2017-09-25

Colocados por género no IST no ano lectivo 2017-18



Vi este gráfico num post do IST no LinkedIn.

Quando passei pelo IST (Instituto Superior Técnico) no período de 1966-1971, no último ano do curso de Engenharia Electrotécnica existiam 4 alunas num universo de cerca de 120. Na Química, curso com maior percentagem de mulheres, a repartição era cerca de 50-50%.

As comparações com a situação actual não são exactas porque naturalmente os curriculos são diferentes e foram introduzidos alguns novos, como por exemplo a engenharia do Ambiente ou a Biológica em que a maioria das pessoas são mulheres.

Constato contudo que após 50 anos, a Engenharia de Telecomunicações e Informática, com os seus 11% de alunas, não aumentou muito os 3% de há 50 anos. Embora as mulheres tenham demonstrado individualmente nesta área uma competência equivalente à dos homens, parece existir uma preferência estatística significativa por outras áreas de actividade.


2017-09-15

O estuário do Tejo como espelho


Vou tirando umas fotos de vez em quando, a maior parte das vezes com o telemóvel, muitas vezes pensando que as vou mostrar neste blogue, mas nem sempre concretizo rapidamente a intenção e as fotos vão ficando nas pastas do PC à espera de serem mostradas.

Desta vez pensei em publicar esta foto de Setembro de 2014, num dia ao fim da tarde,



em que a superfície da água estava como um espelho. Lisboa é uma cidade ventosa e estas situações são menos frequentes e não sendo raras suscitam contudo maior propensão para tirar mais uma foto. Constatei que no meu blogue são frequentes estes espelhos à beira-rio, facilmente acessíveis fazendo busca de “beira-rio”.


Ao ver a foto apeteceu-me dar uma volta à beira-rio mas quando saí de casa apercebi-me que o vento presente não seria compatível com água espelhada. Ao pé do rio confirmei a minha espectativa de ausência de espelho:



Na margem ao pé da água viam-se as aves habituais, desta vez guinchos e alfaiates.


No mesmo percurso, sobre o lodo, vira na véspera duas alforrecas,


que era o nome pelo qual conhecia estes animais quando eles davam à praia no Algarve, tendencialmente em Setembro. Mais tarde conheci o termo “medusa”, na Wikipédia usam o termo “Medusozoa”. Nunca reparara na existência de uma forma em cruz.




2017-09-09

Água de Côco


Recentemente encontrei num supermercado em Portugal um côco objecto de uma adaptação que tornava facilmente acessível a água de côco, tão apreciada nos países em que eles crescem.



Este é um dos efeitos da globalização, é possível agora aceder a alguns produtos no sítio onde vivemos sem precisar de fazer uma viagem de muitas horas. Claro que depois quando viajamos para lugares distantes esses produtos já deixaram de ser um dos motivos para fazer a viagem, mas entretanto temos acesso permanente na nossa terra a uma muito maior diversidade.

Neste caso apreciei muito o conjunto de adaptações que transforma um côco com a sua água num recipiente tão fácil de abrir como uma lata de um refrigerante, côco colocado sobre cilindro de cartão para lhe dar estabilidade e incluindo dentro desse cilindro uma palhinha telescópica que uma vez estendida já não encolhe, mostrando uma enorme atenção ao detalhe.

O côco é produzido na Tailândia e transformado em Espanha (Genuine Coconut), tendo a transformação sido objecto de um prémio  (Fruit Logistica Innovation Award 2016).

Aqui tem um filme explicando como se abre o côco e como depois se pode aceder também à polpa do mesmo.


2017-09-06

O obscurantismo em Portugal


Noutro dia alguém me enviou num e-mail este texto execrável escrito por uma aristocrata portuguesa em 1927, portanto há 90 anos:




De vez em quando deploro e lamento esta vergonha nacional do analfabetismo em Portugal em pleno século XX e costumo sempre referir que essa é a pesada herança que nos deixou Salazar e seus entusiásticos apoiantes e não o ouro entesourado no meio da profunda miséria da sociedade portuguesa durante a maior parte desse século.

É evidente que a existência de tantos analfabetos num país dum continente onde todos os outros países tinham reduzido a taxa de analfabetismo a valores residuais deveria coexistir com opiniões obscurantistas como a que acabo de transcrever.

Porém, nos tempos que correm é muito fácil pôr a circular textos forjados na Internet pelo que “googlei” o nome da alegada autora do texto tendo chegado a uma entrada da Wikipédia que curiosamente apenas existe em língua inglesa.

Constatei portanto que a pessoa existira e que embora tenha dedicado tempo a criar literatura para crianças e a escrever livros sobre como governar uma casa e como educar os filhos, deveria considerar os seus como feios, fracos e pouco saudáveis em comparação com os alegadamente melhores representantes da alma portuguesa, os nessa altura 75% de analfabetos.

