Deste post da Helena Araújo intitulado "Drake" saltei para este conjunto "Pura vida" donde destaco este "pura vida - o paraíso sempre alhures" onde está esta imagem de que me lembrava e que tanto apreciei:
2019-09-28
Escada verde sobre fundo rosa com sombras tropicais
Deste post da Helena Araújo intitulado "Drake" saltei para este conjunto "Pura vida" donde destaco este "pura vida - o paraíso sempre alhures" onde está esta imagem de que me lembrava e que tanto apreciei:
2019-09-22
Factfulness (Factualidade) e o abastecimento de água no Algarve
Recentemente tenho-me deliciado a ler o livro do Hans Rosling (póstumo), do filho (Ola Rosling) e nora (Anna Rosling Rönnlund) intitulado "Factfulness" (Factualidade) contendo as explicações mais satisfatórias e completas que até agora encontrei para ter observado melhorias contínuas (pelo menos como tendência) das condições de vida dos portugueses durante 60 anos e contudo, durante esse período de tempo, sempre ter ouvido dizer que isto ia de mal a pior e que o futuro seria ainda mais negro e mesmo as melhorias irrecusáveis eram quase nada em relação ao que poderiam ter sido.
Recomendo vivamente a leitura deste livro. Eu já vira umas 3 apresentações do Hans Rosling de que gostei muito e referi em post do ano passado, mas o livro vale também muito a pena (que não é pena alguma)!
Como pequeno exemplo para ilustrar a melhoria das condições de vida no Algarve recordo-me da existência de cisternas em muitas casas ou pelo menos de tanques adjacentes à casa para recolha da água da chuva. Tomei conhecimento que essas cisternas passaram a ser visitadas regularmente pelas autoridades sanitárias que povoavam as mesmas com pequenos peixes que comiam ovos de mosquitos e presumo que outros pequenos animais nocivos. Nem sempre a água das cisternas seria boa para beber mas pelo menos era adequada para lavagens. A dispersão das casas e a baixa densidade populacional tornava difícil a banalização de água canalizada em todas as habitações pelo que seriam frequentes as doenças provocadas por consumo de água em más condições sanitárias.
A certa altura banalizou-se a perfuração de furos para chegar aos lençóis freáticos e utilizar para regadio, com água abundante em alguns sítios como por exemplo em Silves e na planície entre Faro e Olhão. Surgiu então o problema da gestão de um recurso público. Em anos mais secos o nível da água no lençol freático descia e furos menos profundos ficavam secos. Se num dado ano secavam os furos com profundidade de 10m os furos que eram feitos no ano seguinte iriam até além dos 10m e assim sucessivamente. Na ausência de limitação da extracção de água subterrânea o nível freático foi baixando de ano para ano, existindo furos com profundidade de 100m!
Uma exploração sustentável do lençol freático seria extrair num dado período a água que em média iria aumentar o nível freático. A corrida a furos mais fundos, forte indício de sobreexploração dos lençóis freáticos, levou a uma descida dos níveis destes e a um acréscimo do gasto em energia para elevar os metros cúbicos de água. Notar que 1m3 de água pesa 1000kg (uma tonelada). Toda a gente passou a ter que elevar a água umas dezenas de metros mais do que seria necesário se se tivesse mantido uma extracção sustentável.
Outra consequência da descida da do nível dos lençóis freáticos foi que nalguns casos, como por exemplo no concelho de Portimão, essa descida levou á "invasão" do lençol freático por água salgada proveniente do mar. Durante mais de um ano a água canalizada em Portimão era tão salgada que era imprópria para fazer café e as máquinas de fazer café expresso passaram a ser abastecidas com água de Monchique, obtida através de garrafões ou "jerrycans" que eram cheios nas fontes existentes na serra. No início dos anos 70 tornou-se um hábito das famílias com automóvel fazer viagens à serra com vasilhame para transportar água de fontes onde se formavam bichas de pretendentes da água respectiva.
A seguir mostro um garrafão clássico com capacidade de 5 litros e envolto em vime entrançado para proteger o vidro e fornecer uma pega para facilitar o manuseamento. Ao lado deste mostro a versão em que o vime foi substituído pelo plástico.
Estes garrafões eram mais usados para conter vinho mas também podiam ser usados para transportar/guardar água. Notei agora como o “design” do garrafão com o entrançado de vime foi desnecessariamente imitado na versão em plástico. E é fácil perceber que envolver em plástico o recipiente de vidro de um garrafão requer muito menos mão-de-obra do que envolver o mesmo recipiente com vime entrelaçado, existiram motivos fortes para que os plásticos se tornassem tão ubíquos
No garrafão seguinte, da Água do Luso, é mantido o motivo do vime entrelaçado mas o “design” é ligeiramente alterado.
