2016-12-30

Teia de aranha com orvalho


Há uns dias os Olivais Sul amanheceram com nevoeiro e reparei numa árvore com teia de aranha onde se condensara algum orvalho. Esta é a imagem da árvore


seguida duma foto tirada mais ao pé da teia



Esta teia fez-me lembrar esta obra da Alyson Shotz que já mostrara aqui






e a animação que mostra uma aranha a construir a sua teia aqui.





2016-12-27

Mulher de branco no jardim


Renovei dois posters que tinha em casa com reproduções de quadros do Monet, desta vez usando imagens disponíveis na internet e fazendo impressões das mesmas sobre tela, posteriormente montada sobre armação de madeira, numa loja de fotografia dos Olivais.

Dizem-me que as tintas usadas nas telas têm boa duração, o que é pouco frequente nos posters que tenho comprado, com tendência para perder os vermelhos.

Na procura de imagens com melhor definição, que muitas vezes estão na commons.wikimedia.org acabo por passar por outras imagens além das específicas que procuro.

Foi o caso da que mostro aqui



intitulada "Femme en blanc au jardin", pintada por Claude Monet em 1867 e actualmente no museu Hermitage em S.Petersburgo.

Nos livros de fotografia costuma-se ler que as melhores horas para tirar fotos são quando o sol está baixo, no início da manhã e ao fim da tarde, como fiz no antepenúltimo post deste blogue.

Quando o sol vai alto, como é o caso deste quadro em que as sombras são pequenas, o contraste muito grande entre as zonas fortemente iluminadas e as de sombra tornam difícil a composição da imagem. Presumo que as mesmas dificuldades apareçam na realização de quadros nessa altura do dia.

Este parece-me que resolveu os problemas de uma luz forte com grande sucesso.

2016-12-23

Feliz Natal


O Solstício de Inverno de 2016 já passou, desta vez foi no dia 21/Dezembro às 10horas e 44 minutos, a partir de agora e até Junho de 2017 o período de luz de cada dia vai sempre aumentar!


A Igreja aproveita esta altura do ano para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, representado neste ícone de estilo bizantino que, segundo um sítio da internet, estará na Igreja da Natividade em Belém


Continua-me a fascinar esta forma bizantina de representar a realidade, mesmo se à primeira vista parece repetitiva. Mostro a seguir o detalhe da Sagrada Família


e desejo aos leitores um Natal Feliz e um ano de 2017 melhor do que o de 2016.



2016-12-17

Árvore iluminada nos Olivais Sul (2)


Nas tardes de Dezembro (por volta das 3 e meia já o sol vai baixo) há um choupo que parece ser preferido pelos raios solares, nesta altura do ano com as folhas amarelas, contrastando com as árvores que o rodeiam, de folhagem perene de côr verde.

Fotografei-o em 24/Dez/2007, faz agora 9 anos, e mostrei-o num post de Março/2008, um dos primeiros deste blogue, chamando-o plátano mas corrigindo para choupo num comentário.

Fotografei agora mesma árvore, aproximadamente à mesma hora (por volta das 3 e meia) mas doutro ângulo. Nestes 9 anos ficou mais imponente.



2016-12-13

Marcel Gotlib (1934 – 2016)



Tomei conhecimento na pequena secção de obituário do jornal Expresso que morreu Marcel Gotlib no passado dia 4/Dez, autor notável de banda desenhada.

Tomei contacto com o seu “humor gelado e sofisticado” através da “Rubrique-à-brac” uma série de álbuns onde aprendi que era possível partilhar a nossa ignorância com os nossos leitores como fiz aqui e aqui e me apercebi da extraordinária ironia da lenda da maçã que ao cair na cabeça de Sir Isaac Newton alegadamente o fez descobrir a Lei da Gravitação Universal.

De antologia era também a revisitação de muitas das histórias que era costume contar às crianças, mostrando que afinal elas não eram transmissoras de valores tão bons como nos queriam fazer acreditar.

Ganhou fama escrevendo na revista Pilote, tendo depois dirigido outras revistas. A Wikipédia tem uma entrada em francês, outra em inglês mas falta uma versão portuguesa.

Acho que vou revisitar os álbuns dele que tenho em casa.

2016-12-10

Líchias!


Quando comecei a frequentar restaurantes chineses aparecia na lista de sobremesas esta fruta na sua versão de conserva que nunca me convenceu. Porém, quando tive a oportunidade de a provar fresca, fiquei fã para sempre. É pequena, descasca-se bem à mão, não é enjoativamente doce e tem um perfume subtil, muito agradável sem ser impositivo

Não conheço bem as cadeias de frio para este tipo de fruta, parece ser das poucas frutas que não as tem, em Lisboa sei que elas aparecem em Junho e em Dezembro.

Uma visita à Wikipédia diz que as líchias são originárias do Extremo Oriente, que estão disponiveis em Junho no hemisfério Norte e em Dezembro nas plantações do hemisfério Sul.

Na frutaria chinesa dos Olivais em que me abasteço as desta época costumam vir de Madagascar.

Não resisti a tirar uma foto às primeiras líchias deste Dezembro, numa taça de vidro iluminada pelo Sol:




2016-12-06

Teremim, o instrumento que se toca sem tocar


Tenho um amigo que reparou na ausência dum específico instrumento electrónico neste blogue.

Trata-se do Teremim, instrumento que se toca sem tocar, inventado em 1920 por um russo chamado Léon Theremim, que patenteou a sua invenção na América onde vendeu os direitos de produção à RCA (Radio Corporation of America) e teve Einstein como mentor.

