2019-03-20

11º Aniversário


Comecei este blogue em 2008-03-17, faz agora portanto 11 anos. Por esta altura começa a Primavera, desta vez o Equinócio é hoje às 21:58 e costumo fotografar a exuberância das plantas neste fim do Inverno pelo que mostro aqui mais um prado dos Olivais, bairro urbano de Lisboa com provavelmente a maior percentagem de zonas verdes desta cidade


Antes usava o Sitemeter para fazer estatísticas das visitas, entretanto esse serviço desapareceu e agora uso um contador do próprio blogspot que nesta altura mostra 900.952 como "Número total de visualizações de páginas", gosto de ter visitantes mas não sei bem qual o significado deste número. Noto que ainda não chegou a 1 milhão.

Desta vez achei que seria interessante compilar um índice dos posts de aniversário (mais dia, menos dia) da primeira década.  Apenas um dos posts não continha imagem.




2018-03-17 Campo de flores no 10º aniversário


2017-03-18 Dormir faz bem

2016-03-17 Casos de estudo: Lula da Silva e Fátima Felgueiras


2015-03-19 Lake Palace em Udaipur

2014-03-17 Árvore com ninho à beira-rio



2013-03-18 Juventude


2012-03-17 Ar

2011-03-07 Fogo


2010-03-17 A Terra


2009-03-17 O Mar, de pernas para o ar


2008-03-17 Primeiro post: O Mar




2019-03-19

John Bercow, the House of Commons Speaker


O "Presidente" da Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido afirmou esta tarde que se oporá a que seja votada no parlamento pela terceira vez a proposta de acordo para o Brexit do governo de Theresa May a menos que existam diferenças substanciais em relação à última proposta que foi rejeitada por 149 votos contra:



John Bercow referiu que repetir a votação duma proposta previamente rejeitada na mesma sessão parlamentar ia contra uma das regras de funcionamento do parlamento que data de 1604.

Referiu que vários parlamentares tinham manifestado a sua apreensão por este plano do governo.

Eu acho estranho que a própria Theresa May, que tem considerado impossível realizar um segundo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia pois isso constituiria uma falta de respeito pela vontade de quem votou nesse referendo, considere banal submeter a mesma proposta aos deputados do parlamento, tantas vezes quantas as necessárias até que finalmente aprovem o seu rejeitado acordo.

Na realidade parece-me muito mais razoável realizar um segundo referendo, face ao muito melhor conhecimento dos problemas que o Brexit levanta e cujo conhecimento era na altura naturalmente menor, do que insistir na aprovação de um acordo que tem sido consistentemente rejeitado pelos parlamentares.

O video acima faz parte deste artigo no The Guardian.


2019-03-06

Independência dos juízes


Na sequência da notícia referindo que o CSM (Conselho Superior da Magistratura) concluíra o processo disciplinar ao juiz Neto de Moura, instaurado a propósito de acórdão de 11/Out/2017 que  referi em post de Novembro desse ano, e de este artigo do jornal Público onde me apercebi que as deliberações do CSM estão disponíveis para o público em geral, fiz uma tabela tentando resumir as declarações de voto dos diversos elementos do CSM sobre o assunto referido mas quando cheguei ao fim não fiquei satisfeito com o resultado pois senti-me incapaz de sintetizar a maior parte da argumentação de cada um.

Acho contudo natural que isso aconteça, o trabalho de um conjunto de especialistas gera ao longo do tempo uma linguagem especializada, cómoda e exacta para comunicar dentro do grupo mas de mais difícil compreensão para o público em geral se bem que parcialmente inteligível.

Resumindo a tabela (que não apresento) diria que:
- 7 membros se pronunciaram pelo arquivamento do processo disciplinar, porque achavam que, embora todos eles desaprovassem a parte polémica das considerações do acórdão, a independência dos juízes seria gravemente atingida caso o CSM decidisse uma sanção, que só um tribunal a poderia aplicar, e que se abstiveram na definição da pena;
- 4 votaram pela pena de advertência registada, por infracção do dever de correcção (que foi a adoptada por voto de qualidade do presidente);
- 4 votaram por multa todos eles referindo além da infracção do dever de correcção a falta de zelo evidenciada designadamnete pela  falta de acatamento da Convenção de Istambul de Maio/2011, aprovada pela AR em Jan/2013, designadamente do artº42 que transcrevo :

