2018-06-23

De joelhos


Anteontem fui surpreendido por esta cena na estação de metropolitano de S.Sebastião


que ampliada revela uma mulher a olhar para o seu telemóvel em posição de joelhos. Fiz a conjectura que seria uma pessoa cansada que se teria ajoelhado, com a pesada mochila à frente dos joelhos para maior controlo, para descansar do peso desta enquanto os amigos compravam bilhetes, aproveitando a pausa para ver alguma coisa no telemóvel. Provavelmente uma turista, que isto de fazer turismo cansa.



Mas não deixa de ser uma posição pouco habitual no espaço público fora das igrejas.

Uma posição semelhante, também fora das igrejas, era a das vendedoras de bolos na praia de Quarteira há uns 60 anos, em que as vendedoras ajoelhavam em frente das potenciais freguesas depondo à sua frente um cesto de vime com 2 tampas a abrir em asa (como o Mercedes 300SL, ou as joaninhas), numa posição semelhante à desta vendedora de cupidos de J.M.Vien que mostro a seguir




2018-06-22

Escher revisitado (3) e Magritte


A representação num plano de objectos tridimensionais é muito menos óbvia do que parece à primeira vista, basta reparar nas representações da realidade feitas por crianças em folhas de papel para se constatar isso mesmo.

No Ocidente, depois de séculos de representações seguindo regras que foram evoluindo no tempo, foi-se tornando dominante no Renascimento o uso da perspectiva pois dá uma maior sensação de realismo.

Depois do pessoal da pintura se apurar na representação de pessoas, com posses suficientes para pagar o trabalho do pintor, ou cenas consideradas importantes pela igreja, instituição tradicionalmente rica em recursos materiais (e espirituais...) as pessoas estenderam os seus motivos de interesse pictóricos a representações de eventos históricos (uma vez que não existiam na altura telemóveis para eternizar esses momentos) ou a cenas da mitologia, onde era viável introduzir alguma nudez, interdita noutras circunstâncias. Mas como tudo cansa, no século XIX começou a surgir interesse também nas paisagens, que anteriormente se destinavam apenas a tornar menos monótono o fundo dos quadros, e nas pessoas comuns, camponeses, operários e burgueses.

Com o advento da fotografia o objectivo da representação exacta dos motivos pictóricos ficou muito abalado e os pintores sentiram a necessidade de fazerem representações mais estilizadas da realidade, como os impressionistas, a que se sucederam uma série de escolas explorando essa via, num sentido de abstracção crescente. Outra via foi manter a representação exacta dos detalhes mas apresentá-los num contexto “superior ao real” ou surreal.

Escher não se distinguiu como pintor mas antes como criador de gravuras, em madeira (xilogravura) ou em pedra (litografia), normalmente em composições a preto e branco usando a côr com grande moderação.

Além das paisagens e das técnicas de preenchimento do plano com figuras de grande complexidade que se encaixam perfeitamente como estes cavaleiros


irei passar agora a mostrar alguns exemplos das cenas irreais mas com pormenores dum realismo fotográfico.

De uma forma geral a representação em duas dimensões de objectos tridimensionais só aparentemente é perfeita. Por exemplo é fácil representar objectos a flutuar no ar pois num quadro não se faz sentir a força da gravidade.

Um quadro contem representações de objectos reais e não os próprios objectos como se constata nestas “mãos desenhadoras” que Escher desenhou em 1948



Magritte chamou a atenção para esse facto no quadro famoso de um cachimbo com a frase “Isto não é um cachimbo”. Mostro o quadro de Magritte e uma variante das mãos de Escher a que adicionei um comentário “Magrittiano, seguido do quadro de Magritte de 1928 “La tentative de l’impossible” em que se vê um pintor a pintar uma mulher no próprio quadro

    

Existem outras cenas em que um desenho minucioso mostra estruturas impossíveis, o desenho é realista ao nível micro mas contém impossibilidades num nível mais macro, como é o caso deste Miradouro (1958) em que vários figurantes disfrutam da construção impossível, enquanto apenas um deles se interroga, observando um croquis, sobre o que há de estranho na construção existente nas suas costas

 

Ao lado mostro um quadro de Magritte (Le blanc seing de 1965) duma mulher a cavalo numa floresta em que cada tira vertical é realista, o que falha é a sequência impossível de tiras verticais.

São boas ilustrações da insuficiência da análise local para uma percepção global dum fenómeno, como por exemplo da microeconomia para descrever completamente os fenómenos económicos.

Ainda poderia falar sobre mais características da obra de Escher mas isto é um post e já está a ficar muito longo. E vou por ora encerrar esta série de posts sobre o Escher.

2018-06-14

Gluten-free Gluten


Seguir boas regras de nutrição é essencial para manter uma boa saúde, o problema é identificar as que merecem o qualificativo "boas".

