2015-07-02

Grécia -4, o Mar está de pernas para o ar


Fiquei muito desapontado nesta recta final (depois do Domingo 28/Jun) com a sugestão pelo Syriza de negociações enquanto não chega o referendo. O pano caiu como dizem aqui.

A Merkel neste caso tem razão. Não faz sentido negociar antes da realização do referendo.

E não me esqueço que durante o tempo do Salazar em Portugal toda a esquerda era unânime na condenação dos referendos como forma populista e direitista de consultar a população. O próprio Tsipras falou contra referendos há pouco tempo. E que é difícil e muito limitador responder à maioria das perguntas relevantes com um simples "sim" ou "não".

Junto a foto de um bocadinho do Mar grego, a mesma imagem com que comecei este blogue, mas desta vez de pernas para o ar:




2015-06-29

Grécia-3 e Golfinhos



Este é o 3º post que escrevo a propósito da crise europeia da Grécia, escrevi o primeiro em 2015-02-04, o segundo em 2015-02-27.

O conjunto de credores da Grécia inspira-me pouca confiança, é uma cena clássica realizar empréstimos enormes à classe dominante de um país que tem dificuldades em escolher governantes decentes e explorar depois o povo desse país, acusando-o de ter vivido acima das suas possibilidades. Isso aconteceu com o Irão que tinha petróleo, com o Egipto que tinha o Canal do Suez, com o Brasil que tinha imensas riquezas, com a Argentina e outros países da América do Sul, nestes casos com a agravante dos governantes corruptos da América do Sul serem ajudados pelos EUA a conquistar o poder através de golpes militares e a manterem-se no poder através de formação em técnicas de contra-subversão incluindo tortura.

Neste caso grego faz-me impressão que o ministro das finanças alemão tenha dito que era preciso manter o rumo numa situação em que era patente que os resultados obtidos pelas receitas aplicadas estavam longe do que tinha sido previsto. Inspira-me desconfiança a aparente confiança dos credores da troika no primeiro-ministro de Portugal, que mentiu vezes sem conta aos Portugueses, parece que precisam de governantes mentirosos nos países sob intervenção. Vejo sinais preocupantes no desconcerto, tantas vezes referido, entre o que diz a Srª Lagarde nos fora internacionais e o que dizem os seus funcionários quando visitam Portugal. E não me conformo com a persistência do superavit alemão, como se pudesse existir um mundo em que todos os países fossem superavitários e fosse razoável tomar medidas apenas contra os que têm deficits.

Aguardo com curiosidade e bastante apreensão os próximos capítulos desta crise europeia sobre as finanças gregas, tendo a sensação que muita gente da política e dos media me vai tentar enganar num futuro próximo.

Li que estes bonitos golfinhos, existentes num fresco reconstruído do palácio de Cnossos em Creta, devem mais à imaginação do arquitecto Piet de Jong, que os pintou na década de vinte do século passado, do que à evidência de os antigos cretenses os terem pintado assim.




Tenho grande simpatia e admiração pelos golfinhos, vi uma vez um espectáculo numa piscina onde me impressionou a forma como mergulhavam sem causar salpicos de água e aprecio as histórias em que eles salvaram tantos seres humanos de afogamentos iminentes.

Gostei imenso deste filminho que vi no 2 Dedos de Conversa




onde uma rapariga faz uma exibição para “entreter” um golfinho que estava a passar por ali.

Apreciei esta inversão de papéis, a maior parte das vezes são os golfinhos que “entretêm” os seres humanos…

2015-06-25

Impostos: é impossível aumentá-los em Portugal?



A propósito da recente intervenção do ministro da saúde Paulo Macedo sobre a eventualidade de se precisar de aumentar impostos para fazer face aos aumentos de gastos com o Sistema Nacional de Saúde lembrei-me que em tempos enviei esta tabela


retirada da Eurostat newsrelease 92/2014 - 16 June 2014 para várias pessoas que não me souberam explicar como é que estando nós abaixo da média europeia se diz que não podemos suportar mais impostos.


