2014-02-25

A globalizaçao tem dias


Um dia destes numa conferência em que estive mostraram esta figura contendo estimativas (em Out/2013 estimaram valores de Nov/2013) dos preços do Gás Natural Liquefeito em vários pontos do globo.



Fui à procura desta informação e descobri esta figura aqui.

Não me vou alongar sobre um tema que não domino mas para um leigo é surpreendente que num mundo alegadamente tão globalizado possam subsistir diferenças de preço tão grandes para um produto de uso tão global.





2014-02-21

Corvos-marinhos na base dum pilar da Ponte Vasco da Gama


Nos meus curtos mas frequentes passeios à beira-rio tinha notado a existência de numerosas aves, de cor escura, na base de um dos dois pilares mais altos da Ponte Vasco da Gama.

Como era o pilar mais afastado da margem era difícil ver do que se tratava pelo que pedi emprestada uma máquina fotográfica com um zoom óptico de 18x, tendo constatado que no seu alcance máximo este zoom é equivalente a uma distância focal de 450mm para uma máquina de rolo de 35mm.


Para ter mais luz fui ao local cerca das 3 da tarde, num dia da última semana do passado mês de Janeiro, constatando que as aves primavam pela ausência, à excepção do que parecia ser uma gaivota. Decidi voltar ao fim da tarde e lá estava a multidão habitual iluminada pela luz do sol poente



Na foto contei umas quarenta aves e mais aquela pernalta do lado esquerdo que não fazia parte do bando.

Enquadrando uma parte da foto e mostrando a resolução máxima vê-se melhor na imagem seguinte pelas silhuetas que se tratam de corvos-marinhos, que referi há bastante tempo neste post



Fotografando um pouco mais para a direita



e mostrando a ampliação vê-se finalmente um corvo-marinho com as asas abertas a ver se secam, disseram-me que como as penas não são impermeáveis, talvez para facilitar mergulhos a maiores profundidades, os corvos-marinhos colocam muitas vezes as asas nesta posição estendida


Na imagem seguinte parece haver outro corvo-marinho de asas abertas, afinal não fazem isso tanto como dizem. Julgava que se conseguiam fotografias melhores com as máquinas compactas de grande zoom óptico. Afinal aquelas objectivas com um cilindro enorme e pesado ainda são insubstituíveis para algumas tarefas...





2014-02-15

Chorão à beira-rio


Gosto de ver esta árvore nos meus passeios à beira-rio e já a tinha mostrado em Jun/2012 neste post, onde aparecia numa foto tirada em Mai/2012 e que mostro na imagem a seguir:


 Entretanto,o post da última passagem do ano em que a propósito do pintor japonês  Hiroshige mostrei esta imagem



renovou o meu interesse por esta árvore. O sítio da internet onde encontrei esta obra do Hiroshige foi o do jardim botânico de Chicago, em que referiam que estavam a podar um "willow" existente na secção japonesa do jardim para ficar parecido com a estampa. "Willow" em português significa Salgueiro, árvore muito referida na literatura mas que só agora constatei na wikipédia ser um quase sinónimo de chorão.

Em 9/Jan/2014 tirei então esta foto, mais uma vez ao fim da tarde, achei que a árvore já ficaria pouco mais despida de folhas do que nessa altura.




Era relativamente evidente que a árvore tinha sido podada na parte de baixo, não era de esperar que os ramos ficassem todos à mesma distãncia do chão, verifiquei agora que em Mai/2012 a árvore era nesse aspecto mais irregular. Mostro a seguir a mesma foto mas enquadrando apenas a árvore




E termino com outra foto mais luminosa que tirei às 3 da tarde de 21/Jan/2014:



2014-02-10

Depois da Tempestade virá a Bonança



Depois da tempestade virá a bonança, como neste fim de tarde à beira Tejo, em 9 de Dezembro de 2013.





Para tempos mais abonados poder-se-à mesmo desfrutar da calma do fim da tarde neste agradável terraço do Lake Palace Hotel, situado em Udaipur, cidade do estado do Rajasthan, na Índia, que foi cenário do filme "Octopussy" do James Bond



e que já referi aqui.

