2023-01-31

No caminho para Silves

 

De vez em quando na viagem de Lisboa para Portimão, como desta vez em Julho/2022, saio da A2 em São Bartolomeu de Messines e vou pela estrada antiga (N124) para passar por Silves e gozar entretanto da vista panorâmica em direcção ao Sul duma encosta algarvia suave, de culturas variadas, quase até ao mar, de que mostro duas imagens

 



Estas duas fotos foram tiradas na estrada N124, no troço entre Messines e Silves: 37º14'20.13"N, 8º19'35.77"W ou  37.238925, -8.326603, e retoquei-as retirando uns cabos pretos, provavelmente de telecomunicações para melhorar o acesso à internet e à TV por Cabo, que estragavam o céu azul

 


Trata-se duma zona, como afinal tantas outras em Portugal, onde se notam investimentos recentes em explorações agrícolas, é animador constatar que o país não vai acabar já.

Quando comecei a fazer este post considerei que os serviços de localização do meu telemóvel estavam desligados como habitualmente mas, como gostaria de indicar ao leitor as coordenadas do local em que as fotos tinham sido tiradas, usei o GoogleMaps e o GoogleEarth para esse efeito.

Na segunda imagem deste post aparecem do lado direito um conjunto de árvores bem desenvolvidas parecendo oliveiras e do lado esquerdo da imagem aparecem várias fiadas de plantas jovens que lá ao fundo viram para a direita

Na imagem seguinte convenci-me que no sítio da N124 marcado com um pequeno quadrado azul (uma paragem de autocarro) poderia ser um bom candidato, com árvores do lado direito e um conjunto de filas de pequenas plantas quase perpendiculares à estrada e que lá ao fundo viram para a direita do fotógrafo

 


Vendo esta imagem no máximo da resolução constata-se no canto superior esquerdo que foi tirada em Maio/2021.

Procurando o “Street view” (Vista de rua) no Google Maps obtive esta imagem do mesmo ponto, que se constata ter sido obtida em Maio/2018. No Google Earth tem exactamente a mesma imagem, também com a data de Maio/2018.

 


Isto quer dizer que, como seria de esperar as datas das “Vistas de Rua” e das “Vistas de Satélite” serão habitualmente diferentes. Por outro lado constata-se que a lentidão da vida no campo e a imutabilidade das vistas campestres acabam por não ser tão imutáveis como os urbanitas têm tendência para pensar pois nesta altura as fiadas de árvores jovens ainda não tinham sido plantadas.

Deslocando o ponto de vista da rua um pouco mais em relação a Messines obtive outra vista de rua

 


onde aparecem umas pedras grandes que também surgem na primeira foto deste post. Nessa primeira foto é visível do lado esquerdo um monte e no horizonte dois montes um pouco mais à direita. Na foto do satélite nota-se que existe um amontoado de pedras (faixa mais clara do terreno) ao pé da estrada no local da paragem do autocarro

Mostro a seguir para comparação a imagem original, que reenquadrei e onde apaguei os cabos de telecomunicações que perturbavam a vista do céu, clonando o céu na sua proximidade, obtendo a primeira imagem deste post. A presença destes cabos irritantes acabou por servir para mais uma confirmação do local.

 


No fim lembrei-me que tirara as fotos iniciais deste post numa viagem de Lisboa para o Algarve, em que fizera um desvio para visitar a basílica real de Castro Verde (infelizmente fechada para obras), e que ligara os serviços de localização nessa altura. Dado que me costumo esquecer de desligar os serviços de localização durante algum tempo fui verificar se as fotos tinham a localização geográfica, constatando que sim.

As coordenadas da primeira foto deste post são 37º 14’ 19.42”N , 8º 19’ 36.88”W enquanto as da segunda são 37º 14’ 19.42”N , 8º 19’ 36.90”W, esta última mais longe de Messines, confirmando cabalmente o lugar encontrado com a ajuda do Google Maps e do Google Earth.

 

2023-01-23

Reflexões na Ria e sobre um barco semi-rígido

 
 
Fiquei a pensar porque terei registado esta cena, dum barco antigo em Portimão com o nome “BARCA ARADE” actualmente usado para passeios turísticos até Silves e também para as grutas de Benagil, entre o Carvoeiro e Armação de Pêra.

Julgo que fui atraído pelo reflexo quase perfeito do barco nas águas quase imóveis da ria do Arade e pela forma pouco comum no Algarve da proa do barco, provavelmente terá sido um moliceiro (* ver adenda a este post) que serviu para apanhar algas na ria de Aveiro antes de ter migrado para aqui.
 

Actualmente existem muitos operadores de circuitos turísticos locais mas quando comprei o meu barco semi-rígido em 1995 havia muito menos e não havia barcos a motor para aluguer.

 


Há muitos anos tirei um curso de mergulho no CPAS (Centro Português de Actividades Suabaquáticas) mas, à parte os mergulhos desse curso em Sesimbra e outro mergulho na Praia da Oura em que cometi o erro de mergulhar sem fato de neoprene, acreditando que a água do Algarve era acolhedoramente temperada, quando isso apenas acontece em bons dias e a temperatura mesmo assim é apenas suportável nos primeiros 2 metros a partir da superfície, pois a partir daí é muito fria, nessa Oura quase que entrei em hipotermia e parei os mergulhos por vários anos.

Depois pensei que seria possível entrar com o equipamento de mergulho na praia de S.Gabriel, ao pé de Albufeira, para ver o fundo rochoso a uns 2 ou 3 metros de profundidade sem o incómodo de ter que vir respirar à superfície, mas o equipamento é pesado para transportar do carro estacionado até à beira-mar e o espectáculo de entrada e saída da água atraía excessivas atenções de umas dezenas de banhistas. Desisti depois do segundo episódio.

Tirei então a carta de marinheiro pensando que talvez no ano seguinte comprasse um barco a motor para mergulhar a partir dele em vez de duma praia algarvia em Agosto, que era quando podia ter férias.

Porém, durante o exame prático para a carta de marinheiro gostei tanto de conduzir um semi-rígido na ria em frente a Portimão que acabei por comprar logo a seguir o semi-rígido de 4,2 metros que aparece na foto acima, provavelmente sobreequipado com um motor fora-de-borda de 40 cavalos uma vez que para venda nessa altura, no fim da época, não existiam motores de 25 cavalos em stock.

Existem problenas logísticos consideráveis na guarda de um barco para quem não dispõe de garagem como é o meu caso. Felizmente encontrei um amigo que disponibilizou metade da garagem que tinha próximo da albufeira de Castelo do Bode, onde passei a guardar o barco durante todo o ano, excepto no mês de Agosto em que ia para o Algarve.

Foi numa das idas a Castelo do Bode que tirei a primeira foto que tenho do barco. A seguir mostro um filho a fazer mono-ski nesse lago em Abril de 1996, numa superfície aquática que parecia seda, quando comparada com as ondinhas quase sempre presentes na ria do Arade na Praia da Rocha entre os dois molhes, onde eu me iniciara a fazer ski aquático há muitos anos, puxado por barcos de alguns amigos.




Guiar o barco com esta potência sentado ao lado do motor era incómodo pelo que passados dois anos encomendei instalação de um banco e de um volante para facilitar a manobra.

