2013-12-31

Ando Hiroshige (1797 - 1858)


Desde o início deste blogue que tenho encerrado cada ano com um desenho do artista japonês Hokusai, que viveu de 1760 a 1849.

Longe de ter esgotado a vasta obra dele, apeteceu-me desta vez mudar de artista, para o também muito famoso Hiroshige que nasceu quando Hokusai já tinha 37 anos e que se supõe que tenha sido bastante influenciado pelas obras deste artista.

Ambos fizeram parte da escola Ukiyo-e, que usava blocos de madeira para a impressão de gravuras, aumentando assim a possibilidade de mais gente ter acesso a uma mesma obra de arte.

A que está aqui ao lado tem o título "Chuva sobre Atake e a Grande Ponte", fui buscá-la à Wikimedia Commons, onde continuam a ter das melhores reproduções digitais da internet. A versão que mostro aqui é dum ficheiro .jpeg com uma compressão um pouco maior do que a da Wikimedia.

As pontes mais comuns são sítios maus para se ser apanhado por um aguaceiro, não há nenhuma construção onde uma pessoa se possa abrigar.

Nestas gravuras japonesas vê-se muita gente com as pernas sem roupa, os texteis não foram sempre baratos, como é agora o caso.

As gravuras japonesas influenciaram muito os pintores europeus do fim do século XIX, Van Gogh pintou mesmo um quadro que é uma cópia desta gravura de Hiroshige, a casa de Monet em Giverny tem muitas estampas japonesas decorando as suas paredes.

Além de ser uma imagem muito famosa adequa-se ao mau tempo que tem prevalecido neste final de Dezembro, muito típico do Inverno.

Como além da chuva temos tido vento e as árvores ficaram finalmente com muito poucas folhas achei que a gravura que se segue, também de Hiroshige, se adequava à data, se bem que a Lua actualmente não esteja cheia mas em quarto minguante.

Vi pela primeira vez esta gravura no site do Jardim Botânico de Chicago onde informam que estão a podar algumas árvores da secção japonesa desse jardim para ficarem parecidas a estas!

Nunca me tinha passado quela cabeça que os jardineiros usassem quadros como fonte de inspiração mas acaba por ser natural que a interacção se faça nos dois sentidos, dos jardins para os quadros e dos quadros para os jardins!

A imagem chama-se "Lua cheia em Seba na estrada de Kisokaido", fazendo parte da série "69 estações do Kisokaido" e fui buscá-la também à Wikimedia Commons. Desta vez reenquadrei e preenchi os cantos com a côr horizontalmente adjacente para evitar o enquadramento cinzento claro de cantos arredondados.





Feliz Ano Novo de 2014!

2013-12-28

Cadeira Cimitarra de Preben Fabricius e Jorgen Kastholm


Na Fundação Calouste Gulbenkian existem umas cadeiras, também de cores outonais, que há muito tempo consegui identificar, através de buscas na net, como a cadeira Cimitarra, projectada pelos "designers" dinamarqueses Preben Fabricius e Jorgen Kastholm (claro que quem for à procura na net obterá melhores resultados com a versão inglesa: Scimitar chair by Preben Fabricius and Jørgen Kastholm).

Na altura descobri a imagem que mostro à direita mas não ocnsegui agora localizar o site onde ela estava. Felizmente tinha chamado ao ficheiro "Preben Fabricius and Jorgen Kastholm-Scimitar Chair.jpg" pelo que foi possível localizar referências na Artnet, na Wikipédia e na bo-ex, a firma dinamarquesa que continua a produção desta cadeira, desenhada em 1963.

Tenho muitas vezes a curiosidade de ver quanto custam estes artigos e constatei na lista de preços da bo-ex que custava 5333€ ex.VAT, que interpreto como excluindo o IVA. Com IVA seria 6560€. Entretanto a lista desapareceu, diz que "Coming soon". A mesa, sem IVA, fica pelos 4000€, com IVA 4920€.

A foto a seguir foi tirada com o meu telemóvel e depois reeenquadrada. Acho curiosa a permanência da alcatifa em muitas zonas da Fundação, provavelmente para abafar o ruído ambiente, nas casas das famílias a alcatifa deixou de ser comum em Portugal, voltou-se ao soalho de madeira.


Quando foi possível fazer mobiliário com métodos industriais de produção em série e ultimamente deixando o trabalho de montagem para o comprador, alguns designers tentaram fazer produtos funcionais, sem descurar a beleza, e a preços acessíveis para a maioria da população. Nem todos enveredaram por esse caminho, continuaram a ser projectados e fabricados produtos de nicho, dificilmente acessíveis a toda a gente. Esta cadeira cai claramente na segunda categoria, para se ter uma boa cadeira, cómoda e durável, não é preciso tanto dinheiro.


