2008-07-24

Evolução do analfabetismo em Portugal


Na sequência do post anterior e da comparação entre a taxas de alfabetização de Portugal e da Tailândia fui à procura da evolução da taxa de analfabetismo em Portugal e encontrei um post no blogue theca libraria com as duas primeiras colunas da tabela aqui ao lado, contendo na 1ª coluna o ano do censo de Portugal e na 2ª a taxa de analfabetismo medida nesse senso. Calculei a 3ª coluna que mostra a variação em cada década da taxa de analfabetismo em Portugal.

O post refere como fonte da tabela:

[António Candeias et al. (2007): Alfabetização e Escola em Portugal nos Séculos XIX e XX. Os Censos e as Estatísticas, Fund. C. Gulbenkian, p.40; e Recenseamento da População e Habitação (Portugal) - Censos 2001 (quadro 1.03, População residente segundo o nível de ensino atingido e taxa de analfabetismo), Instituto Nacional de Estatística)]

Embora fosse interessante tecer algumas considerações sobre o significado destes números prefiro limitar-me a achar que a evolução foi muito lenta.

Usando "history of literacy" no Google, fui parar a este sítio, onde compilam de forma automática informação relevante de várias fontes, parecendo o resultado bastante interessante. Diz por exemplo que em 1710 na Nova Inglaterra a taxa de alfabetização era de 70%, valor que conseguimos atingir em Portugal em 1960, 250 anos depois!

5 comentários:

WOLKENGEDANKEN disse...

Comparado com os Estados Unidos a situacao é otima :)

Nuno Bartolomeu disse...

Ainda que a redução da taxa de analfabetismo possa ser considerada algo lenta, a verdade é que um cálculo simples demonstra que, a partir de 1940, mesmo que 100% das crianças nascidas fossem alfabetizadas não sería possível obter os resultados alcançados sem que tivesse existido um esforço de educação da população adulta (se por exemplo entre 1981 e 1991 100% das nascidas fossem alfabetizadas, isso só explicaria um redução de 21% para 18% do analfabetismo, quando na realidada a redução foi para 11%). Deste modo, conclui-se que a alfabetização da população adulta teve ainda assim um papel importante para explicar as estatísticas obtidas, o que me leva a pensar que a redução do analfabetismo afinal não foi tão lenta como à primeira vista poderia parecer...

jj.amarante disse...

Nuno, eu sei que houve algum esforço de alfabetização de adultos. Fiquei com curiosidade em saber qual o "cálculo simples" que fizeste para obteres os números que citas. Tenho estado fora, donde a lentidão deste comentário.

Anónimo disse...

Relativamente aos grupos etários a partir dos 45 anos tal redução não me parece tão grande, pelo contrário. Será que se espera que a morte dê o seu contributo para a redução do analfabetismo nesse cohorte? O ME é que parece que não, pois a educação de adultos é limitada ao ensino recorrente (de que se aproveitam os mais jovens)e à formação tendo em vista a empregabilidade e os objectivos definidos pela OCDE, sendo a aprendizagem ao longo da vida e em todos os contextos uma grande treta!
Carlos Silva

Manuel Leal disse...

Só agora encontrei este blogue com esta conversa que teve lugar há cerca de seis anos. Parabéns ao bloguista. Interessou-me porque procuro informações sobre a literacia em Portugal, mas sobretudo nos Açores, em termos da política de deceção do Estado Novo através de falsas estatísticas a fim de calar a oposição naquele arquipélago. Mas agradecerei a quem me puder enviar fontes de informação referentes a todo o país.
A comparação feita por Wolkengedanken da situação em Portugal com os Estados Unidos é um argumento falacioso. Exceto nos últimos anos em que se registou um fluxo imigratório para Portugal, sobretudo de países da antiga Cortina de Ferro e de algumas sociedades lusófonas, a população portuguesa tem-se mantido, geralmente, homogénea ao longo dos últimos dois séculos.
Não é o caso dos Estados Unidos. Na última década cerca de 40% a população estadunidense é constituída por imigrantes. De maneira que se torna necessário discernir entre estes americanos e os que nasceram naquele país. As estatísticas americanas de um modo geral não separam entre cidadãos naturais e imigrantes. Antes da reforma da política de imigração nos anos 60 do século passado, a maioria dos imigrantes eram oriundos da Europa. De países com um alto índice de literacia. A partir de então, a maior parte dos imigrantes é de países subdesenvolvidos, o que até afeta certas características populacionais como a altura decrescente dos indivíduos e o fenótipo. A diminuição da percentagem de brancos a favor de mestiços ou indivíduos não classificados como caucasianos tem-se verificado em ritmo apressado. É esta a razão principal das estatísticas americanas que se referem ao analfabetismo. Mas é uma herança que se tem modificado a cada geração até que o número de imigrantes, que andava por menos de 10 por cento da população subiu para 40% em pouco mais de uma década. O contraste percentual das estatísticas dos centros urbanos que são, usualmente, recetores das levas de imigrantes com as zonas populacionais que se apresentam mais ou menos estacionárias conta a história.