2015-11-14

Guerra em Paris e Instituto do Mundo Árabe


À medida que o mundo se vai globalizando aumenta também a globalização das consequências dos desastres que antes eram mais locais.

Na Europa tivemos essa experiência em 1914-18 e depois com maior intensidade em 1939-45.

Foi pouco depois desta última devastação que foi criada a União  Europeia, precisamente para tentar evitar a Guerra na Europa através do aumento de trocas comerciais, que além de serem mutuamente benéficas, criariam laços de amizade e de interesses mútuos.

Ama o teu próximo como a ti mesmo ou, não matarás (sobretudo o teu próximo visto que é aquele que deves amar) seria assim estendido aos clientes e f ornecedores. A ética do homo economicus desaconselha que se mate quer o nosso cliente quer o nosso fornecedor de artigos que podemos revender com boa margem ou obter para consumo a preço muito interessante.

Não se tem conseguido até agora estabelecer relações económicas mutuamente vantajosas entre o Ocidente e o Médio Oriente onde, para complicar mais as coisas, persiste uma cultura da morte mais acentuada do que no Ocidente.

Por cá já se apreciou muito os actos de heroísmo da carne para canhão da Guerra de 1914-18 e de vez em quando há quem fale que já não há valores pelos quais valha a pena dar a vida (morrendo). Felizmente tem-se observado uma evolução no Ocidente para lutar por valores pelos quais se dá a vida vivendo.

Mas não se pode continuar a “ignorar” os desastres que se desenrolam no Médio Oriente porque eles acabam por vir dar à nossa porta, como ontem aconteceu com estes atentados horríveis em Paris. Com esta escalada do nível de violência o Ocidente terá que intervir com maior intensidade nos seus vizinhos. Resta determinar como melhorar a estratégia seguida até aqui que acaba de se revelar insuficiente.

Há quem se interrogue porque será a França um alvo importante dos atentados terroristas. Mesmo assim o atentado que causou maior número de mortos na Europa continua a ser o da estação da Atocha em Madrid. Mas existe uma razão simples, a França tem uma interacção forte com o mundo árabe e é um bode espiatório externo muito óbvio quando as coisas correm mal por lá.

Não é por acaso que existe em Paris o Institut du Monde Arabe, uma organização com sede num edifício magnífico inaugurado em 1987 do arquitecto Jean Nouvel e Architecture-Studio ( ).

Uma das fachadas tem este aspecto exterior




que vista no detalhe se constata ser composta de vidro e dispositivos metálicos de geometruia variável cuja imagem fui buscar aqui




tendo reduzido o número de pixels na imagem anterior e enquadrado o detalhe na imagem seguinte, mostrando que cada orifício do dispositivo metálico tem uma dimensão regulável




e usando padrões geométricos de inspiração tão frequente na decoração dos edifícios árabes.

Na imagem seguinte mostro o interior do edifício cuja imagem fui buscar aos prémios Aga Khan para Arquitectura




constatando-se o sucesso na criação dum ambiente que capta a atmosfera de alguns edifícios dos países em que é preciso alguma protecção contra o excesso de luz.


2015-11-10

Outono, nova Estação, nova Situação (reforma) e talvez novo Governo


Lisboa não é o sítio ideal para contemplar os amarelos, laranjas, acobreados e vermelhos da vegetação, mais  comuns e tão bonitos em maiores latitudes.

Em Portugal lembro-me de ter visto uma composição notável de rectângulos de várias cores das vinhas nas encostas do vale do Douro, na antiga estrada de 120 curvas de Lamego para a Régua, mas ultimamente não tenho passado por lá nem por outros sítios do país onde provavelmente existirão florestas de alguma dimensão com árvores de folhas caducas.

Assim limito-me a mostrar uns ramos duns carvalhos do Parque das Nações que já referi num post em Nov/2013 (http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2013/11/carvalhos.html ) que dão pelo nome quercus palustris, vulgo carvalho-vermelho-americano.





Esta manhã dei um passeio à beira-Tejo de manhã, já na minha nova condição de reformado, desde o dia 1 de Novembro deste ano, e constatei neste conjunto de árvores a falta de tons Outonais de que me “queixei” acima:




Este ano o Verão de S.Martinho em curso foi precedido de alguma chuva pelo que os campos amarelados do fim do Verão deram lugar a esta erva muito verde, ainda na beira-Tejo:




Quem quiser ver tons outonais clássicos deve-se dirigir ao 2 Dedos de Conversa onde a Helena Araújo nos continua a oferecer fotografias de cores de Outono e de nuvens em vales de grande beleza.

