2016-03-29

Cultura – Tudo o que é preciso saber


O jornal Expresso tem de há uns tempos a esta parte distribuído, sem custo adicional para o comprador, séries de pequenos livros, apelando à costela coleccionadora dos leitores para evitar quebras de venda.

Embora não goste destas técnicas de venda, em que nos impingem um artigo que não procuramos quando adquirimos o produto que decidimos comprar, admito que de longe em longe poderá trazer algum benefício para o comprador.

Foi o caso da série recentemente publicada em que dividiram em 6 pequenos volumes publicados semanalmente o livro de Dietrich Schwanitz (1940-2004) intitulado “Cultura – Tudo o que é preciso saber”.

O livro foi publicado em Portugal em 2004. Trata-se de uma síntese notável e bem humorada de uma série impressionante de temas da cultura Europeia, começando pela História Europeia, seguindo pela Literatura , História da Arte, da Música, de Filosofias, Ideologias, Teorias e Representações Científicas do Mundo. Fala ainda da Linguagem, do Mundo do Livro e da Escrita, da Inteligência , Talento e Criatividade, do que Não convém saber e do Saber reflexivo.

Um título destes, para ser levado a sério, tem que ser considerado irónico, trata-se duma missão essencialmente impossível. Mas no fim da leitura que se faz com muito agrado, constata-se que o autor alemão, professor de Filologia inglesa em Hamburgo, além da revisão das matérias que muitos terão indo absorvendo ao longo da vida, nos dá uma panorâmica muito interessante dos temas que aborda, fazendo além disso uma síntese notável entre a exactidão alemã e o sentido de humor inglês, qualidades muito difíceis de encontrar numa mesma pessoa.

Recomendo a leitura e mostro as 6 capas dos livrinhos do Expresso, também muito bem escolhidas:






2016-03-24

Primavera de 2016


Lá passámos outra vez pelo equinócio de Março e entrámos na Primavera. Os atentados em Bruxelas vieram ensombrar este despertar de muitas vidas novas.

Em Lisboa as árvores quase que não têm tempo para se apresentarem completamente desfolhadas, umas duas ou três semanas depois da queda da última folha e já estão a aparecer as folhas novas.

No passado Inverno os prados dos Olivais continuaram verdejantes e viçosos, como se constata nesta foto tirada em 17/Dez/2015 (no final do Outono...)




e estas tiradas em 11/Fev/2016




no mesmo prado mas mais ao pé




e a seguinte sendo uma ampliação da anterior




cujos espigões me levaram a pensar neste post do Dias com Árvores, a levar um deles para casa e a fotografá-lo:




Adenda: perguntei ao Paulo Araújo dos Dias com Arvores se esta planta seria a mesma da que ele tinha falado e ele informou-me que se trata do Erodium moschatum, de que ele já falara num post de Fev/2015.

Adenda nº 2: coloquei oas frutos a germinar e apareceram as sementes com a cauda helicoidal que mostro aqui. Cada agulha tem cerca de 5 cm.

2016-03-21

Sinais de temporal


Em 28 de Fevereiro deste ano fui surpreendido na Praia da Rocha por um sinal, visível num mastro na Fortaleza de Santa Catarina, que não me lembrava de alguma vez ter visto neste local, onde há décadas passo parte das féiras de Verão e aonde me desloco no resto do ano de vez em quando


 
Tratava-se deste cone preto que destaco a seguir



diferente do cilindro que sinaliza presença ou previsão de vento sueste, situação comum na costa algarvia, conforme referi noutro post em que mostrei a foto seguinte



Telefonei para a Capitania de Portimão onde me informaram tratar-se de um sinal de aviso de temporal, também documentado na internet.

Vi depois na net que estes sinais estão definidos pelo Decreto-lei 283/87, de 25 de Julho e também na tabela abaixo, disponível em pdf no sítio do Instituto hidrográfico:



O cone com vértice para cima sinalizava a presença de vento de força 8 ou superior na escala de Beaufort começando no quadrante Noroeste. E na tabela constava também o cilindro preto já meu conhecido, que aprendi ser de uso exclusivo na costa Sul do Algarve.


2016-03-17

Casos de estudo: Lula da Silva e Fátima Felgueiras


Ao longo da minha vida tenho testemunhado acontecimentos no sistema judicial que me impedem de ter uma confiança cega nas acções dos magistrados. O próprio sistema reconhece isso ao facultar possibilidade de recurso de decisões judiciais por outras instâncias do próprio sistema.

É sabido que o poder pode corromper e o poder judicial não é excepção. Ao longo da minha vida tenho testemunhado perseguições judiciais a figuras públicas que de tão absurdas só consigo explicar através de abuso de poder judicial. E continuo sem perceber a tolerância que tem existido em relação às violações flagrantes e continuadas do segredo de justiça

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva foi detido para ser interrogado por ordem dum juiz federal. Parece-me um abuso de poder por parte do juiz, como me pareceu um abuso de poder a detenção para prestar declarações de Ricardo Salgado em Portugal. Parece que as pessoas importantes não têm direito a serem convocadas para prestar declarações como os cidadãos comuns, fico com a sensação que para estes casos os juízes sentem a necessidade de mostrar ao interrogado que também eles, juízes, são poderosos.

