2016-06-23

Referendo no Reino Unido





Já disse a propósito do referendo grego em Julho de 2015 que:

«
E não me esqueço que durante o tempo do Salazar em Portugal toda a esquerda era unânime na condenação dos referendos como forma populista e direitista de consultar a população. O próprio Tsipras falou contra referendos há pouco tempo. E que é difícil e muito limitador responder à maioria das perguntas relevantes com um simples "sim" ou "não".
»

Continuo a pensar o mesmo sobre este assunto e considero particularmente grave que os politicos se demitam de tentar encontrar soluções para problemas difíceis, função para a qual foram eleitos e ainda que tenham falhado convencer uma maioria considerável da população de que uma das opções é consideravelmente melhor do que a outra. A minha opinião é que deviam ficar.

As actuais previsões, talvez menos falíveis do que as projecções eleitorais inglesas, tornadas praticamente impossíveis pelo sistema inglês de maioria simples em volta única, mostram que a decisão será praticamente equivalente a lançar uma moeda ao ar.




É irresponsável governar um país desta forma, um país que tem entre tantas instituições extraordinárias também a Royal Horticultural Society, de onde tirei estas imagens de jardins britânicos.






Cultures and Organizations



Um amigo meu visitou recentemente a Holanda e em conversa posterior veio a propósito falar de um livro que achei muito interessante sobre as culturas e formas de organização de diversos países. A imagem ao lado é da edição inglesa em paperback de 1994 (a 1ª edição é de 1991).

O autor Geert Hofstede, de nacionalidade holandesa, define várias características de uma cultura (genérica) e ordena os países em relação a cada uma dessas características.

Nas características das diversas culturas nacionais Portugal costumava estar longe das características predominantes nos países mais desenvolvidos mas havia uma ou outra excepção.

Uma excepção curiosa era de estarmos muito próximos da Holanda em relação à predominância de valores femininos, designadamente de ambas as sociedades serem mais inclusivas do que exclusivas, em relação aos seus membros.

O autor justificava esta similitude de valores nas sociedades holandesa e portuguesa porque, tendo sido sociedades de navegantes, em ambos os países os elementos masculinos dos casais estiveram ausentes do lar familiar durante largos períodos, levando as mulheres a uma posição de maior autoridade em casa, favorecendo a inclusão.

O livro foi-me sugerido num voo para Amesterdão (acabo de verificar que foi em 1999) pelo passageiro da cadeira ao lado, que se tratava de um polícia que tinha vindo passar umas férias em Portugal e que se dedicava na altura a fazer um mestrado ou um doutoramento numa Universidade da Holanda.

Confesso que fiquei surpreendido por um polícia estar a tirar um mestrado ou um doutoramento, reconheço que era um preconceito (mais um  como este) de que entretanto me libertei, mas o insólito da situação levou-me a adquirir e ler com muito gosto e proveito o livro de que falo.

O autor foi criticado pela metodologia que seguiu de entrevistar apenas empregados da empresa IBM no seu estudo, pois tratava-se de uma amostra claramente enviesada da população. Em sua defesa o autor argumentou que sabia que se tratava de uma amostra enviesada mas, dada a profundidade com que os valores culturais de uma sociedade afectam todos os seus membros, ao escolher apenas os trabalhadores da IBM fazia ressaltar as diferenças de sociedade para sociedade pois a IBM procurava funcionários com perfis profissionais semelhantes em todos os países.

De uma forma geral a análise das diversas características pareceu-me bastante realista e ainda me lembro de o autor referir que em Portugal, nesse aspecto bastante diferente da Holanda, as pessoas se interessarem mais pela posse de um diploma universitário, do que por aprender as matérias que eram leccionadas, preferência que me chocava e que eu sabia corresponder à realidade, quando passei pelo IST entre 1966 e 1971 e que presumo prevalecer nas outras escolas superiores do país de então.

Se calhar ainda vou reler algumas partes do livro, agora que falei nele, como prometera num post recente.




2016-06-20

História dos eléctricos de Lisboa


Em meados do passado mês de Abril assisti à apresentação do livro “Do Dafundo ao Poço do Bispo uma História sobre Carris”, uma edição do autor, Luís Cruz-Filipe, apresentação de que se pode ver uma pequena reportagem, por exemplo neste Youtube ou uma referência neste sítio.

