2023-10-14

Lisboa e Gaza


Andei no liceu de 1959 a 1966 e lembro-me de nas aulas de Religião e Moral o professor, que era um antigo seminarista que não fora ordenado padre, sempre que falava de Israel desenhava a faixa de Gaza, se bem que nessa altura sem a limitação a Sul da fronteira com o Egipto.

Tenho ouvido ultimamente que a Faixa de Gaza seria o sítio mais densamente povoado do planeta. Esta afirmação suscitou-me dúvidas pois nessa área habitam cerca de 2,2 milhões de palestinos, numa área de 367km2 dando uma densidade populacional de 6000 habitantes por km2 .
Por exemplo Hong-Kong ocupa, incluindo os novos territórios, cerca de 1000km2 , onde vivem 6 milhões de pessoas, dando uma densidade parecida com a de Gaza.

Foi verificar no Google Earth a extensão do território da faixa de Gaza e delimitei uma superfície incluindo Lisboa e alguns arredores com uma área idêntica àquela faixa de que mostro os mapas respectivos

 



 

 
Recorri depois à Wikipédia para ver uma lista de concelhos de Portugal com a respectiva população em 2021, a este para ver a área de cada município e à Associação Nacional de Municípios Portugueses para aceder ao mapa de Portugal com as fronteiras dos concelhos

Com a consulta dos dois primeiros sítios elaborei esta tabela com áreas, populações e densidades de Pop./km2

 


e no sítio da Associação de Municípios retirei uma secção do mapa contendo concelhos adjacentes a Lisboa com as cores: Amadora-turquesa, Lisboa-laranja, Odivelas-amarelo e Oeiras-verde

 


constatando-se que o conjunto dos concelhos Amadora+Lisboa+Odivelas+Oeiras têm uma densidade superior à de Gaza. A faixa de Gaza tem alguma área dedicada a actividades agrícolas, áreas muito diminutas nos concelhos que escolhi, caso tivesse incluído Cascais a densidade do conjunto Lisboa e alguns arredores já seria inferior à de Gaza.

O maior problema da faixa de Gaza é o seu completo isolamento quer do interior do pais de onde poderia vir alguma água (como a de Lisboa que vem da bacia do rio Zêzere), quer da ausência de um porto livre através do qual  poderiam comerciar e importar combustíveis para a produção de electricidade e para exportar alguns produtos. E por último a enorme dificuldade de atravessar as fronteiras, quer por Israel quer pelo Egipto que tão pouco autoriza a movimentação de palestinos.

Por isso a recomendação de Benjamin Netanyahu aos palestinos para que saiam rapidamente de Gaza é no mínimo completamente incompreensível.

Talvez eu tenha ouvido apenas “”The Israeli military has urged all people in Gaza City to leave their homes "for their own safety", in a strong suggestion it is set to begin a ground assault.”, significando que será mais seguro estar e dormir ao ar livre do que dentro de casas, presumo que estar dentro duma tenda também poderá ser perigoso.

A recente carnificina feita pelo Hamas em território israelita não tem qualquer justificação. Hà muitos anos que considero que os terroristas são pessoas más cujo principal objectivo é fazer mal a outros seres humanos e que por vezes recorrem a umas desculpas políticas/religiosas para cometerem os actos hediondos que os satisfazem.

No entanto, também aprendi que as ferramentas bélicas actualmente existentes, como por exemplo bombardeamentos aéreos, permitem executar com menor dificuldade, porque não se vêem as vítimas a morrer, actos também hediondos de matança de inocentes que tiveram o azar de viver próximo de terroristas e que têm reconhecidamente dificuldade de sair de onde vivem.

2023-10-12

Mundo Vegetal


Sou seguidor do magnífico blogue  “Dias com Árvores”que além de imagens belísssimas de plantas e das suas paisagens nos brinda ainda com a erudição de amadores apaixonados por plantas e com um discurso aparentemente antropomórfico mas que no fundo o que faz é integrar as plantas no grande reino evolutivo dos seres vivos, usando termos como estratégia, investimento, preferências, sucessos e insucessos, descrevendo a evolução de cada espécie botânica e da respectiva família com explicações convincentes, claras e interessantes.

Desta vez surpreenderam-me com esta imagem de inflorescências gigantes (cerca de 1,80m de altura) numa curva de estrada nas ilhas Canárias, julgo que na ilha de Palma num post intitulado “A viagem dos massarocos
 

seguida por estes detalhes


 
Trata-se da Echium perezii, uma planta do mesmo género do Massaroco, tão comum na ilha da Madeira e que eu já mostrara em post de Março/2009 nesta imagem:

 Tratava-se de uma pequena inflorescência com uns 15 cm de altura que estava num canteiro na entrada das instalações da REN (Rede Eléctrica Nacional) em Sacavém onde eu então trabalhava.