Pela mesma ordem de razões parece existir uma maior tendência para o uso da figura da prisão preventiva. Continuo sem perceber a necessidade da longa prisão preventiva de José Sócrates enquanto Ricardo Salgado ficou livre para perturbar o inquérito pela modesta caução de 3 milhões de euros.

No caso de Fátima Felgueiras, indiciada em 2003 de crimes relacionados com a gestão da Câmara de Felgueiras, ela fugiu para o Brasil avisada da existência de uma ordem de prisão preventiva. Lá viveu certamente melhor do que numa prisão em Portugal e quando em 2005 o sistema de justiça português tinha concluído o seu trabalho e já não havia risco de perturbar o inquérito regressou, tendo sido detida e logo a seguir libertada segundo o artigo da Wikipédia. Foi então julgada e condenada a uma pena suspensa. recorreu da sentença e foi absolvida em 2011 de todos os crimes que fora condenada em 1ª instância. Lembro-me de grandes críticas de que a Fátima Felgueiras foi objecto por ter fugido para o Brasil em vez de aguentar estoicamente a prisão preventiva para averiguações de crimes de que foi posteriormente absolvida. Na altura não concordei com essas críticas precisamente porque a prisão preventiva tem sido usada de forma abusiva em Portugal. Só se tem uma vida, porque carga de água se há de uma pessoa submeter a um juiz sem razão quando tem uma alternativa?

É nesse sentido que não me atrevo a condenar a priori a opção Dilma-Lula de proteger o ex-presidente duma perseguição judicial de que não tenho à partida provas que seja isenta.



2016-03-14

Três caixinhas e balanço de cores


Não me tem apetecido frequentar cursos de fotografia, tenho-me limitado a ler partes de alguns livros e parte dos manuais das máquinas fotográficas que vou comprando. com a minha ignorância tenho tido dificuldade em tirar fotografias com flash, parece-me que é necessário alguma técnica para que as fotos com flash fiquem bem. Assim, fiquei com outro problema por resolver que consiste no balanço de cores (termo que deriva de tradução literal de "color balance", seria melhor usar "equilíbrio de cores"), operação necessária quando se fotografa cenas interiores iluminadas por lâmpadas de incandescência.

O nosso cérebro vai-se adaptando à tonalidade da luz ambiente, corrigindo automaticamente as cores que vemos, garantindo na maior parte dos casos que uma peça branca é vista como tendo a côr branca mesmo quando o que vemos é uma tonalidade amarelada derivada da fonte de luz ter uma baixa temperatura de côr, como por exemplo 2400ºK. De uma forma geral os cérebros de pessoas diferentes fazem conjecturas semelhantes sobre a temperatura da cor da fonte luminosa embora nem sempre, como aconteceu com um vestido que ficou famoso.

Com as máquinas analógicas, ou se usavam filtros ou as provas em papel eram corrigidas pelas casas de fotografia onde se encomendavam as amplicópias. Nas máquinas digitais existe um controlo "White Balance" que pode estar em modo automático ou ser manualmente ajustado. Normalmente o modo automático é insuficiente

Dada a pouca frequência com que tiro fotos, acabo por me esquecer dos controlos das máquinas, sobretudo destas digitais com um mundo de possibilidades. Porém, ainda me consigo lembrar de como se muda o White balance nas tais condições de fotos de interiores iluminados por lâmpadas de incandescência ou equivalentes, em que o modo automático das minhas máquinas tem sido insuficiente para evitar que fique tudo muito avermelhado.

Desta vez fotografei umas caixinhas decorativas na minha casa, com diâmetros entre 5 e 6cm, a da esquerda da Tailândia, de porcelana, a do centro veio da China de laca vermelha a da direita de papier maché, já não me lembro de onde veio, talvez seja indiana.



Estava nesse dia um céu limpo e muito azul e achei que a foto tinha ficado um bocado azulada. Pela primeira vez usei o controlo de brancos para corrigir uma foto tirada com a luz do dia (provavelmente já deveria ter feito isto mais vezes), disse que a luz era de 5300ºK e gostei mais do novo tom da foto:




2016-03-08

Museu Condé



Este museu situa-se no Chateau de Chantilly, 40km ao norte de Paris que referi num post anterior. Nesse post mostrei alguns dos dourados sobre branco que decoram o Chateau, onde se encontra o Museu Condé.



Na altura ia bastante focado no Livro de horas do Duque do Berry, talvez o livro mais belo nessa categoria feito no século XV, de que tenciono falar noutra ocasião. Depois de gastar algum tempo vendo pormenores desse livro num écran dum PC disponibilizado na biblioteca do Chateau o meu espírito estava pouco  disponível para outras obras da colecção do museu.


