Há já alguns anos que abandonei uma regra que seguia de evitar visitar países onde existisse a pena de morte. Embora o risco de erro judicial fosse muito pequeno, a perda (da minha vida) associada tinha para mim uma enorme importância, pelo que o produto dos dois factores poderia ser desagradavelmente elevado.
Abandonei essa regra pela primeira vez numa viagem a Macau em que fiz uma visita breve à República Popular da China num fim-de-semana e à Tailândia no regresso, esta com alguma apreensão depois de ver uma série de TV em que colocavam droga numa mala sem o turista dar por isso. Foi a primeira vez que reabri a mala no aeroporto, para verificar a ausência de qualquer corpo estranho suspeito, antes de responder à pergunta no check-in se tinha sido eu a fazer a mala. Depois fui à Índia, a S.Petersburgo em 1994, quando ainda talvez houvesse pena de morte na Rússia, depois aos Estados Unidos da América, cuja prioridade de visita era baixa precisamente pela existência de pena de morte, e recentemente ao Egipto e finalmente ao Irão. Excluindo os países do Magrebe, onde a pena de morte não é aplicada há mais de 10 anos, constato que no total visitei 6 países onde existe a pena de morte.
No mapa que apresento a seguir, que não dá conta do número de execuções por ano, os países islâmicos ficam mal na fotografia.
A lista de países com mais de 10 execuções no ano de 2009 é:
Nem na Índia nem no Paquistão ocorreram execuções em 2009 embora tenham sido proferidas sentenças de morte.
Os dados sobre números de execuções são da wikipédia e os da população do Geohive. Os valores relativos à população são de anos próximos de 2009 e devem ser considerados como aproximados.
Nos EUA a pena de morte foi suspensa de 1972 a 1976 pelo Supremo Tribunal Federal. Desde 1976 ocorreram 1224 execuções, 463 (38%) das quais no estado do Texas.
Excluindo a China, sobre a qual é muito difícil obter dados relativos a este tema (no artigo da wikipedia refere que em vez de 1700 execuções poderão ter sido 10000), o Irão ocupa assim uma posição muito destacada em relação a todos os outros países, quer a nível absoluto quer considerando o número de execuções per capita.
Não tinha ideia que a posição do Irão fosse tão destacada, o que é mais acentuado ao calcular o número de execuções por milhão de habitantes. Aí se constata que a posição dos E.U.A. é quantitativamente modesta.
Ao observar esta imagem de uma rua na parte central de Teerão, não me passou despercebida a presença de grades nas janelas do rés-do-chão.
Na altura confirmei com o guia que no Irão, além da pena de morte, também usam penas de mutilação, quer dizer que, por exemplo, cortam mãos a ladrões. Informou o guia que era necessário que existissem 25 ou 26 condições prévias para o corte de uma mão, designadamente que se tratasse de uma reincidência e que o alegado ladrão não tivesse ninguém doente a seu cargo, mas são pormenores de somenos importância face à crueldade e estupidez do acto.
Ainda pensei em fazer um post referindo que a presença destas grades era uma demonstração de que o método de corte das mãos dos ladrões (elogiado noutras ocasiões como muito eficaz por algumas pessoas com quem tive a infelicidade de me cruzar) não conseguia que se pudesse prescindir de grades nos primeiros pisos dos edifícios, mas achei que não valia a pena.
Agora estou a visitar estes temas dada a ameaça de morte por lapidação da iraniana Sakineh Ashtiani a que me referi em post anterior. Além da crueldade do método continuo sem perceber o que se passa na cabeça dos apedrejadores. Perturba-me também a desresponsabilização dos executantes ao usar pedras que por si só são insuficientes para matar uma pessoa. Cada um deles alegará que não foi ele que matou a pessoa condenada embora ela tenha morrido. Nos E.U.A. existe um estado em que a pena de morte é executada por fuzilamento, com vários executores a disparar em simultâneo contra o condenado, mas em que uma das espingardas foi carregada com explosivo mas sem bala, para maior tranquilidade da consciência dos executores.
É um raciocínio míope sobre relações de causa e efeito. Em Hong-Kong estabeleceram há anos que é crime atirar garrafas ou qualquer outro objecto pesado pela janela, independentemente de este ter ou não atingido alguém.
Mas o facto de existir certamente suporte por parte da população para este tipo de actividades cruéis no Irão não desresponsabiliza os seus principais responsáveis, designadamente o seu líder supremo, aiatola Khamenei bem como os poderes executivo, judicial e legislativo. Trata-se de terrorismo de Estado, em que leis iníquas são apoiadas por penas particularmente cruéis, cuja mera existência favorece o exercício arbitrário do poder.
Mas ao contrário do João Pereira Coutinho considero que qualquer melhoramento deste estado deplorável da justiça iraniana, para ser sustentável, tem que ser obtido pela forças iranianas internas, com o apoio de campanhas externas contra estas violações grosseiras da carta de direitos humanos das Nações Unidas. Qualquer intervenção militar externa teria à partida o preço de dezenas de milhar de mortes, muito mais do que as 400 execuções anuais de agora, sem qualquer garantia da instauração posterior de um poder minimamente decente. Na realidade os E.U.A. deram a sua contribuição para esta situação em 1953, ao incitarem militares a depor o Dr. Mossaddegh e apoiando o megalómano Reza Palhevi que com a sua política desastrada criou terreno fértil para os aiatolas tomarem o poder.
