2011-04-08

Colapso

Não, ainda não é o colapso de Portugal de que vou falar neste post mas do livro “Collapse: How societies choose to fail or survive”. Encontrei o livro na Loja da História Natural, uma simpática loja recomendada pelo maradona, ao pé da Rua da Escola Politécnica e comprei-o dado que tinha gostado muito doutro livro do mesmo autor, o “Guns, Germs and Steel”.

O livro fala sobre o colapso de muitas sociedades de pequena e média dimensão, alegando o autor que estas sociedades são exemplos mais fáceis de estudar e de perceber as razões do sucesso ou do fracasso, enquanto a queda do império romano é um tema tão complexo que, embora interessante, é quase impossível  dele tirar conclusões.

O autor refere as sociedades do estado de Montana, da ilha de Páscoa, das ilhas de Pitcairn e Henderson, dos Anasazi, dos Maias, da colonização Viking da Gronelândia, do genocídio recente no Ruanda, da ilha partilhada pelo Haiti e pela República Dominicana, da China e da Austrália, finalizando com um resumo das lições práticas que todos estes exemplos nos dão, os papéis que podem ser desempenhados pelas grandes empresas e as razões para por um lado estar preocupado e por outro para ter esperança no futuro.

No meio desta novela sem fim de pedirmos ou não uma intervenção externa na nossa economia, temos uma tendência fortíssima para nos esquecermos da finitude dos recursos do planeta em que vivemos e da enorme dificuldade em garantir a todos os seus habitantes um estilo de vida semelhante ao que existe no ocidente e que tão promovido é pelas agências de publicidade.

Na primeira crise do petróleo em 1973, o presidente da Comissão Europeia Sicco Mansholt, influenciado pelo Clube de Roma, falou muito no crescimento zero, designadamente na necessidade de por um termo no crescimento contínuo do consumo de produtos não renováveis. O crescimento do bem-estar das sociedades tem que se basear no crescimento dos serviços e não no consumo dos recursos finitos existentes.

Este livro do Jared Diamond dá uma ideia da situação actual que me pareceu tender para o lado da grande preocupação, mas a exposição é muito clara e convincente, à parte um ou outro pormenor em que cada leitor encontra a sua discordância do autor. Recomendo.

Nestes tempos da internet é tudo mais fácil: aqui está o endereço da apresentação do tema do livro que o próprio Jared fez no TED.

2011-04-06

Jarra de Flores

No meio está a virtude, não tão ordenada como as ondas mas mais ordenada do que os malmequeres selvagens do post anterior.

2011-04-03

As Agências de Rating não são a Mão Invisível do Mercado

Nos mercados onde se transaccionam produtos físicos a utilidade principal do mercado é facilitar precisamente essa transacção. Fortemente associada a essa facilitação está a capacidade muito boa que os mercados têm para encontrar um preço adequado para a mercadoria transaccionada, através da interacção de numerosos agentes, quer do lado da procura quer do lado da oferta. É essa multiplicidade de agentes, tão prezada pelas diversas Autoridades da Concorrência, que a imagem que segue evoca, embora nela se vejam facilmente outras coisas como, por exemplo, as ondas do mar ou as escamas dum peixe.


Poderia ter usado uma imagem de um mercado de alimentos mas, como pretendo falar de mercados financeiros, considerei que uma representação abstracta seria mais apropriada.

Nos mercados financeiros o objecto da troca nada tem a ver com as necessidades de consumo imediatas de nenhum dos participantes na transacção mas apenas com expectativas de risco de incumprimento dos empréstimos ou de valorização de activos. A essência destes mercados está na incerteza do valor futuro do que se transacciona. Por exemplo, não existe um mercado para a troca de notas de 10 euros por notas de 5 euros porque as pessoas sabem que, quer agora quer no futuro, uma nota de 10 euros valerá sempre exactamente duas notas de 5 euros.
E a razão da existência destes mercados era precisamente fornecer boas previsões quer de riscos quer de probabilidades de valorização de activos.

Existem mesmo algumas pessoas, algo embasbacados pela qualidade de previsões baseadas na conjugação de palpites de múltiplos agentes independentes, que afirmam que essas previsões são melhores do que a estimativa dada por um especialista em assuntos mais banais, como por exemplo o peso de um animal a ser transaccionado. As pessoas comuns sabem que existem métodos melhores do que o mercado para fazer alguns tipos de estimativas, por exemplo para estimar o peso de uma vaca, melhor ainda do que a previsão dum conjunto de leigos ou do que o palpite de um especialista será utilizar uma balança.

Ao longo da história têm aparecido muitos governantes que gostam de definir os preços das mercadorias que se transaccionam nos seus domínios e não serei eu a negar as vantagens de tais práticas, designadamente nas situações em que é patente que o mercado existente está muito longe da perfeição e não é fácil aperfeiçoá-lo. No entanto neste caso corre-se o risco imenso de o governante falhar na determinação do preço mais adequado.