Talvez por isso simpatizei com estas letras H e O aqui à direita, que faziam lembrar as iluminuras dos monges copistas no início de cada capítulo, decoradas de forma simétrica, com elementos que me fazem pensar na Arte Nova. Não sabendo donde vinham estas letras tentei o Google Imagens e cheguei com alguma surpresa apenas a este sítio Chinês onde além das mesmas letras





e de outras imagens interessantes tinha esta fotografia de uma das salas de exposição de quadros





que explica parcialmente a minha falta de interesse pelos quadros deste museu pois gosto de ver um de cada vez e com eles posicionados o mais possível à altura dos olhos, em vez de colocados longe lá em cima quase ao pé do tecto.

Fico a pensar que estas salas mostram o  triunfo do coleccionador de objectos raros e preciosos sobre o apreciador de objectos belos. Este tipo de exibição das obras é mais para mostrar que o coleccionador possui muitas do que para proporcionar ao visitante uma fruição em condições apropriadas dos componentes da colecção.

Talvez por isso reparei mais nesta escultura duma jovem deitada



que vi na net ter sido feita por Lorenzo Bartolini (1777-1850) de que mostro a seguir duas perspectivas






Existe uma imagem melhor desta escultura na Wikipedia aqui, talvez excessivamente azulada mas fácil de alterar

Agora ao procurar na net mais informação sobre o Museu Condé fui dar ao sítio respectivo com esta linda imagem introdutória do pintor Piero di Cosimo (1462-1522)



Trata-se de um detalhe dum retrato de mulher datado de 1480 que se supõe ser Simonetta Vespucci, a mulher que se pensa ter também inspirado vários quadros de Sandro Botticelli designadamente “O nascimento de Vénus” . Neste caso deverá ter sido mais uma inspiração do que um modelo dado que a senhora morreu de tuberculose aos 23 anos quando o Piero di Cosimo tinha 14 anos apenas, tendo o quadro sido pintado já depois da morte dela.

Se calhar o mestre pintou apenas a cara da Simonetta, como às vezes era especificado nos contratos dos pintores dessa época, como referi noutra ocasião neste blogue a propósito de uma obra de mestre.

Fui buscar a a reprodução completa do quadro a este sítio, imagem do Google Art Project armazenado na Wikipedia , a que cheguei via a entrada na Wikipédia de Piero di Cosimo acima referida.





2016-03-02

Será uma calçada irregular?


Em Fevereiro de 2015 tirei esta foto numa manhã com neblina matinal a dissipar-se. À primeira vista parece uma calçada com pedras arredondadas pelo uso prolongado






Na realidade trata-se do tecto do meu carro, ainda molhado por alguma chuva recente e fumegando com a evaporação provocada pelo Sol já com alguma potência







2016-02-25

Al Gore: existem motivos para optimismo sobre as mudanças climáticas


Al Gore fez neste mês de Fevereiro de 2016 uma apresentação com duração de 25 minutos onde depois de referir os grandes problemas trazidos pelas mudanças climáticas tem palavras de grande optimismo sobre a evolução das energias renováveis, designadamente dos aerogeradores, dos painéis fotovoltaicos e das baterias de lítio.

Às 23:05 diz: "We are regularly surprised by these developments..." citando a seguir Rüdiger Dornbusch: "Things take longer to happen than you think they will, and then happen much faster than you thought they could."

Foi uma citação que me pareceu particularmente apropriada ao que tinha acabado de apresentar



2016-02-23

Pai Nosso



Acabei há pouco tempo de ler o livro “Pai Nosso”, alegado romance de Clara Ferreira Alves.

Gostei do que li mas fiquei com a sensação que não se tratava de um romance propriamente dito, daí o adjectivo “alegado” que usei no parágrafo anterior.

Há muitos anos que quase não leio romances e embora reconheça alguma utilidade e prazer na leitura deste género falta-me o interesse pela psicologia dos personagens. Neste livro a densidade psicológica dos personagens é tão ténue que é quase transparente.

Quanto a mim trata-se de um conjunto de crónicas de repórter versado na guerra sem fim entre israelitas e palestinianos e no fundamentalismo islâmico local e global. A situação política e social descrita é muito deprimente e percebe-se que a Clara Ferreira Alves ande bastante mal disposta com o estado do Mundo.


Adenda
Achei muita graça a uma fala da personagem Beatriz sobre Jerusalém:
- E ninguém gosta de Jerusalém. Nem o Papa. Por alguma razão o Vaticano é em Itália, na civilização. Sempre se pode ver o Michelangelo em paz. Comer uma pasta ou un risotto.

2016-02-16

Igreja de Roma e Igreja de Moscovo


Há dias encontraram-se em Cuba o Papa Francisco, chefe da Igreja Católica Apostólica Romana e Cirilo, o Patriarca de Moscovo e da Igreja Ortodoxa de toda a Rússia.

Ao longo da história do Cristianismo têm ocorrido vários cismas, conforme referi aqui, costumam existir divergências teológicas muitas vezes acompanhadas de divergâencias sobre o governo da comunidade dos crentes.