Através dessa busca cheguei também a um artigo muito interessante de Maria Filomena Mónica, publicado em 1977 na revista “Análise Social” intitulado “«Deve-se ensinar o povo a ler?»: a questão do analfabetismo (1926-39)” e disponível no link do título.

Achei o artigo muito esclarecedor sobre as opiniões em confronto, não tive disposição (ou arte) para fazer um resumo do mesmo mas não resisti a transcrever partes do texto de 33 páginas, para estimular uma leitura completa:

«
1. A QUESTÃO DO ANALFABETISMO
O debate que se realizou na Assembleia Nacional em 1938 constitui uma das mais importantes fontes da ideologia salazarista no que respeita à educação popular. A Assembleia reuniu para discutir a reforma da instrução primária do ministro Carneiro Pacheco, Mas a discussão deu lugar a uma desenvolvida e reveladora exposição da nova ideologia oficial, que negava os mais caros princípios pedagógicos do liberalismo e do republicanismo e, consequentemente, o ideal de um sistema de escolaridade obrigatória e gratuita.
 

a) AS «CAUSAS» DO ANALFABETISMO
O facto de, em 1930, em cada 100 portugueses 70 não saberem ler chocava algumas pessoas e, simultaneamente, tranquilizava outras. Para os sectores mais progressivos da intelligentsia portuguesa, que sempre se haviam envergonhado com uma taxa tão alta, o analfabetismo era o principal obstáculo ao desenvolvimento do País. Para os salazaristas, porém, era uma virtude.
...
Os salazaristas ressuscitaram a crença tradicional (para cuja divulgação durante o século xix contribuíra, entre outros, Ramalho Ortigão) de que o povo português «não sentia necessidade de aprender». Mas os republicanos adoptaram a explicação, não menos convencional, de que o analfabetismo se devia aos padres, à «reles canalha da batina»
.
»

Um pouco depois refere o texto de Virgínia de Castro Almeida que mostrei acima, comentando-o desta forma:
«
 Em 1807, o presidente da English Royal Society usara exactamente os mesmos argumentos para combater a proposta de lei relativa à introdução de escolas elementares em Inglaterra. Mas isso fora em 1807.
»

e sobre a igualdade prossegue:
«
Alguns sociólogos contemporâneos mostraram como as sociedades industriais avançadas utilizam o sistema escolar para legitimar as desigualdades sociais, fundando-se na ideologia meritocrática segundo a qual as posições privilegiadas são acessíveis a todos os indivíduos de igual talento.
As sociedades democráticas, em especial os Estados Unidos da América, sentiram a necessidade de justificar as profundas desigualdades económicas que nelas se mantêm, apesar dos proclamados ideais de liberdade, fraternidade e igualdade. Uma das formas possíveis de justificação residia em explicá-las por diferenças individuais inatas de capacidade intelectual, como reveladas pela selecção escolar. Sendo a transferência de status por via hereditária condenada pela ortodoxia do poder, passou a considerar-se a diferenciação social como produto de aptidões individuais.
A visão salazarista da sociedade como uma estrutura hierárquica imutável conduziu a uma concepção diferente do papel da escola: esta não se destinava a servir de agência de distribuição profissional ou de detecção do mérito intelectual, mas sobretudo de aparelho de doutrinação. Para o salazarismo não havia, aliás, qualquer razão para justificar as desigualdades económicas, que eram inevitáveis e instituídas por Deus, E convinha até, pelo contrário, rebater as falsas ideias do passado que apresentavam a escola como a «grande niveladora». Salazar afirmava mesmo categoricamente que a educação, só por si, pouco nivelaria, ou seja, que numa sociedade naturalmente hierarquizada, a educação pouco poderia contribuir para uma maior igualdade

»
prosseguindo
«...
O ataque mais articulado contra a escola única surge em 1928 pela pena de Marcello Caetano. Vamos analisá-lo em certo pormenor,
...
Deste modo, M. Caetano, reconhecia, e aceitava, o papel que os factores sociais desempenhavam no desenvolvimento intelectual, mas para negar a  possibilidade de mobilidade ascendente. Nas suas próprias palavras: «Uma criança inteligente, filha de um operário hábil e honesto, pode, na profissão de seu pai, vir a ser um trabalhador exímio, progressivo e apreciado,  pode chegar a fazer parte do escol da sua profissão, e assim deve ser.» Cada classe possuía a sua hierarquia interna, nos limites da qual o mérito contava. Num sentido mais lato, porém, o  status era herdado.
Nestas condições, a escola única acarretaria desastrosas consequências para os indivíduos que através dela se promovessem. Filho de operário que «subisse» por intermédio da «escada educacional» pagava um alto preço: «
Seleccionado pelo professor primário para estudar ciências para as quais o seu espírito não tinha a mesma preparação hereditária que tinha para o ofício, não passaria nunca de um medíocre intelectual, quando muito um homem sábio, mas incapaz de singrar na vida nova que lhe [haviam indicado] sem o ouvir.»
»
 Pensaram em punir os analfabetos para acabar com o analfabetismo

«... No entanto, só uma pena foi instituída por lei: em 1929, um decreto proibiu os analfabetos de emigrar. Mas nunca se cumpriu.
...
»

não me parecendo que isso fosse uma punição mas antes uma manifestação de apreço: a nação não podia prescindir desse recurso tão apreciado que constituíam os seus analfabetos.