«
Artigo 42.º
Justificações inaceitáveis para crimes, incluindo os crimes praticados em nome de uma pretensa «honra»
1. As Partes deverão adotar as medidas legislativas ou outras que se revelem necessárias para garantir que nos procedimentos penais iniciados em consequência da prática de qualquer um dos atos de violência abrangidos pelo âmbito de aplicação da presente Convenção, a cultura, os costumes, a religião, a tradição ou a pretensa «honra» não sirvam de causa de justificação para esses atos. Isto abrange especialmente as alegações segundo as quais a vítima teria transgredido regras ou hábitos culturais, religiosos, sociais ou tradicionais de conduta apropriada.
2…
»

A existência deste artigo mostra que será prática frequente dos juízes invocar “a cultura, os costumes, a religião, a tradição ou a pretensa «honra»”, caso fosse raro não seria necessário incluir este artigo na convenção.

Continuo contudo a achar que, à sombra da indispensável independência dos juízes se têm abrigado por vezes comportamentos prepotentes e desrespeitadores da legislação em vigor.

Embora possa tolerar alguma referência abstracta a mudanças recentes da legislação portuguesa que poderá graduar a severidade da sentença, parece-me bastante fácil evitar comparações entre legislação actual e outras leis e/ou costumes e tradições em diferentes tempos e espaços.

Um cidadão tem o direito a ser julgado com a lei em vigor e a não ser incomodado por citações do juiz sobre legislação não aplicável pela qual ele nutre provavelmente alguma simpatia.

O juiz tem o direito de se pronunciar enquanto cidadão e mesmo enquanto juiz fazendo comparações entre diversas leis e costumes mas parece-me de evitar o mais possível fazê-lo no âmbito de um caso concreto que esteja a julgar.

Em diversas ordens profissionais existem conselhos de disciplina que avaliam da conformidade de actuações dos membros da classe perante códigos deontológicos com eventual aplicação de sanções. O mesmo se passa com diversas entidades reguladoras neste caso perante infracções a regulamentos. Sendo questões que requerem a intervenção de especialistas,  parece-me adequado que um colectivo de colegas de formação devidamente credenciado para esse papel se pronuncie e eventualmente sancione comportamentos censuráveis de colegas, sem prejuízo dessas sanções poderem ser posteriormente contestadas em tribunal.


2019-03-02

2019-02-27

O poder naval da China


Depois da chegada da marinha chinesa a Madagascar no início do século XV numa armada de dimensão nunca vista, comandada pelo almirante Zheng He, no regresso à China, em face dos quase nulos proveitos da expedição e à sua enorme despesa, o imperador decidiu desmantelar a  armada e concentrar-se exclusivamente no território chinês.

Aprendi isto, com mais algum pormenor, no interessantíssimo livro de Daniel J.Boorstin, publicado em inglês em 1983 com o título “The Discoverers” que a Gradiva traduziu ingenuamente como “Os Descobridores” na sua 1ª edição em português no ano de 1987, não imaginando as críticas que surgiriam em Portugal no ano 2018 às palavras “Descobertas” e “Descobrimentos”, a propósito da eventual criação dum museu em Portugal focado nesses temas.

Costuma existir alguma tensão entre concentrar esforços para melhorar directamente a sociedade em que nascemos ou ir buscar essas melhorias noutras paragens, ficando por lá nas emigrações definitivas ou regressando eventualmente com novas ideias e novas riquezas.

No caso da China, a opção por concentrar esforços no século XV na frente “interna” (uso aspas pois esta frente interna seria equivalente a toda a Europa) abandonando o comércio marítimo parece-me razoável, dada a grande dimensão da sociedade chinesa nessa época e correspondente auto suficiência.

Por volta de 1500 viveriam na China 100 milhões de pessoas enquanto a Europa (do Atlântico aos Urais) dessa época teria 90 milhões de habitantes.

A China fez o “outsourcing” dos contactos com o exterior por via marítima aos Portugueses entretanto estabelecidos em Macau mas perdeu as revoluções científica, industrial e militar que entretanto se desenrolaram na Europa culminando na vergonhosa guerra do ópio, em 1840, onde os narcotraficantes ingleses castigaram as autoridades chinesas pela destruição que tinham feito dos armazéns de ópio onde os ingleses guardavam esta mercadoria para venda aos viciados chineses.