 

Uma das pessoas que viajava no barco queixava-se no mar, onde existe quase sempre alguma ondulação, quando o barco ia muito depressa que dava muitos saltos, quando se diminuía a velocidade que se sentia o cheiro a combustível queimado pois o barco não se afastava suficientemente depressa dos gases de escape. Quando, para obviar a esses inconvenientes se parava, queixava-se do balanço.

Passei então a privilegiar no Verão as viagens pela ria do Arade acima até Silves, mantendo algumas idas à albufeira de Castelo do Bode fora de Agosto. Estas idas acabaram quando foi interditado o uso de motores a dois tempos em Castelo do Bode, albufeira de onde se extrai muita água para consumo humano, designadamente para Lisboa.

Desde a aquisição do barco que me deparei com os melhoramentos contínuos da legislação sobre embarcações de recreio. Em cada ano em Agosto costumava gastar cerca de duas das quatro semanas de férias a tratar da obtenção de novas palamentas, de certificados, e a pagar novas licenças e taxas diligentemente criadas desde o ano que passara.

O barco não foi para a água num ano em que só passei duas semanas no Algarve e desde essa altura esteve parado numa garagem algarvia posta à disposição. Achei que já não iria andar mais naquele barco atingindo assim, de acordo com o cliché, o segundo momento de alegria na posse de um barco: o momento da venda, o primeiro tinha sido o momento da compra.

Vou tentar fazer um segundo post, sobre as viagens a Silves neste barco, pois este já vai muito longo.

(*) Adenda: recebi entretanto um comentário de um amigo ex-colega sobre o barco da 1ª foto que afinal em vez de ser um moliceiro é um mercantel:

«

Destes ainda percebo alguma coisa, pois são originais da terra dos meus avós.

O barco da foto não é um moliceiro, mas sim um mercantel. O moliceiro tem o bordo muito baixo para facilitar a faina da apanha das ditas algas a que chamamos moliço. Depois da carga atingir o topo do bordo eram colocadas umas anteparas de madeira com os respetivos vedantes o que permite continuar a carregar a embarcação navegando esta com a linha de agua acima do bordo sem no entanto se afundar. A manobra destes barcos era relativamente complicada para navegar à vela, porque não tinham quilha, a qual era substituída por uma prancha de madeira amovível colocada na lateral da embarcação, para evitar o deslocamento lateral quando o vento não era de ré. Requer uma tripulação de pelo menos dois elementos mas normalmente eram três.

Já o mercantel tinha por missão o transporte do sal das marinhas, do local de produção para os locais de armazenamento ou de embarque para exportação. Tinham o bordo significativamente mais alto, muito maior capacidade de transporte e eram mais estáveis e pesados, embora usassem também a prancha lateral para navegarem à vela.

Julgo que a razão desta embarcação estar no rio Arade se prende com o facto deste estar muito assoreado e ser mais facilmente navegável por uma embarcação de fundo chato, o que requer menos calado para navegar.

Estas embarcações estão em vias de extinção mas há ainda quem as conserve para passeios de família o que requer gastos significativos. Nas primeiras semanas de Setembro é costume haver uma competição de moliceiros na Torreira no decorrer das festas em honra de São Paio.
Já tenho nalgumas horas de navegação neste tipo de barco, e quando é propulsionado pelo vento é uma viagem muito agradável.

»


2023-01-18

 Drones Indianos na Agricultura


Ao passar pela BBC World News reparei numa breve notícia referindo o uso de drones na agricultura indiana. O filminho não está directamente acessível usando a imagem que mostro a seguir, dum drone voando sobre um campo agrícola mas pode ser visto usando este link.


No filme um agricultor refere que os trabalhadores dos campos estão a abandonar a agricultura para trabalhar na indústria e em escritórios e é actualmente mais dificil recrutar trabalhadores agrícolas, constatando-se a migração de trabalhadores do sector primário para os sectores secundário e terciário, como já acontecera noutros países.

Perante essa falta de mão-de-obra o agricultor começou a usar drones na sua propriedade, estando muito satisfeito com os resultados obtidos, referindo que o uso destes aparelhos, que podem ser alugados, constitui uma alternativa económica mesmo para propriedades de pequena dimensão que não tinham acesso a pulverização aérea.

No filme referem que os drones permitem reduzir o uso de pesticidas e de fertilizantes, reduzir a quantidade de água usada em irrigação, semear, aumentar a área de intervenção em relação a um trabalhador manual e/ou fazer a mesma tarefa em menos tempo.

Existem actualmente mais de 100 empresas indianas recentes fabricando drones, uma boa parte para dar apoio à agricultura, o que além de ser uma boa notícia, mostra que os drones podem também ter aplicações utilíssimas, não se restringindo às tomadas de vistas aéreas a baixo preço e aos ataques militares.

Como tenho pouco contacto com a agricultura não tinha até agora ouvido muitas referências ao uso de drones nas actividades agrícolas em Portugal.

Googlei (drones usados na agricultura) e fui dar a este sítio de uma empresa que presumo ser de origem espanhola, onde mostravam este campo de arroz no Japão com um drone a sobrevoá-lo quando o campo ainda está na fase “aquática”.

 

Apreciei a presença da perturbação na água, devida ao vento criado pelas hélices do drone, bem como a posição simétrica do drone e da sua imagem na superfície aquática. Na primeira imagem deste post também se nota a perturbação nas plantas do campo cultivado causado pelo vento do drone.

No texto deste sítio usam frequentemente o termo “Agricultura de precisão”.

2023-01-11

Debate sobre a Ucrânia

  


Um debate muito vivo sobre a Ucrânia ontem (10/Jan/2023) à noite no "Prime Time" da CNN Portugal, com major-general Agostinho Costa e embaixador Francisco Seixas da Costa, moderado por Ana Sofia Cardoso que pode  ser visto

aqui



2023-01-09

Percepção, Realidade e Brasília em 8 de Janeiro de 2023

 

 Ao olhar ontem para o terraço existente nas traseiras da minha casa fui surpreendido por este escoadouro de águas pluviais

 


em que nunca tinha reparado. Era estranho terem instalado um dispositivo destes no meio dum terraço bem como eu não ter reparado na sua existência desde há dezenas de anos.

Prestando maior atenção ao contexto do objecto que ilustro a seguir com uma imagem donde a de cima foi extraída

 


constatei que afinal se tratava da reflexão numa poça de água duma pérgula com um tecto formado por ripas de madeira, recortando-se contra um céu cinzento-claro que dá a ilusão de metal.

Constata-se que existiam mais ilusões desta natureza nas proximidades, esta era mais verosímil dada a sua forma aproximadamente rectangular.

Sempre que falava com estrangeiros notava a frequência com que uso expressões idiomáticas e/ou ditados populares. Neste caso diria "as aparências iludem" e esta desvaneceu-se mal a identifiquei como ilusão e quando voltei a olhar hoje para ela vi logo o reflexo do tecto da  pérgula em vez de um escoadouro.

Este processamento automático de imagens do nosso cérebro poupa-nos imenso tempo, ajudando-nos ainda a escapar a perigos súbitos que poderiam ser letais. Tem um preço moderado de por vezes nos fornecer ilusões.

