2018-10-12

Mobilar



Entre a opulência deste interior do Palácio de Buckingham, nesta foto tirada por Annie Leibovitz em 2016 pelo 90º aniversário da rainha Isabel II, rodeada por 2 netos e 5 bisnetos, numa encenação certamente supercuidadosa



e o minimalismo desta casa japonesa situada no jardim de Sankien em Yokohama, numa foto tirada por mim em 2014



vai um mundo de possibilidades.

Mas mesmo o minimalismo, com o chão em tatami e aparentemente sem móveis deriva de uma tradição longa. Uma parte importante da casa é o jardim em que se insere, percebendo-se melhor ao ver um bocadinho do jardim



porque era a casa de uma família muito rica de Yokohama.

As casas japonesas com estrutura em madeira e painéis com papel translúcido deixando passar a luz parecem muito adequadas a uma terra com grande frequência de sismos. Se calhar fartaram-se de ver os móveis aos saltos durante os terramotos e optaram por guardar poucas coisas dentro de algumas caixas.

Nesta casa ainda tinham uns móveis com formas ocidentais, talvez fosse para receberem estrangeiros com dificuldade em se sentar no chão.

2018-10-10

Beira-Tejo


O Parque das Nações é inesgotável para tirar fotografias, desta vez uma poalha prateada no rio Tejo, observado ao lado do jardim Garcia da Orta, protegido do sol pela alameda de pinheiros




Entretanto tive dúvidas sobre o enquadramento desta foto e fiz duas variantes, em que o poste do teleférico deixou de aparecer, além de que o horizonte ficou de nível em vez de ligeiramente inclinado, a primeira com um ratio de 4:3




e a segunda com aproximadamente 16:10



Talvez goste mais desta última.

2018-09-30

Plantas em canteiros algarvios


Desta vez não sei quais os nomes das plantas que passo a mostrar, primeiro esta que me surpreendeu porque de cada nó saem 10 folhas:



e ao pé dela estavam estas florinhas de um magenta praticamente puro, apenas com vermelho e azul, praticamente sem verde, como pude constatar medindo os componentes RGB (Red, Green, Blue) num programa de processamento de imagens



Depois concentrei-me apenas em 4 flores, onde também se constata que as folhas da planta são carnudas, para sobreviverem às secas algarvias




e depois numa flor única




2018-09-27

Sobre o roubo em Tancos


Apreciei o texto do Daniel Oliveira sobre os desenvolvimentos recentes, com a constituição de arguidos incluindo o director da Polícia Judiciária Militar, no âmbito da investigação do roubo de material militar em Tancos, que apareceu no jornal Expresso e de que destaco:

«...
Se as coisas são o que parecem, não é o crime que virá a envergonhar as Forças Armadas. Não é sequer a insegurança. É o ridículo. Havia um tipo que tinha gamado umas armas, coisa sem importância. Mas aquilo, vai-se lá saber porquê, apareceu na televisão. Ele assustou-se e quis desfazer o erro. Como o ladrão era um ex-militar, tinha um amigo na GNR que falou com outro que conhecia um gajo lá na PJM. E trataram de devolver tudo e até mais um bocadinho, que um homem perde-se no inventário. Isto é o que parece mas não pode ser, porque transformava a nossa tropa numa anedota

...

Porque sem elas a Justiça está condenada: só há Justiça com democracia e só há democracia com instituições fortes. Assim sendo, a única coisa que se exige é ponderação e bom-senso. Os cuidados da procuradora-geral, ao fazer um contacto prévio com o ministro da Defesa, fazem-me acreditar que desta vez alguém percebeu isso. Até porque suspeito que no fim o ridículo de toda esta história será tão grande que é melhor dar aprumo ao que não tem aprumo nenhum. Já nem a roubar há disciplina.
»


Mar visto dos Três Irmãos





Mar visto de falésia em 27/Jul/2018 junto da praia dos Três Irmãos na freguesia de Alvor do concelho de Portimão, avistando-se a Ponta da Piedade ao fundo.

2018-09-22

A cidade subterrânea (Ben Wiseman)


Vi esta imagem na New Yorker, foi feita por Ben Wiseman, um jovem "illustrator" (ilustrador, desenhador, artista gráfico, não sei qual o termo português mais frequente) e gostei imenso da caracterização quer do ambiente técnico quer dos variados tipos de pessoas que utilizam o metro de Nova Iorque.



Constato mais uma vez que as cores sólidas dos guaches chegam para caracterizar uma situação com muita complexidade.


