2019-10-26

Tipos de cortesia


O jornal Expresso tem trazido uma pequena colecção de 4 "livros de auto-ajuda"  produzidos pela "School of Life" uma instituição criada por Alain de Botton. No 3º da série escrito por Philippa Perry e intitulado "Como manter a sanidade mental" (How to Stay Sane) tem um pequeno apontamento sobre diferenças nas regras da cortesia.

Diz a autora (na página 53) que em países densamente povoados como o Reino Unido ou o Japão existe a tendência para a "cortesia negativa" em que as pessoas têm consciência da necessidade de privacidade dos outros e do seu desejo de não a verem invadida. O que parece uma frieza é afinal uma cortesia.

Nos países em que há mais espaço livre como nos EUA (talvez isto não se aplique às grandes cidades) predomina a "cortesia positiva" favorecendo a inclusão e a abertura.

Lembrei-me a propósito destas duas fotos que tirei no Japão, que mostrei em post anterior "comer sózinho", cuja estranheza (para um português) poderá ser explicada pela necessidade de privacidade de japoneses em áreas superpovoadas



2019-10-23

Charlotte Periand, pionnière de l’art de vivre


O João Miguel continua a produzir um conjunto de boas sugestões culturais que estão disponíveis, e são actualizadas, no A-Z Weblog e no facebook. Numa das sugestões recentes referiu um documentário de 53 minutos que iria passar no canal ARTE sobre a arquitecta francesa  Charlotte Perriand (1903-1999) e que estará disponível neste sítio da ARTE de 6/Out a 11/Dez/2019.

Nos tempos que correm acaba por ser mais prático ver os programas de TV nos sítios da internet na altura que nos é mais conveniente, quer na “box” para os canais de gravação automática quer nos sitios na internet de cada canal para os que não são gravados.


Sei agora que a Chaise Longue que referi nestes posts, “Um caminho para o Nirvana” e “O Nirvana como um caminho” tem o título “B306 Chaise Longue”.




É muito devido às tão agradáveis e numerosas sonecas que esta cadeira me tem proporcionado (a maior parte das vezes consigo iniciar repouso, adormecer profundamente e acordar retemperado ao som do alarme do telemóvel em 20 minutos, tudo incluído) que me tenho interessado pela história desta cadeira e de Charlotte Perriand.

Neste filme que passou no canal ARTE dizem que foi após um tempo passado num hospital que no regresso a casa sentiu que existiam móveis a mais na sua habitação e que aderiu emocionalmente às teses funcionalistas então em voga.

Depois da formação em arquitectura trabalhou no atelier de Le Corbusier de 1927 a 1937, tendo-se dedicado nesse período sobretudo a projectos de interiores.

Nota: já devia ser tempo de encontrar traduções adequadas em português para o termo inglês “Design”, mas usar “artes decorativas” para alguém que se quer afastar da “decoração” parece muito inadequado, por outro lado “projecto” parece demasiado vago se bem que “design” só adquira o significado específico de “arquitectura de interiores” quando contextualizado.

Nesse projecto de interiores participou activamente na concretização em conjunto com Le Corbusier e Pierre Jeanneret da já referida “B306 Chaise Longue”, além desta “Cadeira de braços LC1” cuja imagem encontrei na National Gallery of Victoria




e também esta Poltrona LC2
interessando-se pela aplicação dos processos industriais de produção em massa ao mobiliário das casas de habitação. Foi-se interessando pela melhoria das habitações das classes trabalhadoras, cujas condições em Paris eram nessa altura deploráveis, o que deve ter contribuído para a saída do atelier de Le Corbusier. Aproximou-se do PC francês, tendo-se afastado após acordo Stalin-Ribbentrop.

Nas vésperas da invasão de Paris em 1940 viajou de barco para o Japão, a convite do Ministério do Comércio e Indústria, via colega japonês com quem trabalhara no atelier de Le Corbusier, para melhorar padrões dos produtos japoneses tendo em vista a exportação para o Ocidente.

Ficou encantada com o minimalismo japonês que encontrou e talvez perplexa sobre que alterações sugerir às soluções japonesas. Ficou imediatamente fã do chão em Tatami, uma esteira feita,entre outros materiais com palha de arroz. Diziam no filme: “elle s’est immédiatement tatamisé”.

"O vazio tem imenso poder, é nele que nos movemos", parece-me ter ouvido durante o filme, comentando o espaço vazio comum nas casas tradicionais japonesas.

Com a entrada do Japão na guerra saiu do país e esteve no Vietnam, então colónia francesa, até ao fim da guerra, altura em que voltou para França.

Esteve envolvida na construção da estância de férias Les Arcs, em Bourg-Saint-Maurice, a uns 140km de Genève de que existem umas imagens interessantes aqui:


Aos 90 anos desenhou uma sala de chá para o edifício da UNESCO em Paris



E nesta Architectural Review tem uma pequena biografia.






2019-10-13

Entrevista de Amartya Sen na New Yorker




Li há poucos dias uma entrevista do Amartya Sen (nascido em 1933) para a New Yorker intitulada “Amartya Sen’s Hopes and Fears for Indian Democracy”, economista indiano laureado com o prémio nobel de que sou fã e que tenho referido nalguns posts deste blogue.

Nela foi mais uma vez referida a importância da democracia na supressão das formas mais extremas de fome que levavam à morte em massa de milhares ou mesmo milhões de pessoas numa dada região.

Ele mostrou que a presence de uma fome mortal numa sociedade democrática é imediatamente combatida com sucesso pelo governo da ocasião, que não se pode dar ao luxo de perder quer directamente eleitores morrendo à fome quer indirectamente pelos sobreviventes descontentes.