As grandes agências de rating americanas têm vindo a ser atacadas recentemente pelas falhas clamorosas das previsões que fizeram em relação a um grande conjunto de produtos. Mas as críticas dessas agências têm vindo mais das pessoas que ou não acreditam nos mercados ou, duma forma mais suave, têm fortes dúvidas sobre a perfeição dos mercados existentes.

Julgo haver um silêncio ensurdecedor da parte das pessoas que acreditam numa perfeição razoável dos mercados existentes, que quanto a mim deveriam já ter denunciado vezes sem conta a situação de oligopólio e o papel vanguardista e de condicionamento do livre funcionamento do mercado que estas agências representam.

Estas agências são mais uma manifestação do poder da super-potência americana, ao ponto de não existir uma única agência com relevância global em mais lado nenhum, nem sequer no continente europeu.

No caso concreto da dívida soberana de Portugal, é público que houve uma deterioração muito importante da notação atribuída em Dezembro de 2010 para os finais de Março de 2011. A situação do país poderá ter piorado neste primeiro trimestre mas nunca da forma calamitosa que corresponderia a 5 níveis como aconteceu na notação da Fitch. Poderão algumas vozes argumentar que agora é que as agências se deram verdadeiramente conta da gravidade da situação portuguesa. Eu diria a quem assim argumenta que as agências têm andado muito distraídas pois qualquer leitor de jornais portugueses terá tido múltiplas oportunidades de saber que muita gente duvidava (e duvida e duvidará para todo o sempre) dos números do governo e que fomos alertados em todos os media vezes sem conta para o optimismo deslocado do governo do PS e para a gravidade da situação económica de Portugal.

A coluna do Ricardo Costa no Expresso de 2011-04-02 descreve a visita de uma delegação da agência Fitch ao jornal Expresso no dia 14 de Dezembro de 2010, onde ele e o Nicolau Santos tiveram a oportunidade de lhes descrever o que iria provavelmente acontecer em Portugal no futuro próximo. E o que aconteceu no primeiro trimestre correspondeu ao que eles tinha previsto e comunicado à agência Fitch.

Chegamos assim a uma conclusão irresistível: ou a notação de Dezembro de 2010 estava errada, ou a de Março/2011 está errada ou ambas as notações não passam na melhor das hipóteses de conjecturas infundamentadas, na pior do exercício dum poder ao serviço de interesses específicos.

No final deste longo texto começo a achar que a primeira imagem deste post não representa bem um mercado, pela sua regularidade excessiva. Uma representação melhor talvez seja a deste conjunto desordenado de malmequeres.

2011-03-30

Pequena caixa indiana

Usando a mesma técnica de embutir pedrinhas semi-preciosas em mármore branco como referido há uns tempos neste blogue, desta vez o artesão fez uma caixinha com cerca de 10cm de comprimento por 7,5 cm de largura.


Não é tão espectacular como o prato mas uma pessoa concentra-se mais facilmente no detalhe dos embutidos


Recordo a legenda do post anterior em relação às pedras usadas
- Malaquite, de cor verde
- Lápis-lazuli, azul escuro
- Turquesa, de cor azul-turquesa
- Cornalina, de cor laranja mais ou menos avermelhada
- Madrepérola
e o verde-azeitona nos caules das flores talvez seja jade


e uma vista em perspectiva para finalizar:

2011-03-28

Moda em Shiraz e Yazd


Depois de em Maio e  Junho/2010 ter feito uns posts sobre a moda que tinha visto em lojas de Teerão e de Shiraz, que me levaram a pensar que as mulheres do Irão se limitavam ao tchador e a conjuntos de calças mais uns casacos ligeiramente abaixo dos joelhos, como os que se vêem na figura ao lado, que me pareceu na altura ser a moda feminina disponível, fomos visitar o bazar da cidade.

Afinal as mulheres do Irão também gostam de tecidos vistosos, certamente reservados para situações festivas, talvez mesmo um pouco vistosos demais para o gosto mais comum no Ocidente, mas parece que esses tecidos se encontram nos locais com longa tradição de comércio, vulgo bazar, e não nas lojas mais modernas com montras para a rua.


Nesta loja do bazar de Shiraz houve mesmo uma iraniana que fez questão de ficar na fotografia quando notou o meu interesse por estes tecidos vistosos. O vendedor parece bem disposto com a  situação, há uma cliente que olha para a cena.


Nesta outra loja do mesmo bazar existem mesmo vestidos sem ombros mas é possível que sejam usados sobre blusas de manga comprida.


Fiquei a pensar se o tchador é um contraponto a tanta exuberância ou se esta é uma reacção à monotonia do tchador preto e das cores “de burro quando foge” da outra roupa feminina que se vê na rua.

