2020-03-24

Coronavírus em Portugal


Tenho tido grande admiração pela Directora Geral de Saúde, Graça Freitas, na condução da DGS durante esta pandemia.

Deixo aqui uma palavra de apreço para a Ministra da Saúde Marta Temido e para o Primeiro-ministro António Costa e seu governo, tomando decisões acertadas nos tempos devidos, embora no fim do jogo seja possível que se detecte que alguma medida deveria ter sido mais ou menos intensa e aplicada um pouco antes ou um pouco depois. A oposição também tem estado à altura.

O presidente Marcelo também tem estado bem e conseguiu uma declaração do Estado de emergência sem forçar o governo a seguir uma estratégia determinada dando contudo a possibilidade de accionar medidas muito rapidamente.

Os portugueses têm-se portado muito bem, já nos basta a pandemia do Coronavírus.


2020-03-23

A mortalidade normal (sem epidemia(s)) e os ventiladores


Fala-se pouco na morte em situação normal, revisitei os números de que falei apenas para Portugal e mostro ficheiro excel onde obtive esta tabela:



Retirei os valores da "taxa anual bruta de mortalidade (por mil habitantes)" e População (em milhões) de 3 sítios da Wikipédia:
- Demografia de Portugal
- Demografía de España
- Demographics of Italy

Entre várias causas para a situação extrema na Itália e na Espanha, uma delas é que o conceito de país neste caso é inadequado dada a elevada concentração de casos, no caso da Itália na Lombardia, no caso da Espanha li que metade dos casos se situam na região de Madrid, que tem cerca de 6,5 milhões de habitantes.

No dia 22-Mar-2020 em Itália foram atribuídas 651 mortes ao coronavírus enquanto em Espanha o número foi 391.

Li agora que a Comissão Europeia aprovou uma ajuda do estado italiano no valor de 50 milhões de Euros para a produção e fornecimento de equipamento médico e máscaras durante a epidemia do Coronavírus. No equipamento médico incluem-se ventiladores, dispositivos cuja exportação foi restringida pelo governo alemão, que deu prioridade ao fornecimento destes equipamentos aos hospitais situados na Alemanha.

Constata-se que, à semelhança dos Estados Unidos da América do Norte, a Europa no geral está a reagir com lentidão a esta epidemia. Existiu uma confiança que o mercado único seria a forma mais eficaz de fornecer qualquer equipamento em qualquer país, mesmo em tempo de epidemias. Constata-se que essa esperança não se realizou neste caso. Parece-me um bocado estranho que um estado tenha que pedir licença para usar estímulos de 50 milhões de euros, o custo de qualquer condomínio de pequena dimensão numa capital europeia, para poupar vidas humanas.

Segundo um artigo que li no Expresso de 2020-03-14 do Luís Aguiar-Conraria os economistas constataram que o público em geral, através de algumas preferências que manifesta, indica que valoriza uma vida humana entre 2 e 10 milhões de euros. Certamente que esta ajuda estatal  de 50 milhões de euros já devia ter sido aplicada há algum tempo, dada a incapacidade do mercado para funcionar de forma eficiente nestas situações.



2020-03-17

O fim do Inverno


Está a chegar ao fim a estação do Inverno, na próxima sexta-feira dia 20/Mar/2020 é já o equinócio da Primavera!

Hoje, um pouco antes, este blogue "Imagens com Texto" completa a linda idade de 12 anos, é o último ano antes de passar a "teenager", surpreende-me um pouco já ter durado tanto tempo.

Tenho seguido de forma bastante exaustiva o tema do Coronavírus, com a apreensão inevitável que o tema provoca mas vou regressar às plantas dos Olivais que, com este mês de Fevereiro com temperaturas acima da média, começam a produzir muitas folhas.

Nesta primeira imagem notam-se apenas os "nós" donde brotarão as folhas


a seguir trata-se da mesma árvore mas numa zona mais desabrochada


e a seguir o pormenor que me chamou a atenção


depois voltei a olhar para o chão, para este detalhe dum prado, onde abundam umas florinhas vermelhas que não terão mais de 1cm de diâmetro. Notei também a presença de umas tantas florinhas azuis


e ao vê-las mais de perto pareceu-me que se tratava duma mesma espécie mas com flores de duas cores possíveis


Colhi então duas mini-ramadas que coloquei numa mini-jarra



Boa saúde aos leitores são os votos deste blogue aniversariante!