Também considero que as lapidações têm o objectivo de aterrorizar os iranianos e não os estrangeiros, pelo que me parece mais provável que os protestos exteriores, como a manifestação realizada em 28/Agosto em Lisboa e em tantas outras cidades, contribuam para beneficiar os condenados do que o contrário. Embora esta última hipótese não seja completamente de excluir, como demonstração do poder dos aiatolas.
2010-08-31
2010-08-27
Algarve agradável
No Algarve ainda existem sítios agradáveis, como esta praia dos Três Irmãos em Alvor, que fotografei ao meio-dia do dia 24 de Agosto deste ano:

nesta segunda imagem o enquadramento é enganador quanto à ocupação, a praia estava longe de estar deserta, mas também não estava superlotada

e estes arcos são normalmente agradáveis à vista, ainda mais quando iluminados por reflexos ocres da falésia.
nesta segunda imagem o enquadramento é enganador quanto à ocupação, a praia estava longe de estar deserta, mas também não estava superlotada
e estes arcos são normalmente agradáveis à vista, ainda mais quando iluminados por reflexos ocres da falésia.
2010-08-23
2010-08-19
Lapidação

Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher cuja foto aqui à direita corre mundo, está em risco de ser executada por lapidação no Irão.
Tendo a honra e o privilégio de viver em Portugal, um dos primeiros países a abolir a pena de morte em todo o mundo, deploro que ela subsista ainda em tantos outros.
Neste caso há a acrescentar ao horror da pena de morte a forma da execução, por lapidação, um método particularmente cruel, em uso apenas em poucos países islâmicos.
Não percebo o que se passa na cabeça dos iranianos favoráveis à lapidação.
Existem muitas campanhas em curso para tentar salvar esta mulher, cujo processo judicial incluiu tortura, segundo muitos observadores ocidentais. Também a Al-Jazzeera coloca entre aspas a recente "confissão" apresentada pelas autoridades iranianas, por suspeitar do uso da tortura na sua obtenção.
O Tehran Times (jornal do regime), nem refere o assunto, não se obtendo entradas significativas no Google combinando "Teheran Times" com "Ashtiani".
A Amnistia Internacional mantém campanha por este caso.
Tendo a honra e o privilégio de viver em Portugal, um dos primeiros países a abolir a pena de morte em todo o mundo, deploro que ela subsista ainda em tantos outros.
Neste caso há a acrescentar ao horror da pena de morte a forma da execução, por lapidação, um método particularmente cruel, em uso apenas em poucos países islâmicos.
Não percebo o que se passa na cabeça dos iranianos favoráveis à lapidação.
Existem muitas campanhas em curso para tentar salvar esta mulher, cujo processo judicial incluiu tortura, segundo muitos observadores ocidentais. Também a Al-Jazzeera coloca entre aspas a recente "confissão" apresentada pelas autoridades iranianas, por suspeitar do uso da tortura na sua obtenção.
O Tehran Times (jornal do regime), nem refere o assunto, não se obtendo entradas significativas no Google combinando "Teheran Times" com "Ashtiani".
A Amnistia Internacional mantém campanha por este caso.
2010-08-12
A conversa
Aqui ao lado está a entrada do parlamento austríaco, edifício construído na segunda metade do século XIX, quando o monarca deixou de ser tão absoluto. Andava então o pessoal embasbacado com a arquitectura dos antigos gregos e romanos pelo que o edifício foi construído nesse estilo, enfim, também como tributo à Grécia como berço da democracia.
Na entrada do edifício construíram uma fonte entre 1893 e 1902, com a deusa Atena (da sabedoria) em cima de um pedestal, presume-se que para ajudar os políticos a não tomarem decisões excessivamente erradas.
Mas a parte da escultura da fonte que realmente me interessou foi este casal, antropomorfização (hábito tonto mas frequente) dos rios Danúbio e Inn, em que a mulher está a contar uma história que se presume extremamente interessante, conseguindo atrair a atenção do homem que tem um ar muito bonacheirão. Esta parte da escultura foi feita por Hugo Haerdtl, mas o Google não conseguiu encontrar muita coisa sobre ele, além disso a maior parte estava escrita em alemão.
2010-08-11
A Leitora
O título deste post fez-me lembrar que a língua portuguesa pode ser tão ou mais lacónica do que a inglesa. Antigamente nos aviões tinha "É favor apertar o cinto de segurança" enquando em inglês dizia apenas "Fasten seat belt". Mas entretanto ganhámos em laconismo dizendo agora apenas "Apertar cinto". Neste caso o título da escultura em inglês é "The Reading Girl".
Foi feita por Pietro Magni (1817-1877) de Milão, modelada em 1856, esculpida em 1861 e esta foto fixa um detalhe da cópia exposta na National Gallery of Art, em Washington.
Gostei do ar da leitora, a um tempo interessado e tranquilo.
Um observador menos atento pensaria que com este calor até as estátuas aligeiram um pouco as vestes.
Foi feita por Pietro Magni (1817-1877) de Milão, modelada em 1856, esculpida em 1861 e esta foto fixa um detalhe da cópia exposta na National Gallery of Art, em Washington.
Gostei do ar da leitora, a um tempo interessado e tranquilo.
Um observador menos atento pensaria que com este calor até as estátuas aligeiram um pouco as vestes.
Poseidon
No Museu Arqueológico de Atenas encontra-se este Bronze de Artemísion que fotografei sob dois pontos de vista. Em princípio isso dever-se-ia fazer com todas as estátuas, visto que não se reduzem a um plano, mas por vezes há pontos de vista mais privilegiados do que outros.
Nos museus costuma colocar-se também a questão dos enquadramentos, ou porque existem outros objectos na sala, ou porque está sempre gente a passar.