Além de uma ida a Bruxelas tenho-me dedicado a digitalizar umas fotos antigas que só existiam em álbuns da família. Depois de digitalizar fotos é difícil  resistir à tentação de dar uns retoques, tarefa que tende a eternizar-se, deixando menos tempo disponível para este blogue

Por outro lado sinto-me cansado dos disparates que vão sendo notícia e poder-se-à aplicar o ditado "em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão".

Continuo a pensar que o governo deve cumprir a lei existente (estou agora a pensar nos quadros do Miró), se não gostar da lei pode sempre alterá-la, directamente ou através da maioria parlamentar que o apoia, desde que dentro dos limites constitucionais.

2014-02-03

Argumentum ad hominem


Na edição do jornal Expresso de 25/Jan/2014, na entrevista ao banqueiro António Horta Osório, à pergunta “Portugal vai conseguir pagar a dívida?” o entrevistado respondeu: “O importante não é pagar a dívida, mas que a dívida se mantenha dentro de rácios razoáveis em relação à riqueza criada. Enquanto os privados devem pagar as dívidas ao longo do seu ciclo de vida, as empresas e os Estados, que não têm um ciclo de vida, não precisam de o fazer. Têm é de pagar o serviço da dívida”.

Não notei nesta semana que passou nenhum alarme sobre estas afirmações.

Já o mesmo não se passou quando, nos finais de 2011 apareceu esta notícia, por exemplo no Correio da Manhã em 7/Dez/2011:
«
O ex-primeiro-ministro José Sócrates comentou em Paris a crise na Europa, durante uma conferência com colegas universitários da Sciences Po, onde estuda Ciência Política. "Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se. Foi assim que eu estudei", disse.”

"Claro que não devemos deixar crescer a dívida muito, porque isso pesa depois sobre os encargos. Todavia, para um país como Portugal, é essencial financiamento para desenvolver a sua economia. É assim que eu vejo as coisas", concluiu Sócrates. A palestra teve lugar a 3 de Novembro numa sala do campus universitário de Poitiers, cidade onde há um pólo da Sciences Po.
»

Houve um clamor de vozes criticando a irresponsabilidade do ex-primeiro-ministro por alegadamente defender a ideia que as dívidas não são para se pagar.

É curioso como algumas técnicas da disciplina de Retórica, já conhecidas no tempo do império romano, como atesta o título deste post, continuam a ser usadas passados milénios e ainda têm algum efeito, quando já desde essa altura se sabe que algumas delas e esta especificamente não passa de uma falácia, o argumento é rejeitado não pelo seu conteúdo mas porque foi usado por um “inimigo”.

A wikipédia tem uma entrada “Argumentum ad hominem” onde explica a estrutura lógica:
•    O autor X afirma a proposição P;
•    Há alguma característica considerada negativa em X;
•    Logo, a proposição P é falsa.

Daí fui dar a esta entrada sobre “The Art of Being Right” onde encontrei este quadro de Paolo Veronese com o título “Aracne ou a Dialéctica


2014-01-28

Spam, audiências e a cópia de produtos industriais


No final do ano passado fiz um post sobre a cadeira Cimitarra que volto a mostrar aqui ao lado. Há muito tempo fiz umas considerações sobre audiências e a sua importância para publicar um blogue. Embora considere importante ter audiência, talvez devido ao facto de não existir publicidade no blogue não sinto uma pressão forte para aumentar a audiência, correndo assim o risco de ser comparado à raposa da fábula em que esta dizia que as uvas, que estavam muito altas para serem alcançadas, não prestavam por ainda estarem verdes.

Às vezes parece-me detectar uma correlação entre o que faço no blogue e o aumento ou diminuição do número de visitantes mas tenho ideias apenas incipientes sobre este assunto. Também estou longe de perceber o que suscita comentários spam, cuja existência se deve apenas à pretensão de publicitar sítios da internet.

Neste blogue escrito em português é fácil detectar spam, mais de 90% das mensagens apontando para produtos farmacêuticos ou outros sites a despropósito vêm escritas em inglês o que, sendo possível, pois pode haver pessoas que saibam ler português mas tenham dificuldade em escrevê-lo como acontece com um amigo espanhol que comenta alguns posts aqui, é pouco plausível visto que ainda não me apareceu nenhum comentário em inglês que não fosse spam.

