2018-11-20

As touradas revisitadas


Em Outubro de 2010, na sequência da proibição de touradas na Catalunha em Julho desse ano, assinei uma petição para proibir touradas em Portugal, fazendo então um post sobre o tema, incluindo considerações sobre os Jain da Índia e sobre a morte cruel das lagostas .

Fui agora ver se a proibição na Catalunha se mantém e constatei no DN de 20/Out/2016 que o Tribunal Constitucional de Espanha anulou  a proibição de touradas:
«
 O Tribunal Constitucional espanhola anulou o acordo do Parlamento catalão de julho de 2010 que proibia as touradas naquela comunidade autonómica. A sentença afirma que a Catalunha pode regular as festas taurinas e proteger os animais, mas não as pode proibir. Juízes tomaram a decisão com oito votos a favor e três contra.A decisão do Constitucional baseia-se no facto de o Estado espanhol ter declarado a tauromaquia património cultural, pelo que o tribunal considera que a proibição das touradas invade as competências estatais. Em 2013 e 2015 o governo do Partido Popular (PP) aprovou duas leis (contestadas na altura até ao Constitucional) que consideram a festa taurina património cultural imaterial.A decisão do Parlamento catalão de 28 de julho de 2010 a proibir as touradas entrou em vigor a 1 de janeiro de 2012. Mas a sentença do Constitucional vem agora devolver as touradas à Catalunha.
»

O mesmo DN informou em 21/Out/2016 que a Catalunha vai ignorar o fim da proibição das touradas, usando regulamentos que impedem o mau trato dos animais.

Tenho dúvidas se se trata de uma questão civilizacional, se cultural, se de uma tradição de exibição de coragem e destreza envolvendo o tratamento cruel de animais. No caso da Catalunha é provável que a proibição fosse também uma forma de essa região autónoma se distanciar duma tradição com grande força em Espanha. Constatei que a votação do parlamento catalão que proibiu as touradas foi bastante divisiva, 68 a favor, 55 contra e 9 abstenções, em que o apoio da proibição coincidiu praticamente com os  partidos separatistas.

Dadas as paixões que o tema provoca considero que, uma vez que continuamos a comer bifes de gado vacum, uma eventual proibição de touradas em Portugal só faria sentido quando uma maioria considerável da Assembleia da República apoiasse a abolição.

Entretanto não vejo razão para dar isenções fiscais totais ou parciais (aquilo que o Estado designa incorrectamente por "benefícios" fiscais) a este tipo de espectáculo.


2018-11-19

A audiência do meu blogue


O meu blogue tem alguns leitores, quando não aviso ninguém talvez apareçam no primeiro dia de um post uns 10 visitantes e esse número vai aumentando lentamente com o passar do tempo. Quando um post me deu mais trabalho e me parece jeitoso às vezes envio um e-mail a antigos colegas e mais talvez uma dezena de pessoas seleccionadas a avisar da sua existência. Nesse caso no primeiro dia talvez tenha umas 20 visitas. Tenho interesse em ter leitores mas não que sejam em demasia porque nessa altura aparecem os chatos, os trolls, etc ou então será porque os posts não prestam sendo verdes.

Recentemente publiquei este post: https://imagenscomtexto.blogspot.com/2018/11/uma-experiencia-agradavel.html em que a proprietária nele referida (que avisei) deve ter posto o respectivo link no facebook dela e no primeiro dia tive mais de 1000 visitantes. No 2º dia muito menos e agora deve estabilizar com umas 2300 e tal visitas a esse post.

Mostro a seguir a estatística fornecida pelo blogger faz de 7 dias contendo o post referido





e uma versão editada dessa estatística mostrando a informação mais relevante



Em períodos semanais (7 dias móveis) normais o post mais visitado costuma ser um muito antigo, de 2008, com o título "Caligrafia", costuma ter à volta de 200 visitas semanais, os restantes vão variando mas precisam normalmente de mais do que uma semana para terem um total (desde a criação e não na semana corrente) maior do que 100. As "pageviews aqui mostradas não são o total desde o início do blogue mas apenas as visitas de 7 dias (de 11-18/Nov/2018).