Os dois maiores cismas ocorreram nos séculos XI e XVI, o primeiro na separação entre a igreja do Oriente e a Romana, o segundo na separação de várias correntes protestantes na Europa da igreja chefiada pelo Papa.

Dadas as vicissitudes da História as igrejas orientais estavam mais ligadas ao poder imperial romano do Oriente, localizado em Constantinopla. O imperador era considerado no Oriente o sumo pontífice (lembrando o papel do rei de Inglaterra como “chefe” da igreja anglicana) e o imperador Justiniano considerou que existiam 5 patriarcas: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.

O bispo de Roma considerava-se como herdeiro legítimo de S.Pedro, chefe da igreja cristã alegadamente nomeado pelo próprio Jesus Cristo. Dado ainda que o império Romano do Ocidente deixara de existir no século V e o poder de Constantinopla sobre Roma era intermitente e ténue, o bispo de Roma sempre teve reservas em relação à consideração destes 5 patriarcados como entidades paritárias.

As relações foram-se degradando ao longo dos séculos e em 1054 o delegado do Papa e o Patriarca de Constantinopla excomungaram-se mutuamente.

Desde essa altura ocorreu um massacre de latinos em Constantinopla (1182) a que se seguiu o saque de Tessalónica (1185) e o massacre de bizantinos por cruzados da 4ª Cruzada no saque de Constantinopla em 1204. O império latino do Oriente então estabelecido durou 55 anos, tendo sido extinto por bizantinos que se aguentaram em declínio até à queda de de Constantinopla para os otomanos em 1453, após algumas tentativas falhadas de serem ajudados por Roma na luta contra os turcos. Estas peripécias não ajudaram a um entendimento.

A Wikipédia tem listas dos patriarcas ortodoxos dos vários sítios. A lista de Moscovo refere o primeiro “metropolita” de 1283-1305 e o primeiro patriarca de 1589-1605. À medida que o Islão tomou conta de Antioquia, de Alexandria e finalmente de Constantinopla, a influência destes patriarcas foi declinando enquanto aumentava a do patriarca de Moscovo, cidade a que certa altura se reclamava do “título” de terceira Roma, sucessora da Constantinopla que deixara de ser terra de maioria cristã. O soberano de Moscovo chamava-se Tzar ou Czar por ser o novo César.

Quando os soberanos se reclamam de o serem por direito divino, é inevitável que os sumo-sacerdotes se vejam envolvidos na luta política, dado que convém ter uma autoridade eclesiástica que “certifique” o soberano como sendo o escolhido por Deus.

O imperador de Constantinopla era coroado na igreja de Santa Sofia, sendo ainda visíveis os mosaicos em círculo no chão onde se colocava o imperador a coroar e as várias figuras do protocolo de Estado e da Igreja.

O papa de Roma não tinha um imperador próximo mas coroou Carlos Magno e depois vários imperadores do Sacro-Império Romano-Germânico. O título de “imperador”  destes soberanos era em alemão “Kaiser”, também derivado de César. Vi isto procurando por “Leonor de Portugal” uma princesa portuguesa que se casou com o imperador alemão Frederico III. Escolhendo a versão em alemão (língua que desconheço) desta entrada da wikipédia e procurando a palavra “kaiser” apareceu-me logo uma instância junto ao nome de Fredrich III. O encontro dos noivos foi pintado por Pintoricchio num fresco da biblioteca Piccolomini na catedral de Siena que referi aqui.

Noutra ocasião tentarei revisitar a entrada da Wikipédia sobre Leonor de Portugal que me pareceu à primeira vista muito interessante.

É provável que nestes quase mil anos tenham existido de vez em quando tentativas discretas de reaproximação das  igrejas de Roma e Ortodoxa. No século XX, no ano de 1964, o papa Paulo VI encontrou-se com o Patriarca Atenágoras I de Constantinopla em Jerusalém. Nessa altura ambos anularam as excomunhões feitas em 1054 mas as igrejas permaneceram separadas. Não sei porque não houve encontros com o patriarca de Moscovo, dada a existência da URSS é provável que não existissem condições políticas.

E finalmente chegamos ao encontro em Cuba no aeroporto José Martí em Havana, no dia 12 de Fevereiro de 2016, referido aqui onde assinaram uma declaração conjunta exortando “a comunidade internacional à união para porem termo “à violência e ao terrorismo”. Apelam para a paz, para a “ajuda humanitária” aos refugiados e referem o martírio dos cristãos.”.

É algo irónico que líderes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa tenham escolhido um país governado por um regime comunista para se encontrarem, na imagem seguinte vê-se o anfitrião Raul Castro a assistir à assinatura da declaração


nestoutra os dois líderes


e nesta final não resisti a mostrar melhor o “chapéu” do patriarca


que tem no topo uma cruz e na fronte uma representação de um Serafim que, por coincidência, eu mostrara dois posts atrás!

As imagens são desta notícia da BBC.


