2021-03-30

Local da Reunião China - Estados Unidos da América de 19Mar2021

 

 Achei estranho que a reunião que teve lugar no dia 19/Março/2021 entre representações diplomáticas do mais alto nível entre os Estados Unidos da América e a República Popular da China se tivesse realizado na cidade de Anchorage, no Alasca.

Fui então ao Google Earth medir as distâncias entre Beijing e Washington D.C. e entre estas cidades e Anchorage e ainda entre elas e Honolulu, capital do estado do Hawai situado no meio do Pacífico.

Gravei os arcos de círculos máximos encontrados pela ferramenta do Google para medir distâncias que mostro na figura a seguir 


seguida duma tabela  com as coordenadas obtidas na Wikipédia para cada uma das cidades e as distâncias arredondadas à centena de kilómetros nas várias hipóteses.

Para Anchorage a delegação americana teve que se deslocar 5500km enquanto a chinesa se deslocou 6400km, dando uma soma de 11900km, apenas 700km mais do que os 11200km mais do que a distância entre Beijing e Washington D.C..

Constata-se também que Honolulu seria uma má solução se privilegiarmos a minimização do gasto de combustível de ambos os aviões pois o total das deslocações seria então 7800+8200=16000km, mais 4800km do que a solução de Anchorage.

 

Latitude

Longitude

Ortodrómica

 

 

 

 

km

 

Anchorage

61º13'N

149º54'W

 

 

 

 

 

5,500

Washington D.C.

 

 

 

6,400

Beijing

Honolulu

21º18'25"N

157º51'30"W

 

 

 

 

 

7,800

Washington D.C.

 

 

 

8,200

Beijing

 

 

 

 

 

Washington D.C.

38.99101ºN

77.0147ºW

 

 

Beijing

39º54'24"N

116º23'51"E

 

 

 

 

 

 

 

Washington D.C.

 

 

11,200

Beijing

 

As duas potências não precisaram dum terreno neutro numa terceira parte para se encontrarem, contudo as relações bilaterais não estão atravessando um bom momento pelo que a realização alternada em cidades mais interessantes de ambos os países foi posta de lado.

A cidade de Anchorage, cidade pequena de 300.000 habitantes com um bom aeroporto parece uma boa solução para uma reunião bilateral de trabalho, minimizando o gasto de combustível fóssil do conjunto das delegações.

Quanto ao "jet lag" o local da reunião deve ser pouco relevante pois cada delegação, para uma reunião de um dia, estará numa situação semelhante a uma reunião por teleconferência. A distãncia horária entre Beijing e Washington D.C. é de 11 horas pelo que é sempre delicado encontrar horas apropriadas para ambas as delegações.

Mesmo assim recolhi os tempos locais dos vários sítios que são Anchorage UTC-9, Washington D-C. UTC-5, Beijing UTC+8 e Honolulu UTC-10.

Quanto à reunião propriamente dita começaram por acusações públicas mútuas de desagrado com o comportamento do outro e depois, da parte não pública da reunião, disseram no final que tiveram progressos substantivos.

 

 

2021-03-26

Mortes por COVID-19 em vários países

 

Parafraseando Tolstoi, em relação ao COVID-19, cada país é infeliz à sua maneira.

Fui ao Worldometers sobre COVID, ordenei na tabela existente dos países por ordem decrescente do número total de mortos por COVID/milhão de habitantes desde 15/Fev/2020 até hoje (26/Mar/2021) e seleccionei os seguintes, por ordem não consecutiva de posição nessa triste coluna: República Checa, Hungria, Bélgica, Reino Unido, Itália, Estados Unidos da América, Portugal, Espanha,  França, Brasil, Suécia, Suíça, Alemanha.

Os que nesta lista aparecem antes de Portugal tiveram mais mortos/milhão de habitantes, depois são os que tiveram menos.

Os países com grande área e população desta lista, os EUA e o Brasil, não tiveram períodos com número de mortes muito reduzido pois a pandemia vai "viajando" pelo país, como tem acontecido aliás na Europa.


A imagem que mostro é a "Slide sorter view" duma apresentação Power-point que está disponível no meu Google Drive aqui.