Parece que os acordos do PS com os outros partidos da esquerda irão viabilizar um governo PS com apoio parlamentar.

A agressividade dos discursos recentes da direita têm-me levado a pensar na montanha-russa pela qual tem passado: de uma derrota anunciada por praticamente toda a gente passou a uma esperança de que o PS não tivesse a maioria absoluta, depois entreviu a possibilidade da coligação ter uma maioria relativa que se concretizou na noite das eleições, com uma continuação governativa praticamente assegurada, para afinal começar a aperceber-se que essa continuação estava gravemente ameaçada, depositar esperanças numa luta interna do PS, em que a facção liderada por Francisco Assis se revelou afinal de pequena dimensão e talvez alguma esperança em problemas de última hora das negociações do PS com os parceiros.

Tenho achado alguns dos argumentos da direita muito fracos, designadamente:
- a insistência na existência de um vencedor e de um derrotado numa eleição em que existem mais do que dois concorrentes;
- a referência a uma tradição que não tem nada de essencial no âmbito da nossa Constituição e cuja existência derivava da dificuldade que sempre existiu na prática do PS fazer acordos à esquerda;
- a ânsia de poder do António Costa e uma sua alegada arrogância, argumento que a maior parte das vezes deriva da projecção sobre o outro dos seus próprios problemas;
- a referência constante à NATO, como se esse fosse um tema falado ou com alguma relevância nas discussões políticas nos últimos 4 anos.

Aguardo com espectativa os próximos capítulos que podem trazer muitas surpresas.

Noto com agrado que na sondagem apresentada no ultimo Expresso a popularidade de António Costa é muito superior à de Passos Coelho e que depois do acordo as pessoas continuariam a votar no PS, BE e CDU em percentagens semelhantes às observadas na eleição, demonstrando assim a incorrecção da conjectura de que as pessoas votariam de forma significativamente diferente caso soubessem antes que seria possível a celebração de acordos do PS à sua esquerda.

2015-11-01

Semente de Ulmeiro (?)


Ao pé da minha casa nos Olivais Sul existem dois ulmeiros que já referi em 3 posts deste blogue.

Num deles refiro que em Maio de 2015 fiz germinar uma ou duas sementes dos milhares que os ulmeiros estavam a largar, como habitualmente, nesta última Primavera.

As sementes germinaram bem numa floreira pequena numa varanda.

Entretanto, na esperança de obter um ulmeiro-bonsai, fui regando regularmente a floreira, o que deve ter despertado um conjunto apreciável de ervas talvez classificadas como "daninhas" mas que deram um aspecto que me agradou em Julho de 2015:




de que mostro um zoom




entretanto chegou Agosto em que estive no Algarve e quando voltei em Setembro apenas o ulmeiro se mantinha verde, tendo sobrevivido até agora, como se constata na foto que tirei ontem






2015-10-26

Château de Chantilly


Situado 40km ao norte de Paris o Château de Chantilly, situado em Chantilly, tem aquelas decorações de ouro sobre branco cujo enorme sucesso as tornou um bocado "enjoativas". Contudo, agora que já não estão constantemente a aparecer, "reconciliei-me" com elas, achando-lhes um certo encanto.

Mostro um canto de uma sala do referido Château



seguido dum  pormenor numa parede


e dum motivo num painel mais pequeno.


Não consigo identificar a origem das formas usadas nestas decorações, à parte serem vagamente vegetais.


2015-10-20

Os Mitos do Estado Social Português



Foi publicado há pouco tempo este livro muito interessante de Pedro Adão e Silva  e de Mariana Trigo Pereira sobre os Mitos que são divulgados pelos inimigos do Estado Social ou, mais simplesmente por pessoas que não se dão ao trabalho de se informar sobre estes temass.

Os seres humanos têm a capacidade de conceber situações diferentes das que ocorrem actualmente, o que lhes permite progredir para situações melhores do que a actual. Mas além de possíveis movimentos para situações piores, esta capacidade extraordinária de conceber mundos diferentes da realidade torna também possível a Mentira, usada para condicionar o pensamento e as convicções sobre o que é possível e o que não é possível de atingir na sociedade em que vivemos.

