2020-08-06

Beirute e Hiroshima



Em 4/Ago/2020 houve uma enorme explosão em Beirute que, segundo este artigo do The New York Times, causou a morte de mais de 130 pessoas, feriu outras 4000 e obrigou 300.000 a abandonar as suas casas, muitas das quais já não existem.


A explosão teve origem em 2.750 toneladas de nitrato de amónio, um fertilizante também usado como explosivo em minas, nalgumas aplicações militares e em actos terroristas. Investiga-se actualmente quais as razões de armazenamento num mesmo local de uma quantidade tão grande de fertilizante mas já ocorreram acidentes enormes com nitrato de amónio noutros portos além deste no porto de Beirute.

Segundo contas rápidas desse artigo do NYTimes esta quantidade de nitrato de amónio equivale a 1.155 toneladas de TNT que produziria uma onda de choque capaz de destruir a maior parte dos edifícios num raio de 250 metros e estilhaçaria vidros num raio de 2 km.

A bomba não nuclear mais potente lançada por um avião dos EUA em 2017 (GBU-43 Massive Ordnance Air Blast) tem um poder explosivo de 9,35 toneladas de TNT.

Já a bomba que foi lançada em Hiroshima em 6/Ago/1945, há exactamente 75 anos, a mais fraca bomba nuclear usada num ataque militar até aos dias de hoje, equivalia a 15.000 toneladas de TNT.

Existem movimentos com o objectivo de eliminar todas as armas nucleares armazenadas no nosso planeta. O Global Zero é um desses movimentos.


2020-07-26

Remover estátuas


Na sequência do assassínio do cidadão morte-americano George Floyd por um polícia no estado de Michigan, com completo à vontade em frente de telemóveis que filmaram a cena, tiveram lugar muitas manifestações nos E.U.A. e em muitas cidades doutros países incluindo Lisboa.

Desta vez as manifestações encaminharam-se para o derrube de variadas estátuas, nos EUA os alvos principais foram figuras importantes designadamente militares dos estados confederados do Sul, que declararam a secessão (1861-1865) por não aceitarem as leis de extinção da escravatura em todos os estados da federação da América do Norte.

Em Portugal a abolição da escravatura não provocou nenhuma guerra cilvil, a que tivemos no século XIX (1828-1834) foi entre absolutistas (D.Miguel) e liberais/constitucionalistas (D.PedroIV). Não tenho conhecimento de estátuas de D.Miguel que depois de perder a guerra foi para o exílio na Europa onde faleceu. Curiosamente, no concelho de Loures, em Stº António dos Cavaleiros existe uma praça com o nome de D.Miguel mas para o Google Maps é caso único.

Na Inglaterra, designadamente em Bristol, derrubaram e deitaram à água nas docas a estátua dum filantropo e benemérito da cidade cuja fortuna se devera ao comércio de escravos. Em Londres removeram estátua doutro traficante de escravos, e uma de Cecil Rhodes, defensor da supremacia dos “brancos”, foi retirada da universidade de Oxford.

Andei à procura de traficantes de escravos de nacionalidade portuguesa e um primo meu do Porto referiu-me o Conde de Ferreira. Existe um artigo sobre ele na Wikipédia, trata-se de Joaquim Ferreira dos Santos, 1º Conde de Ferreira  (Porto, 1782-1866), comerciante de escravos, empresário comercial e filantropo português, Par do reino em 1842, Conselheiro da rainha D.Maria II, com várias condecorações e comendas. O hospital psiquiátrico de Conde de Ferreira foi inaugurado em1883.

Quando eu vivia no Porto, até aos meus 10 anos, lembro-me de expressão coloquial “ainda vais parar ao Conde Ferreira” quando se fazia ou dizia algo mais amalucado mas nunca me referiram a origem da  maior parte do dinheiro da personagem. Mas, ou por desconhecimento ou por falta de activistas no Porto para esta causa, a estátua não foi perturbada.

