quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Igreja copta


Afinal talvez tenha sido uma notícia da BBC em que referiram o restauro de uma igreja copta no Egipto, mostrada na figura abaixo,



que me levou a publicar o prato do post anterior. “Copta” queria antigamente dizer “egípcio” mas foi assumindo o significado da igreja cristã existente no Egipto até à actualidade.

A igreja copta resultou de uma cisão no cristianismo no século V, no Concílio de Calcedónia em 451 DC. Este DC é pleonástico pois seria muito estranho que se tivesse realizado um concílio cristão numa data antes de Cristo.

Os coptas são monofisitas, consideram que Cristo embora tenha tido natureza humana e divina não permaneceu com esta dualidade, tendo passado a ter uma natureza única (sendo a natureza humana como que absorvida pela natureza divina) donde o termo “monofisita”.

Na figura a seguir mostro um esquema muito genérico das várias ramificações do  Cristianismo, disponível na Wikipédia



É possivel que exista uma questão de afirmação de uma identidade egípcia face à restante cristandade, designadamente de Constantinopla. Os cristãos coptas têm-se mantido ao longo de séculos no Egipto, mesmo depois deste ter sido conquistado pelos muçulmanos, sendo actualmente cerca de 10% da população. Durante a “primavera” egípcia os cristãos foram vítimas de vários ataques mas ultimamente não têm aparecido notícias sobre este tema, pelo que suponho que se tratou duma manifestação da instabilidade que reinou durante algum tempo no país.

Apreciei a profusa decoração geométrica das paredes desta igreja, que me levou a procurar mais imagens dela, que obtive na Wikipédia aqui.

Nesta temos a  visão exterior



gostei desta imagem do interior




e muito do painel com os ícones no topo e “estrelas geométricas” por baixo:




Desta última tirei este detalhe (depois de deformar)



As decorações das igrejas são influenciadas e influenciam a arte da sociedade em que se situam.

Estas figuras lembram o Alhambra e muitas decorações do norte de África, presentes em palácios e mesquitas.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Prato do Egipto


Tenho uma pasta onde ponho imagens que penso colocar neste blogue, a propósito de qualquer assunto ou por associação de ideias com algum post anterior. Desta vez foi só porque a imagem já estava há muito tempo na pasta e já estava cansado de a ver por lá.

É um prato de madeira com embutidos de madeiras de vários tons e de madrepérola, com um diâmetro de 17cm. Feito pelo artesão duma rua do Cairo que referi aqui.




Em Marrocos usam muito a estrela de 5 pontas, designadamente na bandeira, e em muita arte do Islão aparecem estrelas de 8 pontas, formadas por 2 quadriláteros rodados de 45º. Esta de 6 pontas aparece na bandeira de Israel, chamam-lhe a estrela de David, mas felizmente ainda não existe propriedade intelectual sobre formas geométricas.

segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Energia Nuclear outra vez


Há tempos escrevi este comentário no blogue iraniano “Persian paradox”:
«
Nuclear power plants are the offspring of atomic bombs and I am very much convinced that the technology has been heavily subsidized to become profitable .
Checking "http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_nuclear_reactors" one sees nuclear power plants producing electricity (with generators bigger than 100MW) at the following countries:

Argentina, Belgium, Brazil(2), Canada, China, Cuba(1), Finland, France, Germany, India, Iran(2), (Iraq), Japan, Mexico(2), Netherlands(1), North Korea, Pakistan, South Korea, Spain, Sweden, Switzerland, Taiwan, United Kingdom, U.S.A, former U.S.S.R countries and East European countries under former strong influence by the USSR

With nuclear arsenal: China, France, India, North Korea, Pakistan, U.K, USA, Russia

Argentina and Brazil pretend to be regional powers, Belgium has probably got economic favorable conditions from the France program, Cuba got one as satellite of USSR, (Iraq) got an attack from Israel on Osirak and the other power plant is not functioning, Mexico got only two, Netherlands discovered gas in the North sea when they were starting their nuclear program

Exceptions: Canada, Germany, Finland, Japan, South Korea, Spain, Sweden, Switzerland, Taiwan. Germany, Japan, Sweden and Switzerland have decided to give up nuclear power, they find it unsafe. Spain stopped its program in the eighties after ETA shot dead two chief engineers, one after the other, of the power plant at Lemoniz in the Basque country and has now a very big renewables program with wind and solar.South Korea has probably been influenced by the North Korea nuclear program. The ones left are Canada, Finland and Taiwan. You know that nuclear power plants produce a lot of heat and that is considered a bonus in cold countries like Canada and Finland. I would guess Taiwan nuclear power could be a by-product of the cold war but I am not sure.