Viajando para o norte chegámos à cidade de Yazd, que já referi noutros posts, em que me deparei primeiro com uma montra do que seria aqui uma loja para noivas


 seguida destas montras estranhas onde os manequins femininos têm as cabeças cortadas a meio e mesmo assim cobertas com um véu ou um chapéu


Embora a paridade de género esteja aqui restabelecida ao nível quantitativo, parece-me simbolicamente terrível optar por esta via de cortar a meio a cabeça do manequim feminino


enquanto os homens continuam com direito a uma imagem íntegra.

E uma pessoa fica a pensar que as mulheres devem levar uma vida de clausura, como por exemplo em Lisboa na primeira metade dos anos 60 do século passado, onde me lembro da raridade das mulheres à noite nas pastelarias então numerosas na Praça de Londres.

Porém, neste “fast-food”, às 10 da noite, ao lado destas montras, havia empregadas a atender ao balcão, situação que julgo que teria sido considerada imprópria em Portugal na altura que referi.


Eu diria para concluir que, embora seja provável que actualmente os países em que o Islão predomina ganhem o campeonato da misoginia, eles estão longe de ter o exclusivo, e existem neles práticas que agora nos chocam mas que também eram dominantes no Ocidente há não muitas décadas.

Bom, não incluindo, por exemplo, estas questões do apedrejamento de Sakineh Ashtiani, que depois da suspensão da pena saiu dos jornais, da violação em grupo duma jornalista da CNN na via pública no Cairo e da cena inquietante da detenção de Iman Al-Obeidi num hotel em Tripoli, na Líbia

2011-03-22

Que possas ser a mãe duma centena de filhos

Na minha segunda viagem à Índia, em 1993, aconselharam-me este livro “May you be the mother of a hundred sons”, escrito por Elisabeth Bumiller, uma jornalista americana, repórter do Washington Post, que chegou à Índia em 1985, viveu lá até 1988 e publicou este livro em 1990.

O tempo voa e já passaram entretanto 21 anos desde que o livro foi publicado e cada ano que passa está um ano mais desfasado da realidade em que foi escrito, mas os costumes enraizados nas sociedades não desaparecem dum dia para o outro e muita coisa ainda será actual.

Nestes olhares de estrangeiros sobre um país existe sempre o risco da incompreensão duma sociedade estranha e de analisar uma sociedade usando os preconceitos da sua. A autora é realmente americana mas acho que fez um bom trabalho, trazendo o benefício da análise sem os preconceitos da sociedade analisada.

Quando o li lembro-me que gostei muito do livro, na descrição duma sociedade com costumes tão diferentes da portuguesa, mas ao fim de tantos anos retive quase apenas que existia um problema terrível com o dote que as raparigas tinham que levar para o casamento, dote esse que levando à ruína os pais conduzia por vezes ao infanticídio. Lembro-me de ser referido uma bebida com ervas que punha as meninas “a dormir”. Nas famílias mais abastadas o problema do dote também existia, mas era resolvido através de abortos selectivos em função do sexo do feto.

Face a este problema, o dos casamentos arranjados pareceu-me menos importante.

Lembro-me também duma referência a uma esposa do marajá de Jaipur e à sua vida faustosa que me levou a comprar o livro “A princess remembers” de que falei aqui e aqui, onde refiro que, embora o marajá fosse hindu e não muçulmano, resguardava a esposa dos olhares dos seus súbditos indianos, à semelhança do que acontecia com as esposas dos homens (muçulmanos) importantes do Afganistão.

Lembro-me ainda da importância da bosta de vaca na vida das pessoas pobres que a usavam como combustível e de ver imensas casas pequenas de camponeses, na estrada de Agra para Jaipur, cobertas de bosta de vaca a secar.

Este tema recordou-me o livro de David S. Landes, “A riqueza e a pobreza das nações” quando ele diz que o uso da bosta de vaca como combustível para cozinhar os alimentos em casas muitas vezes sem chaminé causa imensos problemas respiratórios nas famílias camponesas pobres da Índia que, vivendo tão perto da Natureza, têm afinal que enfrentar uma poluição atmosférica bem pior do que a existente em muitas cidades. Também não me consigo esquecer dele dizer que muita gente do campo gastava à volta de 4 horas por dia para recolher uns gravetos de lenha para o cozinhado diário. Uma pessoa nem se apercebe da facilidade de rodar o botão do fogão a gás e ter ali imediatamente disponível o combustível necessário para cozinhar.

Nas sociedades ocidentais existia este hábito do dote que nalgumas circunstâncias parecia fazer algum sentido económico. Era o caso das classes abastadas em que como a mulher se tinha que abster de qualquer tarefa remunerada, acabava por constituir um encargo para o marido pelo que o dote compensava essa expectável inactividade futura.