2018-09-19

Aldo Andreolo


Houve uma altura em que comprava postais nos quiosques, nas livrarias e nos museus, sobretudo quando estava em viagem, quando via imagens de que gostava.

Julgo que agora compro postais mais raramente, provavelmente por pensar que poderei rever a imagem na internet.

Comprei o postal "La Venexiana", que mostro a seguir, na Inglaterra há mais de 20 anos


de longe em longe vejo-o ao passar num meu álbum de postais, talvez aprecie que poderia ter sido pintado a guache pois tem cores sólidas, aparentemente sem sombras, se bem que as madeiras tenham várias tonalidades conforme estejam ao sol ou à sombra.

Os tons pastel e a composição minimalista parecem adequados a Setembro, um mês tranquilo no Algarve.

Ontem tirei esta foto do postal e fui à procura de quem era  o autor. Trata-se de um artista italiano de Veneza, tem biografia e foto aqui.


2018-09-17

Joana Marques Vidal


Agora que se intensifica a pressão da direita para a recondução da Joana Marques Vidal, fui formando uma opinião que coincide praticamente com a do Daniel Oliveira, designadamente quando refere a fragilização de futuros procuradores que terão a tentação de agradar ao poder político para obterem um segundo mandato.

Acho curiosa a alegação de que finalmente se dá luta contra os poderosos, lembro-me que antes desta procuradora atacaram a Leonor Beleza, num processo aliás vergonhoso, a propósito da aquisição de sangue contaminado, o Oliveira e Costa a propósito do BPN, Jardim Gonçalves e administradores do Banco Comercial Português sem grandes resultados, prenderam Costa Freire, um secretário de Estado da Saúde, Isaltino Morais como autarca de Oeiras, acusaram Carlos Melancia e outros no caso dos faxes de Macau, Pinto da Costa e Valentim Loureiro na operação Apito Dourado, lançaram suspeitas sobre dirigentes do PS no caso Casa Pia e outros que sei que existiram mas que não me ocorrem imediatamente.

Parece-me que a referência à luta contra os poderosos não passa de um eufemismo para a prisão preventiva do Sócrates, sobre cuja actuação tenho agora grandes suspeitas, continuando contudo a considerar iníqua a sua prisão preventiva e pouco recomendável a condução do processo até à produção final da acusação.

Dá-se o caso de constituirem como arguidos agora Ricardo Salgado e outros do BES e administradores da Portugal Telecom. O descalabro do BES e da PT, pela sua dimensão, requeririam sempre um inquérito, procuradores anteriores também constituiram arguidos administradores de bancos. Processos contra Benfica e Sporting sucederam-se a processos contra Porto e Boavista.

Quanto à pena de prisão efectiva para Duarte Lima não consigo deixar de pensar que os processos que corriam contra ele ficaram mais céleres quando apareceram fortes indícios de ser responsável pelo assassínio duma mulher no Brasil.

E a actual procuradora não conseguiu por termo às violações sistemáticas do segredo de justiça alegando mesmo que as penalidades existentes na lei para esse tipo de crime não impunham prioridade ao seu tratamento.

Veremos como terminam os processos em curso. É natural que os poderosos se consigam defender melhor do que os que estão longe de qualquer poder mas ainda não se viram os resultados finais de muitos processos importantes iniciados por vários procuradores durande o mandato da actual procuradora.

Parafraseando o jornal "El Pais", sobre a extensão da duração dos julgamentos por medidas dilatórias, "em Portugal cá se fazem cá se pagam, desde que se goze de boa saúde... "


2018-09-16

Ana Miralles


A referência no post anterior ao livro “A cidade subterrânea” de David Macaulay, um livro composto de páginas quase exclusivamente com desenhos, e uma reordenação de algumas prateleiras nas estantes de casa lembrou-me a existência de uma banda desenhada, que comprei já depois do ano 2000, intitulada Djinn, desenhada pela espanhola Ana Miralles com texto de Jean Dufaux.

A série interessou-me pelos desenhos das capas, pelos desenhos no interior e pelos ambientes exóticos. A história ao princípio enigmática, revelou-se muito fraca e comprei vários números por causa apenas da qualidade dos desenhos.

Publicaram um volume “hors-série” intitulado “Djinn / Ce qui est caché » referido numa crítica ao conjunto da série, crítica essa com que concordo no geral.

Aqui está a capa desse volume



e um detalhe da figura



2018-09-14

A cidade subterrânea


Hoje ao passar na Rua de Entrecampos, ao pé dum edifício da EPAL, adjacente à estação ferroviária de Entrecampos, encontrei uma cova com alguma dimensão onde estavam a instalar, entre outras coisas, o que me pareceu ser uma válvula numa conduta de água

em que no lado direito está uma garrafa de água de 1,5L que dá uma ideia da escala.