Já na política uma das frases mais citadas atribuídas a Salazar é "na política o que parece é" mostrando que um ditador não se aguentaria tanto tempo no poder sem dizer coisas acertadas de vez em quando.

No Brasil, há muito tempo que parecia que se preparava uma insurreição, possivelmente parecida à musa inspiradora principal do Brasil que são os Estados Unidos da América (do Norte, como costuma completar uma amiga brasileira) onde ocorreu uma invasão parecida de edifícios das instituições democráticas por uma multidão em 06Jan/2021, mais explicitamente instigada por um anterior presidente.

Em 8/Jan/2023 a multidão formada por Bolsonaristas que estavam há semanas acampados em frente a quartéis e outros que se deslocaram a Brasília em autocarros fretados para o efeito invadiram os edifícios dos três poderes localizados na Praça dos Três Poderes:

- o do poder legislativo, o Senado com uma cúpula a emergir da esplanada e o Congresso Nacional, encimado com a cúpula invertida:

 


- o do poder executivo, o Palácio do Planalto, com também uma rampa de acesso, onde trabalha a Presidência da Republica:

 


- o do poder judicial, o Supremo Tribunal Federal, que se distingue arquitectonicamente do Palácio do Planalto por não ter rampa de acesso:

 


No "fim do jogo" é mais fácil "prever" o resultado, teria sido sempre politicamente dificil expulsar os acampados ainda pacíficos da frente dos quartéis e a oportunidade para fazer isso foi apenas uma semana, de 1 a 8/Jan, pois seria impossível enquanto Bolsonaro fosse o presidente do Brasil, o que durou até à tomada de posse de Lula em 1/Jan. Já barrar a entrada em Brasília dos autocarros anunciados nas redes sociais teria sido mais fácil.

"Em casa roubada, tranca na porta", é mais um ditado que costumo citar.





2023-01-05

Rabiscos de insecto em janela


Há uns 30 anos instalei uma janela dupla no único quarto virado a Norte na nossa casa em Lisboa. Foi uma solução subóptima mas era nessa altura a mais comum, designadamente nas casas mais antigas da Europa do Norte, tendo deixado essa solução inalterada quando há uns anos mudei as outras janelas para vidro duplo.

Enquanto a espessura da vidraça mais comum usada no século XX em Portugal tinha 3 mm de espessura, os vidros duplos actualmente mais comuns compõem-se de um vidro com espessura de 4 mm, outro com espessura de 6 mm e um espaço entre eles de 14mm, com ar desidratado entre os vidros, contido num espaço selado pelo espaçador.

Esta selagem é essencial para que não ocorra condensação no espaço entre os vidros que não poderiam ser limpos caso ocorresse condensação de vapor de água no espaço entre eles. Quando começa a ocorrer condensação é altura para substituir o vidro duplo, fenómeno que pode demorar bastantes anos a aparecer.

O ar é mau condutor de calor quando não se move. Quando o espaço entre os vidros é de 14mm como nos vidros duplos que acabo de referir, essa má condutibilidade verifica-se. Quando o espaço entre os vidros é da ordem dos 10cm, como na solução de duas janelas da minha casa, geram-se correntes de convecção que diminuem a capacidade isolante do ar. Essa é a razão para preencher o espaço entre paredes nas paredes duplas com espumas que impedem a convecção do ar entre as duas paredes, solução que não se pode usar para vidros entre janelas.

Toda esta conversa para apresentar um caso de duas janelas em que a exterior embaciou por dentro no último dia do ano que passou, dando a ilusão de que estava nevoeiro, como mostro a seguir

 


Fui também surpreendido pelo "grafiti" que não podia ter sido feito no lado interior do vidro da janela exterior pois a janela interior estava fechada. Deve ter sido algum insecto que apenas deixou este rasto.

Ampliando a mesma imagem é possível ver também as aglomerações das micro-gotas de condensação em mini-gotas em vários pontos da trajectória do insecto:






2022-12-31

Juízes, Peritos e Interpretação das Leis

 

Eu perito me confesso que gostei do texto de José Gameiro no Expresso de 30/Dez/2022 a propósito da ausência de peritagem oficial sobre a eventual presença da doença de Alzheimer em Ricardo Salgado. Eu referiria ainda a dificuldade que o Ministério Público e ainda mais os Juízes têm demasiadas vezes em aceitar limites ao seu poder, quer no recurso a peritos quer ainda na interpretação das leis.

Cada juiz decide como soberanamente entende, não podendo ficar dependente de "alegadamente meras" opiniões de especialistas excessivamente focados no seu ramo do saber, que consideram praticamente irrelevante devido precisamente à sua especialização.

Essa soberania, que se manifesta por exemplo nas interpretações radicalmente diferentes de juiz para juiz em relação à legislação em vigor, consideradas por um juiz na TV como "enriquecedoras", não passa duma atracção deplorável pelo poder absoluto.
 

No limite e como corolário, o cidadão deixa de ter possibilidade de distinguir o que é legal do que é ilegal, ficando dependente da arbitrariedade do Juiz, violando a desejável separação entre o poder legislativo e o judicial, característica essencial do Estado de Direito.

 

2022-12-21

 Feliz Natal e Bom Ano Novo de 2023


Desta vez acompanho os votos natalícios com um presépio que encontrei no Palácio Real de Nápoles, propriedade do Banco de Napoli, conforme refere na etiqueta por baixo da obra, este presépio é também referido na Wikipédia.
 


Tive dificuldade na altura em localizar a Sagrada Família que na imagem seguinte marquei com um círculo verde


Ampliando essa parte da imagem, mantendo o círculo fica


Constato que os anjos teriam sido bons guias pois estão em multidão sobre a Sagrada Família.

Coloquei umas setas indicando a Sagrada Família e os 3 reis magos:

 

Mostro agora detalhe da parte de baixo do presépio, com o povo napolitano
 

e ainda outro detalhe
 


Na casa dos meus pais montava-se um presépio mais completo do que as versões minimalistas que são agora mais comuns, lembro-me que os reis magos tinham direito a duas representações, antes do dia de Reis estes eram representados montados num cavalo e 2 camelos e no dia em que chegavam eram representados a pé ou de joelhos em adoração do menino Jesus.

Mas seriam umas 30 figuras no máximo, nada que se compare com este presépio em que devem estar representadas todas as profissões do povo cristão da Nápoles da época, além duns tantos sarracenos de turbante.


2022-12-05

 Revisitando o COVID


Continuando a revisitar fotos que tirei mas que ainda não publiquei passei por esta que tirei no Pingo Doce em 14/Mar/2020 12:28, onde se  vê uma fila inusitada para entrar no supermercado

 


Relembrei que o primeiro caso detectado em Portugal foi em 2/Mar/2020, a primeira morte no dia 16/Mar. A 18/Mar o presidente decretou o estado de emergência a iniciar às 00:00 do dia 22/Mar. A 18/Mar tinham sido detectados 640 casos, a 21/Mar já iam em 1280.