No caso das famílias camponesas pobres da Índia a mulher trabalhava duramente no campo, ganhando não só o seu sustento mas contribuindo também para o sustento da família. Neste contexto em que a “empresa familiar” recebia um “meio de produção” e não uma “despesa” qual o sentido do “meio de produção” ir acompanhado de um dote? A única explicação que consigo encontrar é a cópia mecânica e desajustada de costumes com eventualmente algum sentido  económico nas classes abastadas, criando uma situação completamente absurda nas classes mais pobres.

O déficit de mulheres na Índia, que referi numa tabela (em que os valores indianos são de 2009, mostrando a permanência do problema) na parte final dum post que publiquei há pouco tempo, tem sido referido por gente muito famosa, designadamente por Amartya Sen (nobel de economia que recebeu neste mês de Março um doutoramento honoris causa na Universidade de Coimbra) em “More-than-100-million-women-are-missing”.

Tive dificuldade em escolher uma imagem para ilustrar este déficit de mulheres na Índia.

Acabei por escolher esta, que mostra um conjunto de homens a lavar a roupa em Mumbai, junto ao oceano Índico no bairro de Bandra.


Não é que eu sinta a falta das lavadeiras que havia em Portugal, mas é curioso constatar como se estabelece que uma profissão é mais adequada para um dos sexos do que para o outro e depois essa convenção perdura por muito tempo, embora sociedades diferentes usem convenções diferentes. E é evidente que tirei a foto porque a convenção indiana era diferente da portuguesa.

2011-03-17

O Fogo

Comemorando o terceiro aniversário deste blogue e continuando a tradição de mostrar um dos 4 elementos fundamentais, como já passei pela água e pela terra chegou agora a vez do fogo.

Trata-se de um fogo especial, protegido por um vidro, que fotografei em 2010, alegadamente mantido de forma ininterrupta pelos seguidores de Zoroastro desde cerca de 470 DC, portanto há mais de 1500 anos, embora nem sempre neste local.

Diz que vem gente de todo o mundo para ver esta Ateshkadeh (chama sagrada eterna). O deus único Ahura Mazda, sem representação icónica, disse que quando lhe rezassem se voltassem para a luz, o que está na origem da existência de fogo, gerador de luz, nos templos dos seguidores de Zoroastro.

Lembro-me ainda de no liceu me terem ensinado que Zoroastro dizia que existia uma luta permanente entre os princípios do Bem e do Mal e que todos os seres humanos eram chamados a participar nessa luta para apressar a vitória do Bem sobre o Mal. Acho que na altura me disseram que esta vitória estava garantida, a nossa participação era "apenas" para apressar essa vitória. Existem razões para acreditar que Zoroastro nunca visitou Portugal.

2011-03-16

A Central Nuclear em Portugal


Quando Patrick Monteiro de Barros se propôs fazer uma central nuclear em Portugal, alegando que não precisava de qualquer apoio dos cofres públicos, sugeri-lhe no seminário da FIL que fosse construir a sua central para Espanha, visto ser um tão bom negócio privado. Indirectamente beneficiaria o nosso país pois dada a forte interligação eléctrica entre os dois países a boa performance da sua central do outro lado da fronteira certamente se reflectiria em melhores preços no MIBEL (Mercado Ibérico de Electricidade), aproveitando também a infraestrutura legal e regulamentar já existente em Espanha.

Agora que o crescimento do consumo na Ibéria continua algo anémico e visto que o Engº Pedro Sampaio Nunes insiste, com dúbio  sentido de oportunidade, nas enormes vantagens e grande segurança das centrais nucleares mesmo em caso de terramoto, sugiro-lhe que redireccione os ímpetos de investimento do Sr. Patrick Monteiro de Barros para o Japão, país que ficou agora com falta de energia nuclear e onde as suas propostas serão certamente acolhidas com grande entusiasmo.

Nós por cá, que já gastámos tanto dinheiro em obras públicas, certamente teremos imenso a ganhar em evitar estas obras alegadamente privadas.


Imagens da BBC World News mostrando técnicos japoneses medindo eventual contaminação radioactiva, na sequência dos incidentes na central nuclear de Fukushima.

2011-03-11

Lírios dourados com oito centímetros

A propósito do dia internacional da mulher lembrei-me que há bastante tempo referi aqui um livro de que gostei imenso, “Cisnes Selvagens”, da chinesa Jung Chang, em que é passada em revista a história da China no século XX, através da vida quotidiana da avó, da mãe e da própria autora.

Marcou-me esta descrição, feita no início do livro, dos pés enfaixados das mulheres

«
A minha avó era uma beldade. Tinha um rosto de forma oval, com faces rosadas e pele sedosa. Usava os cabelos, negros, compridos e muito brilhantes, entretecidos numa grossa trança que lhe caía até à cintura. Sabia ser discreta quando a ocasião o exigia, o que significava quase sempre, mas sob aquele exterior recatado fervilhava um vulcão de energia reprimida. Era de` pequena estatura, um pouco menos de um metro e sessenta, e tinha uma figura muito esbelta, de ombros descaídos, o que era considerado o ideal.

