2016-05-31

Vêem-se poucas papoilas nos prados dos Olivais


Para um citadino como eu a natureza aparece mais através dos filmes de documentário na TV e de quadros famosos de paisagens do que com o contacto visual directo, situação um pouco minorada recentemente com os meus passeios diários pelo bairro dos Olivais.

Mesmo assim já tenho tido contactos visuais directos com papoilas em passagens esporádicas pelos campos, é difícil não reparar no vermelho esfuziante das papoilas num campo quando elas estão presentes.

Por maioria de razão as papoilas não passam despercebidas (causam facilmente impressões aos impressionistas) aos pintores como, por exemplo, o Claude Monet neste quadro intitulado "Coquelicots, la promenade" que fui buscar à wikipédia aqui (e a que aumentei ligeiramente o contraste):




pintado em 1873 e actualmente no museu d'Orsay em Paris. Neste sítio referem muitas outras pinturas com papoilas ainda de Monet.

Encontro muito ritmo na palavra "Coquelicot" que sendo "papoila" em francês não passa duma onomatopeia para "cocorico", o canto do galo cuja crista tem a mesma cor das papoilas comuns, as vermelhas.

Van Gogh também pintou Campos de papoilas como se vê a seguir





e Klimt em vários quadros como neste (que fui buscar aqui)




de que apresento um detalhe com a cor em melhor estado (daqui)



Este quadro do Klimt foi pintado em em 1907 e chama-se Mohnwiese. Com a minha ignorância de alemão fui ver no Google tradutor qual seria a tradução para português (que estava ausente) ou para inglês que tão pouco existia. Suponho que apaguei a última parte da palavra (wiese) constatando que Mohn queria dizer "papoila". Vi depois que "wiese" queria dizer "prado".

Fiquei surpreendido do Google Tradutor ser incapaz de aproveitar o hábito, que julgo frequente na língua alemã, de formar palavras novas por agregação simples de palavras existentes. Em tempos li o artigo interessantíssimo "The Man Who Would Teach Machines to Think" de James Somers na revista The Atlantic sobre Douglas Hofstadter, Inteligência Artificial (e tradução automática)  de que  cito:

«...
Josh Estelle, a software engineer on Google Translate, which is based on the same principles as Candide and is now the world’s leading machine-translation system, explains, “you can take one of those simple machine-learning algorithms that you learned about in the first few weeks of an AI class, an algorithm that academia has given up on, that’s not seen as useful—but when you go from 10,000 training examples to 10 billion training examples, it all starts to work. Data trumps everything.”

The technique is so effective that the Google Translate team can be made up of people who don’t speak most of the languages their application translates. “It’s a bang-for-your-buck argument,” Estelle says. “You probably want to hire more engineers instead” of native speakers. Engineering is what counts in a world where translation is an exercise in data-mining at a massive scale.
...»

Mas regressando às papoilas notei noutro quadro do Klimt, "O Beijo" que na base do amoroso casal tem um prado cheio de flores a que eu não tinha dado a devida atenção. Fui buscar a reprodução seguinte à Wikipédia aqui:




Constatei que no poster que tenho em casa, com uma reprodução deste quadro e que muito aprecio por ter os dourados impressos como no original com um brilho metálico em vez do amarelo mais comum das outras reproduções, cortaram duas bandas laterais verticais, diminuindo muito a extensão do prado do lado esquerdo. Vejo umas tantas flores vermelhas que serão provavelmente referências a papoilas, a flor que também representa o amor no ramo do dia da espiga.

Voltando agora aos prados dos Olivais, vi no outro dia uma papoila,



o que não dá para pintar um campo de papoilas. No próximo post revelarei a minha conjectura sobre a baixa frequência de papoilas nos prados dos Olivais.