2016-02-12

Esteira de luar perfeita




Imagem tirada da capa do livro "passos perdidos" de Paulo Varela Gomes, edições Tinta da China, ilustração de Vera Tavares

2016-02-07

Os Serafins da igreja de Santa Sofia



Parece-me cada vez mais que as pessoas precisam de certezas e de crenças firmes. Em tempos essa necessidade na Europa foi satisfeita pela religião. Agora que a prática religiosa abrandou tem vindo a ser substituída pela economia como fornecedora de crenças inabaláveis e eternas.

A Economia que nasceu para basear algumas decisões na avaliação ponderada de custos e proveitos, tem os seus licenciados produzindo frases como “não existe alternativa”, “temos que manter o rumo” ou mesmo um surpreendente “custe o que custar”.

Gosto da proposta de orçamento aprovada pelo governo de Portugal para o ano de 2016, apreciei a negociação do governo com a Comissão Europeia e dispensava as críticas desproporcionadas de que foi objecto e que são muito bem ilustradas aqui. Cansei-me de ouvir muitas discussões inúteis e algo bizantinas, como por exemplo sobre a inerentemente difícil aplicação do conceito de défice estrutural, pelo que me ocorreu a ideia de falar sobre temas bizantinos propriamente ditos.

Quando visitei a igreja de Santa Sofia, ou melhor da Santa Sabedoria, em Istambul, em Julho de 2003, a igreja estava a ser restaurada, estando instalado um andaime imenso ocupando um quarto do espaço por baixo da cúpula principal.

A igreja é deslumbrante e referi-a em dois post de 2008, aqui e aqui.

Na altura tirei esta foto da cúpula



onde se vêem 3 das 4 áreas de forma aproximadamente triangular que constituem os suportes principais da cúpula e que muitas vezes são chamados de “pendentes”. Esta designação padece do triunfo da forma sobre o conteúdo. Muita gente fica deslumbrada por a cúpula parecer que está ali a flutuar sem suporte e o que está a ela ligado aparece a essas pessoas como pendendo da cúpula, “justificando” assim o uso do termo “pendentes”.

Nesses triângulos vêem-se umas figuras compostas pelo que parecem ser asas. Intrigado, tentei ver do que se tratava e li em vários sítios que seriam representações de anjos mas continuei sem perceber o que via.

Na figura seguinte vê-se um dos alegados anjos um pouco melhor e a foto que coloquei no Picasa, para ser consultada por eventuais interessados, tem maior resolução do que a que apresento no post.



Recentemente, na sequência duma referência num comentário a este meu post do Vítor Santos Lindegaard a um texto “Plume d’Ange” dito por Claude Nougaro, fui à procura no google de uma figura de anjo e encontrei finalmente a explicação das figuras aladas da igreja de Santa Sofia!

Trata-se de Serafins, que a Wikipédia esclarece serem os anjos que no céu estão mais próximos de Deus. Tinham 3 pares de asas, duas cobriam as pernas, com duas voavam e embora a Wikipédia diga que com as outras duas cobriam o rosto, nas imagens que o google mostrou estas duas últimas asas estão colocadas para cima, em direcção oposta à das pernas.

Percebi melhor o sentido de “um ar seráfico”, é uma espécie de Nirvana, quem está tão perto de Deus não deve desejar mais nada. Muitas vezes os serafins são representados com asas vermelhas para dar a ideia que estão muito quentes dada a proximidade do fogo divino mas não é o caso destes serafins azulados.

Este artigo “The Seraphim Mosaic in Hagia Sophia” onde fui buscar as 3 imagens seguintes, traz muita informação sobre o tema mostrando um mosaico de um dos serafins antes do restauro e também com uma estrela no meio das asas


No texto refere que as autoridades do museu da Aya Sophia comunicaram em 2009 (6 anos depois da minha visita) que tinham removido a estrela que tapava a cara de um dos serafins, conforme a imagem seguinte


mostrando ainda uma pessoa ao pé do mosaico, para dar uma ideia da sua dimensão


Fiz uma busca no Google imagens com a sequência (THE SIX WINGED ANGEL MOSAIC) em que me apareceram muitos serafins além dos da igreja de Santa Sofia, como por exemplo o que mostro a seguir que fui buscar a este sítio


e que tem as 6 asas, todas com uma boa parte de cor vermelha, e ainda esta


Tive um bocadinho de dificuldade em encontrar representações escultóricas de serafins mas encontrei esta numa igreja inglesa em Padstow. England. Little Petherick, St. Petroc Minor.


Não me lembro de ver serafins em igrejas em Portugal.

Neste site tem também fotos muito interessantes sobre Istambul e o interior da igreja de Santa Sofia.

E fiquei a pensar que com tanta pluma a cobrir o corpo quase todo não admira que os bizantinos se tenham interrogado sobre qual seria o sexo dos anjos, sem terem conseguido chegar a uma conclusão.

2016-02-01

O filme “Faraó” de Jerzy Kawalerowicz


Há muitos anos, penso que no Cineclube Universitário, que passava uns filmes normalmente deprimentes e chatos nos anos 60 do passado século, vi um filme sobre um Faraó do antigo Egipto que me agradou.

Tratava da luta pelo poder entre um jovem faraó e a classe dos sacerdotes.

