2021-04-15

Livraria Notável



Tudo começou por esta fotografia intrigante, apresentada pelo Embaixador Seixas da Costa no post “Aviso sério!” do seu blogue “duas ou três coisas”, avisando que ler pode causar danos irreparáveis à sua ignorância.

Comecei por tentar perceber se se tratava de uma fotografia ou de um daqueles desenhos tipo M.C.Escher mostrando uma cena aparentemente real mas de existência impossível no universo que habitamos.

As livrarias são sítios onde por vezes surgem escadas singulares, como por exemplo na livraria Lello no Porto, de que me dispenso neste caso de mostrar mais algumas imagens dela. 

Depois de uma observação cuidadosa convenci-me que as escadas correspondiam a uma construção possível, coloquei a imagem no Google Images e cheguei a esta revista indiana “Arquitectur Digest“ que já citei aqui com um artigo datado de Agosto de 2019 sobre uma livraria extraordinária chamada Chongqing Zhongshuge (钟书阁) traduzível por “Livraria de Estantes de Chongqing” onde tirei esta imagem
 

 
que confirma a natureza real das escadarias.

Chongqing é um dos 4 “Municípios da República Popular da China”, directamente dependentes do poder central, os outros 3 são Xangai, Beijing e Tianjin, este último sendo a área portuária adjacente a Beijing.

 
Trata-se dum sítio historicamente importante, na confluência do rio Jialing com o rio YangTzé, cerca de 450km (em linha recta) a montante da grande Barragem das Três Gargantas.

É claro que esta disposição de escadas, projectada por X+Living um estúdio de Xangai, se inspira provavelmente nas cisternas a céu aberto existentes em várias partes da Índia como por exemplo no Rajastan onde existe este Chand Baori construído na aldeia de Abhaneri por ordem do Rajá Chanda no século IX, referido neste artigo do Lonely Planet


Outra parte do Chand Baori que mostro a seguir foi uma construção muito posterior, no tempo dos imperadores mogóis, por volta do século XVIII

 
By Tapesh Purohit - Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=82183176


Mas a X+Living introduziu na livraria espelhos, por exemplo no tecto


 criando um ambiente que lembra a “Relatividade"(1953-07) de Escher

 

e também a ilusão de um pé direito muito alto quando se olha para o tecto desta sala


 imagem que me surpreendeu também por não ver no chão onde estará a máquina que tirou esta fotografia.

Existem várias livrarias duma mesma cadeia de lojas na China com formas semelhantes ou idênticas a esta, quando acabar o Covid talvez as vá visitar.

2021-04-11

Operação Marquês


Não resisti a fazer um pequeno comentário à comunicação do juiz Ivo Rosa na passada sexta-feira, 9/Abr/2021, sobre a Acusação da Operação Marquês.

Sobre a condução inicial da Operação Marquês, de uma forma geral tive grande antipatia pela forma como Sócrates foi tratado, designadamente  por terem avisado as TVs que o iam prender para ficar a secar na prisão de Moscavide para ser interrogado depois do fim-de-semana, alegarem perigo de fuga para o prenderem preventivamente no início do processo Marquês quando ele tinha vindo por sua iniciativa a Portugal, terem mantido o motorista preso durante um mês e o Prof.Marcelo, na qualidade então de comentador, ter dito que não lhe passava pela cabeça (era o que lhe estava a passar pela cabeça) que mantivessem preso o homem a ver se se descaía com alguma informação, numa forma de tortura para obter informação.

Depois achei inacreditável a impunidade com as fugas sistemáticas ao segredo de justiça  bem como a alegação da Procuradora Geral da República que não davam prioridade ao tema por a moldura penal ser leve, o tempo sem fim que o Ministério Público demorou a formar o Mega-Processo e o tamanho deste, tornando muito difícil julgar um processo com 4000 páginas de acusação.