Iran has so much natural gas that it would make more sense to install wind and solar power and cover the intermittencies with much less capital intensive combined cycle power plants.

I find the choice of nuclear power to produce electricity by Iran very difficult to explain as making economic sense.
»

É o facto da energia nuclear fazer pouco sentido económico que faz o Ocidente desconfiar das verdadeiras intenções do programa nuclear iraniano.

Uma prova adicional da falta de competitividade da energia nuclear aparece nas negociações que o governo do Reino Unido tem desenvolvido para subsidiar uma nova central nuclear no sul de Inglaterra, em Hinkley Point. Para uma tecnologia que se estabeleceu nos anos 50 do século passado já seria mais do que tempo para poder singrar sem a bengala do Estado. No fundo, tudo isto faz sentido: não pode haver dinheiro para o Estado Social porque o dinheiro dos contribuintes é necessário para estas actividades sem qualquer viabilidade económica fora de pesados subsídios estatais.

Tanta irracionalidade económica poderá talvez ser justificada por o Reino Unido pretender manter-se no restrito clube das potências com bomba atómica. Mas nesse caso deveria existir transparência na alocação de verbas e atribuir estes subsídios a despesas do Ministério da Defesa.

Agora o que não faz nenhum sentido é que a União Europeia esteja a considerar atribuir verbas a este projecto, quer se trate de um disparate económico ou de uma questão de soberania do Reino Unido.

Deixo aqui uma imagem publicada no site da BBC com uma foto de protestos contra a energia nuclear no Japão, algum tempo depois do desastre na central de Fukushima.



Foi nessa altura que descobri que este padrão,


que publiquei num post sobre Agências de notação, era uma representação estilizada das escamas de uma carpa.

Publiquei neste blogue 3 posts referindo a energia de origem nuclear. Este sobre “Energia e Política” será o principal desse conjunto.


Adenda em 2014-10-12: La Comisión Europea ha autorizado este miércoles a Reino Unido a dar subvenciones de hasta 20.000 millones de euros para la construcción...

Os subsídios virão portanto dos consumidores e/ou dos contribuintes britânicos, não estando directamente envolvidos subsídios europeus. Ou melhor, aparentemente não estarão envolvidos subsídios da União Europeia.

A central terá uma vida útil prevista de 60 anos. Impressionante como um governo, neste ambiente de mudanças frenéticas de tecnologias subsidia uma solução técnica que se prevê ter uma vida útil de  60 anos! E que alegando ter uma confiança tão grande nos mercados se dispõe a favorecer uma tecnologia que o mercado rejeita de forma tão categórica!
 

sábado, 27 de Setembro de 2014

What an amazing idea



Um amigo enviou-me este vídeo com um bailado lindíssimo



que termina com uma variação da Golconde do René Magritte



O bailado fez-me lembrar a animação do Ryan Woodward "Thought of you" que publiquei aqui.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Kerry James Marshall, exposição em Madrid



No Palácio de Velazquez, no Parque do Retiro em Madrid está uma exposição do pintor americano Kerry James Marshall, de Junho a 26/Out/2014, organizada pelo Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, conforme refere aqui.

Nessa exposição fotografei este quadro




com um anjo negro, homenageando de forma destacada John e Robert Kennedy e Martin Luther King, heróis das lutas pelos direitos civis nos E.U.A. que morreram assassinados.

A  acompanhar o quadro tinha esta legenda



Fiquei a pensar que quase não tenho visto quadros de autores negros e que é também raro ver figuras de raça negra nos quadros mais populares na Europa e nos E.U.A.

Neste sítio, onde encontrei esta "Vénus negra", do mesmo pintor



fala dessa ausência de figuras de pele escura na arte ocidental.

Não gosto do hábito entranhado da designação de Afro-americanos. Só suportaria a designação se fosse acompanhada do termo Euro-americanos para designar o que normalmente se chamam "Americanos". Os que chegaram à América há mais tempo são chanados "Native Americans".

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Maluda no Algarve - 2


Quando vejo línguas de terra lá ao longe, depois dum rio, duma ria ou dum pedaço de mar, com um céu muito azul sem nuvens, costumo lembrar-me das paisagens da Maluda, como uma de Olhão que já mostrei aqui.

