No Finantial Times fala sobre os prédios com fundações podres que afectam vítimas do boom imobiliário Irlandês. Era o paraíso que tanta gente em Portugal nos apontava como o exemplo a seguir.
2012-10-31
Cores dos faróis
Constato que a minha experiência com as cores dos faróis das entradas das barras está ligada à barra de entrada da ria do Arade, em que dois molhes protegem o porto de Portimão.
Na esmagadora maioria dos casos passeio no molhe de cerca de 800 metros baseado na Praia da Rocha, cujo farol está pintado com riscas vermelhas e brancas e com uma luz vermelha a piscar à noite, vendo ao longe o farol do molhe de Ferragudo, de cor verde, conforme se vê na imagem que segue.
Para quem está a sair da barra o farol vermelho está do lado direito e o farol verde está do lado esquerdo. É esta a imagem mental que me guia, sempre que quero saber a cor dos faróis ou das bóias de canais que vão dar ao mar.
Nos barcos deve existir uma luz vermelha no bombordo e uma luz verde no estibordo. Bombordo é o bordo do lado esquerdo da embarcação quando se olha para a proa e uma boa forma de lembrar a convenção é pensar que era o nome do bordo do lado onde estava a terra, quando os navegantes portugueses rumavam em direcção ao sul explorando a costa aficana. Esta origem da designação "bombordo" tem pouca solidez mas é uma boa mnemónica.
Quando os barcos estão a entrar num canal ou porto as luzes da embarcação estão em concordância com as luzes dos faróis da barra/bóias do canal (vermelho com vermelho, verde do mesmo lado do verde) enquanto quando estão a sair estão em oposição (verde com vermelho e vermelho com verde).
Tirei a foto seguinte ao farol de Ferragudo porque achei engraçado que se tivessem lembrado de assinalar a entrada do recinto do farol com luzes colocadas como se esta entrada do portão fosse uma entrada duma barra.
2012-10-28
Luz de Outono
Quando passeio no molhe da Praia da Rocha costuma ser Verão e estar um céu azul e um sol intenso.
Desta vez já era Outono e o céu estava algo dramático, com nuvens escuras criando uma atmosfera sombria mas com zonas fortemente iluminadas lá mais ao fundo.
Antigamente não tinha uma máquina fotográfica sempre à mão. Agora o telemóvel faz esse papel e foi-me possível registar este ambiente, para mim pouco comum.
2012-10-26
Art Déco
Segui a sugestão do João Miguel sobre a interessante exposição: "O Modernismo Feliz - Art
Déco em Portugal" que estaria no Museu do Chiado até ao dia 28/Out/2012 mas cuja duração foi prorrogada até 25/Nov/2012.
Entre outras coisas gostei deste quadro
de Jorge Barradas (1894-1971), Anunciação, 1936, Óleo sobre tela, Colecção do Museu do Chiado
e deste par de esculturas
de Ernesto Canto da Maya (1890-1981), Adão e Eva, 1929-1939, Terracota policromada, Colecção do Museu do Chiado
Entre outras coisas gostei deste quadro
de Jorge Barradas (1894-1971), Anunciação, 1936, Óleo sobre tela, Colecção do Museu do Chiado
e deste par de esculturas
de Ernesto Canto da Maya (1890-1981), Adão e Eva, 1929-1939, Terracota policromada, Colecção do Museu do Chiado
2012-10-21
Banyan Tree
Quando andei a ler a wikipédia sobre a figueira apercebi-me da grande variedade de figueiras existentes, árvores do género Ficus.
Além da figueira comum em Portugal e Mediterrâneo e do sicómoro referido em post anterior passei por esta Banyan Tree
ou numa perspectiva ligeiramente diferente,
a árvore nacional da Índia, cuja designação em latim é Ficus Benghalensis.
De vez em quando tenho ouvido falar em “Banyan Tree” mas já não sei em que contexto, talvez fosse o nome da companhia “Banyan Systems”, das primeiras a fazer software para redes de computadores mas que entretanto cessou a actividade
Sendo tradicionalmente um adepto da sombra e costumando achar os raios de sol de Verão muito agressivos em Portugal, por maioria de razão compreendo e simpatizo com o hábito que os comerciantes do Gujarate tinham de fazer comércio debaixo desta árvore. Diz na versão inglesa da wikipédia que foram os portugueses que deram este nome a esta árvore porque os mercadores, “banias” na língua do Gujarate, se reuniam debaixo dela. É pena que não exista uma entrada em português para esta árvore na wikipédia.
Diz a lenda também que foi debaixo de uma árvore deste género que o Buda atingiu a iluminação, conforme refere neste artigo sobre a Bhodi Tree.
Noutro artigo da wikipédia refere esta figueira como “estranguladora”, porque por vezes cresce em volta de uma árvore pré-existente da mesma espécie (ou de outra) levando à sua morte. Buscando Strangler Fig no Google Imagens aparecem muitas imagens destas árvores, designadamente a crescer por entre os muros de pedra e as estátuas de templos construídos em zonas tropicais como o Angkor Wat do Cambodja.
Estas árvores começam a vida como epífitas, plantas como as bromeliáceas e as orquídeas que conseguem germinar sobre as cascas de árvores. Mas neste caso, apenas começam como epífitas porque a seguir a planta cresce até atingir o solo, criando aí raízes próprias.