Este livro que na Introdução fala sobre o papel destes Mitos organiza-se depois em 8 capítulos sobre outros tantos Mitos que são versões deturpadas da realidade ou, mais simplesmente, mentiras.

1º Mito: Portugal tem um Estado Social acima das suas possibilidades

2º Mito: Os políticos usam a despesa social para ganhar eleições

3º Mito: O Estado Social está falido

4º Mito: A prioridade do Estado Social é ajudar os mais pobres

5ª Mito: O sistema de pensões é injusto porque muitos pensionistas recebem pensões milionárias

6º Mito: Não fora o terceiro sector e a sociedade portuguesa não teria respostas sociais

7º Mito: Os beneficiários de pensões muito baixas são todos pobres

8º Mito: A culturade dependência e as fraudes minam o Estado Social

O livro tem 192 páginas, lê-se com agrado, com explicações claras sobre todos os assuntos.


Lembrei-me dum post que publiquei há bastante tempo mostrando um vídeo da Martha Nussbaum sobre a necessidade da sociedade apoiar todos os seus membros.

2015-10-17

Nobel da Medicina de 2015


Quando li “A Riqueza e Pobreza das Nações” de David S. Landes impressionou-me a descrição dada pelo autor das difíceis condições de vida dos habitantes das zonas tropicais, designadamente das doenças que os atacavam.

A Malária será a mais comum, quer em número de casos quer no conhecimento da sua existência, até porque já foi endémica por cá, principalmente nos arrozais dos vales do Sado, Tejo e Mondego tendo sido dada por erradicada de Portugal pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 1973 (1).

Já a Oncocercose também chamada “cegueira dos rios” será menos conhecida em Portugal, infectando 18 milhões de pessoas em  todo o mundo, localizadas sobretudo na África Tropical e no Brasil. É causada por um tipo de nemátodo (antigamente os nemátodos chamavam-se nematelmintas). Os nemátodos são cilíndricos e com comprimento não excedendo os 2,5mm. Os que parasitam o homem vão causando diversas perturbações ao hospedeiro que, quando não tratado, pode ficar cego ao fim de alguns anos. Um dos vectores da transmissão é uma mosquinha que no Brasil chamam “borrachudo” (Simuliidae, ver também Black fly) provocando feridas com tendência para infectar nos tornozelos das pessoas.

Mostro uma imagem de “Te Ara, The encyclopedia of New Zealand, Story: Sandflies and mosquitoes”



que me fez lembrar o livro “Castaway” de Lucy Irvine que referi neste post onde ela falava dos problemas do companheiro com as picadas das “sand flies” de que encontrei também outra imagem aqui (de uma companhia de seguros).



Nem sempre estas picadas levam a infecções parasitárias graves mas causam sempre terríveis comichões.

Para não ficarem dúvidas sobre a minha preferência por ambientes urbanos onde a natureza é apresentada em jardins bem mantidos refiro ainda os problemas dos militares americanos estacionados em Hawijah no Iraque e de turistas nas Caraíbas.

Mas chegando finalmente ao título deste post, o prémio Nobel da  Medicina de 2015 foi atribuído (da esquerda para a direita) a William C. Campbell (irlandês), Satoshi Omura (japonês) e Tu Youyou (chinesa).




Metade do prémio foi para os dois primeiros (verminoses) enquanto a outra metade foi para Tu Youyou que descobriu a Artemisinina, importante no combate da Malária e que acabou por se revelar também interessante no combate a alguns vermes que parasitam os seres humanos.

A atribuição pela primeira vez de um prémio Nobel (adenda: da Medicina) a uma pessoa chinesa é um evento com significado. Também a academia sueca passou a considerar a China como um “membro de pleno direito” da sociedade das nações, neste movimento até agora irresistível de globalização e de reocupação do lugar importante que a China viu interrompido no ultimo par de séculos.

A origem do projecto não é muito entusiasmante, tendo alegadamente resultado duma diligência de Chou-en-Lai junto de Mao Tsé Tung para autorizar um projecto de pesquisa, apoiada na medicina tradicional chinesa, para descobrir remédio eficaz para mosquitos que se tinham tornado resistentes à cloroquina, droga que perdera eficácia nos mosquitos que atacavam os guerrilheiros do Vietnam do Norte nomeadamente no trilho de Ho-Chi-Minh, cheio de túneis, por onde se deslocavam para o Vietname do Sul. Não foi portanto uma preocupação associada ao bem estar da população mas mais uma necessidade militar.