Referindo depois a reforma de 1937
«
 A reforma de Carneiro Pacheco, de 1937, coroou todas as tentativas anteriores de cristianizar a escola e realizou as aspirações mais reaccionárias quanto à redução do currículo escolar e à supremacia da religião no ensino. Nas palavras do Diário da Manhã, a escola podia finalmente devotar-se a «formar o espírito e o carácter da criança», livre das «preocupações enciclopedistas», que tanto a haviam prejudicado. Como um inspector escreveu por essa altura, parafraseando a doutrina oficial, «por muito que se glorifiquem as letras do alfabeto, convençamo-nos de que a luz que delas irradia só perdurará se atingiras consciências e puder fecundar as almas. O nosso trabalho há-de consistir principalmente em prover as crianças de sólidas virtudes cristãs, entre as quais o amor ao trabalho, a disciplina da ordem e a alegria de viver.» A trilogia final sintetiza o programa do Estado Novo para a escola primária.
»
e a redução da escolaridade obrigatória

«
Dois corpos de legislação merecem ser aqui mencionados, porque estabeleceram as principais transformações que o Estado Novo introduziu no sistema escolar primário. Com a justificação de que era necessário reduzir as despesas públicas e impedir a «acumulação» de um número excessivo de alunos nos liceus, reduziu-se a escolaridade obrigatória, primeiro para quatro119 e depois para três anos120. Esta redução foi acompanhada da limitação das matérias ensinadas, de acordo com a doutrina de que «saber ler, escrever e contar é suficiente para a maior parte dos Portugueses.» E, como não fazia sentido transmitir muitos conhecimentos a alunos que apenas viriam a desempenhar trabalhos servis, tudo o que ultrapassava as aptidões mais elementares passou para um sistema «complementar», que, encerrado em 1932, não voltou a abrir. O Decreto-Lei n,° 27 279 definia claramente a nova ortodoxia: «O ensino primário elementar trairia a sua missão se continuasse a sobrepor um estéril enciclopedismo racionalista, fatal para a saúde moral e física da criança, ao ideal prático e cristão de ensinar bem a ler, escrever e contar e a exercer as virtudes morais e um vivo amor a Portugal.»
»

A espécie humana conseguiu, através do estabelecimento de regras, procedimentos e valores de diversa natureza, obter progressos muitíssimo mais rápidos do que os que conseguem ser introduzidos no ADN da espécie, através da selecção natural de mutações favoráveis, que precisam de milhões de anos. Mas estes progressos, se bem que rápidos, não alteram a natureza humana pelo que precisam de um esforço de manutenção permanente para evitar retrocessos e/ou evoluções em sentidos desfavoráveis.

A conquista da alfabetização generalizada da população foi um enorme progresso que tem que ser defendido.



2017-08-29

Sobreiro em relvado algarvio


É algum atrevimento da minha parte classificar esta árvore isolada no meio dum relvado dum aldeamento algarvio como um sobreiro, apenas porque me pareceu que o tronco estava revestido de cortiça


é um contraponto às fotos em que aparece um sobreiro solitário no meio duma planície imensa do Alentejo, aqui é no meio dum jardim



e gostei das folhas iluminadas:




2017-08-28

Palmeiras em Alvor


Tenho tido limitações quantitativas no acesso à internet que estão agora menos rígidas.

Mostro a seguir umas palmeiras que vi no caminho para a praia dos 3 Irmãos, em Alvor, concelho de Portimão



2017-08-12

Crepúsculos na Praia da Rocha


Tirei esta foto (um diapositivo) com uma máquina analógica Olympus OM-1, com objectiva de 50mm, a minha primeira e única máquina até aparecerem as digitais, em Setembro de 1974 e já a mostrara num post deste blogue em Dezembro de 2008.



No passado 10/Ago passei pelo mesmo local e não resisti a tirar outra foto, desta vez com o telemóvel que tem uma grande (ou mesmo enorme) angular



Naquele Setembro de 1974 o ar estava mais límpido e haveria talvez menos luminosidade ou então o telemóvel compensou a falta de luz. O horizonte estava mais vermelho, e o mar também estava espelhado, como é frequente no Verão ao fim da tarde quando acalmam as brisas locais.