Era o tempo da “política da canhoneira”em que o Reino Unido e outras potências ocidentais faziam prevalecer os seus interesses através do envio de navios armados com canhões para ameaçar e eventualmente bombardear o território do país ameaçado. Segundo Boorstin os portugueses, possuidores de barcos com armamento superior quando chegaram à Índia, trataram de afundar boa parte dos navios que aí se dedicavam ao comércio, dando assim origem no título de D.Manuel de “Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar  em  África”,  ao acrescento “Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia”.

Trata-se da “projecção do poderio militar por via marítima”, uma característica essencial das talassocracias como a inglesa e a americana. Tendo andado distraído sobre a evolução da marinha de guerra só recentemente me apercebi que aqueles navios com canhões enormes chamados Couraçados em português e Battleships em inglês passaram à História no decurso da 2ª Grande Guerra em que ainda foram usados mas em que os porta-aviões os foram substituindo como actores principais das operações. Mostro a seguir uma imagem do couraçado USS Iowa, demonstrando o seu poder de fogo na década de 1980, conforme diz no artigo da Wikipédia sobre Couraçado




Consultando a Wikipédia constata-se que são poucos os países que actualmente têm porta-aviões em serviço. São por ordem alfabética China, Espanha, Estados Unidos da América, França, Índia, Itália, Reino Unido e Rússia. Os E.U.A têm actualmente 11 porta-aviões tendo assim mais navios deste tipo do que todos os outros países juntos pois os restantes países da lista acima têm apenas 1 porta-aviões cada um, à excepção da Itália que tem 2. Além disso todos os porta-aviões dos E.U.A. usam um reactor nuclear como fonte de energia, o que lhes dá muito maior independência do que os dependentes de combustíveis fósseis. Dos 8 porta-aviões na posse de outros países que não os E.U.A. apenas o francês usa um reactor nuclear, todos os outros estão dependentes de petróleo.

Fazendo actualmente comércio por via marítima com todo o mundo parece assim natural que a China aspire a uma presença armada no mar. O Liaoning na foto em baixo é o primeiro porta-aviões chinês



O casco é dum porta-aviões russo comprado por um milionário chinês, alegadamente para fazer um casino, mas entretanto foi cedido ao estado chinês que o preparou para porta-aviões. Entretanto estão em construção mais 2 porta-aviões pela China, desta vez de raiz.

Neste artigo do New York Times de 29/Ago/2018 afirmam que a  marinha chinesa está pronta para desafiar a marinha dos E.U.A. no Oceano Pacífico. Ou pelo menos na vizinhança da costa chinesa.


2019-02-20

Karl Lagerfeld por Annie Leibowitz




Sempre achei misteriosa a aparição deste designer de moda devido à presença constante dos óculos escuros, além da figura que formalmente discreta acabava por chamar a atenção.




Agora que faleceu gostei de ver este retrato aqui à direita da sua figura clássica feito por Annie Leibowitz em Dez/2013.






Gostei ainda mais desta outra foto de Set/2018 também da Annie Leibowitz em que se constata que afinal não anda sempre de óculos escuros.

E acrescento que a confusão da secretária não é condição nem necessária nem suficiente para se ser bem sucedido na actividade profissional.





Ambas as imagens foram tiradas deste artigo da revista Vogue.

Isabel Stilwell avisa: Muito cuidado com os MBAs!


Isabel Stilwell descreve a dificuldade que tem em distinguir entre "Networking" e o crime que consta no Código Penal de "Tráfico de influência".

Aconselho a leitura na íntegra do artigo publicado no Jornal de Negócios, deixando aqui uma citação do texto, com ligação correspondente:

«...
O Acess MBA, por exemplo, assegura que um estudo feito entre ex-alunos do MBA revelou que o "networking" era uma das três razões mais importantes que levavam a escolher aquele tipo de formação. E acrescentam: "O 'networking' é a chave do sucesso da sua carreira." Mas avisam: "Deve ser feito como deve ser" para atingir o objetivo proposto. Entendido. E qual é o objetivo proposto? Tenha calma, que explicam tudo. O objetivo final é, e cito, "construir uma teia de relações mutuamente úteis que permitem usufruir de uma quantidade imensa de oportunidades".