O poder do facebook é realmente impressionante, continuo não interessado em ter conta lá.

2018-11-17

Outono em Lisboa


Não negando as alterações climáticas que se têm  vindo a manifestar e que requerem uma descarbonização rápida da economia constata-se que não "está tudo mudado".

Tivemos um Verão que chegou atrasado, o mês de Julho foi frescote, mas depois tivemos Agosto,  Setembro e Outubro bastante quentes. Parece ser como nos voos dos aviões, os atrasos do início do dia propagam-se para a parte da tarde. Tivemos umas chuvinhas e uma tempestade grande em Outubro, o Outono está aí e até tivemos o Verão de S.Martinho que agora se extinguiu.

Ontem de manhã tirei esta foto no Jardim Amália Rodrigues à única árvore coberta de folhas amarelas (ouro sobre azul do céu) e cobreadas nesta zona. As folhas de muitas árvores em Lisboa perduram até finais de Fevereiro, quando estão quase a despontar os primeiros rebentos da Primavera.




2018-11-13

Uma Experiência Agradável


Em Fevereiro de 2018 reservei uma semana de Agosto nesta Vivenda Jardim Mar Algarve Porches para passar férias em conjunto com filhos e netos.



Já conhecia o aldeamento e a praia da Nossa Senhora da Rocha protegida por falésia, que costumávamos visitar quando nos fartávamos do vento de sudoeste, tão frequente e forte durante o Verão em praias do Algarve a Leste de Lagos que não estejam protegidas como esta.

Visitámos a casa ainda em Fevereiro, numa deslocação que tivemos que fazer ao Algarve para outros assuntos, e gostámos quer da casa quer do ambiente do aldeamento.

Entretanto em Junho tornou-se difícil passar as férias em conjunto com toda a família e contactei a proprietária para avaliar a possibilidade de reaver parte da reserva que fizera em Fevereiro, mesmo sabendo que sob um ponto de vista contratual não teria direito a qualquer devolução.

A proprietária mostrou grande compreensão com a minha situação, disse-me que iria tentar alugar a casa a outras pessoas, telefonou-me posteriormente a dizer que conseguira e, à parte uma pequena importância para o Booking.com, devolveu-me a totalidade do valor da reserva que eu pagara.

É consolador constatar que a sociedade em que vivemos não é só a selva de desgraças preferentemente descrita nos meios de comunicação social.

Em e-mails que troquei com a proprietária tomei conhecimento que também aluga uma casa situada na região de Viseu, acessível através do Facebook: https://www.facebook.com/acasadaceleste/posts/1970280636588400:




2018-11-05

Da Mobília até Claire Bretécher (continuação e fim)


Os leitores mais atentos terão reparado que o conjunto de sofás Mah-Jong, ícone do fabricante RocheBobois que apresentei no post anterior, são uma ruptura radical com a forma tradicional de estar numa sala ocidental. Por exemplo, os meus pais não se sentiriam à vontade numa sala com sofás Mah-Jong.

Talvez também por isso o fabricante francês “Ligne Roset” lançou em 1973 a linha de sofás “Togo”, desenhada por Michel Ducaroy, que comemorou o 40º aniversário em 2013, continuando também actualmente em produção



Os assentos são mais altos do que os Mah Jong mas mais baixos do que o que era normal nos anos 70. As pessoas mais idosas têm por vezes dificuldade em se levantar destes sofás, o que não acontece para quem está habituado a sentar-se no chão com as pernas cruzadas. Estes sofás suportam as pessoas confortavelmante em várias posições, desde as costas quase verticais, com a cabeça bem afastada do topo do sofá, até posições em que a cabeça se apoia nesse topo. É esse tipo de posição que é apresentado, com algum exagero, nesta outra capa de “Les Frustrés” de Claire Bretécher


Na comemoração dos 40 anos em 2013 vi numa loja fora de Portugal esta variante dos sofás originais



em que me interroguei para que serviriam as almofadas num sofá já por si tão confortável. E fiquei na dúvida se com um sofá destes na sala faria sentido ter na mesma casa um quarto de dormir.