Mas, como se vê na foto, uma das características mais marcantes da Ficus benghalensis é o desenvolvimento de raízes aéreas, que crescem em direcção ao solo e que quando lá chegam se desenvolvem como troncos que podem tornar difícil a identificação do tronco principal.
Este post não ficaria completo sem uma referência à “The Great Banyan”, um ser vivo em que se confundem os conceitos de “árvore” e de “floresta”, dado que ocupa uma área de 1,5 hectares tendo 3300 raízes aéreas que chegaram ao chão. Deixo aqui uma imagem dessa árvore/floresta que fui buscar aqui.
2012-10-17
Os corvos-marinhos de Guilin
Há mais de 20 anos ouvi falar pela primeira vez de umas aves que os chineses tinham domesticado e a que punham um anel no pescoço para evitar que engolissem os peixes que tinham capturado e que eram apropriados pelo dono das aves. Foram uns amigos que tinham feito uma viagem pelo Oriente e que tinham visto isso em Guilin.
Não me lembro de imagens das aves mas impressionou-me a forma dos montes, que já mostrei aqui, bem como a exuberância da vegetação que já mostrei aqui.
Quando fui numa excursão à China em 2009, à passagem por Guilin reparei logo nestas aves, equilibradas nas extremidades do bambu.
Nessa noite, numa volta de barco pelos lagos no meio da cidade de Guilin, com umas iluminações de néon de gosto duvidoso, estavam uns pescadores demonstrando para turista o que, sendo pouco genuíno, é contudo muito prático para fotografar.
Aqui estão 4 corvos-marinhos mais um pescador, que nunca caiu à água mesmo numa jangada tão estreita, vendo-se também os reflexos do néon
nesta um dos corvos já apanhou um peixe mas não consegue engoli-lo enquanto outro corvo se lançou à água
e aqui o pescador
apropria-se do peixe. Fiquei a pensar porque seria esta relação pássaro-pescador sustentável, no sentido de o pássaro não fugir. Fiz a conjectura que a pesca ao candeio (luzes à noite para atrair peixes) também facilita a vida ao corvo-marinho. A própria jangada deve representar também uma vantagem, para pescar sem ter que voar muito. Talvez a relação homem-corvo-marinho não seja tão desequilibrada como parece à primeira vista
A wikipédia fala dos corvos-marinhos e que esta técnica de pesca foi usada noutros locais, incluindo a Europa.
Ao passar noutro dia no Parque das Nações avistei um pássaro ao longe que me pareceu poder ser um corvo-marinho. Não era uma gaivota nem uma garça real, tão pouco seria um flamingo. Tirei estas fotos com o telemóvel , seleccionando depois o motivo de interesse.
Pode-se constatar aqui que o Parque do Tejo é “um dos melhores sítios para observar aves junto a Lisboa”, referindo também a existência de corvos-marinhos por estas paragens.
Como as fotos de onde extraí o possível corvo-marinho me parecem razoáveis deixo-as também aqui.
Tem-me acontecido com alguma frequência tomar contacto com outros animais, costumes, árvores, etc, para depois constatar no regresso a Portugal que afinal tudo isso também existe por cá.
2012-10-12
Flamingos - 2
Tendo constatado a regularidade da presença dos flamingos na margem norte do rio Tejo, ao pé da da ponte Vasco da Gama, desta vez (tarde de 11/Outubro) levei a minha máquina fotográfica, para ultrapassar as limitações das fotos tiradas com o telemóvel.
Os flamingos têm uma presença discreta
aqui um pouco mais destacados da paisagem, com Palmela no horizonte
e aqui com a ponte Vasco da Gama
na ampliação desta foto que mostro a seguir contei 33 aves
e aqui mostro detalhe da mesma imagem
2012-10-11
Olhai as aves do céu...
Tive dificuldade em arranjar uma imagem para o último post deste blogue, ainda pensei num céu cheio de nuvens carregadas mas não me lembrei de onde teria uma imagem dessas.
Hoje, num pequeno break que fiz passeando na margem norte do Tejo vi este bando de 20 e tal flamingos, que já vira em 28/Set no mesmo local.
Além das exportações de Portugal parece que a população de flamingos que visitam a margem norte do Tejo também está a aumentar, já são duas coisas a crescer, é preciso não perder a esperança, em Nov/2008, quando os fotografei e mostrei aqui não chegavam a uma dezena.
Normalmente prefiro os enquadramentos em modo paisagem ou quadrado como na Hasselblad, mas desta vez apeteceu-me seleccionar uma secção vertical comprida, como nos rolos chineses. Achei que um bom bocado de relva verde amenizava as nuvens que não são tão escuras assim e lá estão as aves do céu a serem alimentadas pelo Pai celestial, como diz no sermão da montanha, referido por exemplo aqui. À falta de lírios do campo ficaram-me estes flamingos.
Deixei para o fim a referência ao filme lindíssimo e hipnótico sobre o voo dos flamingos que já mostrei aqui.
2012-10-10
O pior governo
Os eleitores Portugueses já deixaram de ler de forma
exaustiva os programas eleitorais dos partidos, dado o seu comprimento
excessivo e sobretudo a prática generalizada que os partidos têm de não
os cumprir quando chegam ao poder, alegando que encontraram uma situação
muito diferente da que pensavam que existia quando estavam na oposição
ou que a situação internacional (que nunca condicionava a actuação do
governo anterior, único responsável por todos os males que nos afligiam)
tinha entretanto mudado para muito pior.