Percebe-se que à medida que o nosso conhecimento vai aumentando existam variações no que é considerado bom e no que é considerado mau, mesmo nas técnicas médicas isso tem acontecido, mas é muito frustrante uma pessoa privar-se dum alimento que muito aprecia por ter sido considerado nocivo à saúde e passados uns anos se conclui que afinal é benéfico, como foi o caso da manteiga e do azeite na segunda metade do século XX. Existe ainda o caso de uma pessoa consumir alimentos de que não gosta porque são alegadamente muito benéficos para depois se concluir que afinal não trazem benefício especial.

Por esse motivo não consumo alimentos que me desagradam mesmo que digam que fazem muito bem à saúde e tento reduzir o consumo de alimentos que me dizem que são maus mas que me sabem bem. Quanto aos maus que não gosto aproveito para os banir da minha dieta.

Como toda a gente precisa de comer todos os dias, a classificação da qualidade de cada tipo de alimento, além de incluir conselhos de natureza científica inclui também muita moda, a que não será alheia a existência de interesses económicos importantes.

Por exemplo a existência de pessoas cujo organismo não tolera o glúten levou ao exagero de se considerar que os alimentos sem glúten são melhores do que os que contêm glúten, aparecendo muitos alimentos promovidos como livres de glúten. É bom que existam produtos sem glúten nos supermercados para facilitar a vida a quem tem intolerância ao glúten mas não é uma característica que os aconselhe a toda a gente.

Esta capa da New Yorker que apresento a seguir, feita pelo autor Bruce McCall, ironiza sobre este tema. Achei muita graça ao anúncio do "Glúten sem glúten" na rulote da direita, ao "ar artesanal" e à troca de pratos com alimentos nocivos e saudáveis entre os vendedores das rulotes.






2018-06-12

Cumulus


Cumulus é o nome dum tipo de nuvens que parecem feitas de algodão, como esta que fotografei ontem nos Olivais, aparentemente a desenvolver-se sobre o estuário do Tejo.


Li na Internet que não costumam trazer chuva excepto quando se tornam muito grandes crescendo em altura. Nesse caso passam a chamar-se Cumulus Nimbus e podem trazer grandes chuvadas.

Não foi o caso desta, se bem que bastante grande. Esta Primavera tem-me parecido uma "Primavera propriamente dita", tem sido uma estação simpática como deveriam ser as Primaveras, temperatura amena já sem os frios invernais mas ainda sem o calor do Verão, com alguma chuva mas sem exageros.

Bem sei que as esplanadas apreciariam um Verão antecipado mas ainda vivemos numa zona temperada com 4 estações.


2018-06-10

Dia das Giestas


Às vezes quando vejo giestas lembro-me que havia um "dia das giestas", quando vivia no Porto. Fui agora ver na net e constatei que era dia 1º de Maio. Não me recordo de falarem disso em Lisboa, mudei para cá em 1959, não sei se seria alguma forma de não falar do dia do trabalhador ou se no Norte ligam mais a esta tradição.

No princípio de Junho tirei esta foto na Praia da Rocha, no jardim ao pé da Fortaleza que tem estado um bocado ao abandono mas as giestas têm continuado a florir por esta época


No mesmo jardim ainda estavam estas flores, de plantas que quase não precisam de manutenção, Buganvília, Lantana Camara  e mais umas giestas






2018-05-29

Escher revisitado (2)



Depois de visitar em 1922 a Itália e Espanha incluindo o Alhambra, Escher viveu em Roma de 1923 a 1935 e são dessa altura as gravuras seguintes. A primeira que foi feita em 1930 é de Castrovalva, uma pequena povoação nos montes Abruzos no centro de Itália



onde todos os elementos, plantas casas, rochas, montes, campos cultivados, nuvens, assumem um certo dramatismo.

A segunda gravura (foto que tirei que ficou com um reflexo no lado direito) datada de 1931 é de Atrani, uma pequena povoação adjacente a Amalfi, na costa Amalfitana



Antes de frequentar o curso de Artes Decorativas Escher frequentou o curso de Arquitectura, este poderia ser um esboço dum estudante dessa arte. Esta obra foi posteriormente utilizada na gravura “Metamorfose” datada de 1940, como referi noutro post e que mostro a seguir



Acho interessante esta “reciclagem” de trabalhos já realizados, no software insiste-se muito na reutilização do que se fez.

A gravura seguinte datada de 1932 (foto também da exposição) é de uma quinta em Ravello, também na costa Amalfitana



Os socalcos têm um aspecto fora do comum, devem-se certamente à natureza abrupta das encostas dessa zona de Itália.

Finalmente mostro o interior da igreja de S.Pedro no Vaticano, gravura de 1935, em que as figuras humanas são pequenos traços lá ao longe, projectando sombras no chão.