Noutros sítios colocaram tinta vermelha em estátuas sem as remover. Foi o caso de Lisboa onde a escolhida foi a estátua do padre António Vieira (Lisboa 1608, Salvador da Bahia 1697) instalada em 2017 no largo Trindade Coelho, em frente da igreja de S.Roque.

 

Muita gente criticou a vandalização da estátua embora alguns tenham também criticado o simbolismo da mesma, com uma pretensa infantilização dos indios representados através de 3 crianças. A estátua foi seleccionada num concurso e embora eu não a ache extraordinária parece-me de interpretação simples: o padre António Vieira, um Jesuíta, exibe a cruz de Cristo na sua função de missionário, rodeado de crianças que provavelmente tem andado a catequisar, a ordem dos Jesuítas dedicava particular atenção à criação de colégios para ministrar uma educação com valores cristãos. O índios aparecem porque o padre lutou para que os índios do Brasil não fossem escravizados e o padre é objecto de críticas por não ter desenvolvido uma campanha equivalente para os africanos trazidos para o Brasil como escravos se bem que não tenha defendido a escravatura e tenha afirmado que os escravos tinham que ser tratados com humanidade. Também me parece mal que tenham vandalizado esta estátua que entretanto já foi restaurada.

Remover estátuas de espaços públicos de passagem, como praças, rotundas, jardins e semelhantes, não é “reescrever” a História, como é frequente dizer-se a propósito destes acontecimentos. A História não é uma descrição única do passado mas a perspectiva que cada sociedade num determinado momento tem desse passado, visto à luz do que então se conhece e dos valores dominantes nessa altura nessa sociedade. Nesse sentido é missão de cada geração de historiadores darem uma perspectiva actual do processo histórico. E com a mudança dos valores ao longo do tempo é natural que hajam  mudanças nos destaques reservados a figuras históricas.

As ex-colónias portuguesas devolveram algumas estátuas de colonizadores, cuja presença incomodava os ex-colonizados, como referi num post intitulado “World Land Grab” de 22/Mar/2010.

De Macau, na sequência da devolução da administração do território à China, devolveram a estátua do ex-governador Ferreira do Amaral que foi colocada no bairro da Encarnação como referi neste post “Estátuas coloniais ” de 23/Mar/2010.

Na revista NewYorker publicaram recentemente uma entrevista com a filósofa Susan Neiman, tendo como ponto de partida o livro dela publicado em 2019 intitulado “Learning from the Germans: Race and the Memory of Evil,” em que ela compara as formas como a Alemanha e os EUA confrontaram as partes negras do seu passado. Da entrevista destaco esta parte:
«
 The statues really need to go, first of all. And they’re going. It’s a symbolic act, but an important symbol. And the idea that the statues are about history or heritage is ridiculous. We don’t memorialize every piece of our heritage. We pick out what we want people to remember. Monuments are visible values. They portray the men and women who embodied the values that we want our community to share, that we want our children to learn. So they have to go. And hopefully that process should be a democratic and public one. They don’t all need to go into the harbor. Contextualization can be an option in some cases. It really needs to be decided case by case. But we have to acknowledge that we’re not upholding history, we’re upholding values, and those are not the values that we want in the twenty-first century.
»
e num registo mais ligeiro destaco ainda este truísmo: “Politicians always do things for political motives. I think that’s what makes them politicians.”

Ainda na NewYorker veio um artigo sobre a remoção duma estátua de Félix Djerzinski, bolchevista fundador da Cheka, polícia secreta soviética sucedida pela N.K.V.D. responsável pelas purgas estalinistas, sucedida pela K.G.B. dos romances de John Le Carré na Guerra Fria e finalmente sucedida pela F.S.B. O derrube da estátua acabou por ser inconsequente na actual situação pois Vladimir Putin, que foi funcionário do K.G.B., é por assim dizer um “descendente” do pensamento político de Félix Djerzinski.


