2026-04-14

Paciência quase chinesa

 

A propósito do post anterior sugeriram-me que o "arbusto com muitas florinhas brancas" 

seria:

- uma Spirea nipponica (com 22% de probabilidade)

- um Crataegus  monogyna (chamado Pilriteiro, Espinheiro-branco, etc.)

No Google imagens a foto acima dá como resposta principal a Spirea nipponica.

Como tinha curiosidade em saber a ordem de grandeza do número de flores desta planta acabei por cortar um ramo que levei para casa para contar as suas flores e que mostro a seguir

Depois comecei a colocar as pequenas flores e também os botões em filas de 10 unidades. Fiz a primeira matriz de 10x10 e mesmo uma segunda matriz mas, tendo chegado às 200 unidades, achei que podia fazer uma extrapolação para o resto do ramo com o raciocínio que exponho após mostrrar a figura:

Como se vê na fita métrica o ramo tem um pouco mais de 50cm e retirei flores em cerca de 13cm do ramo, aproximadamente 1/5 do comprimento total, o ramo terá portanto à volta de 1000 flores, um valor que não é exacto mas que caracteriza a ordem de grandeza envolvida, não se trata de uma dúzia de flores, nem de várias dezenas ou centenas mas de à volta de um milhar.


Tenho dificuldade em contar quantos ramos existem nesta planta mas acho que pelo menos terá uns 100 ramos. Estou convencido que a planta tem mais de uma centena de milhar de flores, estará mais próxima de umas poucas centenas de milhar do que de um milhão.

Claro que neste exercício me lembrei do Ursus Wehrli que costuma organizar todos os elementos de diversos conjuntos.

 

Para não esgotar o uso do ramo numa contagem das suas flores coloquei-o num frasco de vidro, talvez usado há muito tempo para servir o vinho à mesa, sendo agora usado como uma espécie de jarra de flores, que mostro aqui à direita.

Para completar a identificação da planta será prudente esperar que dê frutos, não me lembro de como são.


Entretanto deixo uma imagem com uma parte deste ramo onde se vêm melhor as flores e também a forma das folhas.

 


  

2026-04-13

Primavera 2026

 

Quando chega a Primavera gosto de fotografar flores e folhas jovens de tons verdes claros,

Neste caso foi uma árvore florida nos Olivais Sul em 5/Abr/2026 que  ficou inclinada. Rodei a foto para que a aresta do prédio ao fundo ficasse vertical, reenquadrei e preenchi os triângulos em três vértices com preto. Como o fundo do blogue é preto fica como se tivesse cortado os triângulos da foto rectangular

 

 

No mesmo dia, 5 minutos depois, fotografei uns jovens castanheiros que avistei na Av.Cidade de Luanda, no lado direito quem desce, no cruzamento com a Rua Cidade de Benguela.

 


uns com flores brancas, outros com flores rosa velho. Quando andei à procura de castanheiros em Lisboa vi uns castanheiros na Av.Júlio Dinis. Quando perguntei no Google se havia castanheiros nessa avenida o google informou que sim, tratando-se de castanheiros-da-índia, Aesculus hippocastanum
Vi agora que o castanheiro que dá castanhas em Portugal é o Castanea sativa. 

Não sei qual a espécie desta árvore, deixo um detalhe desta mesma foto, apenas com a copa da árvore em primeiro plano

 

 

Disse acima que estes castanheiros são jovens porque vi o seguinte em Bruxelas, em 4/6/2013, não coube na fotografia e não sei se será um castanea sativa


Depois fotografei este arbusto em 11/Abr/2026 com muitas florinhas brancas

Acho que  tem mais de 1000 florinhas mas fico na dúvida se serão mais de 10000 ou mais de 100000. 

Alguém adianta um palpite fundamentado? Os ingleses diriam "an educated guess".

 


Para finalizar mostro o que me parecem umas folhas bébés duma gleditsia triacanthos derramando-se sobre um arbusto de verde mais escuro


 

2026-04-07

Seguidor de Voos (Flight Tracker)

 

No tempo em que não havia internet já tinha sido inventado o telefone, isso foi no século XIX. Nos anos 70 do século XX já existiam também voos comerciais entre muitas cidades da Europa e até voos com grandes descontos para estudantes universitários. 

