2010-03-23

Estátuas coloniais

Quando estive em Macau em 1990 fotografei o Hotel Lisboa, que me surpreendeu pela sua arquitectura exótica para os olhos de um ocidental.


Devo ter incluído no enquadramento a estátua equestre do antigo governador de Macau, João Maria Ferreira do Amaral (1803-1849), em parte para documentar a sua presença, pois parece-me que seria possível encontrar um enquadramento que não a incluísse. No entanto presumo que não fiquei fascinado com a atitude do ex-governador, que parecia estar a bater em alguém que estava ao lado do cavalo e que seria presumivelmente um chinês, pois na imagem quase que só se vê o cavalo.

Para compensar esta falha mostro outra imagem que encontrei aqui.



Tenho uma vaga memória de me terem dito em Macau que os chineses não gostavam da estátua e dalgum bru-á-á em Portugal quando a estátua foi retirada, ainda durante a administração portuguesa do território, constatei agora numa consulta na net que isso ocorreu em 1992.

Na altura achei a conversa de que não se deve apagar o passado completamente disparatada, ao confundir a preservação da memória com a comemoração ou celebração de um dado evento ou personagem histórico, de que os habitantes do território ou os seus antepassados não guardam boas recordações.

A estátua foi recambiada para Lisboa e encontrei-a por acaso há uns dois ou três anos na Alameda da Encarnação, no topo relvado mais próximo do cruzamento da Av. de Berlim com a Av. Cidade do Porto.



Não sei qual o motivo para a colocar aqui mas os contentores das obras já estão no sítio há imenso tempo, a estátua parece estar de castigo...

4 comentários:

Anónimo disse...

Com tantas coisas que ele podia levar na mão escolheu logo um chicote e parece que esta a bater ou no cavalo ou noutra coisa qualquer.

patricia disse...

Os chineses odiavam o destemível Governador Ferreira do Amaral. Ele fez-lhes frente, expulsando uma série de Mandarins responsáveis pela angariação de fundos através dos impostos.
Como vingança, foi morto por um chinês ao pé da fronteira enquanto dava um passeio matinal.

João Costa disse...

A "pose" do governador na estátua pretende ilustrar precisamente o momento em que foi atacado de forma cobarde por um bando de chineses q acabaram por lhe cortar a cabeça. O movimento do chicote pretende evocar a forma de defesa do governador no momento exacto do ataque.

Carlos Carvalho disse...

Acho engraçado que as pessoas tenham opinião formada sobre o gesto que se adivinha na estátua de Ferreira do Amaral. Falta de conhecimento histórico é do que se trata. Aliás, o que acontece com uma grande maioria do povo português. Pena a base e o local onde o colocaram, em Lisboa. Mostra a pequenês dos nossos responsáveis políticos, para com um Homem que foi grande em honradez e heroicidade.