Mas para transportar 5 litros de água era preciso contar com 2 ou 3 kg adicionais para o garrafão aos 5 kg de água nele contidos, a não ser que se usassem “jerrycans” de 10 ou 20 l de capacidade que pesavam bastante menos de 1kg cada.
No início dos anos 90 a água em Portimão já não era salobra e só faltava de forma muito esporádica, enquanto em Albufeira existiam ainda quebras de fornecimento de água quase todos os dias do mês de Agosto, quando existiam mais turistas.
Disse-me um amigo que no Sotavento havia também quebras sistemáticas de fornecimento de água durante o Verão, antes da construção das barragens de Beliche e de Odeleite.
No Algarve foi entretanto possível construir um sistema multimunicipal de abastecimento de água conforme se pode ver na figura seguinte
tendo acabado ou tornado raras as quebras de fornecimento de água para consumo humano, quer através dum melhor aproveitamento directo da água da chuva aumentando as bacias onde é recolhida quer com o aumento da capacidade de armazenamemnto quer com a construção de adutores que permitem socorrer zonas mais carenciadas com água disponível em zonas mais distantes, pois todo o sistema multimunicipal está interligado. Além da regularidade do abastecimento a qualidade da água fornecida é também muito melhor.
Fui ver as datas de construção das grandes barragens do Algarve que resumi em tabela
Barragem Concelho Conclusão Capacidade total (hm3)
Arade Silves 1955 28,4
Odeáxere (Bravura) Lagos 1955 34,8
Beliche Castro Marim 1986 48
Funcho Silves 1993 42,7
Odeleite Castro Marim 1997 132
Odelouca Monchique 2009 157
que se destinam todas a regadio e abastecimento de consumos domésticos.
Esta tabela dá uma ideia do esforço continuado ao longo de um período de tempo muito prolongado, demonstrando que os regimes democráticos com eleições em cada 4 anos também são capazes de desenvolver projectos com horizontes temporais superiores ao ciclo eleitoral, desde que existam necessidades suficientemente importantes por satisfazer ao longo do tempo.
Aqui tem uma breve descrição da história da empresa “Águas do Algarve”, uma empresa do grupo “Águas de Portugal” criada no ano 2000, resultante da fusão das empresas multimunicipais “Águas do Barlavento Algarvio” e “Águas do Sotavento Algarvio”.
2019-09-20
Stjepan Hauser & Caroline Campbell - Czardas
2019-09-11
Malika Favre (2)
A revista new yorker vai ter mais uma capa feita pela ilustradora Malika Favre de que falei aqui e aqui.
Fui mais uma vez à procura de outras obras dela e gostei muito desta, que encontrei aqui, acho que me impressionaram as sombras, os reflexos e a ausência de horizonte.
Fez-me lembrar as férias e a minúcia do Escher.
2019-08-30
Linhas Platónicas
À medida que o raio de uma circunferência aumenta em relação ao comprimento de um dado arco dessa circunferência este fica cada vez mais próximo de uma recta, uma linha perfeita que pode ser considerada uma ideia do mundo platónico.
Os comprimentos das linhas de horizonte que mostro a seguir são muito pequenas em relação aos cerca de 6000km do raio do da Terra, donde a sua quase perfeita rectidão.
2019-08-23
Lembrando Maluda
Ao ver a sombra desta escada pensei na Maluda
que poderia usar este motivo como ponto central de uma composição.
A seguir mostro o contexto imediato da mesma escada
e aqui mais alargado
Talvez um dia tente uma estilização desta cena, mas agora que falei na Maluda fiquei intimidado com eventual comparação.
Revisitei posts deste blogue em que mostro imagens estilizadas de Olhão da Maluda, aqui e aqui, donde tirei esta imagem.
2019-08-19
Fim-de-tarde
Gostei de ver os brancos mais amarelos ou mais azulados, conforme ainda à luz do sol ou à sombra mas a diferença de tonalidades nem sempre aparecia nas fotos cuja cor era corrigida de forma automática pela máquina fotográfica de bolso.
Para controlar estes detalhes é preciso um treino contínuo, indisponível para quem quer continuar fotógrafo-amador. Assim, é preferível ter estes controlos automáticos, uma pessoa tira várias fotos que ficam todas razoáveis e depois escolhe aquela que lhe agrada mais.
Foi esta a escolhida:
2019-08-11
2019-08-07
Problema com GPS desde 6/Abril/2019
Em Abril deste ano o GPS do meu carro, um Citroën de 2010, passou a mostrar de forma sistemática a mensagem "zona não cartografada” em vez do mapa do local da viatura. O sistema de navegação continuava a dar indicações sobre como se dirigir para um dado objectivo, quer vocais quer mostrando setas de mudança de direcção, acompanhadas da distância até à mesma, mas tinha deixado de mostrar o mapa.