A especificação desta atitude perante a vida que, asseguram, acaba por garantir emprego à maioria dos finalistas, está presente em todos os programas, de uma forma ou de outra, quando se aconselha a que nunca peça um favor ou uma oportunidade, sem oferecer alguma coisa em troca. Deixo no original, que pensando bem tem mais impacto: "Ask how you may be able to help them. Always offer to give back." ("Pergunte como pode ajudá-los. Ofereça sempre uma contrapartida"). Como? Primeiro troque e recolha informação, depois recolha nomes, de seguida faça amizade, e por fim pergunte o que pode fazer por eles. De preferência num "Breakfast with CEOs". Aliás, como diz o The Lisbon MBA, fica a garantia - depois de desembolsados 38 mil euros, por um ano de aprendizagem - que se sai de lá com "uma 'network' de contactos profissionais que serão a chave para a gestão de uma carreira vitalícia".

Ou dito de outra forma, "Ajudas-me com o ferro velho?", "Claro, Pá!", "E como te posso pagar o favor?", "Deixa lá isso, mas por acaso estava-me a apetecer um robalo fresquinho." E choldra com eles.
...»


2019-02-15

Foguete de Natal



Noutro dia gostei de ver esta planta na Quinta  Pedagógica nos Olivais Sul em Lisboa.

Andei à procura de "Foguetes-de-Natal" na internet e fui dar a uma entrada da Wikipedia com o título "Aloe Pluridens", uma planta originária da África do Sul mas actualmente comum em Portugal.

O Género "Aloe" conta com mais de 500 espécies e em tempos falou-se muito da "Aloe Vera" alegadamente com muitas propriedades medicinais.

A planta surpreendeu-me por  ter uma inflorescência solitária, normalmente quando vejo esta planta vejo-a em comunidades que geram muitas inflorescências como o conjunto que mostro mais abaixo.

Daí que seja mais comum referir "Foguetes-de-Natal" do que "Foguete-de-Natal".

O termo foguete vem da forma cónica da inflorescência quando jovem e "Natal" de as flores aparecerem maioritariamente em Dezembro.

A inflorescência da imagem já passou a juventude, motivo porque já não tem a forma cónica.

Na imagem abaixo (By Andrew massyn - Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=15526032) os Foguetes-de-Natal aparecem numa configuração mais frequente, com várias plantas juntas.



2019-02-09

Ano Novo Chinês em Lisboa


Disseram-me que à semelhança de outros anos iria haver um desfile na Av. Almirante Reis para comemorar o início do novo ano chinês, segundo um antigo calendário lunar-solar. O desfile terminaria na Alameda D.Afonso Henriques onde decorreriam hoje outros eventos para os quais já estava preparado o local



No desfile participavam várias instituições de natureza cultural, educativa ou recreativa relacionadas com a China, não faltando o tradicional dragão




um grupo da Ópera de Pequim devidamente maquilhado


os tradicionais leões e uns "cabeçudos"


 tudo observado pelos tradicionais mirones que encheram depois a parte da Alameda entre a Av.Almirante Reis e a Fonte Luminosa






2019-02-06

Laranja com mel e canela


Está na época em que quase todas as laranjas são boas. A maior parte agora das vezes descasco-as, corto-as em 5 rodelas, deito um fiozinho de mel em cada uma, polvilho com canela e depois de comer tudo bebo o líquido doce que ficou no prato. Quando acho que com laranjas tão doces o mel é dispensável limito-me à canela.

Aprendi esta receita no Bar Atlântico, um restaurante de praia na Praia da Rocha onde fazem esta sobremesa regando previamente as rodelas com sumo de laranja, a minha versão é mais espartana.

O aspecto visual é banal, a parte interessante é o cheiro e o paladar, mas mostro uma imagem para ficar documentado.



2019-02-03

Lendo ao frio


Fiquei fascinado por mais esta capa da revista New Yorker, feita por Anna Parini com a animação feita por Jose Lorenzo


Extraí uma versão estática do ficheiro gif, que também se recomenda e que mostro a seguir



2019-01-31

Reino Unido e Turquia


Tenho dificuldade em prever o futuro do Brexit mas fez-me lembrar a Turquia que andou durante anos a negociar a entrada na União Europeia até que há algum tempo concluiu que por agora não valia a pena continuar a tentar.

O Reino Unido anda a tentar sair mas tem tido alguma dificuldade. Será que um dia destes desiste de sair?


2019-01-30

Tecnologia - Fotovoltaicas (2)


Em Abril/2015 fiz um post sobre alegadas células fotovoltaicas na Marina da Praia da Rocha que afinal não eram fotovoltaicas, como vim a descobrir em Agosto desse ano. Mas o texto que acompanhava as imagens estava correcto, as imagens é que não constituíam uma ilustração do mesmo.