2021-03-24

Algarve em Março (2)

 

 Nestas arribas de grés alaranjado os caminhos dos peões ficam mais nítidos nesta estação

 


 e ao lado do passadiço de madeira que agora segue ao longo da praia de Alvor existem algumas partes com um toque de jardinagem, como no corte de algumas folhas da Agave da foto que segue

 


 mesmo as rochas no meio da areia da praia têm verdes viçosos no cocuruto

 


e terminamos a subir o caminho que já fotografámos a descer, no post anterior

 


 

 

Algarve em Março

 

No Algarve em Março, em anos com pluviosidade na média, a paisagem tem um verde exuberante, como neste pequeno talude

no caminho para a Prainha em Alvor


No novo telemóvel a câmara fotográfica apresenta os melhoramentos dum intervalo de 8 anos, idade do telemóvel substituído em Janeiro/2021 e quando se tira uma foto


hesita-se cada vez mais em mostrar além do enquadramento original uma "ampliação" dum detalhe


e finalizo mostrando arribas da Prainha, a praia de Alvor e a da Meia-praia, seguida de Lagos e da Ponta da Piedade lá ao fundo




2021-03-16

Templo Balaji em Bilakalagudur, Andra Pradesh, Índia


Registei-me no sítio da revista The Architectural Review e vou recebendo emails com informação sobre o que vão publicando.

Recentemente fui agradavelmente surpreendido por esta foto duma obra projectada por Sameep Padora + Associates

   (15°40'34.38"N  78°26'17.33"E)

que vinha acompanhada por este texto:
“ O templo Balaji está quase noutro mundo em relação aos tipos históricos de templos indianos na forma como instala  os seus elementos, como os fixa no sítio, como dissolve as fronteiras entre os espaços sociais e os sagrados e como generosamente acolhe os visitantes”.

Talvez numa manhã fresca


 

e quando já vai alto o sol


À procura do significado de “Balaji”  fui dar à entrada “Venkateswara” da Wikipédia onde consta:
«
Lord Venkateshwara (Sanskrit: वेङ्कटेश्वर, IAST: Vēṅkatachala, Telugu: వేంకటేశ్వర స్వామి, Tamil: வெங்கடேஷ்வரா), also known as Śrīnivāsa, Bālājī, Vēṅkateswara, Venkata Ramana, Yedukondalavasa, Aapadamokkulavadu, Thirupathy Timmappa, Ezhumalaiyaan, Malaiyappa swamy and Govindha,[1] is a form of the Hindu god Maha Vishnu.
»

Trata-se portanto de um templo dedicado a Vixnu, um dos 3 deuses principais do hinduísmo, sendo Brama o criador, Vixnu o que conserva e Siva o que destrói, se bem que este último também seja considerado um criador pois por vezes a criação pressupõe alguma destruição.

A primeira impressão que tive foi de grande tranquilidade, provavelmente favorecida pela planície verdejante, pela superfície da água em espelho e pela revisita da silhueta de uma torre (sikhara) desta vez com uma forma geométrica simples sem qualquer decoração, ao contrário do que é habitual nos templos hindus, uma espécie de abstracção da essência de um templo.

Recordo aqui uma animação sobre templos hindus do arquitecto Adam Hardy que fez este filme objecto dum post antigo deste blogue que volto a mostrar aqui para facilitar consulta





Na procura que fiz deste templo cheguei a e este sítio da ARCHEYES com esta ficha técnica

«
    Architects: Sameep Padora & Associates
    Location: Nandyal, Andhra Pradesh, India
    Design Team: Sanjana Purohit, Vami Sheth, Aparna Dhareshwar, Kunal Sharma
    Client: Anushree Jindal, JSW Cement
    Topics: Limestone, Temples
    Area: 2.5 Acres
    Project Year: 2020
    Photographs: © Edmund Sumner
»

com fotografias de que mostro algumas mais à frente neste post, e um texto dos arquitectos muito interessante.

Dele retirei este troço:
«...
This building, too, repeats or emulates certain tropes of the Hindu temple so that it is recognizable as a temple. Yet, it doesn’t replicate those tropes but instead breaks them down to constituent parts to then again reconstruct it.

 One looks at the relationship of the temple and the Kund (stepped water tank), as a contradictory yet complementary one of binary opposites. It is a relationship between a solid and a void between reaching out to the sky and going deep into the ground about accretion and excavation.