Presumo que existam detalhes construtivos que a tornem cara, ou poderá ser vendida artificialmente cara para se dirigir ao mercado das pessoas que se sentem felizes por possuirem coisas que não estão ao alcance de toda a gente.


Caro ou barato  acho o conjunto muito bonito, a ideia ocorreu aos designers quando estavam a trabalhar no Líbano, como foi em 1963, antes da guerra civil, ainda o Líbano era a Suíça (ou o Monte Carlo) do Próximo Oriente.

2013-12-23

Boas Festas


Em 2008 e em 2010 já mostrei este filminho de 38 segundos em que não se passa nada à excepção da rotação de uma Estrela de Natal que vai reflectindo a luz incidente em todas as direcções.






Faço aqui votos de Boas Festas e dum Ano Novo Razoável, no sentido de ter um pouco mais de racionalidade do que o que está a terminar, talvez seja desta...

2013-12-20

O Tribunal Constitucional salvou Portugal da bancarrota


O Tribunal Constitucional salvou Portugal da bancarrota pois seria isso que teria acontecido se não tivesse sido declarada como inconstitucional e logo inviável de ser adoptada a lei aprovada pela maioria PSD + CDS em que o Estado pretendia dar o dito por não dito, revogando os valores das reformas já atribuídas através de legislação aprovada na Assembleia da República.

Não consigo ver qual a diferença entre cumprir uma promessa legalmente feita pelo Estado a um pensionista sobre pagamentos futuros e o pagamento atempado de juros e amortizações prometidos legalmente pelo Estado para serem pagos no futuro.

E irrita-me particularmente o argumento usado esta noite pelo José Gomes Ferreira na SIC Notícias, em entrevista no jornal das 22 horas de dizer que a alternativa de aumentar os impostos é pior porque vai reduzir o consumo. Portanto, para o José Gomes Ferreira, o dinheiro entregue aos reformados sob a forma de pensões, não vai ser empregue no consumo. Será gasto aonde? Em colocações financeiras nos paraísos fiscais?

2013-12-18

Cores de Outono - 4, Jardim da Fundação Gulbenkian


Tirei esta foto no dia 1/Dez/2013 às 15:30





no Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, um dos jardins mais belos que tenho visto por esse mundo, magnificamente projectado pelos Engenheiros Agrónomos e Arquitectos Paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Facco Viana Barreto e competentemente mantido por uma eficiente equipa de jardineiros.


No Outono, além dos amarelos, laranjas, castanhos e vermelhos das folhas das árvores temos ainda as plumas, muitas vezes brancas, que costumam aparecer por Outubro, resistindo melhor ou pior até ao princípio do Inverno.


Quando iluminadas pelo Sol as plumas constituem-se em fonte de luz, ainda mais notória quando se destacam de um fundo escuro.


Além da beleza do conjunto que mostro na primeira imagem deste post, pensei que seria interessante fazer um enquadramento com maior dimensão vertical, onde isolasse o tufo de plumas e um choupo de folhas amarelas, o que fiz na imagem que exibo aqui à direita deste texto.


Por outro lado pensei que também seria interessante fazer um enquadramento desenvolvendo-se na horizontal, cujo principal protagonista seria o conjunto de plumas que existem na margem do lago maior do jardim e que na imagem surgem à mesma altura do tufo aqui à direita.


Deixo em baixo este segundo enquadramento, da primeira imagem deste post, deixando ao leitor o encargo de eventualmente preferir um deles.


Eu inclino-me sem grande convicção para o enquadramento horizontal, pois também gosto muito dos outros dois.



2013-12-15

Cores de Outono - 3, Ginkgo Biloba


Nos primeiros textos deste blogue em que me referi a esta simpática árvore usava a grafia "Gingko".
Entretanto descobri que a grafia "Ginkgo" é mais comum. Tentei pronunciar das duas formas a ver qual preferia e fui surpreendido pela semelhança fonética, dado que o "g" fica bastante mudo quando ao pé do "k". Vou passar a usar a segunda forma mas não vou alterar a grafia usada nos posts anteriores. Coloquei o rótulo (label, tag) "GINKGO" nas que usavam a grafia anterior mas tal não é suficiente para que apareçam quando se faz uma busca com a palavra "ginkgo".