Os dois comentários iniciais ao post sobre a cadeira Cimitarra acima referido foram classificados pelo blogger como spam mas eu desmarquei-os dessa categoria. Embora refiram produtores asiáticos da cadeira objecto do post, essa referência é claramente a propósito.

Os comentários apareceram menos de um dia depois da publicação do post e um deles em português, enquanto o segundo se limita a indicar outro site. Ambos os comentários indicam produtores chineses e embora não refiram preços e um dos fornecedores seja grossista, tenho a impressão que os preços chineses serão muito menores do que os dinamarqueses. A internet está a ser pesquisada de forma maciça e sistemática pois caso contrário não se perceberia como uma referência breve a uma cadeira é logo detectada por um fabricante chinês.

Tenho sentimentos contraditórios em relação aos preços altos da Dinamarca. Por um lado parecem remunerar generosamente quem faz produtos lindíssimos, o que é melhor do que premiar os magos da finança. Por outro lado os preços são tão estratosféricos que uma pessoa não percebe porque precisam de tanto dinheiro e suspeita que estão a explorar o gosto pela exclusividade do produto.

Em relação à alegada contrafacção chinesa tenho também sentimentos contraditórios. O mundo ocidental não teve grandes escrúpulos em copiar métodos de fabrico da porcelana chinesa, quando na China se faziam produtos de alta qualidade que os ocidentais se esforçavam por igualar.

Termino mostrando uma reprodução de um vaso chinês de porcelana, reprodução realizada com papel pintado, provavelmente para melhorar o contraste, colado sobre seda dourada, colocada por sua vez sobre seda azul escura decorada com bordados dourados representando flores e dragões.



Tentarei falar sobre este vaso numa proxima oportunidade.

2014-01-25

Foz do Douro, por Veselin Malinov


Nesta última tempestade no nosso litoral em Janeiro de 2014 (ou terá sido em Janeiro de 2013?) o fotógrafo Veselin Malinov andava pelo Porto e tirou umas fotos magníficas na foz do Douro




O mar no litoral da cidade do Porto pode ser muito agreste e na foz do rio Douro a combinação do caudal imenso do rio com as ondas  do mar cria uma entrada de barra de pesadelo nos dias mais agitados. Não é por acaso que surgiu o porto de Leixões, aquela barra do Douro é frequentes vezes intransponível.

Nesta imagem pode-se observar a água de côr dourada (ou de côr da lama ou acastanhada para os menos dados à poesia), cheia de aluviões, que dá  o nome ao rio, a ser agitada pela água do mar.

 Na próxima o preto-e-branco faz-nos concentrar na espuma branca contra o céu-de-chumbo



e para finalizar espera-se que o fotógrafo que aparece na seguinte não tenha ficado muito encharcado...




2014-01-22

Três choupos ou a solidão do pássaro na alvorada


Hoje levantei-me um pouco mais cedo do que habitualmente e tocou-me a visão destes 3 choupos nos Olivais Sul, despidos da sua folhagem, quando o sol estava quase a nascer



bem como o pássaro solitário pousado sobre um ramo do choupo da esquerda




que se vê ainda melhor na imagem seguinte


2014-01-21

Lódão-bastardo


Ao tentar identificar árvores da cidade de Lisboa usando o livrinho da CML sobre vinte e cinco delas, cortei este conjunto de folhas para me ajudar na identificação, pois o livrinho ficara em casa



A imagem foi obtida no digitalizador, que além de formar imagens digitais de folhas com textos também pode servir como alternativa da máquina fotográfica para objectos quase-planos como este conjunto

Depois, achei que este fundo branco não ficaria bem neste blogue de fundo preto e pintei o fundo branco de preto:


Achei o efeito engraçado mas muito trabalhoso de obter porque na transição entre o branco e o verde ficam pixéis que precisam de ser mudados um a um, o que é muito moroso.

Optei então por colocar uma cartolina preta como fundo, tendo obtido esta imagem que me parece mais satisfatória, embora o fundo não seja um preto tão profundo



Da consulta do livrinho que refiro acima concluí que a árvore seria um lódão-bastardo, (celtis australis).