Tirei o cartão SD com o programa do GPS e verifiquei a sua integridade fazendo um “scan” num PC, aparentemente o cartão estava bom.
Um amigo referiu-me que em Abril deste ano se passara qualquer coisa com o sistema de satélites GPS que poderia causar problemas em programas mais antigos. Procurei informação na internet incluindo sítios da Citroën mas sem sucesso. Telefonei para uma sucursal da Citroën mas disseram-me que teria que levar lá o automóvel para ser visto por um técnico. Dado que as intervenções das oficinas das marcas costumam ser dispendiosas preferi continuar com o sistema degradado visto que continuava a ter acesso a indicações sobre como atingir um dado local.
Recentemente, no fim de Julho, o meu relógio de pulso que mostra o dia do mês avariou-se e procurei a data do dia no écran do carro pois o telemóvel não estava à mão. Tive dificuldade em localizar a data no écran, constatando que consulto frequentemente as horas mas quase nunca a data. Os algarismos que indicavam a data mostravam 04-12-2089 o que explicava parcialmente a minha dificuldade em identificar esta série de algarismos como uma data pois o ano não se parecia com 2019. Quando identifiquei 04-12-2089 como uma data passei ao passo seguinte de corrigir a data-hora. Ao princípio só conseguia modificar as horas e os minutos, reparei que tinha um “v” numa caixa com o texto “Sincronizar data com GPS” Tirando o “v” consegui alterar a data para 2019 mas ao recolocar o “v” a data voltou ao valor errado anterior. Retirei o “v” outra vez, corrigi outra vez a data e dei esta correcção por concluída.
Nesta altura ocorreu-me que talvez fosse a presença da data errada que inibisse a apresentação do mapa pelo sistema GPS. Coloquei um novo destino no GPS para testar esta hipótese e o mapa voltou a aparecer!
Depois acabei por descobrir informação útil na internet sobre este assunto, designadamente no sítio da Citroën na Nova Zelândia onde indicam que se faça o que eu fiz. Neste sítio identificam o meu GPS “ “My Way – Wip Nav ” produced between 2007 & 2015” como o único que terá problemas. Não sei se será o único mas confirmo que este teve problemas.
Presumo que o programa do GPS do meu carro considera que mapas muito antigos, como será o meu actual datado de 2010 em 2089, não devem ser considerados, o que explicaria o comportamento do sistema.
É pena que a Citroën Portugal não tenha uma informação equivalente no seu sítio, de uma forma geral os sítios portugueses são pobres neste tipo de ajuda a quem comprou os seus produtos, concentrando-se quase exclusivamente na promoção de novos produtos.
O primeiro satélite dos 24 que constituíram o primeiro sistema GPS foi lançado em 14/Fev/1989, conforme referem neste artigo da Wired de onde retirei a imagem que segue
O tempo voa, (é como os satélites...).
2019-07-30
Feito na Etiópia
Há uns 4 anos que compro todos os anos um calção de banho em saldo por pouco mais de 10 euros, tenho mantido o formato, cõr única sem desenhos calção ficando acima do joelho, o que me surpreende nestes tempos em que há tanta mudança, vou variando a côr embora além doutras tenha 3 tonalidades de azul.
Desta vez constatei que o fato de banho foi feito na Etiópia, conforme se constata na longa lista de "Feito em ..." em diversas línguas. Sendo a primeira vez que reparo que comprei uma coisa feita num país de África fui verificar onde tinham sido feitos os calções anteriores em que constava Vietnam, Sri Lanka e China.
São pequenos sinais de mudança, num continente com tantos problemas por resolver.
2019-07-28
Toldo em açoteia
Surpreendeu-me a quantidade de cabos instalados neste toldo, sombreando uma açoteia algarvia duma casa ao pé do mar, indiciando local muito ventoso.
Mas gostei dos panos brancos contra o azul do céu, uma mistura de aldeia da roupa branca e de navio à vela estacionário, cheio de cabos, de ferragens e de nós.
2019-07-24
2019-07-22
Bem haja Tsao-I Shih que ajuda a matar mosquitos!
Tsao-I Shih é o nome do natural de Taiwan que inventou o mata-insectos eléctrico que se vê na figura ao lado e que está protegido por patente (US Patent 5,519,963).
Tenho oferecido alguns destes dispositivos maravilhosos que electrrocutam mosquitos com facilidade e limpeza. Baseiam-se na existência de uma rede metálica a uma tensão contínua muito elevada (segundo a Wikipédia com valores entre 500 e 2750V DC). A obtenção destas tensões muito elevadas com circuitos electrónicos leves, pequenos e de baixo consumo deve ter sido o factor mais importante para a realização de uma raquete prática para esta função.