Para finalizar mostro outro sketch da Claire Bretécher com as protagonistas sentadas descontraidamente num sofá mais parecido com esta linha Togo



2018-11-03

Da Mobília até Claire Bretécher



Nos anos 60 do século XX ocorreu uma importante revolta da juventude contra os valores tradicionais das sociedades do mundo ocidental, designadamente a moral familiar tradicional, o militarismo e as hierarquias, a sociedade de consumo, o sistema capitalista. Nos E.U.A. incluiu a contestação da guerra do Vietnam e o apoio pelos direitos civis e contra o racismo. Na Europa ocorreu o Maio de 68 nas universidades de França e muita agitação estudantil na Alemanha. No mundo ocidental ocorreu uma revolução na música popular, basicamente iniciada pelos Beatles e acompanhada por uma explosão de novos talentos que se exprimiram em muitos festivais como o de Woodstock em 1969 e outro na ilha de Wight de que se destacou o de 1970. Em Portugal tivemos o festival de Vilar de Mouros em 1965, uma crise académica em Lisboa em 1962, outra em Coimbra em 1969 e o 25 de Abril em 1974.

O movimento hippie de não violência procurou uma vida mais simples, mais próxima da natureza, indo buscar inspiração no budismo e no induísmo. As viagens de muitos jovens ocidentais ao Extremo Oriente, por exemplo os Beatles e o Steve Jobs futuro CEO da Apple, sobretudo à Índia e ao Nepal devem ter tido influência no desenho do mobiliário no Ocidente.

Mostrei num post recente uma casa japonesa tradicional


onde se constata que as pessoas se sentam ou ajoelham sobre o Tatami e as mesas (Chabudai) quando existem são extremamente baixas, costumavam ter 15 a 24 cm de altura atingindo actualmente 30cm.

Certamente foi esta influência do Extremo Oriente e uma vontade de romper com a mobília tradicional do Ocidente que levou o fabricante francês RocheBobois a lançar em 1971 a linha Mah Jong (homónimo de um jogo chinês, em voga em Portugal talvez nos anos 1950):



Esta linha de mobiliário que comemorou 40 anos em 2011 e fará 50 em 2021, continua a ser fabricada, no início tinha tecidos monocromáticos, actualmente é também decorada por vários designers, no site da RocheBobois referem Kenzo Takada, Missoni Home e Jean Paul Gaultier


Tomei contacto com a obra da Claire Bretécher, onde desenhava uma personagem chamada “Cellulite” na revista Pilote que referi em vários posts neste blogue. Posteriormente esta autora colaborou na revista “Nouvel Observateur” onde assinava a série “Les frustrés” gozando com os comportamentos da esquerda burguesa intelectual. Essa burguesia usava este tipo de mobiliário, como se pode constatar parcialmente nesta capa


e também neste neste sketch duma mulher chorando o seu ex-amor



É um humor algo ácido, a autora confirma alguma misantropia nesta entrevista de 2009:
- Vous êtes misanthrope ?
- Raisonnablement. Par périodes. 

 
(Continua)

2018-10-31

Produção e Consumo de Electricidade em Portugal


A REN, Rede Eléctrica Nacional, disponibiliza um volume grande de informação estatística sobre o Sistema Eléctrico Nacional.

Os profissionais do sector sabem onde encontrar esta informação. Para não profissionais com curiosidade poderão aceder no sítio da REN googlando (ren centro de informação)


seguindo depois a ligação para Estatística Diária (na imagem acima com cor roxa, no resultado do google estará inicialmente a azul) obtém-se este quadro:


e seleccionando a palavra "Diagrama" na última linha da imagem que mostro acima obter-se-ão os diagramas que obtive na visita que acabo de fazer hoje, dia 31/Out/2018, respeitantes portanto a 30/Out, o dia da véspera. Podem-se obter valores de outros dias seleccionando data e depois "Executar"





2018-10-30

Células Fotovoltaicas nas coberturas de instalações industriais


Em Maio/2018 a Ordem dos Engenheiros organizou uma visita de estudo às instalações da IKEA em Alfragide, para ver as células fotovoltaicas instaladas na cobertura da loja desse local.