Desta vez isso aconteceu-me quando fotografei ao longe a praia do Barril, no concelho de Tavira, aproximadamente nas coordenadas  37° 5'43.79"N;   7°40'16.84"W.




A praia propriamente dita (o areal e a água), que não se vê na foto, está na ilha de Tavira e é acessível através de uma ponte pedonal próxima de Pedras d'el Rei e eventualmente de uma viagem num combóio de praia, para quem não quiser fazer 1200m a pé.

 Relembro este post em que falei pela primeira vez de Maluda neste blogue e a imagem que mostro a seguir, "Olhão II, 1972" é também do livro "Maluda" de Carlos Humberto Ribeiro e Ianus Unipessoal Lda. que referi nesse post.


domingo, 14 de Setembro de 2014

Taças facetadas



Encontrei estas taças metálicas de superfície facetada numa montra duma loja na Galerie de la Reine (Galerie Royales Saint-Hubert) em Bruxelas, em Junho deste ano.




Aproveito para dizer a despropósito que discordo da maioria dos comentadores que dizem que António José Seguro ganhou o frente-a-frente com António Costa por ter sido mais agressivo. A mim pareceu-me muito mal que tivesse iniciado o debate com uma acusação de traição e de deslealdade.

Por outro lado, parece-me pueril que se espere que algum político pronuncie uma frase mágica num destes debates, revelando qual é o caminho para a salvação de Portugal.

Não sei porque me lembrei de colocar aqui esta foto agora. Terá sido por causa do debate a 2?

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Luz de Setembro ou a Linha do Horizonte


Todas as 4 fotos foram tiradas no fim da tarde do passado dia 6 de Setembro, no  fim do molhe da Praia da Rocha.

Estava um mar chão, o vento ausente e a linha do horizonte separava um mar mais escuro ou mais claro do que o céu, conforme a direcção em que se olhava e o momento da foto.

Às vezes a linha do horizonte quase desaparecia.

As fotos vão do Oriente para o Ocidente e de mais cedo para mais tarde.
















quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Mestres de Cerâmica


Vi este pequeno filme na Vida Breve do Luís M.Jorge. Mostra mestres artesãos da Coreia moldando peças de cerâmica. É bom para variar ver gente a produzir objectos de grande beleza, em vez de se dedicar a outras actividades menos recomendáveis. E gosto do olhar focado de todos estes mestres.


 

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

O banhista


Quando passei por Florença em 2004 surpreendeu-me esta imagem de Jesus Cristo segurando a cruz duma forma que me pareceu muito displicente, como se pode constatar na foto que então tirei:


A escultura está na “chiesa di Santo Spirito”, igreja do Espírito Santo, e talvez seja esta coincidência de se falar muito do Espírito Santo (do BES) e de estarmos na época de se verem muitos banhistas que me levou a ir buscar esta foto.

As imagens têm um grande poder evocativo e podem-se escrever sobre elas textos sem fim, até mesmo blogues como este, que se compraz a juntar textos às imagens.

Na minha educação católica havia duas cenas da vida de Jesus Cristo em que entrava o próprio e a cruz: quando já estava crucificado e quando ia a caminho do local da crucificação, arrastando com dificuldade a própria cruz em que iria ser crucificado. Havia até uma passagem do evangelho em que referiam que nesse penoso transporte tinha sido ajudado por um espectador que se apiedara da situação de Jesus.

Na minha infância esta cena do transporte da cruz ficou cristalizada na imagem do Senhor dos Passos da igreja da Lapa, no Porto, que encontrei agora através duma busca no Google no blogue “A vida em fotos” . A foto dá uma boa ideia geral da cena, lembro-me que a escultura era pintada e tinha, além duma coroa de espinhos, umas tantas gotas vermelhas de sangue a salpicar a cara de Jesus.



Actualmente tenho dúvidas (para usar um eufemismo) sobre a exactidão histórica do traje de brilho acetinado e de cor roxa com que decidiram vestir o supliciado, mas a posição corporal parece-me bastante realista.

Julgo que tenha sido por esta minha memória de infância do Senhor dos Passos que me impressionou o ar displicente deste Jesus Cristo da igreja italiana, que mais me parece um banhista apoiando-se num poste de uma paragem de autocarro.