O PSD de Passos Coelho foi muito crítico dos aumentos de impostos do governo Sócrates, sendo particularmente escandaloso o contraste entre o programa eleitoral do partido, de que a Fernanda Câncio seleccionou aqui algumas partes e a sua prática quando no governo.
Não me consigo esquecer que o candidato Passos Coelho disse a uma muito jovem aluna de uma escola que podia ficar descansada que não iria tirar subsídio de férias a ninguém.
Depois foi o que se viu, a ponto de eu ter actualmente as maiores dúvidas que o governo de Portugal tenha legitimidade democrática dado o afastamento abissal, que eu não me recordo de ter visto com esta dimensão, entre o que prometeram antes das eleições e o que fizeram depois. O André Freire diz a propósito “O segundo round da subalternização da democracia e da Constituição pelo menos no sentido da Constituição material ocorreu quando o novo Governo após as legislativas de 2011 desatou a violar vários dos seus compromissos fundamentais com os eleitores” aqui.
E não me consigo esquecer das trapalhadas para justificar a manutenção dos subsídios aos consultores ou assessores contratados pelo governo, alegando por um lado que tinham ganho esse direito em 2011, como se os funcionários públicos não o tivessem ganho no mesmo ano e depois alegando que não tinham um vínculo à função pública, como se não representassem na mesma uma despesa do Estado.
Choca-me que tenham modelos econométricos que prevejam tanta coisa mas que se mostraram incapazes de prever quando poderiam voltar a pagar os subsídios.
E choca-me a atitude de “capitalismo científico”, imagem reflectida do socialismo científico de má memória. Os comunistas faziam umas previsões, tudo falhava mas era sempre porque algum inimigo do povo sabotava e nunca por problemas da teoria marxista. Agora temos os modelos económicos que falham nas suas previsões mas de cujas falhas não se tira qualquer consequência, deixando os iluminados imunes a qualquer crítica pois são os detentores da verdade. O ministro Vítor Gaspar é no mínimo um desses iluminados e as receitas que aplicou estão a falhar: o desemprego aumentou de forma que alegadamente surpreendeu os iluminados e a meta do défice não vai ser cumprida.
Depois desta diatribe direi ainda que é possível que existam algumas justificações razoáveis para algumas das medidas tomadas pelo governo. Mas as evidências a que tenho acesso como cidadão anónimo convencem-me que o governo mente deliberadamente em muitos temas, tem falta de respeito por pensionistas e funcionários públicos, favorece amigos, é temeroso dos detentores do capital e aprova medidas de flagelação dos trabalhadores (supressão dos feriados) sem impacto económico que não seja cair nas boas graças dos “mercados”.
Não me lembro de ter tido tão pouca confiança nos membros de um governo como neste que, parafraseando uma classificação usada pela direita contra o governo de Sócrates, me parece ser o pior governo que Portugal teve desde a revolução de 25/Abril/1974.
O PSD de Passos Coelho foi muito crítico dos aumentos de impostos do governo Sócrates, sendo particularmente escandaloso o contraste entre o programa eleitoral do partido, de que a Fernanda Câncio seleccionou aqui algumas partes e a sua prática quando no governo.
Não me consigo esquecer que o candidato Passos Coelho disse a uma muito jovem aluna de uma escola que podia ficar descansada que não iria tirar subsídio de férias a ninguém.
Depois foi o que se viu, a ponto de eu ter actualmente as maiores dúvidas que o governo de Portugal tenha legitimidade democrática dado o afastamento abissal, que eu não me recordo de ter visto com esta dimensão, entre o que prometeram antes das eleições e o que fizeram depois. O André Freire diz a propósito “O segundo round da subalternização da democracia e da Constituição pelo menos no sentido da Constituição material ocorreu quando o novo Governo após as legislativas de 2011 desatou a violar vários dos seus compromissos fundamentais com os eleitores” aqui.
E não me consigo esquecer das trapalhadas para justificar a manutenção dos subsídios aos consultores ou assessores contratados pelo governo, alegando por um lado que tinham ganho esse direito em 2011, como se os funcionários públicos não o tivessem ganho no mesmo ano e depois alegando que não tinham um vínculo à função pública, como se não representassem na mesma uma despesa do Estado.
Choca-me que tenham modelos econométricos que prevejam tanta coisa mas que se mostraram incapazes de prever quando poderiam voltar a pagar os subsídios.
E choca-me a atitude de “capitalismo científico”, imagem reflectida do socialismo científico de má memória. Os comunistas faziam umas previsões, tudo falhava mas era sempre porque algum inimigo do povo sabotava e nunca por problemas da teoria marxista. Agora temos os modelos económicos que falham nas suas previsões mas de cujas falhas não se tira qualquer consequência, deixando os iluminados imunes a qualquer crítica pois são os detentores da verdade. O ministro Vítor Gaspar é no mínimo um desses iluminados e as receitas que aplicou estão a falhar: o desemprego aumentou de forma que alegadamente surpreendeu os iluminados e a meta do défice não vai ser cumprida.
Depois desta diatribe direi ainda que é possível que existam algumas justificações razoáveis para algumas das medidas tomadas pelo governo. Mas as evidências a que tenho acesso como cidadão anónimo convencem-me que o governo mente deliberadamente em muitos temas, tem falta de respeito por pensionistas e funcionários públicos, favorece amigos, é temeroso dos detentores do capital e aprova medidas de flagelação dos trabalhadores (supressão dos feriados) sem impacto económico que não seja cair nas boas graças dos “mercados”.