O livro trata da história dos carros eléctricos em Lisboa e da sua rede cuja electrificação se iniciou cerca de 1900, que se foi expandindo a vários ritmos, tendo atingido a sua dimensão máxima nos anos 60 do século XX.

A partir daí foi diminuindo, sendo as carreiras substituídas parcialmente por autocarros e também sempre que se instalaram linhas do Metropolitano em percursos onde existiam linhas de eléctrico, estando a rede actualmente reduzida a 5 carreiras, duas à beira-rio com eléctricos modernos da Baixa até Belém e Algés, as 25 e 28 com grande procura de turistas e a 12 que circula entre o Martim Moniz e a Graça também procurada pelos turistas.

O livro tem informação vasta, detalhada e verificada com grande cuidado.

Dada a minúcia do tratamento li apenas com mais detalhe a primeira parte do livro, que versa sobre a evolução da totalidade da rede, passando mais depressa o tratamento específico das diversas carreiras.

O livro tem um conjunto notável de fotografias e através delas revi um conjunto de cenas comuns que foram desaparecendo quase sem eu dar por isso.

Além das composições com reboque



desapareceram também os modelos mais compridos, com 9 ou 10 janelas laterais como se vêem abaixo



Quando os autocarros foram introduzidos as suas janelas não tinham aberturas tão grandes como nos eléctricos e nos dias de calor atingiam temperaturas verdadeiramente insuportáveis. Os eléctricos, quando se conseguia um lugar à janela, sobretudo no modelo mais à esquerda ou nos antigos ainda em circulação, proporcionavam uma viagem muito agradável com a brisa da deslocação do veículo a refrescar os felizes ocupantes dos lugares à janela.

Outra vista que deixou de ser frequente, pela simples redução da quantidade de veículos em serviço, eram as enormes filas quando se formavam engarrafamentos, muitas vezes devidos a veículos mal estacionados obstruindo a passagem do eléctrico.

Às vezes penso que a tolerância da nossa sociedade (a modéstia da multa/penalidade) para veículos que impedem a passagem do eléctrico, que continua a existir como referido aqui, deve ter dado um forte contributo para a quase extinção deste meio de transporte, que continua a ser utilizado em várias cidades da Europa.

Este livro é também um sinal de que as condições da emigração actual são completamente diferentes das que prevaleciam há alguns anos, em que a distância implicava um corte muito maior com o que se passava em Portugal. O Luís trabalha actualmente na Dinamarca mas continuou a consultar os jornais portugueses de há décadas que estão disponíveis na internet, com a mesma facilidade que um habitante de Lisboa. E troquei com ele agora um e-mail sem fazer ideia do sítio onde está.

Quem quiser comprar o livro pode obtê-lo enviando e-mail para o autor usando o endereço: lcfilipe@gmail.com.

2016-06-19

Árvores floridas no Brasil


Apreciar os prados dos Olivais requer bastante atenção ao detalhe quer do que se mostra quer do que se oculta, designadamente para deixar fora do enquadramento das fotos os numerosos detritos que cidadãos menos cuidadosos vão deitando para o espaço público em vez de usarem os recipientes instalados na via pública para recolher o lixo.

Já neste jardim, de que mostro a seguir três árvores e que já referi num post de Abril/2011 é fácil reparar nas árvores em floração como este Ipê rosa





ou este Ipê amarelo





ou ainda esta Sibipiruna (Caesalpinia pluviosa var. peltophoroides, segundo diz na wikipédia)





Todas estas fotos foram tiradas pela Sonia A.Mascaro e publicadas neste post do Leaves of Grass.


2016-06-15

Prados dos Olivais (6)



Desde que estou reformado quase todos os dias dou um pequeno passeio a pé pelo bairro dos Olivais, repetindo habitualmente o mesmo percurso. Como os prédios das ruas mudam pouco, a minha atenção acaba por se debruçar principalmente sobre as plantas que abundam no bairro e que nesta fase da Primavera exibem flores de variadas cores e feitios.

Em tempos referi que gostaria de conhecer os nomes das plantas que nos rodeiam, aliás a procura “nomes de plantas” é uma das buscas que traz mais visitantes a este blogue, mas constatei rapidamente que precisaria de uma formação demorada em Botânica antes de ficar capaz de identificar mesmo que fosse um pequeno subconjunto da grande variedade existente, contentando-me em ir mostrando imagens que tento não repetir e colocando de longe em longe uma pergunta aos autores do sítio Dias com árvores.