Achei curioso pintarem com cores diferentes as diversas peças do conjunto, parece inútil para um equipamento que vai ficar enterrado. Conjecturei que talvez facilitasse as instruções de montagem e que no futuro, quando escavarem para chegar a este equipamento a presença da côr, se ainda persistir, ajudará a identificar qual o componente que está a ser descoberto.

Tirei ainda outra foto do mesmo conjunto


ficando a pensar que a escala de objectos, como neste caso uma válvula, influencia bastante a sua forma, mesmo que tenham função idêntica de controlo do fluxo da água.

Lembrei-me também do livro "A cidade subterrânea" de David Macaulay, livro interessantíssimo com umas perspectivas espectaculares em que a terra aparece transparente, que referi aqui e cuja capa mostro a seguir



Uma pessoa por vezes esquece-se da existência de infraestruturas muito importantes que não estão à vista e concentra-se quase exclusivamente nas novidades da internet

.

2018-09-12

Como pintar


Tenho continuado a ler de vez em quando a revista "The New Yorker", gosto dos textos e também das ilustrações.

Esta imagem apareceu recentemente num dos números da revista



provavelmente sobre a embrulhada em que os ingleses se meteram votando num referendo que queriam sair na União Europeia.

Mas o que me seduziu foi o resultado tão "realista" de um conjunto aparentemente tão arbitrário de manchas de cor espalhadas  pela tela. Por exemplo não percebo o que estão a fazer a mancha vermelha ao pé de um dos olhos e as manchas cor-de-laranja ao pé do outro olho, já para não falar do verde-mar ao pé do nariz. Contudo identifico com grande facilidade a Theresa May.

Compreendo que isto será provavelmente o resultado de muitos anos de treino mas gostaria que me tivessem ensinado algumas técnicas que após algum treino me permitissem desenhar uma figura humana que pudesse ser identificada e que revelasse uma de várias emoções possíveis.

Na disciplina chamada "Desenho" que tive no liceu, os professores limitavam-se normalmente a dizer para pintarmos alguma coisa classificando depois o talento de cada aluno.




2018-09-06

Malva cheirosa


Tenho andado intrigado com um gel de banho da Nívea cujo cheiro muito aprecio e que dizia ter na sua composição malva.

A malva ou gerânio ou sardinheira que eu conhecia por estes 3 nomes cuja foto encontrei neste sítio



tinha um cheiro que me desagradava e que não tinha nada a ver com o do gel referido.

Hoje finalmente mostraram-me esta planta que fotografei



e que me disseram chamar-se Malva Cheirosa (Pelargonium graveolens). Esfregando uma folha na mão reconheci o cheiro semelhante ao do gel que referi!

Pelo que diz na Wikipédia, onde referem muitas variedades, cada uma com o seu cheiro, sob o mesmo nome de "Pelargonium graveolens" constato mais uma vez que a botânica não é para principiantes.


2018-08-21

Asia Argento e o PRD


Li agora no Da Literatura (que também se poderia chamar "Da Actualidade") que Asia Argento, uma importante acusadora do produtor Harvey Weinstein foi por sua vez acusada de ter abusado sexualmente de um menor então com 17 anos.

Fez-me lembrar o PRD-Partido Renovador Democrático, nascido em Portugal em 1985, sob patrocínio não oficial do então presidente de República general Ramalho Eanes, baseado num programa para moralizar a política de então em Portugal.

Tiveram 18% dos votos em 1985, ano da sua criação, mas caíram logo para 5% em 1987 e 0,6% em 1991, ano em que deixaram de ter representação parlamentar.

Os eleitores constataram após o escrutínio à vida pessoal dos novos eleitos, decorrente da sua posição de destaque, que afinal os membros deste novo partido tinham tantas fraquezas humanas como os políticos que eles substituíram. Eu até diria que em muitos dos escrutínios então feitos se podia aplicar a frase popular, "a cada cavadela sua minhoca".

Seria absurdo dizer que em cada acusadora do Harvey Weinstein está uma abusadora sexual mas não podemos esquecer que são seres humanos logo alguns terão cometido erros.

Na imagem do New York Times que mostro a seguir

vêem-se tatuagens. Parece-me que quando a pele humana está exposta durante períodos prolongados devido à ausência de roupa, à excepção da cara, das mãos e de zonas com pelos, existe uma  maior probabilidade de aumentar o uso de tatuagens. Prefiro a pele lisa.