Estes voos eram a desoras, o meu primeiro voo para Paris talvez tenha sido às 4 da manhã, chegámos a Paris às 7 horas, depois duma noite em que quase não dormira com a excitação da viagem. Agora é necessário estar no aeroporto às 4:00 para sair apenas às 07:00, neste aspecto houve poucas melhorias.

 À semelhança das despedidas nas partidas dos combóios, em que até havia cobrança de bilhetes para acesso aos cais, também se iam fazer despedidas ao aeroporto sendo assim simples saber se o avião já descolara porque decorria pouco tempo entre a saída para embarque e a descolagem. Saber se o avião chegara bem ao destino seria possível mas dispendioso pois seria necessário telefonar para o aeroporto doutro país e as chamadas internacionais eram muito caras.

Às vezes telefonava-se para o aeroporto de Lisboa nos voos de regresso e aí tinha que se esperar pelo atendimento dum funcionário do aeroporto o que poderia ser demorado.

Com a internet e o desenvolvimento da WWW (World Wide Web) introduzida em Portugal em 1994, terá aparecido nos finais dos ano 90 / primeiros anos 2000 um sítio na internet do aeroporto de Lisboa e a partir daí tornou-se mais fácil saber o que se passava com cada viagem de avião.

Mesmo assim era um bocado trabalhoso porque cada aeroporto tinha a sua forma de apresentar a informação sobre os voos. Um dia, cansado destas buscas, tentei o Google usando apenas o código do voo e, com alguma surpresa, apareceu-me imediatamente toda a informação que pretendia, com datahoras programadas inicialmente, para a partida num aeroporto e chegada no outro sem necessidade de consultar os sítios de dois aeroportos!

Exemplo de um voo de Samarcanda para Istambul:

 

 

e depois da sua conclusão:

 


 Fui ver a "Source: Citrium": https://www.flightstats.com/v2, trata-se dum Flight tracker que simplifica muito a busca.

 

 


2026-03-29

Isfahan bombardeada (2) – Palácio Chehel Sotoun

 

Além dos estragos referidos no artigo Isfahan Bombardeada de 1/Mar/2026 faltava referir os estragos no palácio Chehel Sotoun e na Mesquita Jameh ambos classificados como Património Mundial da UNESCO.

Reconheci o palácio numa das fotos que tirei na altura, não tinha fixado o nome. Do que vi agora constato que estava muito perto da praça Naqsh-e Jahan nas traseiras do palácio Aali Qapu, num jardim com canteiros de amores-perfeitos 
 

  

e Dinossauros do Museu de História Natural

 

tirando então esta foto ao palácio Chehel Sotoun propriamente dito
 

que dentro tinha pinturas de grandes dimensões, como esta representação duma batalha que ia quase até ao tecto
 

e outras de recepção na corte, com plateia exclusivamente masculina assistindo a espectáculo de duas bailarinas dançando ao som de 4 músicos e uma guitarrista, numa imagem que retirei da Wikipédia

 
https://en.wikipedia.org/wiki/Chehel_Sotoun#/media/File:Tahmasp_and_Humayun_meeting._Chehel_Sotoun,_painted_circa_1647.jpg

Na altura surpreendeu-me esta abundância de figuras humanas que talvez sejam interditas por interpretações mais exageradas do Islão, mas julgo que a ideia por trás da norma é de evitar a idolatria. Estas fazem lembrar as fotos que se tiram durante uma festa, ou cortês como esta ou sanguinolenta como uma batalha, a probabilidade de causarem idolatria é quase nula.

Reparei agora na legenda deste último quadro que referia o Xá Tahmasp e Humayun, o 2º da lista dos notáveis imperadores mogóis da Índia, com períodos de reinado entre parêntesis: Humayun(1530-1540;1555-1556).

Não é que tenha conhecido o Humayun em pessoa mas impressionou-me o seu mausoléu, um precurssor do Taj Mahal, 
 
 
encomendado pela sua notável esposa principal Bega Begum, quando visitei Nova Delhi pela primeira vez em 1993, bem como a sua história pessoal de ao fim de 10 anos de reinado ter pedido o trono durante 15 mas no final desse período o ter recuperado para viver como imperador durante mais um ano.

