2026-03-17

Uma conversa sobre a Guerra do Golfo

 

Continuando eu a seguir o blogue do economista Paul Krugman, apreciei desta vez uma “Conversa Franca” (os ingleses diriam uma Candid Conversation) com o historiador Phillips O'Brien, um americano actualmente professor na Universidade de St. Andrews na Escócia que se tem dedicado ao estudo das guerras.

Neste post intitulado “Phillips O'Brien on Iran” existe um vídeo de 48 minutos, gravado em 12/Mar/2026 que está transcrito a seguir à janela de vídeo, tornando assim possível ler todo o diálogo sem necessidade de ver/ouvir o vídeo.

Indo directamente para o que me pareceu ser a tese principal, a superioridade aérea que anteriormente, quando estabelecida, aniquilava qualquer hipótese do país atacado fazer ataques fora do seu território, deixou de se verificar: é impossivel eliminar os drones disseminados pelos iranianos em muitos sítios do seu território, capazes de atingir qualquer navio no Golfo Pérsico, sendo este o motivo provável porque não existem navios de guerra americanos actualmente neste golfo.

A guerra iniciada por Israel e os EUA contra o Irão foi considerada um erro grave, atribuído em parte à substituição de numerosos militares competentes por outros seleccionados sobretudo pela lealdade a Trump, que foram incapazes de lhe apontar o erro de iniciar esta guerra sem nenhum objectivo claro.

Na conversa referiram ainda que a Ucrânia foi solicitada para dar apoio, com os drones interceptores que tem desenvolvido e utilizado contra vários tipos de drones incluindo drones russos fabricados com projecto de drones iranianos, aos países árabes do golfo e mesmo aos EUA, criando uma situação irónica de estar agora a apoiar um país (USA) que no ano de 2025 cortou completamente o apoio à Ucrânia nos 3 últimos trimestres, como registado no sítio do Kiel Institut / ukraine-support-tracker () de que mostramos um gráfico


O convite recente pelos EUA aos “aliados” da NATO para que enviem navios para fazer escolta no estreito de Ormuz não será exactamente de “carne para canhão” mas mais “de fragata para sucata” com alguma “carne para canhão” à mistura. Mais vale tarde do que nunca, finalmente a Europa conseguiu dizer não a Trump, recusando-se a entrar numa guerra para a qual não foi consultada.



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