2016-05-30

Prados dos Olivais (5)


Já vamos no fim de Maio e ainda estou a mostrar fotografias que tirei no dia 13/Abril deste ano, numa altura em qua a presença de alguma chuva, alternada com "boas abertas", dava esta sensação de viço que actualmente já não é tão forte



Na primeira foto dou destaque às já faladas florinhas amarelas de 5 pétalas, num conjunto numeroso sobre um fundo verde, como se fosse a bandeira do Brasil, na segunda dou uma ideia do contextoem que as  florinhas se situam



na terceira imagem chamou-me a atenção o conjunto de plantas com folhas em serrilha, dividindo a área da imagem pelas florinhas e pelas folhas com serrilha



e finalizando com o predomínio das folhas verdes









2016-05-26

Os géneros gramaticais


Em 2008 publiquei um post sobre discriminação de género existente na maioria  das linguagens.

Na altura escrevi:
«
Não sei o que se há de fazer na língua portuguesa para a melhorar, sob este aspecto de menorização do feminino, acho que a tarefa cabe às escritoras, quer sejam mulheres, quer sejam homens.
»
Agora já não me parece boa ideia designar por "escritoras" homens e mulheres. A linguagem é também um campo de luta de ideias que fazem mudar o uso e o sentido das palavras existentes. Mas existem arbitrariedades genuínas na linguagem contra as quais é uma  perda de tempo lutar.

Sobre este tema gostei dum texto que me chegou num e-mail daqueles que vão circulando pela net, escrito pela Maria Regina Rocha, publicado no jornal Público em 2016-05-04 e que passo a transcrever:

«
 Os cidadãos e a gramática

Maria Regina Rocha – Público 04/05/2016 - 06:59
Talvez não tenha sido muito feliz a criação do termo “igualdade de género”, pois as pessoas não são palavras, sendo mais adequada a expressão “igualdade de direitos, deveres e garantias entre sexos”, e, quanto ao “Cartão de Cidadão”, esta designação naturalmente que engloba todo e qualquer cidadão.
-
Recentemente, tem sido objecto de discussão a denominação do Cartão de Cidadão, documento por meio do qual, em Portugal, se procede à identificação das pessoas, verificando-se em diversos artigos, e invocando-se a “igualdade de género”, alguma confusão entre sexo e género, pelo que talvez valha a pena distinguir estes dois conceitos e explicar como funciona a língua portuguesa (e respectiva gramática) no que diz respeito à designação dos seres e das pessoas em geral.

Como ponto prévio, convém referir que o signo linguístico é arbitrário, o que significa, genericamente, que a designação de um determinado objecto, ser, fenómeno, etc., obedece a alguma convenção, variando de língua para língua. Observe-se, por exemplo, que “o mar” (palavra do género masculino em português) corresponde a “la mer” (feminino em francês) e a “the sea” (sem género em inglês) e que “uma criança” (palavra do género feminino em português, independentemente do sexo da criança em causa) corresponde a “un enfant” (palavra masculina em francês) e a “a child” (palavra sem género em inglês): como se vê, palavras diferentes e de diferentes géneros para designar a mesma realidade.

Assim, é conveniente distinguir sexo de género gramatical. O sexo diz respeito a características morfológicas das pessoas e de outros seres vivos. Um género gramatical é um conjunto de palavras que seguem determinadas regras de concordância, distintas das dos outros géneros. Há línguas em que existe em alguns domínios uma relação entre género e sexo, mas não absoluta nem determinante (o caso da nossa), outras em que não há qualquer relação entre género e sexo; outras, raras, em que existe uma relação exacta; muitas em que o género está relacionado com outros factores (animado ou inanimado; metal, madeira ou pedra...), e mesmo algumas em que não existe sequer género.

Em português, muitos dos substantivos que designam um ser animado têm um género que corresponde a uma distinção de sexo (exemplos: o menino, a menina; o gato, a gata), mas muitos outros há em que tal não se verifica, quer no que diz respeito aos animais, quer no que diz respeito às pessoas.
Efectivamente, embora haja nomes de animais que têm masculino e feminino (o coelho, a coelha; o cavalo, a égua…), muitos dos substantivos que designam animais têm apenas uma forma (masculina ou feminina) para os dois sexos. São os substantivos epicenos, de que são exemplo a borboleta, a foca, a girafa, a serpente, o milhafre, o sapo, o tubarão…