Dado que o palácio Chehel Sotoun foi concluído em 1647 e que os frescos murais devem ter sido pintados nesse ano, o fresco em que o deposto Humayun foi recebido pelo Xá Tahmasp (que reinou de 1524-1576) descreve uma recepção que ocorreu em 1544, quando a capital da Pérsia era Soltaniyeh, tratando-se assim duma cena histórica, passada cem anos antes. Nas duas figuras centrais do fresco, o Xá está do lado direito e tem uma espada enquanto o hóspede Humayun parece desarmado. O Xá cedeu 12000 cavaleiros e 300 veteranos da sua guarda a Humayun para que ele recuperasse o trono com a condição de se converter ao Xiismo. Humayun acedeu mas pouco depois regressou ao Sunismo.

A distância em linha recta ( na geodésica) entre Nova Delhi e Soltaniyeh  ) é 2788km. Por curiosidade perguntei no Google Mapas qual a extensão dum percurso pedestre actualmente entre estas duas cidades obtendo como resposta que seriam 3364km que precisariam de 757 horas. Calculei a velocidade média que deu 4,4 km/hora, uma velocidade que me pareceu razoável. Se andassem 6 horas por dia o percurso seria percorrido em 126 dias, cerca de 4 meses. Mas com os cavalos seria provavelmente mais rápido.
 
  
 
Não sei quanto  tempo levaram a fazer a viagem mas a recepção pelo Xá ocorreu 4 anos depois da perda do trono por Humayun. Arranjar comida para umas dezenas de soldados que acompanharam Humayun (e sua notável esposa Bega Begum) colocou problemas complicados. O artigo da Wikipédia sobre Humayun esclarece contudo que a parte difícil da viagem foi sobretudo entre Kandahar e Herat, dois locais dentro das fronteiras actuais do Afeganistão. Os imperadores mogóis deviam deslocar-se frequentemente a lugares distantes de Delhi e na sequência das batalhas que levaram Humayun a perder o trono este decidiu ir à Pérsia pedir ajuda quando já estava em Kandahar. Daqui a Herat, então no império persa onde foram recebidos com honrarias, o percurso pedestre é actualmente 568km, entre Lisboa e Madrid a pé são 595km. Notar que de Herat a Soltaniyeh ainda são 1462km (329horas).

A biografia de Humayun na Wikipédia, refere por vezes os Portugueses que se iam envolvendo nas disputas entre governantes locais e entre estes e o imperador.

Mas regressando ao palácio Chehel Sotoun cujos estragos são mostrados neste artigo do “The Architects Newspaper” tentei localizar qual seria o departamento governamental que teria sido bombardeado.

Na imagem seguinte mostro a vista aérea do Google Maps da zona onde se situa o palácio Chehel Sotoun (clique na imagem para ver maior)
 


O edifício bombardeado terá sido provavelmente o “Isfahan Provincial Government” que mostro a seguir numa vista de uma foto incluída no Google Maps.

 


Como diria o diácono Remédios, “não havia necessidade”, faz-me pensar que se alguma vez estivermos em guerra ainda bombardeiam o Terreiro do Paço e o edifício da Caixa Geral de Depósitos, onde já existem departamentos do Governo.

Finalizo voltando a mostrar um conjunto de estudantes em visita de estudo a este palácio 
Chehel Sotoun que mostrei num post a propósito da morte de Mahsa Amini, outra vítima dos teocratas na sua obsessão pela ocultação dos cabelos femininos

 

acompanhada da seguinte legenda:
«
Em Isfahan tirei nessa viagem esta foto dum conjunto de alunas iranianas em visita de estudo a um edifício histórico de Isfahan, todas de casaco preto sendo a senhora com casaco vermelho uma portuguesa da nossa excursão. A quantidade de cabelo à vista é parecido à da imagem da falecida (Mahsa Amini)
»