Quando começaram a aparecer os DVDs, por qualquer motivo (talvez por existirem muitos posts neste blogue que aparecem quando se procura Egipto)  lembrei-me do filme e andei à procura dele na internet. Sobre o filme falam bem na Wikipedia, de onde tirei a imagem seguinte


e noutros sítios como o IMDB (http://www.imdb.com/title/tt0060401/). Foi realizado por  Jerzy Kawalerowicz em 1966 e chegou a ter uma nomeação para Óscar. Como o filme é falado em polaco tive receio de adquirir um DVD, sem ter a certeza de quais as legendas disponíveis, e acabei por escrever o nome do filme num papelinho que juntei a outros com variadas tarefas pendentes.

Em meados de Janeiro passei pelo papelinho, vi na internet que existia um DVD com uma versão de 184 minutos mas com imagem de má qualidade e outra versão de 145 minutos que era classificada como abreviada de forma inadmíssível. Entretanto descobri que existia uma versão disponível no Youtube, que pode ser acedida através da imagem que segue





com 145 minutos de duração e com a qual, não sabendo eu se há várias dezenas de anos vi esta ou a mais comprida, fiquei de qualquer forma muito satisfeito.

De tal forma que fiz o download do filme a partir do Youtube, a versão com definição de 854 x 480 pixels ocupa-me cerca de 600Mbytes no disco do PC. Por motivos não completamente claros lembrei-me de traduzir as legendas em inglês para português.

Quem estiver interessado nos ficheiros de legendas poderá encontrá-los aqui 

Para carregar directamente as legendas em português:
- PHARAOH - Jerzy Kawalerowicz (145min).srt
ou em inglês:
- PHARAOH - Jerzy Kawalerowicz (145min)_EN.srt

basta carregar o ficheiro .srt para a mesma pasta onde se colocou o ficheiro .mp4 resultante da transferência do Youtube para o PC. O ficheiro .mp4 e o .srt têm que estar na mesma pasta e ter o mesmo nome. Estes ficheiros. srt têm apenas caracteres ASCII, podem ser vistos com o Notepad e a estrutura do conteúdo é óbvia.

Para ver o filme com legendas usei o Media Player Classic mas existem muitos programas gratuitos disponíveis na internet para esse efeito.

2016-01-29

Reflexos de luz solar sobre prédio côncavo em Londres


Recebi um filminho sobre as perturbações provocadas numa rua de Londres pelo reflexo do sol num prédio vizinho que tinha uma fachada com forma côncava.

O prédio está na 20 Fenchurch Street em Londres e derreteu algumas peças de plástico de automóveis, deformou anúncios e iniciou incêndio de um tapete de porta.

Fui à procura na internet e descobri este artigo do Daily Mail (de 9/Out/2014) de onde retirei as imagens deste post.

Esta era quando causava problemas:


e neste diagrama refere que o problema ocorria cerca de duas horas por dia e nem sempre o céu londrino está tão descoberto




O problema foi resolvido colocando palas em grande parte da fachada.

Nos países solarengos as palas nas fachadas dos edifícios eram e são uma constante, com um pequeno interregno quando a energia era baratíssima e os arquitectos compensavam a ineficiência energética com maior consumo nos equipamentos de ar condicionado.

Em inglês existe uma palavra para "palas" que é sunshade, designação genérica como dispositivo para criar uma sombra que protege do sol. No entanto, dada a frequência do céu nublado no Reino Unido, os britânicos sentem-se pouco à vontade com o conceito e no texto do Daily Mail aparece esta frase:

«The 525ft building, 20 Fenchurch Street, has been fitted with a sunshade known as a 'brise soleil'...  »

Puseram-lhe umas "sunshades" embora, não completamente satisfeitos com o nome encontrado para as palas lhes tenham adicionado o termo "brise-soleil".

Afinal não são só os portugueses a usar estrangeirismos desnecessários como por exemplo "yellow boxes" para as zonas amarelas dos cruzamentos.


Este foi o aspecto com que ficou


que confirmei no Google Earth.

2016-01-25

Luz eterna


Depois das Teorias de Tudo pareceu-me adequado mostrar outro pequeno filme do Cristóbal Vila, de quem já mostrei outras realizações. Este chama-se LUX AETERNA.



 A igreja que aparece no filme com uma abertura em forma de cruz na parede que deixa entrar a luz é do arquitecto Tadao Ando e já a referi aqui.



2016-01-21

Teorias de Tudo, por John D. Barrow – 2


No post anterior referi-me a vários aspectos do livro de John D. Barrow tentando ilustrar a enorme abertura de espírito necessária para tentar chegar a alguma espécie de Teoria de Tudo.

Claro que nessa procura o autor fala da Teoria da Relatividade Geral, da distorção do espaço pela Gravidade, da Expansão do Universo, da parte não visível do Universo, do Big Bang, dos Buracos Negros, do 2º Princípio da Termodinâmica, das partículas subatómicas, da Mecânica Quântica, da Teoria das Cordas, etc, em suma da grande panóplia de descobertas, conceitos e ferramentas que podem guiar o explorador da Totalidade do Universo. Mas se eu fosse abordar estes temas este post ficaria, na melhor das hipóteses (de eu ser capaz dessa tarefa) com uma dimensão parecida ao livro, pelo que me limitarei a mais alguns apontamentos soltos.