Agora em Portimão encontrei finalmente uma evidência a corroborar esse texto, as fotovoltaicas não só têm futuro como já têm presente, neste caso em coberturas com células fotovoltaicas montadas no parque de estacionamento do AKI em Portimão.


Neste caso a cobertura, além de fornecer grande parte da energia que a loja gasta ainda tem um efeito colateral desejável que consiste em evitar que os carros aqueçam tanto como se estivessem expostos ao sol o que, no Algarve. contribui para uma poupança adicional de algum combustível das viaturas devido a um menor uso do respectivo ar condicionado.

Na foto vê-se um logo "ES Energy Systems" mas não consegui descobrir a companhia no Google.

Em Outubro/2018 referi uma instalação no tecto da IKEA em Alfragide, a entrada das fotovoltaicas é uma  transformação muito importante na obtenção de energia eléctrica.

2019-01-25

Virginia Astley: Afternoon of From Gardens Where We Feel Secure 1983


Há muitos anos, deve ter sido em 1983, comprei um LP em vinil vivamente recomendado pelo Miguel Esteves Cardoso, era da Virginia Astley, chamava-se "From Gardens Where We Feel Secure", tinha umas florinhas campestres amarelas na capa do LP, ouvi com gosto algumas vezes e já não o ouvia há muito tempo.

Agora, a música do post anterior fez-me lembrar este que deixo aqui com os sons dos jardins do "English Countryside", idealizado, claro está.

Requer alguma disponibilidade de tempo para apreciar, dura 19 minutos e 26 segundos e o video vai mudando as fotografias que mostra de vez em quando. É engraçado ouvir isto nesta altura em que está toda a gente cheia de pressa





2019-01-22

21 Lições para o Século XXI



Mais outro livro muito interessante do Y.N.Harari, o primeiro que li, o Sapiens, que descrevia a História do Homo Sapiens em apenas 500 e tal páginas, foi objecto de 4 pequenos posts neste blog (1, 2, 3, 4).

Depois saltei o Homo Deus pois tenho tido uns traumas com previsões mas regressei ao autor neste 21 Lições para o Século XXI.

O livro não tem um fio condutor cronológico como o Sapiens, sendo constituído por 21 ensaios sobre temas relevantes do nosso século.

O autor mantém uma enorme lucidez, curiosidade e capacidade de observação, dividindo temas em 5 Partes:
1) O Desafio Tecnológico
2) O Desafio Político
3) Desespero e Esperança
4) Verdade
5) Resiliência

O autor chega a interrogar-se neste livro sobre o Sentido da Vida, por enquanto não encontrou nenhum, mostrando lucidez nas rejeições das várias propostas que têm aparecido e termina o livro recomendando que se faça alguma meditação. Ele dedica actualmente duas horas por dia a essa actividade, depois de ter frequentado um curso usando a técnica Vipassana. O último livro que li, "O Budismo Tem Razão", também recomendava a meditação, deve ter sido coincidência.



2019-01-17

Dos Mistérios ao Mystery Room


Não conhecia a designação “Religiões de mistérios” desta entrada em português da Wikipédia cuja versão em inglês é “Greco-Roman mysteries”, a que cheguei pela referência à Casa dos Mistérios no post anterior sobre um fresco da cidade de Pompeia.

De uma forma geral eu usava o termo “religiões pagãs” para designar os cultos religiosos que precederam o cristianismo mas apercebi-me agora melhor da existência de dois tipos de religiões, aquelas que aceitam a adesão de qualquer pessoa e as que “reservam o direito de admissão”. Nas primeiras os rituais serão normalmente públicos enquanto nas segundas tenderão a existir rituais secretos reservados apenas para os membros do “clube”, uma das formas de garantir a exclusividade da condição de membro.

Acho agora interessante o uso da palavra “mistério” para classificar uma religião, no cristianismo existem mistérios como por exemplo a Eucaristia, que consiste na transformação de pão e vinho respectivamente na carne e no sangue de Cristo, mas que é realizada publicamente numa parte da missa, a designação de “mistério” neste caso é de que ninguém sabe como se realiza a transformação, além de que o pão e o vinho mantêm as características organolépticas que tinham antes da alegada transformação.

Mas nesta procura de mistérios cheguei à Mystery Room do hotel  “Arizona Biltmore” em  Phoenix nos E.U.A.



Trata-se de um hotel concluído em 1929, desenhado pelo arquitecto Albert Chase MacArthur, irmão dos donos do hotel e discípulo de Frank Lloyd Wright, que deu alguma consultoria durante parte da construção.