Desta vez mostro duas pequenas flores, a maior com um diâmetro duns 3 cm com 3 cores, no centro amarelo, depois branco e a seguir roxo na periferia



que no meu percurso apareceram apenas neste sítio onde estiveram durante bastantes dias. É engraçado como uma pessoa se vai adaptando ao ambiente que a rodeia, neste caso por vezes ao aproximar-me do local interrogava-me se estas duas pequenas flores ainda estariam no seu sítio, mostro em baixo uma ampliação da foto anterior



A seguir, tendo os prados como fundo, mostro um ramo florido de uma árvore comum nos Olivais, com umas folhas parecidas às das oliveiras na forma e no tom, se bem que diferente no brilho




e continuo com outra planta, desta vez do género “emplumado”, talvez se possa dizer “fluffy” em inglês




Por vezes mesmo eu, que tenho apreciado tanto os prados dos Olivais, acho que a vida botânica selvagem está a ficar excessivamente exuberante nalgumas partes do bairro, como no exemplo que segue, de 8/Mai/2016



A seguir deve ter havido um percalço e usei inadvertidamente o modo“panorama”. Mas gostei da banda resultante, dos ramos de um arbusto cheio de botões de flores







e a seguir um enquadramento mais “normal” do mesmo arbusto com um tantos botões desabrochados


Este arbusto está numa zona protegida do sol nascente pela sombra de um prédio e as plantas parecem nessa pequena zona um pouco mais viçosas, como no dia 4/Mai/2016



Parece-me ser este o único sítio do meu passeio em que vejo estas florinhas cor-de-rosa de 4 pétalas. Como as florinhas ficaram pouco nítidas na foto, voltei a fotografá-las no dia 8/Mai/2016. Estava vento pelo que segurei a haste de uma flor com a mão, o que dá também uma ideia do tamanho da florinha em questão



a mesma foto com enquadramento reduzido



e agora ainda a mesma foto mas mostrando apenas a flor:




2016-06-09

Kilim e outros padrões



Gostei deste tapete do tipo Kilim, de Gashgai ou Qashqai, segundo diz a wikipédia trata-se de população de etnia turca que vive no Irão e que era nómada até há pouco tempo.



Embora o tapete tenha repetições que criam um ritmo confortável, quando pensamos que conseguimos prever o elemento seguinte o artesão parece que tem um vaipe e introduz uma variação.

Estas variações das grafias das regiões, como esta referida na wikipédia "Qashqai (pronounced [qaʃqaːʔiː]; also spelled Qeshqayı, Ghashghai, Ghashghay, Gashgai, Gashgay, Kashkai, Qashqay, Qashqa'i and Qashqai: قشقایی) " são fonte de confusão que vai ficando mais irritante à medida que se torna mais fácil indagar na internet sobre um tema. Por exemplo na Índia a grafia das cidades tem variações muito importantes. Em Português também vai ser cada vez mais assim, com este acordo ortográfico que em vez de uniformizar introduziu maior variedade na grafia. Por enquanto os nomes das localidades ainda não foram atingidos mas devem ser as próximas vítimas da diversificação da grafia.

Coloquei a imagem acima no Google Imagens e embora não tenham localizado este padrão, forneceram imagens muito interessantes, todas elas com ritmos visuais, muitas delas não sendo de kilims:






Palmeira das Canárias (2)


Tenho um fraquinho por esta palmeira que já mostrei em Setembro/2011.

Agora, em 3/Jun estava um sol magnífico e uma atmosfera transparente que, conjuntamente com o aparar das folhas  mais rasteiras deu esta forma tão agradável à palmeira e uma sombra tão nítida que faz pensar num reflexo numa superfície espelhada:




2016-06-05

Arrumação por Marie Kondo


Ouvi falar deste livro que comprei e li com agrado.

Tenho grande dificuldade em encontrar coisas em ambientes desarrumados, motivo que me parece ter sido determinante para manter normalmente os ambientes em que vivo bastante arrumados.

Contudo, considerando a extraordinária simplicidade de muitos ambientes japoneses tive curiosidade em verificar se esta japonesa me trazia mais ideias sobre como arrumar melhor.

De uma forma geral gostei do livro e concordo com a autora na importância crucial de diminuir o número de objectos que guardamos na nossa vida, quer seja no trabalho quer na nossa casa.

Não fazia ideia do número de livros dedicados a este tema e notei que por vezes concordava mais com as obras concorrentes citadas pela autora do que com ela própria.

