Sábado, 18 de Maio de 2013

Jardim à Beira-Mar (2)


Continuando o post anterior, mais dois enquadramentos duma mesma foto, primeiro a versão mais completa



seguido de um maior detalhe


Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Jardim à Beira-Mar


Há umas 3 semanas passei pela estrada que vai de Cascais para  o Guincho e deparei-me com este autêntico jardim à Beira-Mar, que nem foi preciso plantar




e que mostro a seguir, um pouco mais ampliado


Domingo, 12 de Maio de 2013

Os Maravilhosos Produtos Naturais



Já em tempos falei sobre a distinção artificial entre produtos naturais e produtos feitos pelo homem. Para evitar repetir-me neste blogue faço às vezes nele uma busca por uma palavra que me parece mais relevante. Antes de escrever este post fiz uma busca através da caixa localizada no canto superior esquerdo do blogue onde coloquei a palavra “Natureza”. Constatei que já quase não precisava de escrever nada.

Por isso limito-me a dizer agora que quando me falam na bondade dos produtos naturais penso sempre nos cogumelos venenosos, ainda por cima selvagens, portanto alegadamente bons a dobrar por serem “naturais” e “selvagens”. Não faço ideia se estes cogumelos, que fotografei em Jan/2011 nos Olivais Sul numa época bastante húmida que proporcionou boas condições quer aos cogumelos quer ao musgo e às outras plantas da foto, serão comestíveis, não experimentei nem experimentarei antes de realizar um curso sobre o tema, o que me parece pouco provável. Mas gosto de os ver de vez em quando e aprecio a velocidade com que crescem, fazendo jus ao ditado “crescem como cogumelos”:




Tenho visto cogumelos parecidos aos da figura a cima com frequência, embora estas parecenças possam ser perigosas. Recentemente (meados de Abril, estava a acabar o tempo húmido que durou tanto) vi ao pé da minha casa nos Olivais uma cena diferente da habitual:




tão diferente que fui buscar a máquina fotográfica para os fotografar em conjunto e depois mais ao pé




e em grande plano para finalizar



Entretanto estes cogumelos já desapareceram , tão depressa como tinham chegado. Serão alucinogénicos?

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Um Equilíbrio Muito Delicado ou a Importância das Pequenas Coisas


Cheguei a este espectáculo lindíssimo através do 2 Dedos de Conversa.

Também repito o conselho de lá: quem não tiver os 7 minutos e 15 segundos para ver tudo que veja um bocado do princípio, depois o meio e não perca o fim.


Miyoko Shida é uma bailarina japonesa, tem o CV aqui, um site aqui e este espectáculo chama-se "Sanddorn Balance".

P.S. Aqui tem outra versão da mesma performance, com enquadramentos mais próximos e também muito boa.

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Primavera de 2013 e Mau Governo



Continuo a considerar mau o actual governo de Portugal, sobretudo a sua figura principal o nosso ministro das finanças, o senhor Wolfgang Schaüble, que vive na Alemanha e que fez alguma delegação de competências no seu assistente Vítor Gaspar.

Achei interessante a imagem do Pedro Marques Lopes, quando diz numa crónica recente no DN que «...Ninguém tem a mínima confiança em Passos Coelho. O primeiro-ministro pode anunciar que à noite se seguirá o dia, que ninguém acredita....» e actualmente tento não ouvir o primeiro-ministro em directo, limitando-me a ler os resumos noticiosos posteriores, pois ele já me mentiu tantas vezes que a sua presença me é desagradável.

Também considerei que não valeria a pena ouvir o Sr.Schaüble ou os seus assistentes sobre o que pensavam fazer face ao que vai acontecendo porque ele já disse que, aconteça o que acontecer, é preciso manter o rumo. Trata-se portanto de um sistema de controlo desprovido de retroacção. Em domínios não económicos, por exemplo nos automóveis, as sociedades não aceitam sistemas deste tipo mas em domínios da economia parece que qualquer tipo de sistema de controlo é válido, desde que se vá mantendo o poder e a fé.