A central fotovoltaica na loja IKEA Alfragide iniciou o seu funcionamento em Junho de 2016. Esta central tem uma potência total instalada de 967 kWp (o "p" como sufixo de kW forma uma sigla significando que é a potência máxima expressa em kW que a instalação pode produzir, o valor instantâneo varia com a altura do sol, a nebulosidade, etc), com 13 inversores, 3.120 módulos cobrindo uma área de 6.029 m2 e 99% da sua produção será para autoconsumo.

Esta é uma primeira vista de um subconjunto dos painéis instalados


e disseram-nos que as coberturas deste tipo de instalações poderão precisar de ser reforçadas para suportar o peso adicional dos painéis fotovoltaicos, uma vez que as coberturas são projectadas para suportar não mais do que os pesos expectáveis. Não foi necessário furar a  cobertura, evitando assim possíveis infiltrações.



Estas células geram electricidade em corrente contínua com tensões inferiores a 10V. Torna-se assim necessário instalar inversores para converter a corrente contínua em alterna usando depois transformadores para elevar a tensão até aos 230V padronizados para os equipamentos usados no interior de habitações e lojas, tais como candeeiros, etc.  Associados a estes painéis existem portanto uns armários metálicos onde essas transformações são realizadas.



Dada a forma dispersa como a energia solar chega até nós, faz todo o sentido aproveitar as coberturas das instalações consumidoras de energia eléctrica para aí instalar painéis fotovoltaicos geradores de pelo menos parte da energia eléctrica consumida nessas instalações. Continuam a existir economias de escala nas grandes instalações mas essas economias não são tão importantes como nas centrais convencionais.

Neste caso será certamente melhor instalar os painéis na cobertura da instalação consumidora do que instalá-los num campo distante e transportar a energia eléctrica pelas redes de transporte e distribuição.

Com os preços actuais estas instalações são economicamente interessantes sem necessidade de qualquer subsídio.


2018-10-29

Espaços Modernos das Cidades


Até há algum tempo não gostava de zonas antigas da cidade de Lisboa porque, de uma forma geral, os prédios com alguma idade estavam muito mal conservados.

Por outro lado, a organização dos quarteirões em ruas estreitas, sem horizontes, dão-me uma sensação de claustrofobia.

São certamente estas as razões para apreciar os Olivais e agora também o Parque das Nações onde tirei esta foto em Julho/2018 a este passeio amplo reservado a peões no Campus da Justiça de Lisboa




Fez-me lembrar esta outra foto que mostro a seguir, que tirei em 1978 à "promenade" central da "Défense" em Paris, numa data em que ainda não existia a "Grande Arche" mas em que este novo bairro se constituía como uma urbanização futurista da cidade.







2018-10-28

O Branco, uma das Três Cores na História da Arte


Na revista The New Yorker foi publicado um artigo intitulado "O Mito da Brancura na Escultura Clássica".

É sabido há muito tempo pelas pessoas que se interessam pela cultura clássica que a maioria das estátuas gregas era pintada e que a sua brancura quando foram "reencontradas" se devia ao efeito da passagem do tempo nas tintas que as tinham decorado quando inicialmente expostas. A imagem seguinte que retirei do artigo mostra a diferença do aspecto da cabeça duma mulher com e sem pintura.



No texto refere-se, entre outras coisas, a dificuldade psicológica que os ocidentais têm de aceitar que as estátuas gregas e romanas eram polícromas e não daquele branco-mármore que agora lhes parece essencial. Ou então que, mesmo sabendo que foram polícromas, preferem uma versão da côr do mármore, normalmente com alguma "patine" para acentuar as formas.

Refere também uma exposição "Gods in Color" referida na Wikipedia onde se diz que o conceito da exposiçaõ foi desenvolvido pelo arqueólogo alemão Vinzenz Brinkmann, trabalhando com o apoio da gliptoteca de Munique. A imagem seguinte mostra uma comparação feita nessa exposição, inserida também no artigo da New Yorker.


Embora eu não seja um fanático das esculturas sem tinta reconheço que me sinto também mais à vontade nas esculturas monocromáticas, as polícromas fazem-me lembrar bonecos artesanais de presépio, índios e caubóis em plástico pintado ou eventualmente exemplares dos museus de cera da Madame Tussaud, sobretudo quando cobertos por artigos texteis.