Entretanto esse lódão não resistiu ao temporal de Janeiro de 2013 e teve que ser cortado. Na altura fotografei o toco restante, que mostra cerca de 36 anéis, tantos quantos os anos da árvore


tomando algumas liberdades no brilho e no contraste da imagem, para fazer sobressair os anéis.

Entretanto pensei que era chato referir uma árvore que já não existia porque não a podia fotografar. Foi então que descobri mais outra utilidade do Google Maps/Google Earth: como as fotos das ruas costumam ser actualizadas só ao fim de alguns anos existia uma boa hipótese de a árvore ainda estar na "street view" actual. Era o caso, como se constata a seguir:



2014-01-18

Memórias do granizo


Ontem de manhã caiu muito granizo em Lisboa, formando tapetes de gelo que pareciam restos de um nevão. Como a precipitação horária foi muito elevada ocorreram também algumas inundações de ruas. Em frente à pastelaria onde costumo beber um café estava esta cena de granizo a fazer lembrar neve. A foto ficou mais uma vez com umas partes desfocadas:




Em Lisboa não cai neve desde 1956 (tirando uma excepção há menos de 10 anos em que não se chegou a formar um manto branco) e as quedas de granizo são muito menos frequentes do que no Porto onde julgo que cai granizo em todos os invernos.Por lá às vezes dizia-se que caía saraiva, termo menos usado no Sul.

Talvez pela raridade, quando cai granizo em Lisboa lembro-me do hábito que tínhamos na nossa casa no Porto de colocar um copo de alumínio do lado de fora da janela para recolher os pedacinhos de gelo. Entretanto conjecturei que uma das razões para esse interesse pelas pedrinhas de gelo seria a ausência de frigorífico lá em casa, electrodoméstico que só comprámos depois da vinda para Lisboa em 1959.

O tempo voa, estou para aqui a contar a ausência dum equipamento que em 2010 existia em 99,5% dos lares portugueses. Não gostava desta casa alugada, mal conservada, onde vivi alguns anos na cidade do Porto.




2014-01-08

Colar de âmbar



Há uns tempos apeteceu-me fotografar um colar de âmbar, comecei por colocá-lo sobre uma folha branca A4 e tirei a primeira foto, que se vê aqui ao lado.

Quando as fotos são tiradas com motivos muito simples, em que não existe uma multidão de objectos complicados e/ou muitas pessoas, nota-se mais facilmente que as cores não são bem o que se esperava.

Neste caso é patente que o papel alegadamente branco ficou com tons azulados. A foto foi tirada cerca das 4 da tarde do passado mês de Maio num dia de céu muito azul.

Pensei que talvez pudesse esconder o problema usando um fundo azul forte de uma caixa-estojo de outro objecto, forrada a veludo azul.

Ao contrário do papel branco ninguém notaria que o veludo azul estava um pouco mais azul, mas não gostei das cores berrantes da imagem, mesmo considerando que tínhamos ouro sobre azul e que não consegui uma focagem boa, como se pode constatar na imagem seguinte.

Decidi regressar então à folha branca de papel A4 mas julgo que a aproximei mais da janela para ficar com mais luz.

O resultado, que se pode ver na próxima imagem, ficou ainda um pouco mais azulado do que na primeira imagem pelo que recorri a uma compensação de côr.

O princípio é simples,  consiste em escolher um pixel (numa área de cor uniforme) e dizer ao programa de processamento de imagem que esse pixel deve passar a ser cinzento, por outras palavras as componentes RGB (Red, Blue, Green) devem ter o mesmo valor numérico nessa área da imagem, alterando o resto da imagem numa transformação idêntica a esta.

Numa imagem em que estejam pessoas, pode-se usar o branco dos olhos dos modelos para corrigir eventuais distorções da cor da imagem em causa.

A seguir mostro a nova foto sem correcção de côr do lado esquerdo e com correcção no lado direito:



Não fiquei completamente satisfeito com o resultado obtido do âmbar sobre papel que, embora natural para a função do objecto, visto este destinar-se a ser colocado sobre uma superfície quase plana embora não tão branca, perturbava um pouco a contemplação dos pedacinhos de âmbar transparente

Assim colei com fita cola o colar sobre o vidro de uma janela e fotografei o colar nessa situação. Como não pretendia qua a fita cola ficassse na foto apaguei-a com uma função que no programa de processamento de imagem chamam "cloning" e que consiste em copiar uns pixéis da vizinhança sobre a zona. No caso de uma zona de côr relativamente uniforme como um céu azul esta técnica é a mais fácil para eliminar pormenores indesejados de uma imagem.