Fiquei a pensar porque existem tão poucas figuras humanas nas obras de Escher. Fiz a conjectura que a sua paixão pela exactidão tornava inviável a presença de modelos humanos, que não suportariam tanto tempo de pose. Assim, as figuras humanas que aparecem são meros figurantes sem individualidade. A excepção é o próprio Escher, que era o que se encontrava sempre disponível.

2018-05-28

Escher revisitado (1)


A referência à exposição do Escher, actualmente em Lisboa até 16/Set/2018, levou-me a rever numerosas imagens que coleccionei de vários sítios da Internet como por exemplo estes:

- M.C.Escher Foundation Gallery
- WikiArt (Visual Art Encyclopedia) M.C.Escher

Alguns dos endereços internet de sítios com imagens do Escher desapareceram, os hyperlinks são cómodos e rápidos mas são muito voláteis. Tenho começado a guardar os conteúdos que refiro aqui no blogue para eventualmente tornar mais fácil descobrir a nova localização do sítio para o qual tinha uma ligação.

O Escher costumava datar a grande maioria das gravuras com o mês e o ano. Considerando  que nasceu no ano de 1898, esta gravura intitulada “Paraíso” e datada de 1921 foi portanto concluída no ano em que completou 23 anos.




Se bem que a técnica de realização da gravura pareça razoável a um leigo como eu, a composição é muito naïf, com uma simetria infantil e os animais em pose, a olhar para o pintor como se se tratasse de uma fotografia de família!

Nos sítios que visitei vi umas cenas bíblicas e uns poucos nus que me pareceu melhor omitir dada a sua fraca qualidade. O artista deve ter chegado à mesma conclusão pois abandonou a representação de pessoas e de mamíferos, tendo-se concentrado em paisagens, arquitectura, plantas, e no reino animal os peixes, insectos, répteis e aves. Dedicou-se ainda a estudar formas de preencher o plano com figuras não geométricas e a representar cenas irreais, com um detalhe local quase fotográfico. Talvez o artista se tenha interessado pelos desenhos irreais como forma de mostrar que uma cena, perfeitamente verosímil quando observada em grande detalhe, pode conter impossibilidades apenas detectáveis quando se olha para o conjunto.

Além de ter vivido na Holanda, na Suíça e na Itália o Escher visitou o Alhambra, tendo ficado fascinado com os mosaicos islâmicos que lá encontrou, que foram inspiração para o resto da vida. Mostro a seguir a cópia de  um mosaico do Alhambra, feito por Escher em 1922



 e a seguir uma foto dum mosaico semelhante que tirei em Jun/2011 e que mostrei aqui num dos posts em que referi o Alhambra:



Noto que enquanto no desenho do Escher as linhas de separação entre as peças esmaltadas de várias cores têm espessura, são brancas e passam alternadamente umas por cima das outras (isso será sempre possível?), no mosaico que fotografei são apenas linhas sem espessura. Não sei se existem as duas variantes na construção original, ou se se trata duma reconstrução em que se optou por suprimir a espessura das linhas referidas.

Para perceber as técnicas de construção destes mosaicos indicaram-me dois artigos:

- Jay Bonner paper "Three Traditions of Self-Similarity in Fourteenth and Fifteenth Century Islamic Geometric Ornament"
- Craig_Kaplan_and_David_Salesin "Islamic Star Patterns in Absolute Geometry"

As técnicas de construção dos mosaicos não eram divulgadas, constituindo uma espécie de “segredo industrial” e algumas têm vindo a ser reconstituídas, entre várias pessoas pelos autores acima citados. Mostro a seguir uma figura do artigo do Jay Bonner.


Na biografia resumida de Jay Bonner consta que se profissionalizou como “Architectural Ornamentalist”, depois dum mestrado em Design em Londres, estando a sua empresa de consultadoria localizada actualmente em Santa Fe no Novo Mexico, USA. Na sua biografia consta que realizou trabalhos na grande mesquita de Meca, o que me parece, no mínimo, notável. O início do site tem uma pequena amostra de trabalhos realizados.

Neste post de Dez/2013 sobre “A Rota do Azulejo” referi esta imagem



como disponível neste endereço (https://thoth.nl/Rubrieken/Kunst/Escher-schatten-uit-de-islam), duma exposição intitulada “Escher-meets-islamic-art”. Entretanto o link deixou de estar disponível, como é bastante frequente na Internet. Mas googlando (Escher-meets-islamic-art) aparecem imensas imagens e sítios interessantes.

Farei em breve mais posts sobre a obra do Escher.



2018-05-21

Exposição de Escher em Lisboa


Tem vindo a decorrer no Museu de Arte Popular em Lisboa uma exposição do artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972).