Não me lembro de ter tido tão pouca confiança nos membros de um governo como neste que, parafraseando uma classificação usada pela direita contra o governo de Sócrates, me parece ser o pior governo que Portugal teve desde a revolução de 25/Abril/1974.
2012-10-07
Sicómoro
Num comentário ao penúltimo post deste blogue, sobre a figueira, um leitor deixou-me um link para este magnífico documentário da BBC sobre outra árvore do género Ficus. Enquanto a figueira mais comum em Portugal é a Ficus carica, a que mostra neste documentário é a Ficus sycomorus, de nome comum Sicómoro, uma árvore nativa de África que também "dá" figos, do mesmo género (Ficus) que a nossa figueira e com uma relação idêntica de co-evolução com umas pequenas vespas que a polinizam.
Uma característica importante deste filme é que dura 52 minutos, mas não se limita a falar da polinização dos figos, mostrando todo o sistema ecológico que se desenvolve à volta desta árvore.
2012-09-29
O Pecado Original
Quando andei a ler meia dúzia de textos sobre a figueira antes de escrever o post anterior passei por referências ao papel da folha de figueira para tapar a genitália de figuras nuas, quer em quadros quer em estátuas. Tal fazia sentido, dada a grande dimensão das folhas, facilitando o recato.
Pensei então que o ideal seria procurar quadros do Adão e Eva mas, embora tivessem aparecido vários no Google, não era evidente que as folhas que por vezes apareciam fossem de figueira. Além disso não gostei de muitos dos quadros referidos e acabei por escolher este par de quadros, pintados por Albrecht Dürer em 1507, e em exibição no Museu do Prado em Madrid. As imagens estavam disponíveis no próprio site do museu que, felizmente, tem uma galeria online com muitas das obras expostas, disponibilizando ficheiros de imagens com uma boa resolução. Aumentei ligeiramente o contraste e concatenei as imagens do Adão e da Eva, juntando numa única imagem os dois quadros.
As figuras, além da sua grande beleza parecem-me muito naturais, quer quanto à exactidão da representação, que parece fotográfica, quer quanto às proporcões e posições dos corpos. Faz-me sempre um bocado de confusão este dualismo ocidental do pudor na exibição do corpo nu no quotidiano e do à vontade com que são mostrados corpos nus em quadros ou mesmo em 3D, em esculturas exibidas em praças públicas.
Mas o casal Adão e Eva mais o seu pecado original lembrou-me o escritor Alain de Botton, autor de muitas obras de divulgação da Filosofia, que no seu último livro "Religião para Ateus" dá uma visão muito positiva do pecado original. Eu sempre tinha considerado injusta a versão católica da transmissão da culpa de pais para filhos, mesmo sendo essa culpa inicial apagada através do Baptismo de forma simples e eficaz. O papel que Botton atribui ao mito do Pecado Original é dizer-nos que os seres humanos nascem imperfeitos, sendo também uma forma de nos dizer que não vale a pena preocupar-nos com isso pois é uma característica de todos os seres humanos.
Claro que existe sempre o risco de nos tornarnos complacentes com os nossos erros mas também isso faz parte da natureza humana.
Regressando ás imagens e ao seu aspecto moderno, designadamente em relação às representações da Idade Média, senti há algum tempo a necessidade de fazer um diagrama cronológico (uma linha de tempo ou "timeline") com vários pintores mais conhecidos, para saber quem apareceu antes, quem coexistiu e quem veio depois. Fiz uma folha Excel, em que cada coluna representa um quarto de século e as barras têm um comprimento proporcional à duraçao da vida do pintor e com a mesma escala das colunas desta folha de excel, um pintor que tenha vivido 50 anos ocupará um comprimento igual à largura de duas colunas. Os de Itália ficaram azul claro, de língua alemã são castanhos, espanhóis (ou pintando em Espanha como o El Greco que era grego) cor-de-laranja, flamengos de roxo, um inglês verde e os de língua francesa em azul ultramarino. Não há ninguém que tenha nascido no século XX porque esses já se sabe que são todos recentes. Claro que haverá omissões mais ou menos gritantes conforme as preferências de cada um, se alguém manifestar interesse poderei disponibilizar o ficheiro excel. Aqui fica apenas a figura:
Quando os pintores morreram jovens e tinham um nome comprido ficaram com o nome truncado. São os casos de Caravaggio (Carava), de Van Gogh (Vangog) e de Modigliani (Modiglia).
2012-09-25
Figueira
Várias árvores exalam um cheiro característico, algumas apenas durante a floração, como por exemplo as Tílias, outras em permanência, como por exemplo os Pinheiros. Julgo que a Figueira exala um cheiro permanente, é um dos mais típicos e agradáveis que conheço e associo muito esse cheiro ao Algarve, onde fotografei esta figueira cheia de figos que tive a oportunidade de constatar serem muito bons.
O figo é uma infrutescência curiosa pois alberga no seu interior uma inflorescência que necessita de uma espécie particular de vespa para a fertilizar. O processo é referido na wikipédia aqui.