De qualquer forma a consulta a textos antigos chineses facilitou a selecção da planta que continha o princípio activo Artemisinina e a consulta mais profunda dos textos ajudou também na selecção do método de extracção de Artemisinina que deveria ser feito com água à temperatura ambiente, no sentido de pouco quente.

Nos textos que li e uma pessoa chinesa com quem falei transmitiram-me a existência de dúvidas sobre a adequação da atribuição do prémio a uma única pessoa, tratou-se dum trabalho envolvendo muita gente. Contudo, a nobelizada terá a oportunidade de dizer isso mesmo na cerimónia em Estocolmo, vamos ver o que acontece.



(1) Malária: Passado, Presente e (que) Futuro, Alexandra L.A. Esteves (Malária: Passado, Presente e (que) Futuro)

2015-10-13

Manter a calma


Houve alterações inesperadas nas posições tradicionais do PCP e do BE de recusa sistemática de apoio a um governo do PS.

Se bem que fosse prático contar com a permanência dessas tradições, seria uma incompreensível resistência à mudança recusar a análise das potencialidades dessa mudança, por mais inesperada que fosse.

Vejo assim com agrado os esforços de António Costa para encontrar soluções viáveis e adequadas para um governo de Portugal, devidamente apoiadas na Assembleia da República.

Já na viabilidade de soluções concretas não me sinto com capacidade para as avaliar.

É provavelmente por esta minha situação ser frequente entre os eleitores que existe a democracia representativa.

E não acho graça aos argumentos retóricos dos que alegam conhecer o sentido do meu voto.

Para reduzir a tensão deste período agitado, publico esta imagem doutro fim de tarde à beira Tejo, tirada em 2014-08-06.





2015-10-08

Luz de Outubro


Não garanto que esta luz seja de Outubro mas parece. Trata-se de uma obra de dois irmãos russos, Alexey e Sergey Tkachev, artistas que pintavam alguns quadros em conjunto e outros em obra individual.


Um nasceu em 1922 e o outro em 1925, fazem parte do Impressionismo russo que constatei estar pouco  representado na Wikipédia. Encontrei referências às obras deles aqui, aqui e aqui.




2015-10-04

Meditar




Há quase um ano passei em Bruxelas por uma galeria de arte (Alfican), na Place du Grand Sablon, onde decorria a exposição de Halil Faïk anunciada no catálogo que mostro aqui ao lado.

O artista nasceu na Bélgica de pai turco e mãe belga, optou pela nacionalidade belga, licenciou-se em Filosofia, ensinou História da Arte e começou a dedicar-se à pintura e escultura como hobby, informações que reproduzo do seu site.



Eu falo de vez em quando no Nirvana que, tanto quanto entendo corresponde à ausência de desejo, o que me parece pouco entusiasmante se bem que confortável, ao impedir a frustração dos desejos não realizados.

Para atingir o Nirvana uma das vias será através da meditação, em que aparentemente se tenta esvaziar a mente de pensamentos. Parece-me um programa monótono e que tão pouco me entusiasma.



Talvez com o avançar da idade se torne um programa mais atractivo e por isso me pareceu um pouco forçada a juventude da modelo desta estátua.



Fiquei mesmo a pensar que era pouco comum ver mulheres em meditação e ao tentar no Google (meditation statues and sculptures) a esmagadora maioria das imagens que apareceram eram do Buda. Houve porém esta excepção



de uma mulher fazendo meditação mas com roupas ocidentais e um ar moderno, não se tratando portanto de uma representação clássica. Pareceu-me assim que o escultor queria representar uma mulher nua e, na procura de uma posição original, lembrou-se da posição de lótus.

Na exposição havia ainda esta capa de livro


e entre outras este bronze que mostro de frente



e de perfil





2015-10-02

Votar no dia 4 de Outubro


Tenho ouvido e lido tanta gente a dar palpites sobre em quem se deve votar que desta vez não resisti: é um grave erro dizer que todos os políticos são mentirosos. Não são todos mentirosos. Há uns que não mentem há os que mentem apenas em situações muito excepcionais e há os que mentem constantemente como o actual primeiro-ministro.