De vez em quando tenho referido obras deste artista em variados posts que podem ser acedidos através deste endereço. O meu primeiro contacto foi numa exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, em Janeiro de 1982, de que mostro o cartaz



Depois li o livro "Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid" de Douglas R. Hofstadter onde a obra de Escher é frequentemente citada. O livro foi editado em português pela Gradiva.

Além da mestria de Escher na realização das suas gravuras, da atenção ao detalhe e da inesperada interacção das diversas formas que as povoam, as gravuras não padecem do fetichismo da obra única e original. Como as estampas japonesas de Hokusai e Hiroshige, também as obras de Escher valem pela sua forma e não por serem transaccionadas por incontáveis cifrões.

Talvez por isso a exposição se realize no Museu de Arte Popular. São obras acessíveis a toda a gente, requerendo contudo um olhar atento.

Fui protelando o anúncio desta exposição neste blogue e agora que se aproximava do fim constatei com agrado que o período inicial de 24Nov2017 até 27Mai2018 foi estendido por mais 4 meses até 16/Set/2018!

Deixo aqui outra imagem, intitulada "Dia e Noite"


e uma ligação para um filme extraordinário de Cristóbal Vila, de que falei aqui, também visível na exposição, inspirado entre outras por algumas obras do Escher:







2018-05-20

Apartamentos de aves


Achei graça a estes apartamentos para aves na Quinta Pedagógica dos Olivais. Já não está tempo para vivendas.




2018-05-11

A Credibilidade dos E.U.A.


Em Novembro/2016 interroguei-me no post “What Happened?” sobre o que teria acontecido nos EUA para terem eleito Trump para presidente. Na altura dei o benefício da dúvida aos eleitores americanos, que poderiam ter uma compreensão melhor do que eu das características do candidato para o terem eleito.

Ao fim deste tempo que passou constato que, embora a escolha democrática dos governantes seja o método que tem dado melhores provas, aquela não constitui uma protecção 100% segura não só de que será escolhido o melhor candidato para o país, o que seria de esperar, dado que existem muitas zonas polémicas em que coexistem opiniões diferentes sobre o que será melhor para o país, mas mesmo que não garante que o candidato escolhido evite decisões que prejudiquem consideravelmente o país e a grande maioria daqueles que o elegeram.

É o caso do presidente Donald Trump, que tem contribuído de forma significativa para que o resto do mundo diminua a confiança nos EUA.

A facilidade com que recentemente os EUA denunciaram de forma unilateral e não fundamentada os tratados que assinaram há pouco tempo, como no caso do Acordo de Paris para as alterações climáticas ou do Acordo sobre vários aspectos da energia nuclear com o Irão, assinado por este país, por todos os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e ainda pela Alemanha em 2015, levam-me a pensar sobre qual será o interesse em assinar acordos sobre o que quer que seja com os Estados Unidos da América, no mínimo enquanto Donald Trump for o seu presidente.

O Acordo nuclear com o Irão diminuiu a probabilidade dele construir a sua primeira bomba atómica, melhorou a economia do país, diminuindo a probabilidade de sectores extremistas iranianos tomarem o poder e segundo a opinião de todos os países signatários à excepção dos EUA o Irão tem cumprido o acordo. Sobre a ambição do Irão possuir a bomba já escrevi em tempos este post, onde considero absurdo que o interesse pela geração de energia em centrais nucleares não esteja relacionado com a ambição de possuir bombas atómicas. O que também me preocupa é que a Argélia e Marrocos (entre outros países, refiro estes por serem vizinhos) também estejam interessados em construir centrais nucleares, conforme informa este relatório “The World Nuclear Industry Status Report 2017”.

Não consigo deixar de pensar que quando uma potência obtém uma hegemonia quase indisputada ao nível global, como foi o caso dos EUA, começa a ter menor estímulo para escolher os seus líderes com cuidado, colocando à frente do governo indivíduos impreparados para a função, cuja actuação conduz a nação à perda da hegemonia indisputada. Aconteceu no império romano, aconteceu na China várias vezes ao longo da sua história milenar, ultimamente aos impérios britânico e da URSS. Deve ter chegado a vez dos EUA.

Deixo uma imagem da mesquita e mausoleu Imamaden em Shiraz, quase que diria “visitem antes que seja tarde”.



2018-05-01

Representação bizantina de Jesus Cristo


Tenho gasto algum tempo a ver uns filmes da BBC sobre arte, o último intitulado "Art of Eternity - The Glory of Byzantium".

Nele referiram a igreja de Hosios Loukas da qual mostraram vários ícones. Neste sítio encontrei depois fotos dalguns dos mosaicos mostrados no filme da BBC.

Gostei muito desta:


da qual mostro a seguir apenas o motivo central


Tenho dúvidas sobre as considerações que fazem no filme da BBC sobre o tamanho dos olhos, que parecem maiores do que na maior parte dos seres humanos, indicando assim a presença da divindade.