Confesso que não tenho entusiasmo por aumentos de impostos, falta de entusiasmo que se transforma em grande desaprovação quando vejo o dinheiro dos contribuintes gasto de forma ineficiente (não contribuindo para os objectivos declarados) ou quando gasto em actividades que considero não merecerem esse dinheiro. Contudo estes gastos ineficientes, ou em áreas que considero que não merecem, existem certamente nos outros países.

Assim relembro uma pequena notícia do jornal Expresso publicada em 23-05-2015

 

que deve ter tido origem no documento “Estatísticas das receitas fiscais de 2014 do INE” de onde retirei este gráfico:



Fica então a questão: se a nossa média é inferior à média europeia porque será que não podemos aguentar mais impostos?


2015-06-22

Grécia, outra perspectiva


Volto a referir este site, The Press Project – Greek News for a Global Audience onde são publicadas notícias diferentes das do pensamento quase único que domina a imprensa "ocidental".

Colocando na caixa de pesquisa no canto superior esquerdo deste blogue a palavra "Grécia" aparecem bastantes posts sobre esse país.

2015-06-17

Zhou Yongkang, a corrupção, os penteados e os cabelos pintados dos chineses


Esta foto de um membro do PCC (Partido Comunista Chinês) durante um congresso do partido chamou-me a atenção, ainda me interrogo porquê



Tratava-se de uma notícia sobre Zhou Yongkang, importante membro do PCC, antigo chefe dos serviços de informação, que se reformou em Nov/2012 e que estava a ser alvo de uma investigação judicial.

A imagem confirma uma conjectura que eu fizera sobre esta imagem, de que se tratava de uma reunião do PCC



as fardas das assistentes são as mesmas e este cuidado na colocação das chávenas é um indício de que se trata de uma reunião muito importante.

Fiquei na dúvida se o semblante de preocupação/desagrado se deveria à “invasão do seu território” pela assistente ou a motivo de outra natureza. Esta outra foto, em que a mesma assistente continua de forma diligente o seu trabalho



permanecendo Zhou Yongkang com o semblante preocupado leva-me a pensar que é mais provável que a preocupação fosse outra. Interrogo-me então qual o sentido de destacar uma foto com um elemento de distracção, a assistente em equilíbrio quase instável colocando a chávena de chá com a mão esquerda e segurando na direita o bule termos.

Reparo também no formalismo do penteado desta assistente mas também na uniformidade dos penteados de todas elas, como se constata na 2ª foto deste post.

E noutras imagens onde se vêem mais delegados noto que há poucas mulheres sentadas e poucos ou mesmo nenhuns homens a servir chá aos delegados. Também tenho notado em Portugal a ausência de homens a desempenhar a função de assistentes de reuniões.

No Ocidente é costume dizer que na China existe imensa corrupção, como aliás em todos os regimes comunistas. Este género de afirmação acaba por ser um truísmo dado que, como “normalmente” só se considera existir corrupção quando os interesses do Estado são prejudicados, é mais que natural que com este conceito de corrupção em países em que o Estado esteja envolvido em grandes áreas da economia exista mais corrupção. Em países onde a população é prejudicada em proporções semelhantes por actuações de entidades privadas trata-se simplesmente das leis do mercado cujas imperfeições não podem ser completamente eliminadas a não ser, claro está, reduzindo a legislação e os regulamentos à sua expressão mais simples ou mesmo à completa ausência.

Admito que a existência de uma imprensa dita livre poderá minorar os fenómenos de corrupção, quanto mais não seja porque, embora  essa imprensa tenha proprietários com interesses não forçosamente altruístas, os conflitos de interesses entre os vários grupos económicos que disputam o poder e os seus favores levantam por vezes a ponta do véu sobre alguns temas que num sistema mais centralizado como o chinês poderiam nunca ver a luz do dia.