Ao ouvir o juiz Ivo Rosa fiquei "satisfeito" de ouvir as críticas ao processo pois parecia-me altamente provável que estivesse mal feito, apreciei o esforço enorme que representou a análise e crítica da acusação mas fiquei apreensivo por membros do sistema Judicial com alguma senioridade poderem ter ideias tão diferentes do que é adequado compor um processo judicial.

Fiquei também satisfeito do juiz Ivo Rosa aprovar os indícios indirectos de que Sócrates foi corrompido por Carlos Santos Silva, não acreditando na plausibilidade das alegações de Sócrates para os pagamentos com notas, as malas de dinheiro, a prática da mãe guardar muito dinheiro em casa. No meio do infindável ruído sobre os milhões que passeavam pelos offshores, a utilização de grandes quantidades de notas para pagamentos, prática confirmada pelo próprio Sócrates era a prova verdadeiramente acessível ao público em geral de que faço parte.

Tenho andado a conjecturar que a extrema liberdade que gozam os juízes e procuradores para evitar que tudo fique dependente dum grande chefe tem um reverso pesado que consiste em cada um ter os seus critérios do que deve ser a aplicação da lei e o cidadão ficar com falta da SEGURANÇA JURÍDICA tão cara ao nosso Presidente da República.

E apercebi-me que, nem no caso da prescrição existe a tal segurança jurídica sobre quando prescreve um determinado crime, havendo mesmo uma querela, segundo referiu o advogado Magalhães Silva na ontem na RTP3, entre o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal Constitucional.

 


 

2021-04-09

Rabiruivo-preto nos Ollivais Sul

 

Tinha avistado uma ave pequena, do tamanho dum pardal com uma cauda cor-de-cobre nos Olivais Sul, mesmo ao pé da estação do Metro, talvez ontem e anteontem. Hoje, vi um transeunte a observar a mesma ave e disse-me que se chamava "Rabo ruivo", nome que parecia muito adequado.

A ave parava muito pouco tempo em cada poiso, o que é muito habitual nas aves mas dificulta o trabalho do fotógrafo. Esta primeira foto foi tirada a alguma distância, a imagem ficou pequena.

Depois a ave empoleirou-se numa árvore. dá para ver que é preta mas não se vê bem a cauda

nesta já se vê bem a cauda e o corpo preto

e aqui iniciou um voo

consegui seguir o voo e fotografei bastante longe, fazendo depois em casa um zoom digital


talvez a seguinte seja uma fêmea que andava também por ali, no sítio das Aves de Portugal sobre o Rabiruivo-preto (Phoenicurus ochruros) referem que enquanto os machos são pretos as fêmeas e os juvenis são castanhos.

virou-se para ver o fotógrafo

 

não fugiu logo


mas pouco depois foi à vida


 

 

2021-04-07

Jardim Gulbenkian e seus Espelhos de Água

 

Desde a sua criação o extraordinário jardim que envolve os edifícios da Fundação Calouste Gulbenkian tem tido, além duma concepção notável pelos Engenheiros Agrónomos e Arquitectos Paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Facco Viana Barreto escolhidos em Abril de 1961, uma construção robusta e uma manutenção muito boa durante longos períodos de tempo.

Em 1979 o jardim foi encerrado ao público para recuperação da sua degradação, devida talvez às perturbações sociais do 25/Abr/1974, em simultâneo com a construção do Centro de Arte Moderna. O desacordo dos paisagistas acima referidos sobre o local onde o novo edifício foi implantado levou a que dessem por concluída a sua colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian.

Em Maio de 2000 Ribeiro Telles foi novamente convidado a intervir no jardim e são desse tempo os círculos de água, lagos com poucos centímetros de profundidade, que instalou em locais mais sombrios, espelhando a vegetação e o céu de Lisboa.

Há algum tempo que não visitava este jardim e fotografei um desses lagos

e confesso que fiquei confuso com esta imagem. Do lado esquerdo existem muitas pedrinhas que não estão completamente imersas na água pelo que não existe o efeito espelhado de uma superfície aquática, apenas os reflexos das próprias pedrinhas. Para perceber melhor o que se passava "ampliei" parte desta imagem que mostro a seguir


Os reflexos dos ramos/troncos mais finos parecem atravessados por riscos escuros (que não passam de espaços entre pedras adjacentes no fundo do lago) enquanto os troncos mais grossos são "substituídos" pelas imagens das pedras que estão no fundo do lago.

