2026-01-30

Imersão em Van Gogh

 

Em mais um email com a Newsletter do magazine BeauxArts gostei muito desta imagem dum ambiente imersivo em que as pessoas da foto estão imersas num quadro de Van Gogh, como confirmei num anúncio duma exposição em Atenas

Poderia ter sido tirada também numa pedreira em Baux-de-Provence que referi num artigo deste blogue em Junho/2025.


2026-01-26

A Energia Eólica no Mundo

 

O "World Economic Forum" de 2026 que ocorreu em Davos há poucos dias convidou o presidente Trump para participar onde, entre outras actividades fez um discurso de uma hora e meia.

Durante esse discurso falou durante algum tempo sobre os aerogeradores que estão instalados em muitos paises mas como fez afirmações por vezes ridículas, outras vezes falsas e ainda outras ridiculamente falsas, apresento a situação mundial da energia eólica antes das afirmações de Trump que deixei para o fim deste post. Os leitores apressados poderão saltar as duas tabelas numa primeira leitura, indo directramente para os disparates trumpianos.

Fiz um ponto da situação na Wikipédia  "Wind Power by Country" de onde retirei as duas imagens seguintes e depois as  tabelas.

A primeira imagem mostra rectângulos cuja área á proporcinal à quantidade de energia eléctrica produzida durante o ano de 2021 em cada país. Estes estão agrupados por "continente", Ásia, Europa, América do Norte, do Sul, Austrália e África.

 

seguida da evolução desta forma de energia desde a sua viabilidade económica para produção de electricidade em larga escala que existe desde o ano 2000

  

Mostro a seguir a produção em TWh ( 1 TWh são mil milhões de kWh, Portugal consome anualmente cerca de 50TWh de energia eléctrica)  por país, que estão ordenados por ordem decrescente, sendo os valores relativos ao ano de 2024 excepto quando sinalizado outro ano

 


A China, grande produtor de aerogeradores, é também o que tem maior potência eólica instalada, produzindo cerca do dobro da energia gerada desta forma nos EUA. Portugal fica na 21º posição dada a sua pequena dimensão em relação à maioria dos paises que o precedem na tabela.

A seguir mostro a mesma tabela mas ordenada pela percentagem de energia de origem eólica em relação à totalidade da energia consumida nesse país nesse ano em que Portugal aparece em 4º lugar dada a elevada percentagem de energia eólica no nosso consumo de electricidade

  

Quando a State Grid Corporation of China comprou 25% das acções da REN, Portugal era o 2º país com maior penetração de energia eólica do mundo, sendo o primeiro a Dinamarca. Parte do interesse na aquisição duma posição importante no operador da rede eléctrica portuguesa pela China residia na integração bem sucedida da energia eólica no sistema português.

O discurso de Trump em Davos está disponível no YouTube nesta gravação "Watch Trump's full speech at World Economic Forum in Davos" do programa "Face the Nation" da CBS News de cerca de uma hora e meia.

Existe uma transcrição completa deste discurso feita pelo Forum de Davos aqui.
 

Seleccionei dessa transcrição esta pequena parte do discurso sobre os geradores eólicos que no Youtube acima referido começa no minuto 17 no segundo 52 (17:52):

«...There are windmills all over Europe. There are windmills all over the place, and they are losers. One thing I've noticed is that the more windmills a country has, the more money that country loses, and the worst that country is doing.

China makes almost all of the windmills, and yet, I haven't been able to find any wind farms in China. Did you ever think of that? That's a good way of looking at it. They're smart. China's very smart. They make them. They sell them for a fortune. They sell them to the stupid people that buy them, but they don't use them themselves.