O julgamento concluiu agora, como relatado na BBC onde fui buscar esta imagem de um filme da CCTV (China Central TeleVision), tendo Zhou Yongkang sido condenado a prisão perpétua.



Ao ver esta imagem não deixei de me surpreender com o branqueamento acelerado dos cabelos de Zhou entre 2012 e agora, talvez ainda não tenham passado 3 anos. Da primeira vez que fui a Macau, em 1990, fiquei surpreendido quando me disseram que os chineses mais idosos tinham o hábito de pintar o cabelo para parecerem menos velhos. Nessa altura, no Ocidente, só as mulheres pintavam o cabelo e ainda me lembro duma anedota que se contava nos anos 60 ou 70 de uma senhora perguntar ao médico se pintar o cabelo faria mal aos miolos a quem o médico teria respondido que não pois quem pintava os cabelos não tinha miolos.

Mesmo assim, dizem que os chineses têm muito respeito pela sabedoria que às vezes aparece com a idade, pelo que não faria sentido estarem a dissimular a vantagem de serem idosos. Ou então essa sabedoria será boa para dar conselhos mas já não tão ideal para funções executivas.

2015-06-13

Iluminação pública, agora com LEDs



Há muito tempo que existe iluminação pública, essencial para a vida citadina. Tendo nascido em 1949 fui testemunhando o uso sucessivo de diversas tecnologias em Lisboa e noutras cidades. No artigo em português da Wikipédia tem alguma informação mas, como habitualmente, a versão inglesa é muito mais completa.

Acho que me lembro de candeeiros com lâmpadas incandescentes iluminando fracamente as ruas, substituídos na Avenida Almirante Reis por lâmpadas fluorescentes tubulares, suspensas no meio da avenida por cabos (presumo que) fixados às paredes dos prédios.

A estas sucederam as lâmpadas de vapor de mercúrio, de uma luz branca muito intensa, que demoravam vários minutos a atingir a intensidade normal.

Depois apareceram as lâmpadas de vapor de sódio que, dada a característica monocromática da sua luz amarela, transformavam as várias cores numa triste sucessão de “cinzentos”. Ouvi até dizer que as pessoas que assistiam feridos nas ruas tinham dificuldade em localizar a presença e a origem das hemorragias, pois o sangue aparecia de cor preta.

As lâmpadas de sódio, cuja principal vantagem era a eficiência energética, foram substituídas por uma versão ainda à base de vapor de sódio mas com outros elementos adicionados para restituírem melhor as cores, se bem que continuando amareladas.

Nas aterragens nocturnas de avião, durante a migração do branco das lâmpadas de vapor de mercúrio para as de sódio, era engraçado ver alguns bairros ainda com lâmpadas de uma cor e outros com a outra, pois estas mudanças faziam-se progressivamente.

Agora que há bastantes anos já estava tudo amarelado parece que iremos regressar à luz branca, com a introdução das novas lâmpada com LEDs (Light Emmitting Diodes). Nos Olivais Sul já instalaram dois novos tipos de candeeiros, com uma luz branca agradável e intensa.

Por enquanto só vi candeeiros com uns 3 ou 4 metros de  altura para iluminar passeios longe de faixas de rodagem como este, que fotografei em Abr/2015


que mostro mais ampliado


Comparo aqui as intensidades luminosas de um candeeiro antigo à esquerda e do novo com LEDs à direita

  

Noutro dia com mais sol voltei a fotografar o mesmo candeeiro


Passados ums dias vi outro modelo de candeeiro, também nos Olivais Sul




Dada a flexibilidade desta nova tecnologia existem grandes possibilidades para os projectistas de candeeiros com LEDs.