Existe uma qualidade abstracta na reprodução monocromática lembrando-nos que não se trata de um ser vivo mas tão só de uma das formas que pode assumir, como nesta Flora de Jean-Baptiste Carpeaux da colecção Gulbenkian exibida na exposição "Pose e Variações. Escultura Francesa no Tempo de Rodin"



Não nos devemos contudo esquecer dos hiper-realistas americanos, como por exemplo Carole Feuerman cujas esculturas eu já mostrara neste post, e em que repito aqui (por curiosidade para verificar se as reprovações são sistemáticas) uma imagem dele que se tornou não visível porque alguém ou algum algoritmo a considerou "não mostrável", talvez por se tratar de um nu frontal, porque a mesma escultura vista de trás não foi objecto de reprovação


e de que volto a mostrar o detalhe das gotas de água sobre a pele


sendo visível que se atingiu uma qualidade de reprodução quase perfeita.

Mas regressando à brancura recomendo a visita do 3º episódio desta série da BBC, que já referira aqui a propósito do azul, em que o Dr. James Fox  fala sobre a História da Arte a propósito de 3 cores: o Dourado, o Azul e o Branco. Embora cada um dos programas dure 1 hora valem bem o tempo que se gasta.

No caso específico do branco James Fox refere os contributos do historiador de arte Winkelman e do industrial Wedgwood como dois dos principais impulsionadores da cor branca no Ocidente.


BBC A History of Art in Three Colours 1 of 3 - GOLD




BBC A History of Art in Three Colours 2 of 3 -  BLUE




BBC A History of Art in Three Colours 3 of 3 - WHITE




2018-10-25

Bolsonaro


Neste vídeo emitido no HBO Brasil em 7/Jul/2018 e publicado no Youtube , Gregório Duvivier da "Porta dos Fundos", que não conseguiu convencer um número  suficiente de pessoas a não votar em Bolsonaro, apresenta sólidas razões para não votar nele apresentando mesmo vários outros candidatos como alternativas preferíveis




No filme seguinte, que vi aqui, adiantam-se conjecturas explicativas para tanta gente ter votado em Bolsonaro





2018-10-24

Estátua de mulher nua num nicho


Achei curiosa a envolvente desta estátua de mulher nua numa rua de Lisboa.





A criação de um nicho arbustivo para envolver a estátua, que já estava colocada num canto impedindo acesso à vista de muitos ângulos, quase  parece pretender resguardar a estátua de olhares indiscretos. Será que o jardineiro tem ciúmes? Será a Susana da Bíblia  depois do banho, aqui cuidadosamente protegida dos olhares libidinosos dos velhos?


Ponte Hong-Kong - Zhuhai - Macau inaugurada!


Foi ontem (23-Out-2018) inaugurada pelo presidente da República Popular da China, Xi Jin Ping, a ponte marítima mais longa do planeta com 55km, que passou a unir Hong-Kong, Zhuhai e Macau na foz do delta do rio das pérolas.

Referi esta ponte num post de 2018-01-24 e pode ver um filme sobre ela aqui na BBC.

2018-10-17

Posturas corporais, uchimata


A referência à simplicidade das casas japonesas decoradas de forma tradicional com esteiras de tatami no chão onde as pessoas se sentam sem recurso a cadeiras ou bancos como no post anterior



e como também em vários templos como este que visitei em Kyoto


fez-me lembrar uma ligação que me pareceu existir entre esta característica da cultura japonesa e a posição dos pontas dos pés das mulheres que estão em muitos casos a apontar para dentro, originando uma forma de andar estranha, que aos meus olhos de ocidental parece desajeitada, embora tenha lido aqui que é considerada no Japão como muito elegante e discreta.

Em japonês esta posição dos pés com as pontas viradas para dentro chama-se "uchimata". Infelizmente este é também o nome de um golpe de judo pelo que aconselho a googlar (uchimata girls) sem aspas para aceder a alguns sítios onde falam dos "pés metidos para dentro" como neste filme e neste post.