Mostro a seguir o antes e o depois da eliminação dos elementos indesejados, onde se constata que a eliminação da fitacola foi imperfeita mas enfim, os leitores desculparão.



A seguir mostro o resultado final que obtive depois da correcção da côr. Fiquei um bocado surpreendido com o efeito, parece que ficou nevoeiro mas, no fundo, era o que seria de esperar. O colar pode agora ser visto com um mínimo de interferência do exterior.





2014-01-03

Claude Monet (1840 - 1926), pintor e jardineiro e pintor outra vez


Os quadros japoneses influenciaram os pintores europeus, como referimos no último post a propósito da cópia que Van Gogh fez da estampa de Hiroshige mostrando a grande ponte de Atake sob um forte aguaceiro.

Esses quadros também influenciam os jardineiros, como referi ainda nesse post, que fazem a poda de salgueiros na secção japonesa do jardim botânico de Chicago, para os tornar mais parecidos aos desenhados por Hiroshige noutra estampa com o título "Lua cheia em Seba na estrada de Kisokaido"

O pintor Claude Monet gostou muito da forma das pontes japonesas em que o tabuleiro é o próprio arco da ponte e achou que ficaria bem uma construção com essa forma no jardim que construiu na sua casa em Giverny, a cerca de 70km de Paris. Depois naturalmente pintou-a:




Acho muito interessante esta interacção nos dois sentidos entre jardineiros e pintores, um jardineiro vê um quadro e altera o seu jardim inspirado por uma imagem que poderá influenciar outro pintor a construir um jardim para depois poder pintá-lo mais à vontade, construindo a paisagem de forma a que fique bem na pintura!

Pode até ter acontecido, dado que se trata duma ponte sobre um lago num jardim, que o próprio lago deva a sua existência ao desejo que Monet teve de ter uma ponte "japonesa".

Ao encher o lago de nenúfares para depois os pintar, Monet realizou uma série de quadros de uma enorme beleza, construindo na pintura também uma "ponte" entre o figurativo e o abstracto. Termino com um desses quadros sobre nenúfares. Ambas as imagens são da Wikimedia Commons.



2013-12-31

Ando Hiroshige (1797 - 1858)


Desde o início deste blogue que tenho encerrado cada ano com um desenho do artista japonês Hokusai, que viveu de 1760 a 1849.

Longe de ter esgotado a vasta obra dele, apeteceu-me desta vez mudar de artista, para o também muito famoso Hiroshige que nasceu quando Hokusai já tinha 37 anos e que se supõe que tenha sido bastante influenciado pelas obras deste artista.

Ambos fizeram parte da escola Ukiyo-e, que usava blocos de madeira para a impressão de gravuras, aumentando assim a possibilidade de mais gente ter acesso a uma mesma obra de arte.

A que está aqui ao lado tem o título "Chuva sobre Atake e a Grande Ponte", fui buscá-la à Wikimedia Commons, onde continuam a ter das melhores reproduções digitais da internet. A versão que mostro aqui é dum ficheiro .jpeg com uma compressão um pouco maior do que a da Wikimedia.

As pontes mais comuns são sítios maus para se ser apanhado por um aguaceiro, não há nenhuma construção onde uma pessoa se possa abrigar.

Nestas gravuras japonesas vê-se muita gente com as pernas sem roupa, os texteis não foram sempre baratos, como é agora o caso.

As gravuras japonesas influenciaram muito os pintores europeus do fim do século XIX, Van Gogh pintou mesmo um quadro que é uma cópia desta gravura de Hiroshige, a casa de Monet em Giverny tem muitas estampas japonesas decorando as suas paredes.

Além de ser uma imagem muito famosa adequa-se ao mau tempo que tem prevalecido neste final de Dezembro, muito típico do Inverno.