2015-06-09

A cica, dois anos depois, as mentiras dois anos depois


A cica parece ter entrado na normalidade, regularmente por esta altura do ano nasce mais um conjunto de folhas, constatei que há dois anos as folhas novas apareceram em 30/Jun, este ano no dia 8/Jun já estavam no mesmo estado de desenvolvimento, ou é deste calor recente ou da planta que estará mais robusta como se vê aqui, contra um relvado com falta de água



e aqui numa vista quase vertical




Uma das razões porque me tenho dedicado mais às plantas é porque me cansei há muito tempo das mentiras do actual governo, esperando pacientemente pelas próximas eleições para ver se sai.

Fazendo a busca da palavra "mentiras" neste blogue chega-se a estes 3 posts, 2 deles sobre o actual governo sendo as mentiras do 3º referentes ao governo do George Bush.

Permaneço na situação descrita nesta frase do post de 2014-04-20:
«Considerando o historial das afirmações dos actuais governantes deixei de considerar quer as suas promessas, quer as suas previsões, quer mesmo as afirmações que fazem, dada a elevada probabilidade de se revelarem falsas ou simplesmente mentiras intencionais para enganar os governados.»

Fui à procura da frase porque o primeiro-ministro hoje mentiu mais uma vez, tendo a desfaçatez de chamar "mito urbano" ao facto bem estabelecido de que aconselhou os portugueses a emigrar, como se pode constatar, por exemplo, aqui.


2015-06-05

Tílias em flor - 2


Há pouco tempo atrás mostrei umas fotos de tílias em flor, tratava-se de uma vista tirada a partir de um ponto acima das copas das árvores.

Nas próximas imagens mostro as vistas a partir do chão, na rua Cidade do Lobito nos Olivais Sul

Primeiro de um conjunto de árvores que cria uma sombra densa e fresca durante o Verão mas que têm de competir entre si pela luz do sol




depois de uma tília quase solitária que embora apresentando uma forma piramidal, como referido no livrinho sobre 25 árvores comuns em Lisboa,




me parecia tão diferente das outras que tiei uma folha de cada uma e passei-as pelo digitalizador, frente e verso, com os seguintes resultados:



que à primeira vista me pareceram bastante diferentes, a folha da primeira linha tem o verso bastante mais claro do que a folha da segunda linha, a da primeira linha parecia-me mais redonda enquanto a da segunda é mais bicuda, a primeira tem uma serrilha do bordo menos regular e pronunciado do que a segunda, estas dificuldades foram uma das causas da minha escolha da engenharia onde os artefactos fabricados industrialmente têm geralmente formas melhor definidas.

Estando na dúvida fui ver melhor as flores e no conjunto de árvores tinha estas flores




enquanto na árvore solitária tinha estas




que embora mostrem algumas diferenças, devidas sobretudo à iluminação, menos abundante na primeira imagem tirada às flores do 1º conjunto de árvores, do que na segunda, tirada à árvore solitária, são flores muito parecidas, ambas pendentes em cachos de pedúnculos como referido no livrinho das 25 árvores e que (batota para o leitor deste texto) tinham o mesmo cheiro.

Convenci-me assim que a árvore solitária era também uma tília e no dia seguinte fui fotografá-la com a máquina fotográfica em vez do iPhone.

Esta foi a primeira foto às flores da Tília solitária




depois a segunda um bocadinho mais próxima




a seguir já um grande plano de apenas uma inflorescência em que esta ficou desfocada mas que mostro na mesma porque gostei muito do verde das folhas e das bolinhas do céu azul, notando-se bem aqui que o pedúnculo da inflorescência sai de uma espécie de folha oval




seguida de uma imagem em que a inflorescência está focada



seguida da mesma mas mais ampliada



e de outra menos detalhada mas com um insecto a polinizar as flores



Entretanto no regresso a casa constatei que havia outra tília ao pé do quiosque que abriu há uns meses na Quinta Pedagógica



e na álea de entrada da Quinta referida existe uma fiada de tílias



Nesta época do ano em que as tílias se adornam de pequenas flores cheirosas, quem está prevenido descobre que existem muito mais tílias do que pensava.