Passando às palavras que designam pessoas, notamos que muitas delas têm a marca de género correspondente ao sexo, ou por meio do uso de uma palavra diferente consoante o sexo (exemplos: homem, mulher; pai, mãe), ou marcando-se a palavra feminina com um morfema próprio (exemplo: professor, professora). Há, no entanto, um certo número de substantivos, chamados “comuns de dois” e outros “sobrecomuns”, que não têm essas marcas. Os “comuns de dois” são aqueles que têm a mesma forma para o masculino e para o feminino, sendo apenas o artigo que indica se nos estamos a referir a uma pessoa do sexo feminino ou do sexo masculino (exemplos: o artista, a artista; o colega, a colega; o presidente, a presidente). Os “sobrecomuns” são aqueles que têm um só género gramatical, não se distinguindo nem sequer pelo artigo (exemplos: a testemunha, o cônjuge, a vítima), verificando-se apenas pelo contexto, quando necessário, qual o sexo da pessoa. Este último caso acontece porque não importa aqui marcar a distinção de sexo: o que importa é a condição ou a situação da pessoa, e não a diferença de sexo.

De referir, ainda, que, na sua maior parte, as palavras quer de um género quer do outro se referem a objectos ou a seres vivos de qualquer sexo (lagarto, salgueiro...), não havendo nenhum tipo de critério nessa distribuição.

Clarificados que estão os conceitos de sexo e de género, passamos à questão da designação genérica masculina presente, por exemplo, nos termos “Cartão de Cidadão”, “Ordem dos Médicos”, “Sindicato dos Professores” ou “Estatuto de refugiado”.

Será de salientar que a língua portuguesa, diferentemente, por exemplo, da inglesa, é redundante, isto é, tem a marca do masculino, do feminino, do singular ou do plural em várias palavras da frase: por exemplo, nas frases “Esta rapariga é simpática.” e “Este rapaz é simpático.”, existem três marcas do género gramatical (esta – este, rapariga – rapaz, simpática – simpático), mas as mesmas frases em inglês apenas têm uma marca distintiva, dada pelo substantivo (“This girl is kind.” – “This boy is kind.”).

Ora, tendo a nossa língua essa particularidade da redundância, sempre que possível ou necessário é usado o genérico masculino, singular ou plural, que designa as pessoas em geral, sem se estar a fazer distinção de sexos, precisamente quando não se pretende realçar ou assinalar a diferença de sexo.
Por convenção (marca geral das línguas), é inerente ao português (também pela chamada “lei do menor esforço”) que este genérico género masculino gramatical englobe as pessoas de ambos os sexos quando não há a intenção de as separar, de as distinguir, mas, sim, de as unir, de as considerar no mesmo plano.

E o sexo feminino tem a particularidade, de, querendo-se, ter um estatuto próprio na língua: quando dizemos “Caros alunos”, estamos a referir-nos a homens e a mulheres, mas quando dizemos “Caras alunas”, só estamos a referir-nos a mulheres.

Na nossa língua, no que diz respeito ao género, são os homens que não têm identidade própria, e não as mulheres. Efectivamente, para se conferir aos homens um estatuto próprio, é necessária a referência distintiva a homens e a mulheres. Por exemplo, se dissermos “Os passageiros entraram no avião.”, estão englobados nesta frase os homens e as mulheres, mas, se quisermos dizer que foram só os homens que entraram, então, temos de referir especificamente as mulheres, temos de os separar delas (“Os passageiros entraram, mas as passageiras não o fizeram.”), não se verificando o contrário: com a frase “As passageiras entraram no avião.”, não é necessária a referência aos homens (eles não entraram).

O motivo para isto é histórico: no contexto das línguas indo-europeias a que o português pertence, o género a que chamamos hoje masculino era inicialmente de cariz ambivalente, englobando todas as palavras que se referissem a seres animados, independentemente do sexo. Foi posteriormente que muitas das palavras que se referem especificamente a seres de sexo feminino, bem como várias outras, foram incluídas no género a que hoje chamamos, por esse motivo, feminino, mas sem que isso retirasse ao outro género a sua capacidade ambivalente.