Estas árvores apresentam a vantagem de as folhas ficarem amarelas relativamente cedo mas demorarem muito tempo a cair, oferecendo o espectáculo de uma árvore com folhagem abundante, toda de cor amarela, como se constata nesta imagem



tirada na rua Fernando Pessoa, no bairro de Alvalade em Lisboa. Quando comecei a reparar nos ginkgos só conhecia a existência deles em Lisboa no largo do Príncipe Real. Entretanto já dei por eles na Av.João Crisóstomo, na Av.João XXI, na Av.D.João II no Parque das Nações e agora nesta rua.

Na Wikipédia referem a existência de árvores macho e fêmea desta espécie e dizem que costumam evitar a plantação de árvores fêmea em ruas porque os frutos têm ácido butírico, que tem um cheiro desagradável. Neste sítio referem mesmo a conveniência de usar luvas para colher os frutos, foi assim com alguma surpresa que vi na mesma rua este ginkgo com frutos



Para finalizar mostro apenas uma árvore ginkgo biloba, ainda na mesma rua Fernando Pessoa




2013-12-10

Cores de Outono - 2, Tribunal Constitucional


Tenho que me despachar com as cores do Outono porque a estação está quase a acabar, o solstício de Inverno é já a vinte e poucos de Dezembro.

Já agora, e antes de entrar no tema do post, queria manifestar o meu cansaço pela forma miserável como boa parte da má comunicação social portuguesa faz o frete ao seu querido governo referindo o "perigo que representa o Tribunal Constitucional" que pode chumbar eventualmente algumas medidas do governo, que lhe sejam submetidas, por as considerar inconstitucionais.

Presumo que o governo diga coisas semelhantes sobre o Tribunal Constitucional e digo presumo porque costumo mudar de canal quando me aparece um governante pois considero que não devo gastar o meu tempo a ouvir mentirosos que dizem que vão fazer uma coisa e depois, ou não fazem nada ou tomam uma medida contrária ou muito diferente do que disseram.

Mas regressando às cores de Outono, existem naturalmente excepções à regra que referi no post anterior, algumas árvores ficam com a grande maioria ou totalidade das folhas de uma côr diferente da verde. É o caso da que aparece na imagem seguinte, com umas folhas que de longe parecem dum pinheiro, que avistei no "Caminho das Gaivotas" no Parque das Nações ao pé da Ponte Vasco da Gama. A árvore está nas coordenadas  38°47'1.58"N,   9° 5'32.69"W, obtidas através do Google Earth:


Como muitas vezes a foto foi tirada com o telemóvel, estava uma luz rasante de fim de tarde e a textura da árvore ao longe fazia lembrar veludo, dum vermelho mais escuro do que o que ficou na imagem.



A seguir mostro uma ampliação da mesma foto onde me ocorre a palavra inglesa "fluffy" talvez "fôfa" ou "felpuda" sejam adequadas, mas não me soam muito bem.



Passados dois dias fui revisitar a mesma árvore, desta vez com uma máquina fotográfica, mas cheguei ligeiramente mais tarde e o sol já só iluminava a parte superior da copa da árvore que entretanto estava mais desfolhada. A foto ficou assim:



mostrando a seguir também uma ampliação.



Se alguém souber o nome desta árvore agradeço a informação.

2013-12-08

Cores de Outono


A mudança de cor das folhas das árvores em Lisboa tem características específicas relacionadas com o clima da cidade.

A primeira diferença em relação a sítios de maior latitude é que essa mudança ocorre mais tarde, lá para o norte as folhas já mudaram de côr e já caíram todas enquanto por cá ainda se vêem folhas nas árvores, muitas delas ainda verdes.

A segunda diferença tem a ver com a rapidez com que o frio se instala. Como em Lisboa o frio aparece devagarinho, algumas das folhas das árvores vão mudando de côr e caindo mas na maior parte das árvores continuam a existir bastantes folhas verdes embora a árvore esteja a ficar com menos folhas. Quando a totalidade das folhas muda de côr já a árvore perdeu muitas e não temos assim muitas árvores cheias de folhas amarelas, laranjas, castanhas ou vermelhas como é habitual noutras paragens.

Este ano houve uma descida mais brusca da temperatura na última quinzena que coincidiu com tempo seco, possibilitando as imagens de folhas douradas sobre o azul do céu.

Neste caso trata-se de um plátano nos Olivais que confirma a minha teoria das folhas já um pouco rarefeitas, tirada em 201312-01 11:20



A foto foi tirada com o telemóvel e gosto muito dos tons de azul do céu.