Esta “Mystery Room” era usada para servir bebidas alcoólicas durante a Lei Seca (1920-1933) em que foi constitucionalmente proibido a fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas nos E.U.A. Existia um empregado de vigia para avisar os clientes para saírem da sala através de passagens secretas caso fosse visto algum carro de polícia a aproximar-se do hotel. Clark Gable foi um dos clientes desta sala.

Eu já tinha ouvido que durante a lei seca serviam álcool em chávenas de chá em alguns estabelecimentos e que existiam salas escondidas onde eram servidas bebidas alcoólicas, mas julgava que essas infracções eram feitas em estabelecimentos de pequena dimensão, nunca supus que isto se pudesse passar numa instituição com a dimensão deste hotel.


Uma das características que me desagrada nos E.U.A. é esta facilidade com que um hábito frequente, como por exemplo o consumo moderado de bebidas alcólicas ou mesmo a abstenção das mesmas, se transforma em aconselhável e rapidamente em obrigatório como aconteceu neste caso. A uma excessiva pressão social responde depois um comportamento fora-da-lei.

Pensando bem, em Portugal passam-se situações vagamente semelhantes com, por exemplo, a limitação dos 120km/h nas auto-estradas mas, por enquanto, a vigilância policial tem sido muito ténue para pequenas violações do limite.

No sítio do hotel na internet (e também no hotel...) existem estes tijolos desenhados pelo arquitecto e feitos com areia do Arizona de que também gostei.






2019-01-10

Imagens sem Texto


No outro dia recebi um filminho tentando resumir o que tem sido a Europa. A selecção de imagens era magnífica, não gostei do discurso que as acompanhava. Gostei especialmente deste fresco de  Pompeia


e o que me chamou mais a atenção foi esta cara


que poderia ser no seu estilo naturalista uma fotografia a cores estragada pelo tempo. Bem sei que o ADN dos romanos era igual ao nosso, 2000 anos não é nada na mudança genética, mas até o penteado se poderia encontrar nos dias de hoje. São raras as pinturas do tempo dos romanos que chegaram até nós e também virá daí a minha surpresa.

Googlei a imagem e fiquei a saber que se trata dum fresco descoberto nas escavações feitas em Pompeia, numa casa soterrada que ficou muito bem preservada. Trata-se da Casa dos Mistérios

By ElfQrin - Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=45294723

que faz parte do Património Mundial da UNESCO em Pompeia.

No mundo Greco-Romano existiam várias "Religiões de Mistérios", que envolviam rituais secretos reservados a iniciados, frequentemente oficiados por sacerdotisas. Presume-se que esta casa seria dedicada ao culto de Baco. Na wikipédia tem imagem completa do mural que mostrei acima


donde retirei o mesmo detalhe


que não é tão nítido como o que mostrei em cima. Será que aplicaram o Photoshop à imagem?

Na Wikipédia diz que existem várias interpretações muito diferentes do significado dos frescos existentes nas paredes desta casa. Uma pessoa fica a pensar se uma Imagem sem Texto valerá mesmo as tais mil palavras.




2019-01-07

Joana Vasconcelos no Saco do Jornal Expresso


O jornal Expresso mudou o saco de plástico que envolvia os cadernos para papel, encomendando à Joana Vasconcelos uma pintura para o primeiro saco no novo material.

Ao olhar para cada um dos lados notei que existiam figuras repetidas mas cada lado era diferente. Separei os dois lados constatando que se podiam unir formando uma única imagem.

Colei as duas partes e fotografei. Infelizmente, como a cola que une as duas metades do saco é muito forte rasguei um bocado de um dos lados pelo que perdi cerca de 1cm do lado esquerdo. A colagem está imperfeita mas assim vê-se que se trata de uma colagem:




Não sou um fã incondicional da Joana Vasconcelos mas gosto de muitas das coisas que ela faz. Gosto desta imagem que transmite alegria, é um bom começo de ano

P.S. e agora que olhei para a capa da revista do Expresso constatei que está lá a pintura completa...

2018-12-31

Icosaedro


Tenho um fraquinho pelos sólidos platónicos, que já referi pelo menos aqui e aqui.