É, naturalmente, admissível que se faça a distinção entre homens e mulheres, por exemplo, num discurso político, por uma questão de expressividade oratória (“Portuguesas e portugueses”, “Cidadãs e cidadãos”…), mas tal não é funcional na generalidade dos discursos e textos.
As palavras não têm sexo: na língua, o masculino ou o feminino são, apenas, género gramatical.

Em conclusão, talvez não tenha sido muito feliz a criação do termo “igualdade de género”, pois as pessoas não são palavras, sendo mais adequada a expressão “igualdade de direitos, deveres e garantias entre sexos”, e, quanto ao “Cartão de Cidadão”, esta designação naturalmente que engloba todo e qualquer cidadão, irmanando homens e mulheres. Poder-se-á é dizer que esta designação essencialmente política é menos clara do que a de “Bilhete de Identidade”, pois é a identidade da pessoa que ali está traduzida, e não os seus direitos ou deveres como cidadão… Mas isso é outra ordem de ideias, fora do âmbito deste texto.

Enfim, será caso para dizer: à política o que é da política; à gramática o que é da gramática!

Professora da Escola Secundária José Falcão, de Coimbra, com formação em Filologia Românica
»

2016-05-24

Os bónus dos banqueiros


No jornal Expresso do passado Sábado, 2016-05-21, tem um artigo interessante do Joseph E. Stiglitz intitulado "A nova era do monopólio" (com limitações de acesso ao jornal Expresso), em que reafirma as imperfeições dos mercados que tornam indispensável a sua regulação.

Nele trazia a frase:
«
Afinal de contas, os grandes bónus pagos aos presidentes executivos dos bancos, à medida que levavam as suas empresas à ruína e a economia à beira de um colapso, são difíceis de conciliar com a crença de que o pagamento dos indivíduos não tem nada a ver com as suas contribuições sociais.
»

que achei que não fazia sentido.

Consultando o original do Project Syndicate constata-se que a frase em inglês era:

«
After all, the large bonuses paid to banks’ CEOs as they led their firms to ruin and the economy to the brink of collapse are hard to reconcile with the belief that individuals’ pay has anything to do with their social contributions.
»

constatando-se assim que o texto em português deveria ser:

«
Afinal de contas, os grandes bónus pagos aos presidentes executivos dos bancos, à medida que levavam as suas empresas à ruína e a economia à beira de um colapso, são difíceis de conciliar com a crença de que o pagamento dos indivíduos tem alguma coisa a ver com as suas contribuições sociais.
»

Fico preocupado com a ascensão da língua chinesa, onde não consigo fazer estas verificações.

Noutros países, há vários anos que as pessoas repararam que os bónus dos banqueiros são imerecidos, conforme se pode constatar aqui e aqui, embora só de longe em longe os consigam limitar. Em Portugal quase não se fala nisso.

2016-05-19

As flores silvestres da Rosenthal


Tenho olhado bastante para as florinhas silvestres que têm aparecido nos prados dos Olivais, conforme se pode constatar nos posts que tenho colocado neste blogue. No outro dia passei pelo El Corte Inglés e na secção de porcelanas vi este prato fabricado pela Rosenthal, com decoração de Britta Hopf, com o tema "Flores silvestres", de que gostei



Conheci a existência da marca alemã Rosenthal numa loja na rua Stroget em Copenhaga em 1978, surpreendeu-me a novidade dos produtos, quando comparados com os da Vista Alegre, também de grande qualidade mas com decorações mais tradicionais e desde essa altura, quando passo por uma loja com artigos deste fabricante, vou quase sempre ver o que está exposto.

Em casa fui à procura deste serviço de porcelana na net e encontrei mais umas tantas imagens que passo a mostrar





As flores cultivadas costumam ser mais espectaculares, mas estas selvagens também merecem a nossa atenção.

Há sítios na Internet, como por exemplo o Dias com árvores, que mostra flores selvagens de uma grande beleza. Muitas vezes passam despercebidas por serem pequenas.

2016-05-17

A Justiça em Portugal e a jornalista Fernanda Câncio


A justiça em Portugal tem problemas que me parecem recorrentes. Sendo uma actividade humana é natural que se cometam erros, que existam mal entendidos e que tudo possa ser melhorado.