Na Bíblia aparecem referências à figueira, não sei se foi a propósito de uma figueira que Jesus Cristo fez a observação que as árvores devem ser julgadas pelos frutos que dão. Nessa pregação concluía-se que se a árvore não desse bons frutos devia ser considerada má. Estas parábolas várias vezes acabam por me fazer lembrar o governo de Portugal cujos frutos da sua actividade, ao contrário desta figueira, deixam muito a desejar.
Adenda: há um filme de 52 minutos da Deeble & Stone sobre este tema aqui.
2012-09-22
Auto-referência
Vi esta placa "ne pas toucher les oeuvres" pela primeira vez no museu do Louvre em 2002, quando tirei esta foto. Devo ter achado primeiro que a placa se tinha estragado. Mas à segunda ou terceira vez que vi a mesma mensagem corrompida percebi que a placa não só dizia para não tocar nas obras de arte do museu como mostrava nela própria os efeitos que as dedadas poderiam ter nas obras expostas.
Fiquei a pensar que a própria placa se podia considerar uma obra de arte.
2012-09-19
O quadro no quadro
Qualquer janela da Maluda merece uma observação cuidadosa e esta (Janela 17, Lisboa, de 1981) não é excepção:
Neste quadro o nosso olhar passa primeiro através duma janela aberta do sítio onde estamos para fora, em vez do percurso habitual em que estamos no exterior e começamos por ver uma janela por fora. Ao olharmos para fora pela janela da casa onde estamos vemos outra janela, situada precisamente em frente daquela. Ao tentarmos ver o que se passa dentro da outra casa vemos afinal apenas o reflexo do que se passa no interior de outra casa que é a nossa. Nessa casa está um cavalete onde se encontra o quadro que nós estamos agora a comentar.
A Maluda gostava de nos devolver os reflexos nas janelas quando procurávamos ver o que se passava para além delas. E os dispositivos usados para preservar a privacidade do interior das casas, não só protegem o interior como às vezes deformam os próprios reflexos.
Noutros posts sobre outras janelas da Maluda, como aqui, aqui e aqui mostro a frequência com que aparecem os reflexos nas janelas desta pintora, e mesmo nesta que é uma janela real com reflexos em certo sentido irreais.
Claro que não é a primeira vez que um quadro é representado nele próprio, o exemplo que me ocorre logo são “As meninas” de Velazquez, que mostrei noutro post. Só agora reparei que o cavalete com o quadro que aparece no quadro original desaparece na versão moderna do quadro, de publicidade a El Corte Inglés, em que existe um fotógrafo a fotografar a cena em vez de a pintar. Permanece a presença invisível do espelho, sabemos que tem que estar lá embora sem estar representado, dando-nos a ver o reflexo que nele existe.
Nesta divagação não resisto a mostrar “As meninas” do Manolo Valdez, grupo escultórico de 2005, exposto temporariamente em Madrid em frente ao Forum La Caixa, embora neste caso se trate “apenas” de uma referência à obra de Velazquez e não de uma auto-referência.
Quando se fala de auto-referência lembro-me sempre do livro “Gödel, Escher e Bach” de D.R.Hofstadter, e da importância deste conceito na consciência de si dos seres pensantes, nos teoremas de Gödel, na música de Bach e nos quadros de M.C.Escher.
Fui nesse livro que vi pela primeira vez este quadro extraordinário de M.C.Escher intitulado “Print Gallery”
em que um quadro mostra uma galeria de litografias onde está o próprio quadro!
Para pessoas mais interessadas na matemática em que se baseia esta imagem poderão ir aqui, quem quiser ver uma animação interessante poderá vê-la no YouTube aqui.
2012-09-16
O alegado problema do Tribunal Constitucional
Os apoiantes do actual governo usam com alguma frequência a expressão "o problema criado pelo Tribunal Constitucional". O Tribunal Constitucional não criou probblema nenhum, limitou-se a cumprir a sua obrigação, ao considerar inconstitucional uma decisão do governo que só podia ser considerada com equidade por pessoas cegadas pela sua ideologia. Quem criou o problema foi o governo, ao adoptar uma medida gritantemente injusta, infringindo a Constituição que tem a obrigação de cumprir.
Agora o governo insiste em propor uma medida para o orçamento de 2013 que padece de grande falta de equidade, ao mostrar mais uma vez o seu preconceito que os pensionistas e os funcionários públicos são trabalhadores de segunda categoria, pois trata-os pior do que aos trabalhadores do sector privado e tira dinheiro aos trabalhadores para o dar aos patrões.
O governo conseguiu unir a grande maioria dos portugueses contra ele e julgo que será difícil continuar em funções por muito mais tempo. Mesmo que o actual governo recue na medida do roubo da TSU aos trabalhadores para a dar aos patrões, terá certamente uma grande dificuldade em encontrar uma medida alternativa que por um lado lhe agrade e por outro tenha a equidade necessária para não ser chumbada pelo Tribunal Constitucional. E mesmo que recue e consiga adoptar medidas constitucionais será quase impossível recuperar a confiança dos portugueses.
Deixo uma imagem da multidão na Praça de Espanha em Lisboa, por enquanto num ambiente ainda calmo de contestação generalizada ao governo actual
A ilha de relva na Praça de Espanha estava bastante aprazível mas costuma estar inacessível ou ser desagradável pela circulação de grande volume de automóveis, o que não acontecia na tarde de 15/Set/2012.