Este post vai muito comprido, não sei se farei outro a propósito de estragos na Mesquita Jameh que o Resumo da IA caracterizou assim:
«
A Mesquita Jameh de Isfahan, ou Mesquita de Sexta-feira, é a mais antiga mesquita preservada no Irão e um Património Mundial da UNESCO, ilustrando 12 séculos de evolução arquitetónica islâmica. Localizada no centro histórico de Isfahan, destaca-se pelos seus quatro iwans (pátios abertos), cúpulas de dupla concha nervuradas e intrincados azulejos, servindo como protótipo para o design de mesquitas na Ásia Central. 
»





2026-03-17

Uma conversa sobre a Guerra do Golfo

 

Continuando eu a seguir o blogue do economista Paul Krugman, apreciei desta vez uma “Conversa Franca” (os ingleses diriam uma Candid Conversation) com o historiador Phillips O'Brien, um americano actualmente professor na Universidade de St. Andrews na Escócia que se tem dedicado ao estudo das guerras.

Neste post intitulado “Phillips O'Brien on Iran” existe um vídeo de 48 minutos, gravado em 12/Mar/2026 que está transcrito a seguir à janela de vídeo, tornando assim possível ler todo o diálogo sem necessidade de ver/ouvir o vídeo.

Indo directamente para o que me pareceu ser a tese principal, a superioridade aérea que anteriormente, quando estabelecida, aniquilava qualquer hipótese do país atacado fazer ataques fora do seu território, deixou de se verificar: é impossivel eliminar os drones disseminados pelos iranianos em muitos sítios do seu território, capazes de atingir qualquer navio no Golfo Pérsico, sendo este o motivo provável porque não existem navios de guerra americanos actualmente neste golfo.

A guerra iniciada por Israel e os EUA contra o Irão foi considerada um erro grave, atribuído em parte à substituição de numerosos militares competentes por outros seleccionados sobretudo pela lealdade a Trump, que foram incapazes de lhe apontar o erro de iniciar esta guerra sem nenhum objectivo claro.

Na conversa referiram ainda que a Ucrânia foi solicitada para dar apoio, com os drones interceptores que tem desenvolvido e utilizado contra vários tipos de drones incluindo drones russos fabricados com projecto de drones iranianos, aos países árabes do golfo e mesmo aos EUA, criando uma situação irónica de estar agora a apoiar um país (USA) que no ano de 2025 cortou completamente o apoio à Ucrânia nos 3 últimos trimestres, como registado no sítio do Kiel Institut / ukraine-support-tracker () de que mostramos um gráfico


O convite recente pelos EUA aos “aliados” da NATO para que enviem navios para fazer escolta no estreito de Ormuz não será exactamente de “carne para canhão” mas mais “de fragata para sucata” com alguma “carne para canhão” à mistura. Mais vale tarde do que nunca, finalmente a Europa conseguiu dizer não a Trump, recusando-se a entrar numa guerra para a qual não foi consultada.



2026-03-15

Isfahan bombardeada

 

O actual Irão tem boa parte do seu território com características de deserto com grandes cidades por ele espalhadas com poucas vegetação entre elas, uma espécie de arquipélago de cidades sobre um deserto.
 

Nessas cidades destacam-se Teerão, a capital desde 1795, com 9,8 milhões da habitantes em 730km2 e 16 milhões na área metropolitana e a cidade de Isfahan com 2,2 milhões em 550km2 e 4 milhões na sua área metropolitana,  foi desde há muitos anos uma cidade importante tendo sido a capital em vários períodos dos quais se destaca o reinado do xá Abas que reinou de 1587 a 1629.
 

Em comparação Lisboa tem 540 mil habitantes numa área de 100km2 e uma área metropolitana com cerca de 2 milhões.
 

No centro de Isfahan situa-se a praça Naqsh-e Jahan e fiz neste post uma comparação das dimensões do Terrreiro do Paço em Lisboa, da Praça da Concórdia em Paris, dos pátios interiores da Cidade Proibida em Pequim, da Praça de Tian-An-Men (天安门) em Pequim e desta praça de Isfahan que mostro a seguir

 

O eixo maior da praça tem uma orientação quase exactamente Norte-Sul, como se constata na “bússola” no topo direito da imagem tirada do GoogleEarth 


Clicando na imagem ela aparece maior, sendo possivel ler uma indicação (um “pin”) de um monumento no lado Oeste da praça, o Palácio Aali Qapu que mostro aqui ao lado, que a wikipédia informa ter sido inscrito pela UNESCO juntamente com a praça como Património Mundial que foi danificado num bombardeamento próximo, conforme relatado nesta notícia do jornal New York Times.
 