Ultimamente tenho tentado obter bons enquadramentos à partida, para evitar manipular as fotos pois é uma tarefa fácil de começar mas difícil de acabar porque os melhoramentos possíveis aparecem como as cerejas, uns atrás dos outros. Neste caso tinha alguns objectos e pessoas que achei que perturbavam a vista e fiz umas alterações simples com um programa de tratamento de imagens. Mas não tentei esconder as intervenções pois fazer passar despercebida uma alteração pode consumir imenso tempo.
Quanto à estátua propriamente dita foi datada de 460 AC, pensou-se que representava Zeus mas agora domina a opinião que se trata de Poseidon, deus dos mares, provavelmente empunhando um tridente. Parece-me perfeita.
Nos museus costuma colocar-se também a questão dos enquadramentos, ou porque existem outros objectos na sala, ou porque está sempre gente a passar.
Ultimamente tenho tentado obter bons enquadramentos à partida, para evitar manipular as fotos pois é uma tarefa fácil de começar mas difícil de acabar porque os melhoramentos possíveis aparecem como as cerejas, uns atrás dos outros. Neste caso tinha alguns objectos e pessoas que achei que perturbavam a vista e fiz umas alterações simples com um programa de tratamento de imagens. Mas não tentei esconder as intervenções pois fazer passar despercebida uma alteração pode consumir imenso tempo.
Quanto à estátua propriamente dita foi datada de 460 AC, pensou-se que representava Zeus mas agora domina a opinião que se trata de Poseidon, deus dos mares, provavelmente empunhando um tridente. Parece-me perfeita.
2010-08-10
A Afrodite de Rodes
Não sei onde arranjei esta imagem duma escultura grega belíssima, duma Afrodite com os cabelos que parecem esvoaçantes, mas tem uma imagem igual neste site. A escultura está no Museu Arqueológico de Rodes.
Não me soa bem "Vénus Agachada", tão pouco "Crouching Venus". Já "Vénus Accroupie" parece soar melhor, talvez seja de alguma ignorância minha da língua francesa.
Mas com tanto calor apetece é tirar a roupa, como fez esta Afrodite.
Não me soa bem "Vénus Agachada", tão pouco "Crouching Venus". Já "Vénus Accroupie" parece soar melhor, talvez seja de alguma ignorância minha da língua francesa.
Mas com tanto calor apetece é tirar a roupa, como fez esta Afrodite.
2010-08-08
Le massage au Hamman
Não sei se por causa do calor que tem feito em Lisboa se pelo cansaço de ver as iranianas sempre tão tapadas, apeteceu-me mostrar esta fantasia orientalista do pintor francês Edouard Debat-Ponsan (1847-1913) que pintou este quadro depois (ou durante) a visita que fez a Istambul em 1883, sobre uma massagem num banho turco, sendo facilmente reconhecíveis os padrões turcos dos mosaicos.
Esta imagem é da wikipédia, onde costumo encontrar sempre as melhores reproduções de quadros. Neste caso, como tinha há muito tempo uma imagem de pior qualidade mas um pouco mais clara, não resisti a clarear um pouco esta versão que apresento a seguir.
Esta imagem é da wikipédia, onde costumo encontrar sempre as melhores reproduções de quadros. Neste caso, como tinha há muito tempo uma imagem de pior qualidade mas um pouco mais clara, não resisti a clarear um pouco esta versão que apresento a seguir.
2010-08-07
René Magritte: L'empire des lumières
Ao ver a imagem do repuxo do último post, veio-me imediatamente à mente este quadro de Magritte. Andei à procura na net de uma imagem que me parecesse boa, é impressionante o número de variantes que existe em relação ao brilho e ao contraste de cada imagem, cheguei a fotografar um livro que tenho em casa mas não fiquei satisfeito e acabei por importar esta imagem deste blog:
Mesmo assim não resisti a alterar um pouco o factor gama e o brilho da imagem do outro blog, tornando-a ligeiramente mais escura.
É uma cena irreal mas com uma verosimilhança extraordinária.
Mesmo assim não resisti a alterar um pouco o factor gama e o brilho da imagem do outro blog, tornando-a ligeiramente mais escura.
É uma cena irreal mas com uma verosimilhança extraordinária.
2010-08-06
A ponte dos 33 arcos em Isfahan
Aqui está então a vista do lado da sombra da famosa ponte de 33 arcos de Isfahan, com uma esplanada associada à casa de chá.

Ao visitar terras diferentes às vezes parece que existe um caminho único que as sociedades têm que percorrer. Por exemplo numa visita que fiz há uns anos a uma praia doutro país encontrei uma praia que me fez lembrar a Quarteira de há uns 50 anos, uma avenida alcatroada paralela à linha da costa com umas vivendas de veraneio aqui e ali, umas ruas transversais já de terra batida com as casas mais modestas que pareciam dos pescadores e um café onde se viam só homens.
Mas depressa se descobrem sinais de que os caminhos são muito mais variados. Por exemplo neste zoom da imagem anterior sobre a esplanada

constata-se que existem muitas mulheres nas mesas, existindo mesmo mesas apenas com mulheres. Quando as mulheres em Portugal tinham que andar tão cobertas como as iranianas têm que andar agora no Irão, era-lhes vedado este tipo de interacção com os homens em locais públicos.
Na imagem a seguir, que mostra a ponte do lado solar

constata-se que é possível aos casais andarem de mão dada em locais públicos. Constata-se também que a alta tecnologia é compatível com regras rígidas de vestir, neste caso o malfadado tchador com o telemóvel, no canto inferior esquerdo. A senhora de calças e casaco claros com um lenço rosa era uma turista. Não é que não se visse uma ou outra cor mais aberta mas o comum era o preto e o cor-de-burro-escuro quando foge.