Como além da chuva temos tido vento e as árvores ficaram finalmente com muito poucas folhas achei que a gravura que se segue, também de Hiroshige, se adequava à data, se bem que a Lua actualmente não esteja cheia mas em quarto minguante.

Vi pela primeira vez esta gravura no site do Jardim Botânico de Chicago onde informam que estão a podar algumas árvores da secção japonesa desse jardim para ficarem parecidas a estas!

Nunca me tinha passado quela cabeça que os jardineiros usassem quadros como fonte de inspiração mas acaba por ser natural que a interacção se faça nos dois sentidos, dos jardins para os quadros e dos quadros para os jardins!

A imagem chama-se "Lua cheia em Seba na estrada de Kisokaido", fazendo parte da série "69 estações do Kisokaido" e fui buscá-la também à Wikimedia Commons. Desta vez reenquadrei e preenchi os cantos com a côr horizontalmente adjacente para evitar o enquadramento cinzento claro de cantos arredondados.





Feliz Ano Novo de 2014!

2013-12-28

Cadeira Cimitarra de Preben Fabricius e Jorgen Kastholm


Na Fundação Calouste Gulbenkian existem umas cadeiras, também de cores outonais, que há muito tempo consegui identificar, através de buscas na net, como a cadeira Cimitarra, projectada pelos "designers" dinamarqueses Preben Fabricius e Jorgen Kastholm (claro que quem for à procura na net obterá melhores resultados com a versão inglesa: Scimitar chair by Preben Fabricius and Jørgen Kastholm).

Na altura descobri a imagem que mostro à direita mas não ocnsegui agora localizar o site onde ela estava. Felizmente tinha chamado ao ficheiro "Preben Fabricius and Jorgen Kastholm-Scimitar Chair.jpg" pelo que foi possível localizar referências na Artnet, na Wikipédia e na bo-ex, a firma dinamarquesa que continua a produção desta cadeira, desenhada em 1963.

Tenho muitas vezes a curiosidade de ver quanto custam estes artigos e constatei na lista de preços da bo-ex que custava 5333€ ex.VAT, que interpreto como excluindo o IVA. Com IVA seria 6560€. Entretanto a lista desapareceu, diz que "Coming soon". A mesa, sem IVA, fica pelos 4000€, com IVA 4920€.

A foto a seguir foi tirada com o meu telemóvel e depois reeenquadrada. Acho curiosa a permanência da alcatifa em muitas zonas da Fundação, provavelmente para abafar o ruído ambiente, nas casas das famílias a alcatifa deixou de ser comum em Portugal, voltou-se ao soalho de madeira.


Quando foi possível fazer mobiliário com métodos industriais de produção em série e ultimamente deixando o trabalho de montagem para o comprador, alguns designers tentaram fazer produtos funcionais, sem descurar a beleza, e a preços acessíveis para a maioria da população. Nem todos enveredaram por esse caminho, continuaram a ser projectados e fabricados produtos de nicho, dificilmente acessíveis a toda a gente. Esta cadeira cai claramente na segunda categoria, para se ter uma boa cadeira, cómoda e durável, não é preciso tanto dinheiro.


Presumo que existam detalhes construtivos que a tornem cara, ou poderá ser vendida artificialmente cara para se dirigir ao mercado das pessoas que se sentem felizes por possuirem coisas que não estão ao alcance de toda a gente.


Caro ou barato  acho o conjunto muito bonito, a ideia ocorreu aos designers quando estavam a trabalhar no Líbano, como foi em 1963, antes da guerra civil, ainda o Líbano era a Suíça (ou o Monte Carlo) do Próximo Oriente.

2013-12-23

Boas Festas


Em 2008 e em 2010 já mostrei este filminho de 38 segundos em que não se passa nada à excepção da rotação de uma Estrela de Natal que vai reflectindo a luz incidente em todas as direcções.






Faço aqui votos de Boas Festas e dum Ano Novo Razoável, no sentido de ter um pouco mais de racionalidade do que o que está a terminar, talvez seja desta...

2013-12-20

O Tribunal Constitucional salvou Portugal da bancarrota


O Tribunal Constitucional salvou Portugal da bancarrota pois seria isso que teria acontecido se não tivesse sido declarada como inconstitucional e logo inviável de ser adoptada a lei aprovada pela maioria PSD + CDS em que o Estado pretendia dar o dito por não dito, revogando os valores das reformas já atribuídas através de legislação aprovada na Assembleia da República.