Pensei que valeria a pena fotografar a mesma árvore com uma máquina fotográfica, o que fiz em 2013-12-06 13:44



As folhas parecem um pouco mais nítidas mas parece que existem muito menos, num espaço de 5 dias caíram muitas folhas. O azul do céu parece mais real do que o da imagem anterior embora o outro fosse mais bonito. A diferença da hora do dia poderá explicar também parte da diferença.

Entretanto morreu Nelson Mandela, homem bom que admiro por ter evitado o banho de sangue que parecia inevitável na África do Sul. Muitas vezes existem alternativas ao que parece inevitável.

2013-12-03

A Rota do Azulejo



Passei por mais esta exposição interessante na Fundação Calouste Gulbenkian com cerâmicas de países mediterrânicos e de um ou outro mais longínquos, com “Newsletter” da Fundação referida neste site espanhol intitulado “Retabloceramico”.

Normalmente a Gulbenkian deixa fotografar as obras expostas nos seus museus, interditando apenas o flash e o uso de tripés, talvez desta vez estivessem mais limitados por terem de respeitar normas das instituições que cederam objectos para a exposição.

Avisaram-me que não podia fotografar pelo que fiquei com uma única foto desta exposição. Ao procurar imagens na net descobri aqui este azulejo turco com um faisão pousado em ramo de prunus do século XVI, © Cité de la Céramique, Sèvres


A exposição tem alguma cerâmica de Iznik, de que o Museu Gulbenkian possui lindíssimos exemplares.

O único objecto que fotografei foi esta peça de cerâmica do Irão



um caso de “azul sobre ouro”, em vez do tradicional “ouro sobre azul”. Suspeito que o tom dourado da parede se deve a um “controlo de brancos” deficiente, mas gosto do resultado final.

Como na altura não tomei nota da legenda da peça, achei que dava mau aspecto tirar uma foto à legenda depois de me terem dito que não se podia fotografar, fui depois à net ver se encontrava referências.

Encontrei logo esta imagem, em que a peça de cerâmica é acompanhada por uma obra de M.C.Escher:



Os admiradores de Escher costumam saber que ele fez visita demorada ao Alhambra, em Granada na Espanha, e esta figura fazia parte de uma exposição/livro que teve lugar na Holanda intitulada “Escher-meets-islamic-art”.

O virtuosismo com que Escher preenche o plano de figuras muitas vezes geométricas apoia-se em boa parte nas descobertas islâmicas, com a vantagem de poder explorar o uso de figuras humanas e animais, uso esse interdito ou muito desencorajado pelo Islão.

Além do interesse que costumo ter por motivos geométricos, que me levaria a reparar  nesta peça cerâmica, julgo que a minha atenção foi  ainda mais chamada pelo facto da figura se basear no traçado de 3 quadrados, rodados de 30º, quando a figura islâmica mais popular são os dois quadrados rodados de 45º.

Para me entreter fiz as figuras que acabo de referir numa folha excel:


Há uma referência sucinta à figura de 8 pontas como “Rub el Hizb” na Wikipédia.

Nas viagens é frequente o guia referir significados para esta associação de 2 quadrados. Costumo ouvir com curiosidade esses significados e esquecê-los depois rapidamente, presumo que por não me terem convencido na altura. Devido a esse esquecimento frequente procurei agora na net esse significado e encontrei neste sítio “Morrocan Design” onde em vez de um referem uma imensidade de significados, nenhum deles mais convincente do que os outros. Mas se os significados não são por aí além, as figuras mostradas são muito interessantes.

Na net esta peça era referida como fazendo parte da colecção do “Gemeentemuseum Den Haag”, o Museu Municipal de Haga, na Holanda. Posteriormente consultei o catálogo da exposição que confirmava este museu, dizendo que a peça era proveniente de Kashan, na Pérsia e datada à volta de 1400 DC:



2013-12-02

Feriado do Primeiro de Dezembro


A supressão de 4 feriados por este governo já me mereceu comentários neste post de Maio de 2012, que considero actuais.

O ar de Lisboa tem estado duma transparência extrema, que contrasta com a opacidade do governo PSD-CDS. E a situação política e económica não tem os tons rosados deste crepúsculo, observado no dia Primeiro de Dezembro de 2013 em Carcavelos.

2013-11-23

Crepúsculo


No último post interroguei-me se a palmeira das Canárias contra os rosas e amarelos do crepúsculo poderia ser em África.

