2013-09-01

“Rating” de pintores de alguns países do “Ocidente”



No último post deste blogue, em que mostrava uma obra dum pintor alemão, coloquei a frase “Os pintores alemães estão na sua maioria no clube dos pouco famosos”. O contexto falava da tendência que os seres humanos têm para seguir a opinião dominante o que dá origem a um apreço excessivo pelos autores mais famosos bem como uma valorização insuficiente dos que ficaram aquém do limiar em que a fama se auto-alimenta.

A Helena alegou que isto seria uma questão de perspectiva, que em Berlim não seriam da mesma opinião e, dado que a minha frase acima referida provinha de uma impressão pessoal e tendo eu vivido sempre em Portugal seja natural que esteja mais exposto às influências culturais estrangeiras dominantes por cá, fiz uma pequena investigação adicional.

Fui ao Google e coloquei entre aspas “french painter”, “german painter”, etc, tomando nota dos milhares de resultados que cada um dos termos de busca obtinha

Depois pensei que haveria aqui um “bias” favorável aos anglo-saxónicos pelo que fui ao Google tradutor que me disse que “italian painter” se dizia em alemão “italienischer maler”. A minha ignorãncia do alemão não me permite perceber a razão porque o número de resultados de “italienische maler” ou mesmo de “italienisch maler” pode diferir por uma ordem de grandeza mas procurei para cada uma das nacionalidades escolher destas 3 variantes de terminação (isch, ische e ischer) a que obtinha mais resultados.

Na tabela a seguir apresento os resultados que obtive.



A tabela está ordenada por ordem decrescente dos resultados em inglês. Fiquei um pouco surpreendido com o número elevado de resultados do “german painter” embora possa continuar a argumentar que italianos, franceses e sobretudo os flamengos têm menos gente que os alemães pelo que a sua classificação deveria ser “normalizada” em função da população. Nesse caso os flamengos passariam certamente para o primeiro lugar.

Não tenho pretensão de que esta tabela seja mais do que um “exercício de café” apropriado para um blogue.

Existe contudo outro sítio, com a lista dos quadros mais caros onde nos primeiros 50 me parece constar apenas uma obra de um alemão, a Madona de Darmstadt de Hans Holbein the Younger.
Esta lista parece-me uma melhor confirmação da minha impressão de que a fama não tem bafejado muitos pintores alemães.

Para finalizar mostro este Mar de Gelo de Caspar David Friedrich que fotografei num museu de Hamburgo mas em que o ficheiro da Wikipédia era mais uma vez melhor do que a minha foto.



Nesse museu apreciei muito a forma descontraída como esta turma de estudantes alemães se interessava pela arte da pintura. Será que os comentadores portugueses diriam que se tratava de um facilitismo intolerável?

1 comentário:

Helena disse...

O alemão é muito traiçoeiro. SE disse "o pintor português" é "der portugiesische Maler", mas se disser "Fulano, pintor português", é "Fulano, portugiesischer Maler".
E se for "do pintor português" pode ter "vom portugiesischen Maler" ou "des portugiesischen Malers".
É difícil fazer estatísticas com isso.