This relationship, which is so apparent, often is unnoticed. Here, by employing the same architectural device (steps or corbels), one makes this explicit and yet delightfully abstract. Suddenly, it becomes evident that the Kund (stepped water tank) is the inverted negative of the shikhara (spire), and it leads one to reread this whole debate between the two, even in the temples of the past.
...
»

que me fez reparar que num templo indiano o elemento “torre/montanha” que tenta chegar ao céu e os “degraus (ghat)” que levam ao habitual lago do templo são o “negativo” um do outro.




Na “Architecture Digest” tem outro artigo interessante sobre este templo e é possível que a simplicidade do templo se deva também a servir pequenas povoações vizinhas cujos habitantes se dedicam à agricultura e provavelmente também a trabalhos na fábrica de cimento JSW Cement que financiou esta obra promovida por Anushree Jindal.

Finalizo com uma imagem tirada de um ângulo parecido mas noutra luz, talvez também de manhã, disponível no Google



Equinócio da Primavera

O equinócio da Primavera em 2021 é já no próximo sábado dia 20/Março/2021 às 09:37 (TMG).

Entretanto na App do meu telemóvel está que hoje, dia 16, em Lisboa o nascer do Sol foi às 06:44 e o pôr-do-sol será às 18:44 o que significa, entre outras coisas, que a duração do dia é igual à duração da noite, 12 horas para cada um.

Claro que as definições de início e fim do dia têm as suas subtilezas mas na minha App as durações do dia e da noite foram hoje iguais.



2021-03-09

Eugène Delacroix

 

Seguindo as sugestões do João Miguel vi um documentário no canal ARTE, sobre a obra do pintor francês Eugène Delacroix,  referido como um precursor dos impressionistas e um iniciador do movimento dos "Orientalistas", um conjunto de pintores europeus que se dedicaram a apresentar versões mais ou menos fantasiosas do Oriente exótico, sobretudo do mundo árabe incluindo o Norte de África.

Gostei de ver a descrição da viagem que Delacroix fez com um diplomata francês até Meknès, então residência do sultão marroquino, e do seu encantamento com o ambiente tão diferente da Europa desses tempos.

Estes documentários recorrem a reconstituições com actores e figurantes, de diversas cenas passadas, para tornar a apresentação mais interessante.

Gostei particularmente da reconstituição dos eventos associados a um casamento no seio da comunidade judia marroquina desse documentário intitulado "Eugène Delacroix, d'Orient et d'Occident" de que mostro  uma breve sequência 


 

de onde retirei  este instantâneo

tratando-se duma reconstituição plausível do que poderá ter originado o quadro de Delacroix intitulado "Noces Juives au Maroc" fazendo parte da colecção do museu do Louvre que mostro a seguir


Tendo a suspeita de que havia muita fantasia no Ocidente àcerca da vida nos haréns li há muitos anos um livro da Fátima Mernissi de que gostei, numa edição em português intitulada "O Harém e o Ocidente". Entretanto emprestei o livro que se extraviou, no Wook dizem que edição está esgotada, talvez compre versão em francês.

Também gostei deste quadro "Femmes d'Alger" do mesmo pintor







2021-03-05

O Padrão dos Descobrimentos

 

Sempre gostei muito deste monumento em Lisboa, frente ao Tejo, quer pelo simbolismo de ir em viagem


quer pelas figuras do escultor Leopoldo de Almeida


de fotografia de 2015 que fui buscar à entrada da Wikipédia sobre este monumento

Na entrada do monumento tem esta dedicatória:

"AO INFANTE D. HENRIQVE E AOS PORTVGVESES QVE DESCOBRIRAM OS CAMINHOS DO MAR"

dando merecido destaque à procura de caminhos para encontrar novas terras e novas gentes.

A Revista do jornal Expresso de 26 de Fevereiro de 2021 tem um artigo da Guta Moura Guedes que sublinha este "Ir ao Encontro".
 

 

 



2021-02-28

Combóios


Recebi há uns dias um filme mostrando um combóio chinês de mercadorias compridíssimo, puxado por 4 locomotivas e com mais de 100 vagões transportando contentores. Andei à procura do filme na internet mas sem sucesso. Por outro lado encontrei este 

  

de 25/Nov/1014 sobre o “caminho de ferro mais longo”, um combóio que liga Yixinou ou Yiwu (uma cidade localizada 300km a sul de Xangai na província de Zhejiang) a Madrid em Espanha, alegadamente com 82 vagões e puxado por apenas uma locomotiva, numa viagem de cerca de 13.000 km que faz em 21 dias, enquanto o trajecto Moscovo-Vladivostok tem apenas 9.200km.