Não consegui usar o mesmo enquadramento e as experiências que fiz para alterar a cor não foram bem sucedidas, encontrei cores muito "forçadas", a de 1974 tem uma certa "patine", quase a preto e branco.

A vista da praia mudou muito menos do que a vista das construções que felizmente não aparecem em nenhuma das imagens. A água entrava mais pela praia adentro ao pé do miradouro (e provavelmente em toda a praia) e não existia o pontão de pedras a ligar este ao "gémeo" (designação dada aos dois pequenos rochedos de forma cónica em frente do miradouro) mais próximo.

Gosto muito dos fins de tarde.

2017-08-07

Calor de Palmeiras


Estas palmeiras, que julgo serem uma espécie importada das ilhas Canárias e que são muito comuns em Portugal, foram há uns anos vítimas dum parasita que matou uma data delas.

Uma pessoa associa estas plantas a climas quentes embora aguentem bem os nossos invernos.

Gostei de ver este exemplar sobrevivente iluminado pelo Sol ao fim da tarde em Portimão, com a lua quase cheia sobre o céu ainda azul.




Não estava um calor de ananases mas estaria um de palmeiras.


2017-08-06

Tom Gauld: A Realidade é uma ilusão mas...


Vi esta imagem


no blogue do embaixador, lembrou-me "A condição humana" do Magritte.

Depois fui à procura dela no Google Images com uma parte da frase (Reality is an illusion entirely within the human mind, but it's the only place you can get a decent cup of coffee.) e encontrei-a rapidamente. Foi feita por Tom Gauld, cartoonista escocês, de que seleccionei esta representação da respectiva biblioteca


e esta descrição de duas nações em guerra
 


2017-08-05

Calor de ananases


Era quase noite escura saímos de casa para tentar apanhar um bocadinho de fresco no molhe da Praia da Rocha.

Havia uma brisa leve que por vezes trazia umas sugestões de frescura, o horizonte estava fotogénico e só tinha o telemóvel à mão


 Não é habitual ver pessoas a passear na praia a refrescar os pés à beira-mar nesta hora do dia, o céu foi clareado pelo telemóvel



 a mesma imagem fazendo um zoom




2017-08-02

As Sultanas


Na minha primeira viagem à Índia em 1990 tomei conhecimento da existência dos livros de viagem “Lonely Planet”, criados por um casal de autralianos que começou por viajar por sítios baratos no Extremo Oriente e que com o sucesso obtido expandiu o número de países cobertos pela colecção, cujas publicações devem hoje cobrir o mundo todo.

Além dos conselhos de viagem propriamente ditos os livros incluem sínteses históricas de enorme qualidade, com um estilo bem disposto mas descrevendo o essencial, que tenho lido sempre com muito interesse em cada livro que tenho comprado.

Foi talvez aí que tomei conhecimento das dificuldades para encontrar sucessor nos impérios Otomano, da Pérsia e da Índia, situação claramente devida à existência de um harém com numerosas concubinas e numerosos herdeiros potenciais da coroa, dos quais o soberano escolheria um.

Os primogénitos corriam muitas vezes o risco de serem preteridos por filhos de concubinas mais jovens e mesmo que não estivessem interessados em suceder ao pai viam-se na obrigação de se defender dos irmãos ( e vice-versa) que os viam como uma ameaça potencial que precisava de ser eliminada.

Quando existe um harém, a situação de esposa favorita é quase sempre transitória, a própria existência do harém constitui uma pressão social para que o governante não se fixe numa única esposa. Daí a importância da frase “mãe há só uma”, a mãe do sultão, lugar almejado por boa parte das mulheres do harém.

Percebe-se assim melhor as vantagens para os cortesãos menos ambiciosos do modelo de sucessão ocidental em que o direito do primogénito ao trono era muito poucas vezes posto em causa, os cortesãos não tinham que tomar partido por um dos pretendentes, evitando assim o risco enorme de escolherem o lado perdedor, perdendo o lugar na corte, a riqueza e provavelmente a vida. No Ocidente bastava um primogénito, desejavelmente alguns irmãos legítimos para o caso de doenças mortais e os filhos bastardos fora do concurso para a herança do trono.

Lembrei-me disto tudo julgo que na sequência dos comentários recentes sobre os filhos do Cristiano Ronaldo criados em barrigas de aluguer e nalgumas analogias e diferenças entre o famoso jogador e os sultões do império Otomano.