A 14/Mar ainda não fora decretado o estado de emergência, logo a fila era devida à prudência dos cidadãos em se abastecerem de víveres antes da chegada da escassez. Na altura ainda não havia máscaras à venda. Houve uma corrida ao papel higiénico mas tal também se verificou noutros países, houve também uma campanha dos supermercados para convencer as pessoas que o papel higiénico não iria faltar caso deixassem de comprar quantidades enormes em vez do seu consumo habitual. Nos países islâmicos e muitos asiáticos onde usam o Shattaf não deve ter havido corrida ao papel higiénico.

Do comunicado do Governo em 19/Mar /2020 extraí:
«...
a) Doentes com COVID-19 e infetados com SARS-Cov2 e cidadãos relativamente a quem a autoridade de saúde ou outros profissionais de saúde tenham determinado a vigilância ativa, que ficam sujeitos a confinamento obrigatório;

b) Grupos de risco, ou seja, maiores de 70 anos, imunodeprimidos e os portadores de doença crónica, relativamente aos quais existe um especial dever de proteção, devendo observar uma situação de isolamento profilático;

c) Os demais cidadãos relativamente aos quais são determinadas restrições designadamente quanto à circulação na via pública.

- Relativamente à circulação na via pública, determina-se que os cidadãos a quem não esteja imposto o confinamento obrigatório ou o dever especial de proteção só o podem fazer para a prossecução de tarefas e funções essenciais, como por exemplo:

  -  motivos de saúde
  -  aquisição de bens e serviços;
  -  desempenho de atividades profissionais que não possam ser realizadas em regime de teletrabalho;
  -  motivos de urgência e razões familiares (assistência de pessoas vulneráveis, pessoas portadoras de deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes);
  -  acompanhamento de menores para em deslocações de curta duração, para fruição de momentos ao ar livre e frequência de estabelecimentos escolares nos casos excecionalmente permitidos;
  - deslocações necessárias ao exercício da liberdade de imprensa;
  - deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva;
   - deslocações de curta duração para efeitos de passeio dos animais de companhia.
...
»

Numa interpretação razoável destas regras considerei que dar uma volta a pé nos passeios com muito poucos transeuntes dos Olivais seria benéfico mesmo para septuagenários como eu  a quem também fariam bem as “deslocações de curta duração para efeitos de actividade física”.

Nessas deslocações fotografei umas tantas plantas que não estavam a ser afectadas pelo COVID, a não ser por uma frequência de corte provavelmente mais baixa. Esta imagem é de  28/Abr2020 12:17
 

e a seguinte de 12:21
 

A ultima desta série é de 30/Abr às 13:10.


Perguntei a um médico quando é que a OMS (Organização Mundial de Saúde) daria a pandemia de COVID como extinta. Disse-me que em linhas gerais seria quando não afectasse muitos países em simultâneo passando a ocorrer em surtos espaçados no tempo e no espaço.

Revisitei o sítio Worldometer para COVID e extraí as estatíticas globais de mortes causadas pelo coronavírus no Mundo e em Portugal:
 
 


Existem países sem casos COVID mas ainda não são suficientes. É preciso continuar com cautela em Portugal.


2022-12-03

Prainha em Fevereiro de 2020 e uma Autocaravana

 

Tenho uma porção de fotografias que ainda não distribuí por diversas pastas do PC, continuando numa pasta alegadamente designada por “temporária”, que em parte tirei para possivelmente publicar neste blogue, estando como constatei com um par de anos de atraso.

A primeira trata mais uma vez de malmequeres, florinhas que me fascinam quando enchem um prado aos milhares como neste caso, em que me pareceu também que o sol já ia bastante baixo pois a foto foi feita às 17:26
 


Para confirmar Googlei (por do sol em 24/fev/2020) e logo obtive a informação que nesse dia, em Lisboa, o Sol de pôs às 18:23. Em Alvor o Sol põe-se com uma diferença de poucos minutos de Lisboa pelo que a foto foi feita a cerca de uma hora de distância do pôr do sol

Coloquei a palavra “malmequeres” na caixa de pesquisa no canto superior esquerdo deste blogue e apareceram-me 14 posts! Nem todos contemplam estes malmequeres pequeninos em grandes quantidades e hesitei em colocar mais uma foto parecida a outras já publicadas mas acabei por publicar com a desculpa que o post mais recente desses 14 era de 2016.

A seguir mostro mais duas imagens (também de Fev/2020) de Canafrecha:
 

e fazendo zoom
 

desta Canafrecha, planta que já mostrei aqui e aqui.
 

Ainda no mesmo dia, ao pé do parque de estacionamento dando acesso à área concessionada mais a poente da praia de Alvor, vi esta autocaravana
 


que suscitou a minha curiosidade porque nunca vira modelo semelhante. Vendo a foto com maior discriminação (tem 1600 pixels de largura) lê-se que se trata de um Airstream 290.

Procurando na net constatei que se trata dum produto do fabricante norte-americano “Airstream” que começou em 1930 a fazer caravanas, com a carrosseria feita de alumínio, usando a mesma tecnologia dos aviões da época. Cerca de 1970 começou a produzir autocaravanas e este modelo parece ter sido produzido de 1985 a 1990 pois existem modelos à venda dessas datas neste sítio. Não tomei nota do país de matrícula mas este veículo deverá ter volante do lado esquerdo pois o acesso ao interior se faz pelo lado direito, lado preferido em países com circulação pela direita.

Este fabricante aumentou muito a sua fama quando a NASA seleccionou uma sua caravana para a quarentena dos seus astronautas regressados da Lua.

Reparei também na presença de painéis solares, sugerindo que estes viajantes prezam alguma independência dos parques de campismo, onde teriam mais potência eléctrica disponível.

Durante algum tempo considerei a hipótese de comprar uma autocaravana para as férias, mas para pessoas empregadas com direito a apenas um mês de férias por ano a autocaravana seria muito subaproveitada. Mesmo comprando uma a meias subsistiria a dificuldade em compatibilizar os períodos de férias. Por outro lado não sinto grande necessidade do que se chama a “comunhão com a natureza”, prefiro ambientes citadinos, e na Europa e em grande parte do mundo existe abundância de alojamentos disponíveis para todas as bolsas com possibilidade de comprar um veículo deste tipo. Com a vantagem de se ficar alojado dentro da cidade em vez de num parque longe do centro.

Às vezes penso na quase única memória que me ficou do primeiro livro que li do Robert M.Pirsig, que foi o segundo que ele escreveu, e que vi agora que se intitulava Lila: An Inquiry into Morals: o narrador vivia num barco onde tinha que manter os diversos aparelhos a funcionar e referia-se a quem vivia em terra como gente que vivia num mundo mágico em que para acender ou apagar uma lâmpada bastava accionar um interruptor, sem precisar de ter a mais pequena ideia das infraestruturas envolvidas nessa acção. A minha curiosidade pelo autor deve-se ter devido às referências ao Zen pelo Douglas R. Hofstadter no “Gödel, Esher and Bach, An Eternal Golden Braid”. Vi agora no primeiro livro do R.M.Pirsig. “Zen and the Art of Motorcycle Maintenance”, que foi o que li em segundo lugar, que escrevi: “Não passei da  página 309”, num livro que tinha 416 páginas. E não sei onde está o outro livro.

Ter que manter variados sistemas a funcionar bem numa autocaravana é mais simples do que num barco mas ainda é mais simples frequentar hotéis.