2018-08-14

Jerusalém



Consegui ler do princípio ao fim, de forma relativamente rápida, o livro "Jerusalém" de Simon Sebag Montefiore sobre a história desta cidade.

Frequentemente quando leio um livro escrevo (a lápis) referências a algumas páginas com detalhes que me interessaram e/ou surpreenderam. Neste caso não tenho essas notas disponíveis pois a obra ficou em Lisboa e assim tenho uma razoável desculpa para não me pronunciar sobre a situação actual, tão intratável que parece insolúvel, pelo menos até que aconteça algo tão inverosímil que viabilize novos caminhos actualmente inexistentes.

Mesmo assim custa-me a  perceber a atracção tão forte por uma região da Terra que parece deter o recorde de atrocidades ao longo da sua longa história. Em Lisboa, além das fomes e pestes da Idade Média tivemos o terrível terramoto de 1755, mas nada que chegue aos horrores da destruição da cidade e massacre dos seus habitantes no ano 70 DC e da segunda destruição do que restava da cidade por Adriano em 132 DC, na sequência de outra  revolta judaica, onde construiu outra povoação a que deu o nome de Élia Capitolina, em que era proibido que entrassem judeus.

O mesmo imperador renomeou a região chamada Judeia como Síria Palestina, um nome derivado de Filistina, terra dos Filisteus, habituais inimigos dos Judeus nas narrativas bíblicas. A cidade teve ainda que sofrer as investidas dos árabes na sua guerra santa no seúlo VII, dos cruzados, com algumas invasões sanguinolentas, assim como as diversas guerras entre muçulmanos pelo controlo da cidade, finalizando no mandato britânico, na independência de Israel e nas guerras permanentes entre judeus e árabes desde 1948 até à actualidade.

Descobri ao ler o livro que existia a crença que no fim do mundo a ressureição dos mortos começaria pelos cemitérios de Jerusalém, donde existirem pessoas que viajavam até lá para aí serem enterradas e a consequente abundância de cemitérios, como se vê na imagem.



Fez-me pensar em Varanasi, outro sítio onde parece ser conveniente morrer.

Os meus avós paternos fizeram uma viagem à Terra Santa, na primeira metade do século XX, mas não me descreveram a viagem e é sítio que até agora não me suscitou intenção de visitar.

2018-08-10

Fato de banho completo na praia de Alvor



Vi há poucos dias na praia de Alvor um fato de banho como este, incluindo touca, que eu vira num anúncio em Marraquexe e que referira neste post. O que vi agora era uma versão de cores mais discretas, um azul muito escuro aplicado uniformemente em todas as peças, com as linhas das costuras (naturalmente finas) de vermelho.


Vi na Índia mulheres a tomar banho de sari e é possível que, na ausência de protectores solares a preços compatíveis com o poder de compra local e dadas as elevadas temperaturas, acabe por ser uma solução razoável para alguns climas.


Lembro-me também de há uns 50 ou 60 anos os Montanheiros (das montanhas de Monchique) se deslocarem à Praia da Rocha numa festa anual em que as mulheres tomavam o seu banho de mar no que então se chamava "combinação", uma roupa interior com o formato de um vestido de alças. O banho era tomado à noite, talvez por pudor. Mas essa tradição acabou.


Antipatizo com esta moda em Portugal mas não deve ser proibida uma vez que não oculta a face da mulher. Se chamam a isto um burkini discordo desse nome pois a ocultação da face e de todo o corpo é o que caracteriza a burka.


Considero que andar de cara tapada na via pública deve ser proibido, como se defende por exemplo em  "Os Tempos e as Vontades" aqui e aqui.



2018-08-07

Sinais do incêndio de Monchique no litoral


Anteontem, 5/Ago/2018, ao fim da tarde o céu ao pé da praia dos 3 irmãos continuava com os fumos do enorme incêndio na serra de Monchique.



O sol é aquele pequeno círculo branco no eixo central da imagem, próximo do horizonte, teria uma intensidade luminosa (depois de filtrado pelo fumo) ligeiramente maior que a lua. Abundam as cinzas sobre os terraços, automóveis e outras superfícies horizontais. Tenho memória de cinzas aqui cada 4 ou 5 anos, são recorrentes os incêndios na serra de Monchique.

São frequentes os incêndios nas pequenas propriedades florestais, o ano passado ardeu o grande pinhal de Leiria gerido pelo Estado, parece que só se safam os grandes eucaliptais geridos pelas celuloses.