Continuo a considerar que este é o governo que mais tem mentido aos Portugueses. A última mentira é chamar “despedimento por mútuo acordo” a um despedimento obtido sob a ameaça de reduzir o vencimento de forma substancial durante 18 meses e depois deixar de pagar o que quer que seja. Um “acordo” obtido sob este tipo de ameaça não é mútuo acordo. Não consigo confiar em pessoas que chamam mútuo acordo a um “acordo” obtido nestas condições.

Considero que se há necessidade de poupar na despesa pública na parte das despesas de pessoal se deveria suspender o pagamento de horas extraordinárias movimentando o pessoal doutros serviços onde houvesse menor ocupação caso necessário. E no caso de haver falta de trabalho num departamento dever-se-ia reduzir o horário de trabalho dos trabalhadores menos necessários, com redução proporcional do salário mensal. Dessa forma partilhar-se-ia um recurso actualmente escasso que é o trabalho, em vez de o reservar para uns deixando os outros no desemprego.

Entretanto o ministro Aguiar Branco disse que o Governo estava coeso. Não se fazem afirmações deste tipo sobre um governo que esteja coeso, talvez o governo se desagregue e surja alguma oportunidade de mudança.

Enquanto tal não acontece vou mostrando mais umas imagens, desta vez dos prados dos Olivais Sul, repetindo os malmequeres mas agora fotografados com uma máquina fotográfica em vez do telemóvel.



os seguintes, como são menos numerosos talvez se chamem bem-me-queres



seguido deste detalhe dum prado com florinhas lilases



e outro com florinhas amarelas.

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Masterpiece


Há pouco tempo em Hamburgo nesta livraria/galeria de arte Felix Jud, na Neuer Wall 13, 20354 Hamburg, ao pé da Câmara Municipal



reparei no quadro ali ao fundo que mostro melhor a seguir



Engracei com o quadro, pedi autorização à pessoa da loja para o fotografar e perguntei o nome do autor. A pessoa disse-me que o autor se chamava Hein e que o modelo era uma senhora americana, tendo o quadro poucos anos. Não levei máquina fotográfica desta vez pelo que tive que usar o telemóvel. Das 3 ou 4 fotos que tirei seleccionei uma em que depois pintei o corrimão com o preto do quadro, usando um programa simples de retoque de imagens digitais.

Obtive assim esta imagem, que é pouco satisfatória mas que foi o melhor que consegui a partir das fotos do telemóvel.


Julgo que o fundo preto é bastante uniforme no original mas o quadro estava a ser iluminado por cima, donde a diferença que se nota na intensidade da cor preta.


O que vemos é o resultado de um processamento intenso do nosso cérebro e neste caso parece-me adivinhar um vestido preto que olhando com atenção constato que não está lá. No entanto, o pequeno decote e os ombros cobertos sobre os quais caem os cabelos são uma sugestão suficiente para me parecer que estou a ver alguma coisa.



Gosto desta representação minimalista, relativamente original mas que foi usada por pintores flamengos, geograficamente próximos de Hamburgo, naquelas noites compridas de Inverno em que ficavam à luz das velas e, no meio dum negro de breu, só tinham que pintar meia-dúzia de pequenos motivos que a fraca luz das velas tornava visíveis, como neste auto-retrato de Rembrandt aqui ao lado.


 Fiquei a pensar porque seria que a imagem desta mulher me parece contemporânea, digamos depois dos anos 70 do século XX. A ausência de chapéu, ou de qualquer véu a cobrir a cabeça será uma indicação, a simplicidade aparente do penteado será outra. Sugeriram-me que a ausência de jóias num retrato formal para a posteridade seria ainda outro indício e cheguei a ir rever este 500 Years of Female Portraits in Western Art



mas não consegui chegar a uma conclusão inteiramente satisfatória sobre a essência do aspecto contemporâneo. E se o essencial são os cabelos soltos e lisos pergunto-me porque não se lembraram de os usar assim há uns séculos atrás. Talvez porque não existiam shampôs com a qualidade suficiente, a contemporaneidade afinal baseia-se na química dos shampôs.

Entretanto a pintura apenas do rosto e das mãos fez-me lembrar um pequeno livro para turistas sobre a deslumbrante biblioteca Piccolomini, na catedral de  Siena em Itália, em que aprendi, relativamente ao contrato das pinturas dessa sala, que “a totalidade dos rostos teria que ser executada por Pintoricchio, uma vez que era comum as partes de menor responsabilidade, serem executadas por aprendizes que trabalhavam para o pintor principal” conforme referi no post sobre a biblioteca atrás linkado.