Incluo agora uma imagem com a quase totalidade da ponte, num ângulo parecido ao do cromo do post anterior mas tirado da margem esquerda
e outro zoom, realçando a diferença de conceito desta ponte em relação às ocidentais

Esta é um local de passagem mas é também um local de contemplação do rio que passa. Os nichos têm gente, proporcionam sombra quando o sol vai alto, constituindo uma espécie de “camarotes”, onde pequenos grupos podem partilhar a frescura da brisa que passou sobre a água, onde colocaram este repuxo para acentuar essa frescura.

Neste caso parece que o repuxo se transforma na nuvem
Ao visitar terras diferentes às vezes parece que existe um caminho único que as sociedades têm que percorrer. Por exemplo numa visita que fiz há uns anos a uma praia doutro país encontrei uma praia que me fez lembrar a Quarteira de há uns 50 anos, uma avenida alcatroada paralela à linha da costa com umas vivendas de veraneio aqui e ali, umas ruas transversais já de terra batida com as casas mais modestas que pareciam dos pescadores e um café onde se viam só homens.
Mas depressa se descobrem sinais de que os caminhos são muito mais variados. Por exemplo neste zoom da imagem anterior sobre a esplanada
constata-se que existem muitas mulheres nas mesas, existindo mesmo mesas apenas com mulheres. Quando as mulheres em Portugal tinham que andar tão cobertas como as iranianas têm que andar agora no Irão, era-lhes vedado este tipo de interacção com os homens em locais públicos.
Na imagem a seguir, que mostra a ponte do lado solar
constata-se que é possível aos casais andarem de mão dada em locais públicos. Constata-se também que a alta tecnologia é compatível com regras rígidas de vestir, neste caso o malfadado tchador com o telemóvel, no canto inferior esquerdo. A senhora de calças e casaco claros com um lenço rosa era uma turista. Não é que não se visse uma ou outra cor mais aberta mas o comum era o preto e o cor-de-burro-escuro quando foge.
Incluo agora uma imagem com a quase totalidade da ponte, num ângulo parecido ao do cromo do post anterior mas tirado da margem esquerda
e outro zoom, realçando a diferença de conceito desta ponte em relação às ocidentais
Esta é um local de passagem mas é também um local de contemplação do rio que passa. Os nichos têm gente, proporcionam sombra quando o sol vai alto, constituindo uma espécie de “camarotes”, onde pequenos grupos podem partilhar a frescura da brisa que passou sobre a água, onde colocaram este repuxo para acentuar essa frescura.
Neste caso parece que o repuxo se transforma na nuvem
2010-08-03
A ponte mais bela do mundo
Faz parte da natureza humana acreditar em muitas das tretas que vão aparecendo, caso contrário a propaganda e o marketing seriam muito mais difíceis.
Neste caso fui influenciado por este cromo das “Maravilhas do mundo”, colecção que fiz na juventude e a que já me tenho referido neste blogue.
Não acredito na possibilidade de estabelecer uma ordenação incontestável de um conjunto em relação qualidades não mensuráveis como a inteligência, a beleza, etc. Mas interpreto a afirmação de que se trata da ponte mais bela do mundo como significando que será uma das mais belas, que merecerá certamente uma visita. No texto do cromo diz que tem 35 metros de comprimento, o que parece pouco para guardar tanta beleza e muito pouco se considerarmos a figura e a relação entre a altura que dizem ser 9 metros e o comprimento que terá que ser muito mais.
Como vi duas pontes que se destacavam mais em Isfahan tentei no Google Ali-Verdi-Khan e isfahan, parece que agora se escreve “Allah-Verdi Khan” e o nome da ponte é “Si-o-se Pol” que quer dizer literalmente “ponte 33” ou menos abreviadamente “ponte dos 33 arcos”. Allah-Verdi Khan era o ministro do Xá Abbas I que a mandou construir, tendo sido concluída em 1602. Ainda na wikipédia diz que tem 297,76 m de comprimento mas não dizem qual a altura. A pessoa que escreveu o texto do cromo ouviu 33 arcos e escreveu 35 metros.
No texto tem ainda o disparate de dizer que liga duas cidades, quando liga apenas duas margens do rio Zayandeh que passa por Isfahan. Não sei se a altura será 9 m, mas o valor não parece disparatado.
Distraí-me também com os algarismos escritos à mão pelo meu pai, que manifestava interesse em que nós fizéssemos estas colecções e acho graça ao “7”, feito com uma esferográfica mas com um movimento treinado com caneta de aparo, em que se tentava evitar quer ângulos muito agudos quer levantar o bico do papel.
Confirmei no Google Earth que a ponte tem cerca de 300 m de comprido, o que é fácil de fazer como se vê na imagem a seguir.
A propósito de alguma falta de cuidado destes textos dos cromos lembro-me de uma notícia destacada num jornal de grande circulação (julgo que foi o Diário de Notícias), a propósito de um cromo da colecção “Conquista do Espaço” onde diziam que os discos voadores existiam mesmo, mostrando a imagem de um que diziam ser fabricado no Canadá. Como a Agência Portuguesa de Revistas chamava “Colecção Cultura” a estas colecções de cromos o jornal interrogava-se: quem nos protege desta cultura? Lembro-me que foi uma experiência significativa para mim, constatar que nem tudo o que estava escrito estava necessariamente correcto
Reproduzo a seguir o cromo do disco voador
e por descargo de consciência e alguma curiosidade fui ver o que era isto do efeito “Coanda”. Ao fazer o google de “Coanda” apareceu-me logo o “Coanda effect”. O engenheiro não era bem francês mas sim romeno tendo vivido em França. Como se chamava Henri Coanda a confusão parece menor. No artigo da wikipedia diz que descobriu este efeito em 1930, o que está bem próximo de 1933. Na realidade fabricaram-se dois protótipos no construtor Avro Canada, com destino aos Estados Unidos, mas foram um grande flop e não tiveram sequência. Teriam sido aviões “VTOL” (Vertical Take-Off and Landing).