2020-07-16

Santa Sofia passa de Museu para Mesquita


Na passada sexta-feira dia 10/Jul/2020 tive a notícia na BBC que um tribunal turco abrira o caminho para que o Museu da Agia Sofia em Istambul voltasse a ser uma mesquita.

 
Referi-me a esse edifício neste post sobre a Santa Sabedoria, cuja passagem de mesquita  a museu em 1935, que fez parte da laicização da república turca, é agora revertida.

O gesto de Ataturk em 1935 foi de grande generosidade quando se considera a tradição islamo-cristã que era até então construir igrejas sobre mesquitas ou mesquitas sobre igrejas, por vezes mantendo o edifício com algumas alterações, continuando o uso religioso mas mudando os rituais de acordo com a religião dos exércitos vencedores. Por exemplo na mesquita de Córdoba construiram uma igreja em parte da  mesquita, se bem que tenham mantido boa parte ou mesmo a maioria do edifício existente, designadamente o Mihrab que indica a direcção de Meca embora a comunidade islâmica de Córdoba não tenha acesso à mesquita para orações públicas.

Na Agia Sofia (em turco AyaSofya) colocaram um Mihrab ligeiramente ao lado do eixo da igreja que estava dirigido para Jerusalém, conforme referi neste post.

A Europa não tem responsabilidade de tudo o que se passa no planeta mas os constantes adiamentos no processo de adesão da Turquia à União Europeia, contribuíram para enfraquecer politicamente a parte da sociedade turca que favorecia a adesão à UE e um estado laico. Numa união política frequentemente as adesões são favorecidas pelos membros periféricos que terão maior vantagem económica na expansão e dificultadas pelos países centrais que vêem mais problemas do que vantagens. Neste caso Portugal manifestou sempre apoio à adesão da Turquia enquanto o eixo franco-alemão esteve sempre bastante contra. A Alemanha talvez devido à experiência de difícil integração da comunidade turca na sociedade alemã, a França talvez por pressão da comunidade arménia nela residente que designadamente conseguiu que fosse aprovada uma lei punindo em França quem alegasse que não existira genocídio do povo arménio no império otomano.

Na altura eu era muito a favor da adesão da Turquia à União Europeia, conforme aleguei neste post e noutro sobre a adesão da Turquia ao alfabeto latino. Agora tenho a noção que essa adesão ficará fora da agenda durante bastantes anos.

Revisitei ainda a Agia Sofia a propósito dos Serafins que referi neste post.

Dizem que o edifício continuará a poder ser visitado pelo público em geral, à semelhança do que acontece com muitas das mesquitas na Turquia. Visitei mesquitas aí, em Lisboa, no Irão, na Índia e no Egipto, onde não consegui foi curiosamente no vizinho Marrocos, um país bastante tolerante quando comparado com outros países predominantemente islâmicos.


2020-07-11

Jarra com flores Lantana Camara


Há uma semana (o tempo voa) o neto que em Julho/2015, com 4 anos, mostrara gosto pela simetria através desta composição

 
que eu referi aqui, solicitou apoio para realizar uma jarra cilíndrica de papel. Dada a dificuldade um pouco maior de reconstituir uma planificação de sólido com uma base circular propus um prisma quadrangular que foi aceite.

Na perspectiva ecológica de reciclar o que se pode, reaproveitei uma folha A5 que um irmão mais novo do neto, com menos de 3 anos, preenchera com o que alguns classificariam de rabiscos, que neste caso valorizaram o papel transformado em jarra conforme se constata neste arranjo floral concretizado sobre a jarra prismática


As inflorescências utilizadas no arranjo são as comuns Lantana Camara, uma espécie inavasora que é actualmente muito comum em Portugal dada a muito pequena manutenção que necessita. Fixei o nome com facilidade pois tomei dele conhecimento quando Santana Lopes era presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Tirei ainda outra foto numa “plongée” vertical mas não acertei no método automático de focagem, eufemismo para referir que não procurei forma de alterar o método usado pela máquina fotográfica por omissão, tendo como consequência que ficou bem focada a inflorescência mais alta, com prejuízo das restantes




2020-06-24

Cycas Revoluta


Há uns dias notei que a cica de que tenho às vezes falado neste blogue produziu finalmente um fruto, como se constata na imagem que segue


e nestoutra que tirei mais ao pé e recorrendo ao HDR (High Dynamic Range)

 


Trata-se duma Cycas Revoluta, rapidamente identificada pelo Google Images.