Termino com uma imagem duma inflorescência que fotografei em casa, um dia ainda hei de saber tirar partido das múltiplas capacidades da máquina complicada que comprei e da qual só uso um pequeno conjunto de funcionalidades.





Adenda: o Paulo Araújo do blogue "Dias com árvores" disse-me que efectivamente eu tinha observado duas espécies diferentes e que supõe que em Lisboa, tal como no Porto, a mais vulgarmente plantada seja a tília-prateada, que tem o nome científico de Tilia tomentosa [sinónimo: Tilia argentea]. É a que tem a copa mais larga e arredondada e folhas com o verso prateado. A outra de formato mais piramidal deve ser a Tilia x europaea [sinónimo: Tilia x vulgaris], que é a tília mais comum nos parques de Londres e suponho que noutras cidades do norte da Europa.

2015-06-04

A meritocracia no Benfica (e em Portugal)


Não me interesso por futebol mas há muitos anos chocou-me que o Benfica tenha despedido o Toni no ano em que o Benfica treinado por ele conseguiu ganhar o campeonato. Seguiram-se imensos anos sem qualquer troféu e eu ia-me sempre lembrando do Toni sentido, a falar da injustiça de que fora vítima.

Agora passa-se o mesmo com o Jesus que vai treinar o Sporting nos próximos 3 anos. Deve ser por estas e por outras que se fala tanto na necessidade de premiar o mérito. É que em Portugal ainda não se consegue. A avaliação do desempenho raras vezes se cinje à avaliação do cumprimento de objectivos. Não nos conseguimos livrar da arbitrariedade do Príncipe.

2015-06-03

Preconceito - 3, Yuja Wang ou melhor, Wang Yuja


De vez em quando falo neste blogue de preconceitos, normalmente dos meus. Embora sejam muitas vezes justamente criticados têm o seu lado útil pois, dadas as nossas limitações humanas para verificar os vários detalhes da informação que nos chega, são muito convenientes para aumentar a velocidade de processamento de informação.

Por exemplo, quando compramos actualmente um produto industrial de grande consumo, é muito provável que tenha sido fabricado na China, é quase uma perda de tempo verificar onde foi feito. Claro que esse preconceito poupa-nos tempo mas dificulta-nos tomar conhecimento de novos países onde a produção industrial está a aumentar.

Em relação aos turistas do "Extremo Oriente" (tudo isto é um bocado delicado, não estou a contar com os indianos) na Europa houve um tempo em que todos eles eram japoneses, mas a certa altura começaram a aparecer os de Hong-Kong, de Taiwan e da Coreia. Depois começaram a aparecer uns turistas asiáticos com uma roupa que ainda fazia lembrar a moda chinesa do tempo do Mao Tsé Tung. Os chineses agora já não parecem saídos da Revolução Cultural, estabeleceram muitas lojas em Portugal e têm comprado cá várias empresas importantes e muitos apartamentos.

Há bastante tempo que se viam asiáticos a trabalhar em orquestras de música clássica ocidental mas, de uma forma geral podia-se assumir com razoável certeza que eram japoneses.

Foi esse preconceito que me levou a considerar que a Yuja Wang,


que tem esta interessante variação da Marcha Turca de Mozart, a que cheguei pelo 2 Dedos de Conversa que ma mostrou pela primeira vez, seria japonesa.
 
Na Wikipédia constatei que afinal nascera em Pequim, tendo tido a sua formação musical na China. Não tenho capacidade para a avaliar mas gostei de a ouvir tocar e tem apreciações entusiásticas que a consideram das melhores pianistas mundiais. A partir de agora já não poderei atribuir automaticamente a nacionalidade japonesa aos intérpretes asiáticos de música clássica ocidental.

O próprio nome de família (Wang) é um nome chinês e eu devia ter reparado nesse pormenor.