Nesta imagem tirada no mesmo local e poucos instantes depois



vêem-se umas árvores que identifico facilmente como oliveiras, constatando a minha familiariedade com estas plantas. E é claro que esta paisagem podia ser em África mas naquela parte do continente em contacto com o Mediterrâneo, a oliveira é um dos ex-libris das suas margens.

Fui ver a distribuição geográfica das oliveiras constatando que além do Mediterrâneo foi levada para o Peru, o Chile e a Califórnia, onde se estabeleceu em zonas com clima idêntico ao do Mediterrâneo.

Ultimamente tenho reparado que o Picasa me põe as imagens com mais luz do que o Windows Viewer.
Estes programas têm tantos parâmetros que tentar consistência é um trabalho sem fim. E inglório, porque quem vê as imagens tem tantas afinações possíveis no seu monitor que será raro duas pessoas em PCs diferentes verem a mesma imagem da internet com o mesmo aspecto.

A próxima imagem, que classificaria de "crepuscular", talvez esteja mais escura no meu PC do que aqui. Precisa de um ambiente pouco iluminado para ser apreciada, caso contário a parte escura parecerá apenas preto quando está lá o reflexo azul escuro do céu do crepúsculo reflectido ainda na mesma albufeira.



2013-11-19

Talvez pudesse ser África





Os amarelos e violetas do céu fizeram-me lembrar os crepúsculos que vi na Guiné-Bissau há muitos anos, mas trata-se de uma palmeira alentejana, nas margens da alfufeira da barragem do Caia.

2013-11-13

Carvalhos



Quando visitei em Julho deste ano o miradouro de Santa Luzia em Viana do Castelo gostei duma árvore com folhas iluminadas pela luz do Sol que mostrei aqui, indagando se alguém saberia o nome dessa árvore.

O Vítor Santos Lindegaard teve a gentileza de ir procurar o nome da árvore e considera que será provavelmente um Quercus coccinea nome em latim do Carvalho-Vermelho-Americano, conjectura que me pareceu boa.

Passados 2 dias fui a um restaurante na Alameda dos Oceanos no Parque das Nações, no troço entre a rotunda do Cabeço das Rolas e a Estação do Oriente, onde vi umas árvores com umas folhas parecidas às da árvore de Viana do Castelo.

No dia seguinte fui lá fotografá-las, ficaram razoáveis mas sem grande sucesso, penso que já me queixei das dificuldades em enquadrar árvores nas cidades, há uma data de emplastros que se metem nas fotografias, tais como candeeiros, sinais de trânsito, fachadas de prédios, automóveis, etc.

Um dos truques é tentar que só fique a árvore e o céu, mas neste caso o tronco principal fica de fora. Começo por esta com tons de amarelo e bronze



seguida desta com uns tons mais avermelhados



constatei que as fotos estavam mal focadas (árvores são difíceis de focar) mas com a discriminação de 800x600 pixels não se nota muito.

Depois fotografei duas folhas no chão, uma mais castanha e outra mais vermelha, se calhar a vermelha já não está completa


A seguir fui para a rotunda atrás referida e tirei esta foto ao conjunto



e concluí com esta mistura de verde e bronze sobre o céu azul de Lisboa



entretanto googlei alameda dos oceanos árvores tendo chegado aqui onde está este texto:
«
-  o troço da Estação do Oriente, o segundo, é mais largo e constituído por dois passeios laterais arborizados com azinheiras. Na plataforma central foram plantados alinhamentos de quercus palustris, pontuados com o exotismo das erytrinas. A extremidade norte localiza-se frente ao Pavilhão de Portugal e distingue-se pelos canteiros sobrelevados onde predominam ciprestes, rematando com um sobreiro de grande porte; - See more at: http://www.portaldasnacoes.pt/item/alameda-dos-oceanos/#sthash.e3FZ9quu.dpuf
»

Portanto as árvores que acabei de mostrar são carvalhos da espécie “Quercus palustris” que em inglês chamam “Pin oak” e em português é uma das espécies designadas por "carvalho-vermelho-americano". É impressionande a variedade de carvalhos que existe, está aqui uma extensa lista, onde consta naturalmente o sobreiro, o “Quercus suber”.

Gostava de ir a Viana ver se o quercus de lá é mais ou menos escarlate do que estes que acabo de mostrar.

Mais uma vez constato que nas viagens temos mais disponibilidade para ver melhor o mundo e quando regressamos a casa descobrimos mesmo ao lado coisas que até então nos tinham passado despercebidas.