Não me consegui decidir por escolher apenas uma foto e mostro uma variante sem HDR, com uma parte do fruto sobreexposta

 

Nesta espécie existem plantas macho e plantas fêmea, na imagem seguinte a variedade macho está do lado esquerdo e a fêmea do lado direito

 

Esta é a mesma planta que mostrei neste estado em Jun/2013



e já benzinho 2 anos depois em Junho/2015





2020-06-22

Tempos de COVID-19, os sapatos dos cães






Esta foto dum cão ficou fraca mas serve para documentar o uso por estes animais de calçado nestes tempos de COVID-19, para evitar contaminar o chão das casas onde vivem, agora que muitas pessoas passaram a deixar ao pé da porta de casa, do lado de dentro ou do lado de fora, os sapatos "de fora" e os "de dentro".

Suponho que os cães continuem a andar descalços dentro de casa.

Nota: substituí a foto inicial por outra melhor que tirei hoje ao mesmo cão.

A Acedia segundo S. Tomás de Aquino


A propósito dum presumido suicídio recente dum actor muito popular em Portugal o jpt (José Pimentel Teixeira) escreve no Delito de Opinião sobre a depressão como doença e não como distinção de qualidade perante outros mortais.

Recorda também nesse postal um texto que escreveu no blog ma-chamba sobre a acedia segundo S.Tomás de Aquino de que mostro o início

« Tomás de Aquino foi clarividente no seu século XIII, quando decidiu denunciá-la como um dos sete pecados capitais, assim pérfida fonte de um sortido de vícios. Falo da acedia, aquela “certa tristeza”, o torpor acabrunhante que algema os seus padecentes à inactividade, a uma estupefacção constante, no limite até à autofagia. Dela brotam os tais vícios, seus efeitos, entre alguns outros o rancor, a amargura, a timidez, e aquele que mais temo, o da divagação da mente, essa que se traduz na inconstância, na verborreia, na mera curiosidade, na instabilidade. Sistematizo, a improdutividade. Diletante.
... »

recomendando a leitura completa.

A imagem ao lado, que é referida por exemplo aqui, é um retrato (naturalmente póstumo) de S.Tomás de Aquino (1225-1274) pintado por Sandro Botticelli (1444-1510).

Sobre a procura da felicidade escrevi este post.


2020-06-21

Imagens maravilhosas do "Dias com árvores"


Sou leitor habitual do blogue "Dias com árvores", escrito por apaixonados pela botânica, que me têm ajudado nalguns posts que tenho feito neste blogue.

Além do interesse dos textos, o "Dias com árvores" apresenta fotografias de grande qualidade e beleza que por vezes não resisto a apresentar aqui.

Foi o caso das 5 imagens maravilhosas que passo a mostrar e que podem também ser vistas na sua origem ali.






2020-06-17

A Europa segundo Francisco Seixas da Costa




Quando às vezes ouço que a Europa não existe, o que existem são muitos estados nacionais, lembro-me sempre de ter reparado na frase que frequentemente me ocorre, quando estou num local fora da Europa: "na Europa não é assim". Esta forma ocorre-me com mais frequência do que "em Portugal não é assim", esta última ocorrendo-me noutros países europeus.

Na comemoração dos 35 anos da adesão de Portugal à CEE o embaixador Seixas da Costa pronunciou um notável discurso que merece ser lido na íntegra e de que cito esta parte:


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2020-06-10

Alvor e sua ria


A ria de Alvor pode ser visitada a partir de vários passadiços, uns sobre as dunas outros sobre o sapal.

As fotos que seguem foram tiradas sobre o sapal



Nas duas primeiras imagens  vê-se a vila de Alvor ao fundo,



na última vê-se ao fundo a serra de Monchique com o topo envolto em nuvens



2020-06-05

Prados dos Olivais (8)


Os canteiros estão talvez com as plantas excessivamente crescidas mas alguns sítios ficam muito bonitos



e na Quinta Pedagógica, que continua encerrada ao público em geral, as ovelhas continuam a pastar






2020-05-29

HDR (High Dynamic Resolution) no iPhone


A enorme vantagem das máquinas fotográficas incluídas nos telemóveis é a sua disponibilidade quase permanente, para quem anda quase sempre com o telemóvel, como é o meu caso. Claro que têm a desvantagem da qualidade das imagens não ser tão boa como a de uma máquina fotográfica. O meu telemóvel tem 8 anos pelo que a qualidade dos telemóveis actuais deve ser muito melhor.

No meu modelo aborrece-me a limitação de a objectiva ser uma grande angular. embora compreenda que seja prático para as fotografias de grupos familiares ou de amigos, e de ter pouca sensibilidade luminosa, o que limita as fotos em interiores com pouca luz dado que não gosto de usar flash.

Uma terceira limitação aparece nos fins-de tarde como neste tirado na prainha em Alvor, com Lagos e a Ponta-da-Piedade ao fundo, em que a terra tem muitas zonas de sombra e o céu ainda tem muita luz,



em que há dificuldade em ver as sombras.

Uma forma de contornar este problema é alterar o enquadramento para reduzir a parte de céu na imagem, ficando agora as zonas sombrias mais visíveis, embora neste caso quer a superfície da água quer o céu fiquem sobreexpostos. Neste caso ainda seria necessário cortar posteriormente uma banda de uns 25% da base da imagem pois o novo enquadramento ínclui partes que não ficam bem. 


Decidi então tentar, talvez pela primeira vez, a opção HDR em que a máquina fotográfica do telemóvel tira três fotos em sequência rápida do mesmo motivo com aberturas diferentes, combinando-as depois numa única foto. Como nas definições optei por "Guardar exposição normal" a imagem que mostro a seguir foi obtida com uma exposição normal. O céu continua sobreexposto mas não tanto como na segunda foto e as sombras são menos escuras devido à inclusão no enquadramento de parte da banda que considerei que devia ser suprimida, pelo menos em parte.


A imagem seguinte é a HDR em que o céu e as sombras têm uma exposição realmente mais equilibrada do que nas imagens anteriores:



Vou adoptar esta opção HDR em situações em que existam partes do motivo muito diferentes umas das outras no que respeita à intensidade da iluminação.


2020-05-18

Oxímoro da Autoridade Tributária


Nos anos mais recentes costumo entregar a declaração de IRS nos meados de Maio e este ano não foi excepção.

Fico incomodado com este oxímoro da Autoridade Tributária quando solicito uma Prova de Entrega da declaração de IRS


mas só este ano decidi escrever sobre o assunto. Claro que a AT me está a informar que com a recepção desta Prova de Entrega da declaração não devo dar esta operação por concluída pois ainda irá ser verificada e eventualmente validada a nível central, ficando concluída apenas após esta validação, altura em que poderei solicitar um "Comprovativo".

Em vez da frase

"Prova de Entrega não serve de Comprovativo"

sugiro

"Este comprovativo não dá entrega por concluída", para manter aproximadamente o mesmo número de letras.


2020-05-13

Cavalo pastando em prado dos Olivais Sul


É como vêem, um cavalo pastando num prado dos Olivais, nesta parte da cidade de Lisboa.


Na realidade o cavalo não está na via pública mas dentro da área da Quinta Pedagógica que tem estado fechada ao público sem data fixada para a reabertura. Normalmente este cavalo está confinado num relvado circundado por uma cerca mas neste dia um dos tratadores deixou-o ir dar uma voltinha pela quinta. Às vezes o confinamento de uns é a liberdade de outros. A cerca existente entre mim e o cavalo está invisível porque tirei a foto com a objectiva numa das malhas da rede metálica que nos separava. Mostro uma ampliação do motivo principal da imagem anterior


e ainda mais outra ampliação

 



2020-05-05

Artigo na New Yorker sobre impreparação dos E.U.A. para o COVID-19


 


Têm vindo a surgir "notícias" sobre a ausência de informação prestada pela China e mais as já habituais teorias da conspiração sobre o que se terá passado num laboratório de virologia na cidade de Wuhan.


Não tendo inteira confiança nas informações prestadas pela China, país onde o governo controla muita informação, considero que as suspeitas manifestadas pela Casa Branca sobre a falta de transparência chinesa nesta pandemia me merecem a mesma credibilidade que as informações fornecidas pelo governo americano (e corroboradas entre outros pelos primeiros-ministros do Reino Unido, da Espanha e de Portugal) ao resto do mundo sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque que serviu de "justificação" para a intervenção em 2003 nesse país onde, conforme afirmara Hans Blix das Nações Unidas, ninguém encontrara provas da existência de tais armas, que até hoje ninguém conseguiu encontrar.

Num artigo que será publicado na edição de 11/Mai/2020 são referidos os diversos avisos que os cientistas chineses, em colaboração com cientistas ocidentais foram dando sobre os morcegos como reservatórios de coronavírus e perigos de novos surtos semelhantes ao SARS de 2003.

Quando li esta entrevista no sítio da revista New Yorker na Internet achei-a um pouco longa, como é frequente nesta revista. Fiz uma conversão para doc constatando no fim que o artigo ocupa 10 páginas A4 em Times New Roman 12 confirmando a minha impressão que se trata dum artigo longo.



2020-05-01

Hora do chá


Não resisti a fixar este momento em que se desprende uma columa de fumo quente da chávena de chá


Tenho-me lembrado do meu pai que, quando reformado, preparava diariamente o seu chá na hora do lanche.

É uma cerimónia mais simples do que uma que retratei há muitos anos.

2020-04-27

O Alentejo em Lisboa


Em Abril/2016 as plantas dos prados dos Olivais foram deixados crescer até alturas consideráveis, julgo que na altura por se ter procedido à transição dos serviços de jardinagem da Câmara Municipal para as Juntas de Freguesia. Ontem, dia 26/Abril estava uma situação parecida com as "searas" a atingir talvez um metro de altura, desta vez provavelmente devido a efeitos colaterais do COVID-19. Gosto de ver as plantas a desenvolver-se até ao seu mãximo de vez em quando, sem serem constantemente cortadas, como nesta foto de ontem à tarde:





Os Olivais, se bem que sejam das freguesias mais populosas da cidade de Lisboa e tenham, além dos prédios económicos de 3 andares, muitos outros de 10 andares, dada a inexistência do quarteirão clássico e o pouco comércio de pequena dimensão nas ruas do bairro, acaba por ter pouco movimento pedonal nos passeios das ruas, dando a ilusão de uma baixa densidade populacional. Juntando a isto os prados com "searas" a ondular ao vento, até parece que uma pessoa está no Alentejo!

2020-04-26

Discurso do Presidente da República em 25 de Abril de 2020


Não tenho gostado do tom da generalidade das críticas que surgiram a propósito da realização da sessão solene do 25/Abril deste ano na Assembleia da República.

Entretanto o número de pessoas presente na cerimónia inicialmente previsto foi reduzido tendo-se chegado a uma solução numericamente satisfatória e respeitando recomendações da DGS. Há quem critique a presidência da AR por não ter acertado num número adequado logo na primeira tentativa. Eu prefiro constatar com agrado que a presidência foi capaz de levar em conta algumas das críticas sobre os planos iniciais.