Deixo a seguir uma imagem de uma das numerosas salas do harém no palácio de Topkapi em Istambul




2017-07-25

Un Ciel de Magritte


Na última viagem à Bélgica fui visitar o museu do Magritte e constatei que os céus azuis dos quadros dele costumam ter umas nuvenzinhas brancas como se constata neste conjunto de quadros



Depois vi que certamente se inspirava no céu azul de Bruxelas, que em vez dum azul liso como em países mais para o Sul costuma apresentar umas nuvenzinhas, como se pode constatar na foto que tirei ao céu no Museu do Magritte em Bruxelas, com o Atomium ao fundo a certificar o lugar da 2ª imagem



No Mont des Arts deparei-me entretanto com este caminho de árvores que me pareceu digno, com alguns retoques, dum quadro surrealista, com o caminho que não leva a lugar nenhum, a parede do lado esquerdo num azul muito claro fazendo lembrar o céu e um céu, perdão um tecto, verdejante e denso



2017-07-17

O esquerdista acidental

 Este meu texto foi publicado inicialmente em 14/07/2017 neste post do blog "Delito de Opinião"

«
O esquerdista acidental

Na vida das sociedades existem duas tendências antagónicas, para a mudança e para preservar o que se alcançou.

Poderíamos dizer que a primeira é progressista e a segunda conservadora. Mas tratam-se de classificações apressadas porque por vezes as mudanças são feitas para regressar a situações anteriores enquanto o progresso se faz encontrando soluções inovadoras.

Existe outro par de tendências antagónicas que corresponde melhor à distinção entre esquerda e direita, enquanto a esquerda sublinha a igualdade essencial de todos os seres humanos a direita sublinha as diferenças entre seres humanos, que também são essenciais à humanidade, somos todos iguais mas também todos diferentes.

A origem da classificação esquerda/direita vem da revolução francesa em que os deputados do lado esquerdo da assembleia davam prioridade à igualdade enquanto os do lado direito davam prioridade às diferenças vincadas entre as classes sociais que existiam no anterior regime.

Como a distribuição da riqueza era então muito desigual em relação à contribuição de cada um, a esquerda foi conotada em toda a parte com o desejo de mudança enquanto a direita com a manutenção do statu quo.

Mas quando após muitos anos as mudanças introduzidas pela esquerda começaram a ser consideradas excessivas nalguns países, observou-se uma maior apetência pela mudança pela parte da direita enquanto a esquerda se batia pela manutenção das regras entretanto estabelecidas.

Talvez tenha sido a revolução industrial ocorrida na Europa que criou condições para uma partilha da riqueza muito mais equitativa do que a que existira na Idade Média. Em Portugal a revolução industrial foi muito tímida, devido à nossa situação periférica, à catástrofe pombalina da educação (de repente 20000 alunos do “secundário” ficaram sem professores devido à expulsão dos Jesuítas), às lutas entre absolutistas e liberais no século XIX. Na primeira metade do século XX tão pouco houve grandes progressos em Portugal, tendo chegado a 1950, metade do século XX, com uma pobreza confrangedora e uma taxa de analfabetismo de 42% (fonte: António Candeias et al. (2007): Alfabetização e Escola em Portugal nos Séculos XIX e XX. Os Censos e as Estatísticas, mostrada na tabela a seguir), um valor único e inacreditável na Europa a que alegadamente pertencíamos!

Ano    Analfabetismo Variação
1900            73%              -----
1911            69%              -4%
1920            65%              -4%
1930            60%              -5%
1940            52%              -8%
1950            42%            -10%
1960            33%              -9%
1970            26%              -7%
1981            21%              -5%
1991            11%            -10%
2001              9%              -2%

Devido a esta herança de falta de formação que temos tido dificuldade em encontrar profissionais competentes quer na prestação de serviços quer na manutenção de máquinas, sendo preferida a solução de deitar fora e comprar novo, muitas vezes representando um desperdício de capital.

Mesmo agora sofremos deste handicap, quer na manutenção quer nas despesas de funcionamento corrente, como por exemplo no sistema de videovigilância dos paióis de Tancos que estava há dois anos avariado antes do roubo de há dias, no SIRESP que tem má performance nas situações de crise em que teria maior utilidade, na falta de verba para manutenção e funcionamento dos aparelhos de ar condicionado das escolas reabilitadas no programa da Parque Escolar, etc.

Claro que o esforço na formação deu os seus frutos, a qualidade e consistência de muitos serviços melhoraram imenso nestes últimos 40 anos, como por exemplo no serviço nacional de saúde, no ensino, no fornecimento da electricidade, da água, do gás, dos telefones do acesso à internet, no saneamento, no tratamento do lixo e em tantos outros sectores que costumam ser noticiados apenas quando ocorrem grandes problemas.

Mas partindo tão atrasado o país continua na cauda da Europa em muitos indicadores e uma pessoa com tendências conservadoras como eu, que aprecia ver as coisas a funcionar consistentemente bem, não se pode dar por satisfeita apenas com o que se alcançou, vendo-se forçada a apoiar mudanças para uma distribuição mais equitativa da riqueza, que ainda está mais desigual do que a média da União Europeia, sendo a razão principal do nosso atraso.