Adenda: pedi ajuda no endereço de correio do blogue "Dias com árvores" para identificar a planta com florinhas vermelhas ou azuis e o Paulo Araújo informou-me:
«
Sim, trata-se da mesma planta que dá flores de várias cores. O nome  dela é Anagallis arvensis; pode vê-la no Flora-On:

      https://flora-on.pt/#/1Anagallis+arvensis

Além de flores azuis e cor-de-laranja, ela também dá (muito raramente)  flores cor-de-rosa. É de sublinhar que cada indivíduo só dá flores de  uma cor. A norte é mais frequente vê-las com flores cor-de-laranja,  mas julgo que a sul vêem-se mais com flores azuis (mas posso estar  enganado).

Já agora, a sua árvore é um freixo, de uma espécie europeia (Fraxinus ornus) que não é espontânea em Portugal.
»

2020-03-12

Restauro da catedral de Notre-Dame


Neste artigo da BBC tem um conjunto de fotos muito interessantes sobre os trabalhos de restauro da catedral de Notre-Dame de Paris cujo incêndio referi aqui.

Volto a mostrar uma imagem da fachada como estava em 2009 antes do incêndio


mostrando depois a base de um dos campanários, onde se vê a riqueza da decoração


e as quase intermináveis janelas dos campanários


No sítio da BBC tem mais fotos notáveis do restauro em progresso e ver a brancura desta pedra deixa-me bem-disposto, ao pensar na camada preta de fuligem que cobria a totalidade das catedrais da Europa durante toda a primeira metade do século XX e que, o abandono das lareiras e de caldeiras que poluíam o ar das cidades tornou possível.



Estatísticas do Coronavírus


Tenho consultado com frequência este sítio do "Worldometers" referente à pandemia do Coronavírus de que mostro o topo da tabela principal:


Embora já me tenha queixado do conceito de "país" nestas estatísticas em que aparecem entidades com dimensões muito diferentes, mesmo assim têm algum interesse.

Esta tabela tem a propriedade interessante de ser possível ordenar as linhas pelo valor existente numa dada coluna. a imagem que apresento e que é a inicial está ordenada por ordem decrescente do número total de casos detectados e segundo esse critério a China ocupa o 1º lugar.

Mas se ordenarmos por ordem decrescente do número de casos detectados por milhão de habitantes, o 1º lugar passa a pertencer à Itália.

Uma pessoa não deve ignorar que existem mundos de conceitos por trás de cada número e, por exemplo, o número total de mortes na Itália deve seguir critérios diferentes dos seguidos pelos outros países.

Dizem que a tabela é refrescada à medida que as ocorrências são relatadas (talvez à OMS-Organização Mundial de Saúde) mas no caso de Portugal e provavelmente de outros países é feita actualmente apenas uma comunicação diária, para evitar repetição de casos. A de Porugal é feita às 10 da  manhã e corresponde ao período das 24 horas anteriores. Outros países seguirão critérios diferentes e não comunicam todos à mesma hora. Presumo que a tabela esteja o mais completa possível às 23:59 de cada dia.

Para alguns países existem histórias da evolução do nº de casos ao longo do tempo.


2020-03-04

Coronavírus


O jornal Expresso tem feito artigos equilibrados e informativos sobre o coronavírus, não resistiu contudo a fazer um título bombástico na 1ª página do passado sábado, dia 29/Fev/2020.

Hoje, numa versão online, referiu um artigo do jornal El País que gostei de ler: o vírus é novo e mal conhecido, parece pior do que uma gripe na comparação que fazem e apresentam razões que ajudam a explicar a dimensão das medidas que têm sido tomadas em vários países.

Gostei desta apresentação de duas séries geométricas, normalmente usam-se gráficos XY para as representar mas com pontinhos facilita relacionar o fenómeno com pessoas:




2020-02-28

Os verdes prados dos Olivais Sul


Os Olivais têm uma urbanização diferente da maioria dos bairros da cidade de Lisboa, com o predomínio de prédios em torre ou em bandas, sem o espaço fechado do interior dos quarteirões.

No espaço entre os prédios abundam zonas verdes cuja vegetação, constituída por plantas pioneiras e por outras semeadas, uma vez que manter relvados tipo campos de golfe seria proibitivamente caro para a autarquia, dão a ilusão ao urbanita de estar a contemplar um prado campestre.