Gostava que Passos Coelho abandonasse o cargo e considero que António Costa, um político com experiência em cargos governativos que desempenhou com competência, que não tem mentido e que tornou público um programa aceitável (ao contrário do actual governo que fez umas promessas a Bruxelas que não divulgou) merece a oportunidade de corrigir os graves erros cometidos pelo governo actual. Vou votar no PS.

2015-10-01

Rafael Bordalo Pinheiro


Gosto de alguma parte da obra de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), designadamente das representações estilizadas de vegetais.

Gostei particularmente desta cerâmica que comprei



que me fez lembrar os ciprestes do Vincent van Gogh (1853-1890). Ocorreu-me que o Van Gogh seria bastante posterior ao Bordalo embora, pensando melhor, tenha ido verificar as datas de nascimento e morte, constatando que foram contemporâneos. Tenho aliás noutro post uma cronologia de alguns pintores em que constava o Van Gogh mas não o Rafael Bordalo Pinheiro.

É possível que tenha havido influência de um sobre o outro mas inclino-me mais para a influência do "espírito do tempo" comum a ambos.

A certa altura duvidei que a peça fosse mesmo do Bordalo mas consta do catálogo da loja online do Bordalo Pinheiro e chama-se "Travessa Folha 31", o que perdendo em poesia ganha em exactidão.



2015-09-29

Uma ajuda para compreender as sondagens


É difícil compreender a realidade política de Portugal e, bem vistas as coisas, de qualquer país, pelo que qualquer ajuda é preciosa.

O blogue "Margens de Erro" do politólogo Pedro de Magalhães dá-nos essa ajuda. A frequência dos textos tem tido um padrão: são raros os posts fora das campanhas eleitorais, são frequentes durante as mesmas.

Esta regra manteve-se durante a campanha em curso, com textos esclarecedores sobre a montanha russa das sondagens com que os media nos bombardeiam quase diariamente.

O post "Um guia para os perplexos", publicado em 28/Set/2015, é também muito interessante.

2015-09-14

Passos Coelho, o Mentiroso


De vez em quando faço uns comentários sobre a política em Portugal mas, atendendo a que é uma área de actividade onde existe tanta gente emitindo grande quantidade de opiniões, prefiro dedicar-me a outras actividades menos concorridas e onde poderei chamar a atenção para coisas que talvez tenham passado despercebidas, em vez de repetir mensagens que já foram emitidas centenas de vezes.

Todavia, dada a aproximação das eleições, fiz agora uma busca neste blogue para “Passos Coelho” e obtive os posts que passo a referir:

- 2014-06-08 θέατρο (teatro)
de que destaco:
“Foi por causa da surpresa manifestada, mais uma vez, pelo primeiro-ministro Passos Coelho pelas decisões do Tribunal Constitucional (TC). ... O primeiro-ministro, como  mentiroso compulsivo, gosta de fazer discursos em que finge acreditar no que está a dizer.”

- 2013-05-07 Primavera de 2013 e Mau Governo
em que disse:
“Achei interessante a imagem do Pedro Marques Lopes, quando diz numa crónica recente no DN que «...Ninguém tem a mínima confiança em Passos Coelho. O primeiro-ministro pode anunciar que à noite se seguirá o dia, que ninguém acredita....» e actualmente tento não ouvir o primeiro-ministro em directo, limitando-me a ler os resumos noticiosos posteriores, pois ele já me mentiu tantas vezes que a sua presença me é desagradável.”

- 2012-12-04 Penteados
 
- 2012-10-10 O pior governo
em que escrevi:
“…Depois desta diatribe direi ainda que é possível que existam algumas justificações razoáveis para algumas das medidas tomadas pelo governo. Mas as evidências a que tenho acesso como cidadão anónimo convencem-me que o governo mente deliberadamente em muitos temas, tem falta de respeito por pensionistas e funcionários públicos, favorece amigos, é temeroso dos detentores do capital e aprova medidas de flagelação dos trabalhadores (supressão dos feriados) sem impacto económico que não seja cair nas boas graças dos “mercados”.

Não me lembro de ter tido tão pouca confiança nos membros de um governo como neste que, parafraseando uma classificação usada pela direita contra o governo de Sócrates, me parece ser o pior governo que Portugal teve desde a revolução de 25/Abril/1974.”

