2011-02-10

Batedor de tapetes

As recentes manifestações no Egipto levaram-me a rever as fotos que tirei no Cairo em Abril de 2006. Entre elas encontrava-se esta pilha de objectos que já não via há imenso tempo, provavelmente desconhecidos dos leitores mais jovens deste blogue.


Trata-se de um batedor de tapetes, existia um exactamente igual a estes, com a mesma forma e a mesma cor, na casa dos meus pais no Porto. Tenho a vaga memória de a minha mãe dizer que tinha sido proibido bater os tapetes pendurados nas janelas que davam para a rua, pelo que a operação tinha que ser realizada no quintal ou numa janela das traseiras. Acho que ainda dei umas batidelas, num tapete colocado num arame no quintal, na altura não se falava tanto de alergias embora fosse talvez mais uma falta de consciência do que uma ausência.

Lembro-me também de terem comprado o primeiro aspirador de pó lá em casa, um aspirador Electrolux, que custou 1.200$00 nos finais dos anos 50. Redescobri aqui uma série longa do IPC, compilada pelo António Barreto, de 1960 a 1999, a partir de números do Banco de Portugal. Segundo as minhas contas, os valores de 1960 deverão ser afectados de um factor 60 para obter um valor “equivalente” em 1999, um aspirador de 1200$00 em 1960 “custaria” agora cerca de 350 €, um valor muito superior ao preço da maioria dos aspiradores actualmente comercializados, mais uma das numerosas evidências que se vive melhor agora do que há umas décadas atrás. E devido aos aspiradores já não é preciso bater nos tapetes.

No fundo da foto, num dos embrulhos tem escrito “Made in A.R.E”, querendo dizer Arab Republic of Egypt. Fiquei a pensar que é um bocado estranho qualificar uma república de “Árabe”. O que é que esta qualificação quererá dizer?

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