Agora digitalizei a capa do pequeno livro para turistas e coloquei-a aqui



podendo-se constatar que nenhuma das caras tem um arranjo dos nossos tempos. Trata-se do encontro do imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico III com a princesa Leonor de Portugal (filha do rei D.Duarte e de Leonor de Aragão).

O dote da princesa foi substancial, levando alguma liquidez ao tesouro exaurido do imperador alemão, se calhar estava a ficar sem fundos para alimentar o seu funcionalismo público, acontece a toda a gente, o casamento foi em 1452, um ano antes da queda de Constantinopla.

Mas voltando ao tema dos rostos e do seu contexto nos retratos lembrei-me ainda deste quadro de Velazquez, exibido no Museu do Prado em Madrid, a cujo sítio da internet fui buscar a imagem que mostro a seguir



Por qualquer motivo eu estava convencido que o manto imenso era usado pelo rei Filipe IV de Espanha mas afinal era usado pela esposa, a rainha Doña Isabel de Borbón. Constatei que enquanto nos retratos equestres dos reis espanhóis desta época os cavalos se apresentavam com toda a sua anatomia, nos retratos equestres das rainhas a natureza animal do cavalo é atenuada através de mantos imensos.

Na ficha deste quadro no sítio do museu conjectura-se que provavelmente o trabalho de Velazquez se limitou à cabeça da rainha e à do cavalo, tudo o resto terá sido feito por ajudantes do seu atelier. Acho o manto enorme bastante monótono e parece-me muito pouco funcional. Deveria ser para mostrar o poder real através da grande extensão dum tecido certamente muito caro. A rainha tinha que suportar um peso imenso, era por assim dizer o castigo da vaidade.

Quando cheguei a casa fui à procura na net de Hein, colocando no Google Imagens a imagem do quadro que mostrei em cima. Apareceu-me logo este site de Jochen Hein, com imagens que me agradaram e de onde tirei esta versão mais exacta do detalhe da obra com que iniciei este post, que se chama “Tanja”, tendo sido pintado em 2006



Não havendo dúvidas que tudo isto foi obra do mestre pintor, um colega disse-me com presença de espírito não haver tão pouco dúvidas que se tratava de uma “Masterpiece”.


Sábado, 27 de Abril de 2013

Soho, New York


O post anterior fez-me revisitar umas fotos que tirei em Nova Iorque em Outubro de 2011, o tempo voa, pensei que tinha sido no ano passado...

Começo por esta foto de uma rua, no bairro do Soho, acolhedor mas bastante caótico, como se pode constatar na imagem



Uma das coisas que não gosto em Nova Iorque é a forma como destratam o lixo, que se amontoa em sacos em cima dos passeios, neste caso do Soho, como se pode ver a seguir

    
Em Brooklyn vi caixotes de lixo de várias cores, cada um para o seu tipo de lixo, como é comum na Europa, mas em Manhattan só se viam estes sacos amontoados.

Uma vez apercebi-me que uma camião de lixo que passava numa rua recolhia sacos de lixo dumas portas mas não de outras. Fiquei a pensar que a recolha será feita por companhias privadas que recolhem apenas o lixo dos prédios que os contrataram. Não consigo deixar de pensar que é uma forma de recolha que gasta mais energia, vários camiões fazendo um mesmo percurso e cada um apanhando o seu subconjunto de sacos de lixo, é por essas e por outras que os E.U.A. gastam cerca do dobro da energia que gasta a Europa para uma produção equivalente.

Fui verificar na net se o lixo de Manhattan é reciclado e fiquei com a sensação que os sacos pretos conterão “Resíduos Sólidos Urbanos” (nome fino para restos de comida e outros items não recicláveis) enquanto os transparentes conterão ou papel e cartão, ou embalagens. Como são transparentes é fácil encaminhá-los para a reciclagem correspondente. Embora a situação da reciclagem não seja tão má como parece à primeira vista, mesmo assim a abundância de sacos pretos faz pensar que os nova-iorquinos separam pouco o lixo. E o amontoado de sacos em cima do passeio também não é uma boa solução.