Em frente deste palácio está o lago da praça (em tom turquesa) e no lado Leste está a mesquita Lotfollah, também fazendo parte do Património Mundial, reservada para a corte, com um acesso subterrâneo a partir do palácio.
 

No lado Sul está a Mesquita do Xá (Xá Abbas) que introduzo com um texto em que refiro o controlo pelos portugueses do Estreito de Ormuz durante mais de um século:
«
Uma forma fácil de arranjar imagens menos comuns é fotografar lugares pouco frequentados pelos vizinhos, embora assim se corra sempre o risco de transformar um blogue de imagens com texto num blogue de viagens. Mas a mesquita mandada construir pelo Xá Abbas em Isfahan vale bem esse risco.

Esse Xá, que construiu a cidade de Isfahan como sua capital, colocava muita pressão nos seus colaboradores, motivo pelo qual se disfarçava por vezes de mercador para indagar junto da população qual a opinião sobre a sua governação.

Foi ainda esse Xá que, com o auxílio dos ingleses, obrigou os Portugueses a abandonar em 1622 o forte construído por Afonso de Albuquerque em Ormuz entre 1507 e 1515 que, juntamente com o forte de Mascate referido aqui, controlava a entrada  do Golfo Pérsico.

Mas aqui em Isfahan, na praça de Naqsh-e Jahan, promoveu a construção de uma mesquita maravilhosa, desenhada pelo arquitecto Ali Akbar Esfahani. Aqui ao lado mostro o portal da entrada da mesquita na praça,

»
 

Fiquei tão deslumbrado com a mesquita que ainda fiz um segundo e um terceiro post sobre ela.
 

No artigo do New York Times acima referido informam que alguns mosaicos desta mesquita foram danificados devido a bombardeamento por Israel de um edifício governamental próximo.

Mostro três exemplos da cerâmica dessa mesquita, há mais nos posts referidos acima
 
 


 

 



O facto das duas mesquitas da praça não estarem alinhadas com os limites da praça deve-se à necessidade de as orações deverem ser feitas na Quibla (direcção de Meca) como referi neste post , o Mihrab nas mesquitas deve indicar a direcção de Meca e não a de Jerusalem como era hábito no eixo das igrejas mais antigas como era o caso na igreja de Santa Sofia em Constantinopla actualmente Istambul.
 

Houve ainda mais dois itens do Património Mundial da UNESCO afectados que irei referir num post posterior.

Acabo este post com um vídeo de Cristobal Vila com uma animação sintética inspirada pela arquitectura de Isfahan

 

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2026-03-10

Vénus vestida

 


Achei graça a uma referência do New York Times a esta iniciativa da dinamarquesa Louise Moerup que, no caminho para a escola em Copenhaga com o seu filho se interrogavam, a propósito desta estátua da deusa Vénus despida, porque seria que a maior parte das estátuas existentes na cidade era sobre homens ou então  mulheres nuas evocando figuras mitológicas, não existindo estátuas de mulheres reais. 

 

Para chamar a atenção vestiu então a estátua com um vestido de malha de lã e um pequeno gorro de malha na cabeça do bébé, a que se seguiu uma discussão que presumo amena sobre este tema.

 

Embora os modelos das estátuas desses mitos femininos fossem provavelmente reais o argumento merece alguma reflexão. Nem sempre foi assim, em Florença as estátuas duma certa época são mais de homens nus do que de mulheres nesse estado, designadamente as de Miguel Ângelo. Na Europa talvez a mudança tenha ocorrido no século XIX.

A propósito lembrei-me desta estátua no Parque das Nações em Lisboa

 


 

que já mostrei no oitavo post deste blogue em 20/Mar/2008 (há 18 anos), nessa altura em contraluz ao por-do-sol ,em que comentei:

«

Catarina de Bragança (1638-1705), rainha consorte de Inglaterra e da Escócia por casamento com o rei Carlos II, em estátua feita por Audrey Flack, instalada no Parque das Nações em 1998. O plano para instalar uma versão grande desta estátua em Queens, Nova Iorque, foi abandonado mas ficou esta em Lisboa, linda em muitas alturas do dia e também em contra-luz ao por-do-sol.  