- 2012-07-16 Acórdão do Tribunal Constitucional (nº353/2012)
em que consta:
“…Havendo tantos interesses importantes em jogo será talvez inevitável que as discussões sobre contas públicas incluam distorções importantes dos números e das verdadeiras razões de diversas medidas. É provável que isso aconteça em muitos países, em Portugal as discussões são às vezes surreais, motivo porque escolhi este quadro do Magritte, chamado Golconda, com uma chuva de homens de chapéu de côco.

Os homens da troika já não vestem assim mas as teorias que têm nas suas cabeças são tão semelhantes umas às outras como dois quaisquer chapéus de côco se assemelham entre si.”



***


Fazendo a busca com a palavra “mentiras” obtive mais 4 posts, 3 deles sobre o governo de Portugal, mas não os incluo aqui.

Continuo a considerar que Pedro Passos Coelho mentiu aos eleitores em 2011 para chegar ao poder, quis ir para além da troika (disse-o alto e bom som) aplicando um programa que teve efeitos desastrosos para os portugueses e não merece ser reeleito.

Nestas eleições espero que os portugueses votem num partido que não seja dirigido por um mentiroso.

Há quem diga que a  coligação ainda não colocou uma imagem de Passos Coelho nos cartazes porque prejudicaria a companha. Mesmo assim não me apeteceu colocar imagens neste post.


2015-09-11

Agave Americana revisitada


De vez em quando falo da Agave Americana, conforme se pode constatar colocando a palavra "Agave" na caixa de busca existente no canto superior esquerdo deste blogue.

Como referi noutro post, "Estas plantas, depois de passarem uns 10 ou 15 anos tranquilas, dá-les um frenesi reprodutivo que lhes é fatal pois após desenvolverem uma haste com vários metros de altura, nela desabrocham as flores e depois morrem."

Em Maio deste ano observei pela primeira vez (que me lembre) a eclosão do esporão de várias Agaves no jardim da Fortaleza da Praia da Rocha, pouco antes do desabrochar das flores. Deixo aqui duas imagens, documentando esta parte breve da vida desta planta.

Primeiro duas imagens por volta da uma e meia da tarde




depois outra às 20:30, com o sol muito baixo




2015-09-05

Anouar Brahem


O anjo do post anterior está a tocar um alaúde. Seguindo a regra simplória de que as palavras em Português começadas por "al" têm origem árabe sendo o "al" o artigo definido "o", Alaúde deve vir do árabe e designar "o ud".

Grande tocador de ud é o músico e compositor Anouar Brahem de quem ouvi falar pela primeira vez no blogue "Expresso do Oriente" que parece ter entrado no Nirvana desde 2013.

Gostei imenso do disco "The Astounding Eyes of Rita" que entretanto comprei. Anouar Brahem é um artista Tunisino, nascido em 1957 e que tem desde há muito tempo uma carreira internacional.

Esteve recentemente em Lisboa onde tocou no grande auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, já tendo noutras ocasiões tocado em Portugal.

Tenho pouco entusiasmo por mostrar Youtubes de música pois muitas vezes são retirados, mas descobri este sítio do Vimeo que por enquanto tem todo o disco acima referido. Mostro em baixo a respectiva capa.

2015-09-04

Anjo tocando alaúde



Num dos quartos da casa alugada deste Verão estava este anjo tocando o alaúde, o que me pareceu muito adequado para essa parte da casa.

Tirei esta foto



que o Google Images identificou logo com uma obra de Mellozzo da Forli (1438-1494) e que a Wikipédia refere como um pintor e arquitecto italiano do Renascimento, influenciado por Andrea Mantegna,  Piero della Francesca e outros.

A obra é referida aqui, sítio onde fui buscar esta imagem



que ampliei ligeiramente.

A imagem é um detalhe de uma obra que não consegui encontrar, sendo também referida aqui sob o título de “Angeli musicanti”. Aí datam a obra de 1472 ou então de 1478-1480.

Aqui referem as diversas técnicas de perspectiva que caracterizam essa época da arte ocidental.

Dizem que Mellozzo da Forli se notabilizou no uso da técnica de perspectiva designada por “foreshortening” uma palavra que o google traduz para “escorço”, que eu desconhecia.