2013-11-12

A cica, 4 meses depois


Depois destas chuvas de Outono o relvado em frente da minha casa nos Olivais cresceu de forma exuberante. A Câmara Municipal de Lisboa adoptou entretanto a prática de deixar as ervinhas crescer e dar uma ar da sua graça antes de as cortar, não sei se de propósito se por falta de verba para a jardinagem. Julgo que já disse que aprecio esta falta de pressa em cortar logo tudo o que cresce. Neste caso apreciei o viço que rodeava a cica, em boa hora transplantada de um vaso para aqui


Lembrei-me de juntar a última foto dum post sobre a mesma cica, de Julho/2013. Na altura tirei a foto sob a luz directa do Sol enquanto agora a planta já estava à sombra mas gostei de ver as diferenças da vegetação envolvente.


2013-11-11

Kant, os deficits, os superavits e a sustentabilidade



Quando passei pelo liceu existia uma cadeira de Filosofia em que, no equivalente ao actual 11º ano, se dava uma história da Filosofia, desde a Antiguidade até aos nossos dias.

Posteriormente tenho lido um ou outro livro sobre temas da Filosofia mas desde essa altura já ouvi tantas vezes falar no imperativo categórico de Kant que acabei por considerar este conceito como facilmente aplicável a situações concretas.

Uma regra cai na classe de “imperativo categórico” quando se considera desejável (imperativo) que seja seguida por toda a gente. Um exercício mental simples consiste em pensar  como seria o mundo se toda a gente cumprisse essa regra. Se concluirmos que seria um pesadelo deve ser rejeitada.

Mas a regra pode também ser rejeitada caso se conclua que um mundo onde toda a gente seguisse essa regra não é possível.

De uma forma geral parece evidente para toda a gente que um país não pode viver com um défice permanente da sua balança comercial, importando mais do que exportando, donde a enorme alegria com que o actual governo de Portugal registou o facto de durante um período deste seu exercício as exportações de bens superarem as importações.

Existe contudo muito menos ênfase nas críticas à existência de superavits sucessivos em alguns dos  países da União Europeia.

Eu esperaria que o nosso governo, em paralelo com as afirmações constantes sobre a necessidade de eliminarmos o défice, desse um ênfase semelhante à necessidade absoluta de eliminar os superavits dos nossos parceiros da Europa.

Na realidade assim como não pode existir um mundo composto exclusivamente por países deficitários tão pouco é viável um mundo em que todos os países sejam superavitários.

É assim irracional eleger como virtude a condição superavitária de um país.

A única condição sustentável consiste em todos os países manterem um equilíbrio entre importações e exportações. Claro que poderão existir variações à volta desse equilíbrio mas afastar-se desse equilíbrio, quer para o lado do déficit quer para o lado do superavit, não pode ser considerado como um afastamento virtuoso.

É difícil arranjar uma imagem para ilustrar um texto sobre estes temas. Assim e à falta de melhor deixo aqui um candeeiro de tecto que comprei na Dinamarca em 1979, e que ainda faz bom serviço no meu escritório, agora com lâmpadas economizadoras. Esperando que a sua luz ilumine quem precise de ver melhor.

2013-11-07

Albert Camus


Faz hoje 100 anos que nasceu Albert Camus, homem-bom do século XX, escritor nobelizado cuja leitura apreciei, sobretudo um romance-monólogo chamado "A Queda", em que a personagem-narrador vai descobrindo/revelando que afinal não é tão altruísta como costumava pensar.

Há pouco tempo  comprei este livro "Actualidades" (pensava eu, constatei depois no livro que o comprara em 2001) cuja capa mostro aqui à esquerda, que li com muito gosto, contendo ensaios escritos pouco depois do fim da segunda guerra mundial, quando as pessoas se interrogavam como fora possível acontecer o que tinha acontecido.

No último jornal Expresso falam dele mas com uma informação errada sobre uma alegada rarefacção do número de leitores. O Pedro Correia revela aqui um conjunto de números relativos a edições recentes que infirma esse alegado abondono. A Shyz mostra aqui um documentário da BBC.

Fui buscar a imagem a este alfarrabista.

2013-11-06

Feriado de Todos-os-Santos


A supressão de 4 feriados por este governo já me mereceu comentários neste post de Maio de 2012.

Passou há poucos dias, em 1/Novembro, o ex-feriado de Todos-os-Santos.

Por coincidência revisitei esta fotografia que tirei no museu da catedral de Florença em 2004, a este quadro de grande beleza duma santa de quem não fixei o nome.




Na altura não anotei eventuais indicações do museu, mas agora com o google images foi relativamente simples a identificação da imagem com esta versão completa


de Giovanni del Biondo que fui buscar aqui.