Entretanto hoje à tarde passaram ao  pé da Prainha em Alvor 3 hidroaviões do Reino de España, certamente para intervir em Monchique, é bom podermos contar com nuestros hermanos



a seguir um zoom da imagem anterior


e um perfil do mesmo avião


Adenda: segundo diz aqui os últimos grandes fogos em Monchique ocorreram em 1983, 1991, 2003 e agora em 2018. O tempo voa, afinal os fogos são mais espaçados do que os 4 ou 5 anos que referi "de memória" no meu texto acima

2018-07-31

Pinheiros na Prainha



Este início de férias, um conceito válido mas ligeiramente inadequado para um reformado, tem perturbado o ritmo de publicação de posts aqui no blogue.

Venho agora mostrar uns pinheiros magníficos na Prainha em Alvor chamando a atenção para o tamanho descomunal de qualquer um dos espécimes se bem que o primeiro, que se desenvolve na horizontal, seja provavelmente um conjunto de árvores próximas


O segundo tem uma altura impressionante


Com tanto incêndio, eu que apreciava tanto os pinheiros, designadamente o seu cheiro, já me apercebera do inconveniente da queda incessante das suas folhas-agulhas e assim do carácter dinâmico e grupal da designação "árvores de folha perene", o que é perene é a presença de folhas na árvore em todas as estações do ano e não cada folha individual.

Agora, além desse pequeno inconveniente das agulhas caídas começo a olhar as árvores com alguma apreensão, devido a todos os incêndios que têm ocorrido, nomeadamente estes últimos na Grécia.

Não se pode descurar a prevenção dos incêndios e a operacionalidade dos equipamentos de combate aos mesmos.

2018-07-18

Rei Kawakubo


Em Dezembro de 2017 guardei esta imagem que me agradou


 e que pesquisando com o Google Images me levou à estilista japonesa Rei Kawakubo. Tenho sentimentos contraditórios em relação à alta costura, por um  lado acho graça a alguns devaneios, por outro fico pasmado com a quantidade de dinheiro que movimenta que poderia ter melhor aplicação noutras actividades.

A estilista vestida com uma casaco de cabedal preto e uns óculos escuros que escondem os olhos fizeram-me lembrar o Karl Lagerfeld, que cultiva uma imagem com que também antipatizo.

Estes objectos que mostro acima fizeram parte duma exposição no MET em Nova Iorque sobre a obra desta estilista que decorreu de Maio a Setembro de 2017.



2018-07-16

Processadores gráficos



Em tempos guardava mais fotocópias do que as que tinha capacidade ou disposição para ler. Agora acontece-me algo semellhante com endereços de sítios que julgo serem interessantes mas que depois ou não vejo ou demoro bastante tempo até os ver.

Foi o que aconteceu com esta apresentação de  Jensen Huang, fundador e CEO da empresa americana NVIDIA que costuma ser o fabricante das interfaces gráficas dos PCs que tenho comprado. Já guardei o link há tanto tempo que não me lembro porque o fiz. Vi agora a apresentação, datada de Out/2017 e bastante longa de quase duas horas, mas interessante, com mais de 1 milhão de visitas, tratando-se dum evento (em Mar/2018 já ocorreu outro) promovido por este fabricante de interfaces gráficas. Quem não tiver tempo (ou disposição) para ver o video poderá talvez recorrer a este power-point .

A miniaturização dos transistores que possibilitou os sucessivos aumentos de performance dos microprocessadores nos últimos 40 anos parece ter chegado ao fim e a continuação desse aumento de performance parece agora depender mais do aumento de eficácia do software bem como da exploração de vários processadores em paralelo, técnica que tem sido comum nos processadores gráficos de alta performance.


As técnicas mais recentes de IA (Inteligência Artificial) parecem ter dado também mais frutos, a primeira onda de IA nos anos 70 e 80 do século passado era mais um argumento de marketing do que propriamente uma realidade.

Uma das técnicas que tem obtido bons resultados tem sido o “adversarial training” em que por exemplo colocam dois programas a competir em que um tenta imitar obras por exemplo de Picasso e outro tenta descobrir falsos Picassos. No fim de cada sessão de treino quer um quer outro dos programas melhorou a sua performance, um a imitar melhor, o outro a detectar imitações.

Mostraram uma plataforma de realidade virtual em que pessoas em locais diferentes podiam aceder a um mesmo modelo de carro, com sensações tácteis quando “tocavam” no carro virtual. Fez-me lembrar o que chamavam “sensation motrices” no avião Concorde, em que os flaps eram comandados por sinais eléctricos que controlavam servomotores. Nos aviões clássicos quando o piloto mudava a posição dum flap, se o avião ia mais depressa o piloto sentia uma maior resistência pelo que tinha maior dificuldade em mudar rapidamente o flap. Pensou-se que seria prudente introduzir uma resistência “sintética” na alavanca de comando para evitar que em velocidades altas o flap mudasse a sua posição de forma brusca.