Dado que o combóio das 4 locomotivas era mostrado num troço em espiral, é possível que precisasse de mais locomotivas para vencer o desnível desse troço específico.

Transportar mercadorias de barco, de avião ou de combóio depende do que os clientes estão dispostos a pagar e do prazo de entrega desejado. De uma forma geral o avião é o mais rápido e com o preço mais alto por kg, o barco é o mais lento e com o preço mais baixo por kg e o combóio está entre os dois limites, quer de prazo de entrega quer de preço por kg.

Constatei entretanto que os meus conhecimentos geográficos eram bastante vagos na área da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) que eu confundia com o império russo, sendo incapaz de localizar com exactidão a maior parte dos países que ficaram independentes após o colapso da URSS. Fiz um post sobre este assunto.

Acompanhando o filme com as 4 locomotivas vinha um pequeno texto referindo que a viagem de Xangai a Londres passava por esta sequência de países: Cazaquistão, Rússia, Bielorrússia, Polónia, Alemanha, Bélgica e França. A minha ignorância ia ao ponto de pensar que seria necessário ir apanhar o transiberiano ao porto russo de Vladivostok. O mapa seguinte da entrada “Trans-Eurasia Logistics” da Wikipédia

mostra as 3 vias férreas mais comuns para o trânsito de mercadorias entre a China e a Europa. 

A mais directa passa pelo Cazaquistão, único país que é necessário atravessar até chegar a Petropavlovsk, ainda no Casaquistão mas “apenas” a uns 2.400 km (por estrada) para chegar a Moscovo. Petropavlovsk está a cerca de 60km da fronteira com a Rússia e a 630km da cidade de Yekaterinburg, cidade importante com cerca de 1,4 milhões de habitantes cujo nome é a forma russa de Catarina I, mulher do Czar Pedro o Grande. Obtive estas distâncias por estrada pedindo direcções na aplicação Google Maps que contém abundantes vistas de rua (Street View) na Rússia, sendo muito raras em Almaty e Astana (respectivamente antiga e actual capital do Cazaquistão) e inexistente em Petropavlovsk, uma povoação pequena.

Tive curiosidade em ver as estradas indicadas na Rússia para ir para Yekaterinburg e mostro a vista de rua no Google Maps da estrada P354 tomada em 56º32’17.82”N 61º24’00.06”E, quando passa por baixo de algumas linhas de MAT (Muito Alta Tensão) 


Depois tirei vistas de rua da mesma estrada nestas coordenadas 56º18’39.75”N 62º33’01.17”E, precisamente numa passagem elevada sobre uma linha de caminho de ferro

 mostrando a seguir a linha férrea

que presumo ser a usada pelos combóios chineses, que se constata ser uma via dupla electrificada neste troço.

Sobre combóios de passageiros na Ásia Central (e noutras zonas) encontrei este sítio onde vi este mapa 

Entretive-me a marcar com uma linha verde no Google Earth o caminho que um combóio chinês percorre entre Urumqi e Hamburgo, além do troço de círculo máximo entre Yiwu (referida no início deste post) e Madrid

Constata-se que o círculo máximo entre Yiwu e Madrid (10353km) passa pela Mongólia mas só por acaso seria economicamente interessante construir uma linha seguindo esse traçado. Constata-se que o trajecto nos territórios russo e bielorusso seguem de forma aproximada o círculo máximo. A via pelo Xinjiang maximiza a parte do trajecto percorrida em território chinês. 

A cidade de Urumqi com 3,5 milhões de habitantes é a capital da região autónoma Xinjiang (que em português era antigamente designada por Sinquião, conforme consta no meu globo terrestre de 1976) , região com 25 milhões de habitantes dos quais 45% pertenciam à etnia Uigur e 40% à etnia Han no censo de 2010. Além do mandarim a língua Uigur também é um idioma oficial.

Passei por um artigo de investigação sobre como optimizar a logística do transporte de vários locais da China para vários locais da Europa e visitei “Rail Transport” da Wikipedia de onde tirei este mapa 

que resume a densidade de linhas de caminho de ferro em todo mundo

constatando-se que o império britânico não conseguiu realizar a ligação por linha férrea do Cabo ao Cairo.