Mas existem situações, frequentemente relacionadas com o "segredo de justiça", que me levam a pensar que a incapacidade do sistema judicial português analisar os incidentes que ocorrem e encontrar formas de os corrigir ultrapassam tudo o que me parece razoável.

O que se passa com a jornalista Fernanda Câncio entra nessa categoria.

Publicou um texto longo na revista Visão e posteriormente no blogue Jugular de que destaco:

«
14.
...
f) Um agente da justiça com um processo à sua guarda admite a sua incapacidade de evitar que assistentes do processo usem o acesso privilegiado para não só violar o segredo de justiça como tentar incriminar pessoas imputando-lhes factos que não estão no dito processo. Mas recusa a possibilidade de ser a Justiça a repor a verdade, dizendo à vítima que a única forma de se defender é processar. Ou seja: a Justiça diz à vítima que não pode evitar um crime do qual é cúmplice pelo menos por inacção (ao não cumprir a obrigação de assegurar o segredo que decreta) e aconselha-a a recorrer à Justiça.
...
»

A Helena Araújo escreveu bem sobre este tema aqui, e transcrevo do post dela uma referência ao  Governo Sombra de 15.05.2016 (a partir de 7:34).

2016-05-15

Prados dos Olivais (4)


Retomando a série dos prados dos Olivais mostro mais umas fotos, as 4 primeiras tiradas em 13/Abril deste ano.

Nestas nota-se a rarefacção das flores amarelas de posts anteriores continuando a verificar-se a variação de cores e texturas




que neste caso deve a uma maior frequência das  flores dos trevos em forma de pequenas esferas de côr marfim




e também dos pequenos malmequeres




que estão ausentes nesta em que predominam umas pequenas espigas e uns cones escuros




cones com menos de 3 cm de altura que fotografei com detalhe em 5/Maio




2016-05-11

Voar (2)


Pode-se voar  a ouvir música como se vê aqui ou por outros meios como em vários destes posts ou ainda de forma mais concreta, como faz o Franky Zapata no seu Flyboard:




2016-05-08

A música mais uma vez


Gostei da sugestão da semana do Sérgio Almeida Correia "é dentro de ti que toda a música é ave".

Gostei deste video-clip que me fez lembrar ambientes oníricos, em que não percebemos o que se passa:




e também muito deste da Anoushka Shankar:





2016-05-05

Prados dos Olivais (3)


Continuando a série sobre os prados dos Olivais mostro agora outra encosta da mesma colina.

Enquanto a encosta do post anterior estava virada a Nascente esta está virada a Norte,



talvez por isso se note alguma diferença no aspecto geral, com uns pontos brancos e amarelos, diferentes das flores amarelas quase exclusivas da encosta anterior




As pequeninas amarelas de forma esférica não sei o que são, as brancas são flores dos trevos, que aparecem aqui em baixo, já um pouco desfeitas pelo vento, junto a outras flores de trevo duma variedade de cor roxa, menos frequente mas sem ser rara




flor roxa do trevo que fotografei isolada aqui



mostrando a seguir a mesma imagem com maior ampliação




2016-05-01

Prados dos Olivais (2)


Em 17/Abril deste ano iniciei esta série sobre Prados dos Olivais, tendo um pouco antes tirado muitas fotografias a esses pequenos prados que tanto me agradam. Regresso agora ao tema, mostrando uma encosta cheia de pequenas flores amarelas.




Julgo que estas flores amarelas não serão todas da mesma espécie, trata-se apenas de uma cor muito comum, na realidade olhando mais de perto (fazendo um zoom à imagem)




notam-se até umas florinhas vermelhas muito pequenas que mostrei em tempos e que se vêem melhor na imagem seguinte




Contudo desta vez foquei-me mais nesta flor amarela


que mostro ampliada na imagem seguinte




2016-04-26

A minha experiência com Lego


Como disse há pouco tenho andado a reconstruir conjuntos de Lego e fui à procura de informação na internet sobre este fabricante de brinquedos.