Pareceu-me também questionável a ordem de arrumação por ela sugerida: roupas, livros, papéis, objectos e lembranças. A justificação desta sequência consiste em ser mais fácil deitar fora a primeira categoria da lista, aumentando a dificuldade nas categorias seguintes. Existirão certamente pessoas para quem esta ordem não seja a de dificuldade crescente.

Achei curiosa a referência frequente ao longo do livro a uma concepção animista do mundo, ao sugerir que se agradeça aos objectos de que nos separamos o que eles fizeram por nós.

Talvez noutra altura fale um pouco mais dum livro “Cultures and Organizations” de Geert Hofstede, onde refere a persistência por muito tempo dos valores culturais das diversas sociedades mesmo quando adoptam e/ou criam grandes inovações tecnológicas.

Neste blogue tenho algumas imagens do Japão.




Aproveito a oportunidade para mostrar este magnífico biombo em que se nota uma certa ordem, harmoniosamente combinada com alguma desordem, como é hábito observar nos maravilhosos jardins japoneses.

Trata-se do anúncio duma exposição de que mostrei alguns objectos aqui e aqui.


2016-06-02

Vêem-se poucas papoilas nos prados dos Olivais (2)


Intrigado com a quase completa ausência de papoilas nos prados dos Olivais fui à Wikipédia ver se encontrava alguma explicação.

Aprendi no sítio em inglês que o ciclo de vida das papoilas era semelhante ao dos cereais pelo que se costumavam desenvolver em abundância e ao mesmo tempo que os cereais nos campos de cultura.

A introdução dos herbicidas, que me surpreendeu ser tão recente como os anos 40 do século XX conforme referido na versão inglesa ou um pouco antes conforme referido na versão francesa um pouco diferente, bem como uma melhor separação das sementes, fez diminuir muito a presença das papoilas nos campos de cultura.

Aprendi também que a papoila foi adoptada como símbolo do “Remembrance day”, 11 de Novembro, para comemorar o fim da 1ª guerra mundial, sobretudo nos países da Commonwealth, como por exemplo na Nova Zelândia, onde usam a flor estilizada que mostro aqui ao lado.

E que foi adoptada porque nos campos da Flandres ela despontava rapidamente sobre as campas dos soldados recentemente enterrados e também nos campos de batalha após os bombardeamentos, dado que aumenta muito a probabilidade das sementes germinarem em terra que seja remexida. A semente mantém-se com capacidade de germinar durante cerca de 80 anos, o que também será adequado para associar a uma recordação mesmo que distante no tempo. 

Nos Olivais os prados são canteiros que em países mais chuvosos teriam quase só relva e frequentemente cortada. Aqui deixam as plantas chamadas “daninhas”, por quem cultiva plantas para a nossa alimentação, crescer mais à vontade cortando-as de vez em quando. Não me lembro de ver gente a remexer a terra dos canteiros o que talvez diminua a probabilidade de germinação.

No outro dia reparei contudo que no separador central da rua Cidade de Luanda havia imensas papoilas como se constata nas fotos





Talvez tenham revolvido este pequeno canteiro...

Tive dificuldade em encontrar na internet estatísticas em sítios escritos em português sobre mortes causadas pela primeira Grande Guerra.

Em inglês cheguei rapidamente a este artigo da wikipédia intitulado “World War I casualties”.

Neste quadro com o Reino Unido e Portugal



que retirei do artigo da Wikipédia vê-se que, além dos soldados portugueses que morreram nessa guerra, as condições de vida (e de morte) da população de Portugal em geral foram grandemente afectadas, proporcionalmente muito mais, do que as condições da população que vivia no Reino Unido.

2016-05-31

Vêem-se poucas papoilas nos prados dos Olivais


Para um citadino como eu a natureza aparece mais através dos filmes de documentário na TV e de quadros famosos de paisagens do que com o contacto visual directo, situação um pouco minorada recentemente com os meus passeios diários pelo bairro dos Olivais.

Mesmo assim já tenho tido contactos visuais directos com papoilas em passagens esporádicas pelos campos, é difícil não reparar no vermelho esfuziante das papoilas num campo quando elas estão presentes.