Ou numa frase: para ser conservador era preciso que o país estivesse muito melhor.

É o que me torna num esquerdista acidental.

jj.amarante
»


2017-07-13

Captador de Sonhos




Reparei pela primeira vez no objecto da figura ao lado numa banca de rua numa noite de Setembro de 2014 na Praia da Rocha.

Fiquei intrigado com o objecto mas por qualquer motivo optei por não perguntar do que se tratava, tirei uma foto com o telemóvel e mais tarde fui procurar informação à internet via "Google Images".

Embora já usasse o Google para identificar imagens de quadros e de edifícios julgo ter sido a primeira vez que o usei para identificar objectos.

Li que se tratava de um "Dreamcatcher" que agora achei que se poderia traduzir por "Captador de Sonhos".

É um dispositivo inventado numa tribo de índios da América do Norte e tem como objectivo proteger as crianças de eventuais maus sonhos.

Os sonhos bons sabem como passar pelo dispositivo que apenas impede a passagem dos pesadelos, que ficam presos na teia de aranha desfazendo-se ao nascer do dia.

O dispositivo protector é colocado sobre a cama da criança e as penas servem para mostrar a presença de movimentos do ar, como mobiles.

É curioso como estes objectos perduram nesta época tecnológica, quero crer que as pessoas os usam apenas pelo efeito decorativo, mas não tenho a certeza que esse cepticismo seja universal.

Entretanto vejo-os agora com cada vez maior frequência.

E gosto da forma estilizada da teia no círculo maior.


2017-07-10

Um espada americano


Já tenho bastantes anos e lembro-me de haver um tempo, provavelmente desde o fim da 2ª Grande Guerra em 1945 até talvez ao fim da década de 60, em que os enormes carros americanos eram gabados com expressões como "que grande espada!", que se poderia aplicar a este modelo que vi em Tavira em Julho de 2014.


Foi agora confirmar que existia um filme chamado "La belle américaine", uma comédia francesa em que a bela americana era uma viatura que ia passando de mão em mão.

Entretanto a indústria automóvel da Europa recuperou depois da devastação da guerra e os carros americanos foram perdendo o prestígio que tinham em favor dos carros europeus, de dimensões mais compatíveis com as ruas estreitas de algumas cidades antigas, bem desenhados e com consumos de combustível em níveis razoáveis enquanto os consumos típicos destes carros americanos andavam pelos 30 litros aos 100 km.

A classificação passou então de "grande espada" para "grande banheira" o que não deixa dúvidas sobre a perda de prestígio.

Agora que se tratam de carros históricos que se vêem raramente, à excepção de Cuba onde continuam a circular, gostei de rever este que no seu exagero mantém a sobriedade possível.


2017-07-09

As férias de um primeiro-ministro



Julgo já ter dito que de uma forma geral acho os portugueses são excessivamente críticos em relação aos governantes. Na vida dos políticos deve haver uma primeira fase em que são treinados pelos eleitores para ficarem cada vez mais insensíveis às críticas que sobre eles caem. Na segunda fase, quando os políticos já desenvolveram uma carapaça para sobreviverem às críticas, os eleitores queixam-se de eles não as ouvirem.

O actual primeiro-ministro, na sua viagem oficial à Índia foi "apanhado" pelo falecimento de Mário Soares. Talvez por isso escolheu desta vez para férias um lugar próximo, em Palma de Maiorca, sítio de onde poderia regressar a Portugal muito rapidamente. O sítio parece-me geograficamente adequado.

Imensos críticos consideram que alterar as férias programadas há muito criaria um ambiente de crise desproporcionado em relação à possível contribuição de António Costa para resolver as falhas que existiram na tragédia de Pedrógão e no roubo de armamento em Tancos. Talvez por isso afirmam que o PM deveria ter suspendido as férias, provavelmente para lhe poderem fazer perguntas a que ele ainda não está em condições para responder dado que ainda decorrem  os inquéritos ao que se passou.

Eu considero que o PM fez muito bem em ir gozar estas curtas férias de cerca de uma semana e faço votos para que recupere um pouco depois destes incidentes que revelaram mais uma vez algumas fragilidades do país.

Não faço ideia onde o PM está em férias, este ambiente nos arredores de Palma de Maiorca pareceu-me na altura agradável


bem como este restaurante numa pequena ilha em frente duma praia


 Contudo, o panorama por trás dessa mesma praia dava a sensação de ser um sítio talvez sobrepovoado na época alta, tirei as fotos em 16/Jun/2007, altura do ano ainda com pouca gente na praia.



2017-07-06

Olivais Sul


Em 20/Abr/2014 fotografei este arbusto florido cujo nome desconheço ao pé da vedação da Quinta Pedagógica do lado exterior da mesma.