Para documentar a estátua da igreja do Espírito Santo fotografei a legenda adjacente à escultura



onde se constata que foi executada por Taddeo Landini inspirando-se, ou copiando, o “Cristo portacroce” de Miguel Angelo que está em Roma na igreja de Santa Maria sopra Minerva.

Através do Google fui dar à wikipédia onde constatei que afinal o Cristo portacroce foi esculpido inicialmente nu, tendo posteriormente sido colocada uma peça em bronze a cobrir a genitália.

Só o fascínio que a escultura greco-romana exerceu durante o Renascimento permite compreender esta falta de sintonia entre uma cena histórica e uma sua representação.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Vista de Monchique


É uma tradição das férias fazer pelo menos uma visita a Monchique. Antigamente costumava ir mesmo até à Fóia, o ponto mais alto da serra, com uma altitude de cerca de 900m, onde estava um marco geodésico grande. Há uns anos esse marco ficou inacessível, devido à presença de umas instalações militares e vou menos ao topo da montanha.

Costumo ir ao restaurante "Paraíso da Montanha", na estrada de Monchique para a Fóia, coordenadas  37°18'27.73"N,   8°35'6.68"W, altitude 627m, um restaurante simpático de cozinha simples mas boa, tradicionalmente comia-se frango assado, com batatas fritas e salada, com ou sem piri-piri. Tem bolinhos de amêndoa tradicionais do Algarve.

Vista magnífica da esplanada, desta vez alguma neblina na orla marítima do Algarve. Em dias bons vê-se bem Portimão ao fundo.

Há uma pedreira de sienito de Monchique, do lado esquerdo do panorama na montanha lá longe, que preferi deixar fora do enquadramento, destacando esta araucária de que falo às vezes neste blogue.





sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Alcantarilha


Tendo passado sempre parte ou a totalidade das férias de Verão no Algarve é natural o reconhecimento de características da paisagem, designadamente da paisagem, mais ou menos urbana, à beira de estradas por onde se passou muitas vezes, como a durante muito tempo inescapável N125.

Ao passar por Alcantarilha via com agrado esta casa, que avistei recentememnte mais uma vez, quando ia, por assim dizer "à bolina", pois dirigia-me de Sotavento (para onde sopra o vento) para Barlavento (de onde sopra o vento).




A casa é representativa de um estilo muito comum no Algarve, onde já foi dominante, estando naturalmente a perder terreno para a quantidade imensa de construção nova.

Agrada-me ver casas bem conservadas, há uns tempos constatei que a minha má vontade em relação a casas antigas se devia mais à falta de conservação do que à idade da casa.

Poucos kilómetros à frente parei numa casa em Porches onde vendem cerâmica, também do lado esquerdo da estrada para quem vai em direcção a Sagres, e reparei na janela



que me pareceu parecida à da casa de Alcantarilha que acabara de fotografar.

É fácil verificar uma impressão que se tem quando se dispõe duma foto, mostro a seguir uma janela da casa de Alcantarilha


Trata-se de artesanato feito em pequenas séries, gosto do ritmo dos pequenos vidros, mais animado do que a disposição matricial de vidros todos iguais.



quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Agora vão para a CGD

Diz no jornal Público que uns 200 milhões de euros migraram do BES para a CGD, só  na passada segunda-feira.

É curioso como tanta gente diz que o Estado é um gestor incapaz mas, quando a gestão privada, alegadamente sempre mais profissionalizada e mais eficiente, como dizem constantemente as nossas Universidades de Economia, premiadas pela sua aderência ao pensamento dominante quase único, dizia eu quando a tal maravilhosa gestão privada mostra que afinal não é perfeita, acolhem-se à CGD, um banco detido a 100% pelo muito vilipendiado Estado Português.

Porque será que não foram em tão grande volume para outro dos bancos privados?


A Troika nacional tem 3 Cs


São o Cavaco, o Coelho e o também inefável Carlos Costa. Visto neste post do Sérgio Almeida Correia, pessoa que parece ver consistentemente melhor o que se passa em Portugal, lá de tão longe, em Macau.

sábado, 2 de Agosto de 2014

Depois dos móveis, os ornamentos


Depois da montagem dos móveis referida no post anterior veio a procura dos ornamentos (tradução do Google para bibelot).

Fomos  a Porches, lugar do concelho de lagoa no Algarve, onde há mais de 30 anos uns irlandeses se dedicam a fazer cerâmica tipicamente portuguesa. Fecham aos domingos pelo que fomos a outra casa onde encontrámos estas tacinhas de cerâmica, com cerca de 5 cm de diâmetro que nos disseram serem feitas em Elvas.