Porque é que isto acontece? A maior parte das superfícies dos objectos que vemos são irregulares em relação ao comprimento de onda da luz que recebem pelo que reflectem luz em todas as direcções, posibilitando-nos vê-los a partir de qualquer sítio em que estejamos, desde que não existam obstáculos opacos entre o nosso olho e  o objecto e este esteja a ser iluminado.

Neste caso porém os raios reflectidos pela superfície da água em repouso têm uma grande intensidade quando estão a reflectir pedaços do céu (neste caso dum cinzento quase branco), motivo pelo qual vemos nessas áreas apenas o céu muito claro, não conseguindo ver as pedras no fundo do lago.

Nas áreas do lago que estão a receber a luz reflectida dos troncos de árvores, a intensidade dessa luz é muito menor do que a que vem directamente do céu. Na fotografia constata-se que neste caso a luz reflectida pelas pedras no fundo do lago é mais importante do que a que resulta da reflexão na superfície da água da luz reflectida por um tronco de árvore tapando a luz directa do céu, revelando assim a presença da pedras no fundo do lago.

Na altura fiquei apenas perplexo com o que via e tirei outra foto em que, além de se ver o lago com seus fundos e seus reflexos se via directamente uma as folhas de uma planta próxima, que mostro a seguir

 


e ainda outra foto


por assim dizer mais "normal" pois o fundo deste lago não recebe tanta luz como os anteriores, assumindo um papel muito mais discreto nesta imagem.

Claro que este episódio me lembrou a obra de Escher "Três Mundos" que mostrei aqui, e nesse post acho que vi agora um bocadinho do fundo do lago Bled na Eslovénia, fundo esse que não é tão animado como este conjunto de pedrinhas dos laguinhos do jardim Gulbenkian.

Depois gostei deste bocadinho dum canteiro ao lado dos lagos redondos


e desta cica feminina

 

Mostrei uma cica masculina (Cicas Revoluta) aqui.



2021-03-30

Local da Reunião China - Estados Unidos da América de 19Mar2021

 

 Achei estranho que a reunião que teve lugar no dia 19/Março/2021 entre representações diplomáticas do mais alto nível entre os Estados Unidos da América e a República Popular da China se tivesse realizado na cidade de Anchorage, no Alasca.

Fui então ao Google Earth medir as distâncias entre Beijing e Washington D.C. e entre estas cidades e Anchorage e ainda entre elas e Honolulu, capital do estado do Hawai situado no meio do Pacífico.

Gravei os arcos de círculos máximos encontrados pela ferramenta do Google para medir distâncias que mostro na figura a seguir 


seguida duma tabela  com as coordenadas obtidas na Wikipédia para cada uma das cidades e as distâncias arredondadas à centena de kilómetros nas várias hipóteses.

Para Anchorage a delegação americana teve que se deslocar 5500km enquanto a chinesa se deslocou 6400km, dando uma soma de 11900km, apenas 700km mais do que os 11200km mais do que a distância entre Beijing e Washington D.C..

Constata-se também que Honolulu seria uma má solução se privilegiarmos a minimização do gasto de combustível de ambos os aviões pois o total das deslocações seria então 7800+8200=16000km, mais 4800km do que a solução de Anchorage.

 

Latitude

Longitude

Ortodrómica

 

 

 

 

km

 

Anchorage

61º13'N

149º54'W

 

 

 

 

 

5,500

Washington D.C.

 

 

 

6,400

Beijing

Honolulu

21º18'25"N

157º51'30"W

 

 

 

 

 

7,800

Washington D.C.

 

 

 

8,200

Beijing

 

 

 

 

 

Washington D.C.