Cheguei a escrever que não conhecendo qual o dia da Santa Catarina de Alexandria o dia de Todos-os-Santos também seria dela. A prudência recomendou-me googlar o nome da dita santa, tendo ficado logo a saber que o seu dia é o de 25 de Novembro. Mas li mais um bocado e afinal há dúvidas sobre se a Santa terá existido.

Na sua história/mito consta a sua capacidade imensa de converter ao cristianismo toda a gente que o imperador romano lhe enviava para a convencer a abandonar o cristianismo.Tanto poder argumentativo seria um mito consolador para quem, como os Portugueses, se mostra incapaz de convencer o governo/troika da inutilidade de muitas das medidas que têm tomado.




2013-11-02

Onde a terra acaba e o mar começa - 3


Após a interrupção dos dois últimos posts concluo por agora a série de imagens das ondas vistas da Furnas do Guincho.

Neste caso, em que deixei na foto as pontas dos guarda-sóis, há uma onda que se dirige para o fotógrafo



que rebenta mesmo ao pé, nas rochas que protegem a esplanada



mas cuja espuma, se bem que espectacular, não chega a molhar nem a máquina nem o próprio fotógrafo.



2013-10-29

Outono


A Helena Araújo do 2 Dedos de Conversa, um blogue muito variado e sempre muito interessante, brindou-nos com umas imagens lindíssimas do Outono em Potsdam.

O blogue tem imagens de grande qualidade cuja apresentação padecia até há algum tempo de falta de dimensão, eram apresentadas com poucos pixels.

Já há algum tempo que essa dificuldade pode ser facilmente ultrapassada clicando numa das imagens dum post. Nessa altura o blogger passa a fundo preto, mais apropriado para ver imagens, e mostra todas as imagens desse post num formato tão grande quanto o número de pixels do ficheiro original permita.

Recomendo vivamente a ver as imagens do "Outono em Potsdam - variações sobre um tema" clicando sobre uma das imagens, preferencialmente a primeira e vendo todas as imagens no tamanho grande, pois é muito mais fácil ver assim a sua grande qualidade.

Seleccionei um bocadinho da penúltima imagem deste post para a mostrar aqui, um bocado ampliada,


fez-me lembrar esta imagem do Escher.


Do post anterior ao que acabo de referir, "Outono em Potsdam" seleccionei um pedacinho da sexta imagem que mostro a seguir


lembrando aqueles empedrados compostos por círculos que se intersectam.


Vale a pena ver todas essas  imagens de que destaco esta, de um pato sobre um lago com reflexos dourados da luz da tarde e das folhas de Outono, que me recorda o lago de Giverny onde o Claude Monet pintou tantos quadros deslumbrantes.


2013-10-24

Onde a terra acaba e o mar começa - 2


Por coincidência passei ontem em frente dum texto do Engº Ferreira Dias, que já citei aqui, contendo o título deste post, esta expressão quase idiomática de Portugal. Gosto de muitos dos textos deste engenheiro, pelas críticas que faz, pelos objectivos que propõe e também pela forma da escrita.

O texto que refiro está na entrada do edifício anteriormente chamado "Laboratório Central", instalação da Companhia Nacional de Electricidade, actualmente integrada na empresa Labelec do grupo EDP





Transcrevo o texto para facilitar eventuais referências:

"Este laboratório tem sido objecto de críticas malsãs, como sonho de grandeza de quem desconhece o valor do dinheiro; mas a isto anotarei que tal opinião me parece uma forma discreta de incultura. Em todos os grandes países , as indústrias de vanguarda, (estão) longe de o esconderem, fazendo gala do que despendem em Laboratórios, estudos e pesquisas, em escala que nós desconhecemos; mas essas têm à volta um auditório diferente, que as ouve com respeito e faz do progresso das suas grandes empresas uma das razões de orgulho nacional.
Aqui, nesta ponta da Europa, onde a terra acaba e o mar começa, quase tem que se pedir desculpa de se dar um passo nesse caminho; são tão poucos os que se seguem, que estes se sentem isolados como quem vai por um mau trilho. No entanto, é por esse trilho que os países crescem, prosperam, ganham força e prestígio, mas a busca da prosperidade para os portugueses, é tema de lamúria e não de heroísmo, como se ela fora uma espécie de entidade metafísica, irredutível a termos materiais, atingíveis com alguma canseira."