Há um hábito que tenho constatado no Ocidente de inverter a ordem usada pelos chineses no nome de uma pessoa. Enquanto no Ocidente é hábito pronunciar primeiro o nome próprio e depois o nome de família, na China a convenção é oposta: dizem primeiro o nome da família e só depois o nome próprio. Por exemplo em Mao Zedong (ou Mao Tsé-Tung como se costumava dizer em Portugal) o nome Mao era o nome da família e não o nome próprio. À primeira vista parece-me um bocado abusivo inverter a convenção chinesa do nome quando se refere uma pessoa chinesa no Ocidente.

Existem muitos concertos dela disponíveis na internet no Youtube.


2015-05-28

Tílias em flor


Depois dos Jacarandás, que já estão cheios de flores em Lisboa e antes das flores amarelas das Tipuanas Tipus aparecem as flores das Tílias que, se bem que visualmente discretas, exalam um perfume doce muito agradável durante umas duas semanas.

Hoje senti pela primeira vez esse perfume na Rua Cidade do Lobito nos Olivais Sul. Pena não serem comuns (talvez já existam) os PCs com emissor de cheiros.

Inicialmente mostrei aqui foto tirada com o telemóvel, havia pouca luz, não ficou nítida. Em 1/Jun tirei foto com máquina fotográfica e deixo aqui o resultado com imagem "original"




e depois ligeiramente ampliada:



2015-05-26

O aparecimento das folhas de uma árvore


No final do Inverno do ano passado dei uns passeios a pé aos domingos pelos Olivais Sul e, tendo observado o aparecimento das primeiras folhas em algumas árvores pensei em fotografar com uma periodicidade semanal o estado de uma árvore enorme que já referi aqui e que, pelo que li num post do "Dias com árvores" parece-me agora que será um Populus x canadensis, enfim, uma variedade de choupo.

Tirei fotos cerca das 11:00 em 2014-03-09 (Domingo), em 2014-03-16, em 2014-03-29 (um Sábado, 2 semanas depois), em 2014-04-08 (uma terça-feira) e talvez já farto interrompi a série e tirei uma final (na Primavera seguinte) em 2015-05-08 da parte da tarde, em princípio com as folhas em estado estacionário (nem a aumentar nem a diminuir).

Foto de 2014-03-09:




Foto de 2014-03-16:




Foto de 2014-03-29:




Foto de 2014-04-08



Foto de 2015-05-08





2015-05-25

Origami de "pequeno dodecaedro estrelado" (dir-se-á assim?)



O Museu do Oriente anda a promover uma série de conferências de Mestres do Origami, como por exemplo esta do mestre Kunihiko_Kasahara.

Não frequentei este curso mas através da Wikipedia cheguei ao conhecimento da existência dos "modular origami", origamis feitos com origamis clássicos (produzidos a partir duma folha de papel dobrada) que se encaixam uns nos outros para produzir o "Origami modular".

Fiquei também a a conhecer o "small stellated dodecahedron" (pequeno dodecaedro estrelado?), um poliedro não convexo que se obtém colocando pirâmides de base pentagonal em cada uma das faces dum dodecaedro pentagonal.

Depois vi este filminho no Youtube

 

segui as instruções como se vê na 1ª foto


e concluí a construção (2ª foto),


enquanto via a Quadratura do Círculo, programa de título mais que adequado para se ir construindo sólidos geométricos.

2015-05-21

Logicomix


Este livro de Apostolos Doxiadis e Christos H. Papadimitriou, com arte de Alecos Papadatos e Annie di Donna tem um formato muito original, apresentado sob a forma de Banda Desenhada, falando sobre a procura no século XX de fundamentos sólidos para a Matemática.

Existem uns narradores que vão conversando sobre como será a melhor forma de apresentar o assunto, tendo assim o livro referências a si próprio.

É a  autoreferência que está no âmago dos paradoxos mais difíceis de resolver, é também ela que possibilita a consciência, uma forma de autoreferência que faz parte da essência da nossa humanidade, se bem que existam outros animais que também apresentam consciência.