Soube o nome comum desta planta por um amigo madeirense que ao ver a fotografia disse logo: olha um Massaroco!

Na wikipédia refere que o Massaroco designa duas plantas do género Echium, a Echium candicans e a Echium nervosum.

As inflorescências da primeira medem de 15 a 35cm enquanto as da segunda vão de 5 a 16cm. Das imagens que vi na net inclino-me mais para a Echium candicans mas sem grandes certezas.

Por curiosidade fui ver a máquina que usei para a fotografia, de 27/Março/2009 14:05, constatando que se tratava dum telemóvel ainda da Nokia, o N95(8GB), um modelo ainda com teclas que deslizavam quando eram necessárias, conforme se vê na imagem de publicidade do aparelho


 


Lembro-me que as fotos saíam razoáveis quando havia muita luz, como foi o caso da foto do Massaroco.

Na procura de mais Echium na internet passei por este Echium wildpretii, foto de Yoko Arakawa

 

neste sítio de jardinagem Longwood Gardens, com a designação curiosa de “tower-of-jewels”, originais das Canárias, especificamente da ilha de Tenerife. Este sítio dos Longwood Gardens, na Pensilvânia, também merece uma visita, pelo menos uma virtual.

Fiquei a pensar que já vira algo que estas inflorescências me faziam também lembrar. Eram uns modelos de roupas da estilista Rei Kawakubo que referi neste post de Jul/2018

 

Julgava que os cones nas cabeças eram vermelhos como as “tower-of-jewels” mas afinal o que era vermelho eram as roupas, os cones pontiagudos nas cabeças eram amarelos ou loiros


 

2023-10-02

Frases muito infelizes irresistivelmente citadas

 

Sobre este texto retirado do Expresso Online de hoje:

«

“Não me parecia possível que uma pessoa roubasse a sua própria família. Mas depois, com o tempo que foi passando, deixei de ter qualquer espécie de dúvida sobre isso”

José Maria Ricciardi, antigo presidente do BES Investimento, sobre o seu primo Ricardo Salgado, em entrevista ao “Observador”

»

faço alguns comentários:

1) Um elemento duma família com o nome "Espírito Santo" deveria saber que somos todos irmãos e que a fraternidade não acaba nos limites da famiglia.

2) Uma pessoa crescida deveria conhecer a existência de guerras familiares, por vezes mesmo fratricidas, umas vezes causadas por emoções outras pela ganância.

É caso para dizer: que o Divino Espírito Santo o ilumine...

e para dar uma ajuda insiro uma imagem duma pomba, representando o Sagrado Espírito Santo

constatando ainda que nem os bloguistas escapam à observação do Guterres há uns bons anos: quando se fazem declarações públicas, a nossa frase mais infeliz será a mais citada.



2023-09-28

Quadro de N.C.Wyeth



Li no New York Times a história dum quadro a óleo comprado há 6 anos por 4 dólares numa loja de “velharias” e que foi vendido num leilão por 191 000 dólares!

Eu bem sei que o valor transaccional de um objecto não é intrínseco ao objecto mas exclusivamente determinado pelo encontro das vontades do vendedor e do comprador, vontades essas que dependem duma mistura de percepções e emoções subjectivas de parte a parte, mas este caso em que o mesmo objecto é transaccionado por 4 dolares e passados 6 anos por 191 000 dólares é um caso tão notável que mereceu referência na imprensa americana e internacional.

Fico a pensar como os valores de medições de grandezas físicas tais como comprimentos, velocidades, massas ou pesos, ou os valores de transações de compra e venda podem ter incertezas tão diferentes.

Em tempos referi que o entusiasmo de alguns economistas pelos mercados os levam a comparar o valor estimado por um especialista do peso duma vaca à venda num mercado com a média das estimativas de vários agentes desse mercado que nessa comparação são ungidos com a característica de “meros agentes de mercado não especialistas”. Dá-se o caso que uma balança devidamente aprovada por uma instituição credenciada fornece um valor para o peso da vaca melhor do que qualquer especialista ou conjunto de agentes do mercado, embora o  valor a que a vaca é transaccionada dependa exclusivamente do encontro de vontades de comprador e vendedor que, normalmente consideram entre muitos outros factores o valor do peso da vaca indicado pela  balança.

Este caso acaba por ser melhor explicado pela Bíblia, na parábola do filho pródigo. O quadro estava há anos em parte incerta como o filho pródigo que se ausentara da casa paterna. Quando finalmente o quadro foi encontrado o seu valor aumentou enormemente em relação a outros quadros do mesmo pintor que tinham estado em locais conhecidos.