Nestoutro sítio encontrei apoio para a conjectura que então me ocorreu de que esta posição dos pés estaria ligada à posição mais frequente nas mulheres de se ajoelharem no chão sentando-se sobre os calcanhares. Como é patente nesta última foto esta posição força os pés a ficarem com as pontas viradas para dentro. Os homens não são forçados a sentar-se desta maneira pois têm a alternativa da posição de lótus que não é viável para as mulheres quando vestem algo que as impede de terem as pernas abertas como é o caso com kimonos de formato equivalente a uma saia "travada".

Os ingleses chama a esta posição dos pés "Pigeon toe".Cheguei a tirar uma foto aos pés dumas japonesas, sem sucesso para mostrar os pés metidos para dentro. Na minha foto seguinte, mostrando calçados estranhos para a moda ocidental, documento que me dei ao trabalho de enquadrar pés numa foto, coisa que julgo só ter feito no Japão


Para fotos melhor sucedidas ver as de Claude Estebe sobre a uchimata.


2018-10-12

Mobilar



Entre a opulência deste interior do Palácio de Buckingham, nesta foto tirada por Annie Leibovitz em 2016 pelo 90º aniversário da rainha Isabel II, rodeada por 2 netos e 5 bisnetos, numa encenação certamente supercuidadosa



e o minimalismo desta casa japonesa situada no jardim de Sankien em Yokohama, numa foto tirada por mim em 2014



vai um mundo de possibilidades.

Mas mesmo o minimalismo, com o chão em tatami e aparentemente sem móveis deriva de uma tradição longa. Uma parte importante da casa é o jardim em que se insere, percebendo-se melhor ao ver um bocadinho do jardim



porque era a casa de uma família muito rica de Yokohama.

As casas japonesas com estrutura em madeira e painéis com papel translúcido deixando passar a luz parecem muito adequadas a uma terra com grande frequência de sismos. Se calhar fartaram-se de ver os móveis aos saltos durante os terramotos e optaram por guardar poucas coisas dentro de algumas caixas.

Nesta casa ainda tinham uns móveis com formas ocidentais, talvez fosse para receberem estrangeiros com dificuldade em se sentar no chão.

2018-10-10

Beira-Tejo


O Parque das Nações é inesgotável para tirar fotografias, desta vez uma poalha prateada no rio Tejo, observado ao lado do jardim Garcia da Orta, protegido do sol pela alameda de pinheiros




Entretanto tive dúvidas sobre o enquadramento desta foto e fiz duas variantes, em que o poste do teleférico deixou de aparecer, além de que o horizonte ficou de nível em vez de ligeiramente inclinado, a primeira com um ratio de 4:3




e a segunda com aproximadamente 16:10



Talvez goste mais desta última.

2018-09-30

Plantas em canteiros algarvios


Desta vez não sei quais os nomes das plantas que passo a mostrar, primeiro esta que me surpreendeu porque de cada nó saem 10 folhas:



e ao pé dela estavam estas florinhas de um magenta praticamente puro, apenas com vermelho e azul, praticamente sem verde, como pude constatar medindo os componentes RGB (Red, Green, Blue) num programa de processamento de imagens



Depois concentrei-me apenas em 4 flores, onde também se constata que as folhas da planta são carnudas, para sobreviverem às secas algarvias




e depois numa flor única




2018-09-27

Sobre o roubo em Tancos


Apreciei o texto do Daniel Oliveira sobre os desenvolvimentos recentes, com a constituição de arguidos incluindo o director da Polícia Judiciária Militar, no âmbito da investigação do roubo de material militar em Tancos, que apareceu no jornal Expresso e de que destaco:

«...
Se as coisas são o que parecem, não é o crime que virá a envergonhar as Forças Armadas. Não é sequer a insegurança. É o ridículo. Havia um tipo que tinha gamado umas armas, coisa sem importância. Mas aquilo, vai-se lá saber porquê, apareceu na televisão. Ele assustou-se e quis desfazer o erro. Como o ladrão era um ex-militar, tinha um amigo na GNR que falou com outro que conhecia um gajo lá na PJM. E trataram de devolver tudo e até mais um bocadinho, que um homem perde-se no inventário. Isto é o que parece mas não pode ser, porque transformava a nossa tropa numa anedota

...