O seu grande valor residia, porém, nos pés enfaixados, chamados em chinês «lírios dourados com oito centímetros»(san- tsun - gin- lian). Significava isto que caminhava «como um tenro rebento de salgueiro numa brisa primaveril», no dizer tradicional dos connoisseurs chineses de mulheres. A visão de uma mulher a caminhar vacilantemente sobre uns pés enfaixados tinha supostamente um efeito erótico nos homens, em parte, sem dúvida, porque a vulnerabilidade dela despertava em quem a via um impulso protector.

Tinha a minha avó dois anos quando lhe enfaixaram os pés. A mãe, que também tinha pés enfaixados, começou por enrolar-lhe à volta dos pés uma tira de pano com cerca de seis metros de comprimento, dobrando todos os dedos, excepto o grande, para dentro e para debaixo da planta. Depois pôs-lhes uma grande pedra em cima, para esmagar o arco. A minha avó gritou de dor e suplicou-lhe que parasse, e a mãe teve de meter-lhe um pano na boca, para amordaçá-la. A infeliz desmaiou diversas vezes, devido à dor.

O processo demorava anos. Mesmo depois de os ossos terem sido partidos, os pés tinham de continuar enfaixados, dia e noite , em tiras de pano, pois no momento em que fossem libertados, tentariam recuperar. Durante anos, a minha avó viveu cheia de dores terríveis e constantes. Quando suplicava à mãe que lhe tirasse as faixas, ela chorava e dizia-lhe que isso arruinaria toda a sua vida futura, e que fazia aquilo pela felicidade dela.

Naqueles tempos, quando uma mulher casava, a primeira coisa que a família do noivo fazia era examinar-lhe os pés. Uns pés grandes, ou seja, uns pés normais, traziam vergonha para a casa do marido. A sogra levantava a orla da comprida saia da noiva e, se os pés tivessem mais de oito centímetros, deixava-a cair, num claro gesto de desprezo, e afastava-se, deixando a pobre rapariga sujeita aos olhares críticos dos convidados, que lhe miravam os pés e murmuravam insultuosamente o seu desdém. Por vezes, uma mãe apiedava-se da filha e tirava-lhe as faixas. Mas quando a criança crescia e tinha de enfrentar o desprezo da família do marido e a reprovação da sociedade, acusava a mãe de ter sido demasiado fraca.

O costume de enfaixar os pés foi introduzido na China há cerca de mil anos, segundo se diz por uma concubina do imperador. Além de a visão das mulheres a coxear sobre uns pés minúsculos ser considerada erótica, os homens excitavam-se a acariciar os pés enfaixados, que permaneciam sempre escondidos nuns sapatinhos de seda bordada. As mulheres não podiam tirar as faixas mesmo depois de adultas, pois os pés começariam a crescer novamente. Só à noite, na cama, lhes era possível aliviar temporariamente o tormento, afrouxando um pouco as tiras de pano. Calçavam, então, uns sapatos de sola macia. Os homens raramente viam nus uns pés enfaixados, que estavam geralmente cobertos de carne apodrecida e exalavam um cheiro horroroso quando se retiravam as faixas. Lembro-me de, em criança, ver a minha avó constantemente cheia de dores. Sempre que regressávamos das compras, a primeira coisa que ela fazia era meter os pés numa bacia de água quente, suspirando de alivio. Depois punha-se a cortar pedaços de pele morta. A dor era provocada não só pelos ossos partidos, mas também pelas unhas, que cresciam para dentro das pontas dos dedos.

Na realidade, os pés da minha avó tinham sido enfaixados precisamente na altura em que a prática estava prestes a desaparecer para sempre. Quando a irmã dela nasceu, em 1917, o costume tinha sido praticamente abandonado, de modo que conseguiu escapar ao tormento.

Na época em que a minha avó cresceu, no entanto, a atitude prevalecente numa cidade pequena como Yixian era ainda a de que os pés enfaixados eram essenciais para um bom casamento - embora fossem apenas um começo.
»



É assustador como um disparate cruel como este é capaz de perdurar por 1000 anos!


Obtive este texto do livro "Cisnes Selvagens" aqui


Ao procurar no google "lirios dourados com oito centimetros" fui dar a este post com um resumo do livro e com esta fotografia de sapatinhos para pés enfaixados



Lembrei-me também do álbum do Tintin, “Le Lotus Bleu”, de onde tirei estes quadrinhos:


Sendo a primeira edição do álbum Le Lotus Bleu de 1936, constata-se que a informação sobre o abandono do enfaixamento dos pés das mulheres chinesas ainda não chegara à Europa, o que não me parece de admirar, dado que essa extinção, segundo Jung Chang, ocorrera há cerca de 20 anos.

