2011-06-16

Flores



Numa jarra do Alvar Aalto, que não se vê. Por isso é que digo, senão não valeria a pena.

2011-06-14

A Troika, o IMI e o Bloco de Esquerda

Ainda não tive disposição para ler o memorando de entendimento entre a troika e os 3 partidos portugueses , que viabilizou o empréstimo de 78000 M€ a Portugal.

Ao dar uma vista de olhos por ficheiros pdf que me vão aparecendo na caixa do correio, passei por um resumo  da Deloitte datado de 12 de maio de 2011 intitulado "Tax News Flash nº11/2011", sobre esse memorando de onde extraí o texto ao lado.

Verifiquei numa versão do memorando que constava:
«...
Property taxation
...
6.4
...
ii)rebalance gradually property taxation towards the recurrent real estate tax (IMI) and away from the transfer tax (IMT), while considering the socially vulnerable.Temporary exemptions of IMI for owner-occupied dwellings will be considerably reduced and the opportunity cost of vacant or non-rented property will be significantly increased.
»


Fiquei relativamente satisfeito de não ter lido o memorando pois não seria capaz de interpretar de forma tão clara "the opportunity cost of vacant or non-rented property will be significantly increased" por "agravamento da tributação em IMI dos imóveis desocupados ou não arrendados".

Lembrei-me contudo duma proposta apresentada na Assembleia da República há uns meses (ou talvez uns anos) pelo Bloco de Esquerda, que na altura me pareceu razoável, de aumentar a tributação dos imóveis desocupados, colocando alguma pressão pela via fiscal nos proprietários que têm o capital imobilizado à espera exclusivamente da valorização do imóvel. Tenho uma vaga memória que os partidos do chamado arco governativo (CDS, PSD, PS) terão comentado que lá vinha o Bloco com as suas ideias radicais e impossíveis de pôr em prática. Afinal agora é a própria troika que vem impor essa proposta do BE. É irónico que o BE não tenha ido falar com a troika, pelos vistos foi uma oportunidade perdida de levar à prática mais algumas das suas propostas.

Lembro-me também do António Guterres ter dito que o imposto de sisa era o imposto mais estúpido do mundo. Parece contudo que o melhor que conseguimos fazer até agora foi passar a chamar à sisa IMT, mantendo o princípio dum imposto sobre a totalidade da transacção, em vez duma concepção de taxar apenas o valor acrescentado (neste caso a mais-valia), como se faz com o resto dos bens.

Passar o peso do imposto mais para o IMI do que para o IMT parece socialmente mais justo, ao aliviar as pessoas que já estão a fazer um grande esforço financeiro do peso do imposto mais estúpido do mundo.

Noutro sítio do memorando tomei nota que a troika também reparou que a avaliação do nosso património imobiliário precisa de grande actualização. Há muito tempo que os prédios mais antigos estão grandemente subavaliados em relação aos novos sendo a situação actual muito injusta, caótica e bastante surreal. Talvez com esta ajuda externa a situação melhore. Convirá contudo não esquecer que as reformas/pensões futuras não poderão ficar à margem de actualizações para sempre, como é agora hábito, num cenário em que o IMI aumentará constantemente.

2011-06-11

A falta de sinais económicos

Há pessoas que dizem que os Portugueses ainda não se aperceberam dos terríveis tempos que se aproximam, motivo pelo qual foram gozar esta série de 4 dias de mini férias compostos por um fim-de-semana e dois feriados adjacentes, nesta época do Solstício de Verão, festejada há milénios pelos nossos antepassados.

Eu diria que se não se aperceberam é porque lhes faltam sinais económicos, que não podem ser substituídos pela cacofonia de conselhos grátis (e pagos) que abundam nos meios de comunicação.

Aliás vou-me convencendo cada vez mais que o sistema económico em que vivemos falha clamorosamente na conciliação de decisões microeconómicas racionais com situações macroeconómicas sustentáveis.

Traduzindo num exemplo: as pessoas tomaram maioritariamente decisões racionais na compra de casa própria mas a dívida externa do país subiu para níveis que tornaram inválidos os pressupostos que eram os mais verosímeis quando as decisões foram tomadas.