Mas o tempo tem-lhe mostrado que outras injustiças tais como a subalimentação sistemática de partes da população, a frequente discriminação das mulheres ou a inexistência de boas escolas para a maioria das crianças são muito mais difíceis de combater, mesmo em regimes democráticos.




A propósito dos comunistas retirei este pequeno extracto:

«
And also, in terms of sympathy for the poor, I thought the communists had something really important to offer. On the other hand, I was always shocked by the absence of political theory. It is not often recognized that Marx had very little interest in political organization. This whole idea of the dictatorship of the proletariat really makes no sense whatsoever. [Laughs.] And, as John Kenneth Galbraith argued, you need opposition, what he called “countervailing power.” There is no countervailing power in their thinking.
»
que me atrevi a traduzir assim:
«
E também, em termos de simpatia pelos pobres, eu pensei que os comunistas tinham realmente algo importante para oferecer. Por outro lado, sempre me chocou a ausência de teoria política. É poucas vezes reconhecido  que Marx tinha muito pouco interesse em organização política. A própria ideia da ditadura do proletariado não faz nenhum sentido. [Risos.] E tal como John Keneth Galgraith argumentou, é precisa oposição, o que ele chamou “contra-poder”. Não existe contra-poder no pensamento deles.
»

Estas considerações apareciam num contexto de censura à política do actual primeiro-ministro da União Indiana, Narendra Modi, pela sua deriva hinduísta em detrimento das outras culturas que habitam no vasto território da União e do abuso da concentração do poder.

Pareceu-me uma coincidência interessante estas reflexões sobre a importância da oposição na altura das eleições legislativas em Portugal.

No caso do PS e também do PSD, parece-me que não basta existir oposição quando têm maioria absoluta pois, como nessas circunstâncias a oposição diz sempre mal de tudo o que fazem, acabam por não a ouvir.

A necessidade do partido do governo fazer alguma negociação com a oposição tempera as medidas que acabam por ter maior qualidade, como aconteceu em Portugal na legislatura de 2015-2019.

Espero que estes hábitos de negociação sistemática com a oposição perdurem na legislatura em que agora entramos.

2019-10-04

Vieiras de Tenerife no blogue "Dias com árvores"


O blogue "Dias com árvores" do Paulo V. Araújo e Maria P. Carvalho continua a brindar-nos com imagens líndíssimas das mais variadas plantas acompanhadas de textos com uma parte mais dedicada a botânicos profissionaise/ou amadores juntamente com outra dirigida ao público em geral.

A parte botânica dá-nos uma ideia da vastidão deste ramo da biologia, a para o público em geral contém considerações muito ponderadas, como é o caso de mais este post sobre as Vieiras de Tenerife, onde fui buscar as duas imagens que mostro a seguir







2019-10-01

Velocidade de transmissão de informação e cabos domésticos


Tive acesso à Internet em casa desde Maio/1998 através dum Zoom Fax Modem com velocidade de 33.6kbit/s e disponibilizada por um pacote NETPAC da Portugal Telecom.

Na altura coloquei uma calha desde o sítio onde tenho o PC até à tomada do telefone, foi preciso um cabo com 15 metros pois o trajecto quase nunca é em linha recta.

Em 2003 já tinha uma ligação ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) com um “Alcatel Speed Touch USB 330 Modem” e um novo contrato com a PT. Diz na Wikipédia que este aparelho podia ir até 7Mbit/s nos downloads e 1 Mbit/s nos uploads. Não me lembro das velocidades típicas do serviço, os valores acima eram majorantes impostos pelo equipamento.

Nessa altura já se dizia que as velocidades de acesso à internet podiam ser enganadoras dado que os servidores que continham os diversos domínios podiam não conseguir responder com a velocidade máxima da ligação à Internet do assinante.

Por curiosidade estive agora a verificar que tenho e-mails apenas a partir de 2005, é posssível que  tivesse alguns anteriores mas deviam ser poucos.

Quando chegou a fibra óptica ao meu prédio nos Olivais Sul em Jul/2009 subscrevi o serviço, mas preferi usar a Wi-Fi disponibilizada no router (que tinha para o PC fixo uma performance  de cerca de 10Mbit/s ) do que passar um cabo Ethernet com 30metros do PC até ao router em substituição do cabo de 4 condutores com 15m para a ADSL que ia do PC até à tomada do telefone fixo.

Um PC portátil ao lado do fixo consegue cerca de 20Mbit/s e em locais próximos do router (distância de 1 metro) chegou aos 50Mbit/s. Daqui é fácil concluir que o problema da baixa velocidade estava no PC fixo e não no router do operador de telecomunicações

Entretanto constatei que por vezes a velocidade do Wi-Fi descia a valores exasperantes, do género 100kbit/s, que presumo devidas a problemas do operador, mas estas ocorrências raras aumentaram a minha vontade de migrar para uma ligação Ethernet.

Andei hesitante em comprar um TP-link, aparelhos que usam a rede de fios eléctricos duma casa para transmitir sinais de uma rede ethernet. Coloca-se um aparelho TP-link ligado a a uma tomada de 220V ao pé do router e outro aparelho TP-link a outra tomada eléctrica ao pé do PC e ligam-se o PC ao TP-link próximo com um cabo ethernet e o router ao TP-link próximo dele com outro cabo ethernet.

Embora tenha tido boas referências do TP-link, numa conversa que tive sobre estes equipamentos disseram-me a certa altura que o aparelho se tinha avariado, ilustrando a vantagem de um cabo simples que tem uma fiabilidade mais elevada.