Reproduzo aqui uma imagem da wikipédia mostrando o Avrocar
Quando li a crítica demolidora no jornal à falta de cultura da colecção fiquei a pensar que por vezes os textos das colecções eram umas grandes tretas. Ao fim de dezenas de anos constato que embora muitos dos textos dos cromos contenham erros e inexactidões, este cromo do disco voador tinha um fundo de verdade.
Para finalizar deixo aqui um filminho dum disco voador de brinquedo, as fotos da ponte ficam para o post seguinte.
Neste caso fui influenciado por este cromo das “Maravilhas do mundo”, colecção que fiz na juventude e a que já me tenho referido neste blogue.
Não acredito na possibilidade de estabelecer uma ordenação incontestável de um conjunto em relação qualidades não mensuráveis como a inteligência, a beleza, etc. Mas interpreto a afirmação de que se trata da ponte mais bela do mundo como significando que será uma das mais belas, que merecerá certamente uma visita. No texto do cromo diz que tem 35 metros de comprimento, o que parece pouco para guardar tanta beleza e muito pouco se considerarmos a figura e a relação entre a altura que dizem ser 9 metros e o comprimento que terá que ser muito mais.
Como vi duas pontes que se destacavam mais em Isfahan tentei no Google Ali-Verdi-Khan e isfahan, parece que agora se escreve “Allah-Verdi Khan” e o nome da ponte é “Si-o-se Pol” que quer dizer literalmente “ponte 33” ou menos abreviadamente “ponte dos 33 arcos”. Allah-Verdi Khan era o ministro do Xá Abbas I que a mandou construir, tendo sido concluída em 1602. Ainda na wikipédia diz que tem 297,76 m de comprimento mas não dizem qual a altura. A pessoa que escreveu o texto do cromo ouviu 33 arcos e escreveu 35 metros.
No texto tem ainda o disparate de dizer que liga duas cidades, quando liga apenas duas margens do rio Zayandeh que passa por Isfahan. Não sei se a altura será 9 m, mas o valor não parece disparatado.
Confirmei no Google Earth que a ponte tem cerca de 300 m de comprido, o que é fácil de fazer como se vê na imagem a seguir.
A propósito de alguma falta de cuidado destes textos dos cromos lembro-me de uma notícia destacada num jornal de grande circulação (julgo que foi o Diário de Notícias), a propósito de um cromo da colecção “Conquista do Espaço” onde diziam que os discos voadores existiam mesmo, mostrando a imagem de um que diziam ser fabricado no Canadá. Como a Agência Portuguesa de Revistas chamava “Colecção Cultura” a estas colecções de cromos o jornal interrogava-se: quem nos protege desta cultura? Lembro-me que foi uma experiência significativa para mim, constatar que nem tudo o que estava escrito estava necessariamente correcto
Reproduzo a seguir o cromo do disco voador
e por descargo de consciência e alguma curiosidade fui ver o que era isto do efeito “Coanda”. Ao fazer o google de “Coanda” apareceu-me logo o “Coanda effect”. O engenheiro não era bem francês mas sim romeno tendo vivido em França. Como se chamava Henri Coanda a confusão parece menor. No artigo da wikipedia diz que descobriu este efeito em 1930, o que está bem próximo de 1933. Na realidade fabricaram-se dois protótipos no construtor Avro Canada, com destino aos Estados Unidos, mas foram um grande flop e não tiveram sequência. Teriam sido aviões “VTOL” (Vertical Take-Off and Landing).
Reproduzo aqui uma imagem da wikipédia mostrando o Avrocar
Quando li a crítica demolidora no jornal à falta de cultura da colecção fiquei a pensar que por vezes os textos das colecções eram umas grandes tretas. Ao fim de dezenas de anos constato que embora muitos dos textos dos cromos contenham erros e inexactidões, este cromo do disco voador tinha um fundo de verdade.
Para finalizar deixo aqui um filminho dum disco voador de brinquedo, as fotos da ponte ficam para o post seguinte.
2010-07-31
Ainda a ponte de Khaju
Era sexta-feira, dia de descanso no Irão, havendo muito mais gente na ponte do que nos dias de trabalho. Havia algum caudal, como é patente na foto, mas o leito era pouco profundo. Nota-se que havia grupos de homens e de mulheres mas também vários casais.

Certamente que havia um sistema de açudes como em Coimbra para criar este "lago" com alguma largura a jusante da ponte. As margens estão muito bem ajardinadas e todo o ambiente, água e jardins, está num estado de limpeza notável.
Certamente que havia um sistema de açudes como em Coimbra para criar este "lago" com alguma largura a jusante da ponte. As margens estão muito bem ajardinadas e todo o ambiente, água e jardins, está num estado de limpeza notável.
2010-07-30
As pontes de Isfahan
O Irão situa-se na maior parte num planalto a uma altitude de 1200m. Com uma superfície enorme de 1.600.000 km2 (mais de 17 vezes maior que Portugal) tem 70 milhões de habitantes (apenas 7 vezes mais do que os Portugueses).