Neste Natal, na compra de prendas para os netos comprei para mim um conjunto de arestas magnéticas e esferas (da marca Geomag, passe a publicidade) que me permitiu fazer o tetraedro, o cubo e o octaedro porque a caixa básica que comprei tinha apenas 16 arestas e 18 vértices, não dando portanto para construir nem o dodecaedro nem o icosaedro, como se constata na tabela seguinte:

 
Sólidos Perfeitos Vértices Arestas
Tetraedro 4 6
Cubo 8 12
Octaedro 6 12
Dodecaedro pentagonal 20 30
Icosaedro 12 30

Comprei uma segunda caixa e já consegui  construir os dois sólidos que faltavam. Mostro a seguir o Icosaedro:


2018-12-29

Dinastias na China


O conceito de "país" tem muitas nuances, como se pode verificar consultando "País" na Wikipedia e depois a sua versão em inglês a que corresponde a palavra "Country". Será na maior parte das vezes uma região geográfica a que corresponde um estado soberano. Existem actualmente 193 Estados-membros das Nações Unidas, entidades a que também poderá ser associado o conceito de país, englobando a população e respectiva cultura.

Embora "país" seja um conceito útil tem grandes limitações. Falar por exemplo de Portugal e da China quando são habitados respectivamente por 10 e 1400 milhões de habitantes (dados de worldometers em 27/Dez/2018) é usar uma mesma categoria para realidades de uma natureza diferente. Neste caso, como com a União Indiana, existe uma diferença de  2 ordens de grandeza (mais de 100 vezes maior). Os EUA (Estados Unidos da América), com uma população 30 vezes maior, são mais de uma ordem de grandeza maiores do que Portugal no que diz respeito também à população.

Neste sentido, a China compara-se melhor com a União Europeia do que com cada um dos países da Europa tomados  por si. Por exemplo noutro dia assisti a um colóquio sobre a penetração de automóveis eléctricos nas várias regiões  do mundo e nessa estatística aparecia a China, os EUA, e os vários países europeus em separado. Nessa altura pensei que para as comparações fazerem mais sentido seria melhor ter agregado os valores dos países da União Europeia.

Há muitos anos tive a ilusão que a na disciplina de História do ensino secundário se deveria dar igual relevo à história de todos os continentes. Agora, com melhor noção da dimensão da minha ignorância, vejo que não é razoável tentar descrever no ensino secundário em Portugal (ou noutro país) uma História verdadeiramente Mundial (o uso de "Universal" é ridiculamente exagerado). O grau de detalhe da História em cada país deve ter um grau de detalhe que se vai desvanecendo à medida que a interacção com comunidades distantes se torna  mais fraca.


Mas dado que a nossa interacção com a China tem aumentado nos últimos anos, como resultado do desenvolvimento industrial a um ritmo sem precedentes que lá se tem verificado nas últimas décadas, pensei mostrar aqui alguns mapas políticos da muito longa história chinesa.

Desdobrei este ficheiro .gif da Wikipedia com uma animação das áreas geográficas ocupadas por várias dinastias chinesas


Territories of Dynasties in China.gif
By Pojanji, CC BY-SA 3.0, Link

numa sequência das imagens que o compõem, em que as transições são feitas pelo leitor em vez da cadência excessivamente rápida (para mim) do ficheiro .gif.

Trata-se de "instantâneos" de situações históricas, e é claro que as fronteiras que se apresentam são objecto de contestação, designadamente pelos países vizinhos, algumas delas constando da discussão na Wikipédia. Mas dá uma primeira ideia da duração e da complexidade do que por lá se passou nos últimos 3000 anos. As datas BCE e CE equivalem respectivamente a AC e DC (Antes e Depois de Cristo).

O Zh lê-se como o "j" em "jeans" em inglês, género Djins
O Q lê-se como Tch

Segue a sequência de imagens dos mapas históricos, cada um é precedido dum título e por vezes dum pequeno comentário, os mais recentes um pouco maiores

Dinastia Zhou em 1000 AC, por vezes considerado o primeiro império chinês


Os Estados Combatentes em 350 AC, dois mapas porque as legendas dos Estados não cabiam num único



