2010-10-30

M.C.Escher: a procura do infinito na simetria central

Os leitores desculparão o título aparentemente pomposo mas é uma forma simples e exacta de descrever a procura por Escher de formas de representação do infinito em desenhos organizados à volta de um ponto central.

As figuras com simetria central adequam-se naturalmente à forma circular como o prato do post anterior


e como neste exemplo de pássaros estilizados em que o infinito se situa na periferia do círculo.

Além da complexidade do preenchimento da superfície, colocar o infinito na periferia do círculo parece-me bastante estranho, existindo um ponto central parece mais natural escolhê-lo para esse papel, como acontece no prato iraniano do post anterior.

Foi o que Escher fez nesta imagem circular com borboletas, dispostas em círculos que se entrelaçam



mas uma vez que já tinha conseguido num desenho colocar o infinito na periferia e noutro no centro, porque não fazer um desenho em que o infinito aparecesse em ambos os locais? Foi o que fez neste desenho com serpentes, que me deixa sem palavras, que acabou poucos dias antes de morrer:




Todos estes desenhos vieram deste site, que em conjunto com este têm das melhores reproduções das obras de M.C.Escher disponíveis na net. Nas duas primeiras imagens mudei a cor do quadrado, onde se inscreve o círculo, de branco para preto, devido ao fundo preto deste blog. Na imagem das serpentes isso não ficaria bem.

Entre as inúmeras referências a Escher na net seleccionei esta que se refere às serpentes e a Poincaré e Coxeter, como matemáticos cujos trabalhos influenciaram alguns dos desenhos de Escher, nomeadamente estes que acabo de mostrar.

3 comentários:

DL disse...

Há um livro da Taschen (uma das edições dos 25 anos) sobre ele.
Colocar o infinito (ou a tendência para ele) na pariferia do círculo parece a escolha mais natural, por uma questão de área disponível.

(Obrigado pela resposta sobre a visita à central.)

Sissym disse...

JJ

Que lindo! Adoro formas e cores.
Este realmente, ao fitar, dá uma sensação de continuidade. Observando outras matérias suas apresentadas, eu respondo que sempre gostei de admirar louças antigas, atento aos ricos detalhes. São obras de artes.

BEIJOS

jj.amarante disse...

Sissym, oops, o tempo voa, as borboletas são de 1950,os pássaros de 1958 e as serpentes de 1969, ainda há pouco tempo eram obras modernas e já começam a ter uma ligeira patine.