Passando a mostrar um detalhe do quadro em questão

 



e a relatar o que encontrei no artigo da CBS News, fio da meada explicativa desta história.

Faço notar que se trata de uma de quatro ilustrações pintadas a óleo por Newell Convers Wyeth (1822-1945) para uma edição de 1939 dum romance famoso de Helen Hunt Jackson (1830-1885), intitulado Ramona, publicado pela primeira vez em 1884. Das quatro ilustrações da edição de 1939 apenas uma estava em sítio conhecido, depois desta descoberta falta ainda conhecer o paradeiro de outras duas.
A cena representa um momento de tensão entre Ramona, uma orfã de ascendência mista escocesa e nativa (“índia”), e a irmã da sua mãe adoptiva, a Señora Moreno, uma proprietária de terras mexicanas conquistadas ao México pelos EUA na sequência da guerra de invasão que os EUA levaram a cabo de 1846 a 1848.

Durante a migração sazonal dum grupo de trabalhadores nativos para a tosquia de ovelhas a Ramona apaixona-se por um elemento desse grupo e contra a oposição da senhora Moreno sai de casa para se casar com o nativo. Passa por muitas dificuldades, têm um filho, o nativo enlouquece e morre, ela regressa e passado algum tempo casa-se com o filho da senhora Moreno, entretanto falecida, têm mais dois filhos e ficam aparentemente felizes para sempre.

O romance teve tanto sucesso que alguns turistas que passaram a visitar sítios referidos no livro consideravam que as personagens livro tinham existido e habitado aqueles sítios.

Passo a mostrar a composição completa do quadro que me agrada

 


Entretanto o pintor N.C.Wyeth teve entre outros filhos o pintor Andrew Newell Wyeth (1917-2009) e avô de James Wyeth (1946- ).

O quadro mais famoso de Andrew Wyeth será talvez o “Christina’s World”  um quadro usando Têmpera, de 1948 no MOMA em Nova Iorque, representando a sua vizinha Cristina Olson, com doença degenerativa nas pernas,  numa rara saída da sua casa ao fundo no Maine.

 

Em tempos eu guardara uma obra da holandesa (neerlandesa) Ellen Kooi, uma fotógrafa e artista  que se inspirara no quadro de Andrew Wyeth para produzir esta imagem

 


 provavelmente com bastante bastante Photoshop no horizonte, para introduzir o que parecem fantasmas de linhas de transporte de energia em muito alta tensão, aerogeradores, torres de telecomunicações, etc, talvez mostrando que as alegadamente idílicas paisagens de casas isoladas no campo já não estão tão isoladas.

Agora achei curioso este reencontro inesperado.



2023-09-24

Imagem -1 x Função - 0

 

Fomos hoje dar uma volta no Parque das Nações, parei o carro no Rossio do Levante e fomos a pé à beira-rio até à foz do rio Trancão. Costumava fazer este caminho antes da Jornada Mundial da Juventude e constatei que o percurso tem agora muitos mais utilizadores e que adoptaram um caminho de terra batida em vez do anterior passadiço cuja manutenção devia ser bastante dispendiosa.

Fiquei impressionado com o número de bicicletas e com o excesso de velocidade com que circulavam muitas delas, considerando que estavam a partilhar uma via com os peões. Não são só os automóveis que andam por vezes com excesso de velocidade, o mesmo também acontece com as bicicletas e as trotinetas, fenómeno que não tem merecido ainda a atenção das autoridades do trânsito.

Em frente do "Skatepark Expo" (interrogo-me como se dirá isto em inglês, talvez "Expo Skatepark") com coordenadas 38.787415168249446, -9.092358641653366 encontra-se este caixote de cimento em que funcionaram sanitários, ricamente decorado com figuras que não apreciei

 


Mas o que verdadeiramente me chocou foi a indisponibilidade dos sanitários, que embora não fossem mantidos num grande nível tinham uma qualidade mínima que assegurava uma função necessária neste local durante muitos anos.

Há aqui um problema de prioridades, no meu caso daria prioridade à função do edifício em vez de à decoração.

 

2023-09-15

Palmeiras revisitadas

 

Há literalmente meia-dúzia de anos publiquei  num post esta imagem de palmeiras

 


do Hotel Alvor, em contra-luz, tirada em 2017-08-11 20:28 (ao fim da tarde) por um iPhone 4S.

No princípio de Agosto de manhã, em 2023-08-10 11:47, fotografei o mesmo conjunto de palmeiras usando um iPhone SE (2nd generation), em que mostro palmeiras e seu contexto

 

e depois um detalhe da mesma foto


Estas palmeiras são mantidas livres de palmas mortas, resultado duma jardinagem frequente que lhes dá um aspecto que aprecio.