Ultimamente (nestes dias de Verão) tenho-as usado frequentemente para matar mosquitos,
são excelentes nessa função pois além de os mosquitos se deixarem matar
com mais facilidade evita-se ter que se limpar a parede dos restos
mortais do mosquito e eventualmente um bocadinho de sangue da sua vítima
mais recente. Tudo isto ainda enriquecido com o estalido sonoro da
electrocussão!
Os mosquitos segregam um produto
para facilitar a extracção do sangue quando picam e muitas vezes as
pessoas que dizem não serem picadas pelos mosquitos têm é pouca alergia a
esse produto. Não é o meu caso que só sosseguei quando conheci o
Caladryl e agora o Fenistil, produto
extraordinário que costumo ter sobre a mesa de cabeceira em zonas com
mosquitos para aplicar e fazer desaparecer a comichão tão desagradável.
Dizem que estes aparelhos, embora muito eficazes para matar mosquitos dentro de casa, não resolvem o problema da transmissão de doenças perigosas nas zonas tropicais pois são quase inúteis ao ar livre. Mesmo assim considero-os muito úteis para o uso dentro de casa e durante o Verão fico muito grato ao inventor Tsao-I Shih deste aparelho maravilhoso!
2019-07-16
Ave no topo de cipreste no céu azul
Tenho dificuldade em tirar fotografias depressa, quando o motivo é elusivo, normalmente este desaparece enquanto eu preparo a máquina para o fotografar, mesmo com o telemóvel, em que basta enquadrar.
Desta vez fotografei com o telemóvel com má iluminação, zonas na sombra e outras com luz forte, e depois de enquadrar o motivo fiquei com esta imagem:
Vários exemplares desta ave apareciam com frequência no aldeamento da Prainha em Alvor, onde fotografei esta, e andei durante algum tempo à procura usando o Google de ave com cabeça preta e asas azuis, que não se vêem bem na foto mas que notava nas curtas mas frequentes breves aparições.
Talvez para compensar a frustação de não conseguir fotografar estaa ave em boas condições observei o que me pareceu uma rola ao longe sobre um cipreste que esteve lá mais de 5 minutos o que me deu mais que tempo para a fotografar:
e pensei que com esta foto podia fazer um post.
Depois acabei por descobrir que a ave que eu tentava identificar era uma Pega-azul, Cyanopica cooki conforme refere o sítio "Aves de Portugal", onde tem esta e outras imagens desta ave:
2019-07-11
Pedro Nuno Santos
Acabo de ver Pedro Nuno Santos no programa “Grande Entrevista” de Vítor Gonçalves na RTP3. Tenho grande simpatia por este militante do Partido Socialista que teve grande responsabilidade no bom funcionamento do acordo do PS com outros partidos de esquerda da legislatura de 2015-2019.
A entrevista foi mais focada no passado e eventual futuro de acordos da esquerda do que nos projectos do Ministério de que é actual e recentemente responsável.
Existe um conceito arcaico da necessidade da existência de um sacrifício para se conseguir obter algo que se deseja, já nas religiões anteriores ao cristianismo sacrificando aos deuses, continuando no catolicismo com o jejum e a abstinência e o papel considerado muito positivo do sofrimento na santificação dos crentes, depois no capitalismo com a alegada necessidade do trabalho árduo para se prosperar e de poupar, mesmo sem qualquer sinal económico de recompensa dessa poupança, continuando no regime soviético em que as gerações do presente tinham que fazer enormes sacrifícios para o futuro radioso que os esperava, ou melhor que esperaria os seus descendentes.
Na própria sociedade hedonista existem os ginásios onde era comum a regra “no pain, no gain” (digo “era” porque não sendo frequentador poderei estar desactualizado) e a direita continua a falar na falta de “Reformas Estruturais” o eufemismo actual para reduzir salários e pensões, aumentar a precariedade do emprego com o objectivo de o tornar mais seguro (muito à semelhança dos mecanismos referidos por George Orwell no “Animal Farm”, reduz-se uma determinada qualidade para que no futuro ela passe a ser muito mais abundante), reformar a Segurança Social, um eufemismo para entregar as poupanças dos trabalhadores para a sua reforma a especuladores financeiros, que têm vezes sem conta delapidado as quantias que lhes são confiadas.
Os gestores vão ao ponto de tentar naturalizar o que chamam de “resistência à mudança” com a frase “only wet babies like change” (só bebés molhados gostam de mudança (de fraldas)) quando a frase também pode ser interpretada como até os bébés são capazes de aderir a uma mudança quando se trata de uma melhoria.