Gostei muito do discurso do Presidente da República em 25 de Abril de 2020, refutando alguns dos argumentos críticos da realização da sessão solene, cujo vídeo está disponível no sítio da Presidência da República neste endereço.


2020-04-21

Pastor Alentejano, um Sueco do Sul


Gostei desta foto dum pastor alentejano mais o seu cão guardando rebanho de ovelhas pastando num prado com alguns sobreiros que me dizem ser no nosso Alentejo em Santa Margarida da Serra, ao pé de Grândola.


A foto é do jornal El País, num artigo intitulado "Portugal, los suecos del sur", datado de 12/Abr/2020, referido pelo jornal Expresso há uns dias.
Não me atrai a vida no campo se bem que tenha alguns aspectos positivos.

2020-04-15

Testes de detecção do Coronavírus em Portugal


Depois de ultrapassadas algumas dificuldades durante parte do mês de Março/2020 na realização dos testes de detecção da presença do vírus que provoca a doença COVID-19, a que se seguiram acusações de que se estaria a fazer um racionamento dos testes, racionamento esse que explicaria porque não tínhamos mais infectados, de alguns dias a esta parte passou a ser publicado o número acumulado de testes realizados.

Hoje, dia 2020-04-15 cerca das 17:00 tirei um "instantâneo" do sítio https://www.worldometers.info/coronavirus/#countries, após ter seleccionado a Europa e ordenado por valor decrescente da coluna "Tests/1M pop" (Testes acumulados desde início da pandemia/ milhão de habitantes).

Depois editei a foto retirando países e territórios com menos de 1 milhão de habitantes, fáceis de detectar pois são aqueles em que o "Total tests" é inferior ao "Tests/1M pop".



Constata-se que na Europa Portugal, com 18798 testes por milhão de habitantes, tem um honroso 4º lugar na tabela, a seguir à Estónia, Noruega, e Suíça, afastando completamente o meu receio que os nossos casos estivessem subestimados por estarmos a fazer menos testes do que os nossos  parceiros europeus. Constato também que estamos mesmo à frente da Alemanha, país de que se dizia que estavam a fazer imensos testes.

Ao nível do planeta nesta data e considerando os países com mais de 1 milhão de habitantes apenas os Emirados Árabes Unidos, o Bahrain e o Qatar fizeram mais testes por milhão de habitantes do que Portugal, o que nos deixa no 7º lugar em todo o mundo. Os EUA fizeram até agora cerca de 9500 testes por milhão de habitantes.

2020-04-12

Jared Diamond – Disrupção


Li o livro mais recente de Jared Diamond que na tradução portuguesa tem o estranho título “Como se renovam as nações” quando no original em inglês o título era simplesmente “Upheaval” que poderia ter sido traduzido por “Disrupção”.

Nele o autor fala de disrupções que ocorreram no passado de 7 países:
- Finlândia e da estratégia seguida para se manter independente da União Soviética e agora da Rússia;
- Japão, o seu primeiro contacto com europeus, fechamento e depois abertura forçada nos finais do século XIX na época Meiji;
- Chile, de Allende a Pinochet e o regresso a uma espécie de democracia;
- Indonésia, a formaçao de um país novo, Sukarno, Suharto e pós-Suharto;
- Alemanha, a reconstrução após 1945;
- Austrália, as inflexões após 1945 em que deixaram de se considerar uma espécie de prolongamento do Reino Unido.

Seguem 4 capítulos sobre
- Japão e crise actual;
- Estados Unidos da América, suas forças e fraquezas actuais, em 2 capítulos
- Problemas actuais do Mundo, designadamente armas nucleares, alterações climáticas, combustíveis fósseis, fontes alternativas de energia, outros recursos naturais, desigualdade, estrutura da crise;
seguidos por um epílogo.

Gostei muito do livro, do mesmo autor já apreciara o “Guns, Germs and Steel”e o “Collapse”.

Como sempre a humanidade enfrenta desafios complicados, não vai ser fácil resolver estes problemas que já estavam à espera de solução mesmo antes da crise do Coronavírus.