Nos meus passeios diários vou apreciando a evolução destas plantas humildes que vão partilhando e disputando o solo disponível. Quando começam a estar muito crescidas vêm os jardineiros da Junta de Freguesia cortá-las, deixando os terrenos prontos para novos crescimentos.

No Verão a côr predominante é o amarelo acastanhado mas mal caiem umas gotinhas de chuva regressa o  verde. Se o Sol aparece e a temperatura é amena como agora despontam logo umas florinhas, sendo as amarelas as mais abundantes.

Na parte baixa deste talude, junto ao passeio, temos predomínio da Erodium Moschatum de que falei em post de Abril de 2016


a seguir gostei de fotografar esta pedra ou afloramento rochoso no mesmo talude


mostrando o prédio ao fundo para dar o contexto














2020-02-27

O Iluminismo Agora


“O Iluminismo Agora” é o título de um livro de Steven Pinker, publicado pela Editorial Presença em Nov/2018 e que só agora acabei de ler, na versão em português com 491 páginas.

Trata-se de mais um livro que confirma a minha observação dos enormes progressos que ocorreram nos meus últimos 60 anos, ao mesmo tempo que lia em tantos jornais e revistas e programas de TV que a maior parte de tudo o que se passava no país, na Europa e no planeta ia de mal a pior.

O autor faz uma defesa apaixonada do Iluminismo enumerando os incontáveis benefícios que o uso da razão, do método científico e da democracia têm trazido á humanidade nos últimos 2 séculos.

Fui lendo  o livro com muito agrado sobre a possibilidade do progresso, as melhorias da qualidade de vida, da saúde, da subsistência, da riqueza. Já quanto à desigualdade, após uma análise da sua natureza acaba por concluir que “o mundo se tornou mais desigual em certos sentidos, mas são mais os sentidos em que a população mundial viu a sua situação melhorar.

Cheguei depois ao capítulo 10 sobre o Meio Ambiente. Aqui o autor refere correctamente que oa países mais pobres tendem a ser os mais poluídos e que o desenvolvimento tem tornado possível um ambiente mais saudável e que temos de dedicar esforço para ir resolvendo os problemas que vão aparecendo pois, não sendo insolúveis, requerem acções correctivas.

Faz a crítica clássica e errada ao livro dos anos 1970 “Os Limites do Crescimento” alegando que as previsões de esgotamento de recursos materiais não se chegaram a verificar. Na realidade esse livro dizia que os ritmos de crescimento do consumo de alguns recursos levariam ao seu esgotamento SE fossem mantidos inalterados e que o livro tinha sido escrito para chamar a atenção da necessidade de mudar esses ritmos de crescimento.  Que foram efectivamente mudados quer por aumento do preço desses produtos no Mercado quer porque alguns empreendedores desenvolveram esforços para substituir esses produtos estando informados, eventualmente por esse livro, que havia ali uma oportunidade de negócio.

Depois reconhece a existência de alterações climáticas de origem antropogénica mas, além de aconselhar o aumento do uso de energias renováveis comete o que considero um erro monumental ao aconselhar a expansão da produção de energia eléctrica através da construção de novas centrais nucleares.

Sobre as centrais nucleares escrevi neste blogue os posts:
- 2011-03-16 A Central Nuclear em Portugal: pouco depois do acidente na central de Fukushima no Japão;
- 2012-01-15 Energia e Política: a propósito de uma entrevista de António Costa Silva ao jornal Público sobre energia e política;

2014-10-06 Energia Nuclear outra vez: a propósito das ambições do Irão a ter uma central nuclear e dos subsídios que o Reino Unido vai dar a uma central nuclear que planeiam construir;

2018-06-28 Rendas Excessivas? 
A propósito da audição do Engº Pedro Sampaio Nunes na CPI (Comissssão Parlamentar de Inquérito) da AR sobre as rendas excessivas recordo a proposta feita por Patrick Monteiro de Barros em 2006 de instalar em Portugal uma central nuclear igual à da Finlândia, cuja construção estava então prevista de 2003 a 2009, que em 2018 ainda por acabar tinha entrada prevista para 2019, entrada essa que em Dez/2019 foi adiada mais uma vez, para Março/2021!