Provavelmente precisam de ser um pouco maiores do que na realidade para poderem ser mais expressivos, dadas as limitações do uso dos mosaicos. Digo isto porque acho os olhos das figuras representadas por mosaicos do tempo dos romanos sempre um pouco maiores do que nas proporções reais.

As letras IC XC são abreviaturas do nome de Jesus Cristo e sempre me intrigou o significado da posição dos dedos da mão de Jesus Cristo.

Na plataforma Aleteia esclarecem que esta posição da mão direita conforme as figuras


tem a explicação seguinte:

"Na iconografia ortodoxa grega, assim como na iconografia cristã inicial, a posição da mão que abençoa forma as letras IC XC, uma abreviatura das palavras gregas Jesus (IHCOYC) Cristo (XPITOC) que inclui a primeira e a última letra de cada palavra. A mão que abençoa reproduz na sua forma o nome de Jesus Cristo."

Tenho observado com grande frequência que a representação em ícone de Jesus Cristo costuma ser acompanhada das letras "IC XC", além da mão na posição referida.

Noutros sítios da Internet dizem que a posição para dar a benção é diferente desta mas não me sinto capaz de identificar quem tem razão.

Adenda: fui ao Google Tradutor e fiz a tradução de "Jesus Christ" (em inglês porque as traduções desta língua costumam ser mais fiáveis) para grego tendo obtido:


Ιησούς Χριστός

Depois accionei o altifalante para ouvir como se diz "Jesus Cristo" em grego. Gravei o som que está disponível neste controlo a seguir


Existe ainda a possibilidade de ir ouvir a pronúncia de Ιησούς Χριστός  a este site chamado Forvo, referido pelo Vítor Santos Lindegaard num comentário a este post, onde as palavras são pronunciadas por seres humanos, em vez de sintetizadas informaticamente como no Google.

2018-04-24

O Museu das Descobertas


Estou com falta de paciência para discutir com profundidade a criação de um Museu das Descobertas, tratando do tema do trabalhoso e complicado processo que os portugueses levaram a cabo com enorme sucesso, descobrindo formas muito mais rápidas e seguras do que as então existentes para chegar a sítios longínquos.

Parece-me mal que se alegue que os outros povos se melindrem por "terem sido descobertos". Na realidade dizer que "descobrimos" comunidades que existiam há imenso tempo é até um sinal de humildade ao confessarmos a nossa ignorância sobre boa parte do que encontrámos.

Mesmo no Estado Novo aprendi que os portugueses tinham descoberto "o caminho marítimo para a Índia", não propriamente a Índia, embora sobre o Brasil se fale mais na descoberta do território do que na descoberta do caminho respectivo.

Falar de Museu da Expansão também me parece pouco adequado. A "Expansão" fez-se para Marrocos, começando pelo saque de Ceuta e a conquista/construção de umas tantas praças fortes que nos trouxeram bastante despesa,  pouca riqueza e a perda do rei e duma data de nobres em Alcácer-Quibir. Continuou depois da Conferência de Berlim em que defendemos o nosso direito a Angola e Moçambique, mas a relação entre isso e os descobrimentos é ténue.

Usar palavras complicadas como " Museu bla,bla, Interculturalidade, bla, bla" também me parece complicar uma coisa simples.

Que as descobertas tenham também servido para o tráfico de escravos é um assunto muito importante que deve ser abordado. Quer pela procura que foi criada pelos locais de destino, quer pelos traficantes, quer pelo papel dos africanos como fornecedores primários desse tráfico.

Resumindo, acho que a realização de um Museu das Descobertas em Lisboa é mais que oportuna, nem se percebe como é que um museu dedicado a esse tema e com este nome ainda não existe cá.

Apresento mapa da Wikipédia adequadamente intitulado

Descobrimentos e explorações portuguesas (1415–1543)






2018-04-17

Primavera com Azul


Gostei noutro dia (já foi em 7/Abr!) de ver o céu azul, depois duma série grande de dias de chuva com céu quase sempre cinzento.



Por coincidência acabo de ver uma série de 3 programas magníficos (isto é quase um pleonasmo) da BBC, referidos no Expresso diário, apresentados por James Fox, intitulada A History of Art in Three Colours, Gold, Blue, White.

No programa sobre o uso do ouro na arte fui agradavelmente surpreendido pela classificação da deposição electrolítica de uma finíssima camada de ouro sobre variados metais como uma espécie de conclusão do sonho alquimista de transformar qualquer metal em ouro.

No programa sobre o azul revisitei o maravilhoso "azul ultramarino" tonalidade que existia nos guaches Pelikan da minha infância e que não tinha comparação com o azul disponível nos guaches azuis da marca Cisne.

