2009-03-24

Palácios

Gostei muito do livro “A Princess Remembers: The Memoirs of the Maharani of Jaipur by Gayatri Devi”, que referi neste post, pela possibilidade que me deu de conhecer alguns aspectos da vida dos Marajás indianos. Era lendária a opulência que os rodeava, bem como a miséria da quase totalidade da população, mas é interessante conhecer a perspectiva desse conjunto muito restrito de privilegiados e esta princesa, que nasceu em 1919, passando por grandes transformações na história do seu país, dá-nos essa visão.

Em princípio, havendo tão poucos marajás e tantos indianos, a opulência daqueles não seria a causa directa da miséria do resto da população mas mais a falha da sua liderança, que se afundou na entrega da administração à potência colonial.

Às vezes falta-nos tempo para pensar e descobrimos com alguma surpresa pormenores que sempre estiveram à nossa frente. Foi o que me aconteceu mais uma vez ao ler a descrição que a autora do livro faz dos aposentos que lhe foram atribuídos no Rambagh Palace após ter tomado o papel de segunda esposa do Marajá de Jaipur.

Tendo vivido toda a vida num ambiente de classe média, achava que essa gente riquíssima se limitava a viver com a sua família nuclear ou um pouco alargada em palácios disparatadamente grandes. Na realidade esses palácios eram construídos para neles viverem comunidades muito maiores do que a família alargada e parte dos seus habitantes viviam aí como se fossem actualmente hóspedes permanentes de um hotel. Era esse o caso desta Maharani.

Esse modo de funcionamento justifica em parte o grande sucesso do grupo Taj na conversão dos antigos palácios dos marajás em hotéis de luxo. Muitas das Pousadas Portugal são antigos conventos, onde também viviam grandes comunidades embora de forma mais modesta.

Fui buscar a fotografia do Rambagh Palace que mostro a seguir a este artigo da Wikipedia, porque as que tirei não ficaram tão boas. Constatei depois que além de ter sido tirada por um profissional (Ray Main.co.uk) este usou uma Hasselblad, marca que eu julgava que já não existia. Afinal o modelo H3D II-39 está actualmente em promoção por "apenas" 14995 € (mais IVA).


2 comentários:

Helena disse...

Uma pechincha...
Por esse preço, mais vale ir buscar as fotos à wikipedia. ;-)

A referência aos mosteiros é engraçada. Não sei se contei já: a Cartuxa de Pavia tinha casinhas de dois andares, uma para cada monge, com uma pequena horta nas traseiras, e um poço de água. É um sítio lindo: um claustro enorme, à volta do qual estão as casinhas. Os frades não falavam uns com os outros. Se bem entendi, durante a semana não viam ninguém, nem sequer a cara de quem lhes deixava a comida num tabuleiro em sistema de porta giratória. E ao domingo comiam no refeitório, enquanto um deles lia passagens da Bíblia.
Comentário do monge que guiava a visita: era uma vida muito dura, mas pacífica.

jj.amarante disse...

Simplificando a coisa , lembro-me de 3 tipos de comunidades com forte coesão que ocupam por vezes edifícios enormes: os monges, os exércitos e as cortes da realeza. Os primeiros tinham as regras da ordem religiosa, os segundos a forte hierarquia e os regulamentos e as terceiras regiam-se pela etiqueta. Em qualquer dos casos havia alguma perda de liberdade individual em troca duma vida com menos dilemas.