Depois fui verificar as bitolas existentes em todo o mundo e existem mesmo muitas, conforme se constata neste mapa 

onde se vê contudo que de Yiwu a Madrid será necessário mudar “apenas” em 3 fronteiras: 

- China-Cazaquistão

- Bielorússia-Polónia

- França-Espanha 

 

 

2021-02-26

Colapso da URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

 

Tenho visto ultimamente alguns documentários sobre combóios e constatei entretanto que os meus conhecimentos geográficos eram bastante vagos na área da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) que eu confundia com o império russo, sendo incapaz de localizar com exactidão a maior parte dos países que ficaram independentes após o colapso da URSS em 1991. Retirei dum artigo da Wikipédia sobre os Estados pós-soviéticos o mapa que mostro a seguir

Repúblicas da União Soviética, resultantes da cisão de 1991: 1 Arménia, 2 Azerbeijão, 3 Bielorússia, 4 Estónia, 5 Geórgia, 6 Cazaquistão, 7 Quirguistão, 8 Letónia, 9 Lituânia, 10 Moldávia, 11 Rússia, 12 Tajiquistão, 13 Turcomenistão, 14 Ucrânia, 15 Uzbequistão 


Conhecendo bem a localização dos 3 Estados bálticos Estónia. Letónia e Lituânia, dos 3 países mais a oeste, a Bielorrússia, a Ucrânia e a Moldávia e das 3 repúblicas do Cáucaso, a Geórgia, a Arménia e o Azerbeijão, não fazia ideia da posição relativa das repúblicas da União Soviética na região da Ásia Central, o Casaquistão, o Turcomenistão, o Uzbequistão, o Tajiquistão e o Quirguistão.

Tinha facilidade em designar o Casaquistão por ser o que tem muito maior área e sabia que o Uzbequistão tinha fronteira com o Afganistão, mas pouco mais. Ainda sobre a Ásia Central tirei este mapa da Wikipédia que mostra a região com mais detalhe e ainda as 3 repúblicas do Cáucaso.

A seda chinesa já chegava à Europa em pequenas quantidades no tempo do Império Romano pelo que é natural que ao longo dos séculos a Rota da Seda tenha passado por diferentes traçados e tenham sido usadas vias inteiramente terrestres ou misturas de troços terrestres e marítimos, como refere por exemplo a Khan Academy.

 As vias exclusivamente terrestres tendiam a passar pelo Sul do mar Cáspio designadamente por Samarcanda, nome de cidade que fixei como sítio exótico embora não me lembre porquê, no Uzbequistão.

Num globo das Selecções do Reader’s Digest que comprei provavelmente nos finais dos anos 70, que verifiquei agora ter “© 1976 Scan-Globe Danmark”, que constatei na internet ser um “Vintage”, tinha demarcadas as várias Repúblicas que constituíam a URSS mas, quando iluminadas por lâmpada interior do globo, tinham todas a mesma côr (à semelhança do Brasil e também da Alemanha, dividida entre a República Federal e a Alemanha de Leste) enquanto os Estados dos E.U.A. tinham direito a cores diferentes.

 De vez em quando ouço falar de várias regiões da Rússia que julgo ter actualmente a estrutura de uma Federação. Essas regiões são mostradas neste mapa a seguir, intitulado “Federal Subjects of Russia”

e alguns dos nomes são-me familiares. Desconheço o grau de burocracia que ocorre quando o combóio Transiberiano muda de uma região para outra. De S.Petersburgo para Moscovo vai-se directo num TGV, passando por vários Oblasts sem se dar por isso mas talvez na Sibéria seja mais complicado. 

 

2021-02-12

Aumentar a testagem?

 

Fui ver o sítio do Worldometers sobre o COVID-19 ontem por volta das 9 da noite.

O número total de óbitos por milhão de habitantes em Portugal, aumentou bastante nos meses de Novembro e Dezembro de 2020 mas sobretudo de forma catastrófica durante o mês de Janeiro/2021.

Sabe-se que o abrandamento do confinamento no Natal e as  muitas reuniões familiares da época, a disseminação da variante inglesa do vírus, o recomeço de todas as aulas de forma presencial e a onda de frio terão concorrido para esta terceira vaga de dimensão assustadora. O governo terá provavelmente falhado nalgum ou em vários aspectos do controlo da pandemia mas não está completamente determinado o que falhou para termos uma agravamento destas proporções.