Mas deixando o lixo por imagens mais interessantes, gostei desta esquina em que os prédios que lhe são adjacentes apresentam alguma harmonia arquitectónica, se bem que não completamente conseguida. Em cidades muito dinâmicas com Nova Iorque é muito difícil obter e depois manter alguma harmonia urbanística:



Existem muitos prédios em Nova Iorque com muita qualidade arquitectónica, encontra-se mesmo estas decorações barrocas a que acho graça desde que não seja em grandes doses



encontrando-se também uma ou outra árvore, neste caso parece-me que são Ginkgo Bilobas, numa praceta com um campo de jogos



A árvore com o verde mais claro não está a ganhar folhas de um verde claro como na Primavera mas em trânsito Outonal para os amarelos magníficos dos Ginkgo Bilobas. Enquadrando de mais próximo até quase que parece que saímos do meio urbano:



Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

25 de Abril de 1974


Há 39 anos eu estava a cumprir o serviço militar obrigatório na Guiné, na cidade de Bissau, aonde chegara em Outubro de 1973, pouco depois de o PAIGC ter declarado a independência do território em Madina do Boé, em Setembro desse ano.

O 25 de Abril além de ter libertado o país de uma ditadura de décadas e de ter possibilitado que as ex-colónias retomassem a autodeterminação encurtou a minha comissão militar de dois anos na Guiné-Bissau para apenas um. Regressei no último avião militar português que saiu de Bissau, salvo erro em 14 de Outubro de 1974.

Deixo aqui uma foto do clube de oficiais em Bissau nessa época



e da estrada que dava acesso à esplanada mostrada na imagem anterior bem como os apartamentos para os oficiais, na época bastante sobrelotados



Havia uma piscina ao pé deste edifício, foi a primeira vez em que ao mergulhar numa piscina tive apenas a sensação de ter ficado molhado mas não mais fresco. Possivelmente a piscina estaria em manutenção. As árvores que se vêem parecem-me papaias



Julgo que esta árvore estava no caminho para a piscina e abrigava uma arbusto muito florido



que fotografei noutro local, noutra altura



Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Alegria, Wikipédia e anúncios provocadores


Gosto de ver montras, são uma espécie de sonho estático, uma tentativa de alcançar algum tipo de perfeição.

Numa passagem recente por Hamburgo gostei bastante desta montra com 3 jovens irradiando energia, custa-me a perceber como é que uns manequins completamente estáticos dão uma ideia tão boa de movimento, talvez seja falta de formação académica neste tema.




A loja é da firma “American Apparel”, uma indústria de confecções instalada nos EUA e referida na Wikipédia neste artigo.

Embora a Wikipédia não tenha publicidade, vivendo exclusivamente de trabalho voluntário e de donativos para as despesas de funcionamento, estes artigos sobre organizações que perseguem o lucro são de uma natureza mais delicada. De qualquer forma parece-me melhor abordar a história das empresas na Wikipédia do que não o fazer e o texto sobre elas estará sujeito à crítica de toda a gente embora uma parte dos autores possa ter algum conflito de interesse.

Os leitores deste blogue terão reparado que eu faço numerosas ligações para a Wikipédia, sítio muito conveniente para um primeiro contacto com uma miríade de temas. O conhecimento não se obtém de forma directamente democrática, o facto de existir uma maioria de pessoas convencida da validade de uma determinada explicação dum fenómeno não é critério suficientemente bom para a sua validação, pois deve ser dado maior peso à opinião de pessoas que se interessaram mais pelo seu estudo. Os escritores da Wikipédia têm um interesse suficiente no que escrevem para escreverem e, embora não sejam imunes a erros, o resultado desta experiência colectiva da Wikipédia tem sido muito positiva. Admito que em questões mais próximas da Religião, como por exemplo os temas económicos, possam existir discussões mais acesas e com menor rigor mas os tratados sobre essas matérias não gozam necessariamente de maior objectividade nem estarão isentos de erros, mais difíceis de corrigir em papel do que na internet.
Naturalmente que a Wikipédia tem uma entrada sobre ela própria, em Inglês, em Português e noutras línguas, agora fiquei com curiosidade em ler a entrada sobre a Enciclopédia Britânica nessa enciclopédia mas, infelizmente, não tenho nenhuma em casa.