Aproveitei para fotografar o poema da Sophia de Mello Breyner e a frase do Capitão Salgueiro Maia, colocados sobre o arco de pedra da praça referida, mas dificilmente visíveis para os automobilistas que passam no trânsito intenso:
2012-09-13
Maluda no Algarve
A imagem anterior com umas chaminés de geometria simples da Prainha de Alvor fez-me pensar nas imagens geométricas da pintora Maluda.
Relembro este post em que falei pela primeira vez de Maluda neste blogue e as imagens que mostro a seguir são todas do livro "Maluda" de Carlos Humberto Ribeiro e Ianus Unipessoal Lda. que referi nesse post.
Nestes tempos em que o Governo de Portugal conseguiu praticamente a unanimidade na crítica às medidas de austeridade que propôs, desde trabalhadores a patrões, incluindo mesmo os economistas, com talvez a única excepção do presidente do grupo parlamentar do PSD, tentando a tarefa que me parece impossível, de convencer os portugueses da equidade das medidas propostas, achei algum conforto nestas imagens lindíssimas, memórias contudo muito melhoradas da realidade de então, que não era tão limpa nem tão pura e que à data incluía muita miséria.
Começo pela vila inconfundível de Aljezur, no extremo do Barlavento algarvio, algo agreste e com mais verde, com as casas subindo a encosta, tal qual como num presépio (comparação bastante usada mas dificilmente evitável...)
depois o Sotavento, começando por Faro, com as casas coloridas que ficam pequenas, na imensidão do céu azul
passando depois à ria vista do alto de um prédio de Olhão, outra vez com o céu azul imenso, a fina língua de areia e o mar lá ao fundo
e finalizando com uma visão abstracta, ainda em Olhão, das sombras cinzentas nas paredes das casas, no meio de tanto branco e tanto azul
2012-09-09
Surreal
O movimento surrealista pretendia ir "para além da realidade" e as suas manifestações na pintura apresentavam imagens com um grande realismo, no sentido de a representarem com uma grande exactidão, mas tomando depois liberdades inverosímeis que a ultrapassavam, sendo aí que a imagem passava a ser surreal.
Esta foto que tirei ao pôr-do-sol a umas chaminés na Prainha do Alvor, se fosse uma pintura poderia servir de base a uma imagem surreal, embora lhe falte a parte inverosímil

Lembrei-me do surrealismo ao ouvir a comunicação ao país do primeiro-ministro na passada sexta-feira, dia 7/Set. Na aparência (entoação) parecia um discurso realista mas aquela parte de considerar equitativas das medidas mais injustas alguma vez propostas por um governo de Portugal, fez-me pensar que entrámos na fase surreal do governo de coligação PSD-CDS. Durante o PREC também tivemos uns governos assim.
Esta foto que tirei ao pôr-do-sol a umas chaminés na Prainha do Alvor, se fosse uma pintura poderia servir de base a uma imagem surreal, embora lhe falte a parte inverosímil
Lembrei-me do surrealismo ao ouvir a comunicação ao país do primeiro-ministro na passada sexta-feira, dia 7/Set. Na aparência (entoação) parecia um discurso realista mas aquela parte de considerar equitativas das medidas mais injustas alguma vez propostas por um governo de Portugal, fez-me pensar que entrámos na fase surreal do governo de coligação PSD-CDS. Durante o PREC também tivemos uns governos assim.
2012-09-03
Caminho para a Iluminação
Peço desculpa a quem foi conduzido aqui ao engano, na busca das palavras do título, mas sempre gostei muito da esteira prateada que o Sol do Verão cria sobre o mar na Praia da Rocha a partir das 3 da tarde como mostro na imagem que segue
e essa esteira fez-me lembrar um caminho iluminado ou para a iluminação. Peço também desculpa por algumas perturbações ópticas da imagem, creio que criadas pela presença do vidro de uma janela que não consegui abrir
Ouvi falar mais do “Path to Enlightenment” no livro Gödel, Escher and Bach, an Eternal Golden Braid, do Douglas Hofstadter, que já referi neste blogue nestes posts, de que me ficou a ideia que quem procura o caminho para a iluminação acaba por não o encontrar, como no haiku que referi aqui, quando diz “With searching comes loss / And the presence of absence” ou, no equivalente bíblico ”Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á”.
Ao referir Hofstadter parece adequado rechear o post de auto-referências ao blogue em que é escrito, e neste caso vem a propósito referir que uma das Araucaria heterophylla que enquadra a esteira prateada já apareceu neste post.
Já agora refiro um post em que falei dos reflexos do Sol sobre a água, antes de apresentar uma variação da imagem anterior:
2012-08-30
2012-08-27
O fim do(s) trabalho(s) - 2
Estando actualmente em férias parece-me apropriado continuar a falar sobre o fim do trabalho. Num ensaio mais sério ter-se-ia que começar por definir melhor o conceito de "trabalho" mas aqui será definido simplesmente como uma actividade remunerada.
Custa-me a acreditar na tese de Jeremy Rifkin, expressa no livro "The End of Work" que referi em post anterior, de que o trabalho estaria em vias de extinção. A remuneração quando legítima de uma actividade corresponde a uma das formas existentes de manifestação de apreço da comunidade ou de seus representantes por essa actividade do trabalhador.