Gostei do uso do mesmo motivo, com transformações geométricas simples, para o adaptar da forma circular para o quadrado. No caso acima há um sector circular que é deformado para preencher o quadrado da diagonal castanha para cada um dos vértices opostos a essa diagonal. Existe uma quase simetria em relação à diagonal castanha.

No par de tacinhas seguinte, o sector circular é ampliado ficando o centro do círculo num vértice do quadrado e o círculo exterior passando pelo vértice oposto.




Quem nos vendeu as tacinhas disse-nos que os desenhos se inspiravam nos que eram usados pelos decoradores de mãos e de outras partes do corpo com o uso de hena, uma prática comum em muitos países, do Norte de África até ao extremo Oriente.

Não sei se foram uma fonte directa de inspiração, mas reconheço algumas semelhanças aqui.

Neste sítio da Wikipédia sobre a hena tem um filme muito interessante de pouco mais de 2 minutos, mostrando a execução da pintura de uma mão com pasta de hena. No mesmo artigo têm avisos de csutela no uso da hena, por causa de eventuais alergias.

domingo, 27 de Julho de 2014

Meditação?


Gostei da tranquilidade transmitida por mais esta imagem do Buda, bem vistas as coisas ainda não passei por nenhuma que não transmitisse tranquilidade, a imagem está no jardim do templo Asakusa Kannon em Tóquio, parece-me que a escala é ligeiramente maior do que a do mundo natural




Ultimamente tenho-me dedicado à montagem de vários móveis da IKEA. Sempre gostei de brinquedos que requeriam um trabalho de montagem e, sob o ponto de vista do montador de brinquedos, um móvel é um brinquedo em ponto grande.

Tem-me faltado tempo/disposição para ler as numerosas colecções que o jornal Expresso vai proporcionando aos seus leitores assíduos. Na colecção sobre religiões, composta de 6 pequenos livrinhos apenas concluí o primeiro sobre o Hinduísmo e vou a meio do segundo, que versa o Budismo. Em ambas existe um esforço de meditação para não pensar em nada.

Tenho grande dificuldade em perceber qual a vantagem de não pensar em nada, parece-me uma actividade com um enorme potencial para o tédio. Por outro lado, ocupar a mente com problemas espaciais simples e a sequência bem descrita das operações de montagem pareceu-me uma aproximação interessante à meditação.

Fiquei a  pensar que talvez este Buda estivesse a rever mentalmente a sequência de operações de montagem de qualquer coisa antes de iniciar o trabalho.

Deixo outra foto tirada duma perspectiva mais formal.



Gosto da leveza do Buda a meditar, qualquer flor de lótus basta para o suportar. E gosto das jarrinhas com flores que costumam fazer companhia às estátuas do Buda.

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

A cica, um ano depois


Este ano a cica, que referi há um ano e há 8 meses, voltou a ter novas folhas e parece em bom estado


sábado, 12 de Julho de 2014

terça-feira, 8 de Julho de 2014

Comer sózinho


A grande maioria dos restaurantes que vi no Japão eram "normais", no sentido de terem mesas onde as pessoas se sentavam em grupos de duas ou mais pessoas, com as cadeiras à volta das mesas.

Mas neste restaurante em Quioto as pessoas tinham um pequeno tabique à frente, presumivelmente para tornar a refeição mais privada, dificultando o contacto visual:



e nesta parte de um MacDonalds os clientes pareciam estar de castigo:

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Flores à beira de lago


No  jardim Leste do palácio imperial em Tóquio


domingo, 29 de Junho de 2014

Declaração de Humanidade


Em Tóquio está o “Meiji Shrine”, em português “Santuário Meiji”, um parque cheio de árvores como esta



de que mostro detalhe




no meio da cidade, onde repousam os restos mortais do imperador Meiji.

A dinastia Yamato de imperadores do Japão é a mais antiga do mundo inteiro, existindo provas da sua existência ininterrupta desde há 1500 anos e alegações de que existe desde 660 AC (Wikipedia dixit). 

Num período de tempo tão grande o papel do imperador foi mudando, umas vezes mais executivo, outras vezes mais afastado do poder, como um monarca constitucional. De 1868 a 1912, situa-se a era Meiji em que o imperador, na sequência da abertura forçada dos portos do Japão aos estrangeiros, retomou um papel activo na condução da política e fomentou a introdução das técnicas ocidentais na sociedade japonesa.