2022-11-28

 Praia da Rocha em Abril de 2022



A avenida Tomás Cabreira na Praia da Rocha, a única que existia nos anos 60 do século passado, tem-se transformado ao longo deste longo tempo, as vivendas transformaram-se quase todas em prédios de apartamentos, os edifícios de vários andares sofreram metamorfoses quase tão grandes como as das borboletas ou foram mesmo arrasados e substituídos como as vivendas.

O mobiliário urbano da avenida foi sendo alterado com bastante frequência, por exemplo houve uma altura em que os candeeiros de iluminação pública que deveriam durar duas ou três décadas eram substituídos cada dois ou três anos, achei quase natural que, em Portugal, o município de Portimão tivesse em 2019 a maior dívida por habitante.
 


 


Ao frenesi da substituição do mobiliário urbano não resistiram as árvores, julgo que choupos,  que davam alguma sombra aos passeios da avenida Tomás Cabreira, que foram substituídas por uns rebentos “na mais tenra infância” de espinheitro-da-Virgínia (Gleditsia triacanthos), espécie tão bem sucedida noutras paragens de Portugal..

Como consequência, desde antes de 2012, mais de dez anos, que esta parte do passeio desta avenida deixou de ter sombras e as árvores que se vêem na imagem ao lado são já uma segunda tentativa de plantar árvores nesta secção porque as primeiras morreram todas.

É evidente que não foram estas árvores nem os constantes rearranjos do piso e do mobiliário urbano desta avenida que arrastaram a Câmara Municipal de Portimão para a posição destacada da dívida por habitante mais elevada de Portugal, mas será uma ponta do icebergue, da volatilidade excessiva das decisões camarárias e da falta de acompanhamento das consequências e de correcção das decisões tomadas.

Mas deixo este tema de dívidas excessivas de algumas autarquias para os governantes,  especialistas na matéria e Procuradoria Geral da República, concentrando-me no que se pode ainda aproveitar do que existe.

 

Começo por outra foto tirada no mesmo local com um enquadramento ligeiramente diferente


foto de que vou aproveitar várias partes, como por exemplo as ervas “possivelmente daninhas”, que se dão tão bem no canteiro da árvore mais próxima
 


mostrando que nalguns casos decoram os canteiros como se tivessem sido plantadas por um jardineiro. Constato que o canteiro da segunda árvore apenas tem ervas com poucas flores, apoiando a conjectura que as flores do primeiro canteiro são espontâneas.

Mostro depois em pormenor a árvore do primeiro canteiro, estas folhas amarelas são as primeiras do ano, com um verde tão claro que as deixa amarelas. Com o passar dos dias chegarão ao verde


 

Olhando para o outro lado da rua, a mais afastada por alguns metros do mar mas também um pouco protegida pela parede da casa que fará abrandar o vento, vêem-se outras árvores da mesma espécie, ligeiramente menos raquíticas do que as do lado de cá mas que, ao fim de mais de 10 anos, tão pouco conseguem dar uma sombra decente

 

Achei que neste enquadramento o amarelo das árvores dava um contraste agradável, vendo-se ao fundo a Vila Lido, construída em 1944 e sendo das pouquíssimas sobreviventes da transformação urbanística da Praia da Rocha desde o último quartel do século XX.

Para finalizar um enquadramento ligeiramente diferente deste que acabo de mostrar
 





2022-11-27

Valores de Mercado das Selecções Nacionais no Catar/2022

 

A obsessão com o futebol em Portugal e o valor da Selecção Portuguesa, 4ª posição mundial para um país com 10 milhões de habitantes, lembram o aforismo: "isto está tudo ligado".

Visto no STATISTA, aqui:

 



 


2022-11-15

As manifas para acabar com os fósseis


Conjecturo que os ministros que têm apoiado a luta, iniciada neste mês de Nov/2022 por estudantes da Escola António Arroio, o fazem porque muita gente, em que me incluo, considera que se tem que abandonar os combustíveis fósseis.


Pela minha parte considero também que

- os meios da luta, i.e. fechar escolas;

- o objectivo de curto prazo, de correr com o ministro Costa Silva, uma das pessoas mais competentes e sensatas na área da energia;

- e o de médio prazo (acabar com o uso dos combustíveis fósseis até 2030) 

são completamente disparatados, nocivos e censuráveis.

Como alternativa proponho que façam umas manifas para facilitar criação de equipas de activistas e que estudem na escola e fora dela para encontrarem acções eficazes para acabar com o uso dos combustíveis fósseis.


2022-11-14

Uma Geringonça Propriamente Dita

 
Nesta vida de reformado estou frequentemente em casa ao fim da tarde e depois da hora do chá costumo passar algum tempo a ver séries policiais. Há bastante tempo que perdi o interesse em desvendar os mistérios que vão sendo apresentados, vejo os episódios desenrolando-se e aguardo calmamente que me revelem o que “verdadeiramente” se passou. Os cenários são um dos grandes motivos do meu interesse, bem como as conversas e maneirismos das personagens, revelando alguns dos hábitos de cada sociedade onde a acção se desenrola.


Não sei se será uma reacção às dificuldades do cidadão comum em descortinar a verdade no meio das múltiplas perspectivas enviezadas que lhe dão nos meios de comunicação social, aqui não é necessário descobrir a verdade, basta seguir a narrativa.

Ultimamente tenho estado na fase Poirot, um detective que é a personagem mais famosa da escritora Agatha Christie (1890-1976) com uma bibliografia extensa (1921-1976), encarnado na série mais recente (da ITV, de 1989 a 2013, em 13 temporadas num total de 70 episódios) pelo actor inglês David Suchet .

Os episódios que tenho visto parecem ocorrer nos anos 30 do século XX em ambientes ingleses clássicos em casas senhoriais ou em ambientes mais contemporâneos dessa época com forte predomínio da Art Déco. São também admiráveis os automóveis clássicos dessa época e uns mais antigos que ainda sobreviviam na altura, bem como o guarda-roupa de toda aquela gente.

No episódio “Evil Under the Sun” (livro publicado em 1941) a acção passava-se num hotel duma ilha, muito próxima do que os ingleses chamam ali “mainland” (a Grã-Bretanha) que foi traduzida nas legendas por “o Continente”.

A minha curiosidade foi aguçada por uma Geringonça propriamente dita que aparece na  imagem que segue, um veículo de 4 rodas com uma plataforma sobre elevada, avançando pela água em direcção à ilha numa zona em que um banhista em pé tem água quase pela cintura

 



Obtive esta imagem a com a legenda “Burgh Island Hotel in 2005” googlando (pixie cove Agatha Christie) em que “pixie cove” era uma caverna referida no episódio e Agatha Christie a “argumentista” tendo aparecido logo a referência ao Burgh Island Hotel num artigo da Wikipédia onde constava esta imagem.

Seguindo o link “Burgh Island” nesse artigo obtive esta imagem

 

que ilustra o istmo de areia que liga a ilha a terra durante a maré baixa, e que agora aprendi que se chama “tômbolo”.

Lembrei-me logo da praia do Baleal, 3km ao norte de Peniche, mostrada nesta vista aérea
 

 
que encontrei no sítio Baleal Surfcamp.