Neste artigo da Wikipedia fala sobre os pés ligados, com fotografias e radiografias e descrições ainda mais horríveis do processo e das suas consequências. Do que nele li ficaram-me fortes dúvidas da prática estar completamente erradicada em 1936, se tal fosse o caso não haveria necessidade de os comunistas proibirem a prática quando chegaram ao poder em 1949. Há também uma referência da comunidade Hui, maioritariamente islâmica, ter adoptado a prática

Pensei que o costume se tivesse limitado a mulheres reservadas para dar prazer aos seus maridos e que as que tivessem que trabalhar no campo não tivessem sido atingidas mas mesmo estas foram afectadas por este hábito insano, embora um pouco menos do que as primeiras.

O que li reforçou a minha convicção que o tratamento cruel das mulheres em vários casos se propaga pela cópia pela sociedade de práticas inicialmente restritas às classes elevadas e que essas “modas” cruzam com facilidade as fronteiras religiosas. Foi o que aconteceu com a adopção da burka no Afganistão, erradamente confundida com uma prática islâmica.

Já quanto aos infanticídios referidos nos quadrinhos, não me parece tão líquido que não fossem um fenómeno presente, no meio dos cataclismos sociais sucessivos pelos quais a China estava a passar.

Mesmo agora a política do filho único, conjugada com a preferência por filho do sexo masculino, levou a uma razão de sexos que revela a presença significativa de abortos selectivos de fetos e/ou infanticídio de bebés pelo facto de serem do sexo feminino





País




Ratio Masc./Fem.




0-14 anos Masc.




0-14 anos Femin.




China




1,11




142 milhões




125,3 milhões




Índia




1,12




190




172,8




Irão




1,05




7,4




7




Portugal




1,07




0,91




0,84




E.U.América




1,05




31,6




30,3

Pelo ratio dos sexos no momento do nascimento constata-se que “não aparecem” uns 5% de seres femininos, quer na China, quer na Índia.

Adenda: fotos antigas da China sobre este tema aqui

2011-03-07

Janela irreal de Portimão



Depois dos últimos posts sobre as janelas da Maluda não resisti a fotografar esta linda janela numa pastelaria/casa de chá da rua Direita ( de seu nome, que não de sua geometria) em Portimão.

Ao lado está a foto original tirada com o meu telemóvel (apenas com menos pixels). Nas situações "normais" para os fotógrafos amadores (ainda por cima armados apenas de telemóvel) é frequente não estar facilmente acessível o ponto ideal para a tomada de vista.

Neste caso a foto foi tirada duma direcção não perpendicular ao plano da janela, tendo como consequência que a janela se transformou de rectângulo em trapézio. Na imagem seguinte deformei a foto para recuperar a forma rectangular.

Os reflexos são reais bem como o candeeiro aceso por trás da janela. É natural que o reflexo do fotógrafo não apareça, dado o ângulo de tomada da foto.

Mas ao escrever isto uma pessoa começa a ver que se trata também duma imagem com uma pequena dose de irrealidade.


2011-03-01

Maluda, Janela 38 (Elevador da Bica) de 1997 e Jyllands-Posten

Outra janela perfeita, impossível de fotografar, com os azulejos formando uma imagem contínua sem as imperfeições da adjacência das pequenas peças.

A geometria parece perder um pouco da sua perfeição apenas na zona dos reflexos, desta vez é o próprio Elevador da Bica que aparece, com a imagem perturbada por aquelas rendas pesadas usadas nalgumas janelas.

À semelhança doutros reflexos destas janelas da Maluda, este também foi captado por um observador invisível, na vida real o "fotógrafo" deveria também aparecer no reflexo da janela.


Esta imagem vem neste livro, que já referi em post anterior.

Entretanto a ausência de reflexo do fotógrafo no reflexo duma janela fez-me lembrar esta foto que tirei à janela das instalações do jornal dinamarquês Jyllands-Posten na praça Kongens Nytorv em Copenhaga. É provável que a minha ausência no reflexo, em que aparece o Magasin du Nord, se deva a ter tirado a foto com um telemóvel mais antigo em situação de falta de luz, mas não deixei de me surpreender com a minha aparente invisibilidade.


Foi neste jornal que apareceram as 12 caricaturas do Maomé, que tanta celeuma então causaram. Os meus colegas do Magrebe consideraram tal publicação como uma provocação desagradável e desnecessária, que foi também o que me pareceu na altura.

2011-02-26

Maluda, Janela 30 - Évora

Mais outra janela, esta pintada em 1990. É uma forma muito Portuguesa, bem como a imagem do casario reflectida na vidraça e suavemente perturbada pela presença dos cortinados.


