2011-02-04

Maluda (1934-1999)

A pintora Maluda, Maria de Lurdes Ribeiro nasceu em Pangim, no então Estado da Índia Portuguesa, viveu em Lourenço Marques de 1948 a 1963, ano em que veio para Portugal e em Paris de 1964 a 1967. Fixou-se depois em Lisboa onde morreu em 1999.

No outro dia fui à procura das famosos quadros de janelas e embora não tenha encontrado muitas imagens em formato jpeg com uma dimensão razoável (a maior parte era muito pequena), encontrei este sítio contendo um livro magnífico publicado em 2008, com a quase totalidade das suas obras, por Carlos Humberto Ribeiro e Ianus Unipessoal Lda. O livro até pode ser "descarregado" embora seja bastante grande, ocupando 89 Mbytes.  Encontrei também "Um blog sobre Maluda"e no blog "Restos de Colecção" fiz esta procura com resultados interessantes.

From Maluda

As obras da Maluda parecem-me platónicas, no sentido em que representam uma forma idealizada da realidade, em certa medida mais perfeita do que esta, pois todas as arestas das casas são rectas perfeitas, as sombras são nítidas e sem penumbras as cores são sólidas e bem definidas. Na altura em que pintou boa parte das paisagens urbanas o uso dos computadores ainda não se tinha estendido à síntese de imagens arquitectónicas. Ao revisitá-las agora algumas parecem feitas por programas de computador simples.

É curiosa a existência destes movimentos em sentido contrário: por um lado, os programas de computadores apresentando cenas primeiro mais simples (por incapacidade de construir muitos detalhes) mas cada vez mais realistas, sendo actualmente difícil distinguir uma imagem sintética duma fotografia, por outro lado a pintora Maluda que observando uma imagem complexa a simplifica até a tornar quase abstracta.


A pureza geométrica dos elementos usados e a espantosa nitidez, que tranquiliza a minha condição de míope, são duas das características que me fazem gostar de muitos dos quadros dela.

 Ultimamente não tenho ouvido falar muito da Maluda mas admito que possa ter andado distraído. As duas imagens anteriores denominam-se respectivamente Lisboa XXV (de 1983) e Lisboa XXX (de 1985). As duas seguintes têm os títulos Lisboa XXXI (de 1986) e Lisboa XXXV (de 1988).


Quem fotografa à Beira-Rio bem podia tentar fotografar os enquadramentos destas imagens.

1 comentário:

Luísa disse...

Vou tentar, Jj. Mas tenho de esperar por dias mais luminosos que me dêem essas cores. :-)