Depois da constatação duma divergência de opiniões tão grande como a que me afasta de Steven Pinker no tema da adequação técnico-económica das centrais nucleares para a produção de energia eléctrica pousei o livro durante alguns meses e quando retomei a leitura constatei que a fazia com um sentido crítico mais atento.

Apreciei os capítulos sobre a Paz, a Segurança, o Terrorismo, a Democracia, a Igualdade de direitos, e o Conhecimento. Nos capítulos sobre a Qualidade de vida e a Felicidade notei que o autor usa excessivamente estatísticas simples na sua argumentação, que neste caso são ainda pouco fiáveis ou mesmo desadequadas. Pareceram-me equilibrados os capítulos sobre as Ameaças existenciais e o Futuro do progresso.

Na Parte 3 do livro sobre Razão, Ciência e Humanismo considerei que na sua defesa destes 3 aspectos da vida humana escusava de fazer tantos ataques às religiões.


2020-02-14

Pavão (2)


Em Outubro/2017 já tinha feito um post sobre o Pavão mas não tinha conseguido uma boa imagem sobre um pavão mostrando a sua cauda.

Agora já tenho uma, do meu amigo João Ricardo, tirada no recentemente reabilitado Jardim Botânico Tropical no bairro de Belém em Lisboa.

Começo por uma vista do pavão de perfil


finalizando com a exibição da cauda, numa foto em que fiz uma pequena manipulação do contexto para não perturbar a contemplação do motivo principal




2020-02-12

Mortalidade - uma referência


Um número sózinho é difícil de interpretar, normalmente são precisos pelo menos dois, para fazer uma comparação.

De há uns tempos a esta parte que se fala nas mortes provocadas pelo corona-vírus, recentemente designado por Covid-19 pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Tendo a maior parte das mortes provocadas por este vírua ocorrido na cidade de Wuhan, cidade com 11 milhões de habitantes, valor parecido aos 10 milhões da população portuguesa, fui ver quantos portugueses morriam em média por dia na Demografia de Portugal na Wikipédia, na tabela de Estatísticas vitais desde 1900.

A taxa anual bruta de mortalidade que em 1900 andava à volta de 20 por 1000 habitantes foi baixando ao longo do século 20 com pequenas variações até chegar ao valor actual de cerca de 10 mortes por mil habitantes, com a excepçãp de 1918 em que o valor foi de 40 por 1000, provocado por o que aqui se costuma chamar a "pneumónica" enquanto os anglo-saxões chamam a "spanish influenza" (gripe espanhola de 1918).

Portanto 10/1000 é o mesmo que 1%, quer dizer em média de cada 100 portugueses morre 1 por ano.

Considerando toda a população do país será de esperar que, dos 10.000.000 vivos num dado dia do ano, ao fim de um ano tenham morrido 100.000 dessas pessoas. Se morresse o mesmo número de pessoas em todos os dias desse ano teriam morrido 100.000/365= 274 pessoas por dia.


2020-02-11

Pintassilgo nos Olivais Sul


Vi ontem, num passeio na rua Cidade de Benguela




Praia no Terreiro do Paço


Vi ontem que puseram um bocado de areia ao lado do Cais das Colunas no Terreiro do Paço em Lisboa. Com umas ondinhas a rebentar sobre a areia pareceu-me que estava numa praia...







2020-02-04

Ruína na Praia da Rocha


De vez em quando neste blogue refiro que desde a minha infância que tenho frequentado a Praia da Rocha. Dessa infância recordo esta imagem de uma das duas vivendas maiores e melhor situadas na falésia com vista desafogada para o mar.



Encontrei esta fotografia e alguma informação sobre a história desta moradia neste artigo do “Sul Informação”.

Resumindo a moradia (chamada Vivenda Compostela) foi construída no início do século XX para as férias da família de Francisco Bivar Weinholtz, tendo a sequência de proprietários posteriores incluído o Conde da Covilhã, o empresário têxtil Manuel Gonçalves, seus herdeiros e agora Armando Faria, anterior dono da rede de lojas “Perfumes & Companhia”.

A maior parte das vivendas que então existiam na Praia da Rocha foram substituídas por prédios de apartamentos, num processo intenso mas de baixa (ou mesmo muito má para evitar eufemismos)  qualidade urbanística que documento muito parcialmente nesta “vista aérea” do Google Earth,



provavelmente datada do Verão de 2016, por exame das imagens históricas disponíveis nessa aplicação.