2015-08-27

Algarve em Agosto


Em princípio dever-se-ia evitar o Algarve em Agosto, as infra-estruturas estão todas no seu pico de utilização, o que provoca degradação dificilmente evitável na qualidade dos serviços.

Mas também não é por acaso que tanta gente vai de férias em Agosto e muitas vezes é difícil evitar este período.

Este ano o tempo tem estado atípico. Uma pessoa espera um céu azul imaculado sem sinal de nuvens, o que tem sido raro. Porém ontem de manhã estava uma atmosfera límpida pelo que não resisti a tirar esta foto




mesmo a praia ao pé ainda tinha pouca gente se bem que ainda só fossem 08:40




e Lagos via-se com a nitidez dos dias de Setembro que, pensando bem, estão mesmo a chegar





2015-08-24

Arte decorativa


Gostei desta natureza morta que vi num poster numa casa que aluguei, de composição minimalista, contendo hiperbolóides de revolução. Gostei das sombras que me lembraram os desenhos à vista no liceu, dos reflexos, da delicadeza dos vimes de salgueiro.

Depois fui à procura da autora, a partir da assinatura de Karin v.d. Valk, e constatei pouca variedade nos numerosos posters dela que estavam à venda na internet.

Mas continuei a gostar desta imagem.




2015-08-20

Solitaire


Trata-se de um passatempo clássico que resolvi no princípio dos anos 70 do século XX.

Passados uns tempos fiquei com uma ligeira apreensão se ainda conseguiria resolver este passatempo mas nunca tive paciência para escrever notas sobre o assunto, ao contrário do Cubo de Rubik que já referi noutro post.

Agora fiz uma apresentação em Power-Point com animação, converti-a a seguir para video e fiz depois o carregamento para o Youtube que mostro a seguir, dura 72 segundos.



Não sei se existem outras formas de resolver este passatempo que sejam variantes não triviais deste método, existem pequenas variações possiveis na ordem de alguns dos movimentos aqui indicados.


2015-08-18

Pentágonos que preenchem o plano



As cracas do post anterior conseguiram preencher uma superfície aproximadamente plana com formas quase poligonais.

Quando se pretende preencher um plano com formas idênticas as soluções com polígonos regulares são 3: com triângulos, com quadrados e com hexágonos. Modificando uma das escalas, do eixo dos XX ou do eixo dos YY, obtêm-se também figuras que podem preencher o plano transformando, por exemplo, quadrados em rectângulos. Outras transformações ligeiramente mais complicadas mas também triviais consistem um transformar, por exemplo, um quadrado num losango e este num paralelogramo.

Em relação aos pentágonos existiam até este mês 14 classes conhecidas de pentágonos irrregulares que conseguiam preencher o plano. Durante 30 anos não se descobrira mais nenhuma, tendo agora sido descoberta a 15ª, conforme relatam no zap.aeiou e no Guardian.

Esta é a versão colorida mostrada no Guardian mas os pentágonos têm  todos a mesma forma:

 

Na wikipédia tem já (a velocidade de actualização da wikipédia é imbatível) um artigo com a colecção dos 15 tipos de pentágonos de que mostro a imagem:



É óbvio que o 3º padrão corresponde à obtenção de um hexágono com 3 pentágonos, fazendo-se o enchimento depois com os hexágonos, fenómeno semelhante se passa com o 5º mas embora a malha seja hexagonal os hexágonos não aparecem de forma explícita. A última parece bastante irregular, certamente isso pesou na lentidão da sua descoberta.

Gostei muito da 5ª que é abordada de forma mais detalhada na wikipédia que lhe chama Floret pentagonal tiling e de que mostro uma possível coloração destacando simetrias existentes:



 termino com este pentágono não convexo intitulado esfinge, referido também na Wikipédia

 



2015-08-13

Cracas sobre Sienito de Monchique


Ontem ao fim da tarde, passeando no pontão da Praia da Rocha, gostei de ver este conjunto de cracas, fazendo lembrar um trabalho de crochet, sobre uma das pedras que protege o pontão e que veio da serra de Monchique.




Quando eu era pequeno diziam-me que as pedras que extraíam numa grande pedreira da serra de Monchique eram “uma espécie de granito” mas, enquanto este tinha quartzo, feldspato e mica a pedra de Monchique tinha apenas o quartzo e o feldspato, faltando-lhe a mica. Podem ver na wikipédia que a rocha de Monchique se chama Sienito sendo de cor cinzenta e é por isso que tendo a foto sido tirada a cores acaba por parecer a preto-e-branco. Desta vez a foto tem 2048 x 1536 pixels.