Neste caso a informação em português sobre a História do LEGO é bastante completa embora, como frequentemente, tenha sido preenchida sobretudo por gente do Brasil, com referências ao que se passou naquele país. A versão inglesa também é interessante.

Existe actualmente uma narrativa que esta vai ser a primeira geração a viver pior do que os seus pais. Penso tratar-se de uma figura de retórica para fazer um corte nas pensões. Tenho constatado que as condições materiais da vida dos meus filhos foram em variados aspectos melhores do que as minhas e as dos meus netos encaminham-se na mesma direcção. Claro que descrever a evolução do nível de vida de uma população sempre foi difícil, designadamente porque o custo relativo dos diversos produtos se altera imenso com o correr do tempo e é difícil encontrar um cabaz de compras invariante ao longo de períodos de tempo longos.

Neste caso específico do Lego, o único conjunto que me ofereceram foi esta casinha quando ainda vivia no Porto, de que dou várias perspectivas:


Como mudei para Lisboa em Outubro de 1959 a construção ter-me-à sido provavelmente oferecida em 1958, ano em que fiz 9 anos.Não garanto que não se tenham perdido algumas peças, lembro-me da exiguidade das placas de base e de topo e do conjunto de 3 peças redondas azuis que possibilitavam a existência de uma coluna a criar um alpendre. Tenho uma vaga memória que a casa teria uma porta e duas janelas e julgo que a mais pequena tinha aquela dimensão, mas não garanto pois como se vê na imagem seguinte



os pinos no topo da janela de 4 têm uma definição muito mais exacta do que os pinos no topo da janela de 6 e do que os 2 pinos no topo da porta, não fazendo portanto parte do conjunto original de 1958.

Constatei na Wikipédia que não fui o único a reparar que as peças se soltavam com facilidade umas das outras, como se constata nesta citação “Embora tivessem imenso potencial, os "tijolos" ainda apresentavam alguns problemas do ponto de vista técnico: a sua capacidade de se "prender" era limitada...” e ainda “Foi apenas em 1958 que o design do "tijolo" clássico foi desenvolvido: os blocos foram melhorados com tubos vazados em seu interior.” , tendo este último melhoramento sido patenteado em 28/Jan/1958.

Mostro a seguir as peças de 1958 da casinha acima



e as peças posteriores com o mesmo formato



sendo visíveis o tubo no bloco de 2x2 pinos e os espigões internos nas peças de 6x1 e 2x1.

Existiu um pequeno período intermédio em que apenas as peças com 2 pinos por 2 (ou mais pinos) tinham direito a este reforço interior, continuando a existir peças de 2x1 sem o espigão interior para reforçar a sua ligação.

Li na internet que os brinquedos de plástico tiveram de início dificuldade em entrar no mercado, os clientes preferiam os de madeira ou metálicos. No género de brinquedo construtivo o mais popular era o Meccano, um sistema com peças metálicas normalizadas que se uniam com porcas e parafusos e que dava para construir, entre outras coisas, automóveis, camiões e máquinas em geral, designadamente guindastes. No meu caso só voltei a comprar Lego para os meus filhos.

Continuando a citar a Wikipédia, “A partir de 1963, a matéria-prima usada na fabricação dos blocos LEGO, o acetato de celulose, foi substituído pelo acrilonitrilo-butadieno-estireno (ABS(https://pt.wikipedia.org/wiki/ABS_(pl%C3%A1stico) )), um plástico mais estável, ... As vantagens do ABS eram consideráveis: não era tóxico, era menos sujeito a descoloração e deformação, e mais resistente ao calor, ácidos, sais e outros produtos compostos químicos que o seu antecessor. Peças LEGO fabricadas em 1963 ainda mantém as suas formas e cores, conservando a sua capacidade de encaixe com as últimas peças fabricadas, quarenta anos depois.”.

A minha experiência com peças ABS não chega a estes quarenta anos mas tenho peças com 25 anos que encaixam perfeitamente com as peças actuais dos meus netos. Na versão brasileira dizem que usaram ABS até 2004 enquanto na inglesa dizem que ainda usam ABS mas iniciaram uma investigação financiada com milhões de euros para deixarem de usar derivados de petróleo.

