2019-07-30

Feito na Etiópia


Há uns 4 anos que compro todos os anos um calção de banho em saldo por pouco mais de 10 euros, tenho mantido o formato, cõr única sem desenhos calção ficando acima do joelho, o que me surpreende nestes tempos em que há tanta mudança, vou variando a côr embora além doutras tenha 3 tonalidades de azul.

Desta vez constatei que o fato de banho foi feito na Etiópia, conforme se constata na longa lista de "Feito em ..." em diversas línguas. Sendo a primeira vez que reparo que comprei uma coisa feita num país de África fui verificar onde tinham sido feitos os calções anteriores em que constava Vietnam, Sri Lanka e China.

São pequenos sinais de mudança, num continente com tantos problemas por resolver.

2019-07-28

Toldo em açoteia


Surpreendeu-me a quantidade de cabos instalados neste toldo, sombreando uma açoteia algarvia duma casa ao pé do mar, indiciando local muito ventoso.

Mas gostei dos panos brancos contra o azul do céu, uma mistura de aldeia da roupa branca e de navio à vela estacionário, cheio de cabos, de ferragens e de nós.




2019-07-22

Bem haja Tsao-I Shih que ajuda a matar mosquitos!


Tsao-I Shih é o nome do natural de Taiwan que inventou o mata-insectos eléctrico que se vê na figura ao lado e que está protegido por patente (US Patent 5,519,963).

Tenho oferecido alguns destes dispositivos maravilhosos que electrrocutam mosquitos com facilidade e limpeza. Baseiam-se na existência de uma rede metálica a uma tensão contínua muito elevada (segundo a Wikipédia com valores entre 500 e 2750V DC). A obtenção destas tensões muito elevadas com circuitos electrónicos leves, pequenos e de baixo consumo deve ter sido o factor mais importante para a realização de uma raquete prática para esta função.

Ultimamente (nestes dias de Verão) tenho-as usado frequentemente para matar mosquitos, são excelentes nessa função pois além de os mosquitos se deixarem matar com mais facilidade evita-se ter que se limpar a parede dos restos mortais do mosquito e eventualmente um bocadinho de sangue da sua vítima mais recente. Tudo isto ainda enriquecido com o estalido sonoro da electrocussão!

Os mosquitos segregam um produto para facilitar a extracção do sangue quando picam e muitas vezes as pessoas que dizem não serem picadas pelos mosquitos têm é pouca alergia a esse produto. Não é o meu caso que só sosseguei quando conheci o Caladryl e agora o Fenistil, produto extraordinário que costumo ter sobre a mesa de cabeceira em zonas com mosquitos para aplicar e fazer desaparecer a comichão tão desagradável.
Dizem que estes aparelhos, embora muito eficazes para matar mosquitos dentro de casa, não resolvem o problema da transmissão de doenças perigosas nas zonas tropicais pois são quase inúteis ao ar livre. Mesmo assim considero-os muito úteis para o uso dentro de casa e durante o Verão fico muito grato ao inventor Tsao-I Shih deste aparelho maravilhoso!



2019-07-16

Ave no topo de cipreste no céu azul


Tenho dificuldade em tirar fotografias depressa, quando o motivo é elusivo, normalmente este desaparece enquanto eu preparo a máquina para o fotografar, mesmo com o telemóvel, em que basta enquadrar.

 Desta vez fotografei com o telemóvel com má iluminação, zonas na sombra e outras com luz forte, e depois de enquadrar o motivo fiquei com esta imagem:





Vários exemplares desta ave apareciam com frequência no aldeamento da Prainha em Alvor, onde fotografei esta, e andei durante algum tempo à procura usando o Google de ave com cabeça preta e asas azuis, que não se vêem bem na foto mas que notava nas curtas mas frequentes breves aparições.

Talvez para compensar a frustação  de não conseguir fotografar estaa ave em boas condições observei o que me pareceu uma rola  ao longe sobre um  cipreste que esteve lá mais de 5 minutos o que me deu mais que tempo para a fotografar:

Como fotografei no máximo do zoom óptico, enquadrando o topo da árvore nesta foto confirmei tratar-se de uma rola


 e pensei que com esta foto podia fazer um post.

Depois acabei por descobrir que a ave que eu tentava identificar era uma Pega-azul, Cyanopica cooki conforme refere o sítio "Aves de Portugal", onde tem esta e outras imagens desta ave:





2019-07-11

Pedro Nuno Santos



Acabo de ver Pedro Nuno Santos no programa “Grande Entrevista” de Vítor Gonçalves na RTP3. Tenho grande simpatia por este militante do Partido Socialista que teve grande responsabilidade no bom funcionamento do acordo do PS com outros partidos de esquerda da legislatura de 2015-2019.

A entrevista foi mais focada no passado e eventual futuro de acordos da esquerda do que nos projectos do Ministério de que é actual e recentemente responsável.

Existe um conceito arcaico da necessidade da existência de um sacrifício para se conseguir obter algo que se deseja, já nas religiões anteriores ao cristianismo sacrificando aos deuses, continuando no catolicismo com o jejum e a abstinência e o papel considerado muito positivo do sofrimento na santificação dos crentes, depois no capitalismo com a alegada necessidade do trabalho árduo para se prosperar e de poupar, mesmo sem qualquer sinal económico de recompensa dessa poupança, continuando no regime soviético em que as gerações do presente tinham que fazer enormes sacrifícios para o futuro radioso que os esperava, ou melhor que esperaria os seus descendentes.

Na própria sociedade hedonista existem os ginásios onde era comum a regra “no pain, no gain” (digo “era” porque não sendo frequentador poderei estar desactualizado) e a direita continua a falar na falta de “Reformas Estruturais” o eufemismo actual para reduzir salários e pensões, aumentar a precariedade do emprego com o objectivo de o tornar mais seguro (muito à semelhança dos mecanismos referidos por George Orwell no “Animal Farm”, reduz-se uma determinada qualidade para que no futuro ela passe a ser muito mais abundante), reformar a Segurança Social, um eufemismo para entregar as poupanças dos trabalhadores para a sua reforma a especuladores financeiros, que têm vezes sem conta delapidado as quantias que lhes são confiadas.

Os gestores vão ao ponto de tentar naturalizar o que chamam de “resistência à mudança” com a frase “only wet babies like change” (só bebés molhados gostam de mudança (de fraldas)) quando a frase também pode ser interpretada como até os bébés são capazes de aderir a uma mudança quando se trata de uma melhoria.

O Pedro Nuno Santos veio afirmar que os Partidos Socialistas nasceram para melhorar as condições de vida da população mais desfavorecida e não para lhe trazer mais sofrimento, lembrando que os Partidos Socialistas costumavam acrescentar a “Socialista” um segundo adjectivo que era “Reformador”, presume-se também que em contraponto a “Revolucionário”. A realização de reformas está assim no ADN destes partidos e elas existiram em Portugal durante estes últimos 4 anos, embora a maior parte das vezes diferentes das preferidas pela direita.

2019-07-03

Revalidar a Carta de Condução


Agora que neste ano vou fazer 70 anos passo a ter que revalidar a carta de condução de 2 em 2 anos.

É um bocado assustadora a entrada no clube dos septuagenários com a tomada de consciência do aumento, ou mesmo que por enquanto seja só o potencial de aumento, da nossa fragilidade.

E além disso mais esta chatice da revalidação da carta ano sim, ano não.

Nunca fui ao IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes), essa instituição tinha uma péssima imagem devido à existência de bichas enormes e demoradas para tratar da revalidação da carta. Até agora tenho sempre usado os simpáticos serviços do ACP (Automóvel Club de Portugal) que tratava por nós da papelada de forma sempre eficiente e que agora até disponibiliza possibilidade de consulta médica associada à revalidação.

Comecei o processo por consulta à minha médica de família que me passou na hora um Atestado Médico confirmando que estou apto para a condução de veículos. Deu-me na altura o documento em papel mas informou-me que bastava o número do documento pois ele já estava disponível para as entidades públicas relevantes para o seu efeito.

Um amigo disse-me que nas lojas do cidadão tratavam do assunto não sendo necessário esperar muito, pelo que me dirigi a uma dessas lojas. Cheguei às 10:30 e às 11:00 ainda não tinha sido atendido, pelo que decidi regressar a casa e tentar a via internet de que ouvira falar.

O site do IMT é de fácil acesso, sendo aqui o sítio onde se inicia o contacto via internet para a revalidação da carta:


Depois de uma interacção inicial para confirmar os meus dados pessoais e o meu e-mail, no meu caso usei a mesma identificação que para a Autoridade Tributária, e de autorizar o uso da foto do Cartão de Cidadão para a Carta de Condução, passei à fase dos pedidos.

Na página dos pedidos estava a informação que já dispunham do Atestado Médico necessário para a revalidação da carta! A administração pública mostrava um grau de integração espantoso para um cidadão pouco habituado a ver informação fluir desta forma de um ministério para outro ministério.

A interacção correu muito bem, resposta rápida da aplicação, tudo bem apresentado, fiquei aliviado por me bastar usar esta aplicação de 2 em 2 anos para revalidar a carta sem sequer sair da casa.

O pagamento da revalidação, actualmente 13,50€, só está garantidamente disponível no Multibanco passadas 24 horas. Será algo a melhorar nos próximos tempos, seria mais prático que se pudesse pagar logo.

Acho que estas são as verdadeiras Reformas Estruturais, evitar que o cidadão perca tempo e dinheiro em engarrafamentos e filas de espera em vez de trabalhar, descansar ou divertir-se.





2019-06-28

Tipuana tipu iluminada sobre fundo de ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii


Próximo do topo da rua Cidade de Luanda nos Olivais Sul encontra-se uma árvore tipuana tipu junto a uma ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii, aquela com folhas "compostas, verde-amareladas, cerca de 4 cm, com 11 a 21 pares de folíolos ovais com margens inteiras"(citando Guia Ilustrado de Vinte e Cinco Árvores de Lisboa da C.M.L.), esta com folhas de tom vermelho escuro e descrita neste sítio de Serralves.

De manhã, as folhas iluminadas pelo sol relativamente matinal (eram 10:56...) da tipuana tipu faziam um contraste interessante sobre as folhas escuras da ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii conforme se constata na imagem seguinte



e com mais pormenor neste zoom:


No sítio de Serralves que referi acima diz que esta variedade Pissardii de ameixoeira-dos-jardins é dedicada a Pissard, jardineiro da Pérsia, que a introduziu em França. As voltas que as plantas dão, esperemos que a Pérsia não seja obliterada.




2019-06-20

Mahatma Gandi


Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948) foi um indiano notável que deu uma contribuição importante para a autodeterminação da parte indiana do império britânico

Em Janeiro de 2019 o jornal Expresso editou em 5 pequenos volumes uma autobiografia de Gandi intitulada “A minha vida e as minhas experiências com a verdade”. A obra foi escrita por Gandi na língua guzerate enquanto estava na prisão na Índia, nos anos de 1927 a 1929, portanto com quase 60 anos, cobrindo a sua vida desde a infância até 1921. A obra foi publicada em textos semanais em guzerate e posteriormente também em inglês em jornais indianos.

A Wikipédia tem uma entrada sobre o livro, como habitualmente telegráfica em português e bastante completa em inglês.

A figura de Gandi goza da  minha simpatia, ainda mais depois de ver a personagem interpretada por Ben Kingsley no premiado filme “Gandhi” de Richard Attenborough estreado no ano de 1982 e que revejo às vezes no DVD.

Gostei de ler o conjunto dos 5 volumes mas, dada a existência de descrições organizadas da obra, limitar-me-ei a comentar alguns assuntos avulsos ou alguns pormenores que me chamaram mais a atenção.

Parte I (Livro 1)

1) Não comer carne

Em tempos, ao falar com um colega indiano sobre o tabu de não comer carne de vaca ele explicou-me que, face às condições climáticas da Índia e à sua densidade populacional, as vacas (e os bois) eram um capital muito importante para a agricultura, quer para lavrar os campos, quer como fonte de produtos lácteos ou ainda para fornecer excrementos a usar como adubo ou como combustível. Provavelmente, dizia esse meu colega, o conselho para conservar as vacas evoluiu para uma proibição de matar e mais tarde para um tabu religioso.

Agora googlei (importance of cow taboo in indian agriculture) e apareceu-me logo este artigo da biblioteca da Universidade de Gotemburgo na Suécia “India’s sacred cow”, de Marvin Harris de Fev/1978, com a mesma tese.

Há bastante tempo que se fala do maior consumo de energia associado ao consumo de carne de uma maneira geral e da carne de vaca em especial. Ultimamente a carne dita vermelha tem sido objecto de avisos para suprimir ou no mínimo moderar o seu consumo, por razões de saúde.

Já tenho referido a minha simpatia por um consumo muito moderado de carne mas tenho achado pouco prático uma supressão completa. O consumo de carne é comum entre os animais carnívoros e omnívoros e provavelmente o nosso organismo estará adaptado ao seu consumo.

Reconheço que provavelmente reconsideraria estes meus hábitos se tivesse que matar eu próprio o animal mas essa necessidade ainda não se colocou.

Resumindo, o consumo de carne é para mim uma questão de saúde, de sustentabilidade do planeta, de economia e de existência de pessoas disponíveis para matar animais ou, num futuro próximo, de carne feita em laboratório, sem recurso a animais vivos.

Achei assim curioso que o Gandi, quando foi para Inglaterra, tenha jurado à mãe que nunca se alimentaria com carne. Mas, pensando bem, tratando-se de uma interdição religiosa, acaba por ser natural esse tipo de juramentos.

Para ilustrar algumas formas mais modernas de preparar o Cozido à Portuguesa deixo aqui esta imagem que me dizem ter sido do restaurante Tavares Rico que já mostrara aqui.



Ainda tem carne mas já muito menos do que era costume

2) Usos e costumes sociais

Além dos problemas relacionados com a sua alimentação vegetariana, completamente atípica  na Inglaterra dos anos 90 do século XIX e mesmo sabendo que o conhecimento de outras culturas distantes está hoje muito mais acessível à população em geral, não deixei de me admirar com o grau de ignorância do jovem Gandi sobre os usos e costumes quer da vida a bordo quer da vida quotidiana na Inglaterra.

Uma parte engraçada que conta no livro foi ter desembarcado em Inglaterra vestido com um fato de flanela branca no início do Outono (o barco saíra de Bombaim em 4/Setembro), sendo a única pessoa de Londres vestindo um fato branco nesse dia, todos os outros estando com fatos escuros, situação que Gandi recorda no livro, como lhe tendo causado grande desconforto. Faço a conjectura que o facto de os ingleses na Índia terem maior tendência para usarem cores claras terá levado o Gandi a pensar que as cores claras seriam mais apropriadas para usar em Inglaterra, se bem que durante a viagem no barco tenha vestido um fato escuro.

Se calhar foi também este trauma que o levou a vestir traje indiano de camponês quando passadas várias décadas revisitou Londres para então negociar transição da Índia para a independência.

Os códigos de vestir continuam presentes nos tempos que correm, continuando a depender do espaço e do tempo. Por exemplo os jeans, que anteriormente eram explicitamnete proibidos em muitos estabelecimentos de ensino há algumas décadas, são agora não só tolerados como mesmo “obrigatórios” se bem que “de facto” e não “de  jure”. Jovens têm-me dito que quem apareça com calças de flanela será objecto de observações que o levarão a prescindir de aparecer em público com esse tipo de roupa.

Pode ser que este post acabe por ser o único sobre o livro do Gandi, escrever sobre uma figura tão notável acaba por ser uma tarefa delicada.

2019-06-17

Masculino - Feminino


Este tema é inesgotável e neste post restringir-me-ei às distinções visuais entre elementos de sexo diferente. O tema foi suscitado por este “Alto-relevo” (High relief)


localizado na Avenida da República quando esta passa pelo Campo Pequeno e que mostro a seguir com mais detalhe


Embora a figura, possivelmente dos anos 50 do século XX, apresente um comprimento de cabelo que a permitiria identificar imediatamente como uma mulher (os hippies só apareceriam mais tarde) além de peito feminino, os traços da cara parecem-me muito masculinos. Já para não falar dos pés e braços que me parecem também excessivamente robustos.

Há muitos anos, talvez na altura em que existiam nas praias concursos de “Construções na Areia”, quando eu tentava esculpir uma cara feminina costumava sair-me uma feição tipicamente masculina. O mesmo me acontecia com o desenho e de vez em quando penso que os professores de Desenho do liceu deveriam ensinar essas noções básicas e classificar a aprendizagem dos alunos em vez de classificar o talento respectivo, como eu então achava.

Claro que a identificação do sexo de uma pessoa através da sua cabeça não é uma ciência exacta, nem sei qual a probabilidade típica de se acertar. No Ocidente o corte de cabelo é uma ajuda importante, como julgo ser o caso na imagem seguinte que já mostrara aqui



enquanto nos países em que a mulher usa véu o assunto fica quase logo resolvido, como neste quadro da palestiniana Laila Shawa que mostrei aqui




Na imagem seguinte, de autoria da Malika Favre que mostrei aqui



as unhas pintadas e os lábios com baton, ou mesmo o rímel a acentuar as pestanas são decisivos enquanto na seguinte, da mesma autora e do mesmo post


julgo que será a pestana e o que me parece ser uma banda a segurar o cabelo. Fascinam-me as figuras pintadas com cores sólidas pois podiam ter sido feitas com guache, a tinta que estava para nós disponível nas aulas do ensino secundário. Mas enfim, isto são obras de artistas profissionais enquando nós estávamos a aprender o b-a-ba.


Googlei então (diferenças nos rostos masculinos e femininos) chegando a este post do blog “Algo sobre desenho” de onde tirei esta imagem




que é muito didática, seguindo-se um texto referindo 4 diferenças usadas na Banda Desenhada norte-americana.


Na imagem seguinte, que julgo ser da New Yorker, as 4 regras atrás referidas não são todas aplicadas


pois o homem parece ter lábios mais grossos do que a mulher. Portanto, as 4 regras serão apenas indicativas e não imperativas, pelo menos quando não se tratam de figuras da BD norte-americana.



2019-06-12

O BREXIT e a Corrida ao Poder


Enviaram-me num e-mail esta representação eloquente do andamento do BREXIT através deste novo modelo automóvel inglês, o "Vauxhall BREXIT" imaginado por Kevin Bazeley .


A legenda diz que "O Vauxhall Brexit parece que se dirige num caminho mas, quando se move segue por outro e afinal não faz ideia para onde vai".


A corrida actual à liderança do partido conservador com tantos candidatos fez-me lembrar episódios passados na empresa em que trabalhei, sobre liderança de projectos de sistemas de controlo adjudicados a fornecedores exteriores: o  responsável pela gestão do projecto Brexit (nesta analogia a Theresa May) tentou chegar a um acordo com a outra parte (neste caso a União Europeia) sobre como ultrapassar as dificuldades encontradas na negociação de algo nunca antes realizado (uma saída da UE).

Nessa analogia, outros elementos da minha empresa criticavam o líder dizendo que ele contemporizava demais com o fornecedor e que eles teriam obtido melhores condições, tal e qual como fizeram os deputados do parlamento do Reino Unido, quer dos Conservadores quer das Oposições. Porém, noutros projectos eles também tinham contemporizado por também terem considerado que isso era melhor do que resolver o assunto em tribunal.

Estamos na fase dos treinadores de bancada, veremos como se comporta o que conquistar a liderança.

2019-06-06

Sol Lewitt no Espaço Espelho d'Água


No mês de Abril/2019 fui a uma festa no Espaço Espelho d'Água e deparei-me com esta parede ao fundo, que fotografei, tendo posteriormente desfocado as mesas com convivas.


Com alguma surpresa vi numa tabuteta ao lado que a obra era de Sol Lewitt, de 1990, conforme se verifica na imagem seguinte


Presumo que esta obra seria intitulada "Planificação de pirâmide polícroma sobre parede dourada".

Continuo com alguma dificuldade em admirar a arte contemporânea, existem muitas obras a que sou indiferente. Esta achei visualmente agradável, se bem que não me tenha entusiasmado.



Noutro dia li o livro "O Valor da Arte" de José Carlos Pereira, publicado na colecção "Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos", na esperança:
- de apreciar melhora a natureza da arte contemporânea;
- de compreender a razão dos valores estratosféricos que atingem algumas obras de arte, independentemente de serem ou não contemporâneas.

Embora o livro contenha considerações muito sensatas, progredi pouco nestas duas esperanças com que iniciei a sua leitura.


2019-06-04

Rectas sobre Tons de Azul ou Revisitando o Céu





Hesitei no título a dar a esta imagem abstracta, como primeira tentativa pareceu-me que "Rectas sobre Tons de Azul " seria muito adequado.