Cai pouca chuva na maior parte do território, com as excepções de uma faixa no Norte e outra no Oeste. As montanhas altas existentes, que chegam a ultrapassar os 5000m de altitude, criam condições favoráveis a alguma chuva e neve que se infiltra no solo criando lençóis freáticos nos sopés da montanhas, onde se estabelecem as aldeias, as vilas e as cidades, presumo que dependendo da abundância da água.
Os rios são raros, assumindo a forma do nosso “Basófias”, o Mondego, assim chamado pelo seu enorme leito de cheia por onde muitas vezes corre apenas um fiozinho de água.
Na cidade de Isfahan passa o rio Zayandeh, cujo nome significa “fonte da vida”, o maior rio do planalto central do Irão, nascendo nos montes Zagros e desaguando no deserto Kavir.
O caudal anual médio deste rio é 38 m3/s (metros cúbicos por segundo). Em comparação, o rio Mondego tem um caudal anual médio de 108 m3/s enquanto o Douro tem 714 m3/s.
A água é portanto aqui um líquido muito mais precioso do que em muitas outras partes do mundo e as pontes de Isfahan não são apenas um local de passagem de uma margem para a outra mas também um local de lazer, de frescura e de contemplação da fonte da vida.
Esta foi a minha primeira vista da ponte Khaju, construída por volta de 1650, no seu lado ensolarado

e esta é uma vista da mesma ponte do seu lado à sombra, não deixando dúvidas sobre as preferências dos iranianos entre o sol e a sombra

enquanto por baixo dos arcos da ponte existem plataformas onde colocam os tapetes persas para fazer piqueniques,

num local de ainda maior frescura onde se ouve o ruído tranquilizador da água que corre em abundância.
Cai pouca chuva na maior parte do território, com as excepções de uma faixa no Norte e outra no Oeste. As montanhas altas existentes, que chegam a ultrapassar os 5000m de altitude, criam condições favoráveis a alguma chuva e neve que se infiltra no solo criando lençóis freáticos nos sopés da montanhas, onde se estabelecem as aldeias, as vilas e as cidades, presumo que dependendo da abundância da água.
Os rios são raros, assumindo a forma do nosso “Basófias”, o Mondego, assim chamado pelo seu enorme leito de cheia por onde muitas vezes corre apenas um fiozinho de água.
Na cidade de Isfahan passa o rio Zayandeh, cujo nome significa “fonte da vida”, o maior rio do planalto central do Irão, nascendo nos montes Zagros e desaguando no deserto Kavir.
O caudal anual médio deste rio é 38 m3/s (metros cúbicos por segundo). Em comparação, o rio Mondego tem um caudal anual médio de 108 m3/s enquanto o Douro tem 714 m3/s.
A água é portanto aqui um líquido muito mais precioso do que em muitas outras partes do mundo e as pontes de Isfahan não são apenas um local de passagem de uma margem para a outra mas também um local de lazer, de frescura e de contemplação da fonte da vida.
Esta foi a minha primeira vista da ponte Khaju, construída por volta de 1650, no seu lado ensolarado
e esta é uma vista da mesma ponte do seu lado à sombra, não deixando dúvidas sobre as preferências dos iranianos entre o sol e a sombra
enquanto por baixo dos arcos da ponte existem plataformas onde colocam os tapetes persas para fazer piqueniques,
num local de ainda maior frescura onde se ouve o ruído tranquilizador da água que corre em abundância.
2010-07-29
Arrefecendo o ar
Na actualidade as torres devem ser caras e pouco eficientes, face aos modernos aparelhos de ar condicionado.
É o que nos mostra a imagem aqui ao lado, um enquadramento ligeiramente diferente da imagem do post anterior onde além das torres que captam o vento se constata a presença de um “Arrefecedor evaporativo” marcado a verde, em conjunto com a conduta de ar que lhe está associada, também rodeada por um rectângulo verde e a parte exterior de um aparelho de Ar condicionado “split”, isto é com o permutador de calor exterior (envolto em círculo vermelho) ligado ao permutador de calor interior através de um tubo isolado de cor preta, também assinalado com uma elipse vermelha.
Estas duas fotos a seguir
mostram dois aparelhos novinhos em folha, na esquerda chamam-lhe “Desert Cooler”, na direita constata-se que a eficiência energética do aparelho é fraca pois está no fundo da tabela, correspondendo à letra G. Estes aparelhos muito simples constam de um ventilador que faz passar o ar por um sítio onde se evapora água, sendo mais eficientes em climas secos, onde é fácil obter a evaporação. Têm a vantagem de ser simples e de gastarem pouca energia, têm o defeito de gastarem água, de enferrujarem com facilidade e de se inserirem mal na arquitectura pois precisam de estar ligados a um tubo de ventilação enorme. Vi estes aparelhos também no Rajastan, no norte da Índia, uma zona também de clima muito seco. Muitas vezes os aparelhos obstruíam completamente o que tinha sido uma janela.
Achei curioso que no meio de coisas tão diferentes houvesse esta uniformidade de classificação de eficiência energética. É um conceito novo que nasceu na era da globalização, sendo o grafismo global desde o início, quer em electrodomésticos vendidos em Portugal quer no Irão! Na Wikipédia tem esta entrada sobre estes aparelhos.
Na imagem seguinte mostro as coberturas de alguns prédios de Teerão, onde se constata a prevalência destes aparelhos, vendo-se apenas uma torre de arrefecimento dum aparelho de ar condicionado moderno no topo dum edifício próximo do canto superior direito da imagem. Vêm-se também algumas condutas à “espera” de arrefecedor, os aparelhos devem estar a arranjar.