Mas regressando ao “American Apparel” fixei o nome numa viagem a Nova Iorque em que esta tabuleta me chamou a atenção, na Spring Street, Soho, Manhattan:



já a montra da loja não me deve ter impressionado porque não tirei nenhuma foto e o interior da loja surpreendeu-me mais do que me agradou, fotografei para efeitos documentais uma exposição dum número excessivo de elementos num cenário muito exíguo, inibindo-me de me interessar por qualquer um deles.



Por curiosidade fui à procura na net doutra versão do anúncio da tabuleta e encontrei uma versão mais completa num site que confirma a existência de um lado provocador em vários anúncios desta firma.

Mostro a seguir uma imagem desse site em que, além da versão mais completa sobre "Hosiery", mostra ainda mais dois anúncios:

Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Mosaicos de espelhos







No escritório da minha casa guardo este simpático postal , que me apeteceu mostrar aqui como celebração da exuberância primaveril das plantas e das suas representações artesanais.


Tive a grata oportunidade de passar duas noites em 1993 e em 2001 no maravilhoso Lake Palace Hotel em Udaipur, na Índia, no estado do Rajasthan.


O postal é uma representação impressa dos painéis decorativos, feitos com imensa paciência, colocando muitos pequenos espelhos sobre gesso, formando motivos vegetais estilizados, painéis esses que alegram as paredes do hotel referido.


As imagens estáticas num écran de computador, ou numa fotografia banal de superfícies metálicas, dão uma representação muito incompleta dessas superfícies dado que o aspecto delas, sendo fortemente reflectoras, é fortemente influenciado pela luz incidente.


Fiz alguma correcção de cor, e reenquadrei a foto, com este resultado:


Neste caso o postal ou fotografia recorre a tintas metálicas pelo que apresenta o mesmo problema das superfícies metálicas polidas. Tentei que as folhas reflectissem a luz duma forma homogénea, para as revelar de uma maneira uniforme, mas como não fiquei inteiramente satisfeito com o resultado fiz também uma digitalização do postal, em que obtive esta imagem:


constatando-se que a luz do digitalizador incide sob um ângulo que leva a que os raios reflectidos pelas partes metálicas não sejam captados pelo sensor de luz, ficando consequentemente muito escuros.

Achei que um negativo desta imagem seria uma alternativa interessante:



deixando ao critério do leitor escolher a sua imagem preferida.

Além da beleza do conjunto parece-me difícil conseguir uma densidade tão homogénea da ocupação do plano pelos ramos, folhas e flores.

Fui depois à procura na internet de obras feitas com a mesma técnica e encontrei esta imagem ilustrativa dum fabricante indiano, em que os painéis estão em placas portáteis:


Os do hotel eram construídos directamente nas paredes, cada uma das soluções terá as suas vantagens e inconvenientes, gosto mais do motivo do mosaico do hotel.

Encontrei o nome “Tikri mirror glass work”, mas se “Tikri” designa uma localidade, não cheguei a apurar qual delas seria. Não encontrei mais informação sobre estes painéis tão curiosos.

Passados uns anos encontrei este painel no hotel Abbasi em Esfahan, no Irão:


O painel tem o mesmo espírito dos anteriores, parecendo contudo ter uma execução mais cuidada. Esta é uma árvore que dá frutos, enquanto as que eu vi em Udaipur mostravam flores.

É curioso notar também as diferenças na estilização das árvores, a iraniana parece mais próxima da versão natural, a indiana é mais abstracta.

Os decoradores iranianos usam os espelhos de forma maciça na decoração dos palácios, mas usando técnicas muito diferentes desta.

Sexta-feira, 12 de Abril de 2013

Finalmente a Primavera?


No último domingo, por volta da uma, o sol assomou por entre as nuvens, iluminando os pequenos malmequeres de pétalas brancas que abundam agora nos canteiros dos Olivais




aqui e ali vêem-se tufos mais isolados destas flores amarelas




e hoje ao fim da tarde o Sol voltou, parece que para ficar por uns tantos dias, iluminando estas flores de trevo à beira do rio Tejo, ao pé da ponte Vasco da Gama:




Será que é desta que a Primavera veio para ficar?

Terça-feira, 9 de Abril de 2013

Encenação


Sinto-me cansado desta encenação permanente da vida política portuguesa.