No recinto existiam várias lanternas como esta


de que deformando obtive esta imagem


que a guia disse ser o símbolo do imperador do Japão.

Tive a ilusão de classificar o grafismo, na sua simplicidade geométrica, como um exemplo de Art Déco, mas neste artigo dão a entender que a forma deste selo do imperador, duma flor estilizada com 16 pétalas já é usado há vários séculos. A bandeira do imperador tem o selo sobre um fundo vermelho. Estas formas fizeram-me lembrar estas.



Ao mesmo tempo que se desenrolavam umas cerimónias shintoístas em que as crianças manifestavam, como nas igrejas cristãs, interesses diferentes dos adultos,




noutra parte do recinto um grupo de pessoas vinha,ao que presumo, mostrar o seu respeito pelo imperador Meiji.




Este formalismo é realmente exótico, não existem túmulos em Portugal onde as pessoas vão fazer uma vénia, ainda por cima vestidas tão formalmente. O nome de “santuário” para designar um local onde está o túmulo dum imperador dá a entender que o local é mais do que um mausoléu de uma pessoa importante, trata-se de um local sagrado.

Enquanto numa religião monoteísta o rei só pode aspirar no máximo a ser o representante de Deus na terra, reivindicando mesmo assim poderes absolutos, em religiões politeístas como no shintoísmo o rei ou imperador pode-se habilitar a ter mesmo um estatuto divinal.

Esse estatuto deve ter contribuído para que o imperador Hirohito não tenha sido julgado pelas suas responsabilidades no comportamento agressivo do Japão que culminou nas atrocidades cometidas na invasão e ocupação de muitos países da Ásia antes e durante a 2ª grande guerra mundial. Porém o comandante supremo das forças aliadas, general MacArthur exigiu do imperador uma “Humanity Declaration”:
«
Delivery of this rescript was to be one of Hirohito's last acts as the imperial sovereign. The Supreme Commander Allied Powers and the Western world in general gave great attention to the following passage towards the end of the rescript:
朕ト爾等國民トノ間ノ紐帯ハ、終始相互ノ信頼ト敬愛トニ依リテ結バレ、單ナル神話ト傳説トニ依リテ生ゼルモノニ非ズ。天皇ヲ以テ現御神トシ、且日本國民ヲ以テ他ノ民族ニ優越セル民族ニシテ、延テ世界ヲ支配スベキ運命ヲ有ストノ架空ナル觀念ニ基クモノニモ非ズ。
The ties between Us and Our people have always stood upon mutual trust and affection. They do not depend upon mere legends and myths. They are not predicated on the false conception that the Emperor is divine, and that the Japanese people are superior to other races and fated to rule the world. (official translation)

»

Existem algumas dúvidas sobre a qualidade da tradução oficial, mas esse é o destino de todas as traduções bem como de todas as interpretações de textos.

É verdadeiramente extraordinário que um homem venha dizer que não é divino, reconhecendo a sua natureza humana.

Para pessoas comuns como eu as dúvidas sobre a minha natureza humana só se têm manifestado na internet, sob a forma de suspeitas de que eu seja um robot.

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Ikebana


Como em muitas outras coisas os japoneses também são perfeccionistas nos arranjos florais.


O suporte para as flores não costuma ser um recipiente cilíndrico ou cónico, ao contrário das jarras comuns no ocidente e as flores, embora importantes, não são tão dominantes no arranjo como se constata aqui





mas usar jarras "cilíndricas" não é proibido:



embora as taças largas e baixas  (como a que segue) recorendo ao "kenzan" sejam mais frequentes





quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Salada de atum


A propósito do tempo quente, antes que passe:



Leito de alface,  6 rodelas de pepino nos vértices de um hexágono sobre as quais se colocam 6 rodelas de ovo cozido, meia lata de atum aos bocadinhos entre as 6 rodelas, com um pouco de maionese em cima de cada pedacinho de atum, 3 ou 6 azeitonas, 1/4 de maçã Granny-Smith (ou outra) cortada aos bocadinhos e colocada no centro, para onde vai também o que sobrou das 6 rodelas de ovo. Mais um pouco de maionese no centro.


domingo, 15 de Junho de 2014

Adeptos de futebol


Não sou adepto de futebol, conforme disse aqui citando um texto do Umberto Eco, mas hoje ao passar pelo site da BBC, fui surpreendido por esta imagem de espectadores da final do campeonato do mundo de 1950, realizado no Brasil, em que este perdeu para o Uruguai por 1 a 0.