Um tema engraçado é o das Constantes da Natureza. Ele há a constante de gravitação universal, a constante de Planck, a velocidade da luz e são conhecidas mais umas tantas. De uma forma geral elas são apresentadas como um facto observado. Mas constata-se que sabemos pouco sobre elas porque caso contrário existiria uma teoria que explicasse o seu valor e não teriam a importância que têm actualmente. O autor interroga-se se as constantes sempre foram constantes e se terão o mesmo valor em todos os locais do Universo. Perguntas que ilustram a nossa ignorância sobre o tema.

Saltando o capítulo da Quebra de Simetria, passo ao dos Princípios Organizativos, onde o autor aborda com elegância o tema do Reducionismo. Na sua versão troglodita o reducionista vê uma hierarquia rígida. A Zoologia pode (e deve, como nos casos seguintes) ser reduzida à Biologia, que pode ser reduzida à Química que por sua vez pode ser reduzida à Física que deverá preferentemente ser explicada pelos comportamentos das partículas mais elementares da matéria. Na minha educação foram-me apresentadas várias versões mais ou menos mitigadas desta ideologia, no sentido pejorativo do termo.

O autor aponta que num conjunto muito grande de elementos em que exista forte interacção entre eles o todo é maior do que a soma das partes surgindo fenómenos em que as leis do nível mais básico são inadequadas para os descrever. É essa complexidade adicional que faz com que surjam novos domínios da Ciência, caso contrário explicaríamos tudo com as leis da Mecânica Quântica, para usar uma imagem simplória da minha lavra.

É neste capítulo que aparecem uns gráficos onde num apresentam a massa versus a dimensão de várias entidades desde o protão, passando pelos seres humanos e pelas galáxias até ao Universo visível,  noutro o tempo passado entre várias fases da evolução do Universo, sememelhante à usada por Carl Sagan no programa Cosmos que passou na TV, noutro onde mostra a evolução do poder de cálculo dos computadores e finalmente outro, que mostro a seguir, onde se apresenta a memória e o poder de cálculo de vários sitemas, uns criados sem intervençao humana e outros feitos pelo homem.


Tenho dúvidas sobre a posição no gráfico de alguns dos sistemas mas apresento-o sobretudo para mostrar que as Teorias de Tudo também têm que tratar destes sistemas.

O livro aborda os Efeitos de Selecção em que se fala do Princípio Antrópico Fraco: o Universo evoluiu de forma que viabilizou o aparecimento de seres como nós, baseados no carbono, que existiram antes das estrelas se extinguirem. Aprecio a sensatez deste princípio.

Finalmente o livro fala do papel da Matemática na concepção da nossa visão do Universo.

Nem sei porque tento descrever os livros que li. Se calhar é porque o meu pai me pedia quando eu era pequeno para lhe descrever o que acabara de ler

2016-01-14

Teorias de Tudo, por John D. Barrow


Ofereceram-me este livro no Natal de 1999, o tempo voa e conhecer os mistérios do Universo não esteve nas minhas prioridades. Constatei que o original em inglês foi escrito em 1991 e a sua tradução para português em 1996. Como a procura da explicação para o Universo me parecia pueril considerei que o tema podia esperar. Como nas duas ou três décadas passadas não ouvi falar de grandes progressos nesta área pensei que o livro não estaria completamente desactualizado e comecei a lê-lo tendo concluído a leitura com sucesso, nestes tempos difíceis em que a internet me dispersa tanto.

Achei o livro muito interessante revelando o autor uma grande abertura de espírito e um enorme leque de interesses, adequado para tratar de uma matéria tão vasta.

Logo na Introdução o autor pergunta:
«
Poderá este esforço (encontrar as “Teorias de Tudo”) ser bem sucedido? Poderá a nossa compreensão da lógica subjacente à realidade física ser total? Será de prever o dia em que a física fundamental estará completa deixando só por revelar os detalhes complexos latentes nas suas leis?
»
e pouco a seguir afirma
«
Tentaremos demonstrar que, mesmo que as Teorias de Tudo, tal como correntemente concebidas, venham a provar ser necessárias para a nossa compreensão do Universo que nos rodeia, elas estão longe de ser suficientes.
»
o que para mim constituiu um excelente começo.

O autor começa por falar dos Contos Mitológicos das diversas civilizações como as primeiras Teorias de Tudo, onde se explica como tudo apareceu. A fraqueza das Teorias de Tudo mitológicas é que como a explicação é fraca é preciso um novo elemento de cada vez que se descobre um novo facto. Por exemplo há um deus para a chuva, outro para o relâmpago, etc. Exemplo disso é o Olimpo grego, onde além dos deuses que se encarregam dos fenómenos “naturais” existem os “especialistas” dos sentimentos humanos.