Tenho-me vindo a aperceber que a percentagem de pessoas com doenças mentais é muito maior do que eu pensava, embora continue a achar exagerada a percentagem de 25% que foi referida na comunicação social como existente em Portugal.

Atribuo essa minha ignorância a um certo pudor, ou medo, ou vergonha em as pessoas se referirem a problemas mentais e não fazia ideia da quantidade de matemáticos ou de familiares de matemáticos que tiveram este tipo de doenças.

O livro refere grandes partes da vida de Bertrand Russel que os autores “usam” como personagem condutora da sua história, uma escolha que me pareceu muito acertada pois ele interagiu com a maior parte dos matemáticos com actividade relevante neste domínio da Matemática. Assim nos “quadrinhos”, na maior parte do tempo, ou aparecem os autores a falar sobre o livro e o tema ou o Bertrand Russel a falar sobre o seu trabalho, a sua vida e os encontros que teve com outros Matemáticos/Filósofos da Lógica.

No final do livro tem umas notas curtas sobre as pessoas de que o livro fala e lá encontramos Aristóteles, Atena, George Boole, Georg Cantor, Círculo de Viena, Ésquilo, Gottlob Frege, Kurt Gödel, David Hilbert,  Gottfried Leibniz, Giuseppe Peano, Henri Poincaré, Bertrand Russel, Alan Turing, John Von Neumann, Alfred North Whitehead e Ludwig Wittgenstein!

Li o livro com muito interesse e recomendo-o vivamente!

* * *

Fui à procura de Gödel neste blogue e encontrei vários posts onde consta o seu nome.

Volto a mostrar um rótulo auto-referente que encontrei no museu do Louvre e que mostrei aqui.



2015-05-20

Alain de Botton – As Notícias: Um manual de utilização



Quando eu  era muito jovem o meu pai comprava-nos livros da colecção Formiguinha e depois da leitura exigia-nos que lhe contássemos a história que acabáramos de ler com as nossas próprias palavras.

Ficou-me daí um pequeno trauma de infância relacionado com a palavra “depois”. Era uma palavra difícil de evitar, na ligação entre os diversos episódios do livro, por vezes o “e depois” podia ser substituído por o “e então”, mas à mais pequena distracção havia sempre um “e depois” que se inseria sorrateirament no discurso.

Não sei se é por esse hábito que neste blogue vou falando dos poucos livros que vou lendo, presumo que deve haver alguma ligação

Neste caso trata-se dum livro do Alain de Botton, filósofo que nasceu na Suíça, que vive em Inglaterra e que tem tido enorme sucesso nos livros que publica e nos programas para a televisão que tem feito.

Claro que com tanto sucesso seria praticamente inevitavel que o viessem classificar como escritor pouco profundo, que dará uma ideia completamente errada dos temas que trata, etc.

Eu não cheguei a ver na íntegra os programas que passaram na TV, nessa altura não havia a facilidade das gravações automáticas mas uma vez que o ouvi falar sobre religião apreciei a interpretação que deu do pecado original e que referi aqui.

Neste livro concordei com a maior parte das observações, faz-me contudo impressão que os defeitos por ele apontados e que são tão numerosos não tenham sido eliminados há muito tempo. A persistência do que parecem ser defeitos gritantes nos meios de comunicação social deve ter raízes mais profundas do que as expostas no livro, caso contrário já teriam desaparecido. De qualquer forma o livro está cheio de recomendações que parecem boas

Os títulos dos capítulos são Prefácio, Política, Notícias do mundo,  Economia, Celebridade, Catástrofe, Consumo e Conclusão.