Mas muito pior do que as nossas marquises é este prédio em Teerão em que juntam a heterogeneidade dos alumínios à corrupção ainda mais drástica da fachada.
2010-07-28
Captadores de vento
Uma das coisas que eu tinha curiosidade de ver ao vivo no Irão eram as torres para captar o vento (badgirs), referidas em muitos artigos sobre arquitectura bem adaptada ao clima, como estas que vi em Yazd, uma cidade no deserto, como a maioria das cidades no Irão, país que me pareceu ser um arquipélago de oásis.

No Ocidente, no terceiro quartel do século XX, a abundância de energia eléctrica muito barata, levou os arquitectos a ignorar os elementos do projecto dos edifícios que asseguravam conforto térmico sem grande gasto de energia, adoptando as fachadas de vidro que, concretizando o sonho de deixar passar o máximo de luz possível, como se tentou tanto nas paredes das catedrais do norte da Europa, eram muito gastadoras de energia neste Portugal cheio de sol.
Estas torres cujo funcionamento está descrito aqui em inglês e ali em espanhol, fazem passar o ar por uma superfície com água, para refrescar o interior das casas durante os Verões em que ocorrem sempre temperaturas muito elevadas. Em Yazd, por exemplo, estão agora temperaturas parecidas às de Lisboa, com máximas nos 34-35ºC e mínimas nos 20ºC.
Mas enquanto nós destruímos o efeito refrescante das varandas, que no Verão criavam sombra nas janelas e paredes, para colocar as marquises que fazem efeito de estufa, tornando as casas muito mais quentes, os iranianos do centro de Yazd parecem melhor preparados para afrontar estes calores, mantendo ainda algumas torres para captar o vento no centro histórico da cidade.

Finalizo com a vista por baixo de uma destas torres, num hotel de charme construído a partir de uma adaptação de uma casa antiga.
No Ocidente, no terceiro quartel do século XX, a abundância de energia eléctrica muito barata, levou os arquitectos a ignorar os elementos do projecto dos edifícios que asseguravam conforto térmico sem grande gasto de energia, adoptando as fachadas de vidro que, concretizando o sonho de deixar passar o máximo de luz possível, como se tentou tanto nas paredes das catedrais do norte da Europa, eram muito gastadoras de energia neste Portugal cheio de sol.
Estas torres cujo funcionamento está descrito aqui em inglês e ali em espanhol, fazem passar o ar por uma superfície com água, para refrescar o interior das casas durante os Verões em que ocorrem sempre temperaturas muito elevadas. Em Yazd, por exemplo, estão agora temperaturas parecidas às de Lisboa, com máximas nos 34-35ºC e mínimas nos 20ºC.
Mas enquanto nós destruímos o efeito refrescante das varandas, que no Verão criavam sombra nas janelas e paredes, para colocar as marquises que fazem efeito de estufa, tornando as casas muito mais quentes, os iranianos do centro de Yazd parecem melhor preparados para afrontar estes calores, mantendo ainda algumas torres para captar o vento no centro histórico da cidade.
Finalizo com a vista por baixo de uma destas torres, num hotel de charme construído a partir de uma adaptação de uma casa antiga.
2010-07-26
2010-07-23
Imagens de texto com texto
Neste blogue as imagens são contextualizadas com os textos que as acompanham. Neste post além de terem um contexto são mesmo feitas de texto.
Num destes dias apareceu-me um e-mail daquelas cadeias em que as pessoas reenviam anedotas, fotografias, filmes, etc. Nesse e-mail dizia que o art. 1º do Dec.-Lei 35/2010 de 15 de Abril começa com este texto notável (a menos de duas vírgulas que tomei a liberdade de inserir):
«
Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381 -A/85, de 28 de Setembro, e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88, de 17 de Março, 321 -B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos -Leis n.os 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos-Leis n.os 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril, e 53 -A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis n.os 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção:
»
O e-mail concluía dizendo que isto esclarecia porque que é que tantos funcionários públicos correm para a aposentação.
Com a minha tendência para Pangloss, acreditando que vivemos no melhor dos mundos possíveis, indaguei junto de especialistas da razão de aparecer um texto legislativo de tão difícil apreensão, quando o comum dos mortais gostaria que as leis fossem claras.
Explicaram-me que a razão para frase tão comprida se deve a que ela descreve de forma rigorosa e completa a evolução ao longo de quase 40 anos do Código do Processo Civil, possibilitando aos interessados o acesso não só à versão corrente, que é explicitada a seguir a este texto, como também reconstruir, se bem que com algum trabalho, as várias versões pelas quais passou o Código do Processo Civil.
Lembrei-me de importar o texto para uma folha MS Excel considerando as vírgulas como separadores, ficando com uma primeira linha onde estão todos os itens que estavam separados por vírgulas, cada um na sua célula.
Fazendo um copy-seguido de paste special em A2 com a opção transpose ficam visíveis na primeira coluna todos esses itens. Mais algumas manipulações que dão pouco trabalho (que poderei descrever se solicitado) e as datas vão para a frente dos documentos, conforme mostra a imagem de texto:
Não resisto a manifestar o meu embasbacamento perante este conceito de folha de cálculo, tão bem implementado no Microsoft Excel, que tanto serve para fazer contas como para desenhar mosaicos persas ou como aqui para tornar mais inteligíveis textos corridos, transformando-os em tabelas.
Esta tabela de duas colunas tem uma legibilidade muito maior do que o texto referido.