A foto foi tirada com o meu telemóvel e está sobreexposta na parte de cima. Tentei melhorá-la reduzindo o factor gama de 1,0 para 0,75




Depois, na versão original enquadrei apenas uma parte de baixo e reduzi ligeiramente o brilho, obtendo o que parece ser uma foto de outra cena


2017-06-30

Beira-Rio (Tejo) - 4


Estas fotos foram tiradas em 15/Abril/2014 ao fim da tarde no passadiço de madeira que bordeja o rio Tejo no Parque das Nações depois de passar por baixo da ponte Vasco da Gama e a caminho da foz do rio Trancão.

Na primeira vêem-se flores do trevo, de cor branca mais comum e algumas com tons rosados


na segunda só há flores de trevo brancas e 3 florinhas roxas e uma amarela do lado direito a "marcar posição"




e na terceira ficaram uma umbelíferas, iluminadas pelo sol poente




2017-06-29

Torre de Belém no crepúsculo


Tenho umas tantas fotos que já tirei há uns tempos e que têm ficado por publicar neste blogue, suspeito por alguma preguiça, por não me ocorrer grande coisa a dizer sobre elas, por dúvidas em publicar numa altura em que existe tanta publicação, etc.

Receio que as publique agora principalmente por já estar farto de as ver como reserva para serem publicadas.

Neste caso trata-se da Torre de Belém, um magnífico ex-libris de Lisboa, acho que a visitei pela primeira vez numa visita de estudo do 1º ano do Liceu, ainda fiz uns desenhos como TPC (Trabalho Para Casa) mas felizmente para os leitores deste blogue perdi-lhes o rasto.

Os crepúsculos nesta parte da cidade são notáveis, com a silhueta da Torre de Belém a recortar-se sobre o céu com cores espectaculares. Não sei se isto será bem um crepúsculo ou um pôr-do-sol, as cores são as captadas pelo telemóvel, só por acaso serão exactas, mas acredito que poderão ser parecidas com a realidade. As fotos foram todas tiradas em 3/Fev/2013, a 1ª às 18:20, a última às 18:21.







2017-06-28

Gansos em fila indiana


Enquanto espero pelos resultados dos vários rigorosos inquéritos em curso deixo aqui uma imagem de Gansos a nadar em formação, não fazia ideia que fossem tão  disciplinados




2017-06-23

São rosas...






Visitei a Bélgica por uns dias onde passei por esta t-shirt marota que me fez lembrar a história do milagre que se conta com o rei D.Dinis e a rainha Santa Isabel em que levando ela qualquer coisa escondida teria dito ao marido "...são rosas senhor...".


A roupa, além de proteger do calor ou do frio e de outros agentes externos que podem agredir a pele, tem também a função de tapar/destapar partes do corpo e de eventualmente chamar a atenção para o que está tapado.


Googlei (roses t-shirt) e este modelo da H&M não apareceu. Nenhum dos encontrados tinha as rosas assim colocadas.







Posteriormente em Bruxelas passei por uma loja de roupa com raízes culturais magrebinas e constatei que também nesses nossos vizinhos se tenta por vezes chamar a atenção para o que está tapado.





2017-06-22

O mistério português


Chegou-me numa "cadeia" de mail um texto publicado no jornal "La Vanguardia" um texto em espanhol sobre Portugal e os Portugueses com alguma graça e perspicácia, em que apreciei sobretudo esta parte do texto:

«...
¿Cuáles son los retos actuales de la portugalidad? El lector ya se ha dado cuenta de que, en realidad, Portugal es un país inviable. Siempre lo ha sido. 
...»

Googlei esta parte e cheguei a este sítio com o texto que vinha no e-mail, publicado no jornal referido em 23-IX-09 da autoria de Gabriel Magalhães.

Na Aletheia tem esta nota sobre o autor: "Gabriel Magalhães nasceu em Luanda, em 1965. Em 2009, foi galardoado com o Prémio de Revelação da APE, na categoria de Ficção, pelo romance Não Tenhas Medo do Escuro. Autor de Madrugada na tua Alma, editado pela Alêtheia em 2012. É professor de literatura na Universidade da Beira Interior, na Covilhã. Casado e pai de uma filha. Colabora no jornal La Vanguardia, de Barcelona."



2017-06-11

Micro-tosta de queijo, tomate-cereja e orégãos


Em cima duma fatia de pão de forma sem côdea colocar fatias finas (cerca de 2mm) de queijo da ilha para cobrir o pão.

Cortar dois tomates cereja em 9 pequenas rodelas, notar que não é por acaso que chamei a isto uma micro-tosta.