Os ingleses chamam a esta geringomça “Sea tractor” e este que se estreou em 1969 é o terceiro com este formato a servir  a Burgh Island
 

A Burgh _Island fica na costa sul de Devon, entre Plymouth e Torquay,

 

esta última uma estância balnear onde nasceu Agatha Christie, que gostava muito desta ilha e do seu hotel.

Tinha a ideia que no Canal entre a Inglaterra e a França a amplitude das marés era enorme, chegando a atingir 18 metros em situações excepcionais pelo que me pareceu que a geringonça não conseguiria passar para a ilha quando a maré estivesse alta e por isso fui confirmar a amplitude das marés na Burgh Island
 

 constatando que para este dia (6/Nov/2022) a diferença entre a maré cheia (5,5m) e a maré vazia (1m) seria à volta de 4,5m. Achei pouco, receeei que fosse algum dia excepcional e vi a previsão para uma semana, também na Burgh Island

 
constatando que se mantém a amplitude entre marés de cerca de 4,5m. Considerando que o istmo está acima do nível da maré baixa, na maré alta a altura da água na zona do istmo será menor do que 4,5m.

Fui ver a previsão das marés no Baleal
 


constatando que a amplitude entre marés andará pelos 2,5m, no canal as marés são muito mais fortes do que na costa portuguesa mas não tão grandes como eu esperava.

Sabia contudo que no lado francês do canal, próximo da cidade de Saint-Malo, existe a central maremotriz de Rance, a maior central de marés do mundo quando entrou em serviço em 1966, com 24 turbinas bolbo reversíveis de 10MW cada, perfazendo 240Mw sendo a produção anual de 500GWh.

No folheto da central que facultavam informavam que quando estavam a turbinar para dentro da albufeira e a queda já era muito pequena passavam a bombar para dentro da albufeira pois a cota adicional na albufeira nesse período de 1 ou 2 metros dava origem depois quando a maré vazava, a uma queda da amplitude da maré mais esses 1 ou 2 metros de queda.

Fui ver as cotas em Saint-Malo
 


constatando que o valor da amplitude das marés andava nessa altura por volta dos 9m, o dobro da amplitude em Burgh Island, parecendo verosímil que em situações muito excepcionais atinga os 18m.

A distância em linha recta entre Burgh Island e St.Malo é 220km e julgo que a razão da diferença nas amplitudes das marés destes dois sítios se deve à costa francesa entre o Monte de Saint_Michel e La Hague, numa extensão de 110km que, constituindo uma barreira ao movimento da água do Oceano Atlântico quando entra no canal, provoca nessa zona uma sobreelevação da cota da maré alta.

Lembro-me bem da impressão que me fez a amplitude das marés no porto de Bristol, quando visitei esta cidade em1983, constatando agora que na semana de 6 a 12/Nov/2022 era de 9m. Neste caso a grande amplitude deve-se ao afunilamento do Canal de Bristol que liga o Oceano Atlântico ao estuário do rio Severn e, segundo li, a amplitude das marés dem Bristol é a segunda maior do mundo.

Nos meses de Julho, Agosto e Setembro de 2022 a amplitude média da maré na praia de Alvor no Algarve foi de 2 metros.


 

2022-11-10

Putinlândia

 

Gosto sempre de ouvir os comentários que o Bernardo Pires de Lima faz nos noticiários da RTP3, uma pessoa bem informada nos temas internacionais, sensata e ligeiramente pessimista, o que se compreende quando os noticiários se focam quase exclusivamente nas desgraças que vão ocorrendo.

Foi essa a razão principal para comprar este livro sobre Putin, que a editora Tinta da China caracteriza adequadamente como "O grande ensaio português sobre Vladimir Putin, nova edição, revista e actualizada de um livro que já em 2016 antecipava o actual rumo do regime de Putin, agora com novos capítulos sobre a invasão da Ucrânia. "

Como costumo ouvir os comentários do autor o livro foi para mim uma "revisão da matéria dada", sendo ainda mais interessante para quem não o ouve habitualmente.

Quanto ao objecto livresco achei os cantos redondos muito adequados para este formato de livro de bolso.

Gal Costa

 

Agora foi a vez de Gal Costa falecer, com 77 anos.

Gosto desta mistura de animação, música para a novela "A Luz de Tieta" com Caetano Veloso e Gal Costa

 

 

e sempre gostei muito desta música, intitulada "Índia"




2022-11-06

Gás de Sines para a Europa

 

Há uns tempos li um artigo de opinião de Aníbal Fernandes na edição de 2/Out/2022 do jornal Público sobre o eventual uso do Terminal de GNL de Sines para gasificar o gás liquefeito que lá chega e enviá-lo por gasoduto para a Europa, para o que seria necessário uma ligação da rede de gasodutos ibérica com a rede francesa.

No artigo defendia-se que no curto prazo essa ligação Espanha-França não resolveria a falta de GNL na Europa Central pois demoraria vários anos a ser construída e, quando terminada, seria provavelmente mais caro transportar o gás de Sines para o centro da Europa por gasoduto do que liquefeito.

No curto prazo poder-se-ia eventualmente redireccionar alguns barcos com GNL liquefeito destinados a Sines, após compensação devida, para ser gasificado e consumido no centro da Europa.

Toda a argumentação me pareceu sensata e tecnicamente competente.


2022-11-02

Pronunciamento de Lula da Silva na noite da vitória em 30/Out/2022

 
Neste post do 2 Dedos de Conversa  vi uma comparação entre o início do discurso de Bolsonaro há quatro anos e o discurso de Lula da Silva após a vitória na 2ª volta das eleições presidenciais brasileiras em 30/Out/2022 que apreciei e li do princípio ao fim, actividade que não tenho conseguido realizar relativamente aos programas dos partidos nas eleições legislativas de Portugal, limitando-me a ver referências aos mesmos em programas da TV e em jornais.

Constatei agora que neste blogue me referi à detenção de Lula da Silva em Março/2016 para prestar declarações, manifestando então a minha opinião que se tratava dum abuso do poder judicial numa perseguição com motivos políticos ao anterior presidente, para o impedir de concorrer à presidência na sequência da eventual destituição de Dilma Roussef.

Foi o que aconteceu numa sequência de acções do juiz Sérgio Moro que conseguiu que o ex-presidente fosse condenado em primeira instância cuja sentença foi confirmada em segunda instância após o que se deu execução ao cumprimento da pena de prisão efectiva, mesmo antes do resultado da contestação da segunda instância no Supremo Tribunal, conforme a lei brasileira então em vigor. O juiz Sérgio Moro viu os seus serviços recompensados pelo presidente Bolsonaro que lhe deveu provavelmente a eleição e que o nomeou para ministro da Justiça, sendo contudo criticado nalguns jornais portugueses, talvez por revelar de forma excessivamente exuberante a natureza da sua perseguição ao ex-presidente.

Mais de um ano após a prisão de Lula da Silva o Supremo Tribunal anulou todos os julgamentos que condenaram o ex-presidente, com fundamento em irregularidades inadmissíveis, que pôde assim recuperar a liberdade. Não existe assim qualquer condenação legal de Lula da Silva pois as que existiram foram consideradas nulas por serem ilegais.