Às vezes penso que a legislação, aliás como os acórdãos dos tribunais, vem de uma tradição de oralidade em que o texto não reproduz mais do que a fala de uma pessoa.
Os engenheiros gostam mais de apresentar a informação em tabelas, gráficos e mesmo power-points.
Parece-me útil que a legislação contenha texto que documente a sua evolução ao longo do tempo, mas parece-me que seria preferível que o próprio D.R. apresentasse este tipo de textos numa nota de rodapé, como uma tabela em anexo, ou mesmo na forma de “tabela de versões”, em vez de o apresentar no corpo principal.
Googlando “Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil” fui levado aqui:
e depois aqui:
onde constatei a existência de ferramentas facilmente acessíveis que são essenciais. Não só as alterações são facilmente legíveis como o site disponibiliza as sucessivas versões do Código em questão.
Este post fez-me ainda passar pelo Simplegis, um Programa de Simplificação Legislativa, que endereça temas mais sérios e muito mais complicados do que este fait-divers.
Num destes dias apareceu-me um e-mail daquelas cadeias em que as pessoas reenviam anedotas, fotografias, filmes, etc. Nesse e-mail dizia que o art. 1º do Dec.-Lei 35/2010 de 15 de Abril começa com este texto notável (a menos de duas vírgulas que tomei a liberdade de inserir):
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Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381 -A/85, de 28 de Setembro, e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88, de 17 de Março, 321 -B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos -Leis n.os 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos-Leis n.os 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril, e 53 -A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis n.os 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção:
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O e-mail concluía dizendo que isto esclarecia porque que é que tantos funcionários públicos correm para a aposentação.
Com a minha tendência para Pangloss, acreditando que vivemos no melhor dos mundos possíveis, indaguei junto de especialistas da razão de aparecer um texto legislativo de tão difícil apreensão, quando o comum dos mortais gostaria que as leis fossem claras.
Explicaram-me que a razão para frase tão comprida se deve a que ela descreve de forma rigorosa e completa a evolução ao longo de quase 40 anos do Código do Processo Civil, possibilitando aos interessados o acesso não só à versão corrente, que é explicitada a seguir a este texto, como também reconstruir, se bem que com algum trabalho, as várias versões pelas quais passou o Código do Processo Civil.
Lembrei-me de importar o texto para uma folha MS Excel considerando as vírgulas como separadores, ficando com uma primeira linha onde estão todos os itens que estavam separados por vírgulas, cada um na sua célula.Fazendo um copy-seguido de paste special em A2 com a opção transpose ficam visíveis na primeira coluna todos esses itens. Mais algumas manipulações que dão pouco trabalho (que poderei descrever se solicitado) e as datas vão para a frente dos documentos, conforme mostra a imagem de texto:
Não resisto a manifestar o meu embasbacamento perante este conceito de folha de cálculo, tão bem implementado no Microsoft Excel, que tanto serve para fazer contas como para desenhar mosaicos persas ou como aqui para tornar mais inteligíveis textos corridos, transformando-os em tabelas.
Esta tabela de duas colunas tem uma legibilidade muito maior do que o texto referido.
Às vezes penso que a legislação, aliás como os acórdãos dos tribunais, vem de uma tradição de oralidade em que o texto não reproduz mais do que a fala de uma pessoa.
Os engenheiros gostam mais de apresentar a informação em tabelas, gráficos e mesmo power-points.
Parece-me útil que a legislação contenha texto que documente a sua evolução ao longo do tempo, mas parece-me que seria preferível que o próprio D.R. apresentasse este tipo de textos numa nota de rodapé, como uma tabela em anexo, ou mesmo na forma de “tabela de versões”, em vez de o apresentar no corpo principal.
Googlando “Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil” fui levado aqui:
e depois aqui:
onde constatei a existência de ferramentas facilmente acessíveis que são essenciais. Não só as alterações são facilmente legíveis como o site disponibiliza as sucessivas versões do Código em questão.
Este post fez-me ainda passar pelo Simplegis, um Programa de Simplificação Legislativa, que endereça temas mais sérios e muito mais complicados do que este fait-divers.
2010-07-20
2010-07-17
A nitidez de Madrid
Talvez por ser míope e só conseguir ver as coisas ao longe nítidas usando óculos, aprecio muito a nitidez. Os dias de ar transparentes e céu azul deixam-me particularmente bem disposto. Foi por isso com alegria que tirei esta foto em Madrid, numa transversal à Alcalá, num dia de sol radioso embora excessivamente quente.
Depois tirei uma foto mais genérica à rua. Já em casa interroguei-me o que seria esta COAM, chegando pelo Google à conclusão que se trata do Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid, na Calle del Barquillo, o que me pareceu bastante apropriado, dada a beleza dos prédios circundantes.
As esquadrias de cor diferente à volta das janelas são usadas em muitos prédios, quer de Portugal quer de Espanha. Eu quase que não poderia deixar de gostar destes contrastes fortes, pois acentuam a nitidez da imagem. Gostei mesmo de ver este prédio:
Depois tirei uma foto mais genérica à rua. Já em casa interroguei-me o que seria esta COAM, chegando pelo Google à conclusão que se trata do Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid, na Calle del Barquillo, o que me pareceu bastante apropriado, dada a beleza dos prédios circundantes.
As esquadrias de cor diferente à volta das janelas são usadas em muitos prédios, quer de Portugal quer de Espanha. Eu quase que não poderia deixar de gostar destes contrastes fortes, pois acentuam a nitidez da imagem. Gostei mesmo de ver este prédio:
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