Ouvi demasiadas vezes que o SNS (Serviço Nacional de Saúde) estava próximo do limite quando para mim era evidente que o limite de funcionamento já tinha sido ultrapassado e que o sistema esteve durante muito tempo a funcionar em sobrecarga.

Parece-me razoável que se definam parâmetros para confinar quando um conjunto de valores pré-determinados atinjam um determinado limiar, para evitar que o SNS volte a entrar em sobrecarga. O facto de um eventual critério não ter sido publicado não quer dizer que ainda não exista. Seria bom que existisse.

Ordenei a tabela de países e territórios por ordem decrescente do número de mortes por milhão de habitantes, retirei países e territórios com população inferior a 1 milhão e obtive a lista que mostro na tabela abaixo. Dos quase 200 países Portugal ocupa o 7º lugar em maior número de mortes por milhão de habitantes e ao ritmo actual de mais de 100 mortes diárias é provável que a nossa posição ainda piore.

# Country, Deaths/
Other 1M pop
1 Belgium 1,851
2 Slovenia 1,769
3 UK 1,696
4 Czechia 1,658
5 Italy 1,535
6 Bosnia and Herzegovina 1,489
7 Portugal 1,462
10 USA 1,458
11 North Macedonia 1,424
12 Hungary 1,394
13 Montenegro 1,384
14 Bulgaria 1,378
15 Spain 1,373

Ordenei a mesma tabela  por ordem decrescente do número de testes por milhão de habitantes, retirando também países e territórios com população inferior a 1 milhão  e obtive a lista que mostro na tabela abaixo. Dos quase 200 países Portugal está em décimo primeiro lugar. Não pondo em causa que será melhor testar mais do que menos, não compreendo como estando o país numa boa posição neste parâmetro porque é que aumentar o número de testes poderá ser de tão grande importância como agora é voz corrente.

#

Country,

Tests/

Other

1M pop

1

UAE

2,765,857

2

Denmark

2,549,117

3

Bahrain

1,638,625

4

Israel

1,226,674

5

UK

1,178,587

6

Singapore

1,156,723

7

Cyprus

1,142,658

8

USA

991,094

9

Hong Kong

940,992

10

Spain

765,140

11

Portugal

756,227

12

Belgium

751,168

13

Lithuania

740,305

14

France

726,206

15

Russia

723,422

16

Latvia

685,446

17

Ireland

657,561

18

Norway

654,017

19

Czechia

626,747

Talvez a nossa velocidade de comunicação do teste deixe a desejar e existe a sensação que o rastreio é muito insuficiente.

 Vou parar por aqui este exercício de achismo.


2021-02-06

Fé Bahá


Numa volta um pouco mais extensa do que o percurso diário habitual pelo bairro dos Olivais passei por esta vivenda na Rua Cidade de Nova Lisboa, tendo desta vez reparado melhor no anúncio do bicentenário do BÁB e sobretudo no lindo medalhão geométrico, de simetria central assimilável a uma estrela de 9 pontas. 

 




Desta vez li uns tantos avisos numa vitrine e entre eles estava uma citação de um texto de Eça de Queiroz em “A Correspondência de Fradique Mendes” em que se referia o desenvolvimento duma nova religião chamada Babismo.

Fui reler o livro do Eça de Queiroz que tem quatro páginas dedicada a esta nova religião tendo assim sido o meu primeiro contacto sobre a respectiva existência mas que entretanto esquecera. Apresento o texto no post anterior a este.

Já sabia que esta vivenda era um centro da Fé Bahá, uma religião de cuja existência eu julgara ter tomado conhecimento pela primeira vez quando vi esta imagem de um templo em forma de flor de Lótus, cujas formas me lembraram  a lindíssima Ópera de Sydney que vira também em fotografias, o que me levou a visitá-lo em 2/Maio/1993 em New Delhi na Índia e donde trouxe este postal ilustrado, na altura as máquinas fotográficas usavam rolos e tinha esgotado o meu stock.


Na altura tomei nota que se tratava de uma nova religião que surgira na Pérsia, na segunda metade do século XIX, sendo uma espécie de “sequela” das “religiões do livro”, primeiro o Judaísmo, depois o Cristianismo, a seguir o Islamismo e agora a Fé Bahá.