 »

 

2026-03-04

O Palácio de Golestão em Teerão

 

Além dos cerca de 800 mortos iranianos incluindo as mais de 100 meninas de uma escola no Sul do Irão e dos múltiplos edifícios residenciais destruídos, o Palacio de Golestão em Teerão, sítio classificado pela UNESCO com cerca de 400 anos, também foi atingido pelas bombas dos militares de Israel e dos EUA, que fazem aqui o papel de bárbaros, conforme referido neste artigo do "The Art Newspaper".

Tive infelizmente razão para visitar o Irão em 2010, antes que os americanos e israelitas partissem aquilo tudo. Do palácio seleccionei algumas das fotos que então tirei:












 

 

2026-03-01

Irão sob ataque

 

Como disse neste post  "Fui ao Irão em Maio/2010, com receio de mais outra intervenção americana que partisse o país todo, à semelhança do que acontecera no Iraque, incluindo as ruínas do império persa do tempo de Dario e Xerxes e a deslumbrante arquitectura quer laica quer religiosa que tive a oportunidade de mostrar neste blogue em vários posts."

Gostei muito da arquitectura, fiz vários posts sobre o que vi nessa viagem e publiquei em Mar/2017 "Índice dos posts sobre o Irão" desde Mai/2010 até Jan/2016.

No post "Pena de Morte" refiro que além de ser em 2009 o país com maior número de execuções por milhão de habitantes do mundo, a lei previa ainda a lapidação de mulheres e penas de mutilação, como o corte de mão a ladrões. As mulheres têm também limitações fortes no vestuário, obrigação de cobrir o cabelo e discriminações várias mas julgo terem acesso fácil às Universidades.

É dos raríssimos países em que é permitido por lei transaccionar órgãos, uma das leis preconizadas no programa de TV de há mais de trinta anos "Transplante de orgãos – Parte II em 1994-11-22" pelo economista Pedro Arroja que vi agora na wikipédia ter colaborado na elaboração em 2021 do programa económico do partido Chega.

Depois do post com índice de artigos sobre o Irão escrevi um grande sobre Mahsa Amini, uma vítima mortal da polícia de costumes iraniana por ter uma quantidade de cabelo à mostra maior do que o permitido.

A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que correu o risco de ser lapidada, foi perdoada por bom comportamento e libertada da prisão em Mar/2014.

A morte do Supremo Líder Ali Khamenei no início do ataque de Israel e EUA ao Irão na manhã de 28Fev2026 revela que os atacantes têm boas informações sobre a localização de dirigentes importantes do Irão e que os meios de detecção de ataques iminentes à cidade de Teerão onde estava Khamenei são de qualidade insuficiente. 

 

Ficha Eléctrica

 

Na semana que passou o aspirador de cá de casa começou a ter uma falha intermitente. De vez em quando deixava abruptamente de funcionar, mudando a tomada a que a ficha estava ligada às vezes voltava a funcionar, outras vezes bastava ficar algum tempo inactivo.

Esperei que o defeito passasse a definitivo, na EDP e na REN estes defeitos intermitentes quando submetidos à equipa de manutenção voltavam por vezes com a observação "cqe" que queria dizer "correcto quando ensaiado".

Ontem cansei-me de esperar pela passagem do defeito a definitivo e fiz alguns testes tentando identificar a origem do problema. Depois de algumas conjecturas que se revelaram falsas tive a sorte de no último teste (porque foi decisivo!) aparecerem umas pequenas faíscas na secção do cabo de alimentação muito próximo da ficha que liga à tomada, revelando mau contacto numa parte do cabo de alimentação que me parecia muitíssimo bem protegida.

Hoje fui comprar uma ficha macho, pensei ir ao LeroyMerlin mas a tendência que as lojas têm para ficarem cada vez maiores é acompanhada pelo desaparecimento de concorrentes mais pequenos e o aumento da distância até às lojas grandes. As lojas dos chineses que antigamente só vendiam artigos de baixa gama estão a melhorar a qualidade e decidi comprar a ficha no bazar chinês mais próximo. O problema ficou resolvido.