Dispor as 9 rodelas numa matriz de 3x3. Polvilhar com orégãos. Levar ao forno a 170ºC e deixar fundir o queijo. Retirando do forno fica assim



Corta-se para individualizar cada rodelimha de tomate, ficando assim:



Dadas as quantidades quase infinitesimais talvez não engorde.




2017-06-10

Mausoléu de Khomeini


Fui ao Irão em Maio/2010, com receio de mais outra intervenção americana que partisse o país todo, à semelhança do que acontecera no Iraque, incluindo as ruínas do império persa do tempo de Dario e Xerxes e a deslumbrante arquitectura quer laica quer religiosa que tive a oportunidade de mostrar neste blogue em vários posts.

No regresso a Teerão vindos de Isfahan passámos pelo Mausoléu (35°32'56.38"N, 51°22'1.29"E) construído para guardar os restos mortais do ayatola Khomeini, descomunal como se pode ver facilmente no Google Earth usando as coordenadas que indiquei acima e na figura  seguinte.  Não resisto a observar que existe um conjunto apreciável de países em que não está disponível a “street view” do Google. A globalização não é ainda tão global como parece.



Lembrei-me agora disto pelo recente atentado do Daesh que fez 12 mortos e dezenas de feridos no Irão, no parlamento e neste mausoléu, mostrando mais uma vez a incorrecção das análises do actual presidente dos E.U.A., mostrando que o terrorismo de exportação actual é predominantemente sunita e não xiita. E que a exportação do terrorismo se faz sobretudo através da internet e da influência de mentes à distância e não através de migrações, dado que mais uma vez neste caso os terroristas eram cidadãos do país (Irão) vítima de terrorismo.

Não tenho simpatia pelo regime teocrático fundado por Khomeini que actualmente governa o Irão mas é compreensível a animosidade existente contra os E.U.A. dada a intervenção da C.I.A. no golpe de estado que depôs em 1953 o governo do Dr.Mossadegh, governo resultante de eleições democráticas, que nacionalizara os interesses petrolíferos estrangeiros no país.
 
Passei agora por um artigo na Newsweek onde se constata que 7 anos depois ainda prosseguem obras importantes no mausoléu pois ainda se vê o guindaste.

Existem outras cúpulas azul-turquesa neste complexo como a que se vê na figura


Não visitámos o interior do mausoleu, não sei se por ser difícil para turistas se por falta de tempo. Não consegui uma visão de conjunto do edifício por alguma falta de interesse.

A presença destas árvores de pequeno porte dificultaram a tomada de vistas do edifício mas existem pontos de onde se consegue uma boa perspectiva. E gostava que na Praça do Comércio em Lisboa existissem árvores destas para oferecerem alguma protecção do sol abrasador.

No lado esquerdo da 1ª imagem deste post aparece um bocadinho de uma tenda. Na realidade havia muitas, conforme se constata nesta imagem



Apreciei a limpeza e organização do espaço e surpreendeu-me que tanta gente passe uma noite numa tenda para visitar o mausoléu do ayatola Khomeini.

Tentei lembrar-me de mausoléus na Europa e só me consegui lembrar da ruína, de dimensão apreciável, do mausoléu do Octávio César Augusto em Roma.

Mausoléus recentes existem além deste o que é dedicado a Mao Zedong na praça Tiananmen em Pequim, o de Kemal Ataturk em Ankara na Turquia e, se considerarmos o volume de peregrinações que suscitavam, o pavilhão onde repousava o corpo embalsamado de Lenine na Praça Vermelha em Moscovo.

O mausoléu do imperador Meiji em Tóquio também suscita excursões respeitosas como mostrei aqui onde refiro a surpreendente Declaração de humanidade do imperador Hirohito.

Recuando um pouco mais no tempo teremos o Taj Mahal na Índia e o mausoléu de Umayun em Delhi mas estes atraem pela qualidade arquitectónica. E não vou referir monumentos mais antigos.

Fiquei a pensar porque não existirão mais mausoléus na Europa e congratulo-me com tal facto.

Toda a gente morre e embora se devam tratar com respeito os defuntos, a memória deles deve estar nas recordações do que fizeram em vida e não em monumentos depois da morte.


2017-06-06

O futuro do carvão


O futuro do carvão é a diminuição da sua produção, visto que se destina principalmente à geração de electricidade.

Quer os EUA (Estados Unidos da América) mantenham o cumprimento dos objectivos dos acordos de Paris para minimizar as alterações climáticas, quer não o façam, o futuro das minas de carvão nos EUA é o encerramento progressivo.

Chegam notícias por todo o lado da renúncia à construção de novas centrais térmicas a carvão, foi desta vez o caso da Índia que neste artigo do Indian Times referido pelo António Vidigal se refere o cancelamento da construção de centrais térmicas nesse país, que teriam uma potência total de 14 GW, dado o já menor custo de soluções com painéis solares fotovoltaicos.