Em tempos deram-me umas peças muito antigas, que nunca cheguei a usar frequentemente, e que suponho serem feitas com o acetato de celulose acima referido.

Nas imagens seguintes pode-se comparar o aspecto de um telhado antigo do Lego, feito com blocos como uma  pirâmide em degraus (pois não existiam peças inclinadas), em que na primeira os blocos são de acetato e na segunda de ABS.


Nos anos em que comprei Lego para os meus filhos, que foram desde finais dos anos 70 até finais dos anos 80 não havia Internet, nem Google nem vendas online. Peças que se perdessem eram muito difíceis de substituir.

As construções Lego eram apreciadas pelos pedagogos dada a ausência de armas e o seu apelo à criatividade dos jovens, melhor do que o modelismo que se limitava a imitar em escala reduzida o mundo dos adultos.

Com o passar do tempo foram sendo introduzidas figuras humanas que começaram a aparecer pouco depois de eu começar a comprar Lego para os meus filhos. Apareceu o conceito de Legoland, um conjunto de construções para simular uma pequena cidade, em que além de vários tipos de casas existiam os Bombeiros, a Esquadra da Polícia, o Aeroporto com aviões, grande variedade de camiões e de automóveis e muitos helicópteros e ambulâncias, embora curiosamente não me lembre da existência de hospitais., A partir de 1979 (segundo o que li na net) apareceu também uma linha de exploração espacial com umas naves que pareciam armadas com raios laser. Existia uma linha com castelos, armaduras, espadas e lanças mas era tudo de um passado distante.

Fui observando que em cada conjunto apareciam sempre novas peças únicas ganhando o sistema em realismo enquanto ia perdendo em normalização.

Agora que a Lego disponibiliza venda online de peças variadas constatei que as cerca de 1400 peças diferentes disponíveis (em que duas peças com a mesma forma e de cores diferentes contam como duas peças diferentes) estão longe de contemplar toda a variedade de peças que a Lego foi produzindo ao longo deste tempo todo, limitando-se às mais comuns e/ou as mais recentes. Tenciono comprar online algumas peças perdidas directamente à Lego, penso que não terei necessidade de comprar peças no mercado da segunda mão.

A Lego passou por um período difícil entre 1992 e 2004, provavelmente devido ao aparecimento dos jogos de computador, mas conseguiu sobreviver e regressar à normalidade se bem que introduzindo elementos bélicos da Guerra das Estrelas, Ninjas e mais alguns elementos de violência armada.

A introdução de instruções de montagem, elemento que não existia no primórdios da marca, pode afectar a criatividade de quem brinca pois passa a ser possível o utilizador limitar-se a seguir as instruções de montagem: Mas pode-se dizer que nada o impede de no fim desmanchar tudo e fazer uma peça bastante diferente, com ideias que lhe foram surgindo durante a construção.

De qualquer forma tenho gasto bastante tempo a reconstruir cada elemento porque quando desfiz todas as construções existentes não foi possível separar as peças para as caixas iniciais correspondentes e seguir as instruções tem-se revelado uma actividade agradável e não stressante.

Acho que quando tiver tudo reconstruído irei desfazer tudo outra vez, à semelhança de um puzzle mas desta vez respeitando as divisões por caixa para simplificar a reconstrução e/ou fazer variantes das sugestões dos planos de construção.

2016-04-25

Mini-flores dos prados









Mais uma vez não consegui focar as mini-flores dos prados dos Olivais, num arranjo floral difícil porque os caules destas pequenas flores têm muito pouca resistência.



Achei que as cores deviam mesmo assim ser mostradas






depois fotografei as flores amarelas muito pequeninas que faziam lembrar orquídeas e que estão a seguir muito aumentadas



seguida da flor amarela com que finalizei post anterior



e um mini-malmequer sobre o fundo vermelho da jarrinha





Malmequeres


Não foi bem de repente mas apareceram agora uns dias de sol magnífico.