Tenho notado no “Google Images” que, embora acerte muitas vezes no tipo da imagem que buscamos, quando procuro o nome duma flor ele tem-me dito que se trata duma flor vermelha, isto nos seus dias melhores. Na demonstração, o software identificava com enorme rapidez as flores que lhe eram submetidas.

Achei também interessante e potencialmente útil o sucesso na procura de palavras ou frases na banda sonora de um dado filme, extendendo a possibilidade até agora apenas existente para palavras ou frases em textos às instâncias que existem como sons em filmes ou gravações. A aplicação desta busca a comunicações telefónicas parece um bocado assustadora pois torna mais fácil a aplicação de escutas de uma forma maciça onde anteriormente tal exigiria imensa mão-de-obra ou melhor, orelha-de obra. Por outro lado, sem este reconhecimento eficaz de palavras ditas será impossível ter tradutores automáticos, embora me continue a parecer que esta parte do reconhecimento de palavras ditas é várias ordens de grandeza mais simples do que chegar ao significado do que foi dito e encontrar uma forma equivalente noutra língua.

A investigação e desenvolvimento de veículos automóveis sem condutor é outro dos objectivos onde existem actualmente grandes investimentos e a computação gráfica é claramente uma ferramenta essencial neste domínio.



Achei graça que dentro do pacote CUDA, uma  plataforma de computação paralela criada pela NVIDIA exista referência à linguagem FORTRAN, a linguagem de programação em que escrevi os meus primeiros programas, nos finais dos anos 60 e que embora não seja actualmente das mais populares, tem uma base instalada de cálculo científico tão grande que continua a ser bastante usada.

Confirma-se assim um artigo que li há muito tempo na revista Sientific American, certamente no século XX, em que diziam que a linguagem FORTRAN continuava a ser usada se bem que com algumas transformações que a tornavam dificilmente reconhecível para os seus utilizadores pioneiros, concluindo: “não sabemos como serão as linguagens de programação de computadores que serão usadas no século XXI mas estamos convictos que uma delas se chamará FORTRAN”!


2018-07-13

Efeitos colaterais da directiva sobre Privacidade dos dados



Na sequência da aprovação duma directiva da União Europeia sobre a privacidade dos dados tenho recebido mensagens de variadas instituições a quem em tempos fornecera alguns dados.


Tenho dúvidas sobre a eficácia destas medidas legislativas mas, sinto-me satisfeito pela criação de leis que nos dêem alguma protecção, desde que não criem muitos obstáculos à circulação de informação.


Neste caso ocorreu um efeito colateral desejável, embora não previsto pelo legislador, pois entre as várias mensagens que recebi contava-se uma da Fundação Calouste Gulbenkian sobre esta directiva mas em que, além das perguntas e afirmações decorrentes da directiva me perguntavam se estava interessado em receber "newsletters" (em português dir-se-á "novidades"?) sobre actividades da Fundação.


Disse que sim e agora recebo de vez em quando mensagens sobre novas exposições e outras actividades!


A última é sobre uma exposição que junta num mesmo percurso peças da Colecção do Fundador com peças da Colecção Moderna, com curadoria de Joaquim Sapinho.


Das imagens da newsletter retive esta ao lado mostrando a porta do elevador da casa de Paris de Calouste Gulbenkian.


Depois retive ainda esta mostrando uma escultura de Canto da Maya (1890-1981), intitulada "Bendito seja o fruto do teu ventre" (1922), também da Colecção Moderna



Já mostrara outra obra deste escultor neste post sobre Art Déco, quer uma quer outra parecem-me obras de grande delicadeza.

Finalmente mostro a imagem original da Newsletter, onde além destas duas obras aparece como fundo um terceiro protagonista, um bocadinho do maravilhoso jardim da Fundação.






2018-07-11

Os 12 rapazes tailandeses e o seu treinador


Por esta altura já a maior parte das pessoas está a par do que se passou. Deixo aqui algumas das fotos que mais me impressionaram

Este julgo ter sido o momento em que os dois mergulhadores ingleses encontraram os 12 rapazes tailandeses que estavam desaparecidos há dias, juntamente com o seu treinador

Houve uma descrição no The Guardian que me deu pela primeira vez uma ideia da geografia do problema, tendo guardado o artigo no meu PC. Constatei contudo agora, ao tentar obter uma ligação para esse artigo, que o mesmo já não existe na forma em que eu o guardei em 5/Jul/2018. Presumo que para artigos sobre a actualidade, em que a informação disponível vai sendo confirmada/desmentida/completada, em suma, actualizada, o sítio do Guardian vai actualizando o artigo. Não sei quando param de actualizar e se arquivam essa última versão pelo que não deixarei aqui nenhuma ligação para o The Guardian, cuja visita contudo recomendo.

Quando os ingleses regressaram com a notícia que tinham encontrado o grupo de desaparecidos, estando todos vivos, outros mergulhadores foram enviados com comida, alguns remédios, folhas de isolamento térmico, lanternas e mais o que foi considerado possível e necessário, além de ficarem com o grupo um médico e um enfermeiro. Na imagem vêem-se já as características folhas de isolamento térmico



Desenvolveu-se então enorme actividade, envolvendo centenas de pessoas e dezenas de mergulhadores, além de grande quantidade de equipamentos, donde se destacaram as bombas para extracção de parte da água existente nas grutas e as inúmeras garrafas de ar comprimido para os mergulhadores.

Houve também longas discussões para encontrar a melhor forma de retirar o grupo que não sabia nadar nem tinha experiência de mergulho. Depois de considerada e abandonada a hipótese de deixar passar a época das monções, que corresponderia a alimentar e cuidar do grupo na gruta durante 4 meses, a equipa internacional de salvamento coordenada  pelos tailandeses definiu o procedimento a adoptar, de que dá uma ideia o diagrama seguinte


A colocação de garrafas ao longo do percurso e a sua substituição à medida que ia sendo gasto o ar nelas contido envolveu imensa gente como ilustra  a foto seguinte


Há a lamentar a morte de um mergulhador tailandês, ex-membro da marinha que se apresentou como voluntário e que, durante uma missão de transporte de garrafas cheias ao regressar, ficou sem ar na garrafa tendo perdido a consciência e sido impossível reanimá-lo, mostrando os riscos que os mergulhadores corriam nesta operação.

No dia 8/Jul iniciou-se a operação de salvamento tendo sido retirados da gruta com sucesso 4 rapazes do grupo. Um pormenor que não vi muito comentado foi a não divulgação da identidade dos membros desse grupo inicial, que foi imediatamente transportado para o hospital de Chiang Rai. Na imagem seguinte mostro a mudança de um dos rapazes duma ambulância para um helicóptero (ou vice-versa), com os 3 ou 4 para-sóis abertos e posicionados para garantir essa não divulgação.


Em 9/Jul foram retirados mais 4 rapazes e ontem, dia 10/Jul/2018 foram retirados os 4 rapazes que faltavam e o treinador. São estas as fotos respectivas


Estão de parabéns os salvadores, a coordenação do salvamento e os salvados.

Ao mesmo tempo que mais de um milhar de pessoas se esforçou durante vários dias para salvar estes 13 seres humanos, continuam guerras em várias partes da Terra onde milhares matam milhares.


2018-07-04

Sol Poente sobre Árvore nos Olivais




Hoje, ao fim da tarde, continuo com  dificuldade em fotografar árvores mas nesta acho que consegui.



Comparação EDP – “Certificados de Aforro Série B”



No ficheiro EDP-C.Aforro.xls de que mostro uma imagem, fiz um resumo dos resultados das minhas acções da EDP.



Durante os anos de 1997 a 2001 ocorreram várias emissões acompanhadas de prémios de permanência dados em acções, e distribuição de dividendos. O numero de acções foi aumentando, ocorreu uma operação de “split” em que cada acção se separou em 5, até atingir o valor de 5597 acções em Dez/2001 que se  manteve constante desde então. À soma das importâncias pagas até Dez/2001 subtraí os dividendos distribuídos nos anos de 1997.

Resumindo, gastei 14.345€ (custo de vários lotes de acções menos dividendos distribuídos) para deter 5597 acções em Dez/2001.

Passo a descrever colunas do ficheiro Excel
A) data no final de cada ano;
B) dividendo líquido (após taxa liberatória) distribuído nesse ano, normalmente em Maio, omiti uma venda de direitos de capital de 400 e tal euros em 2004;
C) taxa líquida do dividendo líquido função do valor total das acções em Dezembro do ano anterior;
D) valor total das acções segundo cotação do mercado na data; nos anos de 1997 a 2000 multipliquei as 5597 acções pela cotação unitária equivalente (€ em vez de escudo, considerando split em 5 acções desde o início);
E) cotação do título no último dia de cada ano, cotação equivalente de 1997 a 2000;
F) delta, variação do valor total nesse ano;

I, J) Considerei que em Dez/1997 tinha aplicado os 14.345€ em Certificados de Aforro em que cada unidade valeria 2,4938€ (os antigos 500$00). Esse depósito valeria em Jun/2018 27.418€, portanto mais do que a soma dos dividendos (B26=9.773€) com o valor total em Dez/2017 (D25=16.147€), soma que daria 25.921€ (D27).