38.99101ºN

77.0147ºW

 

 

Beijing

39º54'24"N

116º23'51"E

 

 

 

 

 

 

 

Washington D.C.

 

 

11,200

Beijing

 

As duas potências não precisaram dum terreno neutro numa terceira parte para se encontrarem, contudo as relações bilaterais não estão atravessando um bom momento pelo que a realização alternada em cidades mais interessantes de ambos os países foi posta de lado.

A cidade de Anchorage, cidade pequena de 300.000 habitantes com um bom aeroporto parece uma boa solução para uma reunião bilateral de trabalho, minimizando o gasto de combustível fóssil do conjunto das delegações.

Quanto ao "jet lag" o local da reunião deve ser pouco relevante pois cada delegação, para uma reunião de um dia, estará numa situação semelhante a uma reunião por teleconferência. A distãncia horária entre Beijing e Washington D.C. é de 11 horas pelo que é sempre delicado encontrar horas apropriadas para ambas as delegações.

Mesmo assim recolhi os tempos locais dos vários sítios que são Anchorage UTC-9, Washington D-C. UTC-5, Beijing UTC+8 e Honolulu UTC-10.

Quanto à reunião propriamente dita começaram por acusações públicas mútuas de desagrado com o comportamento do outro e depois, da parte não pública da reunião, disseram no final que tiveram progressos substantivos.

 

 

2021-03-26

Mortes por COVID-19 em vários países

 

Parafraseando Tolstoi, em relação ao COVID-19, cada país é infeliz à sua maneira.

Fui ao Worldometers sobre COVID, ordenei na tabela existente dos países por ordem decrescente do número total de mortos por COVID/milhão de habitantes desde 15/Fev/2020 até hoje (26/Mar/2021) e seleccionei os seguintes, por ordem não consecutiva de posição nessa triste coluna: República Checa, Hungria, Bélgica, Reino Unido, Itália, Estados Unidos da América, Portugal, Espanha,  França, Brasil, Suécia, Suíça, Alemanha.

Os que nesta lista aparecem antes de Portugal tiveram mais mortos/milhão de habitantes, depois são os que tiveram menos.

Os países com grande área e população desta lista, os EUA e o Brasil, não tiveram períodos com número de mortes muito reduzido pois a pandemia vai "viajando" pelo país, como tem acontecido aliás na Europa.


A imagem que mostro é a "Slide sorter view" duma apresentação Power-point que está disponível no meu Google Drive aqui.


2021-03-24

Algarve em Março (2)

 

 Nestas arribas de grés alaranjado os caminhos dos peões ficam mais nítidos nesta estação

 


 e ao lado do passadiço de madeira que agora segue ao longo da praia de Alvor existem algumas partes com um toque de jardinagem, como no corte de algumas folhas da Agave da foto que segue

 


 mesmo as rochas no meio da areia da praia têm verdes viçosos no cocuruto

 


e terminamos a subir o caminho que já fotografámos a descer, no post anterior

 


 

 

Algarve em Março

 

No Algarve em Março, em anos com pluviosidade na média, a paisagem tem um verde exuberante, como neste pequeno talude

no caminho para a Prainha em Alvor


No novo telemóvel a câmara fotográfica apresenta os melhoramentos dum intervalo de 8 anos, idade do telemóvel substituído em Janeiro/2021 e quando se tira uma foto


hesita-se cada vez mais em mostrar além do enquadramento original uma "ampliação" dum detalhe


e finalizo mostrando arribas da Prainha, a praia de Alvor e a da Meia-praia, seguida de Lagos e da Ponta da Piedade lá ao fundo




2021-03-16

Templo Balaji em Bilakalagudur, Andra Pradesh, Índia


Registei-me no sítio da revista The Architectural Review e vou recebendo emails com informação sobre o que vão publicando.

Recentemente fui agradavelmente surpreendido por esta foto duma obra projectada por Sameep Padora + Associates

   (15°40'34.38"N  78°26'17.33"E)

que vinha acompanhada por este texto:
“ O templo Balaji está quase noutro mundo em relação aos tipos históricos de templos indianos na forma como instala  os seus elementos, como os fixa no sítio, como dissolve as fronteiras entre os espaços sociais e os sagrados e como generosamente acolhe os visitantes”.

Talvez numa manhã fresca


 

e quando já vai alto o sol


À procura do significado de “Balaji”  fui dar à entrada “Venkateswara” da Wikipédia onde consta:
«
Lord Venkateshwara (Sanskrit: वेङ्कटेश्वर, IAST: Vēṅkatachala, Telugu: వేంకటేశ్వర స్వామి, Tamil: வெங்கடேஷ்வரா), also known as Śrīnivāsa, Bālājī, Vēṅkateswara, Venkata Ramana, Yedukondalavasa, Aapadamokkulavadu, Thirupathy Timmappa, Ezhumalaiyaan, Malaiyappa swamy and Govindha,[1] is a form of the Hindu god Maha Vishnu.
»

Trata-se portanto de um templo dedicado a Vixnu, um dos 3 deuses principais do hinduísmo, sendo Brama o criador, Vixnu o que conserva e Siva o que destrói, se bem que este último também seja considerado um criador pois por vezes a criação pressupõe alguma destruição.

A primeira impressão que tive foi de grande tranquilidade, provavelmente favorecida pela planície verdejante, pela superfície da água em espelho e pela revisita da silhueta de uma torre (sikhara) desta vez com uma forma geométrica simples sem qualquer decoração, ao contrário do que é habitual nos templos hindus, uma espécie de abstracção da essência de um templo.

Recordo aqui uma animação sobre templos hindus do arquitecto Adam Hardy que fez este filme objecto dum post antigo deste blogue que volto a mostrar aqui para facilitar consulta





Na procura que fiz deste templo cheguei a e este sítio da ARCHEYES com esta ficha técnica

«
    Architects: Sameep Padora & Associates
    Location: Nandyal, Andhra Pradesh, India
    Design Team: Sanjana Purohit, Vami Sheth, Aparna Dhareshwar, Kunal Sharma
    Client: Anushree Jindal, JSW Cement
    Topics: Limestone, Temples
    Area: 2.5 Acres
    Project Year: 2020
    Photographs: © Edmund Sumner
»

com fotografias de que mostro algumas mais à frente neste post, e um texto dos arquitectos muito interessante.

Dele retirei este troço:
«...
This building, too, repeats or emulates certain tropes of the Hindu temple so that it is recognizable as a temple. Yet, it doesn’t replicate those tropes but instead breaks them down to constituent parts to then again reconstruct it.

 One looks at the relationship of the temple and the Kund (stepped water tank), as a contradictory yet complementary one of binary opposites. It is a relationship between a solid and a void between reaching out to the sky and going deep into the ground about accretion and excavation.

This relationship, which is so apparent, often is unnoticed. Here, by employing the same architectural device (steps or corbels), one makes this explicit and yet delightfully abstract. Suddenly, it becomes evident that the Kund (stepped water tank) is the inverted negative of the shikhara (spire), and it leads one to reread this whole debate between the two, even in the temples of the past.
...
»

que me fez reparar que num templo indiano o elemento “torre/montanha” que tenta chegar ao céu e os “degraus (ghat)” que levam ao habitual lago do templo são o “negativo” um do outro.




Na “Architecture Digest” tem outro artigo interessante sobre este templo e é possível que a simplicidade do templo se deva também a servir pequenas povoações vizinhas cujos habitantes se dedicam à agricultura e provavelmente também a trabalhos na fábrica de cimento JSW Cement que financiou esta obra promovida por Anushree Jindal.

Finalizo com uma imagem tirada de um ângulo parecido mas noutra luz, talvez também de manhã, disponível no Google



Equinócio da Primavera

O equinócio da Primavera em 2021 é já no próximo sábado dia 20/Março/2021 às 09:37 (TMG).

Entretanto na App do meu telemóvel está que hoje, dia 16, em Lisboa o nascer do Sol foi às 06:44 e o pôr-do-sol será às 18:44 o que significa, entre outras coisas, que a duração do dia é igual à duração da noite, 12 horas para cada um.

Claro que as definições de início e fim do dia têm as suas subtilezas mas na minha App as durações do dia e da noite foram hoje iguais.



2021-03-09

Eugène Delacroix

 

Seguindo as sugestões do João Miguel vi um documentário no canal ARTE, sobre a obra do pintor francês Eugène Delacroix,  referido como um precursor dos impressionistas e um iniciador do movimento dos "Orientalistas", um conjunto de pintores europeus que se dedicaram a apresentar versões mais ou menos fantasiosas do Oriente exótico, sobretudo do mundo árabe incluindo o Norte de África.

Gostei de ver a descrição da viagem que Delacroix fez com um diplomata francês até Meknès, então residência do sultão marroquino, e do seu encantamento com o ambiente tão diferente da Europa desses tempos.

Estes documentários recorrem a reconstituições com actores e figurantes, de diversas cenas passadas, para tornar a apresentação mais interessante.

Gostei particularmente da reconstituição dos eventos associados a um casamento no seio da comunidade judia marroquina desse documentário intitulado "Eugène Delacroix, d'Orient et d'Occident" de que mostro  uma breve sequência 


 

de onde retirei  este instantâneo

tratando-se duma reconstituição plausível do que poderá ter originado o quadro de Delacroix intitulado "Noces Juives au Maroc" fazendo parte da colecção do museu do Louvre que mostro a seguir


Tendo a suspeita de que havia muita fantasia no Ocidente àcerca da vida nos haréns li há muitos anos um livro da Fátima Mernissi de que gostei, numa edição em português intitulada "O Harém e o Ocidente". Entretanto emprestei o livro que se extraviou, no Wook dizem que edição está esgotada, talvez compre versão em francês.

Também gostei deste quadro "Femmes d'Alger" do mesmo pintor







2021-03-05

O Padrão dos Descobrimentos

 

Sempre gostei muito deste monumento em Lisboa, frente ao Tejo, quer pelo simbolismo de ir em viagem


quer pelas figuras do escultor Leopoldo de Almeida


de fotografia de 2015 que fui buscar à entrada da Wikipédia sobre este monumento

Na entrada do monumento tem esta dedicatória:

"AO INFANTE D. HENRIQVE E AOS PORTVGVESES QVE DESCOBRIRAM OS CAMINHOS DO MAR"

dando merecido destaque à procura de caminhos para encontrar novas terras e novas gentes.

A Revista do jornal Expresso de 26 de Fevereiro de 2021 tem um artigo da Guta Moura Guedes que sublinha este "Ir ao Encontro".
 

 

 



2021-02-28

Combóios


Recebi há uns dias um filme mostrando um combóio chinês de mercadorias compridíssimo, puxado por 4 locomotivas e com mais de 100 vagões transportando contentores. Andei à procura do filme na internet mas sem sucesso. Por outro lado encontrei este 

  

de 25/Nov/1014 sobre o “caminho de ferro mais longo”, um combóio que liga Yixinou ou Yiwu (uma cidade localizada 300km a sul de Xangai na província de Zhejiang) a Madrid em Espanha, alegadamente com 82 vagões e puxado por apenas uma locomotiva, numa viagem de cerca de 13.000 km que faz em 21 dias, enquanto o trajecto Moscovo-Vladivostok tem apenas 9.200km.

Dado que o combóio das 4 locomotivas era mostrado num troço em espiral, é possível que precisasse de mais locomotivas para vencer o desnível desse troço específico.

Transportar mercadorias de barco, de avião ou de combóio depende do que os clientes estão dispostos a pagar e do prazo de entrega desejado. De uma forma geral o avião é o mais rápido e com o preço mais alto por kg, o barco é o mais lento e com o preço mais baixo por kg e o combóio está entre os dois limites, quer de prazo de entrega quer de preço por kg.