À entrada do recinto era necessário deixar os sapatos, como nas mesquitas e nos templos indus, dentro do recinto além da expectável multidão de indianos estavam também uns australianos vestidos de branco que iam encaminhando os visitantes. Dentro do templo amplo e luminoso não existiam estátuas, nem imagens, nem altar e existiam bancos (com espaldar) corridos de madeira para os visitantes se sentarem.

Vi agora que o arquitecto foi Fariborz Shahba, um iraniano que se licenciou em Teerão, viveu no Canadá e que agora reside na Califórnia. Desenhou também os terraços Bahá em Haifa, Israel,



onde se encontra o túmulo do Bab(1819-1850), um profeta precursor desta religião, com um papel análogo ao de S.João Baptista no Cristianismo anunciando em 1844 a vinda futura de um Prometido e que acabou os seus dias condenado à morte e fuzilado em Tabriz.

O Prometido foi Bahá'u'lláh (1817-1892) que nasceu em Teerão, em que esteve preso 4 meses tendo sido desterrado para o império Otomano (maioritariamente sunita) em 1853. Aí viveu em Bagdade(1853-1863), Constantinopla(parte de 1863), Adrianópolis(1863-1868) e Acre e Haifa(1868-1892) em que faleceu.

Tendo chegado a Haifa em 1868 constata-se que antecedeu a criação por Theodore Herzl da Organização Sionista Mundial em 1897.

Retirei boa parte destas informações do sítio do Povo de Bahá e outras da Wikipédia.

Quando revisitei Delhi em 2001, desta vez com a minha mulher, fomos visitar o templo onde tirei esta foto


 que dá uma ideia melhor das multidões visitantes.

Na procura na internet de imagens do poster que mostrei acima fui dar a este sítio onde vi que o autor foi Joe Paczkowski um artista gráfico que dedica bastante tempo a criar “estrelas com uma simetria com 9 pontas“, um número pouco habitual mas muito apreciado na arquitectura dos templos Bahá.

Vi ainda este projecto de um novo templo Bahá em Bihar Sharif de que mostro uma maquete virtual


Tomei conhecimento do fornecimento em 2011 pela firma portuguesa Porcel, das telhas douradas que substituíram as existentes na cúpula do santuário do BAB em Haifa mostrado em imagem acima. Foram projectadas para durar pelo menos 200 anos, incorporando 26kg de ouro puro,  sendo objecto duma reportagem da RTP disponível aqui.




O Babismo em "A Correspondência de Fradique Mendes"

 

Digitalizei 5 páginas da do livro "A Correspondência de Fradique Mendes", numa edição «Livros do Brasil» da coleçção "Obras de Eça de Queiroz" com fixação do texto e notas de Helena Cidade Moura. 

Desfoquei as partes inicial e final para que o texto se restringisse ao que se refere ao Babismo e às fantasias de Eça de Queiroz de ser apóstolo duma religião recém-nascida. Fradique Mendes é uma personagem inventada por Eça, uma espécie de pseudónimo com quem pode contracenar.

Este texto algo longo aparece aqui como apoio do post posterior sobre a fé Bahá, em que o refiro.







2021-01-25

A Inauguração de Joe Biden / Kamala Harris e o poema de Amanda Gorman

 

Depois da invasão do Capitólio por uma multidão de desordeiros incitados por Donald Trump o mandato foi concluído sem desacatos adicionais, com a excepção das dezenas de indultos do então presidente a um conjunto de colaboradores próximos que ou estavam acusados ou já tinham sido condenados por actos realizados aparentemente para benefício do presidente, se bem que não tenha sido provada a existência de uma ordem presidencial directa.

Parece-me existir aqui um conflito de interesses na concessão destes indultos a colaboradores próximos, é uma espécie de auto-perdão mas, pelo menos, não foi usado um auto-perdão explícito, talvez por a última juíza nomeada para o Supremo Tribunal ter respondido à pergunta se um auto-perdão presidencial seria válido que ninguém nos EUA está acima da lei.

Gostei do discurso de Joe Biden nesta Inauguração (nós diríamos tomada de posse), apelando à unidade  do seu país que por ironia outros têm chamado os "Estados Desunidos da América".

Chamou a atenção para o esforço permanente que requer a manutenção da democracia pois na sociedade americana (como noutras, diria eu) existem zonas sombrias que têm que ser contidas. Falou da invasão recente do Capitólio e da importância da verdade. O original pode ser visto e lido aqui.