Existiram contudo numerosas condenações de ministros de Lula da Silva, acompanhadas de compreensível indignação dos eleitores que julgaram que um governo do Partido dos Trabalhadores chefiado pelo ex-operário Lula da Silva seria no mínimo menos corrupto do que era habitual nos governos do Brasil.

É também problemática a dependência do Partido dos Trabalhadores de uma figura única, de idade avançada bem como as dificuldades que Lula encontrará no poder legislativo que lhe é maioritariamente hostil.

Mas voltando ao discurso, depois de recorrer ao Google e ter ido dar a muitos sítios de jornais, cada um com os seus comentários pelo meio do texto, fui ao “Site oficial do ex-presidente Lula (2002-2010)” onde encontrei este Pronunciamento, idêntico ao texto que referi no início deste post:

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Pronunciamento

Leia a íntegra do pronunciamento do presidente eleito, sem improvisações
30/10/2022 • 21:14:57

Meus amigos e minhas amigas.

Chegamos ao final de uma das mais importantes eleições da nossa história. Uma eleição que colocou frente a frente dois projetos opostos de país, e que hoje tem um único e grande vencedor: o povo brasileiro.

Esta não é uma vitória minha, nem do PT, nem dos partidos que me apoiaram nessa campanha. É a vitória de um imenso movimento democrático que se formou, acima dos partidos políticos, dos interesses pessoais e das ideologias, para que a democracia saísse vencedora.

Neste 30 de outubro histórico, a maioria do povo brasileiro deixou bem claro que deseja mais – e não menos democracia.

Deseja mais – e não menos inclusão social e oportunidades para todos. Deseja mais – e não menos respeito e entendimento entre os brasileiros. Em suma, deseja mais – e não menos liberdade, igualdade e fraternidade em nosso país.

O povo brasileiro mostrou hoje que deseja mais do que exercer o direito sagrado de escolher quem vai governar a sua vida. Ele quer participar ativamente das decisões do governo.

O povo brasileiro mostrou hoje que deseja mais do que o direito de apenas protestar que está com fome, que não há emprego, que o seu salário é insuficiente para viver com dignidade, que não tem acesso a saúde e educação, que lhe falta um teto para viver e criar seus filhos em segurança, que não há nenhuma perspectiva de futuro.

O povo brasileiro quer viver bem, comer bem, morar bem. Quer um bom emprego, um salário reajustado sempre acima da inflação, quer ter saúde e educação públicas de qualidade.

Quer liberdade religiosa. Quer livros em vez de armas. Quer ir ao teatro, ver cinema, ter acesso a todos os bens culturais, porque a cultura alimenta nossa alma.

O povo brasileiro quer ter de volta a esperança.

É assim que eu entendo a democracia. Não apenas como uma palavra bonita inscrita na Lei, mas como algo palpável, que sentimos na pele, e que podemos construir no dia-dia.

Foi essa democracia, no sentido mais amplo do termo, que o povo brasileiro escolheu hoje nas urnas. Foi com essa democracia – real, concreta – que nós assumimos o compromisso ao longo de toda a nossa campanha.

E é essa democracia que nós vamos buscar construir a cada dia do nosso governo. Com crescimento econômico repartido entre toda a população, porque é assim que a economia deve funcionar – como instrumento para melhorar a vida de todos, e não para perpetuar desigualdades.

A roda da economia vai voltar a girar, com geração de empregos, valorização dos salários e renegociação das dívidas das famílias que perderam seu poder de compra.

A roda da economia vai voltar a girar com os pobres fazendo parte do orçamento. Com apoio aos pequenos e médios produtores rurais, responsáveis por 70% dos alimentos que chegam às nossas mesas.

Com todos os incentivos possíveis aos micros e pequenos empreendedores, para que eles possam colocar seu extraordinário potencial criativo a serviço do desenvolvimento do país.

É preciso ir além. Fortalecer as políticas de combate à violência contra as mulheres, e garantir que elas ganhem o mesmo salários que os homens no exercício de igual função.

Enfrentar sem tréguas o racismo, o preconceito e a discriminação, para que brancos, negros e indígenas tenham os mesmos direitos e oportunidades.

Só assim seremos capazes de construir um país de todos. Um Brasil igualitário, cuja prioridade sejam as pessoas que mais precisam.

Um Brasil com paz, democracia e oportunidades.

Minhas amigas e meus amigos.

A partir de 1º de janeiro de 2023 vou governar para 215 milhões de brasileiros, e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis. Somo um único país, um único povo, uma grande nação.

Não interessa a ninguém viver numa família onde reina a discórdia. É hora de reunir de novo as famílias, refazer os laços de amizade rompidos pela propagação criminosa do ódio.

A ninguém interessa viver num país dividido, em permanente estado de guerra.

Este país precisa de paz e de união. Esse povo não quer mais brigar. Esse povo está cansado de enxergar no outro um inimigo a ser temido ou destruído.

É hora de baixar as armas, que jamais deveriam ter sido empunhadas. Armas matam. E nós escolhemos a vida.

O desafio é imenso. É preciso reconstruir este país em todas as suas dimensões. Na política, na economia, na gestão pública, na harmonia institucional, nas relações internacionais e, sobretudo, no cuidado com os mais necessitados.

É preciso reconstruir a própria alma deste país. Recuperar a generosidade, a solidariedade, o respeito às diferenças e o amor ao próximo.

Trazer de volta a alegria de sermos brasileiros, e o orgulho que sempre tivemos do verde-amarelo e da bandeira do nosso país. Esse verde-amarelo e essa bandeira que não pertencem a ninguém, a não ser ao povo brasileiro.

Nosso compromisso mais urgente é acabar outra vez com a fome. Não podemos aceitar como normal que milhões de homens, mulheres e crianças neste país não tenham o que comer, ou que consumam menos calorias e proteínas do que o necessário.

Se somos o terceiro maior produtor mundial de alimentos e o primeiro de proteína animal, se temos tecnologia e uma imensidão de terras agricultáveis, se somos capazes de exportar para o mundo inteiro, temos o dever de garantir que todo brasileiro possa tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias.

Este será, novamente, o compromisso número 1 do nosso governo.

Não podemos aceitar como normal que famílias inteiras sejam obrigadas a dormir nas ruas, expostas ao frio, à chuva e à violência.

Por isso, vamos retomar o Minha Casa Minha Vida, com prioridade para as famílias de baixa renda, e trazer de volta os programas de inclusão que tiraram 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza.

O Brasil não pode mais conviver com esse imenso fosso sem fundo, esse muro de concreto e desigualdade que separa o Brasil em partes desiguais que não se reconhecem. Este país precisa se reconhecer. Precisa se reencontrar consigo mesmo.

Para além de combater a extrema pobreza e a fome, vamos restabelecer o diálogo neste país.

É preciso retomar o diálogo com o Legislativo e Judiciário. Sem tentativas de exorbitar, intervir, controlar, cooptar, mas buscando reconstruir a convivência harmoniosa e republicana entre os três poderes.

A normalidade democrática está consagrada na Constituição. É ela que estabelece os direitos e obrigações de cada poder, de cada instituição, das Forças Armadas e de cada um de nós.