Se esta vivenda fosse propriedade dum emigrante retornado de França dir-se-ia que era uma “casa tipo maison”. Assim diz-se que era um ex-libris da Praia da Rocha. Nunca simpatizei com a arquitectura desta casa, detesto mesmo o seu telhado preto fortemente inclinado, como se estivéssemos num local frio e chuvoso do norte da Europa e penso nos calores que os infelizes ocupantes das águas furtadas terão tido que suportar.

Entretanto o proprietário solicitou autorização para fazer uma construção neste vasto terreno, que lhe foi concedida pela Câmara Municipal de Portimão, conforme alvará afixado num muro da propriedade.

Ergueu uma estrutura de betão armado no lado oposto ao da piscina não visível nesta foto e passado algum tempo iniciou a demolição da moradia existente.

Por razões que ignoro a demolição foi embargada ficando agora uma estrutura de betão incompleta e uma casa semi demolida, conforme se constata nas fotos que tirei a partir da praia.



 

 



Desconheço as razões desta trapalhada que me fez lembrar a demolição atabalhoada do cine-teatro Monumental em Lisboa há uns anos. As autorizações camarárias deviam ser mais claras e os embargos mais expeditos.

2020-01-30

Os avós, por D.José Tolentino de Mendonça


Gostei deste texto do D.José Tolentino de Mendonça que li neste sítio do jornal Expresso:

 “Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar e olhar-nos sem pressas, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas de nada. Nunca consideram que quando se entretêm connosco estão a perder tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor dá-se bem com essa gratuita codivisão. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham a nosso lado sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas e de detalhes para divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que passamos a identificar com eles. Os avós já foram muitas vezes aos lugares onde nos levam pela primeira vez.

Chamam a atenção para coisas incalculáveis, como a forma de uma nuvem ou a cor diferente que ganham as folhas. Ensinam-nos com serenidade, colocando-se a nosso lado. Nunca acham despropositada a fantasia, nem os medos, nem o mimo. Têm o sentido das pequenas coisas e colos onde cabem as grandes. Eles não separam, como o resto das pessoas, aquilo que é útil do que é inútil. Fazem-nos sentir que é assim, que já passaram por isso e que existe uma solução que nos vão revelar, só a nós, como um grande segredo. Amparam os nossos desequilíbrios com o corrimão invisível e seguro do seu afeto, disponíveis degrau a degrau. Adivinham o que não dizemos sem se confundirem com a nossa confusão. Quando não estão connosco, pensam em nós, repetem aos amigos as frases que dissemos, disputam-nos, orgulham-se de coisas parvas, como o modo como sorrimos ou respiramos. Penso que se sentimos tão intensamente que os devemos salvar é porque percebemos, desde muito cedo, que somos salvos por eles”. 



2020-01-28

Wuhan


A minha professora chinesa, dum curso de Introdução à Língua Chinesa que segui há uns anos em Portugal, depois da sua estadia por cá foi viver na cidade de Wuhan, uma cidade chinesa onde em Fev/2018 viviam 10,6 milhões de pessoas.

Fez-me impressão existirem cidades com a população de Portugal de que nunca ouvira falar e dediquei um post a este tema há cerca de 2 anos e de que mostro um dos mapas:



Agora com a recente epidemia do novo coronavírus a cidade ficou muito mais conhecida a nível internacional. Troquei mail com a professora que felizmente está bem. Não deixo de me impressionar com a facilidade com que actualmente se contactam pessoas em terras distantes com as quais mantemos contactos muito esporádicos!

São impressionantes estas primeiras imagens da construção de um hospital novo de 1300 camas para os doentes do novo coronavírus, com conclusão prevista no prazo de uma semana



Estas multidões focadas num objectivo preciso lembram-me os filmes de Zhang Yimou em que referi num post:

«...Os dois filmes seguintes, “Herói” e “O Segredo dos Punhais Voadores”, tratam de lendas e mitos da China antiga. Mais uma vez a beleza é avassaladora (e meço bem este adjectivo que acabo de verificar nunca ter sido usado até agora neste blogue). Outras memórias que ficam são as multidões de figurantes. Uma das grandezas da China consiste na possibilidade de dispor de multidões de seres humanos que se podem concentrar numa tarefa específica, como tapar o Sol com uma saraivada de flechas.»