O Pedro Nuno Santos veio afirmar que os Partidos Socialistas nasceram para melhorar as condições de vida da população mais desfavorecida e não para lhe trazer mais sofrimento, lembrando que os Partidos Socialistas costumavam acrescentar a “Socialista” um segundo adjectivo que era “Reformador”, presume-se também que em contraponto a “Revolucionário”. A realização de reformas está assim no ADN destes partidos e elas existiram em Portugal durante estes últimos 4 anos, embora a maior parte das vezes diferentes das preferidas pela direita.
2019-07-03
Revalidar a Carta de Condução
Agora que neste ano vou fazer 70 anos passo a ter que revalidar a carta de condução de 2 em 2 anos.
É um bocado assustadora a entrada no clube dos septuagenários com a tomada de consciência do aumento, ou mesmo que por enquanto seja só o potencial de aumento, da nossa fragilidade.
E além disso mais esta chatice da revalidação da carta ano sim, ano não.
Nunca fui ao IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes), essa instituição tinha uma péssima imagem devido à existência de bichas enormes e demoradas para tratar da revalidação da carta. Até agora tenho sempre usado os simpáticos serviços do ACP (Automóvel Club de Portugal) que tratava por nós da papelada de forma sempre eficiente e que agora até disponibiliza possibilidade de consulta médica associada à revalidação.
Comecei o processo por consulta à minha médica de família que me passou na hora um Atestado Médico confirmando que estou apto para a condução de veículos. Deu-me na altura o documento em papel mas informou-me que bastava o número do documento pois ele já estava disponível para as entidades públicas relevantes para o seu efeito.
Um amigo disse-me que nas lojas do cidadão tratavam do assunto não sendo necessário esperar muito, pelo que me dirigi a uma dessas lojas. Cheguei às 10:30 e às 11:00 ainda não tinha sido atendido, pelo que decidi regressar a casa e tentar a via internet de que ouvira falar.
O site do IMT é de fácil acesso, sendo aqui o sítio onde se inicia o contacto via internet para a revalidação da carta:
Depois de uma interacção inicial para confirmar os meus dados pessoais e o meu e-mail, no meu caso usei a mesma identificação que para a Autoridade Tributária, e de autorizar o uso da foto do Cartão de Cidadão para a Carta de Condução, passei à fase dos pedidos.
Na página dos pedidos estava a informação que já dispunham do Atestado Médico necessário para a revalidação da carta! A administração pública mostrava um grau de integração espantoso para um cidadão pouco habituado a ver informação fluir desta forma de um ministério para outro ministério.
A interacção correu muito bem, resposta rápida da aplicação, tudo bem apresentado, fiquei aliviado por me bastar usar esta aplicação de 2 em 2 anos para revalidar a carta sem sequer sair da casa.
O pagamento da revalidação, actualmente 13,50€, só está garantidamente disponível no Multibanco passadas 24 horas. Será algo a melhorar nos próximos tempos, seria mais prático que se pudesse pagar logo.
Acho que estas são as verdadeiras Reformas Estruturais, evitar que o cidadão perca tempo e dinheiro em engarrafamentos e filas de espera em vez de trabalhar, descansar ou divertir-se.
2019-06-28
Tipuana tipu iluminada sobre fundo de ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii
Próximo do topo da rua Cidade de Luanda nos Olivais Sul encontra-se uma árvore tipuana tipu junto a uma ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii, aquela com folhas "compostas, verde-amareladas, cerca de 4 cm, com 11 a 21 pares de folíolos ovais com margens inteiras"(citando Guia Ilustrado de Vinte e Cinco Árvores de Lisboa da C.M.L.), esta com folhas de tom vermelho escuro e descrita neste sítio de Serralves.
De manhã, as folhas iluminadas pelo sol relativamente matinal (eram 10:56...) da tipuana tipu faziam um contraste interessante sobre as folhas escuras da ameixoeira-do-jardim variedade Pissardii conforme se constata na imagem seguinte
e com mais pormenor neste zoom:
No sítio de Serralves que referi acima diz que esta variedade Pissardii de ameixoeira-dos-jardins é dedicada a Pissard, jardineiro da Pérsia, que a introduziu em França. As voltas que as plantas dão, esperemos que a Pérsia não seja obliterada.
2019-06-20
Mahatma Gandi
Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948) foi um indiano notável que deu uma contribuição importante para a autodeterminação da parte indiana do império britânico
Em Janeiro de 2019 o jornal Expresso editou em 5 pequenos volumes uma autobiografia de Gandi intitulada “A minha vida e as minhas experiências com a verdade”. A obra foi escrita por Gandi na língua guzerate enquanto estava na prisão na Índia, nos anos de 1927 a 1929, portanto com quase 60 anos, cobrindo a sua vida desde a infância até 1921. A obra foi publicada em textos semanais em guzerate e posteriormente também em inglês em jornais indianos.