 


2023-09-11

Transição de Agosto para Setembro


Quando vi as primeiras chuvas da transição habitual de Agosto para Setembro neste ano pensei que o clima afinal não estava tão diferente pois esta transição era um clássico, durante dois ou três dias caía uma chuvinha ou mesmo um aguaceiro de vez em quando, parecia que o Verão tinha acabado, mas logo a seguir aparecia o verdadeiro “Bom tempo”, uma atmosfera transparente pois a chuva arrastara para o chão as partículas em suspensão, fazia calor sem exageros na temperatura máxima do dia e as noites eram frescas.

Este ano, depois de 5 ondas de calor durante o Verão, a transição para Setembro com um tempo quase sempre nublado e períodos (curtos) de chuva já se arrasta há mais de uma semana em vez dos 2 ou 3 dias habituais.
 

Ontem em Portimão choveu na hora do almoço, como se constata na imagem seguinte

 



 e melhor ainda nos pingos água que caem da parte azul do toldo no detalhe da mesma foto

 


Entretanto achei curiosos os padrões repetitivos que a luz revelava ao atravessar o toldo
 

 


e da mesma foto com mais detalhe

 

As pessoas que tiveram que se ir embora do Algarve no passado fim-de-semana de 2 e 3/Setembro não perderam grande coisa, se bem que estes padrões geométricos no toldo sejam interessantes.

 

 

2023-09-07

Inumeracia - 4 (MCCL - DCXL = ?)


Noutro dia fui a um supermercado comprar comida já confeccionada, o que à falta de uma expressão consagrada em português se costuma chamar "Takeaway".

Disse então à empregada que queria um quilo e duzentos e cinquenta gramas de um determinado prato ao que ela respondeu:
- qual é a embalagem que quer levar?
ao que respondi:
- uma em que caiba a quantidade que pedi;
começando ela então a encher uma embalagem com a comida seleccionada tendo depois pesado a mesma e dizendo:
- tem 640g, quer mais ou esta chega?

ao que eu, constatando a inumeracia acentuada da empregada respondi:
- quero outra igual a essa.

A segunda embalagem pesava 772g, dando assim um total de 1412g, levei um pouco mais do que o "especificado".


Fiquei a pensar que se a funcionária tivesse vindo numa máquina do tempo do império romano teria tido dificuldade em avaliar a diferença entre MCCL gramas e DCXL gramas, a aritmética nesse tempo requeria um ábaco, agora, para muita gente, é preciso uma calculadora mas para esta funcionária nem com uma calculadora se safava.


Nota: Colocando a palavra "Inumeracia" na caixa de busca no canto superior esquerdo deste blogue aparecerão os posts (incluindo este) que contêm essa palavra, ou então usando o URL: https://imagenscomtexto.blogspot.com/search?q=inumeracia 


Melancolia

 

Num passeio solitário até ao fim do molhe da Praia da Rocha sentei-me encostado à torre do farol a ouvir e ver o mar-de-fora que chegava do Sul, sem vento forte a acompanhar.

Achei interessante esta composição com o mar tranquilo a nível macro, com uma esteira prateada do Sol sobre o mar no fim da tarde e com ondas contidas e frequentes que marulhavam nas pedras do fim do molhe, com um céu animado por nuvens e um barco à vela sobre o horizonte para humanizar o conjunto

Depois de fotografar surpreendeu-me que o telemóvel tivesse conseguido integrar tão bem a esteira de luz sem afectar o resto da fotografia e lembrei-me que recentemente pensara em usar o HDR (High Dynamic Range) no telemóvel sem conseguir descobrir como se acedia a essa técnica que referi neste post de 29/Maio/2020 sobre umas fotos tiradas uns dias antes.

Na sequência de busca sobre como voltar a usar o HDR constatei que no modelo iPhone SE que tenho desde Jan/2021 a opção "Smart HDR" é seleccionada por omissão, fazendo corresponder a fotografia melhor à nossa percepção, nomeadamente nas paisagens em que o céu contribui para grandes diferenças de luminosidade e mais ainda em esteiras de reflexos do Sol sobre o mar.

Diziam que usavam "Inteligência Artificial" para apurar se seria necessário usar a técnica de HDR e deixei a opção por omissão activa pois pareceu-me uma boa ideia facilitar o trabalho do fotógrafo amador como eu que não tem prática suficiente para usar de forma simples e eficaz as ferramentas disponíveis para ultrapassar as dificuldades colocadas por estes cenários com grandes diferenças de luminosidade.