Isto fez-me lembrar uma visita que fiz ao templo Thillai Nataraja em Chidambaram, no estado do Tamil Nadu,  onde o nosso guia se multiplicava em explicações intermináveis sobre os mitos indianos (porque tivera uma má avaliação duns turistas dum grupo anterior) e eu me distraía a olhar para aquela torre (gopura) ao fundo cheia de estátuas coloridas



receando que me contassem a vida de todas aquelas figuras




olhando para esta pequena estátua do deus Shiva dançando sempre



e para este homem que tinha tomado banho no lago do templo, sagrado mas com a água demasiado esverdeada.



E volto a citar o livro:
«...
Nestas explicações (mitológicas) não existe um caminho plausível para a simplificação.
...
Enquanto os antigos se contentavam em criar muitas divindades menores, cada uma com capacidade de explicar as origens de um aspecto particular, mas podendo muitas vezes entrar em conflito, o legado das grandes religiões monoteístas é a esperança numa única explicação para o Universo.
...
Mais uma vez, constatamos que esta motivação é essencialmente religiosa. Não existe nenhuma razão lógica para que o Universo não contenha irracionalidades ou elementos arbitrários que não se relacionem com o resto.

»

Passando depois ao tema das Leis da Natureza o autor sublinha mais uma vez a contribuição da crença na existência de um Deus legislador único das religiões monoteístas do Ocidente, na procura de teorias unificadas da Natureza, em contraponto ao politeísmo e holismo das religiões orientais, que dificulta a análise e consequente compreensão do mundo que nos rodeia, pois não se pode separar uma parte dado que o todo tem que ser sempre considerado.

E um pouco mais à frente
«
As nossas tradições monoteístas reforçam o pressuposto de que o Universo é , na sua raiz, uma unidade, que não é governada por legislações diferentes nos diversos locais, nem é  o resultado de qualquer choque de titãs lutando para impor as suas vontades arbitrárias sobre a natureza das coisas, nem resulta do compromisso de alguma assembleia cósmica.
»
diferenciando assim a Ciência da Política e doutras lutas pelo poder como o Futebol.

Claro que nem tudo são rosas nas relações entre as religiões monoteístas e a Ciência, designadamente quando é atribuído a Deus um papel mais interventor no dia-a-dia, tal como provocar doenças ou terramotos como castigo mas, enquanto encarado como um legislador racional e universal, o conceito de Deus único favorece a procura das suas leis.

À medida que se foram descobrindo leis da Física como, por exemplo, a conservação da energia, foi diminuindo a necessidade de considerar a intervenção divina numa série de assuntos.

O livro fala a seguir das Condições Iniciais e da sua importância no estado do Universo.
Discute a eventualidade de as leis da Natureza a aplicar poderem depender das condições iniciais mas acaba por considerar preferível uma situação em que a lei seja a mesma independentemente das condições iniciais. Não consigo deixar de pensar que a estrutura da Ciência reflecte a sociedade onde nasce. Agora o sentimento de Justiça predominante é que a lei seja aplicada a toda a gente independentemente da sua condição, mas este conceito é contrabalançado com o pensamento que se deve tratar de modo diferente o que é diferente.

Finalmente o autor afirma que
«
A um nível mais profundo pode simplesmente não existir qualquer divisão radical entre aqueles aspectos da realidade que usualmente designamos por “leis” e aqueles que passamos a conhecer como “condições iniciais”.
»

Refere depois o determinismo e o livre-arbítrio, a ubiquidade de sistemas caóticos, e a dificuldade em conhecer o futuro, e portanto o passado, de uma forma exacta, só sendo possível um conhecimento estatístico. Aborda ainda a existência provável de partes importantes do Universo que ainda não podemos observar colocando-se a questão de saber se nessas partes vigoram as mesmas leis que na parte que é visível para nós.

Prossegue depois sobre o tema do Tempo, citando

- este graffiti de um anónimo no Texas:
«O tempo é o modo como Deus evita que as coisas aconteçam todas ao mesmo tempo»;

- Bernard Shaw:
«Os ingleses não são um povo muito espiritual. Então, inventaram o críquete que lhes dá alguma noção de eternidade»;

- e “A Cidade de Deus” de Santo Agostinho:
«O mundo foi então seguramente feito, não no tempo, mas simultaneamente com o tempo. Porque aquilo que é feito no tempo é feito tanto antes como depois de algum tempo – depois disso, que é passado, eantes disso, que é futuro. Mas então nada podia ser passado, pois não existia nenhuma criatura cujos movimentos pudessem ser medidos para determinar a sua duração. Mas simultaneamente com o tempo o mundo foi criado.».

considerando que esta visão da simultaneidade da criação do Universo e do tempo é a opinião dominante dos cientistas de hoje, que corresponde à opinião de Santo Agostinho, manifestada no século V.

E como já gastei muito tempo, quer a mim quer ao leitor deste blogue, sobre este interessante livro vou hoje ficar por aqui.

Talvez ainda faça outro post sobre este livro.