que faz lembrar a arte do Japão

 


enquanto a seguinte faz pensar em Giverny, onde o jardim da casa de Claude Monnet, de inspiração japonesa, lhe permitiu pintar muitos quadros em que o protagonista é o lago com nenúfares desse jardim

 


Há uns anos que a Helena vive ao pé dum lago em Berlim e embora seja uma grande viajante tem esta possibilidade de observar a vida num lago ao pé de casa, que nos revela de forma extraordinária, na multiplicidade de seres vivos, padrões, cores e texturas  ao longo das estações do ano.

Ambas as fotos foram copiadas deste post sem palavras, pois as imagens sugerem que se respeite o silêncio.

Mas o blogue tem também textos que merecem ser lidos, como este a propósito da guerra recente em Israel.

Já para não falar das sugestões musicais...



 

2021-05-28

Primavera instável

 

Das numerosas transformações nas plantas quando chega a Primavera uma das que aprecio é o nascimento de muitas folhas de um verde muito mais claro, quase amarelo, em algumas árvores que mantiveram folhas durante o inverno.

Um exemplo é o desta árvore nos Olivais, que fotografei de um andar mais alto, rodeada de outras plantas fazendo um conjunto harmonioso de vários tons

 

A foto é do passado mês de Abril, o tempo em Lisboa esteve instável, a figura humana solitária trás alguma melancolia.
 

No canto inferior direito está a árvore bicolor que já apresentei noutro post de Abril/2020, com tempo também chuvoso, em Abril águas mil, e que volto agora a mostrar
 


Ao contrário do que então eu julgava, as folhas verdes nesta planta não vão passar a vermelho escuro mantendo a árvore permanentemente com folhas de duas cores, trata-se provavelmente de uma enxertia. Talvez refira esta árvore no futuro.

Regressando à arvore principal da primeira imagem, tirei ainda outra foto uns dias mais tarde, com a tomada de vista desta vez de baixo para cima:

Adenda: pedi ajuda aos autores do blogue Dias com Árvores que identificaram esta árvore como sendo uma Gleditsia Triacanthos.

2021-05-24

Sol "de Inverno"

As janelas da minha casa estão retraídas cerca de meio metro da fachada do prédio, uma boa prática tradicional no Sul de Portugal, que permite a entrada do Sol dentro de casa durante o Inverno ajudando o aquecimento e dificulta essa entrada durante o Verão, em que o Sol anda mais alto, dificultando o aquecimento então indesejado.

Das fotografias que vou tirando e que não publico rapidamente dada a ausência de urgência, passei agora por esta


e esta


dum banco  "Stone", fabricado pela italiana Kartell e projectado no Marcel Wanders Studio que mostrara noutro post deste blogue.

O banco não está directamente iluminado pela luz do sol mas é atravessado pelo reflexo da parede branca por trás, essa sim iluminada, bem como uma parte do soalho que ficou sobreexposto.

Estes raios de Sol a entrar muito para o interior da casa costumam fazer-me lembrar o templo de Abu Simbel no Egipto, que visitei em Abril de 2006 no seu novo local, uns metros acima do local original para evitar que fosse inundado pelas águas da albufeira da barragem de Assuão.

Dado que o templo cavado na rocha tinha um corredor comprido a seguir à entrada no fim do qual estava uma estátua do faraó Ramsés II que ordenou a construção, estátua que era iluminada ao nascer do Sol apenas em 2 dias do ano (22/Fevereiro e 22/Outubro) nas datas do nascimento e da coroação desse faraó, a orientação do templo foi cuidadosamente mantida.

Deixo uma foto do templo na sua nova  posição. Infelizmente não deixavam tirar fotografias no interior do templo, não sei se por receio de ataque terrorista se para reservar direitos das imagens.




2021-05-18

Energia na Rede de Bitcoins

 

Há algum tempo que se fala no consumo excessivo de energia  para manter activa a rede de Bitcoins.

Tenho lido de vez em quando uns artigos sobre esta moeda digital mas à partida parece-me um jogo de soma nula em que os enormes ganhos de alguns poucos se fazem à custa das perdas mais ou menos pequenas de muitos. O facto de ser uma moeda em que é impossível detectar a identidade do detentor, pelo menos mantendo-se dentro de acções legais, torna apetecível o seu uso por entidades que se dedicam a actividades ilegais.

Embora não tenha grande simpatia pelos bancos, sei que a emissão de moeda pelos bancos centrais é um tema complexo que se rege por numerosas regras, que são produto de outros tantos problemas ou mesmo crises que resultaram de regras inapropriadas. Custa-me acreditar que estas moedas digitais possam substituir com vantagem os bancos centrais actuais.

Recentemente Elon Musk tem falado sobre bitcoins, tirando partido da sua notoriedade pública, provocando movimentos especulativos de que provavelmente tirará grande proveito, informando que deixaria de  aceitar bitcoins para a compra de automóveis Tesla porque se convencera que a rede de bitcoins gastava imensa energia eléctrica, ainda por cima predominantemente gerada em centrais a carvão.

Andei à procura da energia que estaria a ser gasta na gestão dessa moeda digital e cheguei a este sítio da Universidade de Cambridge onde calculam o CBECI (Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index) de que mostro a seguir uma imagem tirada cercas das 20:30 de 17/Mai/2021


onde são apresentados um limites inferiores e superiores além das estimativas para a potência instantânea média e para a energia eléctrica anual. 

Para ter uma ideia do que significam os 45,15TWh de consumo anual de electricidade (limite inferior estimado) informo que em Portugal se consumiram 45,5 TWh no ano de 2004 e que esse consumo subiu até atingir o máximo de 52,2TWh em 2010. Desde esse ano o consumo situou-se à volta de 50TWh tendo sido de 48,8 TWh em 2020. 

Multiplicando os GW da tabela por 8760 Horas (365dias x 24horas/dia) obtemos valores não exactamente iguais aos TWh da figura porque o valor médio da potência não é constante ao longo do ano. Fiquei surpreendido pela dimensão do consumo de energia para manter as Bitcoins, cuja estimativa inferior é equivalente ao consumo de electricidade em Portugal.

O sítio explicita a Metodologia usada onde numa primeira leitura nos apercebemos logo da dificuldade destes cálculos. No final há uma bibliografia de estudos sobre a importância dos gastos de energia para manter a rede dos Bitcoins.

Um desses artigos (Bitcoin’s Growing Energy Problem, by Alex de Vries) refere casos de apropriação indevida de energia eléctrica para a actividade de "mineração"(realização de cálculos muito intensivos em computadores) de Bitcoins: 

«... In one case a researcher misused National Science Foundation-funded supercomputers to mine $8,000–$10,000 worth of Bitcoin. The operation ended up costing the university $150,000. More recently, a mining facility in Russia (with 6,000 devices) was shut down after ‘‘not paying for several million kilowatthours of electricity. ...»

Esta actividade computacional foi inicialmente executada com recurso a circuitos dedicados a computação gráfica, pelo elevado paralelismo desse tipo de processadores mas apareceram pouco depois componentes ASICs (Application-specific integrated circuit) dedicados à tarefa de mineração de Bitcoins.

Para ter uma ideia dos equipamentos usados na mineração dos Bitcoins recolhi esta imagem num artigo da Forbes:

A technician inspects the backside of bitcoin mining at Bitfarms in Saint Hyacinthe, Quebec on March 19, 2018. Bitcoin is a cryptocurrency and worldwide payment system. It is the first decentralized digital currency, as the system works based on the blockchain technology without a central bank or single administrator. / AFP PHOTO / Lars Hagberg (Photo credit should read LARS HAGBERG/AFP via Getty Images)


Aparentemente uma elevada percentagem da mineração das Bitcoins é feita na China, nomeadamente em Sichuan onde o preço do kWh é por vezes 0,04€. A referência de Elon Musk à elevada percentagem de energias fósseis usadas na mineração de Bitcoins deve-se certamente à participação do sistema electroprodutor chinês nesta actividade, sistema com ainda muitas centrais a carvão. Os defensores do Bitcoin alegam que a electricidade em Sichuan é predominantemente hidroeléctrica mas pode-se contraargumentar que caso não fosse consumida em Sichuan poderia ser exportada para outras províncias da China, diminuindo a produção com origem no carvão.

Investigando possibilidade de usar Bitcoins em Portugal li esta nota do Banco de Portugal que não será muito conclusiva pois talvez seja difícil manter o anonimato em transacções superiores a 3000€. 

Encontrei ainda este sítio "Global Citizens Solutions", que trabalha com vários Paraísos Fiscais (Antigua and Barbuda, Cyprus, Dominica, Grenada, Malta, Portugal, St. Kitts and Nevis, St. Lucia, Spain e Vanuatu) para Vistos Dourados (Gold Visas) com uma página sobre o tema "Bitcoin in Portugal" onde dizem que Portugal é Bitcoin-friendly. Referem uma intenção de fazer mineração de bitcoins em Portugal, o que parece estranho dado que a electricidade em Portugal é bastante cara. Será para isso que vão instalar hectares de fotovoltaicas no Alentejo?

Uma vez que existe discriminação de preços de energia eléctrica conforme o fim a que se destinam, por exemplo entre consumidores domésticos e industriais, e que a produção de energia eléctrica tem inevitavelmente impacto ecológico, mesmo quando usa fontes renováveis, considero que a mineração de bitcoins em Portugal se não proibida pelo menos deveria ser fortemente desencorajada através de taxas específicas. Mas o mais natural é que em Portugal recebam benefícios fiscais para aumentar o consumo de energia eléctrica no país.

O mundo das finanças rege-se por leis específicas que apenas por acidente levam em consideração as leis da física, designadamente sobre energia. Falei sobre isso a propósito do cultivo de milho nos EUA para produzir biocombustíveis neste post sobre biocombustíveis de que cito:

«...

Já nos anos 70 se dizia que a agricultura americana usava mais energia para obter o produto final do que a energia que este continha. A energia não é o único valor em jogo nas actividades humanas e em época de energia barata como a que temos vivido poderá ser razoável adoptar esse tipo de agricultura grande consumidora de energia para a produção de alimentos. Agora não existe sistema económico razoável que possa subsidiar uma agricultura que coloca mais energia do que a contida no produto final quando esse produto se destina precisamente a fornecer energia e não alimento. O facto de não poder existir um sistema económico razoável que faça isso não quer dizer que não exista nenhum: actualmente existe um sistema destes nos EUA, que subsidia a plantação de milho para produzir etanol mas trata-se de um sistema absurdo de esbanjamento do dinheiro dos contribuintes americanos.

...»





2021-05-16

Papa Francisco em Ventania

 

Achei graça a esta imagem que vi na net do Papa  Francisco, mantendo-se firme no meio de grande ventania




2021-05-10

Pegas Azuis na Prainha em Alvor

 

No Verão de 2019 escrevi um post quando fotografei uma ave que descobri tratar-se de uma Pega-azul, Cyanopica cooki conforme refere o sítio "Aves de Portugal". A ave tem o hábito de ficar muito pouco tempo em cada sítio onde poisa, provavelmente um resultado de selecção natural pois torna-se mais difícil ser presa de predador, costuma ser silenciosa e bastante solitária.

Foi por isso com bastante surpresa que no dia 12/Julho/2020, ao investigar a origem de grande barulho constatei um enorme número de pegas-azuis, muitas com o bico aberto emitindo sons estridentes, poisadas no mesmo ramo ou em ramos próximos, voando em grande agitação de um para outro poiso.

O evento foi suficientemente demorado para eu ir buscar uma Canon IXUS com zoom óptico de 12x e ainda chegar a tempo de tirar tantas fotografias que só agora consegui seleccionar 10 para mostrar neste post.

A ordem de apresentação não é cronológica, começo por introduzir um par de aves em ramos próximos

 
e depois 3 aves no mesmo ramo
 
e continuando a progressão, 4 aves na mesma árvore/arbusto

 na imagem seguinte não sei se a ave está a chegar ou vai partir

e nesta há uma que já chegou e outra que está a chegar


e na seguinte, talvez a mesma ave voltou a partir

e esta também

creio que se terá tornado evidente por esta altura o meu embasbacamento com instantâneos de aves a voar, como o de mais este doutra ave em pleno voo

e ainda desta com uma estranha sombra colorida no chão

 

finalizando com duas pegas azuis a voar no céu azul do Algarve