2009-06-26

Brideshead Revisited

Pensava em revisitar o Castle Howard, o palácio inglês ao pé da cidade de York, num post mais próximo deste “Condomínio fortificado” ou deste “Palácios” mas divaguei bastante antes de chegar lá.




Como disse no post anterior, tive a oportunidade de visitar este palácio em Jun/1983, pouco tempo depois de a série “Reviver o Passado em Brideshead” ter passado na RTP. Como a imagem do palácio do post anterior não me satisfez localizei esta imagem, de muito melhor qualidade aqui, onde fui buscar também as imagens seguintes.

Costumo ver séries e filmes com muito pouca distanciação pelo que estava emocionalmente à espera de encontrar o Charles Ryder, a Julia Flyte, ou qualquer um dos personagens que não tinham morrido durante a passagem da série na TV, na minha visita ao palácio, que já não me lembro como descobri. Nessa altura não havia o Google nem mesmo a Internet, descobrir informações era muito mais complicado.

O palácio era ainda habitado pelo seu proprietário numa das alas, que por coincidência veio à porta receber uma visita que chegara num automóvel, como tantas vezes acontecia na série.




Tudo o resto do palácio estava a ser utilizado pela ITV para servir de cenário em séries mais ou menos históricas. Dadas as necessidades de guarda-roupa, o espírito prático dos ingleses tinha-os levado a criar também um “Museu do Traje”, aproveitando para mostrar as peças de roupa que usavam nos vários filmes da estação.



Não me convenceu a argumentação do escritor Evelyn Waugh de que estes palácios eram feitos sem pensar nas funções que os seus vários componentes viriam a ter. Poderão existir excepções mas construções tão dispendiosas tinham muito provavelmente objectivos bem definidos, não sendo construídas ao acaso. Segundo li este palácio está classificado entre os 7 mais notáveis de Inglaterra e não se diz que tenha sido fruto de um devaneio. Na realidade o seu dono, quando a sua dimensão se mostrou desadequada às funções tradicionais, fez um downsizing da área que ocupava e alugou a restante.

A família retratada na novela, embora interessante na forma como se expressava e como exemplo de tomada de decisões que os afundam numa ociosidade infeliz, corresponde bastante bem a uma visão que alguns católicos têm do mundo como um vale de lágrimas e como um mero local de passagem (antes da chegada à vida eterna) que portanto não merece grandes melhoramentos.

Para finalizar deixo esta vista aérea do conjunto tirada daqui, provavelmente inacessível ao nobre com iniciativa que iniciou este conjunto arquitectónico (a não ser que usasse um balão...).


1 comentário:

DG disse...

na realidade a maior parte destas grandes residencias foi feita por novos ricos que gnharam o dinheiro com a escravatura ou contrbando de ópio!