Julgo aliás não ter fotografado algumas situações em que presumi, constato que erradamente,  que iriam ficar mal.

Mas voltando às imagens, o barco afinal não estava assim tão longe e passado poucos minutos já se podia ver com mais pormenor, tinha o nome de "Mar-me_quero", ainda não visível nesta foto

Entretanto deixei-me ficar mais algum tempo, contemplando o vai-e-vem da água do mar, moderadamente agitada por ondas contidas e frequentes



2023-09-02

Contrastes

 

Não vou aqui perorar sobre as idiosincrasias da moda mas apenas referir um contraste que me chamou a atenção numa piscina algarvia 

Trata-se do contraste entre o comprimento dos calções do banhista, que chegava a arregaçá-los antes de cada mergulho, e a exiguidade da peça de baixo do bikini da banhista.

Noutras ocasiões tenho observado situações inversas em que o homem está menos tapado do que a mulher, como quando os calções ficam acima do joelho e a mulher usa fato-de-banho, ou noutro exemplo fora de praia na imagem seguinte

 


que mostrei neste post de 2010 sobre uma visita a Xangai em que disse:

«Fiquei algo surpreendido com o "top" do homem mais jovem do grupo, com alças e um decote alargado, em forte contraste com o atabafamento da indumentária das mulheres, fazendo uma quase simetria com o que é mais habitual no Ocidente em que as mulheres usam frequentemente vestuário mais fresco do que os homens. »




2023-08-30

Ventoinhas


Num quarto da nossa casa na Prainha em que dormem vários netos, existe uma Mezzanine provavelmente instalada depois da montagem do sistema de Ar Condicionado Multi-Split, o aparelho desse quarto deveria estar mais alto.

Durante os picos das ondas de calor, que com as alterações climáticas em curso estão a ficar cada vez mais frequentes, a temperatura na Mezzanine fica excessivamente alta.
 

No ano passado tentámos usar uma ventoinha de chão na imagem ao lado, que tínhamos comprado numa estadia noutra casa mas o aparelho fazia muito barulho. Este ano, numa das ondas de calor usámos  mesmo assim esse aparelho barulhento durante duas ou três noites. Li na altura que existem pessoas, designadamente bébés, a quem a presença de ruído branco, típico por exemplo de ventoinhas e de canais de TV sem sinal, lhes facilita o sono tendo um efeito calmante.

Não era o caso de um dos netos que dormia bem se a ventoinha estivesse desligada quando adormecia mas que, caso acordasse por qualquer motivo, tinha depois dificuldade em adormecer com o ruído da ventoinha presente. Os dois beneficiados com a presença da ventoinha consideravam o ruído aceitável e a sensação térmica satisfatória.

Fui assim à procura de uma ventoinha menos barulhenta. Eu lera na revista Proteste da DECO que os valores de decibéis (o decibel (dB) é neste caso uma medida da intensidade sonora causada por uma equipamento ou presente num ambiente como composição de vários sons num local específico) publicados pelos fabricantes de ventoinhas costumavam ser inferiores ao valor real.

Pensei que se comprasse outra ventoinha de modelo diferente mas da mesma marca, seria provável que se os decibéis publicados pelo fabricante fossem diferentes, a ventoinha com menos decibéis faria menos ruído. As lojas de electrodomésticos não costumam ter ambientes em que se avalie em boas condições o volume sonoro provocado por uma ventoinha num quarto silencioso na ausência dela, daí a dependência nos valores de ruído publicados pelos fabricantes

 
Comprei a ventoinha na imagem ao lado que tinha um ruído publicado de 53,5dB enquanto a que referi acima produzia 57dB.  

Constatei que esta diferença de 3,5dB é muito significativa, sendo a diferença neste caso entre o aceitável e o inaceitável.  O quadrado contendo a primeira ventoinha tinha de lado 40cm mas o diâmetro das pás da ventoinha era apenas de 30cm. O diâmetro da 2ª ventoinha era 40cm. A potência da 1ª era 40W enquanto a 2ª era 45W. Os preços eram equivalentes, no intervalo 20 a 30€ em que a primeira era ligeiramente mais cara.

O empregado que me atendeu na loja, se bem que simpático e acedendo facilmente aos dBs dos vários modelos de ventoinha tinha excesso de imaginação ou uma formação deficiente. Disse-me que o 1º equipamento que aqui referi se tratava de um ventilador enquanto o segundo era uma ventoinha, quando no sítio da loja referiam qualquer um dos equipamentos como ventoinhas. Pior ainda “informou-me”, se bem que referisse não estar completamente seguro, que os ventiladores enviavam mesmo ar mais frio do que o ar existente na sala enquanto as ventoinhas se limitavam a mover o ar ambiente.