A designação de "azul ultramarino" devia-se à sua proveniência, pedras de lápis-lazuli do longínquo Afeganistão, que chegavam a Veneza depois duma viagem por terra e de atravessar o mar Mediterrâneo. Este pigmento chegou a ser mais caro do que o ouro.

Depois deste programa reconciliei-me com o quadro "Blue Monochrome" do Yves Klein, que fotografei em tempos no MoMA em Nova Iorque, e do qual embora gostasse muito da cor, achava duma simplicidade excessiva. Deixo aqui a foto que então tirei






2018-04-08

As imagens do embaixador



Sou um leitor sistemático do blogue “Duas ou três coisas” do embaixador Francisco Seixas da Costa, pessoa muito bem informada e sensata e que manifesta as suas opiniões de forma diplomática se bem que firme e com a necessária clareza.

De uma forma geral os textos são a “pièce de resistance” mas as imagens que os acompanham, os “acompanhamentos” têm também uma enorme qualidade. No seu papel de acompanhantes as imagens não podem aqui assumir o papel principal e, provavelmente por isso, a sua dimensão é menor do que noutros blogues em que elas são o actor principal mas não me canso de apreciar o “ambiente” que elas transportam ou evocam.

Há bastante tempo (já lá vão 6 anos!) guardei a imagem deste post em que se descrevia uma conversa entre dois funcionários séniores do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Achei que essa imagem, que reproduzo aqui ao lado, ilustrava de uma forma perfeita um ambiente onde a conversa poderia ter ocorrido.

Tentei descobrir  porque achava a imagem tão adequada e anotei o tecido monocromático de tom quente com riscas dadas por duas texturas, uma baça outra acetinada, o estofo acetinado de riscas verticais a duas cores das costas da cadeira de madeira decorada com uns elementos metálicos dourados, a moldura barroca de talha dourada do espelho do tempo em que os espelhos eram objectos caros, tudo isto compunha o que se poderia chamar o “charme discreto da diplomacia”.

Gostei também muito do enquadramento dando a ver os elementos que referi, os necessários e suficientes para evocar o ambiente.



Muito mais recentemente (27Mar/2018) a propósito do incidente do envenenamento em solo britânico dum ex-espião russo e sua filha, o embaixador seleccionou esta magnífica imagem da igreja de S.Basílio em Moscovo num post intitulado “Diplomatas & Russos”.



Gostei muito do céu vermelho da imagem, lembrou-me os tempos em que se dizia que "O vento é de Leste e o horizonte é vermelho!".

Mas ainda achei mais graça ao nome do ficheiro deste elemento importante da Praça Vermelha em Moscovo pois chamaram-lhe “Red Square.jpg”, o nome em inglês da Praça referida mas também da forma da fotografia que é praticamente quadrada e de tons avermelhados:


2018-04-02

Contabilidade, capitalização da CGD


Ficámos agora a saber que embora o ministro das finanças Mário Centeno afirme que a Comissão Europeia, seguindo os Tratados da União Europeia, considerou que o capital que o Estado Português aplicou na CGD em 2017 se tratou de um investimento e não de  uma ajuda estatal, não devendo portanto ser integrado no déficit, o Eurostat entendeu de forma diferente.

Lembrei-me dos elogios rasgados que o Lobo Xavier fez na Quadratura do Círculo à proeza extraordinária de António Domingues, CEO da CGD, quando conseguiu que a recapitalização da CGD não fosse considerada no déficit. Afinal, talvez não tenha conseguido. E embora o ministro Centeno afirme em entravista ao jornal Expresso de 2018-03-30 que foi pura coincidência obter um déficit umas centésimas abaixo dos 3% do PIB quando a capitalização da CGD foi nele integrada (evitando assim a abertura de um processo por déficit excessivo) em vez dos 0,9% sem integração, tenho grande dificuldade em aceitar isso como coincidência.

Talvez seja uma inevitabilidade do discurso, lembrei-me do Valéry Giscard d’Estaing quando disse a um jornalista que na véspera duma mudança cambial é obrigação do ministro das finanças desmentir a iminência dessa manobra, que ele tinha feito um desmentido como era sua obrigação e que se no futuro lhe fizessem a mesma pergunta ele sempre a desmentiria, qualquer que fosse a situação.

Quanto melhor vou conhecendo as regras aplicadas na Contabilidade mais aumenta a minha antipatia por essa prática, cuja dificuldade e utilidade reconheço contudo. Já o senhor de La Palisse diria que se a Contabilidade não fosse tão difícil e tão útil, ninguém aceitaria os conjuntos de regras tão contraditórias e tantas vezes tão absurdas que são prática comum nessa actividade humana.

Foi por isso que me dei ao trabalho de traduzir este texto do Geert Hofstede que transcrevi da página 156 do livro “Cultures and Organizations”, livro que já referi neste post (https://imagenscomtexto.blogspot.pt/2016/06/cultures-and-organizations_23.html ).