Passo a citar algumas passagens soltas do livro:

“… as notícias deviam ajudar-nos … a reconciliar-nos com a dificuldade que consiste em sermos capazes de imaginar a perfeição ao mesmo tempo que não somos capazes a garantir – por uma série de razões estúpidas mas inamovíveis”

Claro que o autor refere a predominância das notícias negativas sobre as positivas. Embora estejamos agora no meio de uma crise considerável, o país melhorou imenso desde o 25 de Abril de 1974. No entanto, durante todo esse período de grandes melhorias não se passou um ano em que não predominasse a opinião que caminhávamos a grande velocidade para a nossa ruína.

Esta citação

“Uma gaffe jornalística é qualquer coisa que uma pessoa importante inadvertidamente diz ou faz num momento de distracção – e que (como toda a gente sabe) de modo nenhum reflecte as suas ponderadas opiniões – e à qual os noticiários se aferram, e se recusam a larger, insistindo em que a gaffe é forçosamenteum indicador de uma profunda e vergonhosa verdade”

fez-me lembrar o vergonhoso episódio que se passou com António Guterres quando, após lhe comunicarem que a mulher tinha um cancro no fígado, foi dar uma conferência de imprensa em que se enganou num cálculo mental. A população em geral e os jornalistas em especial teceram considerações idiotas sobre as suas fracas capacidades, criticando com displicência um aluno e politico brilhante!

O autor aponta ainda a confusão entre o que é novo e o que é importante: “O ritmo do ciclo noticioso é implacável. Por muito momentosos que sejam as notícias de ontem – os deslizamentos de terras, a descoberta do corpo meio-escondido de uma rapariga, a humilhação de um politico outrora poderoso-, cada manhã toda a cacofonia começa de fresco.”

No livro tem uma fotografia do autor num bosque de bétulas que mostro ao lado, foi uma coincidência curiosa eu ter mostrado um quadro do Klimt sobre um bosque de bétulas no post anterior

2015-05-15

Klimt



Tenho mostrado poucas obras deste pintor austríaco que muito aprecio.

Depois de dizer em post anterior que não era natural ter árvores solitárias mostro este bosque de bétulas, com cores outonais para variar da actual Primavera



Há uns tempos recebi num e-mail a imagem da esquerda que não conhecia



O uso frequente de dourado por Klimt coloca problemas delicados na reprodução das pinturas, pois o dourado reflecte intensamente a luz, sendo mais afectado pela cor da luz incidente.

Andei à procura de reproduções desta obra pela net e tive dificuldades, aqui encontrei esta versão do lado direito que me parece mais próxima do original, mas que sofreu uns cortes. Na realidade a da esquerda parece-me agora uma cópia tomando muitas liberdades do original. Chama-se “Serpentes Aquáticas I”.

Gostei deste detalhe que mostro a seguir e que me parece ainda mais próximo do original




Há algo que me escapa nas reproduções digitais dos quadros do Klimt.


 




Tenho referido que a reprodução exacta das cores de um quadro é uma tarefa nada trivial.



No entanto o tipo de variação de que são exemplo as duas reproduções acima faz-me pensar na existência de mais do que um “original” da mesma obra, no limite o próprio Klimt poderá ter feito várias versões de um mesmo quadro.



Neste caso a que me parece mais fiel é a que mostro ao lado, que encontrei na Wikipedia desta vez foi um pouco mais difícil, diz que está no palácio Belvedere em Viena e que foi feita entre 1904 e 1907.



Acabo de descobri num livro da Taschen – Público (jornal) as Serpentes Aquáticas I muito parecidas precisamente a esta imagem da Wikipédia:

































De 1904 a 1907, Klimt produziu ainda “Serpentes Aquáticas II” outro quadro lindíssimo que mais uma vez nos dá a ver imagens que parecem tiradas de um sonho (para não dizer "oníricas")



Além dos quadros, Klimt deixou numerosos esboços, alguns deles preparando quadros futuros, outros como fim em si próprios. As mulheres predominam como motivos, quer nos quadros quer nos esboços.

Neste site tem numerosas obras de Klimt, incluindo muitos esboços mais ou menos eróticos de que seleccionei este, talvez precursor de sereias.