Seria estranho que a sociedade prescindisse num futuro próximo de qualquer forma de pressão sobre os seus membros para orientar a sua actividade. Mas à medida que aumenta a eficácia com que se conseguem obter os meios necessários a uma subsistência considerada aceitável em cada época, tem-se assistido a uma tendência para um menor tempo de trabalho ou, pelo menos, para uma menor penosidade do trabalho. Tentar inverter essa tendência geral representa uma resistência à mudança, compreensível quando a parte mais retrógrada da classe dominante consegue aceder ao poder, como acontece actualmente em Portugal.
Diria ainda que as crises económicas acompanhadas de grande desemprego, como a que vivemos actualmente, mostram uma incapacidade da classe dominante desempenhar o seu papel. Embora a criação de um exército de desempregados aumente o seu poder negocial na definição dos salários, a classe dominante enriqueceria muito mais se mantivesse a capacidade de orientar esse exército de desempregados para a criação de riqueza da qual se apropriariam de boa (ou mesmo da melhor) parte. Por vezes lá conseguem encontrar uma saída para a crise, outras vezes são substituídos por outras pessoas com mais ideias sobre o que se fazer.
Para ilustrar uma actividade que já não existe em Portugal mostro uma instantâneo que tirei no Verão de 1980 no cais de Portimão, quando um barco de pesca artesanal estava a ser descarregado enviando o peixe (suponho que sardinhas) dentro de uma canastra de vime, do barco para o cais. O processo exigia alguma perícia e muito bons músculos de quem estava no barco mas era raro ver peixes a cair da canastra e não me lembro de ter visto alguma canastra perder-se na sua viagem aérea. No barco vêem-se dois homens, que talvez se revezassem na tarefa mais pesada de arremesso da canastra, enquanto na recepção do lado do cais está apenas um homem, de avental e botas.
Como é habitual nestes gestos muitas vezes repetidos há uma elegância de movimentos e uma economia de energia que resulta do treino. De uma forma geral a canastra ia com a velocidade necessária para se imobilizar no ar ao alcance do homem no cais, momento em que ele a recolhia e despejava o conteúdo num tabuleiro com gelo previamente preparado.
A foto anterior é um detalhe desta versão mais completa que apresento a seguir. Nessa altura o cais de Portimão era usado para os barcos de pesca. Agora é usado para embarcações de recreio, tendo o porto de pesca passado para o concelho de Lagoa, na outra margem da ria do Arade.
Já nessa altura os Portugueses gostavam do trabalho, sempre que se vê alguém a trabalhar junta-se frequentemente uma pequena multidão de mirones admirando a actividade. Os barcos de pesca da foto ou foram convertidos para passeio ou foram para abate, já não se pesca em barcos daqueles, e não foi assim há tanto tempo.
2012-08-18
Calçada Portuguesa
Estou de férias o que explica uma menor regularidade nos posts deste blogue.
Entretanto no outro dia, ao passar pelo Chiado, vi este desenho nas pedras da calçada da Rua Garret, ao pé do café "A Brasileira", para o lado da Rua do Carmo:
Além de o ter fotografado tentei decifrar o que parecia ser um código QR com a aplicação do meu telemóvel, tendo obtido o endereço http://bin.pt/lx/ que me levou a esta página sobre a Calçada Portuguesa, onde me informaram que tinha acabado "DE LER O PRIMEIRO CÓDIGO QR DO MUNDO FEITO EM CALÇADA PORTUGUESA", a que se seguiam algumas informações para turistas.
Achei a ideia muito engraçada, deixo aqui uma imagem do código sem a deformação da tomada de vista:
Entretanto no outro dia, ao passar pelo Chiado, vi este desenho nas pedras da calçada da Rua Garret, ao pé do café "A Brasileira", para o lado da Rua do Carmo:
Além de o ter fotografado tentei decifrar o que parecia ser um código QR com a aplicação do meu telemóvel, tendo obtido o endereço http://bin.pt/lx/ que me levou a esta página sobre a Calçada Portuguesa, onde me informaram que tinha acabado "DE LER O PRIMEIRO CÓDIGO QR DO MUNDO FEITO EM CALÇADA PORTUGUESA", a que se seguiam algumas informações para turistas.
Achei a ideia muito engraçada, deixo aqui uma imagem do código sem a deformação da tomada de vista:
2012-08-10
O Fim do Trabalho
Talvez pela minha educação católica sempre mantive alguma distanciação em relação ao trabalho, que diz na Bíblia ser um castigo devido ao pecado original. Era portanto coisa que se tinha que suportar mas pela qual não era necessário ter grande entusiasmo. Nos anos 60 do século XX, nos tempos em que a cultura francesa ainda tinha uma presença significativa em Portugal, falava-se da Civilisation des loisirs que verifiquei agora ter uma entrada na Wikipédia que, curiosamente ou talvez nem tanto, existe apenas numa versão em língua francesa! Em Português diz-se “Civilização do Lazer” enquanto em inglês, os súbditos de sua majestade usam o termo “Leisure class”, sugerindo assim que o lazer se deveria restringir a uns happy few.
Já não me lembro se cheguei a ler “O Direito à Preguiça” de Paul Lafargue”, editado em português provavelmente pela Dom Quixote, mas de certeza que li pelo menos algumas passagens e que simpatizei com a ideia geral de que não se deve viver obcecado pelo trabalho.
Claro que existem trabalhos muito interessantes e absorventes mas, sendo infrutífero andar explicitamente à procura da felicidade, a via do trabalho obsessivo não será melhor do que qualquer outra.