Nas buscas de “ruído de ventoinhas” a maior parte dos artigos era sobre ventoinhas de computadores. A Wikipédia tem entrada sobre ventoinhas mas, como é habitual, a versão em inglês é muito mais  completa do que a escrita em português. Cita um documento da “UK Health and Safety Executive”, o regulador britânico para a um local de trabalho saudável e seguro, sobre 10 medidas mais eficazes para redução do ruído. Numa delas refere que reduzir a velocidade duma ventoinha para metade poderá reduzir o ruido em 15dB dado que o ruído será proporcional à quinta potência da velocidade da ventoinha. Uma redução de 10% reduziria 2dB e de 20% seria menos 5 dB.

A Mecânica de Fluidos é um tema demasiado complexo para eu avaliar a razoabilidade destas últimas considerações. Talvez algum engenheiro mecânico se pronuncie sobre elas.


 

2023-08-25

Separação de Lixo na Prainha

 

No aldeamento da Prainha situado na freguesia de Alvor no concelho de Portimão existe uma ilha ecológica que apresenta este triste espectáculo, frequentemente em Julho e Setembro e permanentemente no mês de Agosto.

 


Nos outros meses do ano, em que é produzido pouco lixo separado, a ilha tem pouca valia pela inexistência do mesmo. Quando existe não é recolhido.

Mais uma vez se gastou dinheiro numa infraestrutura que a Câmara Municipal de Portimão se tem mostrado incapaz de manter em funcionamento.


2023-08-24

Visitas de insectos

 

Além do Grilo, que visitou a nossa casa em meados de Julho, temos tido outras visitas de insectos, não contando com alguns mosquitos que têm sido exterminados na quase totalidade com as raquetes eléctricas chinesas que referi em post antigo.

Neste mês de Agosto fomos visitados por um gafanhoto que pousou sobre um telemóvel em carregamento conforme se pode ver na figura
 



e a seguir num detalhe da mesma foto
 


Uns dias antes tinha sido um Louva-a-deus que pousou no topo das costas de um sofá e que quando aproximei o telemóvel para o fotografar virou a "face" na minha direcção, dando lugar à observação na sala que o Louva-a-deus estava a olhar para mim, como se constata na figura

 



 
Confirmei agora na Wikipédia que os Louva-a-deus têm os dois olhos frontais permitindo visão estereóscópica como os predadores vertebrados, associados à sua alimentação exclusiva de animais vivos com dimensão parecida à sua ou mesmo maiores.

Tinha a memória que nas relações entre sexos, quer os Louva-a-deus quer algumas Aranhas tinham o hábito desagradável de as fêmeas devorarem os machos que as tinham copulado. Constatei agora na Wikipédia que se trata dum costume frequente entre insectos e aracnídeos.

O habitat de uma casa contém zonas em que estes animais ficam muito mais muito expostos do que no meio de vegetação. Neste caso o Louva-a-deus foi capturado numa caixa de plástico e devolvido ao exterior da casa e o gafanhoto voou para fora por meios próprios.


2023-08-22

Construção na Areia de Nadador-Salvador

 

Numa das raras ocasiões em que levei o telemóvel para a praia tive a oportunidade de fotografar esta construção na areia, com numerosos cones quase perfeitos, demarcando aparentemente um caminho que deveria ser deixado liberto de guarda-sóis para o nadador-salvador não tropeçar em banhistas quando vai socorrer alguém aflito no mar.


Existem umas cordas de cor laranja, difíceis de ver na imagem , que unem os vértices dos cones.

Não voltei a ver esta construção efémera, conjecturei que seria algum aluno de Arquitectura ou de Belas Artes que se entreteve nos tempos livres a realizar esta instalação.



2023-08-21

Fotografias


O meu cunhado João Brisson, que se reformou há uns tempos, tem a intenção de iniciar um blogue em que apresentará umas fotografias da sua autoria.

Entretanto, sendo perfeccionista, tem frequentado uns cursos online sobre a arte fotográfica que se têm revelado desafiantes, pois não só cada fotografia pode ser melhorada com algum processamento como, mais difícil ainda, pode ser melhorada de muitas maneiras, não existindo frequentemente uma que seja melhor do que todas as outras.

Já para não falar da possibilidade, que uso com alguma frequência, de derivar de uma fotografia do telemóvel um conjunto de imagens distintas, dado que o meu aparelho ainda não tem zoom e quando enquadro um motivo fica também na foto uma data de coisas à volta por acréscimo.