Por maioria de razão as papoilas não passam despercebidas (causam facilmente impressões aos impressionistas) aos pintores como, por exemplo, o Claude Monet neste quadro intitulado "Coquelicots, la promenade" que fui buscar à wikipédia aqui (e a que aumentei ligeiramente o contraste):




pintado em 1873 e actualmente no museu d'Orsay em Paris. Neste sítio referem muitas outras pinturas com papoilas ainda de Monet.

Encontro muito ritmo na palavra "Coquelicot" que sendo "papoila" em francês não passa duma onomatopeia para "cocorico", o canto do galo cuja crista tem a mesma cor das papoilas comuns, as vermelhas.

Van Gogh também pintou Campos de papoilas como se vê a seguir





e Klimt em vários quadros como neste (que fui buscar aqui)




de que apresento um detalhe com a cor em melhor estado (daqui)



Este quadro do Klimt foi pintado em em 1907 e chama-se Mohnwiese. Com a minha ignorância de alemão fui ver no Google tradutor qual seria a tradução para português (que estava ausente) ou para inglês que tão pouco existia. Suponho que apaguei a última parte da palavra (wiese) constatando que Mohn queria dizer "papoila". Vi depois que "wiese" queria dizer "prado".

Fiquei surpreendido do Google Tradutor ser incapaz de aproveitar o hábito, que julgo frequente na língua alemã, de formar palavras novas por agregação simples de palavras existentes. Em tempos li o artigo interessantíssimo "The Man Who Would Teach Machines to Think" de James Somers na revista The Atlantic sobre Douglas Hofstadter, Inteligência Artificial (e tradução automática)  de que  cito:

«...
Josh Estelle, a software engineer on Google Translate, which is based on the same principles as Candide and is now the world’s leading machine-translation system, explains, “you can take one of those simple machine-learning algorithms that you learned about in the first few weeks of an AI class, an algorithm that academia has given up on, that’s not seen as useful—but when you go from 10,000 training examples to 10 billion training examples, it all starts to work. Data trumps everything.”

The technique is so effective that the Google Translate team can be made up of people who don’t speak most of the languages their application translates. “It’s a bang-for-your-buck argument,” Estelle says. “You probably want to hire more engineers instead” of native speakers. Engineering is what counts in a world where translation is an exercise in data-mining at a massive scale.
...»

Mas regressando às papoilas notei noutro quadro do Klimt, "O Beijo" que na base do amoroso casal tem um prado cheio de flores a que eu não tinha dado a devida atenção. Fui buscar a reprodução seguinte à Wikipédia aqui:




Constatei que no poster que tenho em casa, com uma reprodução deste quadro e que muito aprecio por ter os dourados impressos como no original com um brilho metálico em vez do amarelo mais comum das outras reproduções, cortaram duas bandas laterais verticais, diminuindo muito a extensão do prado do lado esquerdo. Vejo umas tantas flores vermelhas que serão provavelmente referências a papoilas, a flor que também representa o amor no ramo do dia da espiga.

Voltando agora aos prados dos Olivais, vi no outro dia uma papoila,



o que não dá para pintar um campo de papoilas. No próximo post revelarei a minha conjectura sobre a baixa frequência de papoilas nos prados dos Olivais.




2016-05-30

Prados dos Olivais (5)


Já vamos no fim de Maio e ainda estou a mostrar fotografias que tirei no dia 13/Abril deste ano, numa altura em qua a presença de alguma chuva, alternada com "boas abertas", dava esta sensação de viço que actualmente já não é tão forte



Na primeira foto dou destaque às já faladas florinhas amarelas de 5 pétalas, num conjunto numeroso sobre um fundo verde, como se fosse a bandeira do Brasil, na segunda dou uma ideia do contextoem que as  florinhas se situam



na terceira imagem chamou-me a atenção o conjunto de plantas com folhas em serrilha, dividindo a área da imagem pelas florinhas e pelas folhas com serrilha



e finalizando com o predomínio das folhas verdes









2016-05-26

Os géneros gramaticais


Em 2008 publiquei um post sobre discriminação de género existente na maioria  das linguagens.

Na altura escrevi:
«
Não sei o que se há de fazer na língua portuguesa para a melhorar, sob este aspecto de menorização do feminino, acho que a tarefa cabe às escritoras, quer sejam mulheres, quer sejam homens.
»
Agora já não me parece boa ideia designar por "escritoras" homens e mulheres. A linguagem é também um campo de luta de ideias que fazem mudar o uso e o sentido das palavras existentes. Mas existem arbitrariedades genuínas na linguagem contra as quais é uma  perda de tempo lutar.