Há uns tempos que se fala muito da existência ou não existência de um plano B para o caso do Tribunal Constitucional chumbar algumas das medidas do Orçamento do Estado para 2013. O governo sempre negou a existência de um plano desse tipo. Vários comentadores censuraram-no por não ter esse tal plano B. Por qualquer motivo que me escapa (normalmente o governo não faz o que devia) parece-me que desta vez o governo fez o que devia. Não faço ideia se o governo tem um plano B ou não mas parece-me do mais elementar bom senso negar publicamente a existência de qualquer plano pois admitir a sua existência corresponderia a admitir que elaborou um orçamento com medidas sobre cuja constitucionalidade teria dúvidas. Caso admitisse a existência dum plano B muita gente lhe cairia em cima por andar a fazer orçamentos que achava à partida de constitucionalidade duvidosa. A encenação da ausência do plano B era assim inevitável.

Já quanto à indignação e alegada surpresa do primeiro-ministro e dos seus apoiantes comentadores sobre o acórdão do TC, acho a situação completamente surreal.

O governo poderia (enfim, hoje sinto-me com uma boa vontade extraordinária) elaborar o orçamento considerando que todo ele era constitucional mas tinha a obrigação de ter reparado que a Presidência da República tinha fundadas suspeitas sobre a constitucionalidade de várias medidas e, dado que no ano anterior o presidente não tinha tido dúvidas sobre a constitucionalidade do orçamento e mesmo assim o TC tinha descoberto algumas não conformidades, o simples facto de o Presidente ter alterado a sua posição era um forte indício de que era quase certo que algumas das medidas fossem consideradas inconstitucionais. Já para não falar do grande número de pessoas que também manifestavam as maiores dúvidas sobre a constitucionalidade de diversas medidas do orçamento.

Talvez se devesse estabelecer um sistema de apostas, como se faz em Inglaterra, para deixar esse tipo de mercado informar o governo sobre as probabilidades das diversas possibilidades. Assim acho que o governo poderia fingir uma ligeira surpresa sobre o acórdão do TC mas nada de tão exagerado como a surpresa que encenou de forma tão desajeitada.

Além de não fazer sentido acusar o TC do que quer que seja. O governo tem ainda a obrigação de pedir desculpa por ter elaborado pela segunda vez um orçamento contendo medidas inconstitucionais, causando toda esta confusão.

Achei que os pintores surrealistas deveriam fornecer uma imagem adequada às reacções do governo ao acórdão do TC e encontrei esta do Magritte. Nela o governo, em vez de olhar para a realidade, prefere pintar uma figura em 3D como se ela fosse a realidade do mundo exterior à tela. Estas alegorias costumam conter ambiguidades e reparei que uma das mãos da figura está invisível, pelo que será possivelmente a famosa “mão invisível do mercado” que o governo está quase a tornar visível. O que veremos então? As agências de rating?




O quadro chama-se “La tentative de l’impossible” e data de 1928.

Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

A virtude do Norte


Provavelmente a propósito das declarações infelizes do nosso ministro das finanças Wolfgang Schäuble, sobre alegadas invejas dos países do Sul, o João Pinto e Castro escreveu este texto que transcrevo na íntegra:

Após constatar que em vários países europeus existe uma narrativa popular que opõe, dentro de cada um deles, o norte ao sul, sendo o primeiro sinónimo de trabalho, seriedade e progresso e o segundo de ócio, despreocupação e atraso, Theodor Adorno confrontou este mito com duas pequenas dificuldades.Em primeiro lugar, como explicar a virtude do norte italiano, se ela está ao sul da negligência do sul alemão?Em segundo lugar, como explicar que em vários casos, de que valem como exemplos a Grã-Bretanha e Portugal, o sul é mais desenvolvido do que o norte?Adorno não tenta sequer resolver o paradoxo, deixando-nos por conseguinte o encargo de pensar melhor no assunto.Sabe-se que, no hemisfério norte, existe uma elevadíssima correlação entre latitude e produto per capita, sugerindo que a geografia conta muito na explicação de níveis díspares de desenvolvimento.Todavia, o que Adorno faz notar é que o preconceito anti-meridional ocorre mesmo quando tal correlação inexiste.Isso leva-me a pensar que a valorização ética do norte é no essencial do domínio do simbólico. Os infelizes povos do norte, castigados com invernos mais rigorosos e privados durante boa parte do ano da luz e do calor, tendem a fantasiar o sul como uma espécie de paraíso terrestre onde todos são eternamente felizes e abundantes fluem o leite e o maná.Em contrapartida, consolam-se acreditando que o seu sofrimento lhes assegura, nesta vida, o monopólio da virtude, e, na outra, quem sabe se um lugar privilegiado à direita de Deus Pai.O fundo do mito do sul preguiçoso por contraste com o norte industrioso proviria, assim, do ressentimento ou da inveja.

