2019-05-28

Caligrafia Kufic


Já não sei há quanto tempo descobri que algumas construções geométricas existentes em mesquitas, que eu tomara por elementos decorativos, eram afinal caracteres da caligrafia Kufic, uma escrita muito antiga com as variantes geométricas de pendor decorativo.

Googlando (Allah in Kufic) apareceu-me logo esta imagem


Desconhecendo a escrita árabe recorri à Wikipédia procurando o nome de Allah (em inglês é mais rápido) e escrevi este post onde aparece a figura seguinte


 em que refiro também este medalhão na Hagia Sofia em Istambul


Da comparação das 3 imagens anteriores concluí que na cúpula desta mesquita em Yazd, no Irão estava o nome de Alá


bem como na mesquita de Lisboa ao pé da Praça de Espanha que fotografei em Maio/2017 de dentro do carro


e de que mostro o detalhe do prisma quadrangular no tecto da mesquita referida


Adenda: um colega amigo perguntou-me onde é que eu tinha tomado conhecimento da existência da caligrafia Kufic. Fiz então uma pequena investigação que tentara evitar com a frase de abertura deste post: "Já não sei há quanto tempo descobri..."

Julgo que vi pela primeira vez a referência à caligrafia "kufi" num artigo de Jay Bonner intitulado "Three Traditions of Self-Similarity in Fourteenth and Fifteenth Century Islamic Geometric Ornament" que referi neste meu post sobre Escher.

Provavelmente googlei (kufi) e apareceu-me este artigo sobre "Caligrafia Kufi Quadrada" que referi neste post com um índice dos posts que fiz sobre o Irão.




O termo "Caligrafia Kufi Quadrada" teria sido um título mais adequado para este post pois a caligrafia Kufi abrange um conjunto mais vasto do que o que trato aqui mas opto por manter o título inalterado.


2019-05-15

Imagem gigante de Gueixa


No passado dia 7 de Abril almocei ao pé desta imagem gigante do que julgo representar uma gueixa, no restaurante de comida japonesa Arigato, no Parque das Nações.

A escala da imagem é dada pela mesa, na base da foto.

Com este grau de detalhe do motivo talvez aprenda a desenhar gueixas num futuro mais ou menos distante.




2019-05-11

Chuvinhas de Maio


Bastaram umas chuvinhas nestes dias de Maio para que a vegetação dos canteiros da Rua Cidade de Bolama no bairro dos Olivais desabrochasse num mar de verde como se pode ver aqui




de onde destaquei o que me parece ser uma Agave





Isto não são campos mas são verdes como eles, fez-me lembrar a canção do Zeca Afonso "Verdes são os Campos":





2019-05-09

Os Números como Figuras de Retórica


A maioria dos comunicadores de Portugal não gosta de números, gosta mais de truísmos como "as pessoas não são números" e outras frases parecidas, que servem como barreira a qualquer discussão baseada em factos que apresentem características que faz sentido quantificar.

Uma consequência é que qualquer número que apareça num jornal no meio de uma notícia tem que ser verificado, pois a probabilidade de ser incorrecto é muito elevada.

No caso da recente análise da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República) ao custo da recuperação integral do tempo de serviço o jornal Expresso noticiou na sua edição online de 8/Maio/2019, que segundo cálculos da UTAO, o impacto da recuperação referida seria um terço inferior ao valor apresentado pelo ministro Centeno conforme se constata na figura



onde se refere que seria "30% abaixo".

Entretanto esta manhã, no Expresso Cuto que recebo por e-mail, na versão das 8:41
referia que "a contagem integral do tempo dos professores custa menos de um terço do que o anunciado por Mário Centeno":




Bem sei que provavelmemnte foi involuntariamente acrescentado um "de", tendo ficado "custa menos de um terço" (portanto menos de 33%) onde deveria estar "custa menos um terço" (portanto 67%) mas é aborrecido tropeçar nestes enganos.