Há várias décadas que se diz que o planeta não suporta que os consumos per capita de recursos naturais dos países mais pobres sejam idênticos aos actuais dos países desenvolvidos, mas ainda não se sabe como esse consumo poderá ser reduzido, os economistas falam constantemente na necessidade de crescimento.


Gostei da capa, mostrando uma ilustração de Kinuko Y.Craft, uma artista americana nascida no Japão, em que se vê um Samurai indo ao encontro do comandante Perry e que apresento a seguir.


Trata-se duma variação da famosíssima “Grande Onda de Kanagawa” de Hokusai em que ao fundo, em vez do monte Fuji se vê o navio do comandante Perry.

Parece-me existir aqui muita liberdade na composição, em princípio o comandante deveria ter ancorado o navio na baía do porto de Tóquio onde seria estranho que existissem ondas desta dimensão. E a propulsão da pequena embarcação onde vão os dois japoneses, feita apenas com um remo na popa servindo também de leme, semelhante á propulsão das gôndolas nos calmos canais de Veneza, parece-me completamente inapropriada para vagas tão grandes.

2020-04-09

Maruyama Okyo (1733-1795) - Gelo Fracturado


Na série da BBC Civilizações que tem estado a passar nas tardes de sábado na RTP2, no episódio 6 o historiador David Olusoga, um dos apresentadores da série, falou sobre a interacção entre arte japonesa e europeia e apresentou esta obra intitulada "Gelo Fracturado" (Cracked Ice) da colecção do British Museum




com tanta eloquência que revi duas ou 3 vezes o que ele disse para verificar se este aparente conjunto de riscos a merecia. Não é a primeira vez que tenho dificuldade em ver a relação de um discurso com um quadro, como por exemplo aqui, numa obra de Sol Lewitt.

Mas fui-me convencendo que o discurso não era oco, por exemplo ao chamar a atenção da influência da perspectiva auropeia nesta obra japonesa pois o conjunto de riscos faz realmente pensar que se situam num plano horizontal que se estende até lá longe, eventualmente ajudado pelo título da obra.

Entretanto a gravação do episódio 6 que eu consultara nas gravações automáticas deixara de estar disponível, na versão BBC para iPlayer não estava disponível para quem estivesse em Portugal, na RTP Play apenas está disponível o último episódio e não é altura de comprar DVDs. Procurei o texto na net e parece-me que o encontrei neste post de Philip Singleton sobre Okyo, citando de forma aproximada o que David Olusoga terá dito no episódio 6 de Civilisations.

Resumindo o David Olusoga diz que esta obra de tinta sobre papel é uma síntese cultural de técnica, em que à linha simples da caneta se adiciona uma "profundidade visual"em que a vista é conduzida através da superfície gelada por linhas que se tornam mais finas. O uso da técnica europeia da perspectiva  é o oposto da representação plana bidimensional da  arte japonesa tradicional.

O fascínio pela imperfeição e não permanência típica do Budismo e da filosofia japonesa é aqui satisfeito pelas fracturas que são uma imperfeição na pureza da folha de gelo sendo a não permanência assegurada pela fusão do gelo que, ao tranformar-se em água fará desaparecer as fracturas.

O perfeccionismo japonês convive assim com um fascínio pela imperfeição, como documentei na arte japonesa do Kintsugi.

O artigo da Wikipédia sobre Maruyama Okyo cita a existência de uma lenda, contada por Van Briessen (presumo que seja o autor de "The Way of the Brush: Painting Techniques of China and Japan" ) em que um daimyo encomendou a Okyo uma pintura do espírito (ghost) de um parente recentemente falecido. Okyo pintou o espírito de uma forma tão realista que quando completou a pintura o espírito saiu da pintura e voou para longe.

Penso agora que esse quadro poderia ter sido este outro, intitulado "Fantasma pairando sobre gelo fracturado", num momento em que o espírito já voara: