Este blog, abreviatura de weblog (diário na rede, ou na teia) é influenciado pelo que acontece no dia a dia.. Com estas ondas de calor que aparecem tão “umas a seguir as outtras” que mais parecem um regime quase-estacionário é natural que uma pessoa se lembre das “polémicas alterações climáticas”.
Quer a IA do Google quer a Wikipédia(https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima ) referem que o clima trata da caracterização estatística dos elementos meteorológicos, designadamente temperatura, precipitação, humidade, vento e pressão do ar, num período que a OMM (Organização Meteorológica Mundial) recomenda que seja 30 anos.
A noção de clima é importante para o público em geral e importantíssima quer para as organizações de protecção civil quer para os projectos de engenharia de equipamentos expostos ao ambiente.
Por exemplo, numa região como Lisboa em que a última vez que nevou, deixando um manto branco pelo menos durante algumas horas, ocorreu há cerca de 70 anos, seria um gasto inútil ter um conjunto de carros limpa-neves para manter as ruas transitáveis no caso de nevar outra vez.
No projecto de linhas de MAT (Muito Alta Tensão) não se deve ignorar o clima da região onde são implantadas. A temperatura do condutor duma linha aumenta o seu comprimento aumentando a flecha da catenária das linhas aéreas, aproximando o condutor do chão. É normalmente a distância do condutor ao chão que, para cada nível de tensão, define a capacidade máxima de transporte de energia duma dada linha. Em Portugal, além das características eléctricas da cada linha o factor ambiental mais importante no projecto é a capacidade de resistência ao vento. A IA do Google resume assim:
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As torres metálicas de Linhas de Muito Alta Tensão (MAT) são projetadas para suportar velocidades de vento extremas, geralmente entre 124 km/h e 148 km/h, dependendo da altura da estrutura e da sua localização geográfica. O cálculo exato segue normas rigorosas, como o Eurocódigo 1: Ações do Vento (NP EN 1991-1-4)
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Na preparação de equipamentos submetidos aos elementos meteorológicos, desde sempre a espécie humana tirou partido da existência do clima da região. Uma casa de habitação dura com facilidade mais de 60 anos, neste caso o dobro dos 30 anos acima referidos e uma pessoa constata a influência do conceito de clima na forma das casas e nos seus acessórios.
Por exemplo nesta casa de Londres as“bandeiras” (parte superior fixa da janela) chegam praticamente ao tecto das respectivas divisões que iluminam
Na casa seguinte na rua do Bonjardim no Porto as janelas estão praticamente encostadas umas às outras
Em nehuma das casas se vêem portadas exteriores ou estores para impedir a entrada directa dos raios do Sol, acessórios quase sempre presentas nas casas de Lisboa.
Por curiosidade tentei confirmar maior protecção contra o Sol em Olhão,sem grande sucesso, começando por esta casa numa rua de comércio com acesso apenas pedonal na maior parte do tempo
As janelas estão ligeiramente mais espaçadas do que no Porto mas as portadas de madeira são interiores. Embora as janelas tenham bandeiras nota-se um pé direito muito mais alto do que no Norte, para garantir frescura interior, as janelas não chegam ao tecto. Não sei a razão para se preferir portadas interiores, quando estão completamente fechadas talvez a madeira isole da radiação solar mas mal se entreabre a portada o calor da radiação solar penetra na habitação.
Lembrei-me dum ditado conformista em relação aos códigos de vestuário que impunham regras de roupa pouco fresca dizendo “Deus Nosso Senhor dá calor conforme a roupa”, neste caso também seria impossível regular a temperatura da habitação, Deus Nosso Senhor providenciaria a temperatura interior mais adequada.
Talvez as portadas sejam mais para segurança contra intrusão e daí serem interiores, poupando-as também à chuva ocasional no inverno.
Na imagem seguinte, ainda na zona das lojas, constata-se alguma evolução no projecto das casas
enquanto a casa central mantém características semelhantes à anterior, a do lado esquerdo tem portadas verdes de Madeira às ripas deixando entrar alguma luz indirecta mesmo quando fechadas e na do lado direito vêem-se estores exteriores. O maior espaçamento das janelas não se deverá a alterações climáticas mas ao aumento da dimensão das divisões das casas.
Na imagem seguinte da Avenida da República, onde passeei nas noites de Verão com a família e amigos, também se constata evolução no projecto das casas mais modernas, notando-se também o predomínio de terraços no topo dos prédios em vez dos telhados nortenhos. Nas casas mais modestas os terraços serviam para secar ao Sol os figos, as passas, etc.
Não resisti a esta reabilitação duma casa típica olhanense com terraços sucessivamente mais recuados, talvez se trate duma “gentrification” da zona.
Para finalizar esta secção das casas mostro ainda uma casa dum senhor de nacionalidade italiana que além de se ter naturalizado português constituiu aqui família tendo-se dedicado à produção de conservas de peixe. A casa que infelizmente ameaça ruína mantém o que suponho ser tradição siciliana, os quartos eram grandes e as janelas muito espaçadas e protegidas por portadas de ripas de madeira pintadas de verde com a possibilidade de deixar entrar alguma da forte luz do Algarve.
Nesta secção das casas, construções cuja forma depende do clima em que estão inseridas, espera-se que o clima seja estável durante um período compatível com a duração da casa que será mais do dobro dos 30 anos referidos pela OMM.
Sobre as alterações climáticas existem dois tipos de questões:
1) Estão em curso Alterações Climáticas?
2) Em caso afirmativo qual a causa e que medidas se devem tomar caso seja possível?
A Meteorologia tem feito progressos impressionantes desde 1970, altura em que os supercomputadores da CDC (Control Data Corporation), modelos 6600 e 7700 usados entre outros no desenho das asas do avião Concorde pela Aerospatiale em Toulouse, outros nos modelos meteorológicos globais. Qualquer telemóvel, daqueles considerados “smart”, terá maior capacidade de cálculo do que esses computadores.
Em relação à Climatologia, estudo do Clima e da sua evolução googlei (Agencies for computing the global climate model) obtendo
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Global Climate Models (GCMs) and Earth System Models (ESMs) require exascale supercomputing. They are primarily developed and operated by international climate research agencies and national meteorological services, coordinated by the World Climate Research Programme.
The world's leading modeling agencies and consortiums include:
- United States: NOAA Geophysical Fluid Dynamics Laboratory (GFDL), NASA Goddard Institute for Space Studies (GISS), and the Department of Energy (E3SM).
- Europe: European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF / Copernicus), the Max Planck Institute for Meteorology (Germany), and the Met Office Hadley Centre (UK).
- International Collaboration: The EC-Earth Consortium, which comprises a vast network of European meteorological and research institutes.
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A quantidade e qualidade da informação disponível para os cientistas bem como a complexidade dos processos de cálculo torna difícil a um leigo validar as conclusões destes organismos.Contudo, quer a importância económica de uma boa previsão quer a importância militar, além do brio profissional da maioria dos cientistas leva-me a acreditar mais neles do que nos lobbies pró energias fósseis.
Em relação à pergunta nº1, se estão em curso Alterações Climáticas, existe um argumento para mim inaceitável ao dizer que é sabido que ao longo dos milhões de anos do planeta Terra existiram diferentes climas quer em cada local quer no planeta no seu todo. Este argumento aniquila o conceito de clima, negando a sua existência uma vez que está tudo sempre a mudar. Se isto fosse razoável as casas construídas em Portugal ou em qualquer outra região da Terra teriam que estar preparadas para os frios siberianos,para os climas tropicais, para os tufões, para os nevões, para a secura do deserto e a humidade da floresta virgem, além das pragas de insectos de todos esses climas.
Há também a argumentação de que uma dada temperatura máxima também ocorreu no longíquo ano de 1900 e picos, conforme se pode constatar numa edição de um jornal a que, muitas vezes um jornalista teve um acesso fácil, como se um valor específico pudesse competir com a quantidade de valores que têm ocorrido e que foram registados nas gigantescas bases de dados das organizações que estudam o clima.
Existe ainda a necessidade de rever parâmetros de projecto de diversas construções caso se constate que os valores a considerar nos mesmos são insuficientes.
Sobre a presença de alterações climáticas considero que o degelo no Oceano Ártico é inescapável, a China está-se a preparar para explorar esta nova rota, o Ocidente está preocupado com a presença de navios chineses nesse Oceano.
Existe outra ligação às ondas de calor que os franceses chamam “La canicule” e nós “a canícula”. Antes de 2015, numa reunião da ENTSO-E o colega francês relatou as dificuldades que estavam a ter com as centrais nucleares com sistema de arrefecimento usando a água de rio, naturalmente recorrendo às torres de refrigeração, como as existentes na antiga central do Pego e na Termoeléctrica do Ribatejo, vizinha da antiga central do Carregado já desactivada.
O problema consistia no aumento de temperatura da água do rio em mais do que x graus permitidos pela legislação ambiental.
Depois destes problemas passaram a planear as manutenções das centrais nucleares de rio para o período de Verão, deixando operacionais todas as centrais nucleares cuja água de arrefecimento dependia do oceano.
Em princípio esta planificação seria simples de fazer e não se fazia por não haver problemas com o caudal dos rios usados pelas nucleares, indiciando alterações no clima francês.
Fui com alguma surpresa que li num jornal que estavam com problemas devido à “canicule”.
Ainda no ponto 2 existem contestações política/economicamente motivadas em que dizem que quem defende a presença das alterações climáticas devidas à queima em grandes quantidades de combustíveis fósseis ou são wokes, ou são de esquerda ou então idiotas úteis.
Recebi um link dum site em que mentiam dizendo que a NASA teria dito que o aumento da temperatura média se deveri a a aumento da actividade Solar. No site da NASA desmentiam com este texto:
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No. The Sun can influence Earth’s climate, but it isn’t responsible for the warming trend we’ve seen over recent decades. The Sun is a giver of life; it helps keep the planet warm enough for us to survive. We know subtle changes in Earth’s orbit around the Sun are responsible for the comings and goings of the ice ages. But the warming we’ve seen in recent decades is too rapid to be linked to changes in Earth’s orbit and too large to be caused by solar activity.
One of the “smoking guns” that tells us the Sun is not causing global warming comes from looking at the amount of solar energy that hits the top of the atmosphere. Since 1978, scientists have been tracking this using sensors on satellites, which tell us that there has been no upward trend in the amount of solar energy reaching our planet.
A second smoking gun is that if the Sun were responsible for global warming, we would expect to see warming throughout all layers of the atmosphere, from the surface to the upper atmosphere (stratosphere). But what we actually see is warming at the surface and cooling in the stratosphere. This is consistent with the warming being caused by a buildup of heat-trapping gases near Earth's surface, and not by the Sun getting “hotter.”
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Concluindo, os combustíneis fósseis são causa de grande poluição, têm estado na origem de numerosas guerras e têm facilitado o aparecimento de políticos gananciosos que se apropriam com alguma facilisdade da enorme riqueza que esses combustíveis representam. Estão também a ser consumidos a um ritmo muito maior do que aquele com que foram formados, não sendo uma solução sustentável enquanto o planeta Terra existir.
A Europa é uma região do globo com pouco petróleo donde seja mais que razoável que se concentre no desenvolvimento de energias renováveis que têm sido integradas no sistema eléctrico nacional com grande sucesso.
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