Talvez Sol Lewitt aprovasse esta descrição que, dada a simplicidade da composição, me parece até mais exacta do que as descrições usadas  por esse famoso artista, por exemplo aqui.

No fundo ou  fundo, faz lembrar este "Céu Azul" e também esta "Primavera com Azul" de há um ano.

Os tons de azul fazem pensar no céu de Lisboa na Primavera e no Azul Monocromático

Mas a imagem não será tão abstracta como parece à primeira vista.


Há muitos anos a iluminação eléctrica das cidades e a electrificação dos edifícios levou ao surgimento de um emaranhado de fios de transporte de energia eléctrica que perturbavam a paisagem urbana. Há muito tempo que esses fios migraram para caminhos subterrâneos e para caminhos adequados dentro dos edifícios.

Portanto, esta abundância de fios que se vê em certas zonas de algumas cidades deve-se provavelmente a fibras ópticas transportando informação da internet, para as quais ainda não foi possível organizar melhor o seu percurso.

Completo as duas fotos anteriores com esta


tirada na mesma rua ou numa muito próxima, com o título mais completo "Céu de S.Petersburgo em dia de sol no acesso da Avenida Nevsky à Igreja Luterana de S.Pedro e S.Paulo".

2019-06-01

São Petersburgo (2)


Em Maio/2008 fiz um post com umas imagens que eu recolhera em 1994 em São Petersburgo, 3 anos apenas após a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Na segunda metade de Maio/2019 revisitei São Petersburgo e visitei Moscovo, inserido num grupo excursionista, constatando que São Petersburgo está muito diferente do que era há 25 anos atrás.

Para um excursionista as maiores diferenças são a existência de outros turistas em número já apreciável, o aparecimento de montras de lojas nas ruas tornando-as mais animadas, e os jovens já falarem inglês e pouco se distinguirem dos jovens da Europa ocidental. As diferenças continuam acentuadas nas pessoas da terceira idade.

Começo por mostrar uma igreja ortodoxa que me pareceu paroquial, no sentido de servir o bairro em que se situa, não atraindo devotos de longas distâncias e que se localiza facilmente procurando no Google Maps por "Svyato-Isidorovslkaya Tserkov, Sankt-Peterburg, Russia"






Fiquei a pensar se estes topos de torre em forma de bolbo terão alguma vantagem funcional ou se serão apenas decorativos.

Não percebi tão pouco qual a divisão de espaço interior do edifício pois neste caso o que estava aberto na altura em que o visitámos (fora do programa da excursão) era uma sala pequena onde estariam umas vinte pessoas.

Fotografei depois esta instituição religiosa da imagem que segue, que fica em "Nikol'skaya Ploshchad', 1, Sankt-Peterburg, Russia, 190068", a menos de meio kilómetro a pé da anterior



Numa visita posterior, fora do programa, também constatei que o espaço usado pelos fiéis na altura da minha visita não tinha o pé-direito que se esperaria observando o edifício do exterior.

Como se vê estava um sol glorioso e um céu muito azul, o guia dizia que só havia sol em 75 dias por ano, tivemos portanto sorte. As cúpulas e agulhas douradas dos edifícios devem animar o pessoal quando o tempo está cinzento e ficam gloriosas quando lhes bate o sol.

No caso desta imagem dei-me ao trabalho de tirar os cabos que cruzavam o céu em muitas direcçoes, como se pode constatar na imagem seguinte que era a original. É uma terefa simples quando o fundo é um céu azul, mas os cabos "têm tendência" para passar também em frente do motivo principal da foto e nessa zona apagar os cabos é mais trabalhoso.


Para finalizar deixo uma foto dum barco potente a passear no canal adjacente aos edifícios da imagem anterior. Normalmente estas fotos com reflexos do sol na água não me saiem bem mas estas máquinas fotográficas modernas ajudam cada vez melhor os fotógrafos amadores.


A presença com alguma frequência de barcos caros como estes nos canais de S.Petersburgo é também um sinal de novos  tempos.



2019-05-28

Caligrafia Kufic


Já não sei há quanto tempo descobri que algumas construções geométricas existentes em mesquitas, que eu tomara por elementos decorativos, eram afinal caracteres da caligrafia Kufic, uma escrita muito antiga com as variantes geométricas de pendor decorativo.

Googlando (Allah in Kufic) apareceu-me logo esta imagem


Desconhecendo a escrita árabe recorri à Wikipédia procurando o nome de Allah (em inglês é mais rápido) e escrevi este post onde aparece a figura seguinte


 em que refiro também este medalhão na Hagia Sofia em Istambul


Da comparação das 3 imagens anteriores concluí que na cúpula desta mesquita em Yazd, no Irão estava o nome de Alá


bem como na mesquita de Lisboa ao pé da Praça de Espanha que fotografei em Maio/2017 de dentro do carro


e de que mostro o detalhe do prisma quadrangular no tecto da mesquita referida


Adenda: um colega amigo perguntou-me onde é que eu tinha tomado conhecimento da existência da caligrafia Kufic. Fiz então uma pequena investigação que tentara evitar com a frase de abertura deste post: "Já não sei há quanto tempo descobri..."

Julgo que vi pela primeira vez a referência à caligrafia "kufi" num artigo de Jay Bonner intitulado "Three Traditions of Self-Similarity in Fourteenth and Fifteenth Century Islamic Geometric Ornament" que referi neste meu post sobre Escher.

Provavelmente googlei (kufi) e apareceu-me este artigo sobre "Caligrafia Kufi Quadrada" que referi neste post com um índice dos posts que fiz sobre o Irão.




O termo "Caligrafia Kufi Quadrada" teria sido um título mais adequado para este post pois a caligrafia Kufi abrange um conjunto mais vasto do que o que trato aqui mas opto por manter o título inalterado.


2019-05-15

Imagem gigante de Gueixa


No passado dia 7 de Abril almocei ao pé desta imagem gigante do que julgo representar uma gueixa, no restaurante de comida japonesa Arigato, no Parque das Nações.

A escala da imagem é dada pela mesa, na base da foto.

Com este grau de detalhe do motivo talvez aprenda a desenhar gueixas num futuro mais ou menos distante.




2019-05-11

Chuvinhas de Maio


Bastaram umas chuvinhas nestes dias de Maio para que a vegetação dos canteiros da Rua Cidade de Bolama no bairro dos Olivais desabrochasse num mar de verde como se pode ver aqui




de onde destaquei o que me parece ser uma Agave





Isto não são campos mas são verdes como eles, fez-me lembrar a canção do Zeca Afonso "Verdes são os Campos":





2019-05-09

Os Números como Figuras de Retórica


A maioria dos comunicadores de Portugal não gosta de números, gosta mais de truísmos como "as pessoas não são números" e outras frases parecidas, que servem como barreira a qualquer discussão baseada em factos que apresentem características que faz sentido quantificar.

Uma consequência é que qualquer número que apareça num jornal no meio de uma notícia tem que ser verificado, pois a probabilidade de ser incorrecto é muito elevada.

No caso da recente análise da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República) ao custo da recuperação integral do tempo de serviço o jornal Expresso noticiou na sua edição online de 8/Maio/2019, que segundo cálculos da UTAO, o impacto da recuperação referida seria um terço inferior ao valor apresentado pelo ministro Centeno conforme se constata na figura



onde se refere que seria "30% abaixo".

Entretanto esta manhã, no Expresso Cuto que recebo por e-mail, na versão das 8:41
referia que "a contagem integral do tempo dos professores custa menos de um terço do que o anunciado por Mário Centeno":




Bem sei que provavelmemnte foi involuntariamente acrescentado um "de", tendo ficado "custa menos de um terço" (portanto menos de 33%) onde deveria estar "custa menos um terço" (portanto 67%) mas é aborrecido tropeçar nestes enganos.

Antes de 1988 os funcionários públicos estavam isentos do pagamento do imposto profissional porque se considerava que não fazia sentido o Estado estar por um lado a pagar o salário e no mesmo instante a reter o imposto. Porém, com a introdução do IRS em 1988 e consequente extinção do imposto profissional e de outros impostos "cedulares" então existentes considerou-se na altura que seria melhor tratar fiscalmente os funcionários públicos da mesma forma que os outros trabalhadores por conta de outrem, como me parece ser o caso nos países da OCDE. Mesmo assim as comparações dos vencimentos dos funcionários públicos com os dos outros trabalhadores por conta doutrem são muitas vezes mal feitas por ignorarem que a média das qualificações dos funcionários públicos é maior do que a média dos outros trabalhadores.