Antes de 1988 os funcionários públicos estavam isentos do pagamento do imposto profissional porque se considerava que não fazia sentido o Estado estar por um lado a pagar o salário e no mesmo instante a reter o imposto. Porém, com a introdução do IRS em 1988 e consequente extinção do imposto profissional e de outros impostos "cedulares" então existentes considerou-se na altura que seria melhor tratar fiscalmente os funcionários públicos da mesma forma que os outros trabalhadores por conta de outrem, como me parece ser o caso nos países da OCDE. Mesmo assim as comparações dos vencimentos dos funcionários públicos com os dos outros trabalhadores por conta doutrem são muitas vezes mal feitas por ignorarem que a média das qualificações dos funcionários públicos é maior do que a média dos outros trabalhadores.

Não tive acesso aos pressupostos das contas da UTAO que não foram divulgados  à população em geral mas o que tenho ouvido suscita-me as maiores reservas sobre a validade desses cálculos e a oportunidade da divulgação dos mesmos da forma parcial como foi feita, sem referência aos seus numerosos pressupostos. 

Parece-me que a divulgação como foi feita se destina a fornecer  munições retóricas contra o governo, em vez de contribuir para uma discussão serena (na medida do possível...) deste assunto.



2019-05-07

Os papéis dos géneros aureolados


No último domingo de Páscoa, no passado dia 21/Abril, assisti a vários baptizados numa missa na igreja do Campo Grande.

Nos dois nichos laterais da nave principal dessa igreja existem fundos brancos criados por painéis com alguma transparência dando origem em cada nicho a uma zona iluminada por janela de forma redonda situada por trás de cada nicho e dando para a rua.

Colocadas em frente dessa dessa zona iluminada estão figuras de Nossa Senhora e de S. José cuja cabeça está convenientemente colocada em frente do centro do halo ou auréola existente no fundo branco de cada um dos nichos, como se pode ver nas imagens seguintes


Estava a achar este aproveitamento das janelas redondas muito interessante quando finalmente reparei no aggiornamento das representações dos papéis femininos e masculinos:



Neste caso a mulher, representada pela Nossa Senhora de Fátima está literalmente nas nuvens, concentrada em oração, enquanto o homem representado aqui por S. José (com algumas ferramentas de carpinteiro) se ocupa do "Baby Sitting" do Menino Jesus.

Que diferença nesta representação da Sagrada Família em relação aos milhares de representações da Madona com o Menino Jesus de outros tempos!



2019-05-02

A Malva cheirosa revisitada


No início de Setembro de 2018 fotografei no Algarve uma planta que me disseram ser a Malva cheirosa e que referi neste post.

No passado fim-de-semana passei pelo mesmo canteiro e colhi uma folha que me desapontou pois não tinha o cheiro tão agradável que eu encontrara no passado mês de Setembro.

Volto a mostrar as folhas de que falo



A experiência tem-me mostrado que as plantas são muito mais promíscuas do que a sua fixação com raízes a um local fixo levaria a supor. O pólen viaja grandes distâncias com a ajuda do vento e de animais polinizadores, dando origem a misturas que não ocorrem nos animais, dificultando a identificação das espécies.

Quem segue mesmo vagamente o tema constata a dificuldade da classificação das espécies botânicas e as muito frequentes reclassificações de plantas desde que se tem acesso ao ADN respectivo.

Googlando (Malva sylvestris e Pelargonium graveolens) passei em diagonal por este sítio onde se confirma a complexidade da botânica.

Googlando (harvesting Pelargonium graveolens) fui dar aqui onde dizem que na ilha da Reunião plantam em Fevereiro e fazem a colheita em Maio e Junho mas isso é numa latitude tropical, semelhante à de Madagascar, não é no Algarve.

No mesmo artigo dizem "... rose-scented geranium produce maximum leaf growth with high oil content under warm, sunny condition and oil content normally increases from the onset of flowering and reduces after full blooming...", o que faz sentido. O cheiro das folhas aumenta com o desabrochar das flores para atrair os insectos, diminuindo a seguir.

Mas é curioso que existam plantas onde os cheiros, presumo que para atrair polinizadores, seja produzido numa parte da planta diferente da flor

Na próxima visita, com tempo mais quente, irei verificar se as folhas voltaram a produzir perfume.