Destaquei estes 3 parágrafos:

«...
Through the Civil War, the Great Depression, World War, 9/11, through struggle, sacrifice, and setbacks, our "better angels" have always prevailed.

And here we stand, just days after a riotous mob thought they could use violence to silence the will of the people, to stop the work of our democracy, and to drive us from this sacred ground. That did not happen. It will never happen.

Recent weeks and months have taught us a painful lesson. There is truth and there are lies. Lies told for power and for profit. And each of us has a duty and responsibility, as citizens, as Americans, and especially as leaders -- leaders who have pledged to honor our Constitution and protect our nation — to defend the truth and to defeat the lies.

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Também se destacou na cerimónia a recitação deste poema da Amanda Gorman, uma americana de 22 anos de idade que podemos ver neste video

com este texto:

The Hill We Climb

When day comes we ask ourselves,
where can we find light in this never-ending shade?
The loss we carry,
a sea we must wade
We've braved the belly of the beast
We've learned that quiet isn't always peace
And the norms and notions
of what just is
Isn’t always just-ice
And yet the dawn is ours
before we knew it
Somehow we do it
Somehow we've weathered and witnessed
a nation that isn’t broken
but simply unfinished
We the successors of a country and a time
Where a skinny Black girl
descended from slaves and raised by a single mother
can dream of becoming president
only to find herself reciting for one
And yes we are far from polished
far from pristine
but that doesn’t mean we are
striving to form a union that is perfect
We are striving to forge a union with purpose
To compose a country committed to all cultures, colors, characters and
conditions of man
And so we lift our gazes not to what stands between us
but what stands before us
We close the divide because we know, to put our future first,
we must first put our differences aside
We lay down our arms
so we can reach out our arms
to one another
We seek harm to none and harmony for all
Let the globe, if nothing else, say this is true:
That even as we grieved, we grew
That even as we hurt, we hoped
That even as we tired, we tried
That we’ll forever be tied together, victorious
Not because we will never again know defeat
but because we will never again sow division
Scripture tells us to envision
that everyone shall sit under their own vine and fig tree
And no one shall make them afraid
If we’re to live up to our own time
Then victory won’t lie in the blade
But in all the bridges we’ve made
That is the promise to glade
The hill we climb
If only we dare
It's because being American is more than a pride we inherit,
it’s the past we step into
and how we repair it
We’ve seen a force that would shatter our nation
rather than share it
Would destroy our country if it meant delaying democracy
And this effort very nearly succeeded
But while democracy can be periodically delayed
it can never be permanently defeated
In this truth
in this faith we trust
For while we have our eyes on the future
history has its eyes on us
This is the era of just redemption
We feared at its inception
We did not feel prepared to be the heirs
of such a terrifying hour
but within it we found the power
to author a new chapter
To offer hope and laughter to ourselves
So while once we asked,
how could we possibly prevail over catastrophe?
Now we assert
How could catastrophe possibly prevail over us?
We will not march back to what was
but move to what shall be
A country that is bruised but whole,
benevolent but bold,
fierce and free
We will not be turned around
or interrupted by intimidation
because we know our inaction and inertia
will be the inheritance of the next generation
Our blunders become their burdens
But one thing is certain:
If we merge mercy with might,
and might with right,
then love becomes our legacy
and change our children’s birthright
So let us leave behind a country
better than the one we were left with
Every breath from my bronze-pounded chest,
we will raise this wounded world into a wondrous one
We will rise from the gold-limbed hills of the west,
we will rise from the windswept northeast
where our forefathers first realized revolution
We will rise from the lake-rimmed cities of the midwestern states,
we will rise from the sunbaked south
We will rebuild, reconcile and recover
and every known nook of our nation and
every corner called our country,
our people diverse and beautiful will emerge,
battered and beautiful
When day comes we step out of the shade,
aflame and unafraid
The new dawn blooms as we free it
For there is always light,
if only we’re brave enough to see it
If only we’re brave enough to be it


Gostei também desta entrevista de Anderson Cooper da CNN à poeta, 

 

em que ela revela o seu mantra de preparação de sessões de recitação de poemas:

«
I'm the daughter of black writers
We're descended from freedom fighters
Who broke through chains and changed the world.
They call me.

»