Esta imagem vem neste livro, que já referi em post anterior

2011-02-25

Maluda, Janela 29

As janelas da Maluda  são fascinantes e julgo que muito apreciadas em Portugal. Por um lado as janelas são um elemento muito importante na caracterização de uma arquitectura. Quando uma pessoa vai, por exemplo, a Goa há uma sensação de familiaridade nos edifícios que julgo ser dada pelas janelas, semelhantes às que se vêem em Portugal. Por outro lado porque a pintora nos dá uma visão platónica de cada uma das janelas, um objecto perfeito livre de qualquer uma das impurezas das janelas reais, as pequenas manchas, alguma lasca na pedra da esquadria, os limites omitidos dos azulejos. As sombras formam-se sobre superfícies sem qualquer deformação, dando-lhes também um aspecto irreal. Finalmente os vidros das janelas são muitas vezes usados de forma que poderíamos considerar quase irónica. É completamente inverosímil que em frente desta janela se situe um prédio em que cada uma das janelas se reflectisse exactamente no centro de cada um dos pequenos vidros que constitui a janela que está a ser mostrada. Para compor a ilusão a pintora dá-se ao trabalho de sobrepor esses “reflexos” com as sombras dos caixilhos das janelas sobre as portas de madeira por trás da janela, uma delas entreaberta!

O nome do quadro tem a simplicidade habitual, chama-se Janela XXIX e foi pintado em 1987.


Esta imagem vem neste livro, que já referi em post anterior

2011-02-24

Janelas da Maluda

Continuando no reino da Geometria, passo agora das simetrias e translações para variações dum mesmo tema.

Esta obra da pintora Maluda poder-se-ia intitular "Todas diferentes, todas iguais" mas tem um nome mais simples: "Janelas, 1973".


Assusta pensar que quando este quadro foi feito, há 38 anos, já o coronel Kadafi tinha feito o seu golpe de estado na Líbia há 4 anos, em 1969! Espero que mais esta ditadura venha a ser derrubada dentro em breve.

2011-02-20

Janela de Isfahan – 2


Da análise que fiz da estrutura da janela mostrada no post anterior pensei se não seria possível fazer um padrão parecido recorrendo ao Microsoft Excel.

Aqui ao lado mostro o primeiro passo, desenhar as linhas da terça parte (superior) dum dos triângulos que marquei no post com a cor amarela.

Trata-se de um gráfico x-y em que as coordenadas x e y de cada ponto são achadas de forma casuística mas procurando alguma independência da foto, da qual se tiraram algumas medidas.

Por exemplo os lados inferiores do losango mais abaixo fazem 30º com o eixo dos xx, isso é essencial à forma, já a largura das réguas de madeira seguiu uma medida tirada numa impressão em papel da janela.

Uso apenas uma “data series”, fazendo a separação entre os vários polígonos usando uma linha em branco a separar os pontos de cada polígono.

Na segunda imagem mostro o segundo passo do processo, o triângulo amarelo obtêm-se fazendo duas rotações sucessivas de 120º  do conjunto de pontos iniciais.

Para verificar o aspecto final do triângulo fiz um gráfico no Excel sem eixos nem grelha e usei um fundo preto na “plot area” do gráfico.



Numa aplicação equivalente ao “Paintbrush” “enchi o exterior dos polígonos duma cor dourada, tendo obtido esta figura:



Fazendo uma simetria em relação a um eixo horizontal, seguida de uma translação para a direita, obtém-se uma simetria em relação ao lado direito do triângulo, resultando um losango:


Fazendo translações do losango, reflexões e mais translações, passando por esta fase intermédia


acabei por chegar a este gráfico no Excel:


que em fundo preto fica assim:


usando a técnica de preenchimento atrás referida obtemos esta variante.


e usando a cor branca/cinzenta ficamos com uma variedade que faz pensar num trabalho de crochet:

2011-02-16

Janela de Isfahan

Ainda na Mesquita do Xá em Isfahan passei por esta janela, que teria menos de um metro de largura, cujo trabalho em madeira me chamou a atenção.


Talvez influenciado pelos posts mais recentes deste blogue sobre as simetrias existentes nas calçadas de Lisboa, tracei umas rectas identificando alguns eixos de simetria


Depois “pintei” com cores transparentes triângulos com o mesmo desenho, uns de amarelo e outros de cor de laranja, para mostrar que uns são reflexões dos outros


Existe outro tipo de triângulo nesta janela, que pintei de cor azul


Todos os triângulos centrais se podem obter através de uma rotação de 60º do triângulo azul adjacente. Os bocadinhos que ficaram por pintar resultam de se ter que colocar esta estrutura numa esquadria rectangular

Mostro para finalizar a janela sem pinturas, deixando entrever o escritório que escondia / iluminava.

2011-02-15

Pessoas de Isfahan

Voltaram as manifestações no Irão, provavelmente influenciadas pelo que se passou na Tunísia e no Egipto, possivelmente algumas das pessoas que estavam descansando neste parque ao pé da ponte dos 33 arcos em Isfahan, terão participado nessas manifestações, onde se corre risco de vida.


Às vezes penso que só vemos imagens destes países mais distantes quando houve alguma catástrofe natural ou decorre uma grande contestação ao poder estabelecido. Estas são imagens de um quotidiano mais frequente mas não necessariamente satisfatório.