Sobre este tema gostei dum texto que me chegou num e-mail daqueles que vão circulando pela net, escrito pela Maria Regina Rocha, publicado no jornal Público em 2016-05-04 e que passo a transcrever:

«
 Os cidadãos e a gramática

Maria Regina Rocha – Público 04/05/2016 - 06:59
Talvez não tenha sido muito feliz a criação do termo “igualdade de género”, pois as pessoas não são palavras, sendo mais adequada a expressão “igualdade de direitos, deveres e garantias entre sexos”, e, quanto ao “Cartão de Cidadão”, esta designação naturalmente que engloba todo e qualquer cidadão.
-
Recentemente, tem sido objecto de discussão a denominação do Cartão de Cidadão, documento por meio do qual, em Portugal, se procede à identificação das pessoas, verificando-se em diversos artigos, e invocando-se a “igualdade de género”, alguma confusão entre sexo e género, pelo que talvez valha a pena distinguir estes dois conceitos e explicar como funciona a língua portuguesa (e respectiva gramática) no que diz respeito à designação dos seres e das pessoas em geral.

Como ponto prévio, convém referir que o signo linguístico é arbitrário, o que significa, genericamente, que a designação de um determinado objecto, ser, fenómeno, etc., obedece a alguma convenção, variando de língua para língua. Observe-se, por exemplo, que “o mar” (palavra do género masculino em português) corresponde a “la mer” (feminino em francês) e a “the sea” (sem género em inglês) e que “uma criança” (palavra do género feminino em português, independentemente do sexo da criança em causa) corresponde a “un enfant” (palavra masculina em francês) e a “a child” (palavra sem género em inglês): como se vê, palavras diferentes e de diferentes géneros para designar a mesma realidade.

Assim, é conveniente distinguir sexo de género gramatical. O sexo diz respeito a características morfológicas das pessoas e de outros seres vivos. Um género gramatical é um conjunto de palavras que seguem determinadas regras de concordância, distintas das dos outros géneros. Há línguas em que existe em alguns domínios uma relação entre género e sexo, mas não absoluta nem determinante (o caso da nossa), outras em que não há qualquer relação entre género e sexo; outras, raras, em que existe uma relação exacta; muitas em que o género está relacionado com outros factores (animado ou inanimado; metal, madeira ou pedra...), e mesmo algumas em que não existe sequer género.

Em português, muitos dos substantivos que designam um ser animado têm um género que corresponde a uma distinção de sexo (exemplos: o menino, a menina; o gato, a gata), mas muitos outros há em que tal não se verifica, quer no que diz respeito aos animais, quer no que diz respeito às pessoas.
Efectivamente, embora haja nomes de animais que têm masculino e feminino (o coelho, a coelha; o cavalo, a égua…), muitos dos substantivos que designam animais têm apenas uma forma (masculina ou feminina) para os dois sexos. São os substantivos epicenos, de que são exemplo a borboleta, a foca, a girafa, a serpente, o milhafre, o sapo, o tubarão…

Passando às palavras que designam pessoas, notamos que muitas delas têm a marca de género correspondente ao sexo, ou por meio do uso de uma palavra diferente consoante o sexo (exemplos: homem, mulher; pai, mãe), ou marcando-se a palavra feminina com um morfema próprio (exemplo: professor, professora). Há, no entanto, um certo número de substantivos, chamados “comuns de dois” e outros “sobrecomuns”, que não têm essas marcas. Os “comuns de dois” são aqueles que têm a mesma forma para o masculino e para o feminino, sendo apenas o artigo que indica se nos estamos a referir a uma pessoa do sexo feminino ou do sexo masculino (exemplos: o artista, a artista; o colega, a colega; o presidente, a presidente). Os “sobrecomuns” são aqueles que têm um só género gramatical, não se distinguindo nem sequer pelo artigo (exemplos: a testemunha, o cônjuge, a vítima), verificando-se apenas pelo contexto, quando necessário, qual o sexo da pessoa. Este último caso acontece porque não importa aqui marcar a distinção de sexo: o que importa é a condição ou a situação da pessoa, e não a diferença de sexo.

De referir, ainda, que, na sua maior parte, as palavras quer de um género quer do outro se referem a objectos ou a seres vivos de qualquer sexo (lagarto, salgueiro...), não havendo nenhum tipo de critério nessa distribuição.