Extracto de um discurso proferido em Maio de 1964 aquando da inauguração dos laboratórios

2013-10-23

Onde a terra acaba e o mar começa


A ponta sudoeste da Cornualha chama-se "Land's End", o Fim da Terra, no norte da Galiza existe o cabo Finisterra, os Portugueses têm uma descrição mais completa, a terra acaba mas não é o fim de  tudo, é o sítio onde o mar começa.

Existem muitos sítios onde a terra acaba e o mar começa, gosto muito deste, na esplanada do restaurante Furnas do Guincho, onde o mar parece querer entrar pela terra adentro. Tirei estas fotos em 30 de Outubro de 2011, por volta das 3 da tarde, quando o Sol cria no mar uma esteira prateada até ao horizonte. Nesse dia o mar estava agitado, criando muita espuma ao bater nas rochas




e de vez em quando apareciam ondas enormes como esta



ou esta, em que a luz do Sol também entrava pela onda adentro revelando aquele verde-mar tão típico



de que mostro um detalhe a seguir:



Nunca apanhei ondas tão grandes nas carreiras que fazia na Praia da Rocha no meu colchão pneumático de marca Repimpa, mas ver esta imagem fez-me relembrar perspectivas semelhantes de grandes ondas que poderíamos ainda conseguir "apanhar" para mais outra carreira, embora ver a onda já tão acabada assim fosse sinal de que as probabilidades de ela cair em cima de nós eram esmagadoras, aliás como a própria onda!

2013-10-17

Hannah Arendt


Eu nasci em 1949 e as memórias que me ficaram de Eichmann na minha infância foi de um nazi que tinha fugido para a Argentina onde foi raptado pelos serviços secretos israelitas e levado para Israel onde foi julgado, condenado à morte e executado.

Confirmei recentemente que estas minhas memórias estavam correctas embora não me lembrasse das datas.

Só muito mais tarde ouvi falar da filósofa Hannah Arendt e do seu conceito tão bem sintetizado na expressão "Banalidade do Mal".

A tese central de Hannah Arendt, no seu esforço de compreensão de como foi possível o horror do holocausto, é de que não é preciso ser um monstro para executar tarefas com consequências de uma malignidade extrema . Basta não pensar nas consequências do que se faz.

Fui ver o filme actualmente em exibição que recomendo vivamente e do qual deixo aqui um trailer.



Sem pretender fazer comparações descabidas com o horror nazi, existe contudo um aspecto na condução dos programas de "ajustamento" dos países europeus sob resgate que me perturba, e que consiste na afirmação que "é preciso manter o rumo". Quer isto dizer "quaisquer que sejam as consequências"? Custe o que custar? E que "não existem alternativas"?

Procurando no google cheguei a este site que achei interessante. Vi mais referências aqui, aqui e aqui.

2013-10-08

Afinal o tempo continua a ser o que era


No jornal Público referiram no fim de Maio/2013 que um canal francês de previsão meteorológica, "La Chaîne Météo" previra que o próximo Verão na Europa seria o mais frio dos últimos 200 anos.

A Chaîne Météo disponibiliza muitas Apps para os mais variados suportes. Infelizmente dedica tanto esforço à parte informática que lhe resta pouco tempo para fazer previsões meteorológicas de longo prazo credíveis e suspeito, pelo enorme fiasco do soundbyte, que as previsões de curto prazo terão pouca qualidade.

Não consigo deixar de referir que as agências públicas de previsão meteorológicas, pagas com o dinheiro dos contribuintes, instituições que por serem públicas alguns economistas se obstinam em considerar que não criam valor, mantiveram a opinião dominante que não é possível fazer previsões além de poucos dias, e continuaram a fazer previsões valiosas e de qualidade dos dias mais próximos.

A realidade chegou e em Junho, Julho, Agosto e Setembro tivemos tempo quente com 3 ondas de calor repartidas mais ou menos equitativamente pelo período do Verão.

Depois, pontualmente em vinte e picos de Setembro, pouco depois ou mesmo em cima do equinócio tivemos umas chuvas anunciando o Outono. Entretanto o calor regressou, num vai e vem típico da época.

Sinto-me à vontade para dizer agora que a primeira parte do Outono vai ser normal porque se ficar fresco é Outonal, se aquecer um bocado será o Verão de S.Martinho.

Entretanto voltaram a aparecer as plumas de que tanto gosto nos canaviais à beira-rio e por esses campos fora.

Como ainda tinha umas fotos por mostrar, que tirei em Outubro de 2012, aproveito agora esta oportunidade, o céu tinha na altura mais nuvens mas diz que elas vão voltar.












Esta última imagem é uma selecção ampliada de parte da que a precede.