Da informação que consultei na Internet constatei que os cabos CAT5 (Categoria 5) com 4 pares de condutores entrançados são adequados para ligações Ethernet até 100metros, funcionando bem com velocidades de 100Mbit/s e mesmo mais, tendo também constatado que eram muito mais flexíveis do que os cabos que eu vira utilizar em algumas aplicações profissionais, conseguindo passar pelos cantos apertados das calhas que eu instalara alguns anos atrás.

A instalação de cabos pelos operadores de telecomunicações em casas impreparadas para o efeito é feita usando pistolas de cola quente. Quando um dos cabos deixa de ser necessário costuma ser abandonado no local, normalmente junto a um rodapé. Desta vez retirei o cabo coaxial que servira para a TVCabo e que deixara de ser usado e coloquei
- o cabo de fibra óptica;
- o cabo do router (passando por caixinha) até ao telefone fixo;
- o novo cabo para ligação Ethernet
numa calha com capacidade para estes 3 cabos, ficando a pensar que deveria ter usado uma calha ligeiramente maior, para algum novo cabo que venha a ser necessário.

Existem cabos Ethernet com as fichas de 8 terminais já ligadas para comprimentos de vários metros, de 10 e de 20m. Comprimentos maiores talvez só por encomenda e no meu caso o cabo teria que passar por um orifício sendo preferível colocar a ficha após a passagem por esse orifício para manter este com dimensão pequena.

A ligação de um cabo Ethernet a uma ficha RJ45 é fácil para quem tem prática. No meu caso falhei duas ligações antes da primeira ligação bem sucedida. É necessário dispor de um alicate para esmagar os contactos da ficha nos condutores previamente colocados lado-a-lado numa ordem pré-determinada, no meu caso usei a T568B.

Este filme do YouTube (Cat RJ45 easy Technique) foi essencial para eu conseguir que os 8 condutores ficassem bem planos e bem paralelos, de forma a que cada um entrasse no orifício que lhe estava destinado na ficha RJ45.




Ao fim de algum tempo e depois de algumas deslocações de mobiliário seguidas da devida reposição consegui uma ligação Ethernet directa entre o router e o PC fixo que no teste da FCCN deu cerca de 90 Mbit/s quer no download quer no upload.

Notei que nalguns sítios a informação parecia chegar mais depressa e certamente o tempo de  transmissão de ficheiros vai ser bastante menor.


Adenda: não costumava ver  programas da TV no PC entre outras razões porque me cansava das pausas frequentes que ocorriam. Constato agora que com os 90 Mbit/s em vez dos 10 Mbit/s anteriores estas transmissões fluem muito melhor.

2019-09-28

Escada verde sobre fundo rosa com sombras tropicais


Deste post da Helena Araújo intitulado "Drake" saltei para este conjunto  "Pura vida" donde destaco este "pura vida - o paraíso sempre alhures" onde está esta imagem de que me lembrava e que tanto apreciei:




2019-09-22

Factfulness (Factualidade) e o abastecimento de água no Algarve



Recentemente tenho-me deliciado a ler o livro do Hans Rosling (póstumo), do filho (Ola Rosling) e nora (Anna Rosling Rönnlund) intitulado "Factfulness" (Factualidade) contendo as explicações mais satisfatórias e completas que até agora encontrei para ter observado melhorias contínuas (pelo menos como tendência) das condições de vida dos portugueses durante 60 anos e contudo, durante esse período de tempo, sempre ter ouvido dizer que isto ia de mal a pior e que o futuro seria ainda mais negro e mesmo as  melhorias irrecusáveis eram quase nada em relação ao que poderiam ter sido.

Recomendo vivamente a leitura deste livro. Eu já vira umas 3 apresentações do Hans Rosling de que gostei muito e referi em post do ano passado, mas o livro vale também muito a pena (que não é pena alguma)!

Como pequeno exemplo para ilustrar a melhoria das condições de vida no Algarve recordo-me da existência de cisternas em muitas casas ou pelo menos de tanques adjacentes à casa para recolha da água da chuva. Tomei conhecimento que essas cisternas passaram a ser visitadas regularmente pelas autoridades sanitárias que povoavam as mesmas com pequenos peixes que comiam ovos de mosquitos e presumo que outros pequenos animais nocivos. Nem sempre a água das cisternas seria boa para beber mas pelo menos era adequada para lavagens. A dispersão das casas e a baixa densidade populacional tornava difícil a banalização de água canalizada em todas as habitações pelo que seriam frequentes as doenças provocadas por consumo de água em más condições sanitárias.

A certa altura banalizou-se a perfuração de furos para chegar aos lençóis freáticos e utilizar para regadio, com água abundante em alguns sítios como por exemplo em Silves e na planície entre Faro e Olhão. Surgiu então o problema da gestão de um recurso público. Em anos mais secos o nível da água no lençol freático descia e furos menos profundos ficavam secos. Se num dado ano secavam os furos com profundidade de 10m os furos que eram feitos no ano seguinte iriam até além dos 10m e assim sucessivamente. Na ausência de limitação da extracção de água subterrânea o nível freático foi baixando de ano para ano, existindo furos com profundidade de 100m!

Uma exploração sustentável do lençol freático seria extrair num dado período a água que em  média iria aumentar o nível freático. A corrida a furos mais fundos, forte indício de sobreexploração dos lençóis freáticos, levou a uma descida dos níveis destes e a um acréscimo do gasto em energia para elevar os metros cúbicos de água. Notar que 1m3 de água pesa 1000kg (uma tonelada). Toda a gente passou a ter que elevar a água umas dezenas de metros mais do que seria necesário se se tivesse mantido uma extracção sustentável.

Outra consequência da descida da do nível dos lençóis freáticos foi que nalguns casos, como por exemplo no concelho de Portimão, essa descida levou á "invasão" do lençol freático por água salgada proveniente do mar. Durante mais de um ano a água canalizada em Portimão era tão salgada que era imprópria para fazer café e as máquinas de fazer café expresso passaram a ser abastecidas com água de Monchique, obtida através de garrafões ou "jerrycans" que eram cheios nas fontes existentes na serra. No início dos anos 70 tornou-se um hábito das famílias com automóvel fazer viagens à serra com vasilhame para transportar água de fontes onde se formavam bichas de pretendentes da água respectiva.

A seguir mostro um garrafão clássico com capacidade de 5 litros e envolto em  vime entrançado para proteger o vidro e fornecer uma pega para facilitar o manuseamento. Ao lado deste mostro a versão em que o vime foi substituído pelo plástico.

Estes garrafões eram mais usados para conter vinho mas também podiam ser usados para transportar/guardar água. Notei agora como o “design” do garrafão com o entrançado de vime foi desnecessariamente imitado na versão em plástico. E é fácil perceber que envolver em plástico o recipiente de vidro de um garrafão requer muito menos mão-de-obra do que envolver o mesmo recipiente com vime entrelaçado, existiram motivos fortes para que os plásticos se tornassem tão ubíquos


No garrafão seguinte, da Água do Luso, é mantido o motivo do vime entrelaçado mas o “design” é ligeiramente alterado.

Mas para transportar 5 litros de água era preciso contar com 2 ou 3 kg adicionais para o garrafão aos 5 kg de água nele contidos, a não ser que se usassem “jerrycans” de 10 ou 20 l de capacidade que pesavam bastante menos de 1kg cada.

No início dos anos 90 a água em Portimão já não era salobra e só faltava de forma muito esporádica, enquanto em Albufeira existiam ainda quebras de fornecimento de água quase todos os dias do mês de Agosto, quando existiam mais turistas.

Disse-me um amigo que no Sotavento havia também quebras sistemáticas de fornecimento de água durante o Verão, antes da construção das barragens de Beliche e de Odeleite.

No Algarve foi entretanto possível construir um sistema multimunicipal de abastecimento de água conforme se pode ver na figura seguinte



tendo acabado ou tornado raras as quebras de fornecimento de água para consumo humano, quer através dum melhor aproveitamento directo da água da chuva aumentando as bacias onde é recolhida quer com o aumento da capacidade de armazenamemnto quer com a construção de adutores que permitem socorrer zonas mais carenciadas com água disponível em zonas mais distantes, pois todo o sistema multimunicipal está interligado. Além da regularidade do abastecimento a qualidade da água fornecida é também muito melhor.

Fui ver as datas de construção das grandes barragens do Algarve que resumi em tabela

Barragem                 Concelho      Conclusão    Capacidade total (hm3)

Arade                       Silves              1955            28,4
Odeáxere (Bravura)  Lagos               1955            34,8
Beliche                    Castro Marim    1986            48  
Funcho                     Silves               1993            42,7       
Odeleite                   Castro Marim    1997          132  
Odelouca                  Monchique        2009          157  
   
que se destinam todas a regadio e abastecimento de consumos domésticos.

Esta tabela dá uma ideia do esforço continuado ao longo de um período de tempo muito prolongado, demonstrando que os regimes democráticos com eleições em cada 4 anos também são capazes de desenvolver projectos com horizontes temporais superiores ao ciclo eleitoral, desde que existam necessidades suficientemente importantes por satisfazer ao longo do tempo.

Aqui tem uma breve descrição da história da empresa “Águas do Algarve”, uma empresa do grupo “Águas de Portugal” criada no ano 2000, resultante da fusão das empresas multimunicipais “Águas do Barlavento Algarvio” e “Águas do Sotavento Algarvio”.


2019-09-11

Malika Favre (2)


A revista new yorker vai ter mais uma capa feita pela ilustradora Malika Favre de que falei aqui e aqui.

Fui mais uma vez à procura de outras obras dela e gostei muito desta, que encontrei aqui, acho que me impressionaram as sombras, os reflexos e a ausência de  horizonte.

Fez-me lembrar as férias e a minúcia do Escher.

 

2019-08-30

Linhas Platónicas


À medida que o raio de uma circunferência aumenta em relação ao comprimento de um dado arco  dessa circunferência este fica cada vez mais próximo de uma recta, uma linha perfeita que pode ser considerada uma ideia do mundo platónico.

Os comprimentos das linhas de horizonte que mostro a seguir são muito pequenas em relação aos cerca de 6000km do raio do da Terra, donde a sua quase perfeita rectidão.








2019-08-23

Lembrando Maluda


Ao ver a sombra desta escada pensei na Maluda

que poderia usar este motivo como ponto central de uma composição.

A seguir mostro o contexto imediato da mesma escada


e aqui mais alargado






Talvez um dia tente uma estilização desta cena, mas agora que falei na Maluda fiquei intimidado com eventual  comparação.

Revisitei posts deste blogue em que mostro imagens estilizadas de Olhão da Maluda, aqui e aqui, donde tirei esta imagem.






2019-08-19

Fim-de-tarde


Gostei de ver os brancos mais amarelos ou mais azulados, conforme ainda à luz do sol ou à sombra mas a diferença de tonalidades nem sempre aparecia nas fotos cuja cor era corrigida de forma automática pela máquina fotográfica de bolso.

Para controlar estes detalhes é preciso um treino contínuo, indisponível para quem quer continuar fotógrafo-amador. Assim, é preferível ter estes controlos automáticos, uma pessoa tira várias fotos que ficam todas razoáveis e depois escolhe aquela que lhe agrada mais.

Foi esta a escolhida:




2019-08-11

Nuvens Altocumulus no Verão Algarvio


Durante o dia este é o céu algarvio mais comum, fotografado em 1/Agosto/2019


embora não seja raro aparecerem às vezes algumas nuvens, como por exemplo estas que fotografei em 7/Ago



Num sítio da internet mostravam esta imagem em que me baseei para dizer que estas nuvens eram Altocumulus:




 

2019-08-07

Problema com GPS desde 6/Abril/2019


Em Abril deste ano o GPS do meu carro, um Citroën de 2010, passou a mostrar de forma sistemática a mensagem "zona não cartografada” em vez do mapa do local da viatura. O sistema de navegação continuava a dar indicações sobre como se dirigir para um dado objectivo, quer vocais quer mostrando setas de mudança de direcção, acompanhadas da distância até à mesma, mas tinha deixado de mostrar o mapa.

Tirei  o cartão SD com o programa do GPS e verifiquei a sua integridade fazendo um “scan” num PC, aparentemente o cartão estava bom.

Um amigo referiu-me que em Abril deste ano se passara qualquer coisa com o sistema de satélites GPS que poderia causar problemas em programas mais antigos. Procurei informação na internet incluindo sítios da Citroën mas sem sucesso. Telefonei para uma sucursal da Citroën mas disseram-me que teria que levar lá o automóvel para ser visto por um técnico. Dado que as intervenções das oficinas das marcas costumam ser dispendiosas preferi continuar com o sistema degradado visto que continuava a ter acesso a indicações sobre como atingir um dado local.

Recentemente, no fim de Julho, o meu relógio de pulso que mostra o dia do mês avariou-se e procurei a data do dia no écran do carro pois o telemóvel não estava à mão. Tive dificuldade em localizar a data no écran, constatando que consulto frequentemente as horas mas quase nunca a data. Os algarismos que indicavam a data mostravam 04-12-2089 o que explicava parcialmente a minha dificuldade em identificar esta série de algarismos como uma data pois o ano não se parecia com 2019. Quando identifiquei 04-12-2089 como uma  data passei ao passo seguinte de corrigir a data-hora. Ao princípio só conseguia modificar as horas e os minutos, reparei que tinha um “v” numa caixa com o texto “Sincronizar data com GPS” Tirando o “v” consegui alterar a data para 2019 mas ao recolocar o “v” a data voltou ao valor errado anterior. Retirei o “v” outra vez, corrigi outra vez a data e dei esta correcção por concluída.

Nesta altura ocorreu-me que talvez fosse a presença da data errada que inibisse a apresentação do mapa pelo sistema GPS. Coloquei um novo destino no GPS para testar esta hipótese e o mapa voltou a aparecer!

Depois acabei por descobrir informação útil na internet sobre este assunto, designadamente no sítio da Citroën na Nova Zelândia onde indicam que se faça o que eu fiz. Neste sítio identificam o meu GPS “ “My Way – Wip Nav ” produced between 2007 & 2015” como o único que terá problemas. Não sei se será o único mas confirmo que este teve problemas.

Presumo que o programa do GPS do meu carro considera que mapas muito antigos, como será o meu actual datado de 2010 em 2089, não devem ser considerados, o que explicaria o comportamento do sistema.

É pena que a Citroën Portugal não tenha uma informação equivalente no seu sítio, de uma forma geral os sítios portugueses são pobres neste tipo de ajuda a quem comprou os seus produtos, concentrando-se quase exclusivamente na promoção de novos produtos.

O primeiro satélite dos 24 que constituíram o primeiro sistema GPS foi lançado em 14/Fev/1989, conforme referem neste artigo da Wired de onde retirei a imagem que segue



O tempo voa, (é como os satélites...).

2019-07-30

Feito na Etiópia


Há uns 4 anos que compro todos os anos um calção de banho em saldo por pouco mais de 10 euros, tenho mantido o formato, cõr única sem desenhos calção ficando acima do joelho, o que me surpreende nestes tempos em que há tanta mudança, vou variando a côr embora além doutras tenha 3 tonalidades de azul.

Desta vez constatei que o fato de banho foi feito na Etiópia, conforme se constata na longa lista de "Feito em ..." em diversas línguas. Sendo a primeira vez que reparo que comprei uma coisa feita num país de África fui verificar onde tinham sido feitos os calções anteriores em que constava Vietnam, Sri Lanka e China.

São pequenos sinais de mudança, num continente com tantos problemas por resolver.

2019-07-28

Toldo em açoteia


Surpreendeu-me a quantidade de cabos instalados neste toldo, sombreando uma açoteia algarvia duma casa ao pé do mar, indiciando local muito ventoso.

Mas gostei dos panos brancos contra o azul do céu, uma mistura de aldeia da roupa branca e de navio à vela estacionário, cheio de cabos, de ferragens e de nós.




2019-07-22

Bem haja Tsao-I Shih que ajuda a matar mosquitos!


Tsao-I Shih é o nome do natural de Taiwan que inventou o mata-insectos eléctrico que se vê na figura ao lado e que está protegido por patente (US Patent 5,519,963).

Tenho oferecido alguns destes dispositivos maravilhosos que electrrocutam mosquitos com facilidade e limpeza. Baseiam-se na existência de uma rede metálica a uma tensão contínua muito elevada (segundo a Wikipédia com valores entre 500 e 2750V DC). A obtenção destas tensões muito elevadas com circuitos electrónicos leves, pequenos e de baixo consumo deve ter sido o factor mais importante para a realização de uma raquete prática para esta função.

Ultimamente (nestes dias de Verão) tenho-as usado frequentemente para matar mosquitos, são excelentes nessa função pois além de os mosquitos se deixarem matar com mais facilidade evita-se ter que se limpar a parede dos restos mortais do mosquito e eventualmente um bocadinho de sangue da sua vítima mais recente. Tudo isto ainda enriquecido com o estalido sonoro da electrocussão!

Os mosquitos segregam um produto para facilitar a extracção do sangue quando picam e muitas vezes as pessoas que dizem não serem picadas pelos mosquitos têm é pouca alergia a esse produto. Não é o meu caso que só sosseguei quando conheci o Caladryl e agora o Fenistil, produto extraordinário que costumo ter sobre a mesa de cabeceira em zonas com mosquitos para aplicar e fazer desaparecer a comichão tão desagradável.
Dizem que estes aparelhos, embora muito eficazes para matar mosquitos dentro de casa, não resolvem o problema da transmissão de doenças perigosas nas zonas tropicais pois são quase inúteis ao ar livre. Mesmo assim considero-os muito úteis para o uso dentro de casa e durante o Verão fico muito grato ao inventor Tsao-I Shih deste aparelho maravilhoso!



2019-07-16

Ave no topo de cipreste no céu azul


Tenho dificuldade em tirar fotografias depressa, quando o motivo é elusivo, normalmente este desaparece enquanto eu preparo a máquina para o fotografar, mesmo com o telemóvel, em que basta enquadrar.

 Desta vez fotografei com o telemóvel com má iluminação, zonas na sombra e outras com luz forte, e depois de enquadrar o motivo fiquei com esta imagem:





Vários exemplares desta ave apareciam com frequência no aldeamento da Prainha em Alvor, onde fotografei esta, e andei durante algum tempo à procura usando o Google de ave com cabeça preta e asas azuis, que não se vêem bem na foto mas que notava nas curtas mas frequentes breves aparições.

Talvez para compensar a frustação  de não conseguir fotografar estaa ave em boas condições observei o que me pareceu uma rola  ao longe sobre um  cipreste que esteve lá mais de 5 minutos o que me deu mais que tempo para a fotografar:

Como fotografei no máximo do zoom óptico, enquadrando o topo da árvore nesta foto confirmei tratar-se de uma rola


 e pensei que com esta foto podia fazer um post.

Depois acabei por descobrir que a ave que eu tentava identificar era uma Pega-azul, Cyanopica cooki conforme refere o sítio "Aves de Portugal", onde tem esta e outras imagens desta ave:





2019-07-11

Pedro Nuno Santos



Acabo de ver Pedro Nuno Santos no programa “Grande Entrevista” de Vítor Gonçalves na RTP3. Tenho grande simpatia por este militante do Partido Socialista que teve grande responsabilidade no bom funcionamento do acordo do PS com outros partidos de esquerda da legislatura de 2015-2019.

A entrevista foi mais focada no passado e eventual futuro de acordos da esquerda do que nos projectos do Ministério de que é actual e recentemente responsável.

Existe um conceito arcaico da necessidade da existência de um sacrifício para se conseguir obter algo que se deseja, já nas religiões anteriores ao cristianismo sacrificando aos deuses, continuando no catolicismo com o jejum e a abstinência e o papel considerado muito positivo do sofrimento na santificação dos crentes, depois no capitalismo com a alegada necessidade do trabalho árduo para se prosperar e de poupar, mesmo sem qualquer sinal económico de recompensa dessa poupança, continuando no regime soviético em que as gerações do presente tinham que fazer enormes sacrifícios para o futuro radioso que os esperava, ou melhor que esperaria os seus descendentes.

Na própria sociedade hedonista existem os ginásios onde era comum a regra “no pain, no gain” (digo “era” porque não sendo frequentador poderei estar desactualizado) e a direita continua a falar na falta de “Reformas Estruturais” o eufemismo actual para reduzir salários e pensões, aumentar a precariedade do emprego com o objectivo de o tornar mais seguro (muito à semelhança dos mecanismos referidos por George Orwell no “Animal Farm”, reduz-se uma determinada qualidade para que no futuro ela passe a ser muito mais abundante), reformar a Segurança Social, um eufemismo para entregar as poupanças dos trabalhadores para a sua reforma a especuladores financeiros, que têm vezes sem conta delapidado as quantias que lhes são confiadas.

Os gestores vão ao ponto de tentar naturalizar o que chamam de “resistência à mudança” com a frase “only wet babies like change” (só bebés molhados gostam de mudança (de fraldas)) quando a frase também pode ser interpretada como até os bébés são capazes de aderir a uma mudança quando se trata de uma melhoria.

O Pedro Nuno Santos veio afirmar que os Partidos Socialistas nasceram para melhorar as condições de vida da população mais desfavorecida e não para lhe trazer mais sofrimento, lembrando que os Partidos Socialistas costumavam acrescentar a “Socialista” um segundo adjectivo que era “Reformador”, presume-se também que em contraponto a “Revolucionário”. A realização de reformas está assim no ADN destes partidos e elas existiram em Portugal durante estes últimos 4 anos, embora a maior parte das vezes diferentes das preferidas pela direita.

2019-07-03

Revalidar a Carta de Condução


Agora que neste ano vou fazer 70 anos passo a ter que revalidar a carta de condução de 2 em 2 anos.

É um bocado assustadora a entrada no clube dos septuagenários com a tomada de consciência do aumento, ou mesmo que por enquanto seja só o potencial de aumento, da nossa fragilidade.

E além disso mais esta chatice da revalidação da carta ano sim, ano não.

Nunca fui ao IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes), essa instituição tinha uma péssima imagem devido à existência de bichas enormes e demoradas para tratar da revalidação da carta. Até agora tenho sempre usado os simpáticos serviços do ACP (Automóvel Club de Portugal) que tratava por nós da papelada de forma sempre eficiente e que agora até disponibiliza possibilidade de consulta médica associada à revalidação.

Comecei o processo por consulta à minha médica de família que me passou na hora um Atestado Médico confirmando que estou apto para a condução de veículos. Deu-me na altura o documento em papel mas informou-me que bastava o número do documento pois ele já estava disponível para as entidades públicas relevantes para o seu efeito.

Um amigo disse-me que nas lojas do cidadão tratavam do assunto não sendo necessário esperar muito, pelo que me dirigi a uma dessas lojas. Cheguei às 10:30 e às 11:00 ainda não tinha sido atendido, pelo que decidi regressar a casa e tentar a via internet de que ouvira falar.

O site do IMT é de fácil acesso, sendo aqui o sítio onde se inicia o contacto via internet para a revalidação da carta:


Depois de uma interacção inicial para confirmar os meus dados pessoais e o meu e-mail, no meu caso usei a mesma identificação que para a Autoridade Tributária, e de autorizar o uso da foto do Cartão de Cidadão para a Carta de Condução, passei à fase dos pedidos.

Na página dos pedidos estava a informação que já dispunham do Atestado Médico necessário para a revalidação da carta! A administração pública mostrava um grau de integração espantoso para um cidadão pouco habituado a ver informação fluir desta forma de um ministério para outro ministério.

A interacção correu muito bem, resposta rápida da aplicação, tudo bem apresentado, fiquei aliviado por me bastar usar esta aplicação de 2 em 2 anos para revalidar a carta sem sequer sair da casa.

O pagamento da revalidação, actualmente 13,50€, só está garantidamente disponível no Multibanco passadas 24 horas. Será algo a melhorar nos próximos tempos, seria mais prático que se pudesse pagar logo.

Acho que estas são as verdadeiras Reformas Estruturais, evitar que o cidadão perca tempo e dinheiro em engarrafamentos e filas de espera em vez de trabalhar, descansar ou divertir-se.





2019-06-28

Tipuana tipu iluminada sobre fundo de ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii


Próximo do topo da rua Cidade de Luanda nos Olivais Sul encontra-se uma árvore tipuana tipu junto a uma ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii, aquela com folhas "compostas, verde-amareladas, cerca de 4 cm, com 11 a 21 pares de folíolos ovais com margens inteiras"(citando Guia Ilustrado de Vinte e Cinco Árvores de Lisboa da C.M.L.), esta com folhas de tom vermelho escuro e descrita neste sítio de Serralves.

De manhã, as folhas iluminadas pelo sol relativamente matinal (eram 10:56...) da tipuana tipu faziam um contraste interessante sobre as folhas escuras da ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii conforme se constata na imagem seguinte



e com mais pormenor neste zoom:


No sítio de Serralves que referi acima diz que esta variedade Pissardii de ameixoeira-dos-jardins é dedicada a Pissard, jardineiro da Pérsia, que a introduziu em França. As voltas que as plantas dão, esperemos que a Pérsia não seja obliterada.




2019-06-20

Mahatma Gandi


Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948) foi um indiano notável que deu uma contribuição importante para a autodeterminação da parte indiana do império britânico

Em Janeiro de 2019 o jornal Expresso editou em 5 pequenos volumes uma autobiografia de Gandi intitulada “A minha vida e as minhas experiências com a verdade”. A obra foi escrita por Gandi na língua guzerate enquanto estava na prisão na Índia, nos anos de 1927 a 1929, portanto com quase 60 anos, cobrindo a sua vida desde a infância até 1921. A obra foi publicada em textos semanais em guzerate e posteriormente também em inglês em jornais indianos.

A Wikipédia tem uma entrada sobre o livro, como habitualmente telegráfica em português e bastante completa em inglês.

A figura de Gandi goza da  minha simpatia, ainda mais depois de ver a personagem interpretada por Ben Kingsley no premiado filme “Gandhi” de Richard Attenborough estreado no ano de 1982 e que revejo às vezes no DVD.

Gostei de ler o conjunto dos 5 volumes mas, dada a existência de descrições organizadas da obra, limitar-me-ei a comentar alguns assuntos avulsos ou alguns pormenores que me chamaram mais a atenção.

Parte I (Livro 1)

1) Não comer carne

Em tempos, ao falar com um colega indiano sobre o tabu de não comer carne de vaca ele explicou-me que, face às condições climáticas da Índia e à sua densidade populacional, as vacas (e os bois) eram um capital muito importante para a agricultura, quer para lavrar os campos, quer como fonte de produtos lácteos ou ainda para fornecer excrementos a usar como adubo ou como combustível. Provavelmente, dizia esse meu colega, o conselho para conservar as vacas evoluiu para uma proibição de matar e mais tarde para um tabu religioso.

Agora googlei (importance of cow taboo in indian agriculture) e apareceu-me logo este artigo da biblioteca da Universidade de Gotemburgo na Suécia “India’s sacred cow”, de Marvin Harris de Fev/1978, com a mesma tese.

Há bastante tempo que se fala do maior consumo de energia associado ao consumo de carne de uma maneira geral e da carne de vaca em especial. Ultimamente a carne dita vermelha tem sido objecto de avisos para suprimir ou no mínimo moderar o seu consumo, por razões de saúde.

Já tenho referido a minha simpatia por um consumo muito moderado de carne mas tenho achado pouco prático uma supressão completa. O consumo de carne é comum entre os animais carnívoros e omnívoros e provavelmente o nosso organismo estará adaptado ao seu consumo.

Reconheço que provavelmente reconsideraria estes meus hábitos se tivesse que matar eu próprio o animal mas essa necessidade ainda não se colocou.

Resumindo, o consumo de carne é para mim uma questão de saúde, de sustentabilidade do planeta, de economia e de existência de pessoas disponíveis para matar animais ou, num futuro próximo, de carne feita em laboratório, sem recurso a animais vivos.

Achei assim curioso que o Gandi, quando foi para Inglaterra, tenha jurado à mãe que nunca se alimentaria com carne. Mas, pensando bem, tratando-se de uma interdição religiosa, acaba por ser natural esse tipo de juramentos.

Para ilustrar algumas formas mais modernas de preparar o Cozido à Portuguesa deixo aqui esta imagem que me dizem ter sido do restaurante Tavares Rico que já mostrara aqui.



Ainda tem carne mas já muito menos do que era costume

2) Usos e costumes sociais

Além dos problemas relacionados com a sua alimentação vegetariana, completamente atípica  na Inglaterra dos anos 90 do século XIX e mesmo sabendo que o conhecimento de outras culturas distantes está hoje muito mais acessível à população em geral, não deixei de me admirar com o grau de ignorância do jovem Gandi sobre os usos e costumes quer da vida a bordo quer da vida quotidiana na Inglaterra.

Uma parte engraçada que conta no livro foi ter desembarcado em Inglaterra vestido com um fato de flanela branca no início do Outono (o barco saíra de Bombaim em 4/Setembro), sendo a única pessoa de Londres vestindo um fato branco nesse dia, todos os outros estando com fatos escuros, situação que Gandi recorda no livro, como lhe tendo causado grande desconforto. Faço a conjectura que o facto de os ingleses na Índia terem maior tendência para usarem cores claras terá levado o Gandi a pensar que as cores claras seriam mais apropriadas para usar em Inglaterra, se bem que durante a viagem no barco tenha vestido um fato escuro.

Se calhar foi também este trauma que o levou a vestir traje indiano de camponês quando passadas várias décadas revisitou Londres para então negociar transição da Índia para a independência.

Os códigos de vestir continuam presentes nos tempos que correm, continuando a depender do espaço e do tempo. Por exemplo os jeans, que anteriormente eram explicitamnete proibidos em muitos estabelecimentos de ensino há algumas décadas, são agora não só tolerados como mesmo “obrigatórios” se bem que “de facto” e não “de  jure”. Jovens têm-me dito que quem apareça com calças de flanela será objecto de observações que o levarão a prescindir de aparecer em público com esse tipo de roupa.

Pode ser que este post acabe por ser o único sobre o livro do Gandi, escrever sobre uma figura tão notável acaba por ser uma tarefa delicada.

2019-06-17

Masculino - Feminino


Este tema é inesgotável e neste post restringir-me-ei às distinções visuais entre elementos de sexo diferente. O tema foi suscitado por este “Alto-relevo” (High relief)


localizado na Avenida da República quando esta passa pelo Campo Pequeno e que mostro a seguir com mais detalhe


Embora a figura, possivelmente dos anos 50 do século XX, apresente um comprimento de cabelo que a permitiria identificar imediatamente como uma mulher (os hippies só apareceriam mais tarde) além de peito feminino, os traços da cara parecem-me muito masculinos. Já para não falar dos pés e braços que me parecem também excessivamente robustos.

Há muitos anos, talvez na altura em que existiam nas praias concursos de “Construções na Areia”, quando eu tentava esculpir uma cara feminina costumava sair-me uma feição tipicamente masculina. O mesmo me acontecia com o desenho e de vez em quando penso que os professores de Desenho do liceu deveriam ensinar essas noções básicas e classificar a aprendizagem dos alunos em vez de classificar o talento respectivo, como eu então achava.

Claro que a identificação do sexo de uma pessoa através da sua cabeça não é uma ciência exacta, nem sei qual a probabilidade típica de se acertar. No Ocidente o corte de cabelo é uma ajuda importante, como julgo ser o caso na imagem seguinte que já mostrara aqui



enquanto nos países em que a mulher usa véu o assunto fica quase logo resolvido, como neste quadro da palestiniana Laila Shawa que mostrei aqui




Na imagem seguinte, de autoria da Malika Favre que mostrei aqui



as unhas pintadas e os lábios com baton, ou mesmo o rímel a acentuar as pestanas são decisivos enquanto na seguinte, da mesma autora e do mesmo post


julgo que será a pestana e o que me parece ser uma banda a segurar o cabelo. Fascinam-me as figuras pintadas com cores sólidas pois podiam ter sido feitas com guache, a tinta que estava para nós disponível nas aulas do ensino secundário. Mas enfim, isto são obras de artistas profissionais enquando nós estávamos a aprender o b-a-ba.


Googlei então (diferenças nos rostos masculinos e femininos) chegando a este post do blog “Algo sobre desenho” de onde tirei esta imagem




que é muito didática, seguindo-se um texto referindo 4 diferenças usadas na Banda Desenhada norte-americana.


Na imagem seguinte, que julgo ser da New Yorker, as 4 regras atrás referidas não são todas aplicadas


pois o homem parece ter lábios mais grossos do que a mulher. Portanto, as 4 regras serão apenas indicativas e não imperativas, pelo menos quando não se tratam de figuras da BD norte-americana.