Nesses tempos li que a “Civilização do Lazer” não seria nenhuma pêra doce, as pessoas habituadas a horários de trabalho muito extensos teriam dificuldades em se adaptar a horários mais reduzidos, pelo que me preparei cuidadosamente para a nova situação, infelizmente em vão.
Quando entrei na CPE (Companhia Portuguesa de Electricidade) em Maio/1976, o horário semanal dos engenheiros era de 36 horas. Entretanto, na criação da EDP em Julho/1976, houve um movimento de uniformização de horários de trabalho (existiam empresas que foram integradas na EDP em que alguns dos trabalhadores tinham 48 horas de trabalho semanal, 8 horas/dia, 6 dias/semana) adoptando-se o horário único de 40 horas/semana, com um ligeiro aumento do salário para compensar a passagem das 36 para 40 horas, aumento esse rapidamente erodido pela inflação elevada da época.
Na altura havia imenso desemprego (para os padrões de então...) e já nessa altura me parecia absurdo aumentar o horário de trabalho quando existiam tantos desempregados, mas parece ser uma idiossincrasia própria, nenhum governante alguma vez partilhou esta minha opinião.
Os sindicatos são também pouco sensíveis à redução do horário de trabalho, com consequente redução do salário, talvez receiem admitir que os trabalhadores poderiam viver com um salário ligeiramente menor.
O meu interesse por estes temas levou-me a ler recentemente o livro de Jeremy Rifkin “The End of Work”, publicado em 1995, em que o autor defende a tese que, enquanto nas revoluções económicas anteriores a supressão de postos de trabalho num sector era compensada pela criação de novos postos de trabalho noutro sector, estamos agora a assistir à supressão de postos de trabalho no sector de serviços a que não corresponde a criação de postos de trabalho em número equivalente em nenhum outro sector.
Dadas estas circunstâncias seria necessário desligar o acesso a um rendimento de subsistência da prestação de trabalho remunerado para uma parte significativa da população, incapaz de encontrar um posto de trabalho adequado às suas capacidades. Em Portugal, no final de Junho/2012 cerca de 339 000 pessoas recebiam o Rendimento Social de Inserção, número impensável há poucas décadas e que continua a crescer.
Não sei o que nos reserva o longo prazo quanto à evolução do número de pessoas a receber RSI ou uma prestação semelhante mas este mini-armazém robotizado que fotografei numa farmácia em Portimão
em que o funcionário ao balcão escrevia o nome do remédio no computador e a respectiva embalagem aparecia passados instantes numa abertura na parede por trás do balcão, não augura grande futuro de emprego, por exemplo, aos trabalhadores que antigamente arrumavam as embalagens dos remédios nas estantes das farmácias. Disseram-me depois que os próprios robots, além de irem buscar as embalagens, também as arrumam nas prateleiras!
2012-08-08
Mulher misteriosa
Gosto muito desta imagem a preto e branco de uma mulher com capuz, em princípio, dado parecer mais mulher do que homem:
Muitas vezes esta imagem é usada como pequeno ícone identificador de pessoas que optaram por não usar uma foto própria.
Trata-se de um caso de sucesso do minimalismo realista (acabo de inventar o termo), com bastante detalhe nos sombreados mas ao mesmo tempo restringindo-se ao essencial.
Acho que deveria ser mais fácil identificar o autor destas imagens aparentemente simples. Por exemplo no caso do logo da RATP (metro parisiense) ainda não sei quem foi o autor dum símbolo que aparece aos milhares por toda a cidade de Paris. "Arrastando" o nome dum ficheiro de imagem para dentro do rectângulo do "Google imagens" aparecem muitos sítios onde esta imagem é usada mas no caso deste tipo de imagens costuma ser difícil encontrar o autor.
Neste caso encontrei neste sítio uma versão sem gradiantes de cinzento
que modifiquei para reaver o fundo preto no canto inferior direito (em sítios onde o fundo não seja preto, neste blog que tem fundo preto, não se nota diferença...)
e vi neste sítio esta foto colorida
que podeira ter inspirado a primeira imagem deste post ou, ter sido inspirada por ela.
Este post mostra bem o carácter abstracto da primeira imagem (a minha preferida) em relação à última.
Muitas vezes esta imagem é usada como pequeno ícone identificador de pessoas que optaram por não usar uma foto própria.
Trata-se de um caso de sucesso do minimalismo realista (acabo de inventar o termo), com bastante detalhe nos sombreados mas ao mesmo tempo restringindo-se ao essencial.
Acho que deveria ser mais fácil identificar o autor destas imagens aparentemente simples. Por exemplo no caso do logo da RATP (metro parisiense) ainda não sei quem foi o autor dum símbolo que aparece aos milhares por toda a cidade de Paris. "Arrastando" o nome dum ficheiro de imagem para dentro do rectângulo do "Google imagens" aparecem muitos sítios onde esta imagem é usada mas no caso deste tipo de imagens costuma ser difícil encontrar o autor.
Neste caso encontrei neste sítio uma versão sem gradiantes de cinzento
que modifiquei para reaver o fundo preto no canto inferior direito (em sítios onde o fundo não seja preto, neste blog que tem fundo preto, não se nota diferença...)
e vi neste sítio esta foto colorida
que podeira ter inspirado a primeira imagem deste post ou, ter sido inspirada por ela.
Este post mostra bem o carácter abstracto da primeira imagem (a minha preferida) em relação à última.
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