Quando fomos a Monchique anteontem o meu cunhado fotografou no formato raw, revelou e enviou-me um conjunto de fotos para eventual publicação neste blogue e assim passo a mostrar umas petúnias lilases

 


seguidas de flores de Lantana Camara brancas e amarelas

 

e outras flores de Lantana Camara amarelas e vermelhas

 

seguidas de uma Petúnia com nervuras

 

e de outra que me lembrou o “vermelho Ferrari”

 

e que o  Google Images identificou como uma “Barberton Daisy” uma flor originária do Sueste de África do género Gerbera

Ainda nesta série de flores veio esta rosa muito vermelha, será de timidez?

 




2023-08-10

Estou idoso

 

Quem clicou sobre a minha foto no canto superior direito deste blogue terá visto no meu perfil  minimalista que nasci em 1949, fazendo portanto 74 anos em 2023.

Como julgo não haver uma idade a partir da qual se passa a considerar uma pessoa como "idosa", a transição será um pouco vaga.

Mas existem indícios de que uma  pessoa está no clube dos idosos, por exemplo quando lhe foi atribuída uma pensão por velhice, ou quando numa conversa sobre quando aconteceu alguma coisa, ao dizer que foi há 10 ou 20 anos lhe replicam "estás enganado, isso foi há 30 ou 40".

Desta vez, num folheto dum remédio, que me foi receitado numa das raras vezes  em que tive tonturas ligeiras, dizia entre outras coisas que um tratamento devia ser feito durante dez dias com uma toma de um comprimido ao pequeno-almoço e de outro ao  jantar. Acrescentava que para idosos a dose recomendada era meio comprimido. Senti-me idoso e já tomei o meio comprimido incial.

Nos "blisters" costumo marcar com marcador indelével para acetato os dias das tomas, para evitar as hesitações sobre se já tomei o remédio ou ainda não.

Desta vez escrevi mesmo em cima da semi-calote esférica que contém cada comprimido, normalmente escrevo ao lado. Notar que a foto confirma que já tomara o primeiro meio-comprimido do dia inicial que foi 9/Ago/2023.



2023-08-02

Ex-presidente Donald Trump acusado pela terceira vez


O ex-presidente Donald Trump acaba de ser alvo de uma terceira acusação por um grande júri, a mais grave das três, relacionada com:

-  Conspiração para defraudar os Estados Unidos (alegações infundadas sobre existência de fraudes na eleição presidencial de Nov/2020);

- Conspiração para obstruir um procedimento oficial  (a homologação das eleições e confirmação de Joe Biden como Presidente eleito dos Estados Unidos)

- Obstrução de e tentativa de obstruir um procedimento oficial (incitamentos ao ataque ao capitólio em 6/Jan/2021);

- Conspiração contra direitos  ( dos americanos votarem e dos seus votos serem contados)

O acusação tem 45 páginas, duas ordens de grandeza menor do que, por exemplo, a acusação do Processo Marquês com as suas 4000 páginas.

O Procurador independente (no sentido de não ser funcionário público) Jack Smith foi nomeado em 18Nov2022 pelo United States Attorney General Merrick Garland para investigar o tratamento dado por Donald Trump a documentos classificados armazenados em residências suas e o seu papel no ataque ao Capitólio por desordeiros em 06Jan2021.

O tratamento dado aos documentos classificados foi alvo de uma acusação em 08Jun2023 (a segunda) e sobre 06Jan2021 tivemos a acusação concluída em 01Ago2023.

A primeira acusação ocorreu em Nova Iorque em Março/2023 sobre compra do silêncio de uma prostituta.

Talvez a América ainda consiga ultrapassar o perigo que representa Donald Trump.

Este post é um resumo muito abreviado do que apareceu na BBC no final de 1/Ago/2023.


Adenda: Um exemplo a seguir em Portugal pela Procuradoria Geral da República, uma acusação inteligível pelo público em geral, dum crime de enorme complexidade, em 45 páginas:

Full Trump Indictment Text (45 pages) Annotated by The New York Times

 

 

2023-07-15

Alimentando um Grilo com Alface

 

Da minha infância lembro-me de nos verões na Praia da Rocha irmos depois do jantar à Fortaleza de Stª Catarina, que na altura tinha um Restaurante, uma Esplanada e uma Casa de Gelados, onde se reuniam as famílias que andavam no veraneio. Nessas noites mais ou menos quentes um dos passatempos dos infantes era capturar os grilos cuja posição era denunciada pelos sonoros cri-cri que emitiam frequentemente.

Ontem à noite apareceu-me um sem fazer cri-cri mas a tentar entrar na casa térrea onde estamos e consegui agarrá-lo com sucesso pelo que me pareceram as pernas traseiras.