«
This explains the lack of consensus across different countries on what represents proper accounting methods. For the United States these are collected in the accountant’s Holy Book, called the GAAP Guide: Generally Accepted Accounting Principles. Being “generally accepted” is precisely what makes a ritual a ritual. It does not need any other justification. Once you have agreed on the ritual, a lot of problems become technical again: how to perform the ritual most effectively. Phenomenologically, accounting practice has a lot in common with religious practice (which also serves as an aid to uncertainty avoidance). Cleverley (1971) saw accountants as “priests” of business. Sometimes we find explicit links between religious  and accounting rules, such as in Islam, in the Koranic ban on calculating interest.
»

e a tradução:

«
Isto explica a falta de consenso entre diversos países sobre o que são métodos contabilísticos adequados. Para os Estados Unidos estão coligidos no livro sagrado dos contabilistas, intitulado “Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites”. Ser “geralmente aceite” é precisamaente o que faz dum ritual um ritual. Não é necessária mais nenhuma justificação. Desde que se concorde com um ritual, muitos problemas voltam a ser de natureza técnica: como executar o ritual da forma mais eficaz. Fenomenologicamente, a prática contabilística tem muito em comum com a prática religiosa (que também serve como uma ajuda para evitar a incerteza). Cleverley (1971) viu os contabilistas como “sacerdotes” dos negócios. Por vezes encontram-se ligações explícitas entre regras religiosas e contabilísticas, tais como no Islão, na proibição corânica de aplicar juros.
»


Este texto pode também ser encontrado nesta porção mais completa de algumas páginas do Google Books que apresento na forma de imagem a seguir:




Esta independência do Eurostat deve fazer parte dos “checks and balances” da União Europeia, para evitar soluções totalitárias que, além de tão pouco conseguirem evitar conjuntos de regras sem contradições, têm outras características muito nefastas.


2018-03-24

Imagem de tribunal chinês


Tirei esta foto na casa duma pessoa amiga (estava por  trás dum vidro e ficou com alguns reflexos)


e interroguei-me se seria uma cena dalgum tribunal. Entretanto fiquei a pensar porque é  que pensei que a cena poderia ser dum tribunal.

Será por ter um homem acima de todos os outros? Depois existem dois homens talvez de joelhos face ao que está em cima e 8 homens em pé olhando para os que estão de joelhos.

A simetria perfeita quanto à disposição dos chapéus dos homens em pé faz pensar que são membros de uma instituição, ajudantes da  figura central.

Andei à procura de imagem semelhante directamente através do Google images sem sucesso imediato, apenas conseguiu caracterizar a imagem que mostrei como uma pintura (painting).

Prossegui a busca e encontrei as imagens "Tribunal_China_1 a _3 que dão a ideia que a "presunção de inocência" deve ser uma aquisição relativamente recente, quer no Ocidente quer na China, pois parece que os réus já só pedem clemência, a absolvição parece bastante afastada.


Tribunal_China_1, imagem encontrada aqui


Tribunal_China_2, imagem encontrada aqui

Tribunal_China_3

Estas imagens são perspectivas provavelmente ocidentais dos tribunais chineses de outras épocas e não sendo certificadas como boas representações do que se passava parecem-me contudo certificar que a primeira imagem que mostrei neste post se trata efectivamente dum tribunal chinês.

Entretanto continuei a busca na internet e vi umas figuras com um estilo parecido (donde concluo que a datação por estilo tem a sua razão de existir embora minorando a tão citada criatividade artística que nem sempre será tão criativa assim) que chamavam Pith Paper Paintings e que podem ser vistas aqui.

Estas "Pith paintings" são da dinastia Qing (Manchu) li que as obras antigas deste tipo são mais frequentemente datadas da segunda metade do século XIX. Neste artigo contudo referem 1830-1840 como o período mais activo da produção destas pinturas.

Depois vi uma cena que me fez dizer "Eureka!" (não literalmente porque o meu grego clássico não dá para tanto) ao descobrir a imagem,

 Tribunal_China_4


pintura interessantíssima pois representa o mesmo tema da primeira figura deste post mas com pequenas variantes. Continua a parecer um tribunal, um pouco mais austero. Existem 4 figuras na direita e na esquerda e em ambas as imagens os chapéus usados gozam de simetria, devem ser os "braços esquerdo e direito" do juiz.


Mostro também snapshot do ebay (Antique chinese painting on rice paper pith paper finely detailed figures 3/7 | eBay ) onde a Tribunal_China_4 está à venda por 575£ mais uns portes.



Para finalizar refiro um artigo dos Kew Gardens onde dizem como conservar estas pinturas



 
sobre um suporte muito delicado: "Instead of being made from plant fibres matted together, as with traditional paper, the soft white support is a thin slice of the stem of the Tetrapanax papyrifer plant."