Clarificados que estão os conceitos de sexo e de género, passamos à questão da designação genérica masculina presente, por exemplo, nos termos “Cartão de Cidadão”, “Ordem dos Médicos”, “Sindicato dos Professores” ou “Estatuto de refugiado”.

Será de salientar que a língua portuguesa, diferentemente, por exemplo, da inglesa, é redundante, isto é, tem a marca do masculino, do feminino, do singular ou do plural em várias palavras da frase: por exemplo, nas frases “Esta rapariga é simpática.” e “Este rapaz é simpático.”, existem três marcas do género gramatical (esta – este, rapariga – rapaz, simpática – simpático), mas as mesmas frases em inglês apenas têm uma marca distintiva, dada pelo substantivo (“This girl is kind.” – “This boy is kind.”).

Ora, tendo a nossa língua essa particularidade da redundância, sempre que possível ou necessário é usado o genérico masculino, singular ou plural, que designa as pessoas em geral, sem se estar a fazer distinção de sexos, precisamente quando não se pretende realçar ou assinalar a diferença de sexo.
Por convenção (marca geral das línguas), é inerente ao português (também pela chamada “lei do menor esforço”) que este genérico género masculino gramatical englobe as pessoas de ambos os sexos quando não há a intenção de as separar, de as distinguir, mas, sim, de as unir, de as considerar no mesmo plano.

E o sexo feminino tem a particularidade, de, querendo-se, ter um estatuto próprio na língua: quando dizemos “Caros alunos”, estamos a referir-nos a homens e a mulheres, mas quando dizemos “Caras alunas”, só estamos a referir-nos a mulheres.

Na nossa língua, no que diz respeito ao género, são os homens que não têm identidade própria, e não as mulheres. Efectivamente, para se conferir aos homens um estatuto próprio, é necessária a referência distintiva a homens e a mulheres. Por exemplo, se dissermos “Os passageiros entraram no avião.”, estão englobados nesta frase os homens e as mulheres, mas, se quisermos dizer que foram só os homens que entraram, então, temos de referir especificamente as mulheres, temos de os separar delas (“Os passageiros entraram, mas as passageiras não o fizeram.”), não se verificando o contrário: com a frase “As passageiras entraram no avião.”, não é necessária a referência aos homens (eles não entraram).

O motivo para isto é histórico: no contexto das línguas indo-europeias a que o português pertence, o género a que chamamos hoje masculino era inicialmente de cariz ambivalente, englobando todas as palavras que se referissem a seres animados, independentemente do sexo. Foi posteriormente que muitas das palavras que se referem especificamente a seres de sexo feminino, bem como várias outras, foram incluídas no género a que hoje chamamos, por esse motivo, feminino, mas sem que isso retirasse ao outro género a sua capacidade ambivalente.

É, naturalmente, admissível que se faça a distinção entre homens e mulheres, por exemplo, num discurso político, por uma questão de expressividade oratória (“Portuguesas e portugueses”, “Cidadãs e cidadãos”…), mas tal não é funcional na generalidade dos discursos e textos.
As palavras não têm sexo: na língua, o masculino ou o feminino são, apenas, género gramatical.

Em conclusão, talvez não tenha sido muito feliz a criação do termo “igualdade de género”, pois as pessoas não são palavras, sendo mais adequada a expressão “igualdade de direitos, deveres e garantias entre sexos”, e, quanto ao “Cartão de Cidadão”, esta designação naturalmente que engloba todo e qualquer cidadão, irmanando homens e mulheres. Poder-se-á é dizer que esta designação essencialmente política é menos clara do que a de “Bilhete de Identidade”, pois é a identidade da pessoa que ali está traduzida, e não os seus direitos ou deveres como cidadão… Mas isso é outra ordem de ideias, fora do âmbito deste texto.

Enfim, será caso para dizer: à política o que é da política; à gramática o que é da gramática!

Professora da Escola Secundária José Falcão, de Coimbra, com formação em Filologia Românica
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2016-05-24

Os bónus dos banqueiros


No jornal Expresso do passado Sábado, 2016-05-21, tem um artigo interessante do Joseph E. Stiglitz intitulado "A nova era do monopólio" (com limitações de acesso ao jornal Expresso), em que reafirma as imperfeições dos mercados que tornam indispensável a sua regulação.