A ponte dos 33 arcos é muito bela por fora mas este interior deixa um bocado a desejar, só de vez em quando se avista o rio. Uma das vantagens é que quem passa está mais abrigado do vento , quando ele não encana na direcção da ponte


O senhor de suspensórios (mas sem cinto) é um turista.

2011-02-10

Batedor de tapetes

As recentes manifestações no Egipto levaram-me a rever as fotos que tirei no Cairo em Abril de 2006. Entre elas encontrava-se esta pilha de objectos que já não via há imenso tempo, provavelmente desconhecidos dos leitores mais jovens deste blogue.


Trata-se de um batedor de tapetes, existia um exactamente igual a estes, com a mesma forma e a mesma cor, na casa dos meus pais no Porto. Tenho a vaga memória de a minha mãe dizer que tinha sido proibido bater os tapetes pendurados nas janelas que davam para a rua, pelo que a operação tinha que ser realizada no quintal ou numa janela das traseiras. Acho que ainda dei umas batidelas, num tapete colocado num arame no quintal, na altura não se falava tanto de alergias embora fosse talvez mais uma falta de consciência do que uma ausência.

Lembro-me também de terem comprado o primeiro aspirador de pó lá em casa, um aspirador Electrolux, que custou 1.200$00 nos finais dos anos 50. Redescobri aqui uma série longa do IPC, compilada pelo António Barreto, de 1960 a 1999, a partir de números do Banco de Portugal. Segundo as minhas contas, os valores de 1960 deverão ser afectados de um factor 60 para obter um valor “equivalente” em 1999, um aspirador de 1200$00 em 1960 “custaria” agora cerca de 350 €, um valor muito superior ao preço da maioria dos aspiradores actualmente comercializados, mais uma das numerosas evidências que se vive melhor agora do que há umas décadas atrás. E devido aos aspiradores já não é preciso bater nos tapetes.

No fundo da foto, num dos embrulhos tem escrito “Made in A.R.E”, querendo dizer Arab Republic of Egypt. Fiquei a pensar que é um bocado estranho qualificar uma república de “Árabe”. O que é que esta qualificação quererá dizer?

2011-02-04

Maluda (1934-1999)

A pintora Maluda, Maria de Lurdes Ribeiro nasceu em Pangim, no então Estado da Índia Portuguesa, viveu em Lourenço Marques de 1948 a 1963, ano em que veio para Portugal e em Paris de 1964 a 1967. Fixou-se depois em Lisboa onde morreu em 1999.

No outro dia fui à procura das famosos quadros de janelas e embora não tenha encontrado muitas imagens em formato jpeg com uma dimensão razoável (a maior parte era muito pequena), encontrei este sítio contendo um livro magnífico publicado em 2008, com a quase totalidade das suas obras, por Carlos Humberto Ribeiro e Ianus Unipessoal Lda. O livro até pode ser "descarregado" embora seja bastante grande, ocupando 89 Mbytes.  Encontrei também "Um blog sobre Maluda"e no blog "Restos de Colecção" fiz esta procura com resultados interessantes.

From Maluda

As obras da Maluda parecem-me platónicas, no sentido em que representam uma forma idealizada da realidade, em certa medida mais perfeita do que esta, pois todas as arestas das casas são rectas perfeitas, as sombras são nítidas e sem penumbras as cores são sólidas e bem definidas. Na altura em que pintou boa parte das paisagens urbanas o uso dos computadores ainda não se tinha estendido à síntese de imagens arquitectónicas. Ao revisitá-las agora algumas parecem feitas por programas de computador simples.

É curiosa a existência destes movimentos em sentido contrário: por um lado, os programas de computadores apresentando cenas primeiro mais simples (por incapacidade de construir muitos detalhes) mas cada vez mais realistas, sendo actualmente difícil distinguir uma imagem sintética duma fotografia, por outro lado a pintora Maluda que observando uma imagem complexa a simplifica até a tornar quase abstracta.


A pureza geométrica dos elementos usados e a espantosa nitidez, que tranquiliza a minha condição de míope, são duas das características que me fazem gostar de muitos dos quadros dela.

 Ultimamente não tenho ouvido falar muito da Maluda mas admito que possa ter andado distraído. As duas imagens anteriores denominam-se respectivamente Lisboa XXV (de 1983) e Lisboa XXX (de 1985). As duas seguintes têm os títulos Lisboa XXXI (de 1986) e Lisboa XXXV (de 1988).


Quem fotografa à Beira-Rio bem podia tentar fotografar os enquadramentos destas imagens.

2011-02-02

John Barry



Faleceu no passado 30/Janeiro John Barry, o compositor da música do "Out of Africa", um dos mais belos filmes do século XX. Rever as imagens acompanhadas apenas da música é uma experiência emocionante.

Visto aqui.