They put up a couple of big wind farms. But they don't use them. They just put them up to show people what they could look like. They don't spend. They don't do anything. They use a thing called coal, mostly. China goes with the coal. They go with oil and gas. They're starting to look at nuclear a little bit, and they're doing just fine. They make a fortune selling the windmills, though, and I think really, that's one that they wouldn't be surprised if it stopped. They were shocked that it continues to go. They were very friendly with me. They're shocked that people continue to buy those damn things. They killed the birds. They ruined your landscapes. Other than that, I think they're fabulous, by the way, stupid people buy them.

...»

Basicamente Trump diz que a China vende geradores eólicos que não prestam a europeus estúpidos mas que não os instala na China, tendo apenas um ou dois sítios com uns tantos modelos de geradores que não funcionam, tão só para enganar os compradores.

Fez-me pensar que estava a comparar a China com um vendedor de "banha de cobra" que eu parava para ouvir há uns 60 anos na Alameda D.Afonso Henriques no caminho do anexo do Areeiro para a casa dos meus pais em Arroios. Nunca lhe comprei nada mas a retórica dele era envolvente.

E fiquei a pensar porque terão convidado Trump para este Forum, onde eu julgava que se diziam coisas importantes, como por exemplo o discurso de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá. Há uma grande heterogeneidade na qualidade das intervenções, julgo que o  Forum deveria ser mais exigente na qualidade dos participantes. 

Já ouvi dizer que é mais importante prestar atenção ao que Trump faz do que ao que ele diz. Mas nesse caso porquê convidá-lo para fazer um discurso?

 

 

2026-01-17

Greenland Defense Front

 

Entretanto na Groenlândia surgiu uma Frente de Defesa da Groenlândia juntando seres humanos a diversas espécies não humanas locais e mesmo um Monstro Groenlandês, prontos a defender o território de quem quer trazer poluição para aquela terra ainda razoavelmente limpa.

Este vídeo mostra alguns exercícios militares

 

 

 

 e vi-o neste post do Paul Krugman.

 P.S. no post anterior coloquei uma adenda classificando as minhas propostas de obviamente inúteis

 

2026-01-14

A Magna Carta e o fim da NATO



Transcrevo o resumo da IA do Google
«
A Magna Carta (ou "Grande Carta"), selada pelo Rei João da Inglaterra em 1215, foi um documento crucial que limitou o poder real, estabelecendo que o rei estava sujeito à lei, e é considerada um marco fundamental para o constitucionalismo e os direitos humanos, protegendo direitos como o devido processo legal, julgamento justo e propriedade, influenciando o desenvolvimento da democracia moderna. Forçada pelos barões ingleses para conter os abusos do rei, esta carta estabeleceu princípios como a liberdade da Igreja, a proteção contra impostos excessivos e a proteção contra prisões arbitrárias, com cláusulas como a 39 e 40 que afirmam que nenhum homem livre será preso ou prejudicado sem julgamento justo, e que a justiça não será vendida, negada ou atrasada, ainda hoje vigentes.  
»

 Em 2015 os barões de Inglaterra fizeram o rei João selar este documento em que o seu rei reconheceu que estava sujeito à lei, como representado no artigo da Wikipédia na ilustração seguinte

  


Attribution:
By James William Edmund Doyle / Edmund Evans - Doyle, James William Edmund (1864) "John" in A Chronicle of England: B.C. 55 – A.D. 1485, London: Longman, Green, Longman, Roberts & Green, pp. p. 226 Retrieved on 12 November 2010., Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=12046373


Uma vez que o presidente dos EUA tem ignorado todos os tratados internacionais livremente aceites pelas diversas instituições desse Estado que o antecederam, parece-me que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) só poderá permanecer se o actual presidente dos EUA reconhecer formalmente as suas obrigações como aliado dessa organização.

Continuar a considerar que a NATO existe sem esse compromisso seria renegar a conquista feita há séculos pelos barões ingleses contra as arbitrariedades do seu rei, e por tantos outros povos de estados membros da OTAN com a passagem das monarquias absolutas a constitucionais, ou mesmo a repúblicas em que todos estão sujeitos à lei.

Poderia ser com uma cerimónia na sede da OTAN em Bruxelas em que o presidente Trump mostrasse para a TV a sua assinatura de aceitação das normas da Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou então noutro sítio a combinar mas sempre com cobertuta televisiva.


Adenda: claro que estas minhas sugestões são inúteis, como dizia alguém, palavras são coisas que se esquecem, papéis são coisas que se rasgam, vídeos são coisas que se alteram e fabricam com facilidade. Qualquer tratado assinado pelo ainda presidente Trump não tem qualquer valor.

2026-01-13

Liu Jiakun - Prémio Pritzker de 2025

 

Acontece-me com frequência guardar algumas imagens que considero notáveis mas que por variados motivos têm a sua publicação adiada. Este hábito, que tem a pequena vantagem de melhorar a selecção do que aparece neste blogue, tem sido acentuado pela actuação do POTUS (President Of The US) e seus capangas.

Mas, parafraseando Jorge Sampaio, há vida para além do POTUS, e vou aqui abordar outro tema, enquanto recomendo os artigos de Economia Política do Paul Krugman sobre as irracionalidades político-económicas destes "novos" tempos (que na realidade são bastante antigos) no seu blogue "Paul Krugman no Substack".

O arquitecto chinês Liu Jiakun que ganhou o prémio Pritzker da Arquitectura de 2025 nasceu em 1956 em Chengdu, uma cidade com 21 milhões de habitantes em 2020, capital da provincia Sichuan, actualmente a quarta mais populosa cidade da China.

Entre os seus 10 e 20 anos de idade viveu na "Revolução Cultural Chinesa (1966-1976)", fenómeno político criado por Mao-Tsé-Tung para recuperar o poder que em parte perdera e que ao mesmo tempo criou uma geração com uma muito elevada percentagem de analfabetos e ondas de ódio e de inveja contra dirigentes e técnicos especializados, perante as quais as redes sociais da internet figurariam quase como brincadeiras de crianças.

Uma pessoa que passou os anos em que deveria ter dedicado boa parte do tempo ao estudo na Revolução Cultural Chinesa e que consegue obter o prémio Pritzer de Arquitectura tem que ser uma pessoa ainda mais excepcional. 

Gostei desta imagem que consta duma espécie de condomínio com a dimensão dum quarteirão grande (West Village, Chengdu), projectado pelo atelier de Liu Jiakun, em que os diversos apartamentos se distribuem em U por 5 pisos (dos quais um térreo)

 

 

com rampas suaves no lado aberto do U permitindo o trânsito cómodo de bicicletas entre os vários pisos e caminhadas ou corridas sem necessidade de sair do quarteirão. No centro tem áreas de jogos e algumas culturas de vegetais que parecem também existir nas coberturas.

À noite tem este aspecto

No site https://www.pritzkerprize.com/laureates/liu-jiakun acima referido existem numerosas fotografias de projectos deste arquitecto.

Do sítio archdaily.com referindo Lia Jiakun retirei as imagens a seguir:

esta do "Songyang Culture Neighborhood" em que conjecturei que as figuras humanas que ficaram na fotografia foram postas lá de propósito para fornecer uma escala humana à obra arquitectónica e ao mesmo tempo dar umas pinceladas de côr como o vestido vermelho e a camisola amarela duma criança, finalizando com um casal a procurar a privacidade dum terraço.

As minha suspeitas sobre a encenação de fotografias com cenas aparentemente naturais foram muito tardias e referi-as neste e neste post.

Gostei ainda desta ponte

no "Suzhou Museum of Imperial Kiln Brick" (Museu de Fornos Cerâmicos Imperiais em Suzhou).

Por coincidência iniciei agora a leitura da "sequela " do livro "Cisnes Selvagens" de Jung Chang uma chinesa também nascida em Chengdu, em 1952, apenas 4 anos mais velha que o arquitecto Liu Jiakun.