No meio dos testes que fiz, a certa altura fui verificar se o aparelho ainda estrava na garantia. Por sinal ainda estava, existindo períodos diferentes para diversos acessórios/componentes mas  o cabo de alimentação não tinha qualquer período de garantia.

Não sei se influenciado pelo início de vagas de destruição no Médio Oriente, se por curiosidade por uma ficha com tão bom aspecto ter falhado, resolvi cortar a ficha a meio para ver o seu conteúdo desvendadando assim a intimidade física de elemento que funciona sempre como caixa negra.

A primeira foto foi tirada já depois da primeira separação mas achei que devia juntar as duas metades com um pouco de fita-cola para revelar aspecto inicial da ficha.

A seguir mostro a ficha com as duas metades iniciais separadas e ao lado a protecção adicional, dentro da qual apareciam as faíscas referidas acima


 Finalmente mostro uma destas metades cortada ao meio outra vez

  

Fiquei com a impressão que os pernos metálicos foram enfiados muito justos a uma peça com a consistência da baquelite que garante que fiquem à distância normalizada, que cada fio descarnado é enfiado na parte oca do perno, parte essa que é esmagada à volta da parte descarnada do condutor.

Depois este comjunto de peças é colocado dentro de um molde para cujo interior é injectado um plástico de consistência parecida à borracha. 

 


 


 

 

2026-02-24

O Arquivo da Revista The New Yorker

 

 Na newsletter da revista The New Yorker, que recebo frequentemente por email, vinha uma referência ao trabalho de digitalização do conjunto completo de todas as revistas publicadas "apenas" em papel desde o seu primeiro número em Fev/1925:

 


Este esforço dos editores desta revista em digitalizar todo o conteúdo publicado "apenas" em papel primeiro apenas como uma "fotografia do texto" eventualmente em formato pdf (Portable Document Format) mas depois usando um OCR (Optical Character Recognition) para que o texto seja facilmente procurado pelos programas que andam a pesquisar textos na internet.

A imagem acima foi objecto de "corte e costura" para ser mostrada legível neste blog mas está acessível aqui.

Esta actividade mostra consideração pela totalidade dos textos e imagens publicadas pela New Yorker, em Portugal o acesso a textos de jornais e de revistas publicadas antes da existência da internet não têm sido objecto deste cuidado. Pode ser que seja por os editores terem menos recursos.

O arquivo na sua totalidade depende de subscrição mas o acesso a um texto específico é fácil. Por exemplo para aceder a um texto da Hannah Arendt que publicou diveros artigos nesta revista googlei (the new yorker hannah arendt) tendo chegado aqui.

Seleccionei o primeiro resultado tendo chegado aqui (contributors/hannah-arendt).

Das várias hipóteses seleccionei "Thinking-I" chegando aqui.

Trata-se do pimeiro de três artigos intitulados Thinking I, II, III 

O "Thinking I" publicado em Novembro/1977 (é portanto póstumo, a autora falecera em 1975) começa com umas citações seguido por este início:

«...

 TO talk about Thinking seems to me so presumptuous that I feel I should start less with an apology than with a justification. No justification, of course, is needed for the topic itself. What disturbs me is that I try my hand at it, for I have neither claim nor ambition to be a “philosopher,” or be numbered among what Kant called, not without irony, “Denker von Gewerbe” (“professional thinkers”). The question is, then, should I not have let this problem remain in the hands of the experts, and the answer will have to show what prompted me to venture from the relatively safe fields of political science and political theory into these awesome matters, instead of leaving well enough alone.

Factually, my preoccupation with mental activities has two rather different origins. The immediate impulse came from my attending the trial of Adolf Eichmann, in Jerusalem. In my report on it, I spoke of “the banality of exil.” Behind that phrase I held no thesis or doctrine, although I was dimly aware that it went counter to our tradition of thought—literary, theological, or philosophical—about the phenomenon of evil. Evil, we have learned, is something demonic.

...» 

Notei que o texto não é perfeito em vez de "banality of evil" tem "banality of exil", felizmente uma gralha de detecção fácil mas a sua presença indica que um programa OCR foi usado e poderia ser melhor.