Não consigo ver qual a diferença entre cumprir uma promessa legalmente feita pelo Estado a um pensionista sobre pagamentos futuros e o pagamento atempado de juros e amortizações prometidos legalmente pelo Estado para serem pagos no futuro.

E irrita-me particularmente o argumento usado esta noite pelo José Gomes Ferreira na SIC Notícias, em entrevista no jornal das 22 horas de dizer que a alternativa de aumentar os impostos é pior porque vai reduzir o consumo. Portanto, para o José Gomes Ferreira, o dinheiro entregue aos reformados sob a forma de pensões, não vai ser empregue no consumo. Será gasto aonde? Em colocações financeiras nos paraísos fiscais?

2013-12-18

Cores de Outono - 4, Jardim da Fundação Gulbenkian


Tirei esta foto no dia 1/Dez/2013 às 15:30





no Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, um dos jardins mais belos que tenho visto por esse mundo, magnificamente projectado pelos Engenheiros Agrónomos e Arquitectos Paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Facco Viana Barreto e competentemente mantido por uma eficiente equipa de jardineiros.


No Outono, além dos amarelos, laranjas, castanhos e vermelhos das folhas das árvores temos ainda as plumas, muitas vezes brancas, que costumam aparecer por Outubro, resistindo melhor ou pior até ao princípio do Inverno.


Quando iluminadas pelo Sol as plumas constituem-se em fonte de luz, ainda mais notória quando se destacam de um fundo escuro.


Além da beleza do conjunto que mostro na primeira imagem deste post, pensei que seria interessante fazer um enquadramento com maior dimensão vertical, onde isolasse o tufo de plumas e um choupo de folhas amarelas, o que fiz na imagem que exibo aqui à direita deste texto.


Por outro lado pensei que também seria interessante fazer um enquadramento desenvolvendo-se na horizontal, cujo principal protagonista seria o conjunto de plumas que existem na margem do lago maior do jardim e que na imagem surgem à mesma altura do tufo aqui à direita.


Deixo em baixo este segundo enquadramento, da primeira imagem deste post, deixando ao leitor o encargo de eventualmente preferir um deles.


Eu inclino-me sem grande convicção para o enquadramento horizontal, pois também gosto muito dos outros dois.



2013-12-15

Cores de Outono - 3, Ginkgo Biloba


Nos primeiros textos deste blogue em que me referi a esta simpática árvore usava a grafia "Gingko".
Entretanto descobri que a grafia "Ginkgo" é mais comum. Tentei pronunciar das duas formas a ver qual preferia e fui surpreendido pela semelhança fonética, dado que o "g" fica bastante mudo quando ao pé do "k". Vou passar a usar a segunda forma mas não vou alterar a grafia usada nos posts anteriores. Coloquei o rótulo (label, tag) "GINKGO" nas que usavam a grafia anterior mas tal não é suficiente para que apareçam quando se faz uma busca com a palavra "ginkgo".

Estas árvores apresentam a vantagem de as folhas ficarem amarelas relativamente cedo mas demorarem muito tempo a cair, oferecendo o espectáculo de uma árvore com folhagem abundante, toda de cor amarela, como se constata nesta imagem



tirada na rua Fernando Pessoa, no bairro de Alvalade em Lisboa. Quando comecei a reparar nos ginkgos só conhecia a existência deles em Lisboa no largo do Príncipe Real. Entretanto já dei por eles na Av.João Crisóstomo, na Av.João XXI, na Av.D.João II no Parque das Nações e agora nesta rua.

Na Wikipédia referem a existência de árvores macho e fêmea desta espécie e dizem que costumam evitar a plantação de árvores fêmea em ruas porque os frutos têm ácido butírico, que tem um cheiro desagradável. Neste sítio referem mesmo a conveniência de usar luvas para colher os frutos, foi assim com alguma surpresa que vi na mesma rua este ginkgo com frutos



Para finalizar mostro apenas uma árvore ginkgo biloba, ainda na mesma rua Fernando Pessoa