Entretanto vou apreciando esta espécie de Nirvana, no intervalo entre o derrube do que parecia ser a fonte de todos os nossos males e a entrada em actividade do presumível alvo futuro das nossas críticas.


Para ilustrar este interregno escolhi esta vista do fiorde de Hardanger, na esplanada do hotel Ullensvang, perto de Lofthus, na Noruega. A situação é calma mas, devido à bruma, não se vê bem o horizonte. Posso esclarecer que é uma encosta abrupta, negra e muito alta, com uns restos de neve a derreter ao pé da água.

2011-06-05

O canteiro de relva revisitado

Como algumas das fotos do post sobre o canteiro de relva em frente ao prédio onde moro ficaram desfocadas, desci no elevador e fui fazer mais uma tentativa, desta vez com focagem manual, para ver se tinha mais sucesso.

As florinhas são muito pequeninas pelo que é natural que a máquina tenha tendência para focar a relva.

Parece-me que as fotos ficaram melhor focadas do que no post atrás referido mas vou continuar a usar a focagem automática, usando a manual apenas em casos especiais.

Constatei em dois dos casos que o motivo principal estava sobreexposto,  o que é natural dado que a máquina calcula a exposição para um valor médio do enquadramento. Neste caso escureci ligeiramente no pós-processamento.

Para cada um dos 3 casos mostro o enquadramento original e o concentrado no motivo.







Às vezes penso que deveria frequentar um curso de fotografia mas as aulas são muitas vezes chatas. Não se pode andar a redescobrir a roda em actividades profissionais mas considero que nos hóbis essas redescobertas têm o seu lado positivo.

2011-06-04

A dificuldade da escolha

Já disse noutra altura que não gosto de escolher, julgo que alguns persas também não e será esse o motivo porque juntam num mesmo recipiente diversas variedades de especiarias.



Mas mesmo que nos pareça difícil, devemos contribuir com o nosso voto, para encontrar a melhor ou a menos má das alternativas.

2011-06-01

Escritórios com plantas

Nos escritórios tenho tendência para apreciar mais as plantas sob a forma de papel ou de tampos de mesas e estantes. Já as cadeiras costumo preferir com estrutura metálica e com rodas, pois assim desengonçam-se menos. Mas às vezes gosto de ver plantas nos escritórios.

Na imagem que segue, do edifício da Deutsche Bahn (Caminhos de Ferro da Alemanha) na Potsdamer Platz em Berlim fui surpreendido pela quantidade de plantas nalguns dos gabinetes, muito expostos aos olhos dos passantes.



O edifício foi construído depois da queda do muro de Berlim em 1989.

As tecnologias de obsolescência rápida datam muito as fotografias. As fotos de ruas das cidades são muito datadas pelos modelos dos automóveis que por lá andam.

Neste caso são os computadores. A foto foi tirada em Agosto de 2006, quando os CRTs grandes de 19 e 21 polegadas se tinham tornado comuns, como é visível na foto, pouco antes de serem varridos dos escritórios pelos écrans planos dos LCDs.

Estava um dia de céu azul com algumas nuvens muito brancas. Dada a curvatura do edifício os vidros ora refletem o que os rodeia ora deixam ver o interior, mudando gradualmente da reflexão para a refracção.

2011-05-28

Um canteiro de relva nos Olivais Sul

Nos anos em que chove em Abril e Maio dá para ver que aquele relvado do bairro, que nos anos secos fica muito amarelado por esta altura, afinal contém uma grande variedade de plantas, estando longe de ser uma monocultura. Esta é uma vista geral do canteiro de relva em frente do prédio onde moro nos Olivais Sul:


além da relva existem muitos trevos que além de serem facilmente identificáveis pelo conjunto de três folhas (nunca vi um de quatro excepto em desenhos e logotipo dos alfa-romeos) têm nesta altura estas inflorescências, predominantemente brancas


que também aparecem aqui, numa área em que os trevos ocuparam quase todo o espaço disponível. O nome de trevo em inglês é "clover" e é fácil obter imagens da flor do trevo na internet


existe uma variante menos comum da flor do trevo , de cor lilás.