Este artigo, primeiro de três como acima referi, tem cerca de 22000 palavras pelo que não o vou transcrever na totalidade limitando-me a outra parte do texto em que afirma que a palavra "moral" deriva de uma palavra grega com o sentido de "hábito" e a "ética" é uma palavra de origem latina derivada de "costumes":

«...

It was this absence of thinking— which is so ordinary an experience in our everyday life, where we have hardly the time, let alone the inclination, to stop and think—that awakened my interest. Is evildoing—the sins of omission as well as the sins of commission— possible in default not just of “base motives” (as the law calls them) but of any motives whatever, of any particular prompting of interest or volition? Is wickedness, however we may define it—this being “determined to prove a villain”—not a necessary condition for evildoing? Might the problem of good and evil, our faculty for telling right from wrong, be connected with our faculty of thought? To be sure, not in the sense that thinking would ever be able to produce the good deed as its result, as though “virtue could be taught” and learned; only habits and customs can be taught, and we know only too well the alarming speed with which they are unlearned and forgotten when new circumstances demand a change in manners and behavior patterns. (The fact that we usually treat matters of good and evil in courses in “morals” or “ethics” may indicate how little we know about them, for the word “morals” comes from mores and the word “ethics” from ethos, the Latin and the Greek words for customs and habit, the Latin being associated with rules of behavior, whereas the Greek has to do with habitat, like our “habit.”) The absence of thought I was confronted with sprang neither from forgetfulness of former, presumably good manners and ways nor from stupidity in the sense of inability to comprehend—not even in the sense of “moral insanity,” for the absence was just as noticeable in instances that had nothing to do with so-called ethical decisions or matters of conscience.
...
» 

Boa leitura.


2026-02-07

Seguro ou Ventura


Nos dois debates dos candidatos António José Seguro e André Ventura apreciei as intervenções do primeiro  e mais uma vez detestei as intervenções do segundo.
Fiquei grato ao primeiro por aceitar apenas um debate entre os dois na preparação da segunda volta da eleição presidencial, mostrando capacidade de tomar decisões acertadas.

Vou votar em Seguro.

2026-02-01

Armazenamento de Água no Algarve

 

No meio da calamidade que atingiu o centro de Portugal nos últimos dias, com ventos ciclónicos com rajadas próximas dos 200km/h, acompanhados de precipitações muito elevadas e prolongadas no tempo causando inundações e estragos que demorarão meses a recuperar, desta vez o Algarve não registou fenómenos meteorológicos tão extremos mas tão só uma precipitação elevada e ventos fortes.

Lembro-me de no princípio do ano de 2025 se ter falado na possibilidade de se ter que racionar a água no Algarve dada a situação das albufeiras algarvias e de haver contestação pelos agricultores sobre a prioridade ao abastecimento do consumo nas habitações. Entretanto a discussão dissipou-se na presença de alguma precipitação no 2º trimestre e duma situação menos gravosa nas albudeiras algarvias.

Há pouco vi no linkedin, num post de  José Pimenta Machado, Presidente da APA (Agência Portuguesa do Ambiente) este gráfico:

  


acompanhado por este texto: 

Embora as alterações climáticas sejam inegáveis, como se constata no interesse dos EUA em anexar a Groenlândia devido precisamente à redução da actual cobertura de gelo que facilitará minerações no futuro e ao aumento do trânsito marítimo no Ártico, ao mesmo tempo que nega essas alterações, o Sul de Portugal ainda não se transformou num deserto como se constata mais uma vez.                    

Em Setembro de 2019 escrevi um artigo sobre o abastecimento de água no Algarve ao longo das décadas em que passei lá as férias de Verão, descrevendo as enormes melhorias que tive oportunidade de observar.

Em Dezembro do mesmo ano fiz umas contas mostrando que na Europa Portugal é dos países que recebe mais àgua da chuva por habitante, embora de forma irregular, como se constata mais uma vez.

A albufeira da Bravura conseguiu finalmente aumentar significativamente o seu armazenamento.

Será de esperar que com tanta precipitação os níveis freáticos da região também aumentem bastante.