Depois, para mostrar a proeza aos netos, meti-o num pequeno recipiente de vidro para alimentos com tampa de plástico e, lembrando-me que se dizia que os grilos comiam alface, pus um bocadinho de alface no recipiente/prisão,

Esta manhã fui surpreendido pelo grilo já ter "processado" o bocadinho de alface que lhe deixei ontem à noite, bocadinho parecido ao que aparece na foto que tirei esta manhã

 

Na dúvida coloquei uma moeda para impedir que o recipiente ficasse hermeticamente fechado.

A seguir mostro o grilo em grande plano, noutro enquadramento da mesma foto

 


Esta noite vou libertar o grilo para evitar que fique obeso.


 



2023-07-11

Arbusto na areia revisitado, mais um pouco de nostalgia

 

Voltei a fotografar este arbusto que já mostrei aqui, nesta foto de 15/Set/2015

 


porque reparei que tinham cortado os ramos mais baixos deste arbusto como se constata nesta foto de 1/Jul/2023 



Nesta foto, além do arbusto majestoso, aparecem duas das poucas vivendas que não foram demolidas para dar lugar a prédios de 4 a 10 andares, numa urbanização feita ao sabor das influências e do tráfico de favores no município de Portimão.

Na vivenda do lado esquerdo da foto, que teve um aumento de construção importante na segunda metade do século XX, vivia a família de Lopo Tavares e Dª Mercedes, esta última da família Feu em que uma parte estava envolvida na indústria das conservas de Portimão, cuja fábrica Feu Hermanos é actualmente um museu municipal interessante dessa indústria em Portimão. A casa foi herdada pelo filho Lopo Tavares (às vezes referido como Lopinho para distinguir do pai) no final do século XX e não me lembro de ver aquelas portadas das janelas alguma vez abertas até há pouco tempo (talvez menos de um ano) em que, com o falecimento  do "Lopinho" Tavares os herdeiros voltaram a abrir as portadas das janelas!

No topo direito da foto, à frente de prédios, aparece uma vivenda dos tempos da Art Déco de que falarei mais adiante neste post.

Dado o estado de triste degradação do jardim municipal sobre a arriba entre a vivenda do lado esquerdo e a fortaleza de Stª Catarina suponho que o corte dos ramos mais baixos se terá devido a intervenção de alguém da casa de Lopo Tavares.

As principais diferenças entre arbustos e árvores são a altura, com uma fronteira por volta dos 3 ou 4 metros, ficando os arbustos abaixo dessa fronteira e as árvores adultas acima, e a existência de vários caules a sair do solo nos arbustos e de um caule único no caso das árvores.

As opiniões dividem-se sobre a supressão dos ramos mais baixos, sobretudo no caso das árvores. Há quem diga que podar ramos vivos prejudica sempre a árvore, outros que referem que os ramos mais baixos acabam por morrer mais cedo, dado o menor acesso à energia solar por estarem na sombra dos ramos mais altos, pelo que podá-los apenas apressa o que iria acontecer em breve.

As vantagens na poda dos ramos mais baixos consistem num maior acesso à luz na vizinhança da árvore, em desimpedir vistas eventualmente interessantes, num aumento da área de sombra disponível para os seres humanos e num aumento da segurança dado que a árvore não se presta a ocultar pessoas mal intencionadas. Neste  caso talvez sirva para evitar a acumulação de lixo que poderia originar odores desagradáveis.

Mostro a seguir um enquadramento de uma parte da imagem anterior

 


 e outro contendo só o arbusto

 


Regresso entretanto à casa no topo direito da imagens anteriores, compondo volumes paralelipipédicos com cilindrícos, de paredes brancas e estores verde escuro, casa da Dª Alice Fernandes, mãe do Nuno Nazareth Fernandes, engenheiro mecânico que segundo a Wikipédia foi "compositor, letrista, cartoonista, fotógrafo, poeta e guionista português" e que se tornou figura pública ao compor a música de 3 canções vencedoras dos festivais  RTP da canção nos anos de 1967, 1969 e 1971. Na consulta da entrada da Wikipédia deste compositor descobri que o avô materno de Nuno Nazareth Fernandes, Joaquim Agostinho Fernandes foi um empresário de grande sucesso e coleccionador de Arte. Entretanto a casa foi vendida e dividida em vários apartamentos que são comercializados na net como parte da "Vila Mirante, Praia da Rocha".

Em 21/Ago/2017 fotografei algumas das vivendas ainda existentes na Praia da Rocha e na altura tirei esta foto da Vila Mirante:


Hoje apeteceu-me substituir os prédios atrás da moradia por céu azul monocromático R=71, G=104, B=173, ligeiramante mais claro do que uma amostra da foto original, devia ser assim que a vivenda aparecia quando foi construída.