E da Royal Horticultural Society informação e uma foto da Tetrapanax papyrifer:







2018-03-22

Primavera 2018


Tirei esta foto no princípio de Maio de 2015 mas também é boa para comemorar a passagem do equinócio da Primavera de 2018.

Julgo que tirei esta foto no modo paisagem (largura maior do que a altura) mas por qualquer motivo guardei-a no modo retrato. Ou então tirei-a no modo retrato a apontar para o chão.

Agora quando olho para ela em modo retrato parece-me que estou a olhar para uma parede coberta de vegetação mas as inflorescências, em forma de esferas de cores branca e violeta que devem ser de trevos, sugerem que se deve tratar de um chão.

Engraçado como a relação entre a largura e a altura de uma imagem nos pode levar a pensar que se trata de um plano horizontal ou vertical, quando se pode tratar apenas de um enquadramento ou de uma tomada de vista pouco habitual.



2018-03-17

Campo de flores no 10º aniversário


No dia 17 de Março de 2008 publiquei neste blog o primeiro post. Desde essa altura publiquei 1045 posts o que dá uma média de 0,28 posts/dia ou 1 post cada 3,5 dias ou mais simplesmente 2 posts por semana.

O blogue tem poucos comentários o que, considerando os comentários mais frequentes na net, não é necessariamente mau. Constato contudo nas estatísticas que o blogue continua tendo leitores. Além disso, gosto de passar a escrito alguns pensamentos que me vão ocorrendo e partilhar umas imagens que me aparecem, pelo que vou continuar esta actividade de bloguista.

Desta vez publico mais uma imagem de flores sobre um prado dos Olivais.




2018-03-13

Jardins rochosos na calçada de Lisboa


Hesitei bastante antes de publicar estas fotos sobre as humildes plantas que crescem nos pequenos interstícios entre as pedras que constituem a calçada dos passeios lisboetas, como esta que mostro a seguir, enriquecidas com uma tentativa (não 100% segura) do Paulo V. Araújo (PVA) de as identificar num comentário deste post

PVA: trevos, talvez o Trifolium tomentosum

Estas fotos foram tiradas entre Maio/2013 e Jun/2016 e o texto que vou escrevendo não representa uma  forma cínica de apresentar um eventual problema. Como julgo que a maior parte das pessoas eu achava que estas ervinhas representavam desleixo na manutenção dos passeios.

PVA: foto é de um Lotus

Contudo ultimamente tenho gostado de ver a pujança como brotam estas plantas, em qualquer altura do ano, mas sobretudo na Primavera que em Lisboa costuma chegar um bocadinho antes do equinócio

Lembro-me de quando andava no IST estarem frequentemente umas jardineiras com umas pequenas ferramentas manuais a arrancar ervinhas do gigantesco empedrado


existente entre a escadaria no topo da Alameda D.Afonso Henriques e o pavilhão central do Instituto, mostrado acima numa vista geral e a seguir com mais detalhe


Uma pessoa a andar no empedrado apercebia-se com mais facilidade das imperfeições existentes do que destes interessantes padrões geométricos que terão sido  percepcionados pelos projectistas nos desenhos sobre estirador do projecto e agora finalmente com o Google Earth e os drones cada vez mais banais.

Agora que penso um pouco mais neste tema julgo que o problema reside na falta de frequência de pisoteio na  calçada em questão, o empedrado tem uma função monumental, tendo uma largura desajustada em relação ao número de pessoas que por ali passa, fazendo com que as jardineiras tenham um autêntico trabalho de Sísifo, quando acabam de limpar o terraço já outras ervinhas despontam na zona por onde começaram a arrancá-las.

PVA: foto parece ser de uma avoadinha (género Conyza)

Estas plantas que julgo ter fotografado nos passeios dos Olivais devem também em parte o seu desenvolvimento à pequena frequência com que passam pessoas pelos passeios.

Uma vez em Copenhague vi um jardineiro com um pequeno lança-chamas às costas que ia queimando as ervinhas no passeio por onde passava

PVA: Leontodon taraxacoides

Ao princípio pareceu-me um método muito eficaz e bastante melhor do que as ferramentas usadas no IST mas constatei que ao aproximar-se duma paliçada de madeira o homem quase que provocava um incêndio, mostrando os riscos do método. De qualquer forma seria uma pena queimar qualquer uma das plantinhas que estou mostrando

PVA: Erodium moschatum

Como as pedras da calçada têm dimensões parecidas, o diferente tamanho das pedras nas várias imagens que estou a mostrar sinalizam que as escalas das imagens são diferentes.

PVA: trevos

Para finalizar mostro um conjunto de florinhas num canteiro mais rochoso que está fora da calçada

PVA: Crepis capillaris