Como tenho uma máquina fotográfica nova que tem pixels em grande abundância optei por mostrar apenas duas das flores acima um pouco maiores. Isto não é verdadeiramente uma flor mas uma inflorescência, cada um cos conezinhos é que é uma flor


um pouco ao lado estavam estas pequenas flores amarelas que mostro muito ampliadas numa imagem mais à frente


e ainda outra variedade de florinhas amarelas


que mostro aqui mais ampliadas. O observador mais atento notará que a falta exactidão na focagem continua a ser um dos meus pontos fracos como fotógrafo, mas fica-se com uma ideia


existe ainda uma terceira variedade de flores amarelas, cor muito popular nestas pequenas flores


e ainda esta, que pelo tamanho das folhas da relva se vê que foi bastante ampliada


fotografei depois esta florinha lilás, tendo recorrido ao pós-processamento para ver se ficava mais focada mas sem grande sucesso


tendo tido mais sorte na focagem desta outra variedade lilás, com 5 pétalas, número muito comum nas flores


depois fotografei as numerosas espigas que flutuam ao sabor do vento enquanto não passa o cortador de relva (que tão pouco poupa as florinhas...)


e aqui estão muito ampliadas as primeiras florinhas amarelas que mostrei lá atrás


ainda ficaram para a posteridade estas de côr vermelha


e para finalizar mais umas tantas amarelas.


Este ano portanto optei por florinhas no seu habitat. Contudo, existem tantas florinhas destas por aí espalhadas que noutro ano ainda volto a fazer arranjos florais como os que fiz aqui e aqui.

2011-05-23

Quinta Pedagógica dos Olivais

A proximidade das praias magníficas nas proximidades de Lisboa contribui para que os parques da cidade não sejam tão usados como seria desejável. A Quinta Pedagógica dos Olivais será uma excepção, mantendo um conjunto muito representativo de animais domésticos tais como vacas, burros, cavalos, ovelhas, cabras, porcos e muitas aves de capoeira. Tem também uma secção com plantas diversas, para que as crianças não pensem que as alfaces nascem nas prateleiras dos supermercados e várias "oficinas" onde, por exemplo, se coze pão.

Como as pessoas deixaram de viver em quintas e estes animais não estão normalmente no Jardim Zoológico, esta quinta pedagógica, cuidadosamente gerida pela Câmara Municipal de Lisboa, é um local muito procurado, com um corropio de visitas escolares e uma presença assídua dos habitantes do bairro dos Olivais, designadamente dos mais novos e presumo que doutras zonas de Lisboa.

Esta foto dá uma ideia da animação num dos relvados, com um cavalo branco ao fundo


e esta outra mostra, além dum edifício onde decorrem algumas das actividades educativas (ao fundo), uma agave cuidadosamente aparada, suponho que para evitar que as terminações pontiagudas das folhas constituam perigo para os visitantes mais novos. O corte recente das folhas tinha deixado uns losangos brancos (onde elas foram cortadas) em disposição muito geométrica. Talvez existam ali alguns números de Fibonacci.

Coqueiros em Lisboa

No outro dia fiquei surpreendido ao ver estes cocos a germinar no Horto do Campo Grande, em Lisboa. Não faço ideia do tamanho final com que vão ficar estas plantas quando chegarem a adultas mas é curioso germinarem tão bem por cá.

Coqueiros lembram-me às vezes a destreza com que o Prof.Cavaco Silva os trepou numas férias em S.Tomé e Príncipe, já lá vão muitos anos.

2011-05-18

Jardim Botânico do Rio de Janeiro (2)

Retomando a visita do Jardim Botânico do Rio de Janeiro do post de 28/Abril, passo a mostrar estas plantas surpreendentes:







Como se constata ao lado trata-se da Ravenala madagascariensis, planta da família STRELITZIACEAE, nome comum “Árvore-do-viajante”, nativa da ilha de Madagáscar.