A Constituição rege a nossa existência coletiva, e ninguém, absolutamente ninguém, está acima dela, ninguém tem o direito de ignorá-la ou de afrontá-la.

Também é mais do que urgente retomar o diálogo entre o povo e o governo.

Por isso vamos trazer de volta as conferências nacionais. Para que os interessados elejam suas prioridades, e apresentem ao governo sugestões de políticas públicas para cada área: educação, saúde, segurança, direitos da mulher, igualdade racial, juventude, habitação e tantas outras.

Vamos retomar o diálogo com os governadores e os prefeitos, para definirmos juntos as obras prioritárias para cada população.

Não interessa o partido ao qual pertençam o governador e o prefeito. Nosso compromisso será sempre com melhoria de vida da população de cada estado, de cada município deste país.

Vamos também reestabelecer o diálogo entre governo, empresários, trabalhadores e sociedade civil organizada, com a volta do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Ou seja, as grandes decisões políticas que impactem as vidas de 215 milhões de brasileiros não serão tomadas em sigilo, na calada da noite, mas após um amplo diálogo com a sociedade.

Acredito que os principais problemas do Brasil, do mundo, do ser humano, possam ser resolvidos com diálogo, e não com força bruta.

Que ninguém duvide da força da palavra, quando se trata de buscar o entendimento e o bem comum.

Meus amigos e minhas amigas.

Nas minhas viagens internacionais, e nos contatos que tenho mantido com líderes de diversos países, o que mais escuto é que o mundo sente saudade do Brasil.

Saudade daquele Brasil soberano, que falava de igual para igual com os países mais ricos e poderosos. E que ao mesmo tempo contribuía para o desenvolvimento dos países mais pobres.

O Brasil que apoiou o desenvolvimento dos países africanos, por meio de cooperação, investimento e transferência de tecnologia.

Que trabalhou pela integração da América do Sul, da América Latina e do Caribe, que fortaleceu o Mercosul, e ajudou a criar o G-20, a UnaSul, a Celac e os BRICS.

Hoje nós estamos dizendo ao mundo que o Brasil está de volta. Que o Brasil é grande demais para ser relegado a esse triste papel de pária do mundo.

Vamos reconquistar a credibilidade, a previsibilidade e a estabilidade do país, para que os investidores – nacionais e estrangeiros – retomem a confiança no Brasil. Para que deixem de enxergar nosso país como fonte de lucro imediato e predatório, e passem a ser nossos parceiros na retomada do crescimento econômico com inclusão social e sustentabilidade ambiental.

Queremos um comércio internacional mais justo. Retomar nossas parcerias com os Estados Unidos e a União Europeia em novas bases. Não nos interessam acordos comerciais que condenem nosso país ao eterno papel de exportador de commodities e matéria prima.

Vamos re-industrializar o Brasil, investir na economia verde e digital, apoiar a criatividade dos nossos empresários e empreendedores. Queremos exportar também conhecimento.

Vamos lutar novamente por uma nova governança global, com a inclusão de mais países no Conselho de Segurança da ONU e com o fim do direito a veto, que prejudica o equilíbrio entre as nações.

Estamos prontos para nos engajar outra vez no combate à fome e à desigualdade no mundo, e nos esforços para a promoção da paz entre os povos.

O Brasil está pronto para retomar o seu protagonismo na luta contra a crise climática, protegendo todos os nossos biomas, sobretudo a Floresta Amazônica.

Em nosso governo, fomos capazes de reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia, diminuindo de forma considerável a emissão de gases que provocam o aquecimento global.

Agora, vamos lutar pelo desmatamento zero da Amazônia

O Brasil e o planeta precisam de uma Amazônia viva. Uma árvore em pé vale mais do que toneladas de madeira extraídas ilegalmente por aqueles que pensam apenas no lucro fácil, às custas da deterioração da vida na Terra.

Um rio de águas límpidas vale muito mais do que todo o ouro extraído às custas do mercúrio que mata a fauna e coloca em risco a vida humana.

Quando uma criança indígena morre assassinada pela ganância dos predadores do meio ambiente, uma parte da humanidade morre junto com ela.

Por isso, vamos retomar o monitoramento e a vigilância da Amazônia, e combater toda e qualquer atividade ilegal – seja garimpo, mineração, extração de madeira ou ocupação agropecuária indevida.

Ao mesmo tempo, vamos promover o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem na região amazônica. Vamos provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem destruir o meio ambiente.

Estamos abertos à cooperação internacional para preservar a Amazônia, seja em forma de investimento ou pesquisa científica. Mas sempre sob a liderança do Brasil, sem jamais renunciarmos à nossa soberania.

Temos compromisso com os povos indígenas, com os demais povos da floresta e com a biodiversidade. Queremos a pacificação ambiental.

Não nos interessa uma guerra pelo meio ambiente, mas estamos prontos para defendê-lo de qualquer ameaça.

Meus amigos e minhas amigas.

O novo Brasil que iremos construir a partir de 1º de janeiro não interessa apenas ao povo brasileiro, mas a todas as pessoas que trabalham pela paz, a solidariedade e a fraternidade, em qualquer parte do mundo.

Na última quarta-feira, o Papa Francisco enviou uma importante mensagem ao Brasil, orando para que o povo brasileiro fique livre do ódio, da intolerância e da violência.

Quero dizer que desejamos o mesmo, e vamos trabalhar sem descanso por um Brasil onde o amor prevaleça sobre o ódio, a verdade vença a mentira, e a esperança seja maior que o medo.

Todos os dias da minha vida eu me lembro do maior ensinamento de Jesus Cristo, que é o amor ao próximo. Por isso, acredito que a mais importante virtude de um bom governante será sempre o amor – pelo seu país e pelo seu povo.

No que depender de nós, não faltará amor neste país. Vamos cuidar com muito carinho do Brasil e do povo brasileiro. Viveremos um novo tempo. De paz, de amor e de esperança.

Um tempo em que o povo brasileiro tenha de novo o direito de sonhar. E as oportunidades para realizar aquilo que sonha.

Para isso, convido a cada brasileiro e cada brasileira, independentemente em que candidato votou nessa eleição. Mais do que nunca, vamos juntos pelo Brasil, olhando mais para aquilo que nos une, do que para nossas diferenças.

Sei a magnitude da missão que a história me reservou, e sei que não poderei cumpri-la sozinho. Vou precisar de todos – partidos políticos, trabalhadores, empresários, parlamentares, govenadores, prefeitos, gente de todas as religiões. Brasileiros e brasileiras que sonham com um Brasil mais desenvolvido, mais justo e mais fraterno.

Volto a dizer aquilo que disse durante toda a campanha. Aquilo que nunca foi uma simples promessa de candidato, mas sim uma profissão de fé, um compromisso de vida:

O Brasil tem jeito. Todos juntos seremos capazes de consertar este país, e construir um Brasil do tamanho dos nossos sonhos – com oportunidades para transformá-los em realidade.

Maus uma vez, renovo minha eterna gratidão ao povo brasileiro. Um grande abraço, e que Deus abençoe nossa jornada.


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Não será um programa mas dá uma ideia do que Lula pretende fazer na sua Presidência.