Existem muitas espécies de cracas, a presença destes animais sobre as pedras na zona intertidal (afectada pelas marés) acaba quase por definir até onde a maré chega. São desagradáveis ao provocar arranhões a quem roça o corpo por eles, são vantajosos para pessoas calçadas pois evitam que escorreguem nas rochas.

A sua aderência aos cascos dos barcos causa problemas de maior resistência à deslocação do barco, tendo que ser periodicamente eliminados.

As cracas pertencem à classe Cirripedia cujo nome comum em inglês é “Barnacle”, dos quais existem cerca de 1200 espécies conhecidas.

Na foto acima parece-me que as cracas estão todas mortas. No artigo que referi (https://en.wikipedia.org/wiki/Barnacle ) podem-se ver fotos de cracas vivas, no centro de cada animal não têm um buraco, como na foto.

Achei graça a os ingleses chamarem “Gooseneck barnacles” ao que chamamos percebes.

Tirei esta imagem daqui:



e estoutra daqui:


2015-08-08

Uma conchinha comum (Acanthocardia)


Em Agosto estou a ir à praia todos os dias, seria melhor em meses adjacentes mas existem muitas razões para tanta gente tirar férias em Agosto.

Desde a mais tenra infância que vejo estas conchas nas areias das praias do Algarve. desta vez apanhei uma muito pequena e fotografei-a ao pé duma moedinha de 1 cêntimo



A seguir seleccionei apenas a concha e obtive a imagem seguinte



Depois peguei na imagem, coloquei-a no Google Imagens e apareceu-me logo o nome Acanthocardia seguido doutro nome que já não me lembro.

Na wikipédia e noutros sítios têm artigos sobre este bivalve, parece que é comestível mas apenas vi referência a uma receita da Croácia. Na realidade esta concha intrigava-me por ser frequente vê-la na areia molhada das praias e nunca a ter visto num prato de casa particular ou restaurante. Como mnemónica para o nome temos as folhas de acanto que serviam de motivo de decoração dos capitéis das colunas Coríntias e o cardia de coração.

Na juventude faziam-se cinzeiros com estas conchas mas com cerca de 5 cm de diâmetro em vez do centímetro e meio deste pequeno exemplar. Colavam 3 conchas deste tipo com cola universal transparente e depois colavam uma 4ª concha que iria servir de base do cinzeiro. Colavam parte de conchas de lingueirão em cada uma das 3 conchas, para ter um descanso para os cigarros. Há uma ano vi um cinzeiro desse tipo numa feira de artesanato em Olhão ou  em Tavira.

Deixo imagem da mesma concha, agora de perfil



2015-08-04

Folhas verdes, Daltonismo e a Natureza Humana


Ontem ao almoço gostei muito de ver estes vários tons de verde (alguns a fugir para o amarelo) dumas árvores que têm demorado muito tempo a dar sombra que se veja na Av. Tomás Cabreira na Praia da Rocha.




Tenho um fraquinho por folhas de plantas iluminadas à contra-luz pelo sol mas um dia destes, ao ver imagens dum livro sobre o Jardim da Gulbenkian, constatei que não estou sózinho nesta minha preferência.

Não consegui regular bem o telemóvel que não conseguiu focar bem tanta folha, faz de conta que é uma imagem género quadro impressionista.

E achei que os hibiscos vermelhos que se vêem ao fundo contribuíam para o tom alegre da imagem.

Já tinha decidido publicá-la quando um meu amigo, que tem uma percepção das cores que difere em alguns aspectos da percepção mais comum entre os seres humanos, me enviou uma ligação para este vídeo sobre daltonismo e sobre uns óculos (Enchroma) que alegadamente permitem ultrapassar algumas situações




e fiquei a pensar que muitas vezes não reparamos na riqueza das percepções que estão ao nosso dispor.

Depois ainda vi mais este sobre as nossas percepções, apresentando problemas clássicos da filosofia




e concluindo que uma característica importante dos seres humanos é acreditar que os outros seres humanos podem saber coisas que o próprio não sabe e que vale a pena fazer-lhes perguntas!

Até agora não encontraram esta característica nos outros animais