2018-09-17

Joana Marques Vidal


Agora que se intensifica a pressão da direita para a recondução da Joana Marques Vidal, fui formando uma opinião que coincide praticamente com a do Daniel Oliveira, designadamente quando refere a fragilização de futuros procuradores que terão a tentação de agradar ao poder político para obterem um segundo mandato.

Acho curiosa a alegação de que finalmente se dá luta contra os poderosos, lembro-me que antes desta procuradora atacaram a Leonor Beleza, num processo aliás vergonhoso, a propósito da aquisição de sangue contaminado, o Oliveira e Costa a propósito do BPN, Jardim Gonçalves e administradores do Banco Comercial Português sem grandes resultados, prenderam Costa Freire, um secretário de Estado da Saúde, Isaltino Morais como autarca de Oeiras, acusaram Carlos Melancia e outros no caso dos faxes de Macau, Pinto da Costa e Valentim Loureiro na operação Apito Dourado, lançaram suspeitas sobre dirigentes do PS no caso Casa Pia e outros que sei que existiram mas que não me ocorrem imediatamente.

Parece-me que a referência à luta contra os poderosos não passa de um eufemismo para a prisão preventiva do Sócrates, sobre cuja actuação tenho agora grandes suspeitas, continuando contudo a considerar iníqua a sua prisão preventiva e pouco recomendável a condução do processo até à produção final da acusação.

Dá-se o caso de constituirem como arguidos agora Ricardo Salgado e outros do BES e administradores da Portugal Telecom. O descalabro do BES e da PT, pela sua dimensão, requeririam sempre um inquérito, procuradores anteriores também constituiram arguidos administradores de bancos. Processos contra Benfica e Sporting sucederam-se a processos contra Porto e Boavista.

Quanto à pena de prisão efectiva para Duarte Lima não consigo deixar de pensar que os processos que corriam contra ele ficaram mais céleres quando apareceram fortes indícios de ser responsável pelo assassínio duma mulher no Brasil.

E a actual procuradora não conseguiu por termo às violações sistemáticas do segredo de justiça alegando mesmo que as penalidades existentes na lei para esse tipo de crime não impunham prioridade ao seu tratamento.

Veremos como terminam os processos em curso. É natural que os poderosos se consigam defender melhor do que os que estão longe de qualquer poder mas ainda não se viram os resultados finais de muitos processos importantes iniciados por vários procuradores durande o mandato da actual procuradora.

Parafraseando o jornal "El Pais", sobre a extensão da duração dos julgamentos por medidas dilatórias, "em Portugal cá se fazem cá se pagam, desde que se goze de boa saúde... "


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