Deve o seu nome ao facto de guardar água entre os pecíolos, podendo assim matar a sede a viajantes que conheçam esta característica.


Estas plantas são aparentadas daquela a cuja flor chamamos “Estrelícia”, originária da África do Sul, portanto não muito longínqua desta.


A imagem que mostro a seguir duma Estrelícia veio num dos power-points que me enviam, desconheço o seu autor.

2011-05-12

Martha Graham e Ryan Woodward

Ontem dia 11 de Maio de 2011, o Google tinha uma animação extraordinária, comemorando o 117º aniversário do nascimento da dançarina e  coreógrafa norte-americana Martha Graham:


 


Esta pequena obra-prima de animação foi feita por Ryan Woodward, autor desta outra curta animação "Thought of you", que parece um sonho :




2011-05-11

Caixa chinesa

Comprei há muitos anos uma caixinha chinesa, com 5,7 cm de altura, esmaltada segundo a técnica "cloisonné" que eu julgava ter sido inventada na China. Afinal a técnica nasceu no Mediterrâneo, foi usada no Egipto e muito no império Bizantino, tendo sido levada pelos comerciantes muçulmanos para a China apenas no século XIII ou XIV. Consiste na colocação de separadores metálicos que evitam a mistura das diversas cores do esmalte que vai recobrir a peça.

Lembrei-me da caixinha ao colocar a imagem do dragão do último post, porque associo frequentemente dragões à China, embora eles fossem também muito populares na Europa.

Esta caixinha apresenta casais de grous, com a sua característica crista vermelha e uma árvore talvez da família dos pinheiros. As imagens corresponderão na maior parte dos monitores a uma versão ampliada do objecto real. Não é uma peça preciosa mas é um produto artesanal muito interessante. Apresento-o numa sequência de 5 imagens.







2011-05-07

Vilnius

Ia eu dizendo há uns dias atrás que a beleza está à nossa volta, para a descobrir basta estar atento. Mas, como seria de esperar, a beleza também está longe, está em todo o lado.

Não fui a Vilnius para fazer uma verificação desta última frase mas também lá encontrei coisas bonitas.

Começo por esta vista parcial da igreja de S.Casimiro, do século XVIII.



A Lituânia era predominantemente católica, à semelhança da Polónia, talvez para marcar diferença em relação à igreja ortodoxa russa, vendo-se contudo também muitas igrejas ortodoxas. Com o domínio soviético a maior parte foi ou fechada ou convertida em salas de espectáculos, agora estão a regressar ao uso religioso tradicional. Curiosa nesta fachada a, por assim dizer, ausência das duas torres dos sinos que perdem a individualidade com a estrutura que as une.

Continuo com este parque no meio da cidade, com as folhas das árvores muito menos desenvolvidas do que em Lisboa.



Muitas vezes as minhas fotos ficam sem pessoas, às vezes perguntam-me se não vivia ninguém naquela cidade, foi o caso deste parque, num fim de tarde.

Não resisti aos reflexos dourados do sol quase a pôr-se nesta rua Gedimino Prospektas (neste caso com pessoas mas sem carros...):



Nem a estas três figuras à entrada de um teatro, na mesma rua de Vilnius


Gostei ainda deste prédio fortemente decorado


e da estátua lá de cima dum cavaleiro, com uma cruzinha no alto do capacete, a combater um dragão (será o S.Jorge?), que com a minha nova máquina fotográfica se pode ver muito ampliado aqui a seguir:

2011-05-01

A beleza está à nossa volta (2)

Olhando com atenção descobre-se que há muita coisa à nossa volta que merece um olhar mais demorado do que aquele que costumamos dispensar.

Como por exemplo este conjunto de simpáticos malmequeres, crescendo num canteiro da urbanização da Portela



ou um conjunto mais pequeno



fazendo agora um zoom sobre duas flores e colocando triângulos pretos nos cantos para as destacar melhor



recordando as sequências de fibonacci do girassol, daqui e daqui e rodando as mesmas flores para um aspecto mais geométrico