Para ilustrar o texto mostro uma cena do Sul da Alemanha onde, embora lá vão produzindo de vez em quando alguns BMW (poderiam produzir muitos mais a preços mais competitivos do que os actuais), têm uma quantidade imensa de mirones a observar uns surfistas treinando-se numa onda estacionária no rio Isar que atravessa o Englischer Garten.





Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

Ver para crer



A crónica do Pedro Mexia na revista Actual do Expresso de 29/Mar/2013, intitulada “Tomé, o obscuro”, fala sobre São Tomé e o episódio do desejo dele em colocar os dedos nas feridas dos cravos e a mão na ferida do lado do corpo de Jesus Cristo, para tirar dúvidas sobre a sua ressurreição.

Gostei muito do ensaio que fala do ver, do tocar, do acreditar, do que é um corpo e do que será um corpo ressuscitado, da força da palavra e da bem-aventurança dos que crêem sem a necessidade de ver.

Eu não sou um desses bem-aventurados que crê sem a necessidade de ver e sinto-me como o São Tomé, também o ver não me chega, preciso de tocar. Lembro-me dos meus tempos de criança em que os adultos me diziam com excessiva frequência “vê-se com os olhos e não com as mãos”, como se duvidassem da utilidade do sentido do tacto, numa atitude pouco respeitosa em relação à obra do Criador.

Claro que não se pode viver em sociedade sem confiar em muita da informação que vai sendo divulgada mas gostaria de viver num país em que não fosse necessário duvidar de tanta da informação que é publicada, quer porque foi coligida de forma negligente, quer porque na luta política são pouco penalizadas as distorções descaradas da realidade.

Lembrei-me dum post antigo da lida insana que dizia “O exercício do poder sobre alguém começa sempre assim. Confia em mim, que quer dizer, confia-te a mim.

Mas falar sobre o São Tomé fez-me também lembrar um post que escrevi a propósito da Basílica de São Tomé em Chennai, no sul da Índia, em que me chamou a atenção o Cristo do altar estar crucificado mas vestido, ao contrário do que é actualmente hábito no Ocidente. Vejo agora uma certa ironia na “ocultação” do corpo de Cristo, precisamente num local em que se celebra o apóstolo que queria tocar nesse corpo. Ou então é a celebração de que afinal São Tomé não precisou de ver para crer, como os bem-aventurados.

Depois de ter viajado tantos milhares de quilómetros para ver um Cristo crucificado vestido, acabei por descobrir outra imagem desse género muito mais ao pé de Lisboa, numa loja do centro histórico de Salamanca, feita pelo artesão Henrique Garcia Reino, já falecido, ou então pelo seu filho Luís Garcia Reino, que continua o trabalho do pai. Não consegui descobrir mais informação sobre estes artesãos na internet, nem tudo lá está.

Mostro um bocadinho da montra



e depois um rearranjo do crucifixo mais à esquerda:



Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Ricardo Cruz-Filipe - 2


Fiquei surpreendido com a pequena quantidade de obras deste artista disponíveis na internet, possivelmente o volume da obra não será muito grande, dados os outros afazeres, mas mesmo assim poderia existir mais material disponível.

No site da Gulbenkian tem mais algumas imagens, que não mostro aqui, além de várias obras no Centro de Arte Moderna.

A imagem aqui ao lado é a da capa da exposição de 1973 que referi no post anterior, deve ter sido escolhida para capa por ser um bocadinho mais sensual.

É intitulada "Sem limites dentro dos limites",  tem 128 x 100cm e mostro-a a seguir com 640 pixels de largura.