2015-04-05

Stabat mater dolorosa


Há uns dias falaram-me de uma técnica simples de datação de pinturas em que aparece a cruz de Cristo e a Nossa Senhora.

No Concílio de Trento (1545 a 1563) determinaram que a partir daí a Nossa Senhora ao pé da Cruz devia mostrar a sua fortaleza, aguentando toda aquela dor em posição firme, de pé. Assim, obras em que ela apareça desfalecida, como na de Rogier van der Weyden (1400-1464) que mostro a seguir



só podem ser anteriores ao referido Concílio.

O Museu do Prado, onde em tempos vi o original da Deposição da Cruz de Rogier van der Weyden,  disponibiliza no seu site algumas das suas obras em reprodução de alta definição. Esta, com 10 Mbytes, está disponível aqui com uma riqueza de detalhes verdadeiramente espantosa.

Para verificar este aspecto do concílio de Trento “googlei” (representação da nossa senhora depois do concílio de Trento) e apareceram-me logo muitos artigos sobre o tema. Agora que penso nisso, atendendo às tendências iconoclastas de alguns movimentos protestantes, parece-me espectável que o Concílio se tenha pronunciado sobre estes temas, querendo nas obras futuras controlar em vez de suprimir. Por exemplo neste artigo de Vítor Serrão intitulado "Impactos do Concílio de Trento na arte portuguesa entre o Maneirismo e o Barroco (1563-1750) " consta:

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7. De novo a querela das imagens: iconoclastas versus iconófilos
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Conhecem -se numerosas pinturas mandadas repintar, na segunda metade do século XVI e ao longo do XVII, por não corresponderem aos novos cânones decorosos impostos por Trento – caso das Virgens desmaiadas nos Calvários góticos e renascentistas, substituídas pelo ideal da Stabat Mater (a Virgem -Mãe de Deus de pé, controlando a dor), como sucedeu numa tábua manuelina do retábulo -mor da Sé do Funchal, ou no Calvário da igreja de Jesus de Setúbal, ou que foram mesmo mandadas destruir sem remissão por parte dos visitadores.
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Tentei o google tradutor para a expressão em latim “Stabat Mater” sem sucesso mas o Google deu-me este site com a tradução em Português de um cântico com o título “Stabat Mater” onde se constata

1 Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa dum pendebat Filius
   Em pé, a Mãe dolorosa, chorando junto à cruz da qual pendia seu Filho.

que “Stabat” quer dizer precisamente “em pé”.

Na wikipédia diz que “Stabat Mater” se trata de um hino católico do século XIII, para o qual vários autores fizeram composições  musicais, entre eles Pergolesi em 1736.

Para finalizar deixo um youtube com uma das muitas interpretações da peça.




1 comentário:

Vítor Santos Lindegaard disse...

O latim não é a minha especialidade, devo dizer, mas stabat é o imperfeito de sto [stare], ou seja, a forma que corresponde diretamente ao nosso estava. Agora, o sto latino é como o stand inglês, não é estar, é estar de pé: "Estava [de pé] a mãe ..."