O tempo vai passando e uma pessoa esquece-se de como as coisas eram. Neste caso não consegui ver uma única mulher na foto, ir ao estádio de futebol ver um jogo era uma actividade reservada exclusivamente aos homens, assim como ir ao café à noite, etc. Não se vêem cabelos compridos e os bigodes eram mais frequentes.

O outro pormenor são os dois homens engravatados que aparecem em primeiro plano. São uma minoria mas há muitos que têm casaco. Houve um tempo em que os homens da classe média andavam sempre engravatados, durante a semana com fato completo eventualmente incluindo colete, ao fim-de-semana com o que então se chamava um "fim-de-semana" em que o casaco podia ser de "fantasia", com uns padrões menos mortiços do que nos dias de trabalho.

Depois fui à procura de uma foto do campeonato mundial em curso, encontrei esta (enfim, o Google encontrou-a por mim), num jornal do Canadá.




As mulheres são agora uma pequena minoria mas já existem. E não se vêem gravatas.

domingo, 8 de Junho de 2014

θέατρο


Quando vou à Grécia um dos meus passatempos frequentes é tentar decifrar as palavras escritas com o alfabeto grego que me vão aparecendo.

Não sei grego mas na Matemática e na Física fui usando a quase totalidade do alfabeto grego, além dos parâmetros que iam aparecendo na matemática, como os coeficientes α (alfa), β(beta), γ(gama), δ(delta), os ângulos que muitas vezes eram designados por θ(teta), as quantidades pequenas que costumavam chamar-se ε(epsilon) e também na física onde  havia o τ(tau) que costumava designar o tempo e o ρ(ró) para a densidade de carga eléctrica. A wikipédia tem naturalmente uma entrada sobre o alfabeto grego.

Por outro lado, muitas palavras da língua portuguesa derivam de palavras gregas, no liceu dizíamos que “ou vem do grego ou do latim”.

Neste caso temos um θ inicial seguido de um έ que faz pensar em “té” seguido de um α dando “té-á” a que se junta um τ passando a “té-á-t” e depois com o ρ a “té-á-tr” e com o omicron final (letra pouco usada em matemática dada a sua forma idêntica ao nosso “o”) fica “té-á-tró” ou melhor “teatro”!

Lembro-me ainda da alegria desta “descoberta” em Atenas, de que o edifício que estava á minha frente e que tinha este conjunto aparentemente incompreensível de símbolos, se tratava de um teatro!

Não garanto que as letras não estivessem em maiúsculas e então seria “ΘΈΑΤΡΟ”. Se colocarmos a letra θ no google tradutor e clicarmos no altifalante constatamos que a letra que os portugueses chamam por “teta” é chamada em grego “thita”, como se diria em inglês, onde a letra se chama “Theta”

Tenho a ideia que no teatro grego se usavam máscaras, que mostravam as emoções dos actores de forma bastante explícita. As que mostro a seguir são usadas no carnaval de Veneza e servem para ocultar caras e não para explicitar emoções.




Porque é que me lembrei agora de “Teatro”?

Foi por causa da surpresa manifestada, mais uma vez, pelo primeiro-ministro Passos Coelho pelas decisões do Tribunal Constitucional (TC). Bem sei que o actual presidente Cavaco Silva, quando primeiro-ministro disse que não lia jornais. Mas mesmo não lendo jornais, para quem viva em Portugal fora de um convento ou sem ser no alto de uma coluna, como alguns ascetas dos primeiros tempos do Cristianismo, é impossível ignorar a quantidade enorme de pessoas, muitas delas constitucionalistas, que consideravam muito provável que o TC chumbasse a maioria das medidas que lhe tinham sido submetidas para apreciação. O primeiro-minitro, como  mentiroso compulsive, gosta de fazer discursos em que finge acreditar no que está a dizer.

Às vezes penso que teria feito melhor em dedicar-se à representação, no teatro, no cinema ou nas novelas mas, pensando no Ronald Reagan ou no Arnold Schwarzenegger, essa via poderia não o afastar do papel de primeiro-ministro, para a escolha do qual os portugueses estão verdadeiramente a precisar de melhor escrutínio.

Em comparação, o processo de escolha dos juízes do TC, se bem que passível de melhorias, tem dado muito melhores resultados.