Não tive acesso aos pressupostos das contas da UTAO que não foram divulgados  à população em geral mas o que tenho ouvido suscita-me as maiores reservas sobre a validade desses cálculos e a oportunidade da divulgação dos mesmos da forma parcial como foi feita, sem referência aos seus numerosos pressupostos. 

Parece-me que a divulgação como foi feita se destina a fornecer  munições retóricas contra o governo, em vez de contribuir para uma discussão serena (na medida do possível...) deste assunto.



2019-05-07

Os papéis dos géneros aureolados


No último domingo de Páscoa, no passado dia 21/Abril, assisti a vários baptizados numa missa na igreja do Campo Grande.

Nos dois nichos laterais da nave principal dessa igreja existem fundos brancos criados por painéis com alguma transparência dando origem em cada nicho a uma zona iluminada por janela de forma redonda situada por trás de cada nicho e dando para a rua.

Colocadas em frente dessa dessa zona iluminada estão figuras de Nossa Senhora e de S. José cuja cabeça está convenientemente colocada em frente do centro do halo ou auréola existente no fundo branco de cada um dos nichos, como se pode ver nas imagens seguintes


Estava a achar este aproveitamento das janelas redondas muito interessante quando finalmente reparei no aggiornamento das representações dos papéis femininos e masculinos:



Neste caso a mulher, representada pela Nossa Senhora de Fátima está literalmente nas nuvens, concentrada em oração, enquanto o homem representado aqui por S. José (com algumas ferramentas de carpinteiro) se ocupa do "Baby Sitting" do Menino Jesus.

Que diferença nesta representação da Sagrada Família em relação aos milhares de representações da Madona com o Menino Jesus de outros tempos!


Adenda tardia (Jan/2024): entretanto reparei que embora existam janelas por trás dos painéis translúcidos, essas janelas têm forma rectangular pelo que não podem ser a origem das "auréolas" das imagens. Essas zonas redondas iluminadas resultam da luz de projectores, um para cada imagem, cuja presença eu detectei ao fim de tanto tempo.


2019-05-02

A Malva cheirosa revisitada


No início de Setembro de 2018 fotografei no Algarve uma planta que me disseram ser a Malva cheirosa e que referi neste post.

No passado fim-de-semana passei pelo mesmo canteiro e colhi uma folha que me desapontou pois não tinha o cheiro tão agradável que eu encontrara no passado mês de Setembro.

Volto a mostrar as folhas de que falo



A experiência tem-me mostrado que as plantas são muito mais promíscuas do que a sua fixação com raízes a um local fixo levaria a supor. O pólen viaja grandes distâncias com a ajuda do vento e de animais polinizadores, dando origem a misturas que não ocorrem nos animais, dificultando a identificação das espécies.

Quem segue mesmo vagamente o tema constata a dificuldade da classificação das espécies botânicas e as muito frequentes reclassificações de plantas desde que se tem acesso ao ADN respectivo.

Googlando (Malva sylvestris e Pelargonium graveolens) passei em diagonal por este sítio onde se confirma a complexidade da botânica.

Googlando (harvesting Pelargonium graveolens) fui dar aqui onde dizem que na ilha da Reunião plantam em Fevereiro e fazem a colheita em Maio e Junho mas isso é numa latitude tropical, semelhante à de Madagascar, não é no Algarve.

No mesmo artigo dizem "... rose-scented geranium produce maximum leaf growth with high oil content under warm, sunny condition and oil content normally increases from the onset of flowering and reduces after full blooming...", o que faz sentido. O cheiro das folhas aumenta com o desabrochar das flores para atrair os insectos, diminuindo a seguir.

Mas é curioso que existam plantas onde os cheiros, presumo que para atrair polinizadores, seja produzido numa parte da planta diferente da flor

Na próxima visita, com tempo mais quente, irei verificar se as folhas voltaram a produzir perfume.





2019-04-20

Prados dos Olivais (7)


No ano de 2016 publiquei vários posts com o título "Prados dos Olivais", o último da série teve o número 6, retomo-a agora se bem que de vez em quando tenha falado das plantas dos Olivais Sul.

Desta vez gostei do aspecto fresco do coberto vegetal depois destas chuvinhas de Abril de que deixo aqui dois exemplos