Constatei entretanto que os meus conhecimentos geográficos eram bastante vagos na área da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) que eu confundia com o império russo, sendo incapaz de localizar com exactidão a maior parte dos países que ficaram independentes após o colapso da URSS. Fiz um post sobre este assunto.

Acompanhando o filme com as 4 locomotivas vinha um pequeno texto referindo que a viagem de Xangai a Londres passava por esta sequência de países: Cazaquistão, Rússia, Bielorrússia, Polónia, Alemanha, Bélgica e França. A minha ignorância ia ao ponto de pensar que seria necessário ir apanhar o transiberiano ao porto russo de Vladivostok. O mapa seguinte da entrada “Trans-Eurasia Logistics” da Wikipédia

mostra as 3 vias férreas mais comuns para o trânsito de mercadorias entre a China e a Europa. 

A mais directa passa pelo Cazaquistão, único país que é necessário atravessar até chegar a Petropavlovsk, ainda no Casaquistão mas “apenas” a uns 2.400 km (por estrada) para chegar a Moscovo. Petropavlovsk está a cerca de 60km da fronteira com a Rússia e a 630km da cidade de Yekaterinburg, cidade importante com cerca de 1,4 milhões de habitantes cujo nome é a forma russa de Catarina I, mulher do Czar Pedro o Grande. Obtive estas distâncias por estrada pedindo direcções na aplicação Google Maps que contém abundantes vistas de rua (Street View) na Rússia, sendo muito raras em Almaty e Astana (respectivamente antiga e actual capital do Cazaquistão) e inexistente em Petropavlovsk, uma povoação pequena.

Tive curiosidade em ver as estradas indicadas na Rússia para ir para Yekaterinburg e mostro a vista de rua no Google Maps da estrada P354 tomada em 56º32’17.82”N 61º24’00.06”E, quando passa por baixo de algumas linhas de MAT (Muito Alta Tensão) 


Depois tirei vistas de rua da mesma estrada nestas coordenadas 56º18’39.75”N 62º33’01.17”E, precisamente numa passagem elevada sobre uma linha de caminho de ferro

 mostrando a seguir a linha férrea

que presumo ser a usada pelos combóios chineses, que se constata ser uma via dupla electrificada neste troço.

Sobre combóios de passageiros na Ásia Central (e noutras zonas) encontrei este sítio onde vi este mapa 

Entretive-me a marcar com uma linha verde no Google Earth o caminho que um combóio chinês percorre entre Urumqi e Hamburgo, além do troço de círculo máximo entre Yiwu (referida no início deste post) e Madrid

Constata-se que o círculo máximo entre Yiwu e Madrid (10353km) passa pela Mongólia mas só por acaso seria economicamente interessante construir uma linha seguindo esse traçado. Constata-se que o trajecto nos territórios russo e bielorusso seguem de forma aproximada o círculo máximo. A via pelo Xinjiang maximiza a parte do trajecto percorrida em território chinês. 

A cidade de Urumqi com 3,5 milhões de habitantes é a capital da região autónoma Xinjiang (que em português era antigamente designada por Sinquião, conforme consta no meu globo terrestre de 1976) , região com 25 milhões de habitantes dos quais 45% pertenciam à etnia Uigur e 40% à etnia Han no censo de 2010. Além do mandarim a língua Uigur também é um idioma oficial.

Passei por um artigo de investigação sobre como optimizar a logística do transporte de vários locais da China para vários locais da Europa e visitei “Rail Transport” da Wikipedia de onde tirei este mapa 

que resume a densidade de linhas de caminho de ferro em todo mundo

constatando-se que o império britânico não conseguiu realizar a ligação por linha férrea do Cabo ao Cairo.

Depois fui verificar as bitolas existentes em todo o mundo e existem mesmo muitas, conforme se constata neste mapa 

onde se vê contudo que de Yiwu a Madrid será necessário mudar “apenas” em 3 fronteiras: 

- China-Cazaquistão

- Bielorússia-Polónia

- França-Espanha