Dinastia Qing em 210 AC,
 outras vezes o primeiro império é considerado este (em vez da dinastia Zhou), por o soberano que fundou esta dinastia, Qin Shi Huang (18 Fevereiro 259 AC – 10 Setembro 210 AC), se ter intitulado imperador ( (皇帝 About this soundhuángdì), o que fez em 221AC quando o reino Qin completou a conquista de todos os Estados Combatentes. Foi este imperador que ordenou a construção do recentemente descoberto Exército de Guerreiros de Terracota  e respectivo mausoléu nos arredores da cidade de Xian, então capital do império. Foi sucedido pelo filho que não conseguiu manter a unidade do império, foi assim uma dinastia muito breve.
Por esta altura Roma era uma República, o Mediterrâneo estava longe de ser o "Mare Nostrum" e a Pax Romana era considerada provavelmente uma utopia inatingível dado que as guerras se sucediam umas atrás das outras. Para refinar o eurocentrismo do parágrafo anterior passemos a uma visão Bombarralcentrica, talvez o Jardim da Paz na Quinta dos Loridos no concelho do Bombarral, criado pelo comendador Joe Berardo, existisse independentemente do reinado do imperador Qin Shin Huang, mas não seria a mesma coisa pois entre as numerosas esculturas de tradição asiática que o animam não estariam as reproduções polícromas dos guerreiros de terracota descobertos em Xian!


Dinastia Han em 100 AC, contactos ténues com o Império Romano,versão da Wikipédia em portuguêsem inglês


Três Reinos em 262 DC,
"o que esteve muito tempo unido deve-se separar, o que esteve muito tempo separado deve-se unir", é um ditado que ouvi, alegadamente chinês


376 DC

560 DC (por esta altura já caíra o Império Romano do Ocidente)


Dinastia Sui em 581 DC, regresso à união como aconselha o ditado



Dinastia Tang em 700 DC, (618-907) onde se fez impressão em série usando blocos de madeira, onde se usou pela primeira vez papel moeda na forma de cartas de crédito, onde se reavivou a estrada da seda, que foi travada na sua expansão para o ocidente na batalha de Talas em 751, vencida pelo Califado dos Abássidas


923 DC, outra separação

1141 DC, mesmo dividida em 3 reinos cada um deles tinha dimensão maior do que qualquer estado europeu, para não falar do recém criado Portugal, a dinastia Song durou de 960 a 1279, onde se imprimiram notas-papel moeda pela primeira vez


Dinastia Yuan em 1294, (1279-1368) resultante da invasão Mongol, foi proclamada por Kublai Khan, neto de Gengis Khan, em 1271 que concluiu a conquista dos territórios em 1279. Capital em Beijing.



Dinastia Ming em 1410, (1368-1644), fundada pelo imperador Hongwu (reinou 1368-1398) fez muitas reformas, governou pelo medo, capital em Nanjing, foi sucedido por neto que reinou 4 anos sendo deposto pelo tio Yongle (reinou 1402-1424) que também tinha mau feitio mudou capital para Beijing onde construiu o Palácio Imperial, a Cidade Proibida, usada pelos imperadores subsequentes das dinastias Ming e Qing. Foi neste reinado que o almirante Zheng He iniciou as sete expedições, numa das quais terá navegado até Madagascar. O 4º imperador parou as expedições por serem muito dispendiosas. Alguns imperadores que se seguiram destruiram informação colectada por Zheng He nessas expedições.
Foi durante esta dinastia, em 1513, que Jorge Álvares chegou à foz do rio das Pérolas na China, sendo o primeiro europeu a fazer esta viagem por mar. Em 1554 foi assinado um Acordo de Comércio Luso-Chinês entre Portugal e as autoridades de Guangzhou (Cantão), abrindo caminho para o estabelecimento de Macau 3 anos depois. Em 1550 tinham sido fechados todos os portos chineses ao comércio com o exterior.


Dinastia Qing em 1892, (1636-1912) fundada pelo manchu Aisin Gioro nela se destacaram também o imperador Kangxi que reinou durante 61 anos (1661-1722) e o seu neto imperador Qianglong que reinou de 1735 a 1796. Segundo a Wikipédia neste reino atingiu-se o pico desta dinastia seguindo-se a fase de declínio designadamente com a derrota na guerra do ópio em 1840, as concessões territoriais às potências ocidentais e a implantação da República em 1912. Referi no post "A imperatriz Viúva" um livro sobre o fim desta dinastia.

Present (2016)
Qualquer consulta a mais mapas históricos da China revelará muito maior complexidade do que estes singelos 16 mapas. E nas transições entre cada um deles derramou-se muito sangue e desenrolaram-se muitas tragédias. O conjunto de textos que acompanham estes mapas, se bem que curtos ficaram mais longos do que eu inicialmente planeara. Nesta última imagem constata-se que Taiwan ainda não se reuniu com a República Popular da China.