Porque sem elas a Justiça está condenada: só há Justiça com democracia e só há democracia com instituições fortes. Assim sendo, a única coisa que se exige é ponderação e bom-senso. Os cuidados da procuradora-geral, ao fazer um contacto prévio com o ministro da Defesa, fazem-me acreditar que desta vez alguém percebeu isso. Até porque suspeito que no fim o ridículo de toda esta história será tão grande que é melhor dar aprumo ao que não tem aprumo nenhum. Já nem a roubar há disciplina.
»


Mar visto dos Três Irmãos





Mar visto de falésia em 27/Jul/2018 junto da praia dos Três Irmãos na freguesia de Alvor do concelho de Portimão, avistando-se a Ponta da Piedade ao fundo.

2018-09-22

A cidade subterrânea (Ben Wiseman)


Vi esta imagem na New Yorker, foi feita por Ben Wiseman, um jovem "illustrator" (ilustrador, desenhador, artista gráfico, não sei qual o termo português mais frequente) e gostei imenso da caracterização quer do ambiente técnico quer dos variados tipos de pessoas que utilizam o metro de Nova Iorque.



Constato mais uma vez que as cores sólidas dos guaches chegam para caracterizar uma situação com muita complexidade.


2018-09-19

Aldo Andreolo


Houve uma altura em que comprava postais nos quiosques, nas livrarias e nos museus, sobretudo quando estava em viagem, quando via imagens de que gostava.

Julgo que agora compro postais mais raramente, provavelmente por pensar que poderei rever a imagem na internet.

Comprei o postal "La Venexiana", que mostro a seguir, na Inglaterra há mais de 20 anos


de longe em longe vejo-o ao passar num meu álbum de postais, talvez aprecie que poderia ter sido pintado a guache pois tem cores sólidas, aparentemente sem sombras, se bem que as madeiras tenham várias tonalidades conforme estejam ao sol ou à sombra.

Os tons pastel e a composição minimalista parecem adequados a Setembro, um mês tranquilo no Algarve.

Ontem tirei esta foto do postal e fui à procura de quem era  o autor. Trata-se de um artista italiano de Veneza, tem biografia e foto aqui.


2018-09-17

Joana Marques Vidal


Agora que se intensifica a pressão da direita para a recondução da Joana Marques Vidal, fui formando uma opinião que coincide praticamente com a do Daniel Oliveira, designadamente quando refere a fragilização de futuros procuradores que terão a tentação de agradar ao poder político para obterem um segundo mandato.

Acho curiosa a alegação de que finalmente se dá luta contra os poderosos, lembro-me que antes desta procuradora atacaram a Leonor Beleza, num processo aliás vergonhoso, a propósito da aquisição de sangue contaminado, o Oliveira e Costa a propósito do BPN, Jardim Gonçalves e administradores do Banco Comercial Português sem grandes resultados, prenderam Costa Freire, um secretário de Estado da Saúde, Isaltino Morais como autarca de Oeiras, acusaram Carlos Melancia e outros no caso dos faxes de Macau, Pinto da Costa e Valentim Loureiro na operação Apito Dourado, lançaram suspeitas sobre dirigentes do PS no caso Casa Pia e outros que sei que existiram mas que não me ocorrem imediatamente.

Parece-me que a referência à luta contra os poderosos não passa de um eufemismo para a prisão preventiva do Sócrates, sobre cuja actuação tenho agora grandes suspeitas, continuando contudo a considerar iníqua a sua prisão preventiva e pouco recomendável a condução do processo até à produção final da acusação.

Dá-se o caso de constituirem como arguidos agora Ricardo Salgado e outros do BES e administradores da Portugal Telecom. O descalabro do BES e da PT, pela sua dimensão, requeririam sempre um inquérito, procuradores anteriores também constituiram arguidos administradores de bancos. Processos contra Benfica e Sporting sucederam-se a processos contra Porto e Boavista.