K,L) depois pensei que poderia ter investido os dividendos em Cert.Aforro e fui buscar valores das unidades de participação de Mai/2002, Mai/2003, até dividendo de Mai/2007 (células K10:K15); para dividendos posteriores, uma vez que já não existiam cert.aforro tipo B arbitrei que taxa anual de juro líquido seria 2,25% e calculei valores que teriam nesse caso imaginado as unidades de participação (K16:K25). Neste caso em vez de ficar com os 25.921€ (D27) ficaria com 27.864€, 400€ acima dos 27.418€ que dariam os Certificados de Aforro.

Conclusão: um pequeno investidor que tivesse comprado Certificados de Aforro em vez de acções da EDP nas primeiras fases de privatização (1997-2000) estaria numa situação financeira muito parecida ao que tivesse mantido as acções até Dezembro /2017.

Não estou portanto a explorar indevidamente os consumidores de electricidade do nosso país. Se as rendas são excessivas isso não se deve a à necessidade de recolher dinheiro para sustentar remunerações exageradas dos pequenos accionistas de longo prazo como eu.



2018-07-02

Formigas em casa


Há muito tempo que me apareceram formigas em casa, duma variedade mais pequena do que aquela a que eu estava acostumado e com gostos também diferentes. Esta última diferença consistia na nítida preferência pelo fiambre em detrimento do açúcar que me recordo de ser o favorito da espécie que eu referi.

É difícil livrarmo-nos das formigas numa casa, julgo que o único método disponível é a utilização de veneno potente nos carreiros mais frequentes, uma vez que costuma ser muito difícil localizar o formigueiro. Na nossa casa passámos a guardar o fiambre mais depressa numa caixa estanque e a coexistir pacificamente com as formigas que não apreciavam açúcar.


Ultimamente, por qualquer motivo que desconheço, estas pequenas formigas passaram-se a interessar também pelo açúcar, criando dificuldade em continuar a utilizar açucareiros com um espaço na tampa para poder ter a respectiva colher sempre disponível.

Fiz então um pequeno teste para verificar se a preferência pelo fiambre se verificava face ao açúcar. Coloquei uma quantidade pequena de paio e uma colher de açúcar de café sobre uma folha de papel e embora as formigas tenham demorado uma meia-hora a descobrir o pitéu principal, quando uma delas o descobriu comunicou a muitas outras a descoberta. Na imagem seguinte mostro o que se passou, usando uma moeda de 20 cêntimos para dar uma ideia da escala


Retirei o pedacinho de paio que claramente continua a ser o pitéu preferido por estas formigas mesmo depois de retirado

 Ao fim de 5 minutos houve finalmente uma formiga que se interessou pelo montinho de açúcar

e esta era a situação passados já 25 minutos depois de retirado o paio

Resumindo, o interesse das formigas da minha casa pelo açúcar é muito moderado mas existe.
Complicando o caminho de acesso ao açucareiro, colocando-o em cima do prato de vidro duma pequena balança electrónica de cozinha como se vê na foto,


deixaram de aparecer as poucas formigas que vagueavam dentro deste açucareiro.

Entretanto as formigas descobriram outro açucareiro fora da cozinha, onde não existia um suporte equivalente para proteger o recipiente. Lembrei-me que talvez colocando um pequeno disco que pode servir de base para copos e forrando a borda desse cilindro achatado com fita adesiva dos dois lados, talvez a barreira fosse suficiente para deter as formigas

Mostro a seguir o açucareiro e a base (uma faiança grega que trouxera de "souvenir")


o aspecto do conjunto



detalhe do bordo da base onde se vê o adesivo



Constatei a posteriori que a minha ideia inicial tinha os seus pontos fracos pois seria desagradável ter qua andar periodicamente a retirar do adesivo as  formigas que a ele teriam ficado agarradas.

Felizmente as formigas foram desencorajadas de tentar a travessia, talvez pelo cheiro. Na dúvida mostro também a fita adesiva de dupla face que julgo ter comprado no Aki, pois talvez o seu cheiro seja essencial ao sucesso:


Adenda: ao fim dumas 3 semanas as formigas conseguiram regressar ao açúcar, se bem que algumas tenham ficado retidas na fita adesiva. O bloqueio é mais difícil do que eu pensava.