Para finalizar mostro uma secção de cuidados intensivos no Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan com a legenda que a acompanhava num jornal de Singapura.


In this Friday, Jan. 24,2020, photo released by China's Xinhua News Agency, a medical worker attends to a patient in the intensive care unit at Zhongnan Hospital of Wuhan University in Wuhan in central China's Hubei Province. China expanded its lockdown against the deadly new virus to an unprecedented 36 million people and rushed to build a prefabricated, 1,000-bed hospital for victims Friday as the outbreak cast a pall over Lunar New Year, the country's biggest, most festive holiday. (Xiong Qi/Xinhua via AP)




2020-01-22

Betty Faria em entrevista


Entrevista de Betty Faria sobre a sua vida, dada em Jul/2018, gostei muito de a rever, são 52 minutos


2020-01-21

Estorninhos nos Olivais Sul


Há uns dias ou mesmo semanas que se vêem grandes bandos de estorninhos no bairro dos Olivais em Lisboa. Dizem-me que se juntam em bandos enormes ao raiar do dia e ao fim da tarde, quando se juntam (ou separam) nas árvores que lhes têm servido de dormitório.

Anteontem, dia 19/Jan/2020, ao fim da tarde andei a ver se descobria estorninhos e acabei por descobrir esta árvore cheia deles, julgo que situada em terreno da Escola Básica Fernando Pessoa, aproximadamente no enfiamento da Rua Cidade de Gabela, vista tomada nas traseiras de um prédio na Rua Cidade de Carmona



No céu voavam muitas aves



mas não cheguei a ver bandos compactos como no video que mostrei em tempos neste post.

Mostro ainda uma segunda árvore, no lado esquerdo desta imagem, onde no lado direito está a árvore que mostrei acima. Será conveniente clicar na imagem para a poder ver na máxima resolução



Noutro sítio, num canto da Praça Cidade São Salvador (mais conhecida por Praça das maminhas) ainda vi outro dormitório:



Na Wikipédia fala sobre o Estorninho-comum (Sturnus vulgaris) e nas avesdeportugal.info, na secção das Aves de Lisboa mostra o Estorninho.


Adenda: hoje de manhã (22/Jan/2020) vi o que me pareceu ser um estorninho malhado, o que mostro não é bem uma foto mas mais uma sugestão dum estorninho, obtida com o meu telemovel



Achava estranho ver bandos tão grandes de estorninhos nas árvores e no céu e não ver nenhuns ao pé da superfície, parece que consegui ver um por uns instantes, do lado de fora da Quinta Pedagógica,  desapareceu logo.


2020-01-18

Madonna - Batuka


Não sendo fã das músicas da Madonna sempre apreciei os vídeos por ela produzidos na promoção das suas músicas/espectáculos.

Enquanto residiu em recentemente me Portugal a Madonna interessou-se muito pela música cabo-verdiana, integrando no seu espectáculo mais recente um conjunto de Batukadeiras.

Gostei imenso deste video:



2020-01-17

Visco


Quando fui a Viena há uns anos (em 2013) fui surpreendido por estas coisas nas árvores



que julguei serem ninhos de aves, embora me fizesse impressão o tamanho respectivo, não conseguindo imaginar quais seriam as aves com necessidade de ninhos destas dimensões.

Finalmente, ao ver umas formas parecidas numas fotos que a Helena  tirou durante um nascer do Sol em Berlim neste post de que mostro foto 9 (de 12)



nos comentários do post a Helena esclareceu-me que não eram ninhos mas uma planta parasita designada por Viscum Album que em português se chama “visco” e em francês “gui”.

Além de esclarecer que se tratava de uma planta e não de um ninho, fiquei também a conhecer o aspecto do “visco”, ingrediente essencial para a poção mágica que aumentava imenso a força de quem a bebia, preparada na aldeia do Astérix pelo druida Panoramix.

Nesta tira o druida informa que a composição da poção é secreta, passando apenas de boca de druida para orelha de druida, apenas podendo revelar dois ingredientes da poção, o visco que é essencial e um lavagante que, não sendo essencial, melhora o respectivo sabor.



Foram dois coelhos de uma só cajadada, como se costumava dizer.