Quanto à pena de prisão efectiva para Duarte Lima não consigo deixar de pensar que os processos que corriam contra ele ficaram mais céleres quando apareceram fortes indícios de ser responsável pelo assassínio duma mulher no Brasil.

E a actual procuradora não conseguiu por termo às violações sistemáticas do segredo de justiça alegando mesmo que as penalidades existentes na lei para esse tipo de crime não impunham prioridade ao seu tratamento.

Veremos como terminam os processos em curso. É natural que os poderosos se consigam defender melhor do que os que estão longe de qualquer poder mas ainda não se viram os resultados finais de muitos processos importantes iniciados por vários procuradores durande o mandato da actual procuradora.

Parafraseando o jornal "El Pais", sobre a extensão da duração dos julgamentos por medidas dilatórias, "em Portugal cá se fazem cá se pagam, desde que se goze de boa saúde... "


2018-09-16

Ana Miralles


A referência no post anterior ao livro “A cidade subterrânea” de David Macaulay, um livro composto de páginas quase exclusivamente com desenhos, e uma reordenação de algumas prateleiras nas estantes de casa lembrou-me a existência de uma banda desenhada, que comprei já depois do ano 2000, intitulada Djinn, desenhada pela espanhola Ana Miralles com texto de Jean Dufaux.

A série interessou-me pelos desenhos das capas, pelos desenhos no interior e pelos ambientes exóticos. A história ao princípio enigmática, revelou-se muito fraca e comprei vários números por causa apenas da qualidade dos desenhos.

Publicaram um volume “hors-série” intitulado “Djinn / Ce qui est caché » referido numa crítica ao conjunto da série, crítica essa com que concordo no geral.

Aqui está a capa desse volume



e um detalhe da figura



2018-09-14

A cidade subterrânea


Hoje ao passar na Rua de Entrecampos, ao pé dum edifício da EPAL, adjacente à estação ferroviária de Entrecampos, encontrei uma cova com alguma dimensão onde estavam a instalar, entre outras coisas, o que me pareceu ser uma válvula numa conduta de água

em que no lado direito está uma garrafa de água de 1,5L que dá uma ideia da escala.

Achei curioso pintarem com cores diferentes as diversas peças do conjunto, parece inútil para um equipamento que vai ficar enterrado. Conjecturei que talvez facilitasse as instruções de montagem e que no futuro, quando escavarem para chegar a este equipamento a presença da côr, se ainda persistir, ajudará a identificar qual o componente que está a ser descoberto.

Tirei ainda outra foto do mesmo conjunto


ficando a pensar que a escala de objectos, como neste caso uma válvula, influencia bastante a sua forma, mesmo que tenham função idêntica de controlo do fluxo da água.

Lembrei-me também do livro "A cidade subterrânea" de David Macaulay, livro interessantíssimo com umas perspectivas espectaculares em que a terra aparece transparente, que referi aqui e cuja capa mostro a seguir



Uma pessoa por vezes esquece-se da existência de infraestruturas muito importantes que não estão à vista e concentra-se quase exclusivamente nas novidades da internet

.

2018-09-12

Como pintar


Tenho continuado a ler de vez em quando a revista "The New Yorker", gosto dos textos e também das ilustrações.

Esta imagem apareceu recentemente num dos números da revista



provavelmente sobre a embrulhada em que os ingleses se meteram votando num referendo que queriam sair na União Europeia.

Mas o que me seduziu foi o resultado tão "realista" de um conjunto aparentemente tão arbitrário de manchas de cor espalhadas  pela tela. Por exemplo não percebo o que estão a fazer a mancha vermelha ao pé de um dos olhos e as manchas cor-de-laranja ao pé do outro olho, já para não falar do verde-mar ao pé do nariz. Contudo identifico com grande facilidade a Theresa May.

Compreendo que isto será provavelmente o resultado de muitos anos de treino mas gostaria que me tivessem ensinado algumas técnicas que após algum treino me permitissem desenhar uma figura humana que pudesse ser identificada e que revelasse uma de várias emoções possíveis.

Na disciplina chamada "Desenho" que tive no liceu, os professores limitavam-se normalmente a dizer para pintarmos alguma coisa classificando depois o talento de cada aluno.