Nele trazia a frase:
«
Afinal de contas, os grandes bónus pagos aos presidentes executivos dos bancos, à medida que levavam as suas empresas à ruína e a economia à beira de um colapso, são difíceis de conciliar com a crença de que o pagamento dos indivíduos não tem nada a ver com as suas contribuições sociais.
»

que achei que não fazia sentido.

Consultando o original do Project Syndicate constata-se que a frase em inglês era:

«
After all, the large bonuses paid to banks’ CEOs as they led their firms to ruin and the economy to the brink of collapse are hard to reconcile with the belief that individuals’ pay has anything to do with their social contributions.
»

constatando-se assim que o texto em português deveria ser:

«
Afinal de contas, os grandes bónus pagos aos presidentes executivos dos bancos, à medida que levavam as suas empresas à ruína e a economia à beira de um colapso, são difíceis de conciliar com a crença de que o pagamento dos indivíduos tem alguma coisa a ver com as suas contribuições sociais.
»

Fico preocupado com a ascensão da língua chinesa, onde não consigo fazer estas verificações.

Noutros países, há vários anos que as pessoas repararam que os bónus dos banqueiros são imerecidos, conforme se pode constatar aqui e aqui, embora só de longe em longe os consigam limitar. Em Portugal quase não se fala nisso.

2016-05-19

As flores silvestres da Rosenthal


Tenho olhado bastante para as florinhas silvestres que têm aparecido nos prados dos Olivais, conforme se pode constatar nos posts que tenho colocado neste blogue. No outro dia passei pelo El Corte Inglés e na secção de porcelanas vi este prato fabricado pela Rosenthal, com decoração de Britta Hopf, com o tema "Flores silvestres", de que gostei



Conheci a existência da marca alemã Rosenthal numa loja na rua Stroget em Copenhaga em 1978, surpreendeu-me a novidade dos produtos, quando comparados com os da Vista Alegre, também de grande qualidade mas com decorações mais tradicionais e desde essa altura, quando passo por uma loja com artigos deste fabricante, vou quase sempre ver o que está exposto.

Em casa fui à procura deste serviço de porcelana na net e encontrei mais umas tantas imagens que passo a mostrar





As flores cultivadas costumam ser mais espectaculares, mas estas selvagens também merecem a nossa atenção.

Há sítios na Internet, como por exemplo o Dias com árvores, que mostra flores selvagens de uma grande beleza. Muitas vezes passam despercebidas por serem pequenas.

2016-05-17

A Justiça em Portugal e a jornalista Fernanda Câncio


A justiça em Portugal tem problemas que me parecem recorrentes. Sendo uma actividade humana é natural que se cometam erros, que existam mal entendidos e que tudo possa ser melhorado.

Mas existem situações, frequentemente relacionadas com o "segredo de justiça", que me levam a pensar que a incapacidade do sistema judicial português analisar os incidentes que ocorrem e encontrar formas de os corrigir ultrapassam tudo o que me parece razoável.

O que se passa com a jornalista Fernanda Câncio entra nessa categoria.

Publicou um texto longo na revista Visão e posteriormente no blogue Jugular de que destaco:

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14.
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f) Um agente da justiça com um processo à sua guarda admite a sua incapacidade de evitar que assistentes do processo usem o acesso privilegiado para não só violar o segredo de justiça como tentar incriminar pessoas imputando-lhes factos que não estão no dito processo. Mas recusa a possibilidade de ser a Justiça a repor a verdade, dizendo à vítima que a única forma de se defender é processar. Ou seja: a Justiça diz à vítima que não pode evitar um crime do qual é cúmplice pelo menos por inacção (ao não cumprir a obrigação de assegurar o segredo que decreta) e aconselha-a a recorrer à Justiça.
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»

A Helena Araújo escreveu bem sobre este tema aqui, e transcrevo do post dela uma referência ao  Governo Sombra de 15.05.2016 (a partir de 7:34).

2016-05-15

Prados dos Olivais (4)


Retomando a série dos prados dos Olivais mostro mais umas fotos, as 4 primeiras tiradas em 13/Abril deste ano.

Nestas nota-se a rarefacção das flores amarelas de posts anteriores continuando a verificar-se a variação de cores e texturas




que neste caso deve a uma maior frequência das  flores dos trevos em forma de pequenas esferas de côr marfim




e também dos pequenos malmequeres




que estão ausentes nesta em que predominam umas pequenas espigas e uns cones escuros




cones com menos de 3 cm de altura que fotografei com detalhe em 5/Maio