Gostei de ver estes malmequeres campestres ao pé da praia de S.João na Costa da Caparica que, como o 25 de Abril, fazem pensar em dias de sol.












O LEGO e a água oxigenada


Tenho gasto ultimamente um tempo apreciável a reconstruir conjuntos antigos de Lego que tenho inactivos em casa há bastantes anos. Algumas das peças, sobretudo as brancas, que estiveram expostas durante muito tempo à luz do dia, amarelecem com o tempo (com os raios ultra-violetas), retirando alguma beleza às construções.

Andei à procura na internet de eventuais soluções para este problema e descobri neste sítio a receita milagrosa, trata-se de imergir as peças em água oxigenada.

No meu caso usei água oxigenada que comprara no supermercado. A embalagem diz "Água Oxigenada 10vol." e contém água purificada, peróxido de hidrogénio e benzoato de sódio. Cada 100ml de solução contém 3g de peróxido de hidrogénio, sendo o produto estabilizado com benzoato de sódio. Presumo que os 3 g referidos são os "3% strength" referidos no artigo em inglês. Tinha lavado as peças previamente com um produto com que se limpam os lavatórios. Coloquei uma peça num boião de vidro com tampa pelo que não tive que adicionar água oxigenada durante os 5 dias.

No final tirei uma foto a uma peça branqueada e a outra que tinha zonas amarelecidas parecidas à peça que foi branqueada. Não sendo a mesma peça, a imagem dá uma ideia do "depois" e do "antes".

As condições de iluminação não foram as ideais pois a peça branqueada na realidade parece ainda mais branca do que ficou na foto.



Adenda: as peças azuis também melhoram muito

2016-04-21

A florzinha amarela de 5 pétalas (continuação e fim)


Colhida que foi uma florzinha como a referida no post anterior, desta vez com o número correcto de pétalas (e com as pétalas separadas), fui buscar uma jarrinha de tamanho adequado para uma flor campestre com uma corola de pouco mais do que 1 cm de diâmetro.

Coloquei uma cartolina preta em cima de uma mesa, para evitar distracções, e gostei do mini-ikebana obtido, com a maior parte das cores da nossa bandeira nacional:



Neste caso usei a posição P da máquina fotográfica Olympus E-450, em que ela escolheu a abertura (f/5.1), velocidade (1/20seg.) e sensibilidade da "película" (ISO-400), além de estar em modo de focagem automática. A minha escolha foi apenas a distância focal que foi 31mm numa objectiva zoom que vai de 14 a 42mm sendo equivalente numa máquina de 35mm ao dobro, i.e.a 62mm.

Neste caso o leitor razoavelmente atento notará que quer a jarrinha quer a florinha estão desfocadas, só as folhas ficaram focadas. Além disso pareceu-me haver muita luz e mudei de P para M (de Program para Manual). A nova abertura foi f/5.6, velocidade 1/40s, ISO-100, dist.focal 42 (equiv. 84mm) e penso que fechei um bocado a janela para vir menos luz pois o relexo da luz da janela na jarra estava a ficar excessivo. Na foto da esquerda a flor ficou desfocada, só na da direita consegui focar a flor.



Nalgumas fotos fiz a focagem manual e noutras automática mas não consegui registar tudo, uma vez que também coloquei a máquina num tripé para algumas das fotos, pois receara que a falta de focagem fosse na realidade falta de estabilidade da máquina, que não tem estabilizador de imagem.

Mesmo com a imagem da direita focada, ao usar a totalidade dos pixels da imagem obtive uma flor que continua imperfeitamente focada, como se vê a seguir



Entretanto fiz mais uma tentativa com prioridade à abertura (f/5.6) tendo dado uma velocidade de 1/15s, ISO-400 e uma "Exposure bias" (compensação/correcção de exposição?) de -1.3.

Mostro o resultado da foto inteira e do seu detalhe da flor, que parece um pouco mais focada do que no caso anterior



E para finalizar, considerando que se eu já estou um bocado farto deste post os leitores já não devem ter chegado até aqui, mostro uma última tentativa com f/5, 1/40s, 24mm (50 equivalente), ISO-100, programa Manual, sem correcção de exposição: