2025-08-26

Buganvília numa praça em Lagos

 

Vi esta planta na Praça Luís de Camões em Lagos, 

 

não a reconhecendo imediatamente mas olhando para as pequenas flores e as folhas coloridas

 

constatei que se tratava de uma Buganvília, objecto duma poda pouco comum para esta espécie.

 O que eu espero quando me falam de Buganvílias são as que eu mostrei neste post de Julho/2009 de que volto a mostrar esta na Fortaleza da Praia da Rocha, instalada por cima dum Aloendro :

 



 Neste post "Recortando o Céu" de Agosto de 2008 referi que as buganvílias se podem aguentar sózinhas, sem o apoio de uma parede ou de uma outra planta e neste "A globalização das plantas" de Dezembro de 2009 mostrei esta espécie de Bonsai duma Buganvília que vi em Xian, na China, também objecto de uma poda pouco comum:



 

2025-08-17

Clarabóia com Fotovoltaicas

 

Neste Agosto/2025 reparei que na clarabóia do Centro Comercial Continente de Portimão existiam uns quadradinhos pretos que me fizeram suspeitar da presença de células fotovoltaicas.

 

Como em tempos me enganei ao ver células fotovoltaicas numa simples cobertura de plástico fazendo sombra num caminho pedestre que referi aqui, desta vez tive mais cuidado e depois de "ampliar" a foto no telemóvel vendo uns fios a sair de cada painel da clarabóia


e os fios entre todos os quadrados escuros como se vê na seguinte


 mesmo assim googlei (painéis tecto centro comercial continente portimão) e cheguei a este sítio da S-Vitech (Silva & Ventura, Lda) com várias fotografias da clarabóia em questão. Os painéis são feitos na cidade espanhola de Ávila pela firma ONYX a que cheguei googlando (onyx solar).

Tenho visto painéis solares nos campos, dispostos com regularidade nas planícies, seguindo encostas em montanhas, nos telhados das casas, em telhados de parques de estacionamento de lojas grandes proporcionando sombra aos automóveis, em telhados de armazéns, ainda não tinha visto em clarabóias.

Não sei se se trata de uma boa solução técnica mas é inovadora e poderá ter futuro, aproveitando oportunidades existentes conforme se vê nos sítios das empresas que referi.

 

 

2025-08-15

Vivenda de Compostela



Em Fev/2020 publiquei post com título “Ruína na Praia da Rocha” em que dava conta duma vivenda imponente existente nessa praia cuja demolição fora aparentemente embargada  depois de ter sido autorizada, numa sequência que fazia lembrar a demolição do cine-teatro “Monumental” na Praça do Saldanha em Lisboa.

Neste caso, o Eng.Armando Faria, anterior proprietário da cadeia de lojas “Perfumes & Companhia” pai de cinco filhos e avô de 18 netos, comprou a vivenda Compostela ao Sr.Manuel Gonçalves (dono da textil homónima)  começando a construção de uma moradia alegadamente unifamiliar para a sua família alargada.

Já antigamente se dizia “quem casa quer casa“, significando a desejável independência do poder paterno, actualmente mais difícil de realizar neste Portugal mal remunerado com uma enorme crise de habitação derivada em parte da incapacidade dos recém-casados de terem rendimento quer para pagar uma renda quer para contrair um empréstimo para aquisição duma casa própria.

A casa está a ficar com um ar majestoso como se constata na figura seguinte, uma foto tirada na praia, com a vivenda ao centro, o Hotel da Rocha do lado esquerdo da imagem e o fim do hotel Algarve do lado direito

 


O edifício tem rés-do-chão  e mais dois andares com algumas águas furtadas, presumindo eu que terá garagens numa cave. Contei 17 conjuntos de pares de janelas a que corresponderão 17 quartos com terraço com vista para o mar nesta fachada Sul. A fachada Norte não é uma simetria da do Sul (confirmação usando a vista 3D do GoogleMaps) mas terá mais alguns quartos, no total talvez uns 30.

Não tendo experiência pessoal nem de amigos próximos de como funciona uma família tão grande, limito-me a duvidar que este enorme edifício sirva de ponto de encontro dos cinco filhos e conjuges mais os 18 netos que hoje serão provavelmente em maior número.

Ouvi algures que o hoteleiro Pestana teria sido contactado para participar no projecto e que teria declinado pelo potencial de riscos jurídicos com a administração pública. O que me leva a pensar que depois da habitação unifamiliar estar concluída será mais fácil convertê-la numa instalação hoteleira ou mesmo num AL- Alojamento Local, os advogados são especialistas em interpretar leis de formas extremamente criativas.

Pode ser também que o empresário tenha sonhado em construir algo novo neste local deixando para o futuro a determinação da respectiva função. Há pelo menos um aspecto que é algo surpreendente, enfrentar dificuldades da Câmara Municipal para a realização dum investimento num edifício luxuoso numa praia que há muito deixou de ter a exclusividade de outros tempos.

Será pela falta de exclusividade da praia que o dono da obra se lembrou de ao menos ter uma escada de acesso exclusivo à praia, uma vez que não pode garantir exclusividade na praia?

Passo a mostrar esse acesso exclusivo com uma longa escada terminando num portão que garante essa exclusividade. Será que existe algum elevador?

 

E agora mostro a vista em 3D do Google Maps do edifício novo

 

e a seguir do antigo para comparação, que já mostrei no post sobre a ruína acima referida



Há uma tradição na Praia da Rocha de as construções novas bloquearem a vista de construções existentes. O caso mais gritante passou-se com o Hotel Algarve, construído sobre uma ruína existente na arriba a sul da avenida Tomás Cabreira, bloqueando a vista do mar de parte da avenida Tomás Cabreira e de umas 5 ou 6 vivendas unifamiliares,

Outras vivendas familiares existentes na av.Tomás Cabreira foram substituídas por prédios de andares onde o dono da vivenda ficava por vezes com os apartamentos dos dois últimos pisos. 

As 4 vivendas que foram substituídas por prédios de andares deram ao proprietário do último andar a oportunidade que nunca tivera de ver o mar na partir da sua vivenda, pois a a antiga vivenda Compostela estava implantada numa pequena elevação onde também tinham sido plantadas árvores para aumentar a privacidade.

Com esta construção várias vistas foram prejudicadas pelo novo edifício com uma volumetria muito maior.

Adenda: a informação de 5 filhos e 18 netos (acabo de mudar de 17 para 18) é citada do artigo no "Sul Informação" que eu referira no post “Ruína na Praia da Rocha, que revisitei agora constatando que esse periódico refere essa informação "5 filhos, 18 netos" como de "Uma fonte ligada à família, contactada no local".

Depois de publicar este post recebi o comentário de amigo que prezo informando que o Eng.Armando Faria, que conhece pessoalmente, tem apenas dois filhos (um casal) e não teria tantos netos. Esta segunda versão da "cardinalidade da descendência" torna ainda mais difícil de justificar a "unifamiliaridade" do edifício.

 

2025-08-07

Conchas e Twist

 

No meu passeio diário à beira-mar vou olhando para quem passa e quem está, já há uns anos que deixei de procurar gente conhecida dada a raridade do evento.

Vou também olhando para a areia em frente, para evitar as pedras existentes na praia de Alvor, resultantes das explosões nas arribas determinadas superiormente, como referi neste post "Pedras na Praia dos Três Irmãos".

De vez em quando, em vez duma pedra encontro uma concha em bom estado, ou pouco comum, que por vezes colecciono.

 Foi o caso destas conchas planas que apresento a seguir, com uma régua com escala em cm para refeência da dimensão e com uma moeda de 1 euro cujo diâmetro é 2,2cm. Usei o fundo verde dum saco de papel dum jornal para diminuir o contraste com a mesa envernizada de preto. 

  

Pesquisei no Google Images a concha maior

 

 

tendo sido remetido para este sítio do governo americano com imagens parecidas da "Eastern Oyster" (Ostra Americana), identificada na Wikipédia como (Crassostrea virginica), sendo esta a "tampa" da ostra, a outra parte é onde está o molusco.

Não me lembro de ter visto esta concha noutras praias, no caso da praia de Alvor ela tem sido assoreada com areia vinda da ria de Alvor, onde existe criação de ostras, por exemplo ao longo do ramal ferroviário de Lagos. Esta concha de côr branca quase imaculada deve ter perdido alguma côr  na erosão a que foi submetida.

Disseram-me que em Portugal se cultivava mais a Crassostrea angulata (Ostra Portuguesa) que tem grandes afinidades com ostras da Ásia, talvez tenha sido trazida do Japão. É possível até que as "tampas" sejam semelhantes e que se trate duma ostra portuguesa.

 

Ainda na recolha de conchas refiro umas de conquilhas gigantes que nunca vi cozinhadas num prato , que mediam uns 8cm conforme se constata na figura seguinte

 


Todas estas conquilhas perderam a côr natural, nas duas conchas na parte de baixo avalio a da esquerda, com 3,5cm na dimensão máxima, como um tamanho médio de antigamente, agora as conquilhas que me aparecem no prato ficam pelos 3 cm como na concha da direita e ainda alguns exemplares mais pequenos. Há uns 50 anos era possível apanhar conquilhas na maré baixa o que que deixou de ser possível quer na Praia da Rocha quer na de Alvor.

No Sotavento, que não tem tido uma invasão tão grande de turistas como no Barlavento dizem-me que ainda á possível apanhar algumas conquilhas pelo método tradicional que consistia em enterrar oo calcanhar na maré baixa na parte da praia que a água do mar cobria de forma intermitente e rodar o pé ora para a direita ora para a esquerda mantendo o calcanhar no mesmo sítio até desenterrar uma ou mais conquilhas que eram apanhadas à mão antes de serem levadas pela água em refluxo.

Era um movimento parecido à dança do Twist, que apareceu nos anos 60, iniciando a prática de cada elemento dos pares de dançarinos não tocar no seu parceiro, reservando essa prática apenas para as músicas de "slow".

A música clássica do Twist era este "Let´s Twist again" que constatei agora ser do Chubby Checker:

"Come on let' s twist again / like we did last summer! / Yeaaah, let's twist again / Like we did last year/...

Também havia o "Twist and Shout", uma das 4 músicas do primeiro 45 RPM (Rotações por minuto) dos Beatles publicado em Portugal e referido neste blogue

 Segue o vídeo do Twist and Shout:

 

 

2025-08-05

Gaza e o Reconhecimento do Estado da Palestina

 

Desde o post “O Genocídio em Gaza” de 2025-05-21 a situação piorou. 

Em 21/Julho/2025 um conjunto 31 ministros de negócios estrangeiros e a comissária da UE (União Europeia) para Preparação e Gestão de Crises subscreveram um documento disponível no sítio do governo do Reino Unido com uma mensagem simples: a guerra em Gaza tem de acabar já.

Os 31 países são: “Andorra, Australia, Austria, Belgium, Canada, Cyprus, Denmark, Estonia, Finland, France, Iceland, Ireland, Italy, Greece, Japan, Latvia, Liechtenstein, Lithuania, Luxembourg, Malta, The Netherlands, New Zealand, Norway, Poland, Portugal, Slovakia, Slovenia, Spain, Sweden, Switzerland and the UK”

Da UE subscreveram 21 países sendo os seis ausentes: Bulgária, Croácia, Chéquia, Alemanha, Hungria e Roménia. Deste conjunto de seis apenas a Alemanha e a Croácia não reconheceram ainda o Estado da Palestina.

No documento refere “ser horroroso que mais de 800  palestinos tenham sido mortos enquanto procuravam ajuda”, além de censurar a situação de fome generalizada provocada por Israel que já causou mortes, sobretudo de crianças.

Durante uma reunião nas instalações da ONU nos dias 28 e 29/Jul em Nova Iorque, organizada pela França e pela Arábia Saudita sobre o estabelecimento da solução de dois estados, Portugal juntou-se a 15 países que tencionam reconhecer o Estado da Palestina no próximo mês de Setembro

Antes dessa reunião a França, o Reino Unido e o Canadá declararam que iriam reconhecer o Estado da Palestina 

Na edição impressa do Jornal Expresso de 1/Agosto/2025 vinha esta imagem com a situação do reconhecimento do Estado da Palestina
 



É na Europa e nos EUA, além obviamente de Israel, que existe praticamente a única resistência ao reconhecimento do Estado da Palestina. Talvez a continuação do massacre da população de Gaza, tenho dificuldade em chamar ao que se passa uma “guerra”, tenha acelerado este reconhecimento que, sendo improvável que chegue a curto prazo a uma situação “de facto”, possa pelo menos a “de jure” ajudar à criação duma existência real dum Estado da Palestina.



2025-07-30

Suzanne Valadon (1865-1938)


Escrevi este post depois de ter visto este programa da Arte.TV sobre esta pintora, de 52 minutos, recomendado em email de 15Mai2025 e disponível no sítio da ARTE.TV até 29/11/2025.
 


 

A artista teve uma infância de pobre, filha de mãe solteira, tendo a certa altura sido modelo de vários pintores que ficaram famosos. Entre outros foi modelo de Pierre Auguste Renoir, por exemplo neste quadro intitulado “Dance à Bougival(1883) em que tinha 18 anos”.

 

As entradas da Wikipédia sobre Suzanne Valadon são mais diferentes nas diferentes línguas do que é habitual, sendo mais curta em português, e normais em francês e em inglês.

 

Acho que o que me impresionou mais na sua biografia foi o facto de ter aproveitado a sua profissão de modelo para aprender com os mestres pintores para quem posava.

 

Degas ajudou-a muito na sua carreira de pintora comprando as suas obras iniciais, e sobretudo  considerando-a “um dos nosssos”.

 

Produziu muitas obras de que destaco este “Verão ou Adão e Eva” de 1909, já com 42 anos em que participou como modelo, juntamente com o seu segundo marido Utter, 21 anos mais novo. 

 


Sobre o Pecado Original (de que fiz um post) gostei desta versão não biblica em que a tomada da maçã é um acto do casal, aparentemente sem intervenção da serpente tentadora sobre a “frágil” mulher. E julgo pouco comum que o/a cônjuge do artista seja pintado nu juntamente com a/o artista. O facto de o quadro referir “Verão” no seu título parece-me adequado para justificar em parte a nudez do casal.

O ficheiro original donde obtive esta versão com menos pixeis está aqui disponível na Wikipédia.

Pertencendo a obra ao Museu de Arte Moderna de Paris, terá talvez sido fotografado numa exposição temporária em “Barcelona” que aparece entre parênteses no nome do ficheiro jpg.

A representação de cores em monitores de computadores tem vindo a melhorar, às vezes, quando se trata de fotografias de situações reais, se as cores estiverem forçadas em relação ao esperado poder-se-á escolher entre várias versões mostradas pelo Google. Para quadros o julgamento da maior verosimilhança duma versão em relação a outra é muito mais difícil dado que o artista pode ter optado por usar precisamente cores mais forçadas. Dada a minha experiência positiva com as reproduções na Wikipédia admito que a versão acima seja mais fiel do que esta a seguir, cuja origem não me recordo, talvez tenha sido retirado vídeo da Arte.TV
 

A versão seguinte talvez tenha sido também da Arte.TV, presumivelmente uma versão inicial em que era mostrado o pénis do Adão 

 

A estas cores desta imagem preferi as da imagem imediatamente anterior pelo que mostro a nova versão em que usei como referência a cor de parte do pescoço da Eva

 


A pintora foi inovadora noutras representações da nudez masculina como nestes "Pescadores lançando as suas redes" de 1914 que copiei da Wikipédia aqui , 

 

quando era na prática proibido a mulheres pintoras representar homens nus.

Embora nas obras de Suzanne Valadon predominem pessoas no interior de casas, bastantes vezes com mulheres nuas, estas são representadas com a discrição possível neste género de pintura como no exemplo a seguir de 1922 que copiei da WikiArt 

 

Para finalizar mostro este “La Chambre Bleue” de 1923 da Wikipedia

 

que mostra aspectos menos positivos desta pintora, os seus quadros são representações interessantes e fiéis da realidade mas os cenários e às vezes também os modelos deixam muito a desejar no que à beleza diz respeito.


 

2025-07-22

Os mortos vão-se vestindo!

 

Numa casa de férias, com vários jovens jogando em colectivo o Fortnite, em que os jogadores vão morrendo no decorrer das lutas,  a responsável por uma ida ao cinema, preocupada com a deslocação atempada, diz aos jogadores todos ainda em fato-de-banho:

Os que já morreram vão-se vestindo!

 

 

2025-07-21

Mais capas da New Yorker

 

Gosto da revista New Yorker e sou fã de muitas das suas capas e respectivos autores, que de vez em quando refiro neste blogue.

Desta vez trata-se da capa da edição da revista para 28/Julho/2025 representando uma multidão multinacional de recém-chegados a um país que será provavelmente o dos Estados Unidos da América, na cidade de Nova Iorque. Poderia também ser Lisboa (ou Porto ou Faro) em que os viajantes têm uma introdução imediata à lentidão das autoridades policiais das nossas fronteiras.

  

 

A imagem foi feita por  Sergio García Sánchez e Lola Moral (significado provável de SGS&LM existente no canto inferior direito da imagem), dois artistas espanhóis casados, li na net que normalmente Sergio faz o desenho que é colorido por Lola.

Fui à procura de mais desenhos e encontrei outra capa da New Yorker de que também gostei 

em que um dos leões das estátuas, na entrada da Biblioteca da cidade (de Nova Iorque) na 5ª avenida, parece estar a ler o livro da personagem sentada no sopé da estátua, com um fundo de arranha-céus, e árvores. No sopé da estátua consta também a assinatura SGS&LM.

Segundo a vista de rua do GoogleMaps do local que mostro abaixo, 

 


o enquadramento sugere um céu azul a prolongar-se indefinidamente para a direita onde existe logo a seguir o outro lado dos edifícios da 5ª avenida. O local da entrada d Biblioteca foi uma inspiração da imagem, isto não é uma fotografia.

  

2025-07-15

O Estado Social da Europa não é financiado pelos EUA



Ultimamente, a propósito duma alegada impreparação da Europa para se defender da Rússia, tem-se tornado frequente a narrativa que o Estado Social na Europa se tornou possível por os EUA (Estados Unidos da América) garantirem a defesa da Europa permitindo poupanças nos gastos da defesa dos europeus e permitindo-lhes assim financiarem o seu Estado Social.

Por exemplo Vasco Pulido Valente escreveu no jornal Público em Fev/2015  “E se a Europa não se tivesse desarmado, como desarmou, para pagar o Estado social.

Pedro Norton tem uma opinião semelhante em “A humilhação da Europa

Ainda no jornal Expresso em 03/Jul/2025 Miguel Monjardino afirma “Os EUA já não possuem os recursos para continuar a subsidiar o Estado Social e a defesa dos países europeus como o fizeram no passado

Isto é um enorme disparate, decorrente da argumentação falaciosa de Trump, com uma consistência semelhante às contas erradas de merceeiro usadas para definir inicialmente as tarifas alfandegárias com diversos países.

No fim da guerra de 1939-45 os EUA e a URSS e numa primeira fase os aliados (Inglaterra e França) ocuparam militarmente as nações vencidas na Europa, a Alemanha e a Itália. O Japão foi ocupado apenas pelos EUA. Dos países europeus invadidos previamente pela Alemanha os mais a ocidente como a Bélgica, a Holanda a Noruega e a Dinamarca regressaram aos regimes existentes antes da  guerra, os mais a leste ficaram com bases militares da URSS durante algum tempo, os partidos communistas locais tomaram o poder e sofreram invasões militares na Hungria em 1956 e na Checoslováquia em 1969 na sequência de movimentos políticos de contestação dos regimes aí existentes.

Os EUA não estiveram disponíveis para retirar as bases militares na Alemanha Ocidental nem a URSS na Alemanha de Leste. Os EUA provavelmente não confiavam na força dos seus aliados ocidentais após a guerra. Ambos dotaram-se de bombas atómicas mas os ingleses perderam o imenso império, designadamente a Índia, jóia da coroa, logo em 1947. Os franceses tinham resistido pouco aos alemães. As potências beligerantes europeias tinham-se armado mais uma vez entre 1918 e 1939 e arrasado imensas cidades por toda a parte. Os EUA pareciam ser o único adulto na sala.

Em 1956 durante a crise do canal do Suez, devida à nacionalização da empresa anglo-francesa que tinha a concessão do canal decidida pelo governante egípcio Nasser, a França e a Inglaterra foram pressionadas pelos EUA, URSS e ONU para retirar as forças militares que tinham enviado para a região.

Depois deste incidente as antigas potências militares europeias tomaram consciência amarga da sua irrelevância e, à falta de melhor, empenharam-se na NATO que lhes pareceu uma opção razoável como defesa contra a URSS, e razoável permaneceu até à primeira presidência de Trump de Jan/2017 a Jan/2021.

Os EUA garantiram a segurança da Europa desde 1945 não pelos lindos olhos dos europeus e muito menos para subsidiar o Estado Social comum neste continente mas para conter a URSS durante a guerra fria e evitar o rearmamento quer da Alemanha quer do Japão.

Embora os europeus tenham conseguido progressos na União Europeia e até criar a moeda Euro, muito criticada pelos EUA na altura da sua criação percebida como potencial ameaça futura ao dólar e tenham criado empresas multinacionais bem sucedidas, como por exemplo a Airbus, que ultrapassou a Boeing, sua competidora americana, os países europeus não têm conseguido produzir material de guerra multinacional, designadamente aviões de caça, mísseis, tanques e outro material militar, resolvendo essa falta de colaboração mútua fazendo compras maciças de material de guerra ao “amigo” americano.

Agora que os americanos, embalados pelo enorme privilégio de serem emissores de dólares, acabaram por acumular uma dívida comparável à de Portugal em percentagem do PIB quando a nossa dívida nacional era considerada lixo, querem aumenter as vendas do seu material militar aos seus “aliados” da NATO, inventando narrativas ridículas em paralelo com “bullying” descarado.

O Estado Social na Europa antecedeu o fim da guerra 1939-45. Já o chanceler Bismarck na Alemanha tomara no século XIX algumas medidas de protecção dos trabalhadores. Na Suécia o partido Social-Democrata formou governo pela primeira vez em 1920-21 reganhando as eleições ininterruptamente desde 1932 a 1973, tendo a partir dessa data alternado com outros partidos de direita. As lutas de classes na Europa foram existindo desde a revolução industrial. Os maiores avanços do Estado Social depois da guerra de 1939-45 explicam-se facilmente pela pressão da população saída de condições de vida muito duras durante a guerra.

Pensar que os políticos americanos tolerariam uma relação económica em que eles financiariam mesmo que indirectamente o Estado Social europeu não passa de uma anedota.

Do artigo “Guerra e Paz” de Miguel Sousa Tavares no Expresso de 2025.07.04 que merece ser lido na íntegra, destaco este parágrafo:
«
...
Ao invés, a Europa que se reconstruiu no pós-guerra fê-lo com base numa crença completamente diferente. Os mais de 50 milhões de mortos na guerra, as cidades em ruínas e os países exangues impunham uma lição que a Europa assumiu: nunca mais. Nunca mais a guerra no continente europeu, nunca mais todas as energias e riqueza canalizadas para armas, mas sim para a reconstrução, a paz, a prosperidade e a justiça social. Assim nasceu a União Europeia e se reergueu uma Europa livre, de Berlim ao Atlântico. E assim se viveram 80 anos de paz, de bem-estar e de combate às desigualdades. Sob a protecção militar dos Estados Unidos e englobada na NATO é certo, mas cumprindo as suas obrigações na organização.
...

»


2025-07-09

Um bairro de Ferragudo

 Ultimamente tenho ido a um pequeno restaurante em Ferragudo "A Capela" com boas tapas e também com bons pratos "normais", com um serviço rápido, atendimento simpático e estacionamento fácil.

Desse restaurante apreciei também esta perspectiva dum bairro social ao longe, com um ritmo visual muito agradável que fotografei num fim de tarde

 

ampliando o bairro na mesma foto


 Hoje tirei uma foto dum ponto a uns metros de distância da fotografia anterior, às duas da tarde. A presença de sombras nas paredes torna os ritmos mais complexos e de percepção um pouco mais difícil.

Os enquadramentos são semelhantes aos do par de imagens anterior, a fotografia é a mesma





 

 

2025-07-03

Manhã fresca em Alvor e aplicação Meteorologia da Apple

  

Gosto do azul do céu no Algarve mas não tem estado particularmente azul durante esta onda de calor dos últimos dias.

Hoje amanheceu com o céu bastante nublado e uma temperatura de 20ºC o que foi muito bem vindo. Na résteazinha de  mar que se vê ao fundo da foto constata-se uma linha de horizonte mal definida entre o mar e o céu. A minha miopia faz-me apreciar as linhas nítidas quando reveladas pelos óculos de correcção mas desta vez não me importei do horizonte mais fluido.

Pensei também que seria bom que o D.Sebastião não aparecesse nesta manhã de "nevoeiro", com tantas coisas estranhas que se têm passado  no planeta, uma pessoa já considera o impossível como eventualmente apenas improvável.

Tenho apreciado duma forma geral a aplicação Meteorologia da Apple mas desapontou-me muito na previsão da temperatura em Sagres no dia 1/Jul/2025 em que previam 25º de  máxima quando afinal estavam uns 35º! Noutro ano fugira a outra onda de calor refugiando-me em Sagres onde estavam 25º conforme o previsto. Constato assim que esta aplicação é fraca para situações extremas e eventualmente  para locais de baixa densidade populacional onde serão menos cuidadosos na previsão. A aplicação tem também sido incapaz de sinalizar a presença de vento sueste, referindo vento norte, direcção inexistente nas praias nos últimos dias.

2025-06-24

Arranque autónomo em Castelo de Bode - 2


Este post é a continuação de um anterior intitulado “Arranque autónomo em Castelo de Bode”.

Em 5/Mai/2025 publiquei um post “2003, o Ano de Todos os Apagões (enfim, de muitos...)” em que refiro um PowerPoint disponível no meu Google Drive sobre os numerosos apagões ocorridos em diversas partes do planeta, de que se destacaram o dos EUA, em Agosto/2003 no leste do país incluindo partes do Canadá, e o da península de Itália e Sicília em Setembro, ambos afectando mais de 50 milhões de pessoas.

Após o apagão de 28Abr2025 pensei que a causa de se ter revisitado na REN o arranque autónomo da central de Castelo de Bode se devera a terem havido tantos apagões no ano de 2003. Mas notei que a visita a Castelo de Bode para fazer um arranque autónomo da central com elementos do Despacho Nacional presentes, embora se tenha realizado em Out/2003 tinha sido combinada em Mai/2003 enquanto o grande apagão americano fora em Agosto e o italiano em Setembro. Assim, os apagões de 2003 reforçaram o nosso interesse pelo tema mas a origem deveria estar nas actividades da UCTE (Union pour la Coopération du Transport d’Éléctricité) que se encontrava a elaborar “Policies” formalizando mais as regras de funcionamento entre os TSOs (Transmission System Operators) membros desta organização da parte continental da Europa Ocidental.

Constatei que na versão de trabalho da  Policy 3 – Operational Security ( 13_7_5_Policy3V1.11-WG-06-03final-2003-0000480-EN.pdf) de 2003.06.18 aparece pela primeira vez, na nova versão das regras da UCTE, uma referência a centrais de “Blackstart”:
«
M3. Contribution of power plants to the safeguard measures and to black start. Power plants are able to accommodate variations in VOLTAGE (and frequency) outside of the normal range of operation as long as technically possible before the automatic separation from the network. Power plants have capability of operation under impaired (frequency and VOLTAGE) conditions with reduced performances for a limited duration accordingly. A number of generating units are equipped for start-up with no external VOLTAGE supply (black start capability). These plants should be suitably distributed throughout the network. It is recommended that these plants be located on sites comprising several generating units. 
»
Estava-se portanto a referir este serviço que as centrais prestavam aos TSOs e que passaria a ser explicitamente remunerado no novo cenário de separação das empresas de Produção, Transporte, Distribuição e Comercialização. Certamente o tema teria sido abordado na reunião da UCTE de Mai/2003 donde a marcação do teste em Portugal pela REN nessa data.

No teste realizado em Out/2003 constatou-se que a automatização nos anos 70 das centrais hidráulicas, para  permitir o seu telecomando, não tinha considerado completamente a existência do arranque autónomo na situação, então e agora normal,  de ausência de operadores na central, tendo a REN solicitado à EDP várias acções para tornar o arranque autónomo mais expedito.

Dentro dessas acções destaco a definição no autómato da central dum programa inexistenete em 2003 e que fotografei em 2012.03.19 num dos testes realizados em 2012. 

 


Além dos programas comuns a todos os geradores P1-MARCHA EM VAZIO, P2-CARGA MINIMA, P3-CARGA BASE, P4-SAIDA REDE e P5-P. NORMAL (Paragem Normal) aparece agora P30-ARR. R. ISOL (Arranque Rede Isolada) que passou a ser usado nos testes para o arranque autónomo.

Noutro ensaio em 2012.05.24 fotografei o conjunto de pessoas, na maioria da EDP-Produção que neles participaram 

 


Entre o início da RNT (Rede Nacional de Transporte) em Portugal em 1951 e a interligação com a rede europeia através da Espanha em 1961 a RNT funcionou sempre como rede isolada e qualquer apagão nacional terá requerido um arranque autónomo. 

A partir da ligação com Espanha todos os apagões totais em Portugal até agora foram repostos a partir duma interligação com tensão vinda de Espanha, com provavelmente a única excepção do incidente de 12 de Dezembro de 1967 às 04:56 em que, devido a um curto-circuito no barramento da subestação de Picote onde chegava a então única linha de interligação vinda da central de Saucelle, foi necessário recorrer a arranque autónomo.

No livro intitulado “Memórias do Despacho da Rede Eléctrica Nacional (1951-1996)” de autoria do Engºs J. André Ferreira e Jorge M.B. Mendonça Machado, despachantes então recentemente reformados, edição da REN em 1998, consta sobre essa excepção o seguinte parágrafo:
«
Neste incidente a reposição do serviço a partir do zero (“blackstart”) foi algo demorada e complicada, tendo havido várias tentativas falhadas a partir de pontos diferentes.
»

Embora os arranques autónomos de Castelo de Bode e da Tapada do Outeiro tenham tido dificuldades no seu arranque autónomo o país iniciou a reposição do seu sistema eléctrico antes do restabelecimento da interligação com o sistema europeu.

A REN já contratara fornecimento deste serviço a partir de mais duas outras centrais para arranque autónomo e será possível melhorar as especificações dos testes e a sua periodicidade para que, caso sejam necessárias no futuro, a reposição do serviço seja mais rápida.

 
Para tornar este post menos árido fui buscar uma fotografia que presumo datada de 1954, ano em que eu faria 5 anos em que estou eu a a minha irmã na praia de Quarteira com o bar do Isidoro ou do Calcinha ao fundo, única foto do áldum da família em que apareço com uma fatinho de banho com alças.
A partir daí apareço sempre com calções de banho nas fotos da praia e tenho uma vaga ideia que apreciei essa mudança.


Nasci no Porto onde vivi até aos 10 anos onde até os fogões da cozinha eram eléctricos e em Quarteira julguei que o candeeiro da mesinha de cabeceira estava avariado por não acender quando o testei durante a tarde. Um primo explicou-me que só havia electricidade em Quarteira durante a noite, sendo então ligado um gerador diesel para a iluminação pública durante esse período. O gerador estava instalado numa casa de onde saía um barulho apreciável durante as horas de operação. Não sei quando chegou a electricidade a Quarteira via RNT mas nessa altura ainda não tinha chegado.
 

2025-06-14

Política Externa da Europa por Seixas da Costa

 

O embaixador Francisco Seixas da Costa referiu neste seu post uma comunicação que fizera em 11Jun2025 numa reunião em Lisboa de socialistas do Parlamento Europeu.

O texto completo da comunicação de que concordo com quase tudo ou mesmo tudo e que termina com esta frase "My Europe deserves a better diplomatic face. It deserves a decent one. Not this one "

está disponível noutro blogue do embaixador aqui

 

 

2025-06-12

Não há almoços grátis, já quanto a canhões , aviões e outras armas...

 

Lembro-me da frase constantemente usada pelo economista João César das Neves de que não existem almoços grátis. A facilidade com que o secretário da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sugere ou quase exige que cada membro passe dos actuais 2% do PIB para 3,5% ou mesmo 5% parece-me completamente injustificada. 

E acho curioso o discurso do governo minimizando a eventualidade de outras áreas da governação verem os eu orçamento reduzido pelo aumento da despesa em armamento. É como se dissessem:

 Não há almoços grátis, já quanto a canhões , aviões e outras armas: não sabemos

Por outro lado inquieta-me esta tolerância para aumentar o déficit para comprar armamento. Da última vez que isto aconteceu, quando na sequência da crise do subprime causada pelos então nossos grandes aliados e amigos, os Estados da União Europeia foram encorajados a gastarem liberalmente em investimentos como contra-ciclo à recessão que ameaçava ou existia. Portugal, como bom aluno, seguiu a sugestão para depois ser violentamente censurado pelo déficit excessivo, foram-nos impostos PECs sucessivos (Programas de Estabilidade e Crescimento) até à intervenção da austeridade da Troika.

Tanto mais que J.D.Vance nos explicou em Munique que a preocupação que tínhamos com Putin era completamente injustificada, devíamo-nos era preocupar com os atentados aos "nossos" valores ocidentais deixando proliferar à vontade nas redes sociais os insultos , calúnias e falsidades que aparentemente segundo ele são essenciais numa sociedade livre. Devíamos também não ser tão burocratas ao anular, por exemplo, uma eleição presidencial na Roménia em que buscas na casa do vencedor da eleição revelou quantidade grande de dinheiro indiciando que teria havido na campanha maiores gastos do que os legalmente permitidos.

Enquanto o amigo americano nos avisa para não nos preocuparmos com Putin, o nosso general Agostinho Costa, que há quem diga ser pró-russo também nos tranquiliza sobre Putin, alegando que em Portugal não existem russos no sentido de que não justificam uma invasão.

Contudo não me esqueço da ambição manifestada por Medvedev que referi no post "De Lisboa a Vladivostok ou o Sonho de Medvedev" de Abril/2022 com esta imagem


em que manifesto a minha alegria por pertencermos à NATO, alegria essa que desde então tem esmorecido. 

É nesse sentido que me parece prudente reforçar as nossas capacidades de defesa, sem entrar em exageros. O presidente da América quer fazer a América (não é Portugal) grande outra vez, vendendo muitas das suas armas sofisticadíssimas e caríssimas, tão sofisticadas que poderão certamente ser desligadas a partir de Washington caso os aviões americanos sejam usados de forma com a qual eles discordem. À semelhança dos Teslas que são remotamente imobilizados quando, por exemplo, existe algum mal-entendido na liquidação dum pagamento. Comprar um F-35 fará a América um pouquinho maior, julgo que o mesmo não sucederá a Portugal. Como fornecedor prefiro a Suécia. 

 

2025-06-11

Arranque autónomo em Castelo de Bode


Na sequência do apagão ibérico de 28/Abril/2025, em que Portugal ficou sem electricidade durante cerca de dez horas, falou-se bastante sobre o que aconteceu, entre outras coisas sobre a importância das centrais de arranque autónomo. 

Estas centrais (em inglês de “Blackstart”) podem iniciar a sua operação mesmo que o sistema electroprodutor a que estão ligadas esteja completamente fora de serviço. As centrais sem esta capacidade precisam de absorver inicialmente alguma energia do sistema de transporte para após o seu arranque começarem a entregar energia ao sistema referido.

Dotar uma central hidráulica de arranque autónomo é tecnicamente mais simples e mais económico do que dotar uma central térmica desse tipo de capacidade. Dentro das térmicas o arranque autónomo das centrais a gás é mais simples do que das centrais a carvão.

A central hidroeléctrica de C.Bode (Castelo de Bode) localizada na barragem do mesmo nome iniciou funcionamento em 1951, sendo a primeira central hidroeléctrica em Portugal com uma potência maior do que 100MW (Mega Watt, unidade de potência). No mesmo ano entrou em serviço a central de Vila Nova turbinando água da albufeira de Venda Nova.

Não sei se existia arranque autónomo na Vila Nova mas a central de C.Bode teve arranque autónomo desde a sua entrada em serviço, tendo este sido utilizado muitas vezes durante a década de 50 do século XX.

Na imagem seguinte, que tirei em 25/Mar/2008, mostro os três geradores principais da central, cada um com uma turbina do tipo Francis de eixo vertical, capaz de gerar um pouco mais de 50MW, dependendo da cota da água da albufeira, perfazendo um total superior a 150MW. São máquinas grandes quando comparadas com as figuras humanas na imagem

 


Existem condutas da água da albufeira que terminam em cada um destes grupos de turbina hidráulica e alternador existindo em cada par de conduta/grupo uma válvula esférica que terá que ser aberta na fase de arranque.

Para abrir essa válvula (uma espécie de torneira gigante) será necessário colocar em marcha um motor eléctrico. Esse motor precisará então que um dos dois grupos auxiliares existentes na central forneça electricidade. Mostro esses dois grupos na imagem seguinte que encontrei no Linkedin de Fernando Caldas Vieira

 



e ainda outra imagem que tirei também em 25/Mar/2008, com uma pessoa que dá melhor a dimensão desta máquina. Disseram-me que cada um destes geradores (turbina tipo Francis de eixo horizontal) tinha uma potência de 1 MW (1MW= 1000kW).

 


Surpreendeu-me um bocado a dimensão e potência destes grupos cujo arranque pode ser feito manualmente, bastando para tal abrir uma pequena válvula esférica que controla a saída de uma conduta de água ligada à albufeira. Segundo uma estimativa que ouvi bastariam umas centenas de KW para arrancar os grupos grandes na primeira imagem deste post.

Nessa altura não existia uma Rede Nacional de Transporte de Electricidade, uma “rede” pressupõe a existência de malhas contendo percursos alternativos, resumindo-se o transporte de electricidade em MAT (Muito Alta Tensão, inicialmente 150kV) a uma sequência de linhas em série:
- Central de Vilanova – Subestação de Ermesinde;
- Subestação de Ermesinde – Subestação do Zêzere (a que se ligava C.Bode);
- Subestação do Zêzere – Subestação de Sacavém.
Mesmo assim, com esta configuração era possível pela primeira vez abastecer as cidades de Lisboa e do Porto com energia hídrica gerada a centenas de quilómetros do local de consumo.

Em 1951 embora existissem numerosas pequenas centrais para consumos locais, os sítios onde se construíam centrais hidráulicas grandes eram remotos, sem electricidade e sem mais uma data de coisas. A construção de cada grande central hídrica, com o seu bairro de casas de habitação decentes para albergar os  trabalhadores da central e alguns edifícios para cuidados médicos, educação e convívio da comunidade eram verdadeiras ilhas de civilização do meio do panorama desolador da sociedade rural portuguesa.

O sobredimensionamento para o arranque autónomo destes grupos auxiliares devia-se assim à sua utilização adicional para abastecer o consumo eléctrico do bairro dos trabalhadores da central.

A potência dedicada ao arranque autónomo é necessária para abrir a válvula esférica com o respectivo êmbolo de controlo do primeiro grupo de 50 MW que se mostra a seguir,

 

estabelecer pressão do óleo lubrificante para o grupo poder rodar sem se danificar e finalmente abrir o distribuidor regulável, situado debaixo do anel metálico pintado de vermelho da imagem seguinte, que roda pela acção de dois êmbolos visíveis na foto e que controla o fluxo de água maior ou menor que “atacará” as pás da turbina

 

A rotação da turbina hidráulica será comunicada ao alternador através do eixo/cilindro metálico presente na foto que accionará o alternador colocado numa cota mais elevada.

A central tinha uma sala de controlo com indicações do estado dos grupos e dos diversos sistemas de apoio ao funcionamento da central e um frequencímetro objecto de observação permanente do operador de turno que garantia a frequência objectivo de 50Hz na gama das pequenas variações, as grandes variações eram tratadas pelo Despacho Nacional alterando telefonicamente pontos de funcionamento de geradores, entradas e saídas dos mesmos.

Em 1961 deu-se a primeira interligação com a rede europeia através de ligações com linha de transporte da Iberduero no Douro internacional. A frequência da rede passou a ter uma enorme estabilidade em comparação com a situação anterior a esta interligação.

Embora o arranque autónomo continuasse disponível, o procedimento preferido em caso de apagão nacional era esperar que a Espanha fornecesse tensão a partir da linha de interligação e restaurar o sistema a partir dessa linha pois restaurar um sistema a partir duma ilha com pouca geração e consumo é uma tarefa muito delicada, qualquer variação brusca de consumo ou de produção pode provocar variação de frequência que leve ao disparo de geradores e a novo  apagão. 

Desde que entrei na EDP em Maio/1976 não me recordo de ter ocorrido um apagão nacional antes de 28/Abril/2025. À interligação com Espanha em 1961 sucedeu a instalação nos anos 70 de numerosos relés de deslastre frequencimétrico. Quando se dava uma variação brusca do saldo na interligação por saída abrupta de um grupo provocando o seu disparo, a diminuição de frequência subsequente por Portugal ficar separado da Europa era eliminada por estes relés que, cortando automatica e rapidamente algum consumo, evitavam o colapso completo do sistema que era depois reposto de forma muito mais rápida com o arranque de grupos disponíveis na altura do incidente.

O famoso apagão da cegonha em 9/Maio/2000 não foi “nacional”, apagando “apenas” o consumo de Lisboa e da região ao Sul do Tejo, tendo o serviço sido reposto em menos de duas horas.

Este post já está tão comprido que vou ficar por aqui. Possivelmente farei outro post descrevendo acções posteriores para que o arranque autónomo ficasse mais fácil.





2025-06-02

Carrières des Lumières, a produção de armas, isto anda tudo ligado

  

No fim de Maio vi no magazine Beaux Arts esta imagem

em que tive uma sensação de já ter estado neste sítio, com paredes cobertas de imagens de reproduções de quadros e/ou de fotografias numa experiência imersiva/envolvente.

Depois lembrei-me que tinha estado numa antiga pedreira duma pedra branca em que faziam projecções sobre as paredes, numa excursão do ano passado ao Sul de França. Tinha sido ao pé de Baux-de-Provence e no caminho para essa pedreira tinha tirado esta foto do ambiente do local às 14:50


 depois vi esta foto que tirara na cafetaria da pedreira às 15:24 depois de ter visto o ambiente com as paredes preenchidas umas vezes com quadros famosos, outras com fotos de antiguidades egípcias 


 e finalmente esta às 16:15, já depois de termos saído da pedreira

Dado que gostei do ambiente da pedreira com as paredes animadas e dada a ausência de fotos do interior concluí que era proíbido fotografar na pedreitra durante as projecções sobre as paredes.


Googlando a primeira imagem do post fui direccionado para esta entrada da Wikipédia "Carrières des Lumières", mostrando algumas imagens com motivos de Klimt, Van Gogh, Gauguin e outros.

Nessa entrada relata processos em tribunal da autarquia de Baux-de-Provence com duas empresas a quem a pedreira foi concessionada, com indemnizações de alguns milhões de euros viajando entre os 3 contendores

Parecia-me verosímil que a primeira imagem se baseasse em obras do Claude Monet, recortei a figura feminina que aparecia na parede e apareceu-me logo o quadro de Claude Monet "Jardim em Giverny" de 1895.


 A obra faz parte da colecção de Emil Georg Bührle (1890-1956), um fabricante de armas e coleccionador de Arte suíço. Ao visitar a pequena biografia de Emil Georg Bührle vi que o industrial de origem alemã se instalara a certa altura na Suíça onde criara uma fábrica de material de guerra na povoação Oerlikon. Vi agora que foi uma povoação integrada na zona norte da cidade de Zurique em1934, constituindo um bairro, freguesia ou equivalente dessa cidade.

Não sei porque razão memorizei a palavra Oerlikon quando a vi pela primeira vez no álbum "A Conquista do Espaço" editado pela Agência Portuguesa de Revistas. 

A referência na colecção ao Sputnik, que entrou em órbita em Outubro/1957 coloca 1958 como primeira data possível desta coleção. A referência ao avião Caravelle, que entrou em serviço comercial na SAS em 1959, faz-me pensar que a colecção terá sido publicada no princípio dos anos 60.

Agora fui à procura do cromo em que referiam a palavra Oerlikon e encontrei-o com facilidade no fim, onde estavam os diversos mísseis que na altura eram referidos como "foguetes".

Era o cromo 240, que passo a exibir, onde além de dizerem que o OERLIKON 54 era o melhor foguete existente na época, dizem que era produzido na "Oerlikon, Buhrle & Company".



Numa das reuniões dos TSOs da Europa fiquei num hotel nesta zona de Zurique o que talvez tenha reavivado a minha memória desse nome.

Éramos talvez umas 15 pessoas e em vez de alugarem um pequeno autocarro, como era habitual quando íamos a um restaurante fora do hotel, dessa vez o nosso colega suíço comprara um bilhete de grupo para combóio, uma solução prática e económica.

 

 

 

2025-05-27

América, China e Europa por Paul Krugman


Estou numa fase de redescoberta de Paul Krugman através do seu blogue no Substack..

O penúltimo post “The Economic Consequences of Destroying Harvard” era sobre o ataque de Trump à universidade de Harvard através de ordens executivas tentando cortar subsídios, deduções fiscais e por último proibindo a instituição de admitir estudantes estrangeiros, acções que a universidade tem contestado nos tribunais e que estes têm bloqueado nalguns casos.

Este sítio da universidade de Harvard mostra o número de estudantes internacionais que tem recebido desde o ano lectivo de 2006-07 até 2024-25, num crescimento contínuo ligeiramente perturbado apenas pelo COVID, sendo actualmente de 6793 estudantes que representam 27,2% do total.

A quase totalidade destes estudantes paga propinas consideráveis, representando uma fonte importante do rendimento da Universidade. Rendimento esse que Trump quer anular obviamente para aumentar a dificuldade do funcionamento da instituição, aproveitando a ocasião para dizer que, além de virem de alguns países que não são amigos dos EUA, mentir mais uma vez ao afirmar que os estudantes internacionais de Harvard não pagam propinas.

Cito directanete esta parte do post:
«
The most important aspect of this campaign of intimidation and disruption is, of course, the attack on freedom of thought. I hope that nobody actually believes the MAGA line that universities are indoctrinating their students in wokeness, DEI, Marxism, whatever. The real complaint, obviously, is that these institutions aren’t indoctrinating their students — that they are exposing young people to a variety of ideas and encouraging them to think for themselves, when they should be preaching right-wing dogma and obedience to whatever The Leader says they should believe.
»
(Nota: DEI= Diversity, Equity, Inclusion)


As universidades que sempre tiveram alguma dificuldade em manter a liberdade de pensamento são frequentemente objecto de ataques de autoridades políticas/religiosas/ditatoriais como é agora o caso do Líder Trump que quer vergar não só as opiniões com a própria realidade às suas crenças.

Na Europa isto tem ocorrido de vez em quando e na América também.

Na China a ocorrência recente mais gritante foi durante a Revolução Cultural de 1966-1976 que referi entre outros neste post sobre o meu desencanto e no livro “Cisnes Selvagens” que referi aqui  e aqui.

A foto mostrada no blogue do Paul Krugman que a seguir exibo
 


lembrou-me essa Revolução Cultural na China desencadeada pelo líder Mao-Tse-Tung na reconquista dum poder ditatorial que sentiu ameaçado pelas elites chinesas de que estes professores deveriam fazer parte, deixando um rasto de destruição e morte no país e uma geração de analfabetos.

Além de Trump atentar contra o funcionamento duma instituição americana de grande prestígio nacional e internacional, atenta também contra a economia da região de Boston e contra o futuro dos EUA.

Várias universidades de Hong-Kong não perderam tempo em tentar aliciar os estudantes internacionais de Harvard, garantindo-lhes o reconhecimento dos créditos já obtidos nessa universidade e uma transição suave para a obtenção de graus equivalentes.

 

No post seguinte Krugman escreve uma carta aberta à Europa, “A Letter to Europe” dando conselhos sobre a negociação das tarifas com Trump, introduzindo a carta com a frase “You’re stronger than you think. Act like it.

Fecha o post com esta interpretação do hino da União Europeia num espectáculo conduzido por André Rieu em Maastricht

2025-05-22

David Hockney (1937 - )

 

O JMiguel, um amigo e ex-colega, além de me enviar semanalmente as Sugestões, envia-me também várias actividades referidas pela revista francesa BeauxArts.

Desta vez apareceu uma referência sobre uma exposição em Paris dedicada a David Hockney, um nome que me era familiar mas a cuja obra tinha prestado pouca atenção.

Parece-me que já tinha visto este quadro (de 1972), talvez quando foi notícia por ter sido vendido recentemente por muito dinheiro

 

intitulado "Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)". Gosto da composição e do ambiente solar. Nestas reproduções passa despercebida a dimensão do original que é 213,5 cm × 305 cm , suficiente para preencher na totalidade uma parede de um quarto médio de um apartamento em Lisboa. Existem imensos sítios com imagens deste quadro. Tirei esta daqui onde existe uma com 1600x1136 pixels.

Na notícia das BeauxArts sobre a exposição de David Hockney tinha este quadro de que gostei muito, com as suas cores vivas e as curvas, as rectas e tantas formas e cores

tendo ido à internet à procura de mais versões de reproduções deste quadro. Cheguei a esta que tinha com legenda "Garrowby Hill". Presumo tratarem-se de duas versões dum mesmo motivo ou dum único fotografado em diversas etapas da sua construção.


Gosto das duas versões, prefiro a primeira, as duas mostram a enorme dificuldade da reprodução fiel das cores nos monitores de computadores, é possível que algumas cores sejam diferentes por diferenças existentes nas infinitas possibilidades de ajuste das cores dos monitores em que cada uma foi fixada.

Para finalizar mostro este autoretrato com uma sugestão de regressão infinita de quadro dentro de quadro mas que aqui se esgota na segunda figura por falta de pormenor para mais.