O instrumento tem duas antenas que detectam a proximidade das mãos do instrumentista (não fará sentido falar aqui de quem o toca), controlando uma mão o tom musical (frequência) e a outra o volume (amplitude).

O melhor é ver uma demonstração do aparelho tocando a melodia do "Aconteceu no Oeste"




seguido duma demonstração dos sons elementares do aparelho e duma Ave Maria




A versão inglesa da wikipédia tem uma biografia bastante completa deste notável físico e inventor russo que além deste aparelho contribuiu para o desenvolvimento da televisão, foi desterrado para a Sibéria, foi reabilitado e inventou vários dispositivos para espionagem, designadamente um que detectava conversas através das vibrações dos vidros das janelas.

Nasceu em S.Petersburgo em 1896, casou-se 3 vezes e depois duma vida completíssima faleceu em Moscovo em 1993 (com 97 anos).

2016-12-04

Breve História de Quase Tudo



Já me tinham recomendado este livro do Bill Bryson mas foi este post do João André que me me levou a comprar o livro “A Short History of Nearly Everything” que existe também com tradução portuguesa, em título deste post.

Recomento a leitura do post acima referido pois descreve bem o conteúdo do livro bem como o estilo informal do seu autor pelo que me dispensarei de o repetir aqui.

Pela minha parte destaco também a citação de J.B.S. Haldane que sublinhei quando lia o livro, em tradução minha: “O Universo é não apenas mais estranho do que nós supomos; ele é mais estranho do que nós conseguimos supor”.

Embora o autor não tenha formação científica foi não só capaz de apreender o essencial de muitos conhecimentos científicos como foi capaz de em cada área continuar a perguntar até conseguir chegar à fronteira em que os cientistas lhe respondiam “não sei” (ou não sabemos).

Quando eu passei pelo liceu, foi há muito tempo ainda se chamava liceu, boa parte da ciência que ensinavam era implicitamente transmitida como uma verdade definitiva, de natureza mais religiosa do que científica. Talvez seja por isso que continuo a surpreender-me quando tantas novas descobertas continuam a surgir a todo o tempo, completando ou destruindo convicções que se julgavam mais estáveis.

Gostei do destaque que o autor vai dando ao longo do livro aos aspectos humanos dos cientistas, destacando a sua singularidade sem cair na caricatura hostil. E gostei que depois de falar das descobertas feitas refira a nossa grande ignorância sobre quase tudo.



2016-12-01

Gravador de Bobines



A luta contra a falta de espaço em casa é como a Reforma do Estado, é um erro considerar que essa luta está concluída, existem apenas acções sucessivas que umas vezes melhoram, outras vezes pioram a situação.

Existem coisas que embora tenham perdido a sua utilidade representam um aspecto importante da vida e é mais difícil desfazermo-nos delas. Foi  certamente o caso do meu primeiro gravador, um Grundig TK140 que comprei no ano de 1967, um modelo de gama baixa, que ia comigo nas férias grandes e com o qual gravei muitas músicas do programa “Em Òrbita” do Rádio Clube Português além de discos de vinil emprestados por amigos.

Fui ao site do Instituto Nacional de Estatística à procura do IPC, Índice de Preços do Consumidor (do Continente excluindo habitação) e constatei que o gravador que em 1967 me custou 3400$00 me custaria agora a quantia equivalente de cerca de 1100 €! Constato assim com facilidade que nem os meus filhos nem os meus netos vão ter mais dificuldades do que eu tive a adquirir um equipamento funcionalmente equivalente que agora, sempre passaram 50 anos, custará umas 20 vezes menos.

Achei curioso que o INE faculte um ficheiro .pdf atestando esta conversão, é um serviço simpático concebido certamente para conversões de valores mais elevados e que mostro a seguir



O cálculo do IPC inclui muitas considerações que poderão não ser aplicáveis a cada um dos valores de objectos cujo custo se pretende actualizar mas dá uma boa primeira estimativa.

Os LPs (de Long Play) discos de vinil com entre 30 e 50 minutos de música, actualmente existindo muitos sob a forma de CD,  custavam então 180$00 o que convertido dá cerca de 60€ actuais, valor estratosférico quando comparado com um CD.

Na área dos computadores, dos aparelhos audio e de video, das máquinas fotográficas e em tantos outros tipos de equipamentos é cada vez mais frequente que um aparelho chegue ao fim da sua vida útil não porque se tenha avariado e seja incapaz de cumprir a sua função mas porque apareceu uma nova geração de aparelhos de muito melhor qualidade que os torna obsoletos.

No caso deste gravador ele ficou obsoleto quando adquiri passados 6 anos um conjunto de alta fidelidade com gira-discos, amplificador/rádio e duas colunas. A diferença de qualidade era tão grande que o gravador ficou arrumado a um canto sem ser usado e só não o deitei fora porque ainda podia funcionar e, dada a sua forma paralelipipédica, se arrumava bem a um canto.

Ultimamente descobri que me desfaço com maior facilidade das coisas quando guardo uma(s) foto(s) das mesmas, uma foto num disco duro quase não ocupa espaço.




Também fotografei as notas de uma alteração que fiz dentro do gravador para poder tocar fitas gravadas em estéreo noutros aparelhos:



Depois não resisti a gravar um filminho de 15 s onde se constata que ainda conseguia tocar uma bobine gravada há quase 50 anos!


Guardei também o caderninho



onde registava o conteúdo de cada bobine, eram as Playlists da época, de que mostro aqui um exemplo:


E depois disto tudo fui colocar o aparelho, bobines e notas no ecoponto.