A Wikipédia tem uma entrada sobre o livro, como habitualmente telegráfica em português e bastante completa em inglês.
A figura de Gandi goza da minha simpatia, ainda mais depois de ver a personagem interpretada por Ben Kingsley no premiado filme “Gandhi” de Richard Attenborough estreado no ano de 1982 e que revejo às vezes no DVD.
Gostei de ler o conjunto dos 5 volumes mas, dada a existência de descrições organizadas da obra, limitar-me-ei a comentar alguns assuntos avulsos ou alguns pormenores que me chamaram mais a atenção.
Parte I (Livro 1)
1) Não comer carne
Em tempos, ao falar com um colega indiano sobre o tabu de não comer carne de vaca ele explicou-me que, face às condições climáticas da Índia e à sua densidade populacional, as vacas (e os bois) eram um capital muito importante para a agricultura, quer para lavrar os campos, quer como fonte de produtos lácteos ou ainda para fornecer excrementos a usar como adubo ou como combustível. Provavelmente, dizia esse meu colega, o conselho para conservar as vacas evoluiu para uma proibição de matar e mais tarde para um tabu religioso.
Agora googlei (importance of cow taboo in indian agriculture) e apareceu-me logo este artigo da biblioteca da Universidade de Gotemburgo na Suécia “India’s sacred cow”, de Marvin Harris de Fev/1978, com a mesma tese.
Há bastante tempo que se fala do maior consumo de energia associado ao consumo de carne de uma maneira geral e da carne de vaca em especial. Ultimamente a carne dita vermelha tem sido objecto de avisos para suprimir ou no mínimo moderar o seu consumo, por razões de saúde.
Já tenho referido a minha simpatia por um consumo muito moderado de carne mas tenho achado pouco prático uma supressão completa. O consumo de carne é comum entre os animais carnívoros e omnívoros e provavelmente o nosso organismo estará adaptado ao seu consumo.
Reconheço que provavelmente reconsideraria estes meus hábitos se tivesse que matar eu próprio o animal mas essa necessidade ainda não se colocou.
Resumindo, o consumo de carne é para mim uma questão de saúde, de sustentabilidade do planeta, de economia e de existência de pessoas disponíveis para matar animais ou, num futuro próximo, de carne feita em laboratório, sem recurso a animais vivos.
Achei assim curioso que o Gandi, quando foi para Inglaterra, tenha jurado à mãe que nunca se alimentaria com carne. Mas, pensando bem, tratando-se de uma interdição religiosa, acaba por ser natural esse tipo de juramentos.
Para ilustrar algumas formas mais modernas de preparar o Cozido à Portuguesa deixo aqui esta imagem que me dizem ter sido do restaurante Tavares Rico que já mostrara aqui.
Ainda tem carne mas já muito menos do que era costume
2) Usos e costumes sociais
Além dos problemas relacionados com a sua alimentação vegetariana, completamente atípica na Inglaterra dos anos 90 do século XIX e mesmo sabendo que o conhecimento de outras culturas distantes está hoje muito mais acessível à população em geral, não deixei de me admirar com o grau de ignorância do jovem Gandi sobre os usos e costumes quer da vida a bordo quer da vida quotidiana na Inglaterra.
Uma parte engraçada que conta no livro foi ter desembarcado em Inglaterra vestido com um fato de flanela branca no início do Outono (o barco saíra de Bombaim em 4/Setembro), sendo a única pessoa de Londres vestindo um fato branco nesse dia, todos os outros estando com fatos escuros, situação que Gandi recorda no livro, como lhe tendo causado grande desconforto. Faço a conjectura que o facto de os ingleses na Índia terem maior tendência para usarem cores claras terá levado o Gandi a pensar que as cores claras seriam mais apropriadas para usar em Inglaterra, se bem que durante a viagem no barco tenha vestido um fato escuro.
Se calhar foi também este trauma que o levou a vestir traje indiano de camponês quando passadas várias décadas revisitou Londres para então negociar transição da Índia para a independência.
Os códigos de vestir continuam presentes nos tempos que correm, continuando a depender do espaço e do tempo. Por exemplo os jeans, que anteriormente eram explicitamnete proibidos em muitos estabelecimentos de ensino há algumas décadas, são agora não só tolerados como mesmo “obrigatórios” se bem que “de facto” e não “de jure”. Jovens têm-me dito que quem apareça com calças de flanela será objecto de observações que o levarão a prescindir de aparecer em público com esse tipo de roupa.
Pode ser que este post acabe por ser o único sobre o livro do Gandi, escrever sobre uma figura tão notável acaba por ser uma tarefa delicada.
2019-06-17
Masculino - Feminino
Este tema é inesgotável e neste post restringir-me-ei às distinções visuais entre elementos de sexo diferente. O tema foi suscitado por este “Alto-relevo” (High relief)
localizado na Avenida da República quando esta passa pelo Campo Pequeno e que mostro a seguir com mais detalhe
Embora a figura, possivelmente dos anos 50 do século XX, apresente um comprimento de cabelo que a permitiria identificar imediatamente como uma mulher (os hippies só apareceriam mais tarde) além de peito feminino, os traços da cara parecem-me muito masculinos. Já para não falar dos pés e braços que me parecem também excessivamente robustos.
Há muitos anos, talvez na altura em que existiam nas praias concursos de “Construções na Areia”, quando eu tentava esculpir uma cara feminina costumava sair-me uma feição tipicamente masculina. O mesmo me acontecia com o desenho e de vez em quando penso que os professores de Desenho do liceu deveriam ensinar essas noções básicas e classificar a aprendizagem dos alunos em vez de classificar o talento respectivo, como eu então achava.
Claro que a identificação do sexo de uma pessoa através da sua cabeça não é uma ciência exacta, nem sei qual a probabilidade típica de se acertar. No Ocidente o corte de cabelo é uma ajuda importante, como julgo ser o caso na imagem seguinte que já mostrara aqui
enquanto nos países em que a mulher usa véu o assunto fica quase logo resolvido, como neste quadro da palestiniana Laila Shawa que mostrei aqui
Na imagem seguinte, de autoria da Malika Favre que mostrei aqui
as unhas pintadas e os lábios com baton, ou mesmo o rímel a acentuar as pestanas são decisivos enquanto na seguinte, da mesma autora e do mesmo post
julgo que será a pestana e o que me parece ser uma banda a segurar o cabelo. Fascinam-me as figuras pintadas com cores sólidas pois podiam ter sido feitas com guache, a tinta que estava para nós disponível nas aulas do ensino secundário. Mas enfim, isto são obras de artistas profissionais enquando nós estávamos a aprender o b-a-ba.
Googlei então (diferenças nos rostos masculinos e femininos) chegando a este post do blog “Algo sobre desenho” de onde tirei esta imagem
que é muito didática, seguindo-se um texto referindo 4 diferenças usadas na Banda Desenhada norte-americana.
Na imagem seguinte, que julgo ser da New Yorker, as 4 regras atrás referidas não são todas aplicadas
pois o homem parece ter lábios mais grossos do que a mulher. Portanto, as 4 regras serão apenas indicativas e não imperativas, pelo menos quando não se tratam de figuras da BD norte-americana.
2019-06-12
O BREXIT e a Corrida ao Poder
Enviaram-me num e-mail esta representação eloquente do andamento do BREXIT através deste novo modelo automóvel inglês, o "Vauxhall BREXIT" imaginado por Kevin Bazeley .
A legenda diz que "O Vauxhall Brexit parece que se dirige num caminho mas, quando se move segue por outro e afinal não faz ideia para onde vai".
A corrida actual à liderança do partido conservador com tantos candidatos fez-me lembrar episódios passados na empresa em que trabalhei, sobre liderança de projectos de sistemas de controlo adjudicados a fornecedores exteriores: o responsável pela gestão do projecto Brexit (nesta analogia a Theresa May) tentou chegar a um acordo com a outra parte (neste caso a União Europeia) sobre como ultrapassar as dificuldades encontradas na negociação de algo nunca antes realizado (uma saída da UE).
Nessa analogia, outros elementos da minha empresa criticavam o líder dizendo que ele contemporizava demais com o fornecedor e que eles teriam obtido melhores condições, tal e qual como fizeram os deputados do parlamento do Reino Unido, quer dos Conservadores quer das Oposições. Porém, noutros projectos eles também tinham contemporizado por também terem considerado que isso era melhor do que resolver o assunto em tribunal.
Estamos na fase dos treinadores de bancada, veremos como se comporta o que conquistar a liderança.
2019-06-06
Sol Lewitt no Espaço Espelho d'Água
No mês de Abril/2019 fui a uma festa no Espaço Espelho d'Água e deparei-me com esta parede ao fundo, que fotografei, tendo posteriormente desfocado as mesas com convivas.
Com alguma surpresa vi numa tabuteta ao lado que a obra era de Sol Lewitt, de 1990, conforme se verifica na imagem seguinte
Presumo que esta obra seria intitulada "Planificação de pirâmide polícroma sobre parede dourada".
Continuo com alguma dificuldade em admirar a arte contemporânea, existem muitas obras a que sou indiferente. Esta achei visualmente agradável, se bem que não me tenha entusiasmado.
Noutro dia li o livro "O Valor da Arte" de José Carlos Pereira, publicado na colecção "Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos", na esperança:
- de apreciar melhora a natureza da arte contemporânea;
- de compreender a razão dos valores estratosféricos que atingem algumas obras de arte, independentemente de serem ou não contemporâneas.
Embora o livro contenha considerações muito sensatas, progredi pouco nestas duas esperanças com que iniciei a sua leitura.
2019-06-04
Rectas sobre Tons de Azul ou Revisitando o Céu
Hesitei no título a dar a esta imagem abstracta, como primeira tentativa pareceu-me que "Rectas sobre Tons de Azul " seria muito adequado.
Talvez Sol Lewitt aprovasse esta descrição que, dada a simplicidade da composição, me parece até mais exacta do que as descrições usadas por esse famoso artista, por exemplo aqui.
No fundo ou fundo, faz lembrar este "Céu Azul" e também esta "Primavera com Azul" de há um ano.
Os tons de azul fazem pensar no céu de Lisboa na Primavera e no Azul Monocromático
Mas a imagem não será tão abstracta como parece à primeira vista.
Há muitos anos a iluminação eléctrica das cidades e a electrificação dos edifícios levou ao surgimento de um emaranhado de fios de transporte de energia eléctrica que perturbavam a paisagem urbana. Há muito tempo que esses fios migraram para caminhos subterrâneos e para caminhos adequados dentro dos edifícios.
Portanto, esta abundância de fios que se vê em certas zonas de algumas cidades deve-se provavelmente a fibras ópticas transportando informação da internet, para as quais ainda não foi possível organizar melhor o seu percurso.
Completo as duas fotos anteriores com esta
tirada na mesma rua ou numa muito próxima, com o título mais completo "Céu de S.Petersburgo em dia de sol no acesso da Avenida Nevsky à Igreja Luterana de S.Pedro e S.Paulo".
2019-06-01
São Petersburgo (2)
Em Maio/2008 fiz um post com umas imagens que eu recolhera em 1994 em São Petersburgo, 3 anos apenas após a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Na segunda metade de Maio/2019 revisitei São Petersburgo e visitei Moscovo, inserido num grupo excursionista, constatando que São Petersburgo está muito diferente do que era há 25 anos atrás.
Para um excursionista as maiores diferenças são a existência de outros turistas em número já apreciável, o aparecimento de montras de lojas nas ruas tornando-as mais animadas, e os jovens já falarem inglês e pouco se distinguirem dos jovens da Europa ocidental. As diferenças continuam acentuadas nas pessoas da terceira idade.
Começo por mostrar uma igreja ortodoxa que me pareceu paroquial, no sentido de servir o bairro em que se situa, não atraindo devotos de longas distâncias e que se localiza facilmente procurando no Google Maps por "Svyato-Isidorovslkaya Tserkov, Sankt-Peterburg, Russia"
Fiquei a pensar se estes topos de torre em forma de bolbo terão alguma vantagem funcional ou se serão apenas decorativos.
Não percebi tão pouco qual a divisão de espaço interior do edifício pois neste caso o que estava aberto na altura em que o visitámos (fora do programa da excursão) era uma sala pequena onde estariam umas vinte pessoas.
Fotografei depois esta instituição religiosa da imagem que segue, que fica em "Nikol'skaya Ploshchad', 1, Sankt-Peterburg, Russia, 190068", a menos de meio kilómetro a pé da anterior
Numa visita posterior, fora do programa, também constatei que o espaço usado pelos fiéis na altura da minha visita não tinha o pé-direito que se esperaria observando o edifício do exterior.
Como se vê estava um sol glorioso e um céu muito azul, o guia dizia que só havia sol em 75 dias por ano, tivemos portanto sorte. As cúpulas e agulhas douradas dos edifícios devem animar o pessoal quando o tempo está cinzento e ficam gloriosas quando lhes bate o sol.
No caso desta imagem dei-me ao trabalho de tirar os cabos que cruzavam o céu em muitas direcçoes, como se pode constatar na imagem seguinte que era a original. É uma terefa simples quando o fundo é um céu azul, mas os cabos "têm tendência" para passar também em frente do motivo principal da foto e nessa zona apagar os cabos é mais trabalhoso.
Para finalizar deixo uma foto dum barco potente a passear no canal adjacente aos edifícios da imagem anterior. Normalmente estas fotos com reflexos do sol na água não me saiem bem mas estas máquinas fotográficas modernas ajudam cada vez melhor os fotógrafos amadores.
A presença com alguma frequência